Procura-se o “novo”. Seja o que for

23 novembro, 2017 às 19:21  |  por José Pedriali

O desgaste da classe política é tamanho que até o apresentador de tevê Luciano Huck começa a despontar como candidato viável à presidência da República.

Sua ascensão coincide com a decadência de João Doria, o “astro” do início do ano que se apresentava – e assim era visto por milhões – como o único capaz de sepultar o ciclo perverso do lulopetismo. Doria virou farinha no rastro da “farinata” que ele apresentava como a solução mágica para a fome dos desvalidos. (João Doril: tomou farinata e… sumiu!)
Saravá! Creioemdeuspai! Que país é esse, afinal?
É compreensível que a opinião pública esteja enfarada de tanta notícia ruim envolvendo nossos políticos – e bote notícia ruim nisso -, mas acreditar num empresário de sucesso que chega à Prefeitura de São Paulo e em seguida num apresentador sem carisma e cuja maior façanha foi criar as personagens pornôs Tiazinha e Feiticeira e, mesmo assim, cassar-se com a princesa Angélica!
Pesquisa divulgada hoje pelo “Estadão” mostra que Huck é o mais bem avaliado entre 20 nomes apresentados – todos políticos, exceto ele – para disputar a presidência.
Uma façanha, que indica que o brasileiro está em busca do “novo”, seja o que for, seja quem for.
Os políticos tradicionais que estão com as candidaturas lançadas, ou que pensam em lançá-la, terão que saracotear para não serem trucidados pelo eleitor. Que, nesse caso, personifica o monstrengo verde do velho seriado “O Incrível Hulk”, disposto a arrebentar com tudo e todos que encontrasse pela frente.
A eleição será daqui a um ano. O prestígio de Huck se consolidará ou se transformará em farinha?
Impossível prever. “O Incrível (eleitor) Hulk” encontrará outro “novo” caso Huck tenha o mesmo fim de Doria…

As últimas horas de 44 marinheiros

22 novembro, 2017 às 18:02  |  por José Pedriali

Puerto Madryn, na Patagônia argentina, é uma aprazível e moderna cidade que nesta época do ano superlota de turistas do mundo todo, ávidos por um dos maiores espetáculos do mundo. Vizinha da Península Valdéz, fatura com as baleias jubarte, lobos, leões e elefantes marinhos, focas e pinguins, que, após o impiedoso inverno antártico, refestelam-se na tepidez de suas praias, sem se importunar com a presença – mantidas as devidas distâncias – de uma multidão de curiosos.

O ambiente em Puerto Madryn hoje é outro: local de encontro dos parentes da tripulação do submarino San Juan, desaparecido há um mês, e do comando das operações de resgate, assiste a uma dramática contagem regressiva. Se os 44 tripulantes do San Juan, que incluem a primeira submarinista argentina, Eliana Maria Krawczyik, ainda estiverem vivos, só lhes restam, na melhor das hipóteses, algumas horas de vida. A estimativa de duração de oxigênio coincide com o tempo em que o submarino está desaparecido.
O San Juan viajava de Ushuaia, a cidade mais austral do mundo, para Mar del Plata, sua base, quando emitiu o último sinal. Estava a 300 metros da costa e o mar, revolto. Doze países, entre eles o Brasil, estão mobilizados para localizar o submarino. Nada até agora, mesmo que as condições climática tenham melhorado.
Eliana, 35 anos, oficial, é de Oberá, segunda maior cidade da província de Misiones, vizinha ao estado do Paraná. A cidade tem 60 mil habitantes e se destaca pela agroindústria – e pelas 60 igrejas. Cujos sinos em breve, salvo milagre, estarão dobrando por ela e seus companheiros.

Hauly mantém lliderança entre os melhores deputados do país

22 novembro, 2017 às 17:03  |  por José Pedriali

Ranking dos Políticos, elaborado pela ONG Politicos.org, aponta, pela segunda vez consecutiva este ano, o paranaense Luiz Carlos Hauly (PSDB) como o melhor deputado federal. E o põe na segunda colocação do Congresso, onde desponta a senadora Ana Júlia (PP-RS).

Hauly obteve 219 pontos, considerando-se quesitos tais como presença em plenário, fidelidade partidária, utilização da cota parlamentar, atividades em geral e qualidade legislativa – entre outros projetos, é o relator da reforma tributária, que defende desde que chegou à Câmara, em 1991. Considera também os processos judiciais a que o político responde. Hauly e Ana Júlia (227 pontos) não respondem a nenhum.
O segundo paranaense mais bem avaliado no ranking geral é o deputado Rubens Bueno (PPS), com 182 pontos (11º colocado). O terceiro – 32ª colocação geral – é Alex Canziani (PTB), com 135 pontos.
Os quatro melhores deputados federais são tucanos. Além de Hauly, Daniel Coelho (PE), João Gualberto (BA) e Fabio Sousa (GO). Os piores deputados federais são os paranaenses Zeca do PT (458º), com128 pontos negativos, e Enio Verri (488º), também do PT, com – 184 (seria esta avaliação mais uma investida da “conspiração golpista” que tirou o PT do poder?)
No Senado (ver abaixo), o paranaense Alvaro Dias (Podemos) está entre os primeiros colocados e Gleisi Hoffman (PT) entre os últimos. O peemedebista Roberto Requião tem pontuação negativa.

Gleisi, a lesa-pátria: quanto mais gasta, menos produz

22 novembro, 2017 às 14:39  |  por José Pedriali
A senadora Gleisi Hoffmann, “presidenta” nacional do PT, é um espanto em constante evolução. Devota incondicional do credo petista, de seus santos de pau oco e cofre cheio e adoradora da divindade máxima da Honestidade Lula da Silva, usa o cargo em benefício do partido e seus aliados – e de si própria, como indicam as ações a que responde por corrupção.
Eleita pelo Paraná, dá as costas ao estado e ao país, pois legisla de acordo com o seu credo incondicional. Relatou com fidelidade canina a nova redação do tratado internacional de Itaipu, para, a pedido de Lula, elevar o valor da energia que o Paraguai, então sob a presidência do companheiro Lugo, vende ao Brasil. Como chefe da Casa Civil, fez o que pôde e mais um pouco para bloquear a concessão do Proinveste para o Paraná, comandada pelo inimigo tucano Beto Richa. O empréstimo só foi liberado (o Paraná foi o último estado a recebê-lo) após ação judicial.
Não bastassem essas e outras aberrações, incluiu em seu pacote de emendas parlamentares R$ 400 mil para o MST (que nem entidade jurídica é) e a Rede Brasil, canal de tevê da CUT. É um caso de polícia: dinheiro público destinado a aliados do PT!
Não bastassem essas e outras aberrações, Gleisi consegue ser ao mesmo tempo, entre os senadores do Paraná, a que gasta mais e a que produz menos. Nesse último quesito, está entre os que apresentam pior desempenho no país.
A ONG Políticos.org acaba de apresentar o ranking dos parlamentares e dá a Gleisi a acabrunhante pontuação de -112. A avaliação considera presença nas votações, uso da cota parlamentar em comparação com os colegas, processos judiciais e qualidade legislativa. Pois ela teve -2 em presença, zero em uso da cota, -40 em processos, -5 em outros (fidelidade partidária e ações múltiplas) e -65 em qualidade parlamentar.
Compare-se esse score com seus gastos deste ano, expostos no portal da transparência do Senado: R$ 385 mil em aluguel de escritório, viagens e despesas em geral. Seu staff é composto por 41 pessoas. O montante não inclui seu salário (R$ 33 mil brutos) e de assessores (alguns com mais de R$ 20 mil).
Roberto Requião (PMDB) é o segundo maior gastador: R$ 316 mil. Tem 32 assessores, entre eles uma sobrinha (contratar parentes faz parte de sua trajetória…). Sua pontuação no ranking dos políticos não é nada abonadora: -25 pontos: 4 em presença, 6 em cota parlamentar, -80 em processos judiciais (outra especialidade dele), 10 em “outros” e (ufa!) 35 em qualidade legislativa.
Para decepção de seus colegas da bancada paranaense, Alvaro Dias (Podemos) tem 94 pontos de avaliação positiva, assim distribuídos: 10 em presença, 14 em cota parlamentar, 0 em processos (não responde a nenhum, daí a neutralidade), -15 em “outros” (a mudança contínua de partidos pesou) e – ranjam os dentes requianistas e petistas – 85 positivos em qualidade parlamentar.
Contribui para sua pontuação o total de gastos: R$ 129 mil (R$ 100 mil somente em passagem). Tem 34 assessores. Ou seja, Alvaro, o mais bem avaliado senador do Paraná, gastou três vezes menos que Gleisi, a mais mal avaliada, e 2,4 vezes menos que Requião, também com pontuação negativa. Economia, nesse caso, é sinônimo de produtividade.
Contra números não há argumentos: Gleisi, cuja condição a faz merecedora de presidir o partido mais deletério da história deste país, é uma lesa-pátria!
Para o bem geral da Nação, seu mandato – sem a menor chance de ser renovado – está chegando ao fim. Triste fim.
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Saravá: Gleisi encarna o espírito da Dilma. Saravá!

14 novembro, 2017 às 20:16  |  por José Pedriali
Em visita a Porto Alegre no final da semana passada, a senadora e “presidenta” do PT Gleisi Hoffmann encarnou o espírito de Dilma Rousseff.
Teria sido a proximidade geográfica?
Teria sido a afinidade ideológica?
Teria sido consequência do longo convívio que ambas mantiveram em Brasília?
Teria sido efeito do universo paralelo que as une?
Teria sido a manifestação de que o guru indiano que as orienta obteve, enfim, a fusão de suas moléculas cósmicas derivadas de Pan?
Que o leitor conclua o que quiser!
O fato é que, ao defender a possibilidade de o PT se coligar no ano que vem com setores do PMDB – do golpista Temer! -, Gleisi falou como se fosse a própria Dilma – com a clareza da Dilma, objetividade da Dilma, profundidade da Dilma. E sapiência da Dilma.
Fez, assim, jus ao conceito que lhe impingiram quando chef@ da Casa Civil – a “Dilma da Dilma”
Eis suas palavras, transcrita da Veja:

“No meu Estado, o Paraná, o PMDB golpista é o Requião, que não é golpista, que esteve junto com a gente. A possibilidade do PT fazer aliança com o PMDB no Paraná é muito grande e nem por isso vai ser uma aliança com golpista. Porque ele [Requião] não foi golpista. Assim também como a Katia Abreu, que é lá do Tocantins, do PMDB.”

O Requião, afinal, é golpista ou não é golpista?

 

Lula, o ingrato, quer atirar Gleisi às feras da Lava Jato

7 novembro, 2017 às 19:21  |  por José Pedriali

Ela faz de tudo por ele: sacrifica o convívio com a família, a reputação, a biografia, tudo, tudo. Serve-lhe café e enxuga o suor de seu rosto em público. E o que recebe em troca? A mais perversa das sentenças: a perda do mandato e, consequentemente, do foro privilegiado, indispensável a uma ré por corrupção na Lava Jato.

Ela é Gleisi Hoffmann, ele o ex-presidente e “viva alma mais honesta deste país” – sendo assim, dispensa ser nominado.
Rejeitada nacionalmente e ainda mais em seu estado, o Paraná, Gleisi não tem chance alguma de reeleger-se senadora. Apesar de viver no universo paralelo petista, ela está ciente disso, a ponto de ter tornado público o desejo de concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados, muito mais fácil de ser obtida.
Mas Lula, o ingrato – aquele que não poupa sequer a reputação da finada esposa, a quem atribui os crimes do qual é acusado –, quer que a Gleisi se ferre, disputando o Senado novamente, como informa a coluna “Expresso”, da revista “Época”.
Lula argumenta que, se deixar de concorrer, Gleisi estará admitindo previamente a derrota dela e do partido.
 
Muy amigo este Lula: é melhor que, para salvar a pele, Gleisi, a fiel, admita com antecedência a derrota inevitável, e se agarre à boia salvadora da Câmara, do que atestá-la depois, quando não terá mais ao que apelar.

Quanto a Lula, que personifica a derrocada do PT, bem, não há como se precaver como Gleisi. Pois, uma vez condenado – e isto é tão certo quanto o dia que precede a noite (ou será a noite que sucede o dia?) –, não terá em que se agarrar para escapar do xilindró.

Procura-se um estadista. Quem se habilita?

3 novembro, 2017 às 14:24  |  por José Pedriali
O ex-presidente Lula personifica a mentira, a fraude, o descalabro administrativo e financeiro (iniciado em seu governo e aprofundado por sua sucessora), a corrupção institucionalizada. Foi condenado à prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, é réu em seis ações penais e investigado em pelo menos meia dúzia de casos cabeludos.
O deputado federal Jair Bolsonaro encarna o que de mais abjeto o regime militar produziu – intolerância, truculência, despotismo. É um milico com trajes civis, um parlamentar que se destaca pela arrogância, agressividade e ausência de conteúdo programático.
Lula e Bolsonaro lideram a corrida eleitoral de 2018 para a presidência da República. Se um dos dois vencer, teremos um enorme retrocesso: moral e administrativo-financeiro no primeiro caso (pois o único que pode oferecer é refazer os erros), civilizatório no segundo.
Ocorre que Deus é brasileiro, e não há de permitir tamanho descalabro. Pois Lula, cujo apoio se limita às camadas mais pobres da população e a uma classe média lobotomizada pele ideário petista, caminha a passos firmes para a inabilitação eleitoral – será condenado em segunda instância. E Bolsonaro se alimenta dele. Com o ex-presidente fora do páreo, o milico de terno perderá a razão de ser.
Pois Bolsonaro é o que é por representar, até o momento, a antítese moral de Lula e do PT. Peço atenção ao termo “representar”, sinônimo de aparentar. Ser é outra coisa. Ressalva feita, Bolsonaro canaliza a rejeição do brasileiro ao lulopetismo, a mais nefasta, agressiva, perdulária e corrupta corrente política desde (pelo menos) a instauração da República.  (Corrente política é um termo brando para definir o lulopetismo: o correto é organização criminosa!)
O Brasil enfrenta uma das mais profundas crises de sua história – econômica, política e moral. As instituições, embora funcionando livremente, foram contaminadas pela corrupção e tornaram-se desacreditadas pela opinião pública. Acabamos de tirar o poder o PT, mas seu braço direito na organização criminosa que formou, o PMDB, está na presidência. Michel Temer é um presidente-zumbi, o mais rejeitado da história, e cujo único mérito é ter formado uma equipe econômica que está retirando o Brasil do fundo do poço.
O caminho da recuperação – econômica, política e moral – será longo, doloroso, sinuoso… e requer um estadista no comando da nação e um Congresso purificado. A purificação passa necessariamente pela renovação e depende de quem colocaremos no lugar dos atuais (alguns merecem a recondução).
Um estadista… mas quem?
A conduta ilibada é conditio sine qua non para merecer o título, que exige tirocínio político, experiência administrativa, capacidade de negociação – pois governar é administrar conflitos – e sensibilidade para as questões sociais. Exige também desprendimento, o que subentende a disposição de sacrificar a popularidade se as circunstâncias impuserem; visão de longo prazo, coerência nas ações. Liderança!
Três presidentes se encaixaram nesse perfil. Cada um no seu tempo e circunstâncias, cada um com seu estilo, cada um com suas vitórias e derrotas: Getúlio Vargas, JK e FHC. O primeiro enfrentou o desafio de um país que se urbanizava, o segundo levou a modernidade e o Estado ao interior e iniciou o processo de industrialização; o terceiro reergueu a economia e o Estado devastados pelo regime militar e por dois presidentes eleitos desastrosos – Collor e Sarney.
Um estadista, com urgência, por favor!

Data venia: temos o pior STF da história

27 outubro, 2017 às 18:16  |  por José Pedriali

Se Rodrigo Janot foi o “pior procurador-geral da história”, como o definiu o ministro Gilmar Mendes, a atual composição do STF o faz merecedor de igual título.

Janot, de fato, foi um péssimo procurador. O fim de sua passagem pelo comando do Ministério Público foi melancólico: duas denúncias ineptas contra o presidente da República baseadas numa delação malandra e retribuída com a indulgência plenária ao delator, um criminoso confesso.
Essa aberração foi precedida da delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, que continha informações do mesmo teor e obtidas com a mesma finalidade.
Um ministro sem qualificação, nomeado para o cargo para proteger o PT, que lhe dera emprego.
Outro com laços de amizade familiar com o então presidente da República.
Ambos – Dias Toffoli e Lewandowski – retribuíram a nomeação agindo, no julgamento do mensalão, como eficientes advogados de defesa dos réus. E, no julgamento de Dilma pelo Congresso, Lewandowski avalizou a aberração jurídica de manter os direitos políticos de uma cassada!
Uma ministra advinda do Ministério do Trabalho com a qual a “presidenta” tinha simpatia e afinidade ideológica. Rosa Weber soube – e sabe – retribuir.
Não apenas a voz remete a um ator de filme de terror: suas decisões parecem seguir o mesmo padrão. É Marco Aurélio, reiteradamente voto vencido. Um sadomasoquista assumido!
Gilmar Mendes: o mais falastrão e espalhafatoso, dado nos últimos meses a decidir uma coisa hoje e revogá-la amanhã. Assumidamente antipetista, descaradamente aecista: um militante de toga!
José Roberto Barroso: tido como um dos maiores constitucionalistas do país e que não se vexa de submeter a Constituição à sua militância judicial.
Mendes e Barroso protagonizaram ontem um bate-boca em plenário, exigindo a intervenção da presidente Carmen Lúcia, que por pouco não estendeu a mão entre ambos e ordenou cuspisse primeiro o mais valentão!
Por sorte temos o provecto Celso de Mello, que não joga para a plateia, Fachin – que põe as leis acima de suas simpatias políticas -, a equilibrada Carmen e o roqueiro Luiz Fux: esfuziante no falar e vestir, mas ponderado e didático nas decisões. Alexandre Moraes, o neófito, reluz não apenas por sua lustrosa calvície, mas pela limpidez de seus argumentos.
São maioria os que se afinam com a missão do STF, que é zelar pela observância da Constituição. Mas o grupo dissonante refulge pelo espalhafato, contaminando todo o grupo.

O STF, infelizmente, não é uma banda de rock. Se o fosse, teria o desempenho mais cacofônico e ruidoso das bandas de rock, cuja especialidade é justamente essa: cacofonia e ruído!

Da “dança da pizza” à “dança da esbórnia”: a afronta continua

27 outubro, 2017 às 14:15  |  por José Pedriali
2006:
A deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) celebrizou-se (e selou o fim de sua carreira política) ao comemorar, dançando desengonçadamente no plenário da Câmara, a absolvição por seus pares do companheiro João Magno (PT-MG), acusado de ter se beneficiado do mensalão.
Os passos de Ângela ficaram conhecidos como a “dança da pizza”.
2017
Fiel escudeiro do presidente Michel Temer, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) – informa o Estadão - comemorou com dança o resultado da votação do parecer pela rejeição da denúncia contra o presidente da República realizada na noite de quarta-feira, 25, no plenário da Câmara dos Deputados.
Os passos de Marun – tão desengonçados (ou mais) quanto os de sua antecessora – ficarão para a história como a “dança da esbórnia”.

 

O tempo passa, os governantes são outros, mas a desfaçatez de alguns políticos continua afrontando a opinião pública.

Mensagem da Operação Publicano: a delação compensa todos os crimes

25 outubro, 2017 às 08:12  |  por José Pedriali

O auditor da Receita Estadual Luís Antônio de Souza foi flagrado em janeiro de 2015 num motel de Londrina com uma menina de 15 anos.

Só isso (só?!) já era o suficiente para deixá-lo alguns anos atrás das grades.
Mas era apenas a ponta do iceberg: ele estava com 20 mil reais em dinheiro e foi identificado como membro de uma organização que explorava sexualmente menores.
O caldo entornou, pois o flagrante se deu porque o Gaeco (MP e polícias civil e militar) o investigava por corrupção na Receita.
Crimes sexuais em série – incluindo estupro de vulnerável – e corrupção das grossas: condenação na certa, e pesada!
O que ele fez? Arranjou um advogado astuto, Eduardo Duarte Ferreira, e começou a dedurar mundos e fundos em troca da impunidade.
A delação atingiu dezenas de fiscais, contadores, empresários e o governador Beto Richa.
Tinha início a estrondosa Operação Publicano.
Como Richa entra nessa história? Na condição de coadjuvante, apontado como beneficiário do esquema de corrupção montado pela “organização criminosa da Receita”, que abasteceu suposto caixa dois da campanha pela reeleição do tucano.
O que havia de indício ou prova? O recibo da compra de divisórias de compensado para o comitê eleitoral londrinense de Richa. Valor: 3 mil reais, não declarados na contabilidade da campanha.
Quem autorizou a compra, o governador? Não, a compra foi ordenada pelo chefe de Souza, Márcio Albuquerque, que  prometeu, segundo ele, repor o dinheiro.
O caso ganhou repercussão nacional, e Richa foi associado a tal “organização criminosa”.
A delação foi homologada. A Justiça comprometeu a soltar Souza alguns meses depois, passando para prisão domiciliar e relaxando-a gradativamente. O perdão abrangeu os crimes sexuais – e ele respondia a mais de 20 processos!. Souza teve de entregar parte do patrimônio obtido com a corrupção. Um patrimônio milionário.
Pouco tempo depois, Souza foi flagrado extorquindo empresários em troca de seu silêncio, crime que, segundo o MP, envolveu seu advogado. Os benefícios da delação foram suspensos, cogitava-se em revogá-la, o que seria desastroso para a Publicano, pois sem as informações de Souza o castelo de areia ruiria. E então delator e advogado acusaram que depoimentos do réu não haviam sido gravados e, pior, adulterados. Pânico no Ministério Público! E agora?
O achaque deu mais certo do que o que Souza fizera ao empresário para manter silêncio, pois, em vez de punição, voltou a ter a indulgência plenária na linha do horizonte, bastando para isso entregar mais um imóvel à Justiça. E ele “esqueceu” de denunciar os investigadores pela adulteração…
Dois anos e meio depois da eclosão do caso, sabemos pela Folha de Londrina que Souza, em regime de prisão domiciliar, foi autorizado a se mudar para o litoral paranaense por motivo de “foro íntimo”. Logo, logo vai estar se esbaldando nas areias das praias paranaenses…
A Publicano está na enésima fase, as duas primeiras remetidas ao STJ por envolverem o governador. E contadores, empresários e fiscais foram condenados – um deles a quase um século de prisão. Alguns fiscais alegam que foram punidos com base unicamente nas delações de Souza. Exasperado, um deles filmou a movimentação dos promotores diante do Gaeco e acabou detido.
A isso se soma a misteriosa não inclusão no processo de um contador apontado como sócio de um dos promotores… A Corregedoria do MP abriu inquérito. O caso tramita sob sigilo.
A corrupção precisa ser combatida, duela a quien duela. Mas o combate tem de ser sem espalhafato e de forma eficiente.
A Operação Publicano montou um cenário dantesco com as informações de um criminoso confesso, capaz de reincidir no crime mesmo preso,  Que, de todos os envolvidos, é o único contra o qual não há dúvida de sua culpabilidade. Está a um passo da liberdade plena – e continua rico.

O esforço da Gaeco não foi em vão: sim, havia corrupção na Receita, a ponto de o governo do Estado multar os sonegadores em mais de um bilhão de reais. Mas a afoiteza em aceitar a versão de um bandido pode comprometer boa parte do trabalho, desacreditar a instituição e deixar como lição que o crime compensa se, uma vez flagrado, for acompanhado de uma delação bombástica – mesmo que fantasiosa. E como compensa!