Arqueologia
Iphan faz resgate histórico na Lapa
 25/03/08 às 20:10 | Carlos Simon
Dona de um rico patrimônio histórico, a Lapa abriga desde a segunda-feira um projeto para desvendar a parcela de sua história escondida no subsolo. Uma equipe de 15 pesquisadores do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ligado ao Ministério da Cultura, dá a largada ao resgate arqueológico no centro e arredores da cidade, com fins educativos e turísticos.
Os trabalhos práticos no Centro Histórico concentram-se na escavação de uma antiga fonte que será incorporada a uma nova praça, no limite da área tombada pelo Iphan. Enquanto recuperam a fonte do século 19, pesquisadores abrirão o espaço para o público e estudantes locais. “Assim aproximamos a arqueologia da comunidade, o que raramente ocorre”, afirma o arqueólogo Paulo Zanettini, chefe da equipe do instituto.
Paralelamente ao projeto, cerca de 10 técnicos do Iphan, vindos de diversas regiões do País, participarão de um curso de capacitação e treinamento específico para a arqueologia realizada em áreas urbanas. O instituto pretende ainda formar uma cultura arqueológica da Lapa, com formação profissional e instalação de laboratórios, mostrando os ganhos culturais e turísticos da atividade.
“Lapa tem quase 240 anos de história, ligada à instalação do ciclo do tropeirismo que ligava o Sul com o Sudeste País. Ela ficava às margens da Estrada da Mata, justamente o antigo caminho que ia de Viamão, no Rio Grande do Sul, à Sorocaba, em São Paulo. Deste modo, há diversas representações desse patrimônio histórico e arqueológico, excelentes para exemplificar diferentes períodos e costumes”, diz Zanettini, que considera o patrimônio lapeano um dos mais belos e bem preservados do País.
“É uma cidade rica em potencial turístico. Quantas cidades brasileiras com menos de 50 mil habitantes possuem 7 museus e um belo teatro do século 19? Além, é claro, do patrimônio arqueológico que ainda está escondido nas antigas fazendas e no subsolo da área urbana. É um patrimônio incrível que trará um pedaço da história do Brasil, através do cotidiano do povo paranaense’, completa.
Em outra frente, equipes vão mapear sítios arqueológicos nos arredores da cidade — alguns de até 8 mil anos. “Temos oito sítios cadastrados no Paraná, mas alguns deles não são pesquisados. O Estado tem riqueza pré-histórica muito grande”, afirma Zanettini. Os locais preservam vestígios das primeiras comunidades que habitaram o Estado, atraídos pelas boas condições climáticas e de subsistência na região. As equipes do Iphan devem ficar na cidade por 10 dias.
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