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Eu já sabia

Os problemas enfrentados pelos transportadores devido à falta de infraestrutura e más condições das estradas brasileiras são diariamente motivo de prejuízo para muitas empresas do ramo de transporte.
  06/12/09 às 23:08  |  Fernando Klein Nunes
Os problemas enfrentados pelos transportadores devido à falta de infraestrutura e más condições das estradas brasileiras são diariamente motivo de prejuízo para muitas empresas do ramo de transporte. Estes desafios são antigos e todos já conhecem o tema. Agora, novos estudos mostram que não há muito o que fazer para modificar este cenário.

Prova disso foi o resultado da 13.ª edição da pesquisa rodoviária da Confederação Nacional de Transportes (CNT), que anualmente analisa as condições das estradas brasileiras. Este novo estudo, divulgado no dia 28 de outubro, apontou que 69% das nossas estradas, federais e estaduais, estão classificadas como ruins ou péssimas.
Para realizar a pesquisa, a CNT analisou as condições de pavimento, sinalização, geometria da via, além de infraestruturas de apoio, como postos de abastecimento, borracharia, praças de pedágio e restaurantes.

Para os caminhoneiros e empresas de transportes de cargas, estes dados não trazem nenhuma novidade. Em 2007, quando a pesquisa da CNT apontou que 75% das estradas brasileiras tinham algum problema estrutural, empresários do segmento já haviam se mobilizado para tentar reverter esta situação. Entretanto, infelizmente, de lá para cá, poucos avanços foram conquistados.

O irônico de toda esta história é que, por causa de uma irrisória melhoria, o governo considerou estes índices satisfatórios, alegando que 33,1% da malha federal foi classificada como ótima ou boa. Obviamente esqueceram de analisar todo o contexto que mostra que o Brasil não possui rodovias com qualidade adequada para o tráfego.
Levando em conta os valores abusivos cobrados nos pedágios, um resultado positivo deveria apresentar estradas com padrões similares aos de rodovias de primeiro mundo. Mas quem percorre as estradas diariamente sabe que a realidade do nosso país está longe disso. Asfaltos esburacados, falta de acostamentos, sinalização inadequada, entre outros tantos problemas, fazem parte de nossa rotina.
O estado lastimável das estradas não é um problema exclusivo do setor dos transportes. Muito mais do que comemorar as Olimpíadas ou a Copa do Mundo no Brasil, é preciso estar atento aos problemas que deverão ser enfrentados para subsidiar tais eventos.

Espero que nos próximos anos nossos governantes prestem mais atenção na tão esquecida malha rodoviária brasileira. Só assim poderemos comemorar como uma medalha ou título a conquista da principal categoria em prol do nosso país: melhor infraestrutura.

* Fernando Klein Nunes é presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná (Setcepar)

 


 

 


 
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