Defesa de Lula falsificou documentos? O passado a condena

26 setembro, 2017 às 12:56  |  por José Pedriali

1aSão os mesmos que fizeram um projeto fajuto, copiado da internet, que pudesse justificar os R$ 6 milhões pagos por uma empresa de consultoria automobilística a Fábio Luís Lula da Silva, caçula de Lula, por “assessoramento” na área esportiva.

“Assessoramento” que coincidiu com a assinatura de medidas provisórias por seu papai em favor das empresas automobilísticas que pagaram o jovem talentoso!

O projeto era tão fajuto que bastou uma rápida navegação pelo Google para a Polícia Federal constatar que tudo o que havia ali era transcrito da internet.*

Pois os mesmos defensores de Lulinha – o escritório dividido por Roberto Teixeira e seu genro Cristiano Zanin, o engomadinho – apresentaram ontem “cópias” de “recibos” de aluguel para comprovar que a cobertura contígua à do papaizão em São Bernardo do Campo, utilizada desde 2003 pelo ex-presidente, não pertence à “viva alma mais honesta deste país”.

De 2003 a 2007, o aluguel do apartamento foi pago pelo PT, dessa data até 2010 pela presidência da República, que alegava a necessidade de um espaço para alojar os seguranças do então presidente. Quando Lula deixou o cargo, o apartamento – coincidentemente – foi “comprado” por Costamarques a pedido de seu primo José Carlos Bumlai, amigão do ex-presidente e condenado na Lava Jato por intermediar um empréstimo fraudulento em favor do partido – era doação e não empréstimo – que rendeu aos mecenas um contrato de 1,6 bilhão de dólares com a Petrobras.

A história desse imóvel é tão cabeluda quanto os jogadores de futebol argentino dos anos 70 do século passado. E encaracolada, também como eles.

Em resumo: foi “comprado” – e “alugado” para Marisa Letícia, a falecida – por Costamarques com dinheiro originário, por vias tortas, de uma subsidiária da Odebrecht – a DAG Engenharia -, a mesma que, também por vias tortas, comprou um terreno destinado ao Instituto Lula por R$ 12 milhões.

Esses imóveis são apontados pela Lava Jato como pagamento de propina a Lula pelo favorecimento dele à Odebrecht junto à Petrobrás.

O terreno acabou rejeitado e o “crédito” de Lula foi estornado, segundo Marcelo Odebrecht, mas o apartamento passou a ser usado pelo ex-presidente e sua família.

Tudo estaria bem não fosse um detalhe:não havia recibos, tampouco depósitos bancários na conta do “proprietário”. Os oagamentos só começaram a ocorrer a partir de novembro de 2015, quando Bumlai foi preso. E Costamarques admitiu, em depoimento ao juiz Sergio Moro, que não havia recebido nada até então e que não protestara para não “melindrar” o primo.

(Estou resumindo ao máximo, mas a história está ficando longa. Peço um pouco mais de paciência, pois de agora em diante fica ainda mais intrigante.)

Vinte e seis “cópias” de “recibos” (exatamente a metade do período em que o proprietário alega ter ficado sem pagamento) foram entregues hoje pela defesa de Lula, quando está se esgotando o prazo para as alegações finais. Três de um ano, quatro de outro, três de outro, e assim por diante, até 2016.

A “Folha de S.Paulo” e o Jornal Nacional expuseram hoje algumas das “copias” dos “recibos”: excelente redação e formatação – o modelo, tipologia e espaçamento são os mesmos em todos, mudando-se apenas o valor, corrigido com o tempo, e a data. E o detalhe: a menção a “pagamento em espécie”, anotada em todos – o que justificaria a falta de registros bancários. (O recibo transcrito acima contém uma aberração: a data 31 de junho, inexistente!)

Pois é. É justamente aí que a porca começa a entortar o rabo.

Admitamos que raros são os que guardam recibo de tudo o que pagam.

Essa observação perde força por se tratar de um ex-presidente da República, que, por causa da responsabilidade do cargo, tem o dever (e a consciência do dever) de documentar tudo, absolutamente tudo, para a posteridade. Mas a relevemos.

A questão intrigante é: onde estavam essas “cópias” de “recibos”?

Não estavam entre os documentos apreendidos no apartamento de Lula e no contíguo – esse que é objeto da discórdia -; não estavam no sítio de Atibaia e tampouco na sede do Instituto Lula, pois tudo o que havia nesses locais foi filmado, catalogado e retido pela PF.

Onde estavam? No escritório do contador? Se estavam lá, por que não foram entregues antes? E por que o contador não estava em posse dos originais e sim das “cópias”, que são anexadas às declarações de renda? E por que as declarações de renda não continham esses documentos? (E não continham mesmo!)

Por que só foram apresentados alguns, não todos?

E por que estão redigidos corretamente e formatados com esmero, um iguazinho a outro, tal qual gêmeos univetilinos? Todos produzidos em computaodor; Somente a assinatura (evidentemente) é manual, permitindo supor, numa hipótese perversa, ter sido aposta por meios digitais.

Essas questões remetem ao caso envolvendo o caçula de Lula, sugerindo (ó mente poluída!) que o mesmo procedimento para tentar salvar o filhinho (infrutífero, pois o menino foi indiciado por corrupção e lavagem de dinheiro) foi adotado para livrar o papaizinho dessa enroscada, o que atenuaria a sua pena de prisão – pois a acusação do terreno destinado ao Instituto Lula é indefensável, tamanha a profusão de provas e testemunhos!

É claro que os documentos serão periciados, é claro.

E se os peritos atestarem que são falsos, o que acontecerá?

A pena de Lula poderá ser aumentada, seus advogados responderão por isso, mas espernearão, assim como seu cliente ilustre, pois espernear é a especialidade deles: o laudo – alegarão – é mais uma ofensiva golpista contra a “inocência” de Lula!

E tome recursos e apelações com ampla cobertura da tropa petralha na internet e nos meios de comunicação…

* Flagrados no crime, os advogados alegaram não dispor de registro eletrônico do documento, só em papel.

1 Comentários

3 ideias sobre “Defesa de Lula falsificou documentos? O passado a condena

    1. José Pedriali Autor do post

      Tá nervosinho, petralha, por que, com esses “recibos”, Lula antecipou a prisão por obstrução da Justiça, fraude processual – além do crime de falsificação de documentos? Por que o senhor não se oferece para acompanhá-lo ao xilindró como auxiliar de serviços gerais, que inclui a limpeza de bunda, o que parece ser sua especialidade?

      Responder
  1. Parreiras Rodrigues

    Não resiste a exame de um (a) restaurador (a). Que atesta a data da impressão, da fabricação do papel…A polícia técnica, científica, dará a palavra.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>