De férias em Bombinhas (SC), o mestre-cervejeiro Garrett Oliver, da microcervejaria nova-iorquina Brooklyn, foi um dos destaques da da Sommerfest, que reuniu em Blumenau produtores artesanais catarinenses como a Eisenbahn, que o recepcionou. Oliver, especialista em harmonizar cerveja e comida - é autor do livro The Brewmaster’s Table -, concedeu à Agência Estado, por e-mail, a entrevista que você confere a seguir.
Agência Estado - Que cervejas brasileiras você já provou? O que achou?
Garrett Oliver - Difícil lembrar, mas algumas são boas e fiéis aos estilos. As da Eisenbahn são as melhores, em especial a weissbier e a dunkel, melhores que muitas alemãs.
AE - Como as microcervejarias cresceram nos EUA?
Oliver - Fizemos parte de uma revolução culinária, com vinho, queijo e outros tipos de comida. Quando os americanos começaram a comer melhor, também quiseram beber melhor. E as microcervejarias são muito criativas.
AE - No Brasil ainda há preconceitos como "cerveja tem de estar estupidamente gelada" ou "a escura é para mulheres". Entre vocês existe isso?
Oliver - Sobre cerveja gelada, sim. Da escura, nunca tinha ouvido.
AE - Qual o impacto de harmonizar cerveja e comida?
Oliver - Para promover cervejas, muitos produtores usam a harmonização, mostrando quão maravilhosa pode ser a bebida num jantar em casa.
AE - No vídeo
‘Cheese Wars’, você "duela" com uma enóloga durante uma degustação de cervejas, vinhos e queijos. Como vê a reação dos participantes ao "descobrirem" a cerveja?
Oliver - Eles ficam chocados. Geralmente são fãs de vinho. Mas a cerveja é tão superior que eles saem fãs de cerveja. Também adoro vinho, mas a cerveja é mais versátil com comida.
AE - Quão importante é para a microcervejaria ter uma variedade de estilos?
Oliver - A criatividade é pré-requisito para o sucesso. A cerveja é mais bem-sucedida onde há boa mistura de estilos tradicionais e novos. Adoraria ver brasileiros fazendo cerveja para combinar com comida brasileira. O mestre-cervejeiro é como um chef, pode buscar influência em todo lugar.