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Cultura

Fringe

Avental Todo Sujo de Ovo dá lição de Stanislavski

Peça de texto simples de boa carpintaria, cujos atrativo é o relacionamento, aposta no jogo entre as personagens
  27/03/08 às 17:07  |  Fernando Klug - Especial para o JE
Entre propostas cênicas experimentais ou de vanguarda, a peça Avental Todo Sujo de Ovo parece deslocada. Não porque o release consegue sintetizar do que trata essa Comedia Melodramática, mas por ser um daqueles espetáculos vanguardismo zero, uma peça ”à moda antiga”: texto simples de boa carpintaria, cujos atrativos são os personagens e suas relações. No caso, as relações interioranas de afeto no âmbito de uma família. O cenário esteticamente improvisado – sofá/cristaleira/mesa de cozinha; a iluminação básica branca e o figurino realista, mostram como autor e diretor apostam no jogo entre as personagens.

O texto, escapando do fechamento lugar-comum, ganha vida através de um elenco com interpretações consistentes e profundas, em bela lição de construção naturalista,  lembrando a falta que faz um ator saber falar e criar personagem verossímil. A direção (Fábio Lopes), abre mão de todo e qualquer artifício (não há sonoplastia nem efeitos especiais), excetuado o jogo com a intensidade da luz. Mas está presente em cada fala ou movimento de elenco, com impressionante sensibilidade. Duas ressalvas: o cenário poderia ser esteticamente mais rico e poderia se evitar o efeito de luz do “show” da personagem Indienne.

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