A montagem "Memórias do Subterrâneo", adaptada a partir da obra de Fiódor Dostoievski pelo diretor Emerson Rechenberg, reabre a temporada de espetáculos do Teatro Cleon Jacques. A peça vem sendo trabalhada desde o início de 2005 em seus diversos aspectos: adaptação do conto, ensaios e construção da cenografia. A peça estreou no mesmo ano, ocupando uma sala da Casa de Cultura Helena Kolody.
Confira a programação.
Nesta nova temporada, o grupo adaptou o cenário para o palco do teatro. O cenário recria um porão, local onde o personagem da peça habita há alguns anos. É nesse ambiente hermético que o público acompanhará a trajetória desse homem, que abriu mão do convívio social para fechar-se em seu universo fantasioso e extremamente cruel com as outras pessoas. Quanto à transposição do conto para a linguagem teatral, o processo foi realizado na prática, a partir da construção das falas, da narrativa e das experimentações realizadas com os atores envolvidos.
A montagem também serve como experiência prática sobre um gênero recorrente na carreira do diretor Emerson Rechenberg: os monólogos. O tema foi objeto de estudo teórico em sua especialização em teoria do teatro, realizada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e a montagem de "Memórias do Subterrâneo" nesse formato reforça as pesquisas práticas iniciadas em outros monólogos encenados pelo diretor, como "Nunca Mais" (1996), "Valsa n. 6" (2002) e "As Últimas Flores que Colhi" (2003). Nessa remontagem, as características principais foram mantidas, mas novas idéias acrescentadas, em conjunto com o ator Ade Zanardini.
"Memórias do Subterrâneo" fez cinco temporadas em Curitiba desde sua estréia, alem de participar dos Festivais de Cascavel e Jacarezinho e cumprir temporada de três meses no Viga Espaço Cênico, na capital paulista.