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Cultura

Instrumental

Passeando por sonoridades diferentes do pop

Discos instrumentais, uma obra baseada em literatura e uma aproximação da música portuguesa com a brasileira
  23/09/08 às 16:48  |  Da redação
A Maritaca Produções Artísticas é uma gravadora que  trabalha também com livros de partituras. Entre seus recentes lançamentos está o CD da Maritaca Quintet,  Waterbikes, álbum instrumental, no qual Léa Freire e Teco Cardoso se unem ao dinamarquês Thomas Clausen Brazilian Trio, para rever dez temas, entre composições próprias da dupla e clássicos absolutos da música brasileira, como “Retrato em Branco e Preto” e ‘Chega de Saudade’. O disco é jazz dos bons,  captaneado por quem sabe das coisas. Relacionado ao melhor do estilo na Europa, o pianista dinamarquês Thomas Clausen  tem 16 discos gravados, nos quais tocou com parte da fina flor do jazz mundial. Veja só a lista: Dexter Gordon, Miles Davis, Joe Henderson, Stan Getz, Dizzie Gillespie e Chet Baker.  Em 2006, a flautista e compositora Léa Freire e o saxofonista e flautista Teco Cardoso uniram-se ao Trio para uma turnê pelo Brasil e pela Europa, dando assim nascimento ao quinteto.  O resultado dessse encontro é uma deliciosa viagem musical, daqueles discos que podem ficar rolando indefinidamente enquanto se lê um bom livro, ou “só” pra curtir a música, cheia de sutilezas e climas, que sugerem sambas, maracatus e choros.
Rosário — É o disco de estréia do Nhambuzim, que debuta ousando transformar em  música, a inspiração que recebeu da obra do escritor mineiro João Guimarães Rosa. Interessante, também. As 17 faixaas são lançamento da Paulus, e quer também lembrar os  100 anos de nascimento do mineiro. Para construir o repertório, o grupo incluiu composiões próprias, junto de cantigas tradicionais do norte mineiro, além de algumas releituras de clássicos como “A Terceira Margem do Rio” (de Caetano e Milton) e “Sagarana”, parceria de João de Aquino e Paulo César Pinheiro conhecida na voz de Clara Nunes.
O disco ten participação do cantor Renato Braz, do violeiro  Paulo Freire e do acordeonista Gabriel Levy, com direção artística de Tom Viana. É um álbum bem mais cerebral, conceitual que nasceu. Bem produzido, tem nuances vocais, sotaques e arranjos apurados que criam um conjunto interessante e cheio de detalhes.  Quem conhece a obra do autor, é provável, sentir-se-à ainda mais integrado a este universo. Uma estréia legal. 

Navegar é Preciso — O cantor português Luís Represas firma cada mais sua aproximação com a cultura brasileira em várias  frentes.  Além de participar do novo disco de Margareth Menezes, esteve recentemente no  Brasil divulgando seu novo trabalho, Navegar é Preciso. Lançamento exclusivo no Brasil,  pela MZA Music, tem Martinho da Vila, que também assina a produção, e Zélia Duncan e uma versão simpática  de “Meu Erro”.           

  Cantor de grande prestígio em seu país – com mais de 30 anos de carreira e 3 discos de ouro-, ele incluiu também músicas suas inéditas.  O sotaque português  dá um acento grave à interpretação, sem perder um que de leveza, que se contrapõe bem. Dominam o disco as levadas baladeiras, em faixas de arranjos impecáveis que tornam as composições agradáveis de se ouvir. As composições deles são boas também, como a faixa que abre o disco, “Da Próxima Vez”. Em  “Meu Erro”,  o que primeiro entra em cena é  uma gaita  que transforma a  música dos  Paralamas, tirando o jeito de rock que  já conhecemos, nos puxando pra uma ambientação mais edílica, nostálgica.

“Sinal Fechado” mantém seus contornos tensos, lembrando levemente um clima de bolero. Os arranjos são, definitivamente, um destaque deste disco. Nota-se também o gosto do intérprete- compositor ao lidar com as músicas que escolheu. Conhecido por gostar de se lançar por mares musicais soltos pelo mundo, Represas parece muito à vontade com a música brasileira.

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