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Diversidade e expectativa no 5º Putz

A coluna Kinoputz conversou essa semana com alguns realizadores que tiveram seus filmes selecionados
  21/05/08 às 21:38  |  Equipe Putz
A coluna Kinoputz conversou essa semana com alguns realizadores que tiveram seus filmes selecionados para o 5º Putz. De mais de 230 trabalhos inscritos em nove categorias, a comissão de seleção escolheu os filmes a serem exibidos a partir do próximo dia 28, no Sesc da Esquina, em Curitiba. A grade, assim como programação de debates, oficinas e seminários gratuitos, está no site www.putz.ufpr.br .

Como já vinha ocorrendo em edições passadas, o público poderá conferir uma grande diversidade de produção. Um exemplo são os três trabalhos selecionados que envolvem o aluno do CINETVPR Fabio Allon dos Santos.

O “Nós”, curta a ser exibido na categoria de ficção, é o mais experimental deles ao pesquisar o uso de cenários. “Ele não tem um cenário convencional, mas um cenário com 40 televisões apenas e um galpão escuro. Ele é bem experimental nesse sentido - um ator e 40 televisões com imagens desse ator”, explica Allon.

A narrativa do filme é aberta e defronta o personagem com outras versões dele mesmo, incluindo uma multiplicidade de fragmentações, entre eles, a memória, possibilitando uma diversidade de leituras. O filme foi feito por meio de um edital da Fundação Cultural de Curitiba, sendo que a equipe é predominantemente universitária.
Outro filme inscrito por Fábio Allon é “Colorado Esporte Clube”, adaptação de um conto homônimo. Seu único personagem tenta superar alguns de seus medos. O realizador chama atenção para o uso de som no filme, que alterna o ruído de água e sons de crianças brincando em um ginásio ou parque aquático.

O último filme com participação de Allon (que no IV Putz venceu a categoria ficção com “Árvores e Chicletes”) é um exercício de faculdade (CINETVPR) assinado por outras nove pessoas que resultou no clipe para a banda Vadeco e os Astronautas. O trabalho mistura várias técnicas de animação, em que cada diretor cobriu um trecho da música.

O “Moradores do 304” do mineiro Leonardo Catapreta também é um filme de animação, apresentado como trabalho de conclusão de curso na UFMG. Leonardo conta que partiu do poema 1938 de Carlos Drummond de Andrade para desenvolver um roteiro. “Foi um processo de ficar pensando a respeito do que o Drummond fala no poema. Ele me passou uma coisa meio angustiante. Isso não é muito comum no que ele escreve, não tão ‘na cara’ quanto neste poema. É essa coisa de tormento, de solidão. Aí que deu no roteiro”, conta o diretor.

O filme combina algumas técnicas de animação (pixelation, recorte digital das imagens, animação tradicional em 2D, entre outras) partindo de mais de 2 mil imagens tratadas pelo diretor no computador, uma por uma. O filme já foi exibido e premiado em diversos festivais, incluindo o festival de curtas do Rio de Janeiro e uma menção honrosa na Mostra Londrina de Cinema.

Ainda no terreno da animação, o trabalho do curitibano Henrique Ribeiro “Um homem com uma câmera na mão”, assinado por Júlia Camos e Henrique Ribeiro, utiliza Dziga Vertov para fazer “uma brincadeira com vários filmes” por meio de stop motion. "É sobre um cara que vai fazer uma animação em stop motion, mas em vez de ele manipular os objetos, os objetos manipulam ele", conta Henrique.

Um dos participantes mais longínquos do 5º Putz é o vídeo publicitário “Seja diverso” inscrito por Lucas Caires da FTC Vitória. O filme, primeira experiência conjunta de uma equipe de cinco alunos, é  “um vídeo com uma linguagem extremamente simples e direta, e que é focado na Diversidade Cultural, um tema que é a cara da Bahia”, afirma Caires.
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