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Cinema

Alemanha

Mostra de Berlim celebra 60 anos com 26 filmes de 18 países

Entre os concorrentes ao Urso de Ouro, está o diretor Roman Polanski
  09/02/10 às 12:54  |  Agência Estado
(foto: Divulgação)
Vai ser um festival para se assistir forrado com cueca de lã, já anunciou humorado o presidente (e também diretor artístico) da Berlinale, Dieter Kosslick, antecipando as baixas temperaturas que são esperadas na capital alemã, nos próximos dias. Berlim abre quinta-feira (11) seu festival, que vai até dia 21. É o primeiro dos três maiores eventos de cinema da Europa e o único que se realiza em pleno rigor do inverno. Cannes arma seu circo em maio, durante a tépida primavera da Côte d’Azur e Veneza espera o fim do verão, em setembro.

Frio e neve fazem parte da paisagem, mas isso não impede que estrelas decotadas desfilem pelo tapete vermelho da Berlinale. Este é um ano especial. O Festival de Berlim comemora 60 anos. "Esta cidade é uma sobrevivente. Pode com tudo e os berlinenses, também", anuncia Dieter Kosslick. Criado no pós-guerra, como símbolo da nova Alemanha - e consolidado durante o milagre econômico -, o festival se desenvolveu na metrópole que foi devastada na guerra e, depois, dividida durante a Guerra Fria. No começo dos anos 1960, Berlim viu nascer o infame muro, derrubado em 1989. Com ele, ruiu também o império soviético. O ‘palast’, palácio do festival, fica em Potsdamer Platz, tão moderna que parece futurista. Por ali passava o muro.

A seleção do 60º aniversário inclui 26 filmes, 21 em competição. Representam 18 países. São obras de veteranos de prestígio e de novos talentos. Cinco vencedores do Urso de Ouro voltam a disputar o prêmio - Zhang Yimou, Michael Winterbottom, Wang Quan’an, Roman Polanski e Jasmila Zbanic -, concorrendo com estreantes como a argentina Natalia Smirnoff. O filme da Argentina é o único latino-americano em concurso. A disputa do Urso volta-se especialmente para os países nórdicos (Dinamarca, Noruega, Suécia) e para a Ásia (China, Japão). A Alemanha tem suas estrelas na competição e uma mostra inteira - "Perspective Deutsches Kino" - para exibir as novas tendências de seu cinema. O Brasil participa das seções paralelas.

Como em Cannes, a L’Oréal é sócia importante do evento e várias estrelas da grife são esperadas na Berlinale, de Penélope Cruz a Andie MacDowell e, este ano, integrando pela primeira vez o firmamento da marca, Diane Kruger. Uma estrela de Hollywood integra o júri (René Zellweger), outra, alemã, recebe um Urso de Ouro especial de carreira (Hanna Schygulla) e a presidência do júri volta a ser exercida por um homem, após um 2009 em que as mulheres deram as cartas em Berlim (Tilda Swinton) e Cannes (Isabelle Huppert).

Uma data redonda merece uma retrospectiva especial e Berlim, voltando-se para a própria história, faz a síntese das inovações estéticas e registros políticos que marcaram estas seis décadas. À margem de tudo isso, haverá uma gala para ninguém botar defeito. Uma nova versão restaurada de "Metrópolis", de Fritz Lang, encontrada na Argentina, será exibida ao ar livre, com acompanhamento sinfônico. "Metrópolis" é como Berlim. Sobreviveu a tudo, até a uma versão colorizada e roqueira de Giorgio Moroder. Merece voltar como o clássico expressionista que Lang concebeu.  
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