O Brasil precisa de um estadista. E só tem um: FHC

25 maio, 2017 às 21:42  |  por José Pedriali

A situação de Michel Temer é de extrema fragilidade: bombardeado pela delação da JBS, com a base aliada esgarçada e na iminência de ser julgado pelo TSE (junto com Dilma Rousseff) por abuso de poder econômico na campanha eleitoral de 2014, seu governo praticamente derreteu.

Essa fragilidade, agravada e ao mesmo tempo agravante de sua alta impopularidade, enfraquece absurdamente a tendência de alguns ministros do TSE de manter seu mandato (e tornar Dilma inelegível) em nome de “estabilidade” política e econômica.
Não temos nem uma coisa nem outra, e a permanência de Temer nessas condições se torna insustentável. É hora, portanto, de se pensar no próximo passo: quem pode substituí-lo nos turbulentos meses que antecedem as eleições do ano que vem?
O eleito (indiretamente; é esta a regra do jogo) terá de conduzir, em meio à tempestade, esse barco sem rumo chamado Brasil, que está avariado, com pouco combustível e víveres, tripulado por trapalhões e embusteiros (ou ambos) e com passageiros à beira de um ataque de nervos.
Ninguém tem mais credencial para isso do que Fernando Henrique (“quem, eu?”) Cardoso. Está idoso, mas lúcido como nunca; Ponderado e articulador: eis duas qualidades que sobressaem nele Não perde a compostura mesmo sob os ataques mais vis de seus adversários e comprovou sua capacidade de articulação no Senado, na Presidência da República e na chefia do Ministério da Fazenda durante o governo de Itamar Franco. Nos momentos de crise, como este, tem sido o arauto da solução negociada – jamais do conflito, da ruptura.
FHC tirou o Brasil de uma profunda crise econômica, higienizou e reformou o Estado liderando a concepção e aplicação do Plano Real, trabalho que se estendeu ao longo de seus dois mandatos, com aperfeiçoamentos e apesar das graves crises externas.
O processo de reformas estruturantes está abalado pelo desgaste de Michel Temer, e delas (entre outras medidas radicais) necessitamos para recompor o país, dilapidado e profundamente dividido pelo lulopetismo. Quem, além de FHC, tem experiência suficiente para dar continuidade a esse esforço e, ao mesmo tempo, avalizar o trabalho hercúleo conduzido pela excelente equipe econômica chefiada por Henrique Meirelles?
Os petistas o detestam (bem, detestam todos que não sejam eles próprios) e os saudosistas do regime militar torcem o nariz por causa de sua formação marxista – formação que renegou ao longo da vida pública, impondo a realidade e as necessidades da Nação acima de suas convicções e interesses políticos.  É isso o que caracteriza um estadista. Isso e mais a compreensão do contexto internacional, que ele domina sobejamente.
Quem, além dele, reúne esses atributos?
O Brasil precisa de um estadista. E só tem um: FHC.

PT saqueou o país e agora quer incendiá-lo

25 maio, 2017 às 00:31  |  por José Pedriali

Movimentos (anti)sociais atrelados ao PT espalharam o terror hoje em Brasília ao mesmo tempo em que deputados do partido e aliados, repetindo em escala maior o ocorrido ontem no Senado, partiram para confronto físico no plenário da Câmara dos Deputados.

Ministérios foram invadidos, saqueados e incendiados, a pretexto de pedir a renúncia do presidente Temer e o congelamento das reformas propostas por seu governo.
A Polícia Militar e Força de Segurança Nacional não deram conta do recado, e Temer autorizou o emprego das Forças Armadas para a proteção da Esplanada dos Ministérios.
Uma medida radical, mas necessária para conter a fúria daqueles que, a mando dos que arruinaram e saquearam o país, agora querem incendiar o que restou.

Londrina: Cavazotti, o homem certo para fazer a coisa certa

24 maio, 2017 às 13:25  |  por José Pedriali

1aO prefeito de Londrina, Marcelo Belinati (PP), acertou em cheio ao nomear o experiente jornalista Fábio Cavazotti (foto) para chefiar a Secretaria de Gestão Pública, em substituição a Margareth de Oliveira, que pediu demissão por motivos familiares.

 

Suas funções serão, entre outras, gerenciar os processos de licitação e criar mecanismos de transparência absoluta aos atos do Executivo.

 

Cavazotti é o homem certo na hora certa e para a coisa certa: fundador e membro (já foi presidente) do Observatório de Gestão Pública, participou da criação do Conselho de Transparência e da Ouvidoria-Geral (a cargo de outro jornalista talentoso, Alexandre Sanches Vicente, que também responde pelo setor de comunicação do município).

 

Fiscalizar processos de licitação é uma das especialidades de Cavazotti, habilidade que demonstrou, como membro do Observatório, ainda no turbulento (e pernicioso) governo de Homero Barbosa (PDT), cassado por corrupção em 2012 e réu em vários processos e condenado em outros (alguns em segunda instância). Suas recomendações ou foram recusadas ou acatadas a muito contragosto. Na administração de Alexandre Kireeff, as ponderações do Observatório foram elogiadas – e acatadas – pelo prefeito.

 

De fiscal a operador: eis a nova missão de Cavazotti, que, como desafio, terá de desativar muitas armadilhas.

Exclusivo: os bastidores picantes de uma gravação clandestina. E a participação decisiva de Marcela Temer

19 maio, 2017 às 19:52  |  por José Pedriali
1aDoze horas de trabalho, enfrentando temas espinhosos e interlocutores espinhentos, e aí você chega a casa, tranca-se na suíte com a esposa – 30 anos mais nova e belíssima -, começa a tirar a roupa (ela está envolta numa reduzida toalha de algodão egípcio) e… pelo ramal interno é informado que a visita, que tentara  evitar ao máximo, está na portaria.
São 22h20.
Um muxoxo, um pedido de desculpas:
- Sinto muito, Marcela, mas não posso evitar esse mala.
Ela reage com uma careta, faz um gesto de desdém com as mãos, e o consola:
- Está bem, querido, o que fazer? Estou acostumada a esses improvisos. Mas não demore. Não demore (e ao repetir “não demore” pisca um olho e contrai os lábios para sinalizar um beijo.)
- Com certeza, querida, com certeza.
E lá se vai Temer, depois de vestir os sapatos, apertar o nó da gravata, vestir o paletó, ajeitar a camisa sob o cós da calça. Passos lentos, na ilusão de adiar o encontro indesejado, e ao entrar no escritório – a porta é aberta por um lacaio de libré -, aguarda-o, refestelado na poltrona de couro estilo Chesterfield, Joesley Safadão, o todo-poderoso da JBS.
Cumprimentos formais, a água é servida (o visitante dispensa o café e o suco de laranja) e a conversa começa displicente, o anfitrião permitindo que o convidado a conduza pelos labirintos de sua intenção – que é registrar em áudio o que for dito naquela noite fatídica da terça-feira 7 de março de 2017.
Armadilhas vão sendo instaladas a cada frase, cada oração, e o anfitrião – cansado, pouco se importando com os problemas que o outro lhe apresenta –, interpõe um comentário aqui, outro ali, mais um acolá. Reage com frases curtas, sempre gentis na intenção de agradar e despachar o quanto antes o visitante inoportuno. Tentar evitar bocejar, mas duas, três vezes cede ao impulso. Desculpa-se. Olha com insistência para o relógio, é notado pelo interlocutor, desculpa-se também. Tamborila o braço da poltrana. Não se desculpa.
Para aumentar seu drama, não resiste a intercalar o olhar do visitante ao celular, escorado num livro entre ambos, posição que impede ao outro ver o que a tela exibe. E o que a tela exibe? Para acelerar o retorno do marido, Marcela filma-se pelo WS massageando o corpo na água tépida e espumante da hidromassagem…
Brincadeira à parte, o resto da história é conhecido: o presidente Michel Temer foi vítima de uma armação, abençoada pelo Ministério Público e STF, para permitir que Joesley Safadão (e seu irmão e sócio na empresa) se safasse, com esse e outros áudios, das garras que Justiça estava na iminência lhe cravar.
A transcrição do áudio não corresponde ao estrondo causado pelo furo de Lauro Jardim, do Globo. Em nenhum momento Temer avaliza a compra do silêncio de Eduardo Cunha (obstrução da Justiça) ou pede algo para si (corrupção passiva) .
Há somente dois momentos delicados para Temer. Ao responder “ótimo, ótimo” quando Safadão lhe contou sobre a cooptação de juízes e um procurador para atrapalhar as investigações de que era alvo. E ao indicar o deputado Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor e amigo de longa data, como contato para resolver pendências da JBS junto ao CADE.
No primeiro caso, pode-se acusar Temer de omissão diante de um ato explícito de corrupção e obstrução da Justiça? Forçando a barra, sim; mas há atenuante de que, como o presidente alegou em nota oficial, ele julgou que o interlocutor estava “contando vantagem”.  Mais uma resposta, portanto, para agradar o mala – e quem sabe nesse momento Marcela teria saído da Jacuzzi trajando somente as espumas?
No segundo caso, indicar um amigo para solucionar o problema de um empresário não significa que o amigo será incumbido de extorquir o empresário e dividir o butim, certo?
Essa é a parte mais crítica da gravação. O resto é chorumelas!
A primeira versão do conteúdo da gravação incendiou o país, causou prejuízo econômico de proporções inúmeras vezes maior que o da desastrada Operação Carne Fraca e fez com que muitos aliados de Temer se aliassem aos que exigem sua renúncia.
Para seu consolo, Marcela, a linda, continua ao seu lado.Jacuzzi a postos para confortá-lo.

 

O fim melancólico de Aécio Neves

18 maio, 2017 às 12:42  |  por José Pedriali

Delatado pelos sócios da JBS como tendo pedido – e recebido – R$ 2 milhões para se defender na Lava Jato, na qual sequer foi denunciado por enquanto, o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, foi afastado do mandado por decisão do ministro Edson Fachin, que também autorizou a prisão preventiva da irmã dele, Andrea.

Os imóveis de Aécio estão sendo vasculhados pela PF.
O senador foi delatado por executivos da OAS e Odebrecht como beneficiário de propina da construção da Cidade Administrativa, sede do governo mineiro.
Quem diria: quase presidente da República nas últimas eleições, que perdeu por meros três milhões de votos e em consequência do maior estelionato eleitoral de que se tem notícia, praticado por sua adversária Dilma Rousseff, Aécio chega ao fim de sua carreira de forma melancólica, igualando-se na ignomínia àqueles de quem se apresentava como antítese, os petistas!
E seu partido sofre um duro abalo. Depor Aécio da presidência é iniciativa premente. Mas apenas paliativa: os estilhaços da delação deixarão cicatriz permanente nos tucanos.
Inté mais inté, dotô!

Poupe-nos, Temer, poupe-nos!

18 maio, 2017 às 11:40  |  por José Pedriali

Não poderia ter havido pior momento para vir a público a delação de um dos sócios da JBS, Wesley Batista, que atingiram no peito – e a ferida é de extrema gravidade – o presidente Michel Temer.

 

Pois ocorre justamente no momento em que o Brasil, dilapidado pelos petistas, começava a escalar o poço profundo da recessão, inflação, dívida pública, desemprego, etc. E em que as reformas estruturantes, indispensáveis à recomposição do estado, começavam a avançar no Congresso.

 

A semana iniciou alvissareira, com sinais de melhora em praticamente todos os indicadores econômicos, e chega ao fim sob o céu púmbleo da incerteza: o que será do país depois de mais este golpe?

 

A queda de mais de 10% nos papéis comercializados na Bolsa de Valores de São Paulo é uma amostra do que pode vir pela frente.

 

O titanic brasileiro chocou-se mais uma vez com um iceberg e soçobrará se não receber reparos urgentes em seu casco e estrutura avariados. E se o seu comandante não recuperar a credibilidade, não há como permitir que continue no posto.

 

Temer somente recomporá a credibilidade, se é que ainda a possui, se a denúncia contra ele, de que deu aval ao mensalão que o sócio da JBS disse estar pagando a Eduardo Cunha para mantê-lo calado, não se materializar na gravação que o delator diz possuir.

 

Se isso acontecer, não resta a Temer, para o bem dele e do país, outro caminho que não a renúncia.

 

O país não suportará mais um processo de impeachment. 

O mistério da foto, enfim revelado

17 maio, 2017 às 18:43  |  por José Pedriali

Por que o site oficial do PT estampou em sua capa esta foto de Lula durante o comício que fez em Curitiba após depor ao juiz Sérgio Moro, na semana passada?

Investiguei esse intrigante mistério, desvendei-o e o apresento agora a meus leitores.
A foto foi feita pelo fotógrafo oficial de Lula, Ricardo Stuckert, que sua defesa tentou de todas as formas infiltrar no depoimento da “viva alma mais honesta deste país” para fazer uma “filmagem independente”. Moro negou, o TRF também e o STJ idem. E mesmo assim os incansáveis advogados do ex-presidente denunciaram Moro ao Conselho Nacional de Justiça por atropelar o “direito de defesa”…
Abre parêntese: o fotógrafo, que teve um filho contratado para a mesma função por Dilma enquanto ela exerceu o papel de “presidenta inocenta”, recebia do Instituto Lula e tinha seus vencimentos complementados pela CBF, a pedido do chefe: R$ 35 mil por mês!. Fecha parêntese.
A foto mostra Lula diante de seus apoiadores, que viajaram a Curitiba com as despesas paga pelo PT e pelas centrais sindicais a seu serviço. O PT prometia mandar 50 mil “guarda-costas” para Lula, mas, segundo a PM, esse número não passou de seis mil.
Ao chegar à Praça Santos Andrade, Lula primeiro verificou quem estava no palanque. Deu falta, de cara, de Jorge Samek, amigo de velhos tempos a quem presenteou com a presidência de Itaipu (um dos salários mais altos do mundo) de 2003 até poucas semanas atrás. Não o viu, e perguntou: “Alguém tem notícia do Samek?” Ninguém tinha, e ele desabafou: “Até tu, Samekus?”
Depois, olhou para a plateia. Cofiou os bigodes, como fez com veemência durante o depoimento ao juiz, balançou a cabeça em sinal de desapontamento e perguntou a um companheiro ao seu lado quanta gente calculava que estava na praça.
“Duzentos mil, por baixo”, respondeu o companheiro, na bucha.
“O que é isso, não sabe contar?”, reagiu Lula, que sobrepôs a mão esquerda espalmada entre a câmara do fotógrafo predileto e o distinto público, pediu ao companheiro que prestasse atenção em seu gesto e que o fotógrafo o documentasse: “São quatro mil, está vendo, quatro mil!”. E completou: “Até a Marisa, que era analfabeta de pai e mãe, saberia que são quatro mil: quatro mil!”

A piada pode ser sem graça – e é -, mas ainda mais sem graça ficaram Lula e sua turma diante do vexame que foi o público deslocado a Curitiba para impedir que ele fosse “preso” por Moro.

Lula está só, cada vez mais só. E cada vez mais prisioneiro de suas mentiras e encurralado por seus erros. Caberá a seu ex-braço direito na arte da propina Antonio Palocci, que negocia acordo de delação premiada, trancafiá-lo de vez. É o QUARTO de seus ex-amigos que decide rasgar sua fantasia de “viva alma mais honesta”.

Cadê a prova? Eis a prova

17 maio, 2017 às 12:42  |  por José Pedriali

lula-sitio com leo pinheiro“Cadê a prova, cadê a prova?”, esbraveja Lula em relação às acusações a que responde. Seus seguidores – a senadora Gleisi Narizinho Hoffmann é uma das mais exaltadas – ecoam: “Cadê a prova, cadê a prova?”

 

“Se encontraram uma prova, só uma, de que cometi um ato de corrupção, vou a pé até Curitiba para ser preso”.

 

O desafio foi feito pelo próprio Lula.

 

Evidências, testemunhos, documentos rasurados, etc. constituem indícios ululantes de que a “viva alma mais honesta deste país” pode ser qualquer uma, menos a do ex-presidente.

 

Que agora terá de arranjar outra explicação – e ele não pode culpar a finada Marisa – para esta foto, publicada hoje no Globo, em que aparece ao lado de Léo Pinheiro, ex-diretor da OAS. Pinheiro confessou que o tríplex no Guarujá foi reformado e mobiliado para Lula e que também mobiliou e fez arranjos no sítio de Atibaia, que o ex-presidente continua negando ser de sua propriedade (embora registrado em nome de terceiro, que nunca foi ao sítio…).

 

Eis a prova cabal de que Lula, ao contrário do que alega – e alega que não teve a mínima participação ou mesmo conhecimento das reformas do sítio – não só sabia como influenciou os trabalhos.

 

De São Bernardo do Campo até Curitiba são mais de 400 quilômetros. Será indispensável um par de tênis de primeira qualidade (algum amigo poderá providenciar, já que ele não compra nada).

 

Boa caminhada! Aproveite e leve a Gleisinha; ela conhece bem o trajeto a pé até a Justiça Federal…

Conclusão: Lula está encurralado e só

11 maio, 2017 às 13:25  |  por José Pedriali

O depoimento do ex-presidente Lula ontem ao juiz Sérgio Moro e as manifestações em sua defesa atestam: ele está encurralado e só.

As manobras para adiar o tão temido encontro, sua fisionomia conturbada ao chegar à sede da Justiça Eleitoral, o nervosismo no início do depoimento, o constante coifar do bigode e os litros de água que bebeu revelam o seu desconforto em enfrentar a Justiça no caso tríplex – o primeiro dos três casos a que responde perante a Lava Jato, além de ser réu em mais dois processos e estar na iminência de ser denunciado pelo sítio de Atibaia.
O conteúdo de seu depoimento era esperado: juras de inocência (e várias contradições) e a peroração final, na qual se apresentou, pela enésima vez, como “vítima de uma caçada judicial”. E recorreu aos superlativos de sempre: de que é o mais perseguido na história, que é o presidente que mais fez pelos pobres, o mais honesto, sincero, desapegado, etc.
Superlativa também foi a traição à finada esposa Marisa, a quem atribuiu a responsabilidade pelo interesse no tríplex e as tratativas para adquiri-lo. Ela, logo ela, coitada, que “nem gostava de praia” (as fotos do casal nas praias de propriedade do governo federal não apenas desmontam, como tornam ridícula a afirmação).
Lula encerrou o depoimento a Moro com um discurso político, pelo que foi várias vezes interpelado pelo juiz por estar fugindo do tema que motivou o processo, mas quem, segundo seus advogados – que recorreram até ao STF para realizar a filmagem paralela da audiência – fez “uso político” do encontro foi o titular da 10ª Vara da Justiça Federal. Eles não se cansar de fustigar o juiz para compensar a fragilidade jurídica de seu cliente, a quem, inclusive, exigiram ser tratado de “ex-presidente” – como se isso representasse algo, pois quem foi, já era!
O tão esperado gran finale, o comício de Lula aos simpatizantes na Praça Santos Andrade, equivaleu a seu atestado de óbito e do partido que comanda e personifica (“não tenho influência sobre o PT”, disse a Moro): onde estava a “onda vermelha” ou o “exército vermelho” disposto a dar a vida ao líder? O PT tem 1,8 milhão de filiados e sequer foi capaz, apesar de financiar a viagem de seus militantes, de lotar a praça. Quando muito, sete mil estavam lá, estima a Secretaria de Segurança Pública. (Número exagerado se confrontado com os 40 ônibus que conduziram a comitiva: multiplicando-se por 40, que é a capacidade máxima de cada veículo, temos 1,6 mil. Mas sete mil é tão insignificante se confrontado ao número de filidados, que fiquemos com ele como consolo aos derrotados.)
No discurso, Lula repetiu a cantilena sobre sua inocência e perseguição e jurou estar sendo honesto diante de seus seguidores, pois, do contrário, “não seria merecedor do carinho de vocês”. E desafiou: “Se estiver mentindo, que um ônibus me atropele!”.
O desafio tem a mesma consistência que garantia de que jamais pediu “cinco, dez centavos” a qualquer empresário, e esta talvez seja a única verdade que tenha dito em sua vida pública: o que recebeu dos empresários, que beneficiou por meio de ações escusas, são dezenas de milhões de reais.
Lula jamais será atropelado por um ônibus – nem por bicicleta, nem por patins, nem por carroça - pois não anda a pé!

 

Mas ele não consegue evitar o atropelamento pela Justiça.

Suspense até o último minuto: Lula vai ou não depor hoje?

10 maio, 2017 às 12:25  |  por José Pedriali

O esperado – e temido – encontro do ex-presidente Lula, acusado de comandar o maior esquema de corrupção no país de que se tem notícia, e o juiz Sergio Moro, que preside os processos da Lava Jato e, para a maioria dos brasileiros, personifica a Justiça, acontecerá ou não hoje, em Curitiba?

Depois de ter afirmado estar “ansioso” por esse encontro, que lhe daria a chance de “conhecer as provas que dizem ter contra mim” sobre a posse oculta do tríplex no Guarujá, Lula está fazendo o diabo para evita-lo.
Pediu a prisão de Moro, denunciou-o às instâncias superiores do Judiciário e à ONU, requereu a gravação do depoimento por conta própria para constranger o juiz; o pedido foi negado, recorreu ao TRF e perdeu; pediu a suspensão do depoimento por causa da juntada de documentos da Petrobras solicitados por sua defesa e que não têm relação alguma com o processo: perdeu de novo. E agora, como última alternativa – ou tentará a Tribunal de Haia em seguida? –, apelou para o STF para tirar Moro do caso, suspender o processo e, quando vier a ser interrogado, que faça sua filmagem particular sobre a “caçada judicial” de que se julga vítima.
Afinal, se Lula, que se diz a “viva alma mais honesta deste país”, não deve, por que então se borra na hora de comprovar a integridade absoluta que alega ter?
Teremos ou não teremos o tão esperado – e temido – encontro hoje?
Teremos! O STJ não cairá na armadilha que Lula e seus advogados aloprados estão interpondo, mais uma vez, ao esclarecimento da denúncia e à aplicação da Justiça.