Colorido Mundo: editorial inspirado em Frida Kahlo

27 junho, 2014 às 11:05  |  por Hellen Albuquerque

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Olhe ao redor. Quantas diferentes cores você vê? O alaranjado sobre o qual esta coluna está intitulada. O vermelho das flores no cabelo. O tom da sua camisa. Cromóforo é o conjunto de átomos que ao receber uma corrente de luz visível tem uma excitação de elétrons emitindo fótons de uma pigmentação específica. Sendo mais prosaica, cromóforo é a molécula que dá cor.

“Tudo tu no espaço pleno de sons – na sombra e na luz. Tu te chamarás AUTOCROMO o que capta a cor. Eu CROMÓFORO – a que dá a cor. Tu és todas as combinações dos números, a vida”

O trecho é de uma carta escrita por Frida Kahlo para seu mentor, marido, amante e companheiro até o fim de seus dias: Diego Rivera. Frida nasceu em 1907 numa cidade no sul do México. No canto de La Casa Azul, moradia de seus pais, observava uma caixa de pinceis que ficava esquecida, sem saber bem para que lheserviria. Seu corpo não era dos mais fieis, por ter contraído poliomielite na infância carregava sequelas, mas bastava para as aventuras. Para voltar da escola vinha acompanhada de um namorado, a quem dedicou suas primeiras cartas de amor, os dois pegavam o bonde, porém um dia durante o trajeto foram surpreendidos por um trem. Na batida, um pára-choque perfurou as costas de Frida, atravessou sua pélvis e saiu pela vagina. Mais tarde, esse foi seu conto sobre perder a virgindade. Foi presa durante um ano em uma cama por conta do acidente que a mexicana deu liberdade à mente, para isso usou um espelho no teto e velha caixa de pinceis. Ganha pinceladas fortes nos registros que fazia de si mesma:

“Eu pinto autorretratos porque estou muitas vezes sozinha e porque eu sou a pessoa que eu conheço melhor”;

declarava Frida. E as cores não são tímidas. Descendente dos índios que construíram a cultura de seu pais, mantinha as roupas típicas e envolvimento com o movimento comunista, sonhava em alterar a politica do ambiente que estava inserida. Sua feminilidade transpunha certos padrões que são mantidos até hoje, bem como sua arte, que vai além do movimento surrealista, ao qual muitos a associaram. Seus olhos e sobrancelha intocada eram marcantes demais para que precisasse de qualquer outro artificio. Os lábios carregavam a matiz quente dos desejos. Seus casos com homens e mulheres foram inúmeros. No pescoço e orelhas carregava joias grandes e pesadas. O rubro da bandeira mexicana também cerca Frida em seus rebozos, um xale peculiar usado para carregar bebês, compras ou para se aquecer e enfeitar. Teve de reconstruir o próprio corpo e coração inúmeras vezes. Fossem pelas constantes cirurgias que procuravam acerta-lhe a coluna, no abandono de seu primeiro namorado quando ficou presa à cama, nos romances paralelos de seu marido Diego, nos abortos naturais do útero que não suportava carregar mais uma vida em si… Frida colocou cor em suas dores, as saias longas e rodadas que guardavam as cicatrizes da poliomielite, nas flores do cabelo que lhe levantavam o rosto sofrido, no vermelho dos lábios que a noite choravam as infidelidades. Frida foi o átomo que deu cor a vida.

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Sobre o editorial

Colorido Mundo é a nossa nova produção audiovisual com carinho e afeto. Homenagear Frida Kahlo é uma vontade pessoal que vinha de tempos, finalmente temos a oportunidade. Com produção conjunta entre o Indumentária e Vagner Borges, estilista da marca curitibana P.Verso, fomos até o Bar 351, na Rua Trajano Reis para viajar ao México. O hairstylist Fernando Young, do Salão WCrystal, recriou o arranjo de flores no topo da cabeça, enquanto Cris Vanzela, do Studio Única, valorizou os lábios e redesenhou o rosto. Jeferson Sales, da Agência Vision, emprestou o ar latino que acompanha os países de língua românica. Vanessa Leal registrou em fotografia uma cultura centenária de cores. As imagens em movimento, que aparecerão na postagem completa do blog (disponível no Blog Indumentária dentro do Portal Bem Paraná) ficaram pelas câmeras de Rafael Schorr e edição de sua agência ao lado de Michele Farran e Mariana Marcondes, a SE7E.  Ainda em tempo: Curitiba será a única capital brasileira a receber uma exposição sobre a Frida no dia dia 17 de julho no MON (Museu Oscar Niemeyer).

Este texto foi originalmente publicado na Coluna Indumentária, impressa todas as sextas feiras.

Assista ao teaser e confira as fotos na publicação. Se sentindo no México?

Colorido Mundo – Se7 & Blog Indumentária from Se7 on Vimeo.

Confira a publicação:

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1 Comentários

6 ideias sobre “Colorido Mundo: editorial inspirado em Frida Kahlo

    1. Hellen Albuquerque Autor do post

      Muito obrigada, minha querida!
      Fico feliz que você tenha gostado do resultado, estou muito empolgada!
      <3
      Grade abraço!

      Responder
  1. Rafaela

    Hell, estou impressionada.
    Você encarnou Frida com toda sua alma.
    Quem conhece a história e gosta dessa personagem, consegue facilmente enxergá-la através de seus olhos. Você soube muito bem passar a essência de Frida.
    Simplesmente fantásticos. Amei.
    E vou confessar, deu uma invejinha desse editô lindo.
    #tambémqueroserfrida

    Bisou mon amie

    Responder
    1. Hellen Albuquerque Autor do post

      Rafa, minha amada!
      Muito obrigada por sempre partilhar dessas alegrias comigo. Significa muito ter seu apoio e carinho.

      Fico feliz que você tenha conseguido embarcar na história com a gente. Você sabe o quanto te admiro, você tem um sorriso e alma doces como poucos!
      É uma honra te ter por aqui.

      Vou ficar esperando sua sequência (que tenho certeza que ficará maravilhosa) e vou querer publicar por aqui também, se você permitir!

      Grande beijo!

      Responder
  2. Lucas Mauá

    Hellen, responderei aqui o seu comentário! Agradeço vocês, moça. Por ter nos presenteado com tamanha felicidade em forma de arte.
    Eu sou um produtor de conteúdo também. E antes de produtor, sou um apaixonado por arte.
    Como eu havia dito, o Braisl precisa de conteúdo assim. Tanto na indústria quanto fora dela. Infelizmente estamos acostumados a ver somente o mesmo, o restrito, e acabamos por achar certas artes/produções “normais” e “banais”. É, de certa forma, maldade e verdade da nossa parte.
    Pois, sinceramente, as revistas encontradas ao meu lado esquerdo no caixa do Dia, em nada sequer se equiparavam a esse editorial.
    Vocês não somente tem ótimo gosto como conseguem transpô-lo ao papel, à tecnologia.
    Eu estou abismado, sinceramente. Estava em um dia não tão agradável e ainda com dor de tatuagem, pra ganhar o sorriso e empolgação mais deliciosos que eu poderia encontrar nesse dia de sexta feira.

    Pessoal, parabéns pelo trabalho. Meu deus. A arte de vocês é linda e me tocou profundamente.

    Um grande abraço e um grande beijo a todos!

    Responder
    1. Hellen Albuquerque Autor do post

      Lucas, tenho dificuldade imensa em te responder, pois você me deixou sem palavras!

      Compartilhei sua generosa contribuição com o restante da equipe e você fez com que todos nós ganhássemos o dia!

      Realmente é dificílimo produzir baseado no que acreditamos, mantendo nossa identidade e buscando um novo olhar, que não esteja envolvido com o puro ato de vender, que não seja apenas uma imagem ao léu, mas que conte uma história e tenha sentimento.
      Mas nós, assim como você, acreditamos que ao nos unir nesse tipo de projeto temos força para mudar esse cenário.

      Fico imensamente grata pelo carinho tão presente que você nos passou hoje. Me sinto virtualmente abraçada!

      Torço para que você consiga desbravar o caminho das artes. Conte sempre conosco!
      <3

      (Melhoras na dor da tatuagem, chocolate e gelo sempre ajudam).

      Grande abraço, querido!
      Tenha uma vida incrível
      (:

      Responder

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