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Economia

Garrafas

Mercado de bebidas exigirá investimentos

Neste momento, além de capacidade fabril, está em jogo a compra de marcas que possam disputar o interesse do consumidor
  15/12/07 às 14:51  |  Agência Estado
São Paulo, 15 (AE) - Ao contrário do que ocorreu neste ano, quando a indústria de bebidas voltou a operar em linhas de produção que estavam paradas há muito tempo, 2008 será a vez de realizar pesados investimentos em aumento de capacidade produtiva, o que incentivará o processo de consolidação do setor Neste momento, além de capacidade fabril, está em jogo a compra de marcas que possam disputar o interesse do consumidor de baixa renda que está entrando no mercado, em especial na região Nordeste, assim como o consumidor de alto padrão, que dá cada vez mais fôlego para as categorias premium.

Todo este apetite tem como pano de fundo a expectativa de crescimento de mais de 6% para o setor de cervejas em 2008, ritmo de crescimento iniciado em 2005, após anos de baixa nos negócios. A estimativa da Schincariol é ainda mais otimista e prevê crescimento de 8% a 9% para o mercado no ano que vem, segundo o diretor de Marketing do grupo, Marcel Sacco.

No segmento de refrigerantes, as vendas vão crescer mais de 7%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir). A Tendências Consultoria Integrada estima que o setor de bebidas como um todo crescerá 5 1% este ano e 7,7% em 2008, graças ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e da renda.

Um bom exemplo da disposição para novos investimentos foi o anúncio feito pela Schincariol de que investirá R$ 1 bilhão em aquisições e expansões em 2008. Além de ampliar seus centros de distribuição, a empresa pretende iniciar as operações da nova fábrica instalada em Horizonte, no Ceará, no começo de 2008. Em 2007, a capacidade de produção da companhia passou de cerca de 3 bilhões de litros para 4 bilhões de litros de cerveja. Uma das unidades em expansão fica em Alagoinhas, na Bahia.

A AmBev também tem um plano de R$ 1 bilhão em aportes por ano durante os próximos cinco anos, além de estudar a instalação de sua segunda fábrica na região Norte, que deve entrar em operação até o verão de 2009.

Este ano, Schincariol e AmBev lideraram o processo de consolidação do setor, com a compra da Cintra pela AmBev e da pernambucana Nobel pela Schincariol, que já havia adquirido a Baden Baden, de Campos de Jordão.

A mexicana Femsa, dona da Kaiser, deve participar deste processo porque a Kaiser tem baixa penetração em outros estados, especialmente no Rio de Janeiro, assim como a marca Sol. Por ter capacidade ociosa, o mercado acredita que ela se interessará mais em marcas do que em fábricas. A compra de rótulos também é um bom negócio para a Petrópolis, uma vez que a Crystal, sua segunda marca, tem preços baixos. Hoje, a companhia está construindo uma fábrica em Rondonópolis (MT), com capacidade para produzir 100 milhões de litros de cerveja por ano a partir de janeiro de 2008.

As regiões Norte e Nordeste continuarão a ser a menina dos olhos do setor de bebidas devido ao aumento da renda disponível, motivo pelo qual a AmBev planeja aumentar sua presença no Norte e a Schincariol está ampliando a unidade de Alagoinhas, na Bahia depois de investir na unidade no Ceará. A Femsa possui uma unidade em Manaus e a Schincariol em Benevides, no Pará.

Outra tendência do setor cervejeiro é aproveitar a demanda por produtos mais sofisticados e o câmbio favorável às importações, para aumentar as vendas de marcas premium. Este movimento começou em 2001, quando a AmBev relançou a Bohemia, e desde então a fatia desse nicho no mercado total de cervejas passou de 2,5% para 6,8%, segundo dados Nielsen.

Na indústria de refrigerantes, um dos grandes desafios das empresas será no lançamento de novas bebidas light, que ainda não conquistaram o interesse do público. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir), 8,5% do mercado de refrigerantes é composto por produtos light e diet, um avanço de apenas 1,5 ponto porcentual desde o início da década.

Em algumas capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro, o consumo dos produtos de baixa caloria representa mais 10% do mercado, o que demonstra que a demanda pela bebida light e diet está muito relacionada à renda disponível, mesmo que o preço do produto normal seja equivalente ao light.

A Coca-Cola tem sido bastante agressiva neste segmento, com o lançamento da Coca Zero, seguida pela AmBev, que incluiu a informação "zero" em sua linha de refrigerantes a partir deste ano. A mudança vale para Guaraná Antarctica, Sukita, Tônica e até mesmo para a Pepsi, distribuída no Brasil pela companhia. No segmento de águas saborizadas, a Coca-Cola lançou a Aquarius e a AmBev trouxe a H2OH!.

A indústria de refrigerantes e seus fornecedores também têm necessidade de investir em 2008, segundo o presidente da Abir, Hoche Pulcherio. Segundo ele, as regiões Norte e Nordeste terão um crescimento mais acentuado no setor de refrigerantes, enquanto outros produtos - águas saborizadas, sucos, e bebidas light - devem impulsionar as vendas nas outras regiões.

Em um momento de alta dos insumos, como a cevada e as embalagens em especial resinas plásticas e latas de alumínio, o apetite do consumidor brasileiro ajudará a manter a rentabilidade das companhias em níveis elevados em 2008, mesmo em meio a pressões de custos.
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