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Tendências de inverno no programa Com Você – Record News Pr

2 abril, 2015 às 15:59  |  por Hellen Albuquerque

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No dia 31 de março, fomos convidados a produzir um pequeno desfile com quatro tendências para o inverno deste ano. Das calças e camisas do estilo boyish, falamos sobre o conforto de peças esportivas que levam cores militares e ombros estruturados. No bloco seguinte, retornamos às décadas 1960 e 1970, silhueta A, saltos de madeira grossos, franjas e mistura de texturas. O nosso inverno é colorido, cheio de estampas e diversão, sempre com criatividade e incentivando um consumo consciente. Dá o play! ;)


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O boyish busca peças tipicamente masculinas para o guarda roupa feminino, combinamos a calça e camisa da grife curitibana Jacu ao oxford da Tutu Sapatilhas para resgatar tal proposta. O blazer cheio de cor é da Tati Chiletto.

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Esportiva, com referências militares. As leggings – da marca Leggitas - garantem o conforto dos esportes, com uma blusinha da MIND, e óculos de madeira da Notiluca encontrados na Lots Criativa, ainda proporciona a praticidade com uma bolsa a tiracolo. O casaco é da Tati Chiletto.

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Aqui, vestido com estampa geométrica e cintura marcada, combinado a um casaco branco que deixa os pulsos à mostra. O tamanco com salto de madeira vem direto dos anos 1970, uma mistura de décadas com cores clássicas, todas as peças da Tati Chiletto.

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A composição folk é do Brechó Trinca Z, botas com canos mais altos, mistura de texturas como do algodão com pele fake e franjas, muitas franjas!

Já está com o guarda roupa preparado?

Quem deu uma super ajuda na produção e fez os clicks foi a Lígia Barone (obrigada, amada!), da Beep Marketing e Comunicação.
As modelos são a Aria Campos e a Samantha Rockembach, da Station Models.

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10 revoluções de moda para sua vida

13 março, 2015 às 09:24  |  por Hellen Albuquerque

10 revoluções de moda para sua vida


Tem vezes que bom mesmo é revolucionar! Seja no corte de cabelo, na mini saia, no novo trajeto para o trabalho… Uma pequena mudança pode alterar todo o seu entendimento e melhorar seu dia. Eu gosto de fazer diferente vez ou outra, por isso reuni 10 revoluções que saíram do meu guarda roupas pra vida. Qual foi a sua?

1-    Cortar o cabelo com máquina masculina
Há algo libertador sobre sentir o vento na nuca, não precisar de pente e lavar o cabelo com duas gotas de shampoo – secador não é necessário. Ter o cabelo curtíssimo é uma experiência que todos deveriam viver ao menos uma vez.

2-    Parar de usar sutiã
Sutiã aperta, incomoda, e fica mostrando suas alças quando não deveria. Lingerie completa só em ocasiões especiais.

3-    Desistir do salto alto
Eu ando a pé. O chão é de petit pavê. Entende o que quero dizer? Todos já ouviram a balela da elegância que o salto dá à postura, mas persevero na ideia que tanto a beleza, quanto a confiança vem de dentro, um sapato não te faz mais (ou menos) mulher.

4-    Comprar uma arara
Ver suas roupas penduradas te faz lembrar das que você tem. Nada de comprar o que não precisa, você ainda percebe quando uma peça não é usada há muito tempo.

5-    Não usar maquiagem diariamente
Entender seu próprio rosto e se acostumar com ele. O melhor cuidado para sua beleza é beber água, sério, vai mudar sua vida mais que qualquer creme revolucionário – e é de graça ou quase.

6-    Parar de fazer chapinha
Que coisa deliciosa não passar duas horas escovando e alisando o cabelo! Quando você diz pro seu cabelo que ele é lindo ao natural, cuida como deve, ele fica mais maravilhoso que qualquer propaganda de shampoo.

7-    Conhecer as tendências…
Só pra poder ignorar todas elas. Estilo não tem nada a ver com o hit da estação, manter sua personalidade vale mais que qualquer lançamento.

8-    Comprar em brechó
A economia é inegável, mas não para por aí. Peças que não se repetem, achados que já não são mais fabricados, é uma experiência que te torna única! E você ainda faz parte de um ciclo sustentável.

9-    Sair da zona de conforto
Qual a sua peça da salvação? A minha era o jeans. Hoje, também por questões idealistas, já não uso mais nada de jeans o que me permite inovar. Coloca de lado aquele uniforme diário e procure algo que você nunca se imaginou usando, quem sabe você gosta!

10- Me empoderar
Esse é um processo que começa na cabeça e só depois vai pra roupa. Ousar com a mini saia, cortar o cabelo, fazer uma tatuagem… Mudanças que vem apenas com a segurança e conforto de se amar como se é.

E aí, qual dessas mudanças você já fez ou quer fazer?
Me conta nos comentários!

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Coluna Indumentária: Afinal, quem é plus size?

20 fevereiro, 2015 às 09:50  |  por Hellen Albuquerque

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O mundo da moda é cheio de gente. E gente fala, e gosta de palavras e gosta de termos. Consequentemente, o mundo da moda é cheio nomenclaturas. Algumas se referem aos tecidos, outras às estamparias, comprimentos e origens. Porém outras referem-se a essa tal de gente que faz a moda. E aí que a coisa complica! Bem sabemos que somos todos diferentes, chegamos aqui sem manual, sem definição, e entre um tropeço e outro vamos aprendendo a andar. Alguns vão mais longe, aprender a andar em uma linha reta perfeita e chegam às passarelas. Esse espaço de sonho, antes reservado a uma pequena parcela, a cada dia se democratiza. Bem como a moda. Mas como somos pessoas e gostamos de colocar nome, dividem-se modelos, que também são pessoas que fazem a moda, em convencionais e plus size.

Afinal, quem é plus size?  “É uma questão bastante polêmica ainda, mas o que mais se fala aqui no Brasil é no manequim acima do 44. Por essa lógica nem sempre estamos falando de mulheres gordas, mas sim mulheres grandes”, explica Isabelle Campestrini, Miss Brasil Plus Size 2014. O termo que teve origem nos Estado Unidos, se refere a um tamanho maior, nem sempre relacionado com o peso, como diz Liliana Nakakogue, modelo plus size e autora do CWB Plus Size: “Se alguém é mais alto, usa uma numeração maior, não necessariamente está acima do peso, apenas tem um porte físico maior, de acordo com suas origens, como exemplo os alemães. Ou se calça um número maior de sapato também é considerado assim, então o que houve é que no Brasil, se popularizou no que diz respeito à moda, mas é no contexto de forma geral e as pessoas não abordam tanto isso”.

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Nesse sentido, Isabelle se identifica com a definição ampla da palavra, ela que é manequim 48 já passou por algumas rejeições no meio sendo considerada muito magra para ser plus size: “Eu gosto dessa lógica, pois plus size significa tamanho maior… Tá, mas maior do que o que? Maior do que o que estamos acostumados a ver como modelos ou em mídias, ou nos concursos de beleza, ou como exemplos de beleza! As plus, ao meu ver, são mulheres grandes se compararmos ao que estamos acostumados a ter como referências, que podem ou não estar acima do peso! Depende da estrutura corporal de cada uma!”. Para se ver como um tamanho grande e assim aceitar-se são passos lentos e às vezes com tropeços.

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Exatamente por isso, o bem estar consigo é o ponto que mais chama a atenção de Kelle Cristina Corrêa, nossa Miss Paraná Plus Size 2015: “Ser plus size é estar acima dos padrões normais de beleza e ser feliz com isso. É ter a autoestima trabalhada por meu autoconhecimento, saber que minha saúde está muito bem. Mas é acima de tudo, saber que enfrentei desafios e preconceitos para atingir este nível emocional e ainda assim eu continuo acreditando muito em mim, enquanto ser humano e enquanto mulher”. Resumindo essas nomenclaturas todas, porque somos gente e as adoramos, podemos dizer que plus size é alguém que não se limita.

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BootyCelli: a bunda pop e a arte renascentista

30 janeiro, 2015 às 14:51  |  por Hellen Albuquerque

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A música pop tem sido “All about the bass”! Meghan Trainor entoou o hino da atualidade ao celebrar suas formas, valorizando bundas prósperas, que tem como equivalente em inglês “booty”.  Nicki Minaj, Jennifer Lopez e Iggy Azalea balançaram devidamente seus traseiros, enquanto Kim Kardashian posou nua sustentando uma taça de espumante nas curvas de trás. Essa semana a comoção foi por Paolla Oliveira, que exibiu por um curto espaço de tempo suas dádivas da retaguarda em rede nacional. Em um momento de pré carnaval, o poder das carnes dá o que falar.


No Brasil, uma bunda de tanajura é grande, enquanto tico-tico arrebitada. O bunda mole é aquele sem iniciativa, enquanto quem a tem virada para a Lua é cheio de sorte. Mas a bunda está em nosso imaginário bem antes de Globelezas e calcinhas fio dental. Sandro Boticelli pintava as mulheres da corte italiana em formas arredondadas e livres, envolvidas por tecidos transparentes e anjos. Uma sexualidade inocente. Tudo tinha a ver com o significado da palavra “Renascimento”, que significa “Renascer”. O que estava renascendo? A era clássica da Grécia, quando o nu era o mais perfeito estado.

O Renascimento foi um movimento cultural que começou em Florença, em 1400, depois se espalhou por toda a Europa, e durou até os primeiros anos do século XVI. Tal período idolatrava a arte e a literatura desde as antigas civilizações da Roma e da Grécia, mudando a percepção do belo. A beleza era mais voluptuosa do que em qualquer outro momento da história. Naquela época os seus valores e formas, repletos de bundas gordas – “I got a big fat ass”/”Eu tenho uma grande bunda gorda”, como diria Minaj –  foram consideradas o esplendor da sensualidade.

Renasceu também a figura de Vênus da mitologia grega na pintura de Botticelli, uma mulher que brotou do mar nua, possuindo suas formas majestosamente, sem dar satisfações. A forma natural de uma mulher – como dado a ela por Deus ou como ela possuía sendo uma deusa – foi considerada absolutamente perfeita.

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De volta ao mundo pop, Bootylicious , uma combinação da palavra booty (quadril) e delicious (delicioso), entrou pros dicionários em 2006, quando Beyoncé ainda cantava como uma Destiny’s Child. Bey disse que o termo é direcionado a todos que se sentem bem com seu corpo. Se a apreciação renascentista toma o nosso mundo pop, mesmo que as avessas, que ocupe o corpo todo.

BootyCelli, a forma mais redonda unida ao amor pelo corpo natural do renascimento.

E como poetizava Drummond:

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda
redunda.

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O que os blogueiros no Camboja podem mudar no nosso dia a dia

27 janeiro, 2015 às 10:40  |  por Hellen Albuquerque

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Como a grande maioria de denúncias sobre o mundo da moda, ontem a série Sweatshop- Dead Cheap Fashion, que leva três blogueiros noruegueses para conhecer as condições de trabalho da indústria têxtil no Camboja, ganhou as timelines das redes. Foi depois de receber algumas mensagens inbox (agradeço aos amigos pela lembrança :) ) que resolvi me dedicar a tarefa de saber sobre o que se tratava.

Sweatshop é um termo sem definição exata no português, mas que diz respeito a fábricas, especificamente da indústria têxtil, em que trabalhadores manuais são empregados a valores absurdamente baixos.

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A ideia do documentário é simples e corajosa. O jovem diretor Joakim Kleven, de apenas 22 anos, convidou Frida, Ludvig e Anniken para passar alguns dias visitando fábricas e entrando em contato com a realidade dos trabalhadores do Camboja. Passado o sabor da novidade e descoberta, veio o esperado choque. Extensas jornadas de trabalho para um salário de U$100,00 por mês, alimentos escassos, moradias em péssimo estado…

E no fim, lágrimas (foi o meu caso também).

São cinco episódios com legendas em inglês ou espanhol, você pode assistir aqui. Antes que essa comoção chegue ao fim, podemos nos colocar na posição de não meros observadores, mas críticos da experiência de Frida, Ludvig e Anniken.

1. A moda tem várias facetas

Nem todas são simpáticas.

Gostamos de falar sobre como a moda é uma forma de arte, como expressa nossos sentimentos, constrói nossa identidade, nos torna únicos. Sim, a moda é todas essas coisas, no entanto, acima de tudo é um reflexo de nossa cultura. Inserida em sistema capitalista se torna uma indústria e um bem de consumo, e talvez essa seja a face mais dúbia. Enquanto gera milhares de empregos e é responsável por uma larga fatia da economia, há também sua corrida pelo mais rápido e mais barato.  Grandes redes de fast fashion lançam novidades a cada semana, incentivando um consumo desenfreado que tem como único objetivo possuir o novo, mesmo que não seja necessário.

Para isso, é preciso de mão de obra a valores baixos. Barateando os custos de produção, para que na próxima semana você possa comprar o kimono super trend com uma estampa diferente da do mês passado, e para que claro, sua compra gere lucro. E é aqui que entram suas aulas de história, o conceito de Mais Valia de Karl Marx define uma matemática simples dos custeios da força de trabalho e do produto final.

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Para que haja lucro a mão de obra recebe um valor bem abaixo do merecido, pois a maior parte vai para aqueles que concentram os meios de produção. Em resumo, a galera de Camboja ganha mal, porque alguém ganha bem. E essa é a máxima do capitalismo. Bonito, né?!

2. É fácil viver em uma redoma de vidro

Do aconchego de nossas poltronas e telas touchscreen lemos sobre atrocidades todos os dias. Esse distanciamento de mero espectador transforma situações em apenas termos. “Trabalho escravo”. “Morrer de fome”. “Miséria”. Palavras repetidas tantas vezes que parecem não mais ter sentido. Fica mais fácil assim…

Da mesma forma que leite não vem de caixinha, roupas não brotam em araras de shopping.

Há uma cadeia de produção, nem sempre justa, cada vez que você compra uma blusinha da China ou uma jaqueta na Zara. E abrindo espaço para humor negro, uma frase que sempre repito aos meus amigos: o mesmo trabalho escravo que produz a roupa de grife, costura as camisetas do lojão de R$10,00 perto da sua casa.

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Frida, Ludvig e Anniken visitaram Sokty, uma moça de 25 anos que trabalha todos os dias cerca de 12 horas em uma fábrica têxtil. O que mais surpreendeu foi a blogueira Frida fazer uma pergunta simples em meio ao jantar à residente:

-Você é feliz?

E aqui entra a minha grande agonia. Mas antes, que resposta você espera?

Se for um grande “sim”, foi de encontro as mesmas expectativas dos aventureiros. Que em meio ao caos, a pobreza, a falta de oportunidades, de alimento, e do que mais dói: a falta de sonhos, ainda fosse possível encontrar a dita felicidade. Pois ela está nas coisas simples, não? Ela está no desapego, no amor e nos amigos.

Bem, a resposta foi não. Sokty não está feliz.
E como poderia?

A anedota de que pobres são mais felizes é uma dose que conforto que nós, afortunados, contamos a nós mesmos. Tentamos diminuir a culpa, tentamos justificar o nosso virar dos olhos cada vez que encontramos um mendigo a pedir esmola com um “ele é feliz assim”.

Bem, nem sempre ele é.

3. Não existem opções

Anniken, a norueguesa mais jovem dos três e talvez por isso a mais  alienada  ingênua, quando na fábrica de costura justificou seu cansaço e falta de habilidade dizendo: “Eles estão acostumados. Fazem isso todos os dias. Existem trabalhos piores”.

Falando mais uma vez sobre nosso sistema, o slogan principal é de que existem oportunidades para todos. Que se você se esforçar o bastante, conseguirá vencer na vida, que tudo é baseado por meritocracia e estímulo próprio. Não é bem assim.

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Quando a própria Anniken se inseriu mais profundamente na realidade dos trabalhadores do Camboja, pode entender que nenhum deles gostaria de estar ali. Sokty, que os recebeu em sua casa, sonhava em ser médica. Outros vários trabalhadores que não revelaram suas identidades por segurança gostariam de ter estudado, porém a realidade é outra.

Na cena da imagem acima em que a blogueira entra em crise de choro, ela está escutando a história de uma trabalhadora que perdeu a mãe quando criança. Anniken perguntou como ela havia morrido. A resposta foi: de fome.

4. Temos a memória curta

Curtíssima!

Digite no Google: trabalho escravo moda. Aparece Renner, C&A, Zara, Pernambucanas e por aí vai…

Mas nós esquecemos, ou depois de alguns segundos expostos a realidades, pegamos nossas reclamações e voltamos para o twitter. No conforto das nossas redomas de vidro.

5. A responsabilidade é de todos

“A indústria da moda mata de fome seus trabalhadores e ninguém se coloca como responsável”, disse Ludvig ao fim do último episódio.

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Grande verdade. Mas afinal, quem são os responsáveis?

A indústria? Sim. As marcas? Com certeza. As autoridades do Camboja por permitirem essas condições de trabalho? Absolutamente.

Mas a responsabilidade também é minha e sua.

Ludvig decidiu carregar no corpo seu aprendizado, tatuando o protesto feito em Camboja para a mudança do salário mínimo de U$100,00 para U$160,00. Que para nós pode parecer pouco, mas para quem ganha 6 reais por dia de trabalho, é muito.

E agora?

Nas aulas de redação aprendi que é preciso indicar soluções aos problemas apresentados no texto. E acontece que sou uma daquelas idealistas irritantes, que insistem em dizer que são pequenos atos que transformam o mundo. Se não o mundo todo, ao menos o em que vivemos.

Nós estamos longe do Camboja.
Mas estamos rodeados de shoppings, de marcas, de grifes.

Consciência é tomar conhecimento, sobre si ou sobre o mundo.

Com esse documentário, ficamos conscientes de tais condições. Pois bem, estenda para o sua realidade e para o seu consumo: você pode comprar apenas o que precisa. Você pode pesquisar de onde veio sua roupa – não é difícil, tem até o aplicativo Moda Livre, que monitora marcas e de onde vem suas produções. Invista em peças de produtores locais. Se mantenha pensando e questionando os meios de produção. Não esqueça!

Quer fazer mais? Há diversos programas de voluntariado para a Ásia, o Orienting é um bem bacana.

Na próxima vez que se dirigir a uma arara, se faça consciente.

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Coluna Indumentária: A roupa do meu humor

9 janeiro, 2015 às 15:12  |  por Hellen Albuquerque

A roupa do meu humor

De todas as formas de expressão que conheço, as não faladas são as mais marcantes. O olhar no começo de um encontro, o sorriso de parabéns, o abraço de consolo. Se por escrito sou eloquente, ao vivo eu pouco me comunico. Minha cabeça sempre foi agitada demais para transmitir à boca tudo que gostaria de falar. Quer dizer, eu seria assim tão indecifrável se não fossem pelas minhas roupas. É no comprimento da minha saia que conto se busco conforto, diversão ou sossego. Nos dias de desapego, emocional e estético, nada como um vestido longo para manter o meu ar sereno. Se o sentimento não é tão nobre assim, afinal todos temos nossos dias de blues, um pouco de cor imediatamente funciona como meu prozac. Um laranja com estampa de margaridas, um vermelho com flores brancas havaianas, um azul com girassóis. Meu guarda-roupas é uma verdadeira estufa de flores. E pensando em padrões, as listras mais finas são para dias de organização e seriedade, enquanto as grossas pedem por mais descontração. Quando não sei bem o que procuro, algo mais usual do que deveria, faço uma mistura. Seja de listras com listras, flores com flores, ou listras com flores. Mas aí é preciso cuidado, não saber o que se quer não significa querer qualquer coisa. A forma como nos vestimos não apenas transmite mensagens sobre quem somos e do que gostamos, mas influencia diretamente no nosso temperamento. Quer sorrir o dia todo? Procure amarelo, estampas, colorido. Não é à toa que o luto é feito de preto, a união de todas as cores para demonstrar sofrimento. Quando o corpo pede por dança use algo rodado ou com franjas, deixe sua vestimenta misturar-se ao corpo e se tornar uma extensão. Tem roupa pros dias cinzas e dias de Sol, mesmo independente do tempo, tem roupa pra você, pra mim e pros nossos humores.

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Coluna Indumentária: Quando eu acostumo, tudo muda

10 dezembro, 2014 às 18:13  |  por Hellen Albuquerque

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Acordava, religiosamente, às seis horas da manhã. Para quem não acorda a esse horário todos os dias, seis horas é absurdamente cedo, para quem acorda, também. Mas é algo que se acostuma. Não tem muito barulho na rua, nem Sol no céu. O ônibus às vezes lota, outras não. Isso também já é familiar. Logo cedo toma uma xícara de café, que é um hábito e uma necessidade. Costume. De tão adaptável que é o ser humano, nos acostumarmos com algo é quase sintomático. Quando o cabelo se ajeitou nos cachos desproporcionais, aprendeu que não podia passar pente. Desembaraçar com as mãos, entendido. Processo que se repete todos os dias. Mas aí, fica calor. Queria prender rabo de cavalo e já não pode. Se acostuma com a quentura no pescoço? Ontem a temperatura estava alta, usei saia, hoje está mais frio e minha saia mais longa. O costume de usar saia permanece, independente da estação. E embora eu esteja acomodada com seu uso, com o tempo não me conformo. De manhã passei frio, mesmo com o casaco de precaução. À tarde carrego as blusas nas mãos durante o Sol do meio dia, para depois vestir uma delas dentro do escritório. No trajeto de caminhada para casa tiro mais uma vez. Depois coloco pijamas, esfriou, moletom. Me visto e desvisto em todas as horas do dia – bom seria caso existisse algum teor erótico nisso. Não há. É uma questão de nascença, no Brasil em período de aquecimento global. Também corpórea, sou adaptável, mas sinto ou muito frio ou muito calor. Principalmente geográfica, estamos em Curitiba. E o tempo de daqui é para lembrar que não temos controle (quase) nenhum sobre a vida. Mas sempre podemos nos adaptar – seja de casaquinho, amarrando o cabelo ou aprendendo a dançar na chuva.

Este texto foi originalmente publicado na Coluna Indumentária, impressa todas as sextas feiras ni Jornal Bem Paraná. 

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Coluna Indumentária: Para vestir o interior

25 novembro, 2014 às 13:38  |  por Hellen Albuquerque

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Os Beatles acabam com uma bala, já no Brasil os tiros cessam com o fim da Ditadura Militar. O Muro de Berlim cai, enquanto A-ha e Duran Dura marcam a trilha sonora. “Estamos falando dos anos 1980, mas é preciso lembrar que estamos em Mandaguari”, ela me interrompe.

Mandaguari

Município do interior norte do Paraná, assim como acontece com a capital, a origem do seu nome é indígena. Mandaguari é como os índios chamavam uma abelha, Curitiba é como indicavam a grande quantidade de pinhão. Grande parte das histórias se passa em uma única rua, que é também o centro. A Avenida Amazonas liga uma ponta da cidade a outra, é por onde se entra, se sai e se vive. É onde também nasce o vestido.

No único ateliê da cidade, Maria Augusta unia cetim, renda e tafetá para montar as alegorias do casamento há 55 anos atrás.

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“A Maria Augusta era uma mulher forte e muito, muito inteligente, pois antes mesmo de começar a vender vestidos de noiva, já havia feito o dela e das irmãs”, conta Adriana. Quando já não mais respirava, por isso também não tecia, foram as noras que assumiram o posto. Adriana e Leila mantém o mesmo local na Avenida atualmente, com diferentes vestidos e noivas. Acho que elas nunca viram o vestido.

Como todo interior, seja do mundo ou da gente, existem os caminhos e formas a serem traçados. Como manda a tradição, o casamento no papel acontece pela manhã, seguida por uma cerimônia durante a tarde. “Acredito que seja melhor que cidade grande, afinal somos mais conservadores, então o casamento tradicional aqui existe em maior proporção”, Leila ainda se satisfaz por proporcionar esta alegria para as noivas.

Talvez seja a pequenez da cidade que nos faça ficar mais próximos. “As pessoas são mais generosas lá, tem mais carinho, elas demonstram amor”, ela me afirmou bem pensativa, como quem viaja por contos. O casamento pode ser entidade falida em todas as partes do mundo, mas não ali. “Um casamento atrás do outro”, disse alguém sobre a frequência. Em todos esses, existem vestido. No fluxo intenso, um em especial. Mas tem mesmo que casar?

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Ela me disse que não. “Essas coisas são uma escolha, né?! Eu mesma não queria casar. Casei tarde pra época, com 25 anos”. O primeiro casamento que assistiu foi aos 11, era a união de sua irmã mais velha. Nunca nem tinha presenciado, quanto mais sonhado, no que usaria quando o dia dela chegasse.

Não era branco, como de costume, mas pérola. Tinha as mangas bufantes, como se o volume anunciasse o peso que carrega nos ombros. Guardava o colo e pescoço com renda, para depois se abrir na cintura com uma saia rodada. Lhe faltava véu ou qualquer coisa que arrastasse pelo chão. “Nunca gostei de nada arrastando”. Já existe muita coisa difícil pra querer mais uma te prendendo.

Deixava os pés livres, pedindo por caminhadas longas que iam além de um altar, e os tornozelos ficavam a mostra.  “Isso era muito diferente pro pessoal”, ela dá risada. “Mas eu gostava de coisas diferentes”.

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Foi criado a mão porque precisava ser pequeno para bem vestir. “Sempre fui muito pequena, procurei por todo canto, em outras cidades, algo que me servisse. Não tinha”, me falou. A inspiração não veio de nenhum ícone pop, embora Madonna trajada de noiva estivesse se sentindo como virgem na época.

Mas lá no interior não havia cinema. Pouco se tinha de informação, referências vinham de revistas guardadas por Maria Augusta. Via-se o que ali estava, eram feitas algumas alterações vindas da criatividade. O vestido ganhou pregas na parte da frente, um pedido tão inusitado quanto seu comprimento.

Era um sábado de novembro e chovia quando ela finalmente o usou. Mas isso já faz tanto tempo, que quase não faz diferença. Muita coisa mudou. “O padre já está caduco”, contou Lautir, mas a igreja ainda está lá.

De alguma forma o vestido veio parar em Curitiba. Sem vestir, mas dentro de caixa. Saiu de um mundo pequeno para outro menor ainda, em algum canto da memória. Talvez fosse muito curto para viver no interior, precisava caminhar. “Mas ele ainda me serve!”, disse Maria Helena orgulhosa. “Não quer tirar uma foto?”. Hoje não, respondi, quem sabe outro dia. Minha mãe trouxe pra cá o vestido e minha vida ainda inexistente veio junto.

É notável que a ousadia só precisa de alguns centímetros. Enquanto em Mandaguari isso significa uma barra mais curta, talvez em Curitiba seja exatamente o véu e grinalda.

Agradecimento especial à minha família que se movimentou lá do norte para que a história fosse contada aqui na capital, obrigada Madrinha e prima <3

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Se o dia é da consciência, aproveita pra pensar

20 novembro, 2014 às 13:14  |  por Hellen Albuquerque

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Quando foi a última vez que você parou de falar sobre um problema e ele desapareceu?

Comigo, foi nunca.

Se eu parar de falar sobre a conta monstruosa do meu cartão de crédito, a fatura continuará vindo no próximo mês.
Se eu parar de falar sobre como a religião não deveria afetar a política (ou qualquer assunto que ultrapasse escolhas pessoais) a bancada evangélica vai continuar impondo leis que prejudicam.

Quando paramos de falar sobre algo, sabe o que acontece? Vira um tabu.

O assunto continua ali, no canto dele, fazendo o estrago que tem que fazer. Talvez até cresça e aprenda a caminhar com as próprias pernas. Mas vai estar ali. A diferença é que ninguém fala sobre. Quando não se fala, também não se pensa. Não se discute. Muito menos se resolve.

E é assim com o racismo. Muitos acreditam que a partir do momento em que pararmos de falar sobre o preconceito racial ele magicamente vá desaparecer. Como varinha mágica que transforma abóbora em carruagem, ignorar um problema que assola nosso meio de convivência o faria ir embora.

Mas não é bem assim.

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O índice de analfabetismo entre negros é duas vezes maior que entre brancos. O percentual de negros assassinados no Brasil é 132% maior do que o de brancos. A diferença de salário entre brancos e negros é de 46,4%. E nem sempre adianta denunciar,  70% dos processos de crimes raciais são vencidos pelos réus. Dos 16 milhões de brasileiros em situação de extrema pobreza, 71% são pretos ou pardos.

“Ah, mas é que tem menos negros do que brancos, né?!” – diz um perdido na multidão. Não, não, meu caro. Eles correspondem à metade da nossa população. Exato, metade da nossa população sofre preconceito por sua pele todos os dias.

No dia 20 de novembro, foi instituído oficialmente pela lei nº 12.519, o Dia da Consciência Negra, data da morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares.

Já que o dia é da consciência, aproveita pra pensar.

Aproveito para deixar um poema incrível da jornalista e negra Elisa Lucinda.

Porque deixar de ser racista, meu amor,
não é comer uma mulata!

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“Mas que nega linda
E de olho verde ainda
Olho de veneno e açúcar!
Vem nega, vem ser minha desculpa
Vem que aqui dentro ainda te cabe
Vem ser meu álibi, minha bela conduta
Vem, nega exportação, vem meu pão de açúcar!
(Monto casa procê mas ninguém pode saber, entendeu meu dendê?)
Minha tonteira minha história contundida
Minha memória confundida, meu futebol, entendeu meu gelol?
Rebola bem meu bem-querer, sou seu improviso, seu karaoquê;
Vem nega, sem eu ter que fazer nada. Vem sem ter que me mexer
Em mim tu esqueces tarefas, favelas, senzalas, nada mais vai doer.
Sinto cheiro docê, meu maculelê, vem nega, me ama, me colore
Vem ser meu folclore, vem ser minha tese sobre nego malê.
Vem, nega, vem me arrasar, depois te levo pra gente sambar.”
Imaginem: Ouvi tudo isso sem calma e sem dor.
Já preso esse ex-feitor, eu disse: “Seu delegado…”
E o delegado piscou.
Falei com o juiz, o juiz se insinuou e decretou pequena pena
com cela especial por ser esse branco intelectual…
Eu disse: “Seu Juiz, não adianta! Opressão, Barbaridade, Genocídio
nada disso se cura trepando com uma escura!”
Ó minha máxima lei, deixai de asneira
Não vai ser um branco mal resolvido
que vai libertar uma negra:

Esse branco ardido está fadado
porque não é com lábia de pseudo-oprimido
que vai aliviar seu passado.
Olha aqui meu senhor:
Eu me lembro da senzala
e tu te lembras da Casa-Grande
e vamos juntos escrever sinceramente outra história
Digo, repito e não minto:
Vamos passar essa verdade a limpo
porque não é dançando samba
que eu te redimo ou te acredito:
Vê se te afasta, não invista, não insista!
Meu nojo!
Meu engodo cultural!
Minha lavagem de lata!

Porque deixar de ser racista, meu amor,
não é comer uma mulata!

(Da série “Brasil, meu espartilho”)

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Antes de tudo, por você – Por Jean Foss

5 novembro, 2014 às 11:25  |  por Hellen Albuquerque

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No post de hoje, caros leitores, inicio a reflexão lhes provocando com uma pergunta que, a primeira vista, pode expressar simplicidade, mas cuja resposta(s) é capaz de surpreendê-los: o que lhes motiva a se vestirem da forma como vocês se vestem?

Sabem, cavalheiros, fiz esta pergunta a mim mesmo um dia desses e percebi que, dependendo da situação, meus motivos mudam. E, ao pensar um pouco mais acerca do assunto, também percebi que não há nada de errado com isso. Afinal, cada ocasião me instiga de forma diferente, me inspira de forma diferente e me desperta diferentes ideias.

O problema, no entanto, ao meu ver mora na falta de convicção. Conheço caras, por exemplo, que alteram quase que completamente as formas como se vestem por influências externas. Mulheres, amigos, trabalho, medo de rejeição, entre outros fatores. E com isso, meus caros, eu realmente não concordo. E explicarei o porquê.

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Não é surpresa que elas (ou eles) nos estimulam a parecermos bem no que diz respeito ao vestuário. Quem não gosta de estar sempre bem vestido e arrumado para o amado, amada, ficante ou seja lá qual for o rolo em que você esteja metido, não é?! Mas é essencial parecermos bem de acordo com aquilo que nos faz bem. Ou seja, permanecer fiel àquilo que o seu guarda-roupa representa. Tenho plena certeza de que o outro irá lhe admirar por isso e você se sentirá mais a vontade.

Também há quem mude a indumentária por pressão de amigos, que às vezes tiram sarro, criticam e comentam de forma que sejam criados fatores como a insegurança e o medo. Se você é uma dessas pessoas, o conselho é: interprete o contexto ou arranje novos amigos. Interpretar no sentido de entender se as brincadeiras e críticas são realmente sérias e possuem um teor maldoso. Se sim, não vejo motivos para se manter por perto durante muito tempo. Criticar faz parte da amizade? Faz. Mas elogiar também. Assim como incentivar, respeitar e compreender. Portanto, não pare de se expressar por meio de seu estilo por causa de outros. E não tema a rejeição. Suas roupas nem sempre agradarão a todos, mas se lhe satisfazem puramente, go for it, bro.

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Quanto ao trabalho, o buraco é um pouco mais embaixo. É fato que existem empresas que exigem determinadas vestimentas. Na maioria, formais. Porém, não pense que por isso, não é possível colocar um toque pessoal nas suas roupas. Os detalhes, neste caso, fazem toda a diferença. Um belo relógio ou par de sapatos aliados a um terno bem cortado por exemplo, já é capaz de denunciar bom gosto e cuidado. Bem como brincar com estampas e cores. Todavia, se você é do tipo mais despojado, a coisa fica mais complicada mesmo. A não ser que você trabalhe em um lugar também mais despojado e casual, que não tenha um código de vestimentas específico. Aí, deixe o seu estilo rolar solto.

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E, aí, man, qual foi a sua resposta? O que lhe motiva a se vestir da forma como você se veste? Será que você tem deixado pontos externos roubarem a essência do seu estilo? Se sim, espero que este texto tenha lhe ajudado a recuperá-la. E, lembre-se, antes de tudo, faça por você. Se vista por você. Pense em você. Pois você é o único que pode fazê-lo.

Later, guys!

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