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Manifestação

Entidades protestam contra a visita de Mahmoud Ahmadinejad

Manifestantes pedirão que o governo cobre explicações do presidente iraniano
  21/11/09 às 12:50  |  Agência Estado
Entidades ligadas a movimentos civis e religiosos vão protestar amanhã (22) e segunda-feira (23), no Rio e em Brasília, contra a visita do presidente Mahmoud Ahmadinejad e as violações dos direitos humanos no Irã. Os manifestantes, organizados na recém-criada Frente pela Liberdade no Irã (FLI), pedirão que o governo cobre explicações do presidente iraniano, que será recebido segunda-feira (23) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Nós nos manifestamos contra o presidente que nega deliberadamente o Holocausto e prega o fim de Israel. Alguém que nega a história e que não fala de futuro não agrega nada ao Brasil", disse Boris Ber, presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo.

O ato de amanhã (22) acontece às 11 horas, em Ipanema, nas esquinas da Avenida Viera Souto com a Rua Maria Quitéria, no Rio Em Brasília, o ato está marcado para as 12 horas, em frente ao Itamaraty. No domingo passado (15), aconteceu a primeira rodada de manifestações, com protestos em 15 Estados. Além de grupos israelitas, judeus, minorias iranianas, integram o movimento grupos de homossexuais, de negros e outras organizações sociais.

Em manifesto redigido pela entidade, eles acusam Ahmadinejad de impor restrições sobre a liberdade de expressão, de associação e de reunião, de perseguir e torturar ativistas dos direitos humanos, de executar crianças, de negar o Holocausto, de tentar acabar com Israel e contrariar acordos internacionais ao desenvolver estudos de armas nucleares.

"O manifesto resume os motivos que levaram grupos distintos a se reunir para protestar contra a possibilidade de o governo brasileiro buscar acordos com o Irã, sem que sejam expostas as reprimendas pelas políticas extremistas do visitante. O Brasil tem o compromisso de explicitar ao governo do Irã que não apoiamos sua ações internas", diz o documento.

"A visita do presidente Ahmadinejad deve acontecer, porque isso nos ajuda a denunciar os problemas que existem no Irã. Claro que há os que defendam que não haja qualquer aproximação", afirmou Flávio Rassekh, representante da Comunidade Bahai no Brasil.

O presidente da Confederação Israelita do Brasil, Cláudio Lottenberg, repudiou a presença do iraniano no País. "Mahmoud Ahmadinejad despreza o diálogo e a democracia, dois ingredientes fundamentais para a busca da paz, da justiça e da segurança. Acreditamos que sua visita ao Brasil não responde aos interesses da construção da democracia em nosso País e tampouco envia a sinalização correta a um líder que, em vez de priorizar o diálogo, cultiva o confronto", disse, em carta da entidade.

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Comentários (total: 19)
25/11/09 00:54
Ania Cavalcante
Não há diálogo possível com a desumanidade

Ania Cavalcante

Causa-em indignação e um profundo estranhamento a visita de um ditador ao Brasil, parece-me uma dicotomia irreconciliável o presidente do Brasil, um nordestino que lutou pela democratização do país, pelos direitos humanos e pelos direitos dos trabalhadores, receber no país e dialogar com um ditador de um regime autoritário, assassino, que desrespeita os direitos humanos e qualquer diversidade étnica e religiosa. Desrespeita e condena à morte. Prende e violenta seus presos. Um regime, cujo presidente chegou ao poder de modo fraudulento, contra o qual parte de sua população – parte dos iranianos se revoltou – e foi sufocada.

Os iranianos lutam por seus direitos humanos. Lutam contra as penas de apedrejamento, contra as prisões arbitrárias, as perseguições a dissidentes políticos e pessoas de religiões não-muçulmanas, como os bahai ´s, cristãos

O Ministro de Defesa do Iran é procurado pela Interpol, como um dos comprovadamente responsáveis pelo atentado à Associação Mutual Israelita da Argentina, a AMIA, em Buenos Aires, um centro comunitário e educativo. Foi o maior atentado da América do Sul até hoje, onde 85 pessoas faleceram e centenas ficaram feridas. Abrir às portas de um diálogo com um regime que tem este ministro de defesa, é abrir as portas da violência e da intolerância, é colocar em risco o Brasil como local de um próximo atentado, e não necessariamente contra a comunidade judaica, mas também contra os bahaís, as mulheres, os homossexuais.

Receber alguém é compartilhar com este alguém algo em comum. Dialogar com alguém é trocar idéias, respeitar, não necessariamente concordar com o outro – o consenso tem suas armadilhas e, como diria Rosa Luxemburgo: “Freiheit ist immer Freiheit des Andersdenkenden”, que pode ser traduzido como “a liberdade é sempre a liberdade dos que pensam de modo diferente, dos dissidentes”. Mas aqui não estamos tratando de um “dissidente”, de alguém “que pensa de modo diferente”: mas do representante de um regime que persegue, tortura, assassina. Que busca apagar a História, as diferenças étnicas e religiosas, apagar um Estado do mapa, arrasar culturas.

A ditadura iraniana oprime os iranianos, proíbe a liberdade de imprensa, de expressão, prende e assassina aqueles que lutam pela democracia, pelos direitos humanos, e aqueles que não seguem a religião oficial. Trata-se tambpem de uma ditadura das idéias, em que se nega o que chamamos o paradigma da barbárie do século XX, o maior crime documentado e comprovado da humanidade, o Holocausto, perpetrado pelos nazistas e seus colaboradores entre 1933 e 1945, que vitimou seis milhões de judeus, e milhares de ciganos, eslavos, homossexuais, opositores políticos, deficientes físicos e mentais. Tratou-se de uma tentativa deliberada de exterminar todos os judeus e o Judaísmo da face da terra, e toda a dissidência política, ideológica e qualquer diferença étnica, um “assassinato em escala industrial” planejada, planificada por homens “inteligentes”: arquitetos e engenheiros que construíram campos de concentração e os campos de extermínio de Belzec, Sobibor e Treblinka, os médicos que realizaram experiências pseudo-científicas desumadas, os oficiais que assassinavam e torturavam sem nenhuma compaixão. Sem face humana.

Que tipo de futuro pretende construir o presidente do Iran? Que perspectivas para a humanidade ele nos traz, além de ódio, de negação da História, da humanidade, e da potencialidade de uma guerra nuclear que arrasaria parte ou toda a humanidade? O que ele ensina às crianças, que valores passamos às futuras gerações em um regime autoritário, violento, que cerceia a criatividade, a solidariedade, a liberdade, e a básica liberdade de pensar por si mesmo e de lutar por um mundo mais justo e igualitário?

Há algo de incompatível em receber o presidente do Iran, sem que isso pareça compartilhar de seus métodos e concordar com seu regime infame. Parece-me inverossímel estabelecer um diálogo possível com um assassino, com um negacionista. A única possibilidade que me parece plausível, verossímil, é estando este senhor no banco dos réus. Assim faríamos alguma justiça aos milhares que vivem nas prisões do Iran, e aos assassinados desse regime infame. Infame. Eu não tenho nada a ouvir desse senhor. Não há diálogo possível com a desumanidade.

Eu quero é ouvir as vozes dos que estão presos. Eu não as escuto. Eu gostaria de ter ouvido as vozes e conversar com os que foram assassinados. Esses sim, merecem nosso diálogo, nosso respeito, nossa luta, nosso tempo dispendido por um pouco de justiça. Por vozes unidas, por um alento de humanidade.

Registro aqui minha indignação e minha solidariedade a todos que se manifestaram e se manifestam contra os assassinos, e contra os “assassinos da memória”. É realmente infame o momento histórico que estamos presenciando. E triste a postura do país onde vivo, este Brasil de exílios, de lutas, de acolhidas, de povos e etnias tão diversas, mas – parece-me – com tal política, parece um incentivo de emigração à nuestro país hermano, a Argentina.

Ania Cavalcante é historiadora e professora de Antissemitismo e Holocausto no Laboratório de Estudos sobre Intolerância (LEI-USP), professora e palestrante de Holocausto vinculada ao Yad Vashem (Escola Internacional de Estudo sobre o Holocausto) de Israel e professora nativa de Língua Alemã. Integra a recém criada FLI - Frente para a Liberdade no Iran.

22/11/09 04:21
geraldo
Ora mas falam como se este país não tivesse problemas... e por acaso os países democráticos não são os maiores beligerantes? Graças a democracia tão liberal que este país em breve será como o e.u.a que tem a maior população gay, a maior população carcerária, o maior consumidor de drogas e a população mais obesa e endividada do globo. ao menos no irã eles não tem estes problemas. Vale lembra que israel é a nação mais armada do mundo e cabe aquele velho adágio "quem não deve não teme"
21/11/09 17:46
marx golgher
Ahmadinejad


Seja bem-vindo ao Brasil, presidente da República Islâmica do Irã, Mahumud Ahmadinejad. Mas Vossa Excelência , um devoto xiita precisa tomar cuidado. Quando se encontrar com o presidente Lula, não olhe para a mesa dele, sobre a qual repousa um exemplar da Bíblia Sagrada, livro cuja posse no vosso pais dá prisão e morte se for usado para a conversão ao cristianismo. Cuide-se também de não topar com uma importante assessora de Lua, uma judia, Clara Ant. Ao se encontrar com o ministro Marco Aurélio Garcia, assessor de assuntos internacionais do nosso presidente, lembre-se que, embora cante loas ao Irã xiita, é tão comunista quanto os comunistas enforcados pelo governo de Teerã, por serem ateus, crime lesa-Alá em vosso país. Ao sair às ruas brasileiras, cuide-se para não ver as mulheres andarem sem chador. Também não se assuste com os bahais em nossas ruas, que, no vosso país, são logo presos e mortos. No Brasil,vai ver homossexuais andarem vivos e não sumariamente enforcados nas ruas e praças de vosso país. Tampouco há mulheres lapidadas publicamente, acusadas de adultério ou homossexualismo., massacres que fazem a festa no Irã.
Pior ainda, o Brasil ajudou na criação de Israel ao assinar a Resolução da Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU) 181, que aprovou a Partilha da Palestina em 29/11/1947, em nome do direito da autodeterminação dos povos. O Brasil é um horror para Vossa Excelência, presidente Ahamadinejad.


21/11/09 17:40
eadianta?
Protesto unilateral????
E a limpeza etnica em gaza??? Como fica???
21/11/09 17:16
Beth
E o governo brasileiro não se explica... Por que essa inisitência em receber esse homem? O atuais governantes querem importar conflitos? Eu, brasileira que sou, parte desse povo mestiço, alegre, maravilhoso e tolerante, quero dizer que a atitude tomada pelos governantes não representa o pensamento nem o desejo do povo brasileiro . Um horror a manifestação dele sobre o holocausto... 6.000.000 de pessoas mortas... tudo mera ficção!!! Eu me sinto ENVERGONHADA !!!!! O povo brasileiro não tem nada contra judeus, muçulmanos, cristãos, etc nem contra israelenses, iranianos, libaneses, etc, etc. Nós somos da paz e eu, particularmente não concordo com esta visita.
21/11/09 15:37
Judeu de Verdade
Aviso aos que se dizem judeus e não são mas mentem : Voces mataram o Nosso Senhor Jesus Cristo, dominam o mundo com a vossa idilatria pelo dinheiro. Submetem todos os povos sob as vossas botinas. Acham que são os donos da verdade, mas não fazem outra coisa senão mentir. Instilam o vosso veneno, para gritarem : Barrabás. O vosso tempo está se esgotando. Arrepende vos, antes que não haja mais tempo. Porque o tempo está terminando. Pedi a Deus discernimento e Êle vos salvará.
21/11/09 15:30
artision
a manifestação no RIO começa às 10h da manhã, e em Brasília é na SEGUNDA-FEIRA! mais detalhes em www.artision.com
21/11/09 15:30
artision
a manifestação no RIO começa às 10h da manhã, e em Brasília é na SEGUNDA-FEIRA! mais detalhes em www.artision.com
21/11/09 14:52
domingos lanes leal petrola
O presidente Lula de quem fui grande admirador e em tempos de ostracismo politico fiz elogios em sala de aula´pois sou professor da rede de ensino estadual do Ceará deve entender que sua admiração pelo despota iraniano não é a do povo brasileiro, o politico iraniano é comparavel aos ditadores Hitler ou Stalin, mas o nosso Lula mudou e como mudou para pior, mas 2010 vem aí.
21/11/09 14:14
joao vanin
entendo que o brasil deve estreitar relações com todos os paises do mundo, e quem sabe o presidente lula nao seja o principal, para fazer este pais mudar algumas atitudes e se integrar a todas as nações democraticas que tratam os seus como gente; força LULA.
21/11/09 14:13
Bonfim
Acho que o presidente Lula, qdo sair vai deixar uma sujeira, por debaixo do tapete, mas com certesa virá a tona. E todos vão se lembrar desta visita horrorosa ao Brasil. Vamos ficar de Olho...
21/11/09 14:09
delson lima
Estou a mais de setenta anos ouvindo,lamúrias,lamentos,chororô,enfin, tudo para agradar,como sempre os "santos homens"que nãoexitaram e atingir com sus santas bombas atomicas, duas importantes cidades japonesas,vitimando milhares e minlhares de seres humanos.Voces estão preocupados com o IRAN,por querer fabricar sua bombinha? E, as mais de duzentas ogivas existentes nos EE.UU? Isso não preocupa? Deixemos a hipocrisia e vamos raciocinar com as nossas cabeças e andar com nossas próprias pernas...acorda malucos!
21/11/09 13:45
Claudio Drosten
qualquer cristão que conheça um pouquinho da bíblia, nunca seria oposição a Israel.
Se o Brasil tomar este caminho, em breve nosso propero país, será o caos, aguardem e verão
21/11/09 13:34
Salma
Não vi muitas diferenças em relação a muitos outros presidentes que visitaram e que mantém uma relação harmonioza com nosso país.
Os EUA também promovem torturas e execuções sem julgamento (guantánamo), é um dos poucos países que ainda mantém a pena de morte, promovem guerras absurdas, e não há manifestação alguma quanto à relação de afetuosidade que o Brasil mantém com eles.
21/11/09 13:30
didinho
É claro que a visita deste ditador terrorista não agrada aos brasileiros, mas agrada a alguns PeTralhas, inclusive o xiita do Tarso Genro e o nosso ilustre Molusco. Pois é, estamos sujeitos a ficar mal vistos em todo o mundo, apenas porque alguns esquerdistas daqui adoram esse ditadores (será que é isso que eles gostariam de implantar aqui?)
21/11/09 13:28
Fernando Torres Sapatusse
Este Homem,persegue as minorias no seu pais, se não mata poe os homosexuais em campos de concentraçãoi..esperando que morram de fome e sede.se um missionario evanguelico entrar no seu pais ,mesmo que não vá pregar e banido, ai quem querer se converter.
eu entendo o Lula, deve engolir cada sapo, ele compra carne, frango, manufaturados do Brasil..
nesta hora o dinheiro fala mais alto..
O hugo chaves fala mal dos EE.UU mas compra tudo que pode deles, e vende petroleo..
O mundo semre foi assim interresse em primeiro lugar.
21/11/09 13:24
Adelar Bazzanella
Certamente que é muito bom a liberdade da manifestação de opiniões, e imagino que igualmente, quando vier algum representante oficial de Israel, a mídia dê toda a cobertura às possíveis manifestações de repúdio, como está acontecendo agora, com estas, protestando contra a visita oficial do presidente iraniano.
O interessante em tudo isso é que, a reinvindicação do reconhecimento das diferenças não se está extendendo à consideração do direito de um país escolher sua forma de governo e suas decisões sobre leis, costumes, religiões e opiniões.
Ainda, é bom lembrar que muitos milhões de pessoas, pelo mundo afora, tem opiniões semelhantes à de Ahmadinejad, quanto à Israel, e ainda, que revisão histórica é um procedimento de metodologia científica, e por isso, de modo algum pode ser considerado errado pretender-se a revisão documental de todos os fatos pertinentes e específicos que preceram o aparecimento de Israel no cenário do Oriente Médio.
21/11/09 13:20
Liberdade de expressão
Israel faz um terrorismo maior do que qualquer grupo extremista, mata crianças tudo pela liberdade pessoal.
Quando um povo respeitar a diferença que outra possuir ela tera a vez(nunca o direito) de reclamar por algo. Todo povo(cultura) tem que ter a liberdade de expressar as suas indignaçoes sobre qualquer tema, saber dialogar é o que faz do adverso mostrar as certezas e incertezas das suas reinvidicações.
Aprenda ouvir para ser ouvido.
A imagem de Israel esta pior que qualquer nação mulçumana, por restringir as mesma liberdades que eles reclam que estão sofrento. Lembrando que Israel proibe o envio de materiais de construção para a faixa de Gaza, eles não podem construir Hospitais, Escolas?
Mostre respeito, que so assim serão respeitados. Ou querem exterminar os povos mulçumanos? Com o pretesto que eles que querem isso.
Diferenças culturais sempre é um choque para outra cultura, saber respeitar é o que faz um estar elevada sobre a outra, porem não desmerecera.
(Tribos indigenas do Amazonas se iniciam sexualmente com a puberdade das meninas-inicio da mestruação(11-14 anos) Deveriamos atualos por pedofilia ?
Ao contrario respeitamos a sua cultura.)
21/11/09 13:11
vilmar a. santos
Mahmoud é um ditador disfarçado de democrata, o presidente Lula que tanto lutou contra a ditadura militar no Brasil, e até hoje fala muito contra, não deveria receber esse déspota em nossa terra, que desrespeita direitos humanos