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Esoterismo & Religião

Desinteresse

Jovens índios têm pouco interesse por tradições religiosas

Grande tragédia dos caiuás no momento é a falta de interesse dos jovens por essas práticas
  06/03/08 às 13:56  |  Agência Estado
Os guaranis das regiões Centro-Oeste e Sul do País se dividem em dois grupos: nhandevas e caiuás. Estes últimos são conhecidos pela forte religiosidade. Rezam para plantar, colher, curar doenças, viajar, chamar chuvas, desfazer coisas ruins.

As rezas podem durar dias e são conduzidas pelo nhanderu, o líder religioso, que freqüentemente também é líder do clã familiar. Ao contrário do que acontece com padres e pastores, eles não se formam em escolas, mas na prática, com os nhanderus mais velhos.

A grande tragédia dos caiuás no momento é a falta de interesse dos jovens por essas práticas. "Até os 12 anos, o menino gosta de cantar, dançar, rezar. Mas depois começa a ficar com vergonha", diz Getúlio de Oliveira, de 54 anos, nhanderu e líder de um clã familiar na aldeia Jaguapiru.

Ele ainda não encontrou ninguém na família interessado em sucedê-lo. Melhor sorte teve Jairo Barbosa, de 55 anos, morador da aldeia Panambizinho e um dos mais respeitados nhanderus da região: Robinson, um de seus onze filhos, rapaz introvertido e de pouca fala, interessou-se pelas atividades religiosas e está sendo preparado para a sucessão.

Uma das tarefas de Robinson agora é ajudar nos preparativos da festa de inauguração da casa de rezas que acaba de ser construída no quintal da casa deles: um galpão com estrutura de madeira, chão de terra batida, sem janelas, coberto com fibras de palmeira e muito fresco. A inauguração será dia 22, com um dia e uma noite de cantos, rezas e danças, regados a chicha - bebida fermentada, à base de milho, levemente alcoólica.

O temor de Jairo é que a casa seja incendiada, como aconteceu em outras aldeias. Para se prevenir, ele já procurou a Funai para dizer que nos últimos dias alguns obreiros pentecostais rondaram sua casa, gritando palavras contra Satanás.

Jairo já foi evangélico. Durante a entrevista, sob o olhar encantado da companheira, Cinha, ele canta, em guarani,um desses hinos: "Canto, mas não emociono. Porque não é meu, veio da cultura civil, do estrangeiro. Minha fala é a cantoria".

Depois inicia a cantoria, uma reza gutural, com frases repetidas, que ele acompanha com uma maraca. A mulher o segue, batendo no chão de terra um tubo de bambu, com um som surdo. Ao final ele explica que agradeceu a presença de Deus ali, em sua casa, naquela hora. 
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Comentários (total: 1)
07/11/09 09:52
Lisandro Hubris
Quando chega o momento supremo (a separação eterna de tudo o que amamos), e o abismo do nada se abre para dissipar todas as nossas capacidades e esperanças...
Poucos aceitam deixar a vida e não mais retornar, sem se agarrar em algum amigo imaginário.
A religião fantasia que a vida humana seria eterna e o místico se agarra a essa irracionalidade, vaga, para reanimar as suas esperanças vacilantes.
A MORTE existe para renovar a VIDA, pois nos "ciclos Vitais" de cada espécie existe um equilíbrio que deve ser mantido, e para isso a morte é fundamental!
A morte foi à solução encontrada pela evolução para reciclar o material genético dos organismos existentes. Já que tudo tem seu tempo de se transformar, de transferir energia!!
Além da morte ser um artifício que a natureza criou para renovar a vida.
Todos os organismos trazem em si o cronograma do seu fim.
Pois existem genes que coordenam o desaparecimento do individuo.
E a morte é uma certeza, um destino biológico, um evento justo, natural, esperado e não uma fatalidade. Bem como, uma etapa inevitável da existência.
Pois enquanto a CIÊNCIA não for capaz de ampliar os nossos limites biológicos, e, sobretudo assegurar nossa saúde...
Tudo o que NASCER também envelhecerá e morrerá, já que a velhice é um processo natural e inevitável, onde as células vão deixando de cumprir a sua função.