O movimento nos bares, restaurantes e similares de Curitiba apresentou uma queda entre 25% e 30%, segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) nos maiores estabelecimentos da Capital. O recuo foi verificado na última semana e seria resultado direto da implantação da Lei 11.715, conhecida como Lei Seca, conforme entrevista do presidente da organização de classe, Marcelo Pereira, veiculada pela rádio CBN Curitiba ontem à tarde.
Pereira adiantou que a associação irá à Justiça tentar derrubar a lei que, segundo o departamento jurídico da Abrasel, é inconstitucional. Ele declarou ainda que o setor não é favor do consumo desenfreado de bebida alcoólica, mas sim contra o rigor da lei que beira o radicalismo.
“Agora até mesmo quem bebe comportadamente, como aquela pessoa que toma um copo de vinho no casamento de um familiar de modo comportado se fôr pega no trânsito passará, agora, a ser uma infratora”, declarou em entrevista.
Nesta sexta-feira, o setor deve reunir-se na sede da Secretaria Municipal Antidrogas para buscar uma alternativa para a questão. Sobre demissões, Pereira diz ser ainda muito cedo para mensurar a questão.
Odilon Merlin, dono do Era Só o Que Faltava e da Sandwicheria República, afirma que, desde a implantação da nova lei de tolerância zero com relação ao nível de álcool no sangue de motoristas — até 2 decigramas por litro, quando na Argentina, por exemplo, os níveis vairam de 5 a 8 decigramas por litro —, houve uma mudança no comportamento dos clientes que costumam frequentar os estabelecimentos.
Na República, por exemplo, Merlin cita que após as 23 horas não se vende mais cervejas. “O pessoal começa a consumir apenas refrigerantes e sucos”, comenta. Já no Era, o consumo dos coquetéis sem álcool quintuplicou nesta última semana. “Embora ainda seja cedo para mensurar uma queda de movimento, que houve, dá para com certeza afirmar que a lei já provocou sim uma mudança de comportamento do frequentador de bares e restaurantes”, aponta.
Além disso, o número de pessoas que tem deixado os carros nos estacionamentos aumentou. “Ontem (terça-feira) uns amigos meus preferiram deixar o carro e pegar um táxi para irem para casa”, conta. Merlin ressalta que esse tipo de atitude o tem feito pensar em apresentar alternativas para os clientes, como um serviço de van ou um convênio com alguma empresa de táxi ou moto-táxi.
“Mas ainda temos de ver qual será a necessidade do cliente”, obeserva. Ele ressalta que essa tem sido a preocupação de outros empresários do setor. Merlin é também integrante da Abrasel e representante da Câmara Setorial de Bares e Casas Noturnas do Sindicato de Bares, Restaurantes e Similares.
Nota — No site, a Abrasel divulgou uma nota informando os argumentos que usará para tentar derrubar a lei seca na Justiça. Entre elas, está o da inconstitucionalidade por contrariar o artigo 5º, inciso LXIII da Constituição Federal e obrigar o cidadão a produzir prova contra si mesmo, ao ter que assoprar o bafômetro. Caso se recuse, ele sofrerá as mesmas punições, ou seja, multa, apreensão da carteira e do veículo.