Crônica de uma fuga anunciada

26 janeiro, 2018 às 10:03  |  por José Pedriali

Josias de Souza, da Folha de S.Paulo, informou em 19 de dezembro, que Lula viajaria à Etiópia para participar de um encontro promovido pela FAO, órgão das Nações Unidas para a agricultura e alimentação. Poucos dias antes, o TRF havia agendado o julgamento do recurso de Lula para 24 de janeiro. A viagem aconteceria dois dias depois.

Coincidência, mera coincidência, tranquilizou o Instituto Lula. O convite fora feito, segundo o instituto, antes de o tribunal marcar o julgamento.
E nada mais se falou até que, faltando duas semanas para o julgamento, o tesoureiro nacional do PT, Emídio de Souza, disse temer que o passaporte de Lula pudesse ser confiscado antes da viagem, criando um novo embaraço para o ex-presidente. Ele reafirmou que a viagem era a convite da FAO, que promoveria um evento em Addis Abeba, capital da Etiópia, para tratar do combate à fome.
O que Lula faria num encontro sobre o combate a fome é uma incógnita, pois a única coisa que ele fez, logo que assumiu a presidência, foi criar o Fome Zero, que resultou em nada. Mas a fama ficou e o responsável por esse programa, José Graziano, foi alçado à presidência da FAO.
(O Fome Zero foi trocado pelo Bolsa Família, que juntou todos os programas implantados por FHC e foi ampliado por dois motivos: porque a situação econômica do Brasil era favorável e, segundo José Dirceu, garantiria “40 milhões de votos” para o PT.)
Voltemos à viagem de Lula. A indiscrição do deputado petista eriçou a galera que não sabia ou não havia lido Josias de Souza. O site O Antagonista pesquisou no site da FAO e não encontrou nenhum atividade do órgão prevista para Addis Abeba na data informada pelo Instituto Lula.
E então, eis que entram em cena a defesa de Lula, que informou ao TRF que Lula viajaria à Etiópia a convite da União Africana! Ué, onde foi parar a FAO nessa história? Cristiano Zanin, o Doutor Explicadinho, advogado de Lula, deve ter a explicação…

A União Africana é uma instância consultiva dos chefes de Estado daquele continente, inspirada por Muamar Khadafi, o sanguinário, a quem Lula tratava como “meu irmão, meu líder” (Antonio Palocci explicou o motivo da veneração de Lula pelo ditador – que teve a morte que merecia, foi linchado: ele doara um milhão de dólares para uma das campanhas de Lula à presidência.)
Duas versões para o mesmo fato, uma viagem dois dias depois da reiteração da condenação de Lula, com o agravamento da pena, pelo TRF, a insurgência de Lula e do PT contra a decisão e a campanha sórdida – e mundial – de ambos contra o Judiciário, Acusado por eles de instrumento dos “golpistas” para inabilitá-lo eleitoralmente. Parêntese de novo: o advogado de Lula junto à Comissão de Direitos Humanos da ONU, Geofrey Robertson (quanto custa um profissional desse nível!), acompanhou, com tradução simultânea, o julgamento do TRF.
A decisão do TRF escancarou as portas da prisão a Lula, além de fulminar sua pretensão de disputar a presidência da República.
Coloquem-se todas as peças no tabuleiro e temos desenhado o roteiro de uma fuga anunciada. A pobre, caótica Addis Abeba seria apenas o ponto inicial de um exílio financiado pelos recursos que acumulou riminosamente (acredito piamente que ele tenha dinheiro ocultado no exterior.) Seja onde pretendesse se estabelecer (o plano foi abortado temporariamente pelo confisco de seu passaporte) Lula encarnaria o papel que mais sabe desempenhar: o de vítima de suas virtudes.
A realidade o apresenta, de forma inquestionável após decisão do TRF, como vítima dos crimes – muitos crimes – que se nega a reconhecer.
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