Bazar no Espaço Hoy!

3 fevereiro, 2015 às 10:09  |  por Hellen Albuquerque

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Hoje o Espaço Hoy! abre as portas para o bazar feminino de verão da marca de acessórios Gôra e da multimarcas Elis Carvalho.

O evento, que será realizado das 15 até às 20 horas, terá peças com até 50% de desconto e ainda contará com a presença da consultora de imagem Claudia Faria, que dará dicas para que as compras sejam certeiras com informações sobre composição, uso das cores e dos formatos de corpos.

Criado para pequenos eventos e reuniões, o multifuncional Espaço Hoy! ganhará uma configuração especial para receber as convidadas. Elis Carvalho irá oferecer coleções de várias marcas de São Paulo e importados a partir de R$ 20. Já a Gôra Acessórios, marca de semi-joias e bijoux de luxo, levará para o primeiro bazar Hoy! várias peças contemporâneas e descoladas, de aço ou banhadas, que ajudam a arrematar todo tipo de produção.

Bazar de roupas e acessórios femininos de verão com dicas de consultoria de moda

Dia 03/02/2015 (terça-feira) Das 15h às 20h

Espaço Hoy! – Coronel Dulcídio, 540 estúdio 05

Entrada gratuita

Informações: (41) 3779-6204 / (41) 3598-8668 / (41) 8701-3517

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BootyCelli: a bunda pop e a arte renascentista

30 janeiro, 2015 às 14:51  |  por Hellen Albuquerque

BootyCelli

A música pop tem sido “All about the bass”! Meghan Trainor entoou o hino da atualidade ao celebrar suas formas, valorizando bundas prósperas, que tem como equivalente em inglês “booty”.  Nicki Minaj, Jennifer Lopez e Iggy Azalea balançaram devidamente seus traseiros, enquanto Kim Kardashian posou nua sustentando uma taça de espumante nas curvas de trás. Essa semana a comoção foi por Paolla Oliveira, que exibiu por um curto espaço de tempo suas dádivas da retaguarda em rede nacional. Em um momento de pré carnaval, o poder das carnes dá o que falar.


No Brasil, uma bunda de tanajura é grande, enquanto tico-tico arrebitada. O bunda mole é aquele sem iniciativa, enquanto quem a tem virada para a Lua é cheio de sorte. Mas a bunda está em nosso imaginário bem antes de Globelezas e calcinhas fio dental. Sandro Boticelli pintava as mulheres da corte italiana em formas arredondadas e livres, envolvidas por tecidos transparentes e anjos. Uma sexualidade inocente. Tudo tinha a ver com o significado da palavra “Renascimento”, que significa “Renascer”. O que estava renascendo? A era clássica da Grécia, quando o nu era o mais perfeito estado.

O Renascimento foi um movimento cultural que começou em Florença, em 1400, depois se espalhou por toda a Europa, e durou até os primeiros anos do século XVI. Tal período idolatrava a arte e a literatura desde as antigas civilizações da Roma e da Grécia, mudando a percepção do belo. A beleza era mais voluptuosa do que em qualquer outro momento da história. Naquela época os seus valores e formas, repletos de bundas gordas – “I got a big fat ass”/”Eu tenho uma grande bunda gorda”, como diria Minaj –  foram consideradas o esplendor da sensualidade.

Renasceu também a figura de Vênus da mitologia grega na pintura de Botticelli, uma mulher que brotou do mar nua, possuindo suas formas majestosamente, sem dar satisfações. A forma natural de uma mulher – como dado a ela por Deus ou como ela possuía sendo uma deusa – foi considerada absolutamente perfeita.

BootyCelli 2 O Nascimento de Vênus, Sandro Botticelli

De volta ao mundo pop, Bootylicious , uma combinação da palavra booty (quadril) e delicious (delicioso), entrou pros dicionários em 2006, quando Beyoncé ainda cantava como uma Destiny’s Child. Bey disse que o termo é direcionado a todos que se sentem bem com seu corpo. Se a apreciação renascentista toma o nosso mundo pop, mesmo que as avessas, que ocupe o corpo todo.

BootyCelli, a forma mais redonda unida ao amor pelo corpo natural do renascimento.

E como poetizava Drummond:

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda
redunda.

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O corpo feminino ideal através das décadas

28 janeiro, 2015 às 10:43  |  por Hellen Albuquerque

Eu simplesmente adoro o BuzzFeed!

O site norte americano especializado em entretenimento, sempre coloca no seu espaço editorial produções que acrescentam em nossas perspectivas – e entre uma piada e outra, o que deixa tudo mais leve.

Pois bem, sua última contribuição é um vídeo que mostra os diferentes ideais de beleza feminina através das décadas, iniciando no Antigo Egito, até nós, a geração da “Beleza Pós Moderna” e plásticas.

A grande sacada é a associação da figura feminina ao seu papel na sociedade. Como sempre repito, o conceito de belo é algo puramente cultural. Se tornando portanto, subjetivo de acordo com as referências pessoais.

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No Antigo Egito a mulher ocupava um espaço importante em sua civilização. Tinha liberdade de possuir suas próprias terras e bens, podia possuir altos cargos como o de Faraó, além de que caso quisesse podia se divorciar – sim, meu caros – sem jamais ser julgada por isso. Liberdades perdidas e recuperadas ao longo da história.

Com uma figura independente, o feminino possuía suas próprias linhas: rosto simétrico, que ia de acordo com as buscas artísticas da época, era moldurado por tranças. Os ombros ideais eram magros, com uma cintura marcada e fina, o corpo também aparecia magro.

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Já na Grécia Antiga as coisas eram diferentes para as moças. Consideras uma imagem falha dos homens, como maldizia Aristóteles, a busca da perfeição se concentrava no universo masculino. Exatamente por isso, as mulheres eram mal vistas por não possuírem um corpo com traços másculos. Embora a nudez fosse importante, boa parte das esculturas feitas de mulheres eram cobertas – pois é!

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Em outra parte do globo, as mulheres tinham papel submisso. Na Dinastia Han, extremamente patriarcal desde o início dos tempos, as mulheres precisavam demonstrar delicadeza e fragilidade – mais uma vez de encontro a sua figura social.  Os corpos eram magros, de pele pálida. Idealizavam um cabelo preto longo, lábios vermelhos, dentes brancos, e um andar gracioso feito por pés pequenos. Pés pequenos são um aspecto na beleza chinesa que iria continuar por centenas de anos.

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O período Renascentista da Itália compartilhava do sistema patriarcal, comandado pela Igreja Católica. O valor da mulher era intimamente associado a uma figura masculina. Esta poderia ser de Deus, seu pai ou seu marido. Sozinha, uma mulher não tinha grande valor.

 A beleza feminina foi pensada para refletir o status de seu marido. Um corpo arredondado, incluindo quadris cheios e seios grandes, provavelmente ligada a ideia da reprodução, a tarefa máxima feminina. A pele deveria ser pálida, enquanto os cabelos loiros – com aspecto angelical como das obras de arte da época.

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A Inglaterra Vitoriana tinha como principal figura a Rainha Vitória, que influenciava diretamente no ideal estético. Por ter sido uma jovem rainha que se tornou uma jovem esposa e mãe, a domesticidade, família e maternidade eram altamente valorizados, influindo na vida das outras mulheres.  O estilo da época refletiu posição maternal das mulheres na sociedade. As mulheres usavam espartilhos para apertar a cintura tanto quanto possível, criando uma forma de ampulheta. Estes corsets continham os movimentos, ostentando a separação do trabalho físico. As mulheres também usavam cabelos compridos como um símbolo de feminilidade.

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As mulheres nos Estados Unidos alcançaram o direito de voto em 1920, definindo o tom da década. As mulheres que tinham conquistado empregos durante a Primeira Guerra Mundial queriam continuar trabalhando. A busca pela igualdade de gênero também era refletida na moda: mulheres sem curvas, com um corpo parecido com de menino.  Usavam um visual andrógino, minimizando suas cinturas e vestindo sutiãs que diminuíssem seus seios.

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A Era de Ouro de Hollywood durou desde a década de 1930 até 1950. Durante esse tempo, o Código Hays estava em vigor, estabelecendo parâmetros morais sobre o que poderia ou não ser dito, mostrado, ou implícito no cinema. O código limita os tipos de papéis disponíveis para as mulheres, criando uma versão idealizada da mulher que, pela primeira vez, foi espalhada ao redor do mundo. As estrelas de cinema da época, como Marilyn Monroe, ostentavam corpos com mais curvas com cinturas finas.

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As mulheres na década de 1960 continuavam em movimento por sua libertação. Sua presença no mercado de trabalho deu-lhes o acesso a pílulas anticoncepcionais e origem ao feminismo.  O “Swinging London”, movimento cultural dos jovens londrinos, teve uma profunda influência em todo o mundo ocidental durante os anos 1960, inserindo minissaias a modelagem A-line na moda. Estas tendências foram melhor modeladas por Twiggy, cujo corpo esguio mostrava uma mulher perfeita como alta e magra.

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Jane Fonda criou uma moda fitness na década de 1980, influenciando as mulheres a quererem estar em forma. Supermodelos como Cindy Crawford tipificavam o corpo ideal da época: alto, magro, atlético, mas ainda rechonchuda. Este foi também um pico de casos de anorexia, o que alguns especialistas acreditam estar associado à ênfase súbita em exercícios.

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Depois do materialismo e da dedicação excessiva à saúde dos anos 1980, tudo virou do avesso.  O corpo ideal agora era magro e pálido, Kate Moss era a exemplificação do look “Heroin Chic” na década de 1990 – a heroína era a droga da vez nos bastidores dos desfiles. e seu consumo aumentou durante este tempo, fazendo com que o presidente Clinton comentasse sobre a tendência em 1997.

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Finalmente chegamos a nossa realidade, com mulheres bombardeadas de exigências diferentes para se tornarem atrativas. Devemos ser magras, porém saudáveis; com seios fartos e uma grande bunda, mas uma barriga lisa. Para conseguir tudo isso, as mulheres têm  cada vez mais recorrido à cirurgia plástica. Estudos têm demonstrado que os procedimentos para o aumento dos glúteos tem sido pedidos por pacientes com idade inferior a 30 anos, e as selfies aparecem como uma razão para a cirurgia plástica.

A pergunta que o BuzzFeed deixa depois desse traçado histórico, e que reproduzo aqui é: Os padrões de beleza podem resistir ao teste do tempo?

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O que os blogueiros no Camboja podem mudar no nosso dia a dia

27 janeiro, 2015 às 10:40  |  por Hellen Albuquerque

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Como a grande maioria de denúncias sobre o mundo da moda, ontem a série Sweatshop- Dead Cheap Fashion, que leva três blogueiros noruegueses para conhecer as condições de trabalho da indústria têxtil no Camboja, ganhou as timelines das redes. Foi depois de receber algumas mensagens inbox (agradeço aos amigos pela lembrança :) ) que resolvi me dedicar a tarefa de saber sobre o que se tratava.

Sweatshop é um termo sem definição exata no português, mas que diz respeito a fábricas, especificamente da indústria têxtil, em que trabalhadores manuais são empregados a valores absurdamente baixos.

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A ideia do documentário é simples e corajosa. O jovem diretor Joakim Kleven, de apenas 22 anos, convidou Frida, Ludvig e Anniken para passar alguns dias visitando fábricas e entrando em contato com a realidade dos trabalhadores do Camboja. Passado o sabor da novidade e descoberta, veio o esperado choque. Extensas jornadas de trabalho para um salário de U$100,00 por mês, alimentos escassos, moradias em péssimo estado…

E no fim, lágrimas (foi o meu caso também).

São cinco episódios com legendas em inglês ou espanhol, você pode assistir aqui. Antes que essa comoção chegue ao fim, podemos nos colocar na posição de não meros observadores, mas críticos da experiência de Frida, Ludvig e Anniken.

1. A moda tem várias facetas

Nem todas são simpáticas.

Gostamos de falar sobre como a moda é uma forma de arte, como expressa nossos sentimentos, constrói nossa identidade, nos torna únicos. Sim, a moda é todas essas coisas, no entanto, acima de tudo é um reflexo de nossa cultura. Inserida em sistema capitalista se torna uma indústria e um bem de consumo, e talvez essa seja a face mais dúbia. Enquanto gera milhares de empregos e é responsável por uma larga fatia da economia, há também sua corrida pelo mais rápido e mais barato.  Grandes redes de fast fashion lançam novidades a cada semana, incentivando um consumo desenfreado que tem como único objetivo possuir o novo, mesmo que não seja necessário.

Para isso, é preciso de mão de obra a valores baixos. Barateando os custos de produção, para que na próxima semana você possa comprar o kimono super trend com uma estampa diferente da do mês passado, e para que claro, sua compra gere lucro. E é aqui que entram suas aulas de história, o conceito de Mais Valia de Karl Marx define uma matemática simples dos custeios da força de trabalho e do produto final.

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Para que haja lucro a mão de obra recebe um valor bem abaixo do merecido, pois a maior parte vai para aqueles que concentram os meios de produção. Em resumo, a galera de Camboja ganha mal, porque alguém ganha bem. E essa é a máxima do capitalismo. Bonito, né?!

2. É fácil viver em uma redoma de vidro

Do aconchego de nossas poltronas e telas touchscreen lemos sobre atrocidades todos os dias. Esse distanciamento de mero espectador transforma situações em apenas termos. “Trabalho escravo”. “Morrer de fome”. “Miséria”. Palavras repetidas tantas vezes que parecem não mais ter sentido. Fica mais fácil assim…

Da mesma forma que leite não vem de caixinha, roupas não brotam em araras de shopping.

Há uma cadeia de produção, nem sempre justa, cada vez que você compra uma blusinha da China ou uma jaqueta na Zara. E abrindo espaço para humor negro, uma frase que sempre repito aos meus amigos: o mesmo trabalho escravo que produz a roupa de grife, costura as camisetas do lojão de R$10,00 perto da sua casa.

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Frida, Ludvig e Anniken visitaram Sokty, uma moça de 25 anos que trabalha todos os dias cerca de 12 horas em uma fábrica têxtil. O que mais surpreendeu foi a blogueira Frida fazer uma pergunta simples em meio ao jantar à residente:

-Você é feliz?

E aqui entra a minha grande agonia. Mas antes, que resposta você espera?

Se for um grande “sim”, foi de encontro as mesmas expectativas dos aventureiros. Que em meio ao caos, a pobreza, a falta de oportunidades, de alimento, e do que mais dói: a falta de sonhos, ainda fosse possível encontrar a dita felicidade. Pois ela está nas coisas simples, não? Ela está no desapego, no amor e nos amigos.

Bem, a resposta foi não. Sokty não está feliz.
E como poderia?

A anedota de que pobres são mais felizes é uma dose que conforto que nós, afortunados, contamos a nós mesmos. Tentamos diminuir a culpa, tentamos justificar o nosso virar dos olhos cada vez que encontramos um mendigo a pedir esmola com um “ele é feliz assim”.

Bem, nem sempre ele é.

3. Não existem opções

Anniken, a norueguesa mais jovem dos três e talvez por isso a mais  alienada  ingênua, quando na fábrica de costura justificou seu cansaço e falta de habilidade dizendo: “Eles estão acostumados. Fazem isso todos os dias. Existem trabalhos piores”.

Falando mais uma vez sobre nosso sistema, o slogan principal é de que existem oportunidades para todos. Que se você se esforçar o bastante, conseguirá vencer na vida, que tudo é baseado por meritocracia e estímulo próprio. Não é bem assim.

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Quando a própria Anniken se inseriu mais profundamente na realidade dos trabalhadores do Camboja, pode entender que nenhum deles gostaria de estar ali. Sokty, que os recebeu em sua casa, sonhava em ser médica. Outros vários trabalhadores que não revelaram suas identidades por segurança gostariam de ter estudado, porém a realidade é outra.

Na cena da imagem acima em que a blogueira entra em crise de choro, ela está escutando a história de uma trabalhadora que perdeu a mãe quando criança. Anniken perguntou como ela havia morrido. A resposta foi: de fome.

4. Temos a memória curta

Curtíssima!

Digite no Google: trabalho escravo moda. Aparece Renner, C&A, Zara, Pernambucanas e por aí vai…

Mas nós esquecemos, ou depois de alguns segundos expostos a realidades, pegamos nossas reclamações e voltamos para o twitter. No conforto das nossas redomas de vidro.

5. A responsabilidade é de todos

“A indústria da moda mata de fome seus trabalhadores e ninguém se coloca como responsável”, disse Ludvig ao fim do último episódio.

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Grande verdade. Mas afinal, quem são os responsáveis?

A indústria? Sim. As marcas? Com certeza. As autoridades do Camboja por permitirem essas condições de trabalho? Absolutamente.

Mas a responsabilidade também é minha e sua.

Ludvig decidiu carregar no corpo seu aprendizado, tatuando o protesto feito em Camboja para a mudança do salário mínimo de U$100,00 para U$160,00. Que para nós pode parecer pouco, mas para quem ganha 6 reais por dia de trabalho, é muito.

E agora?

Nas aulas de redação aprendi que é preciso indicar soluções aos problemas apresentados no texto. E acontece que sou uma daquelas idealistas irritantes, que insistem em dizer que são pequenos atos que transformam o mundo. Se não o mundo todo, ao menos o em que vivemos.

Nós estamos longe do Camboja.
Mas estamos rodeados de shoppings, de marcas, de grifes.

Consciência é tomar conhecimento, sobre si ou sobre o mundo.

Com esse documentário, ficamos conscientes de tais condições. Pois bem, estenda para o sua realidade e para o seu consumo: você pode comprar apenas o que precisa. Você pode pesquisar de onde veio sua roupa – não é difícil, tem até o aplicativo Moda Livre, que monitora marcas e de onde vem suas produções. Invista em peças de produtores locais. Se mantenha pensando e questionando os meios de produção. Não esqueça!

Quer fazer mais? Há diversos programas de voluntariado para a Ásia, o Orienting é um bem bacana.

Na próxima vez que se dirigir a uma arara, se faça consciente.

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Coluna Indumentária: Boudoir – Em partes

23 janeiro, 2015 às 09:02  |  por Hellen Albuquerque

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Sou coxas, cintura, braços lânguidos, grandes olhos castanhos, três tatuagens e gargalhadas.

Me reconheço como mulher, o que nada tem a ver com tal corpo, e sim minha identidade.

Ao vestir, por vezes me escondo. Não por segredo, tampouco mistério, mas existem linhas e traços que revelam além do que eu poderia lhe contar.

Ao despir, me aceito.

Entendo como parte cada forma, mesmo disforme, que me compõe.

Inspiro quem sou para expirar libido.

E saiba, tentaram deslegitimar meu desejo. Tentaram me enquadrar em padrões. As legalidades tentam ater o livre arbítrio das minhas partes.

Tentaram e ainda tentam. Em vão.

O concílio das minhas frações tem limites validados apenas por mim. E estes limites não existem.

Abro mão dos perímetros, das numerações, do que alegam como certo, do que elegem como perfeito, para ser um turbilhão de vontades que caminha sob este enquadramento feminino nascido nos anos 90.

Dos meus feitos e defeitos sou completa. Mesmo feita em partes.

E como anseio final, que meu retrato não seja esvaecido pelos seus pudores.

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Veja a publicação completa:


 Making of

Um pouco dos nossos bastidores no vídeo da ColdSpring Audiovisual. Assista em HD ;)

(Reparem que por volta dos 2m50seg estão todos rindo e desesperados porque nos trancamos para fora do quarto! hahaha A salvadora da pátria e da nossa dignidade foi a Bruna, que buscou uma chave extra).

Boudoir

Dos quartos de vestir na Corte Francesa nasce a palavra Boudoir. O espaço onde as mulheres soltavam-se de seus espartilhos – quem sabe dos conservadorismos – era reservado, separado de seu quarto e de composturas. Na fotografia, o estilo do Boudoir busca a sensualidade natural, intrínseca a cada mulher. Uma forma de registro que celebra o corpo e a aceitação do mesmo.A amiga e sempre parceira Vanessa Leal, se especializa no ramo por se comprometer com o empoderamento e auto estima das mulheres, usando como ferramenta sua câmera, além de sensibilidade.

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Com beleza de Bruna Daniel, fomos a um aconchegante quarto de hotel para produzir um ensaio delicado.

ColdSpring Audiovisual

A ColdSpring é formada por um grupo de amigos queridos, especializados em toda a parte de filmagem e fotografia de eventos​, ensaios fotográficos e videográficos​, filmes corporativos, vídeos comerciais, videoclipes para músicos e foto e vídeo de produtos​ e serviços. Jean Bris foi responsável por filmar e editar o making of do ensaio. Para contata-los: (41) 3018-1994 – (41) 9796-2659, o escritório fica naAv. Luiz Xavier, 68 – Centro – 9º andar – Sala 910.

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É sempre uma delícia criar essas produções. Agradeço imensamente essa equipe jovem e talentosa, cheia de energia e sensibilidade <3

Tem ideias de produções pra gente? Sugestões?

Converse conosco nos comentários ou por e-mail: indumentaria@bemparana.com.br

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Coluna Indumentária: Remendando História

19 janeiro, 2015 às 17:14  |  por Hellen Albuquerque

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Ei… Me prega um botão?

Encurta essa barra. Abre o decote, descostura. Ajusta a cintura. Diminui a manga. Vestido? Só se for sobre medida. Ficou apertado, faz uma emenda.

Na dança do cerzir, como diziam, ou para os desavisados – piás de prédio – costurar, além da habilidade ágil de uma boa costureira há o instrumento que revolucionou as roupas e nos permite hoje andar fazendo remendas: a agulha.

Se acalme, não precisamos encontra-la em um palheiro, apenas na história.

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Quando o abrigo era de pedra, dentro de uma nem tão aconchegante caverna, era da pele de animais selvagens, antes fontes de alimento, se faziam os primeiros trajes. A necessidade inicial da vestimenta era a temperatura. Muito antes de existir o pudor que condena as saias curtas, existia frio e calor. Daí a iniciativa de se enrolar em peles alheias. Mas enrolar não é melhor medida, precisa de um ajuste.

Uma grande criação tecnológica, passada despercebida pelos nerds desatentos, tornou possível unir um retalho a outro. É na costura feita à mão que pode se juntar duas partes de um tecido, pano, couro, casca, ou outros materiais, utilizando agulha e linha. As primeiras agulhas de costura tinham como matéria prima ossos e chifres de animal, fabricadas há mais de 30 mil anos.

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As primeiras feitas de ferro vêm de Manching, na Alemanha, são do terceiro século antes de Cristo. Na China, arqueólogos encontraram na tumba de um oficial menor da Dinastia Han (202AC- 220DC) um jogo completo de costura com dedal. Seria o exemplar mais antigo desse artifício, um suporte para empurrar agulhas rústicas através de material resistente, como o couro.

Unindo uma coisa à outra, a agulha uniu pequenas partes para formar uma completa. A tecelagem, que é o entrelaçamento de fios formador dos tecidos, surge cinco mil anos atrás. Das grandes revoluções da moda e lançamentos de tendência, nada supera a ferramenta que perfura superfícies.

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Como agulha une tramas, no emendo de palavras vou te contando essas histórias toda semana.

Como está seu acabamento?

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Documentário: A experiência da tattoo com Brenda Cerutti

14 janeiro, 2015 às 11:04  |  por Hellen Albuquerque

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Da primeira vez entrando em um estúdio de tatuagem e reconhecer o inigualável som das agulhas ao se tornar aquela que registra inúmeras pessoas diariamente. Brenda Cerutti carrega no corpo e na profissão o amor pela tattoo. Residente do Old House Tattoo Studio, também viaja pelo sul e sudeste do país marcando a pele de forma única. Assim como não existem personalidades iguais, não existem desenhos.

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Foi ao som de um mantra budista, com incenso aceso dando aroma suave e austeridade ao ar, além de muitas risadas e uma longa conversa sobre como aprender a controlar a própria mente que tatuei um colibri no braço esquerdo – sinceramente, esse é único lugar pra se fazer tatuagem com sorriso no rosto. Com cores elétricas e um pouco de sangue, gravamos tal cena em vídeo para depois complementarmos com a opinião e conselhos de mestre que Brenda tem a sensibilidade de transpor em palavras.

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A experiência de ter o corpo desenhado à tinta pela primeira vez, as dúvidas, a relação da tatuagem com arte e ainda conselhos aos que um dia sonham em ser tatuados ou tatuadores em alguns minutos de um documentário feito com muito carinho pela ColdSpring Audiovisual, com direção geral provinda da que vos escreve, direção de fotografia por Jean Bris, filmagem por Bruna Cochhann e assistência de produção por Giuliana Nascimento.

Assista em HD ;)

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Coluna Indumentária: A roupa do meu humor

9 janeiro, 2015 às 15:12  |  por Hellen Albuquerque

A roupa do meu humor

De todas as formas de expressão que conheço, as não faladas são as mais marcantes. O olhar no começo de um encontro, o sorriso de parabéns, o abraço de consolo. Se por escrito sou eloquente, ao vivo eu pouco me comunico. Minha cabeça sempre foi agitada demais para transmitir à boca tudo que gostaria de falar. Quer dizer, eu seria assim tão indecifrável se não fossem pelas minhas roupas. É no comprimento da minha saia que conto se busco conforto, diversão ou sossego. Nos dias de desapego, emocional e estético, nada como um vestido longo para manter o meu ar sereno. Se o sentimento não é tão nobre assim, afinal todos temos nossos dias de blues, um pouco de cor imediatamente funciona como meu prozac. Um laranja com estampa de margaridas, um vermelho com flores brancas havaianas, um azul com girassóis. Meu guarda-roupas é uma verdadeira estufa de flores. E pensando em padrões, as listras mais finas são para dias de organização e seriedade, enquanto as grossas pedem por mais descontração. Quando não sei bem o que procuro, algo mais usual do que deveria, faço uma mistura. Seja de listras com listras, flores com flores, ou listras com flores. Mas aí é preciso cuidado, não saber o que se quer não significa querer qualquer coisa. A forma como nos vestimos não apenas transmite mensagens sobre quem somos e do que gostamos, mas influencia diretamente no nosso temperamento. Quer sorrir o dia todo? Procure amarelo, estampas, colorido. Não é à toa que o luto é feito de preto, a união de todas as cores para demonstrar sofrimento. Quando o corpo pede por dança use algo rodado ou com franjas, deixe sua vestimenta misturar-se ao corpo e se tornar uma extensão. Tem roupa pros dias cinzas e dias de Sol, mesmo independente do tempo, tem roupa pra você, pra mim e pros nossos humores.

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Ingressos para o Miss Paraná Plus Size

8 janeiro, 2015 às 14:38  |  por Hellen Albuquerque

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O concurso que irá eleger a nova representante de beleza plus size do Paraná acontece neste sábado, dia 10, no teatro Regina Vogue às 20h30min.

Os ingressos já estão a venda por R$30,00 no site.

Como parceiros do evento, o Blog Indumentária estará lá prestigiando as meninas, que são lindíssimas, dê uma espiada:

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Já tem uma favorita?
Não deixe de ir torcer por ela.

Nos vemos lá!

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Ano Novo Colorido no PLUG da RPCTV

29 dezembro, 2014 às 11:58  |  por Hellen Albuquerque

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À convite do programa Plug da RPCTV, fizemos uma produção pensando em inserir um pouco mais de cor no típico branco do Ano Novo. Além dos desejos de paz e harmonia para o novo ciclo, há também formas de transpassar outras mensagens através de nossas roupas – afinal, como sempre falamos por aqui, moda também é comunicação.

A simpaticíssima Michelly, apresentadora/produtora/louquinha da bike/pessoa fofa e sorridente, nos acompanhou à Tutu Ateliê de Sapatilhas, que tem um ateliê todo charmoso em frente à Praça da Espanha.

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Mas antes disso, fui com os modelos da Talent: Laura, Alexandre e Daniele até o Expert Beauty Center do Batel para fazermos a beleza.

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Para a Laura a ideia é inserir cor na própria roupa, portanto a maquiagem foi mais suave. Pensando em 2015, decidi por uma sombra com a cor da Pantone para o ano, a marsala. Com a sombra nessa tonalidade de vinho, os lábios permaneceram em nude. O destaque fica todo para os olhos. A maquiagem é de feitio da Sandra Gawlowski, enquanto o cabelo foi obra do Josué Alves. As madeixas foram modeladas a fim de dar movimento, como o corte é irregular, valorizamos as pontas, ondulando.

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Já a Dani começa a produção toda de branco, então as cores ficam por conta da maquiagem. A cores principais seriam o azul e o laranja, que formam uma combinação bem alegre e divertida. Colocamos o azul em um delineado bem marcado, puxando o famoso olhinho de gato. A sombra alaranjada recebeu um complemento amarelo no canto interno. Para os lábios, um rosado bem feminino. Fizemos uma boa marcação do rosto, com contorno – que é essencial para ficar gatona nas fotos. Essa maquiagem de beldade foi feita pela Liza Kretikouske. Os cabelos foram presos em parte no topo da cabeça, que dá um efeito de cascata nos fios, feito pela Mariza Campos.

E agora passando para as roupas de fato.

Ano Novo Colorido

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Começando pelos rapazes, o Alexandre usa uma camiseta da MIND, grife curitibana que usa garradas pet na produção das peças. Essa camiseta é da coleção Pirita, feita em parceria com a Lots Criativa, e tem tudo a ver com o Ano Novo por trazer nas estampas mensagens de harmonia. A calça branca o mantém na palheta típica, já o cinza é uma cor neutra para aqueles que não querem ousar tanto, mas gostariam de trazer um pouco mais de cor, e essa camiseta pode ser trocada por outra que seja azul, verde, amarela – a cor que você quiser, moço! Seja criativo. O Ale está bem à vontade, ideal para aquele barzinho com os amigos seguido de uma balada.

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A Laura usa um macacão verde neon de alfaiataria, uma peça que encontrei no Brechó Trinca Z. Para dar outros ares, uni a um colete da multimarcas Impelle, que com tecido levemente transparente permite visualizar a cor através de sua trama. Bem acinturado, com um laço atrás, modelou o corpo sem marcar.

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A Daniele usa um vestido branco com padronagem jacquar, ele é levemente rodado também da Impelle. O ambiente que imaginei seria descontraído, por isso ela usa uma bolsa da Pine Ax bem despojada e sapatilhas da Tutu, super confortável.

Todas as fotos são da Vanessa Leal, a assistência de produção ficou a Aléxia Saraiva. Confira as fotos de outras opções e assista ao programa completo no link – ah, e tem um extra lá embaixo!

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Assista ao programa completo clicando aqui. 

Mais opções

O mito de que não pode usar preto no Ano Novo – quebrado!

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Alexandre
Camiseta MIND + Lots Criativa

Um romance de veraneio 

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Daniele
Top rosa e shorts: Impelle
Colar Sou Sou na Lots Criativa

Brilho acetinado e madrepérola 

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Laura
Camisa e saia do Brechó Trinca Z
Sapatilha Tutu
Colar Sou Sou na Lots Criativa

Extra

Eu e a Michelly demos uma dica extra: consumo consciente. Não é preciso gastar muito para se vestir bem, o importante é valorizar a própria identidade.

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Para assistir clique aqui. 

Agradeço imensamente à todos os amados que tornaram a produção especial. Foi super divertido!

E ah, FELIZ ANO NOVO!

Se você gostou das dicas, quer perguntar algo em especial, ou quer me contar como vai ser seu Ano Novo, se joga nos comentários ;)

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