Eleitores de Aécio e Lula personificam dois Brasis: o da indignação e o do culto ao criminoso

4 outubro, 2017 às 17:35  |  por José Pedriali

A revelação de que pediu – e recebeu por vias tortas – R$ 2 milhões a Joesley Batista, da J&S, e de que combinou com ele a nomeação de um amigo para a direção de uma estatal poderosa levaram o senador Aécio Neves ao inferno político.

A reação de seus companheiros tucanos foi de perplexidade seguida de um movimento para sua saída (ou expulsão) do partido. A situação ainda não se definiu, mas ele foi obrigado a deixar a presidência do PSDB.
Seus eleitores – foram 51 milhões na disputa presidencial de 2014 – sentiram-se traídos, pois ele dizia personificar a luta contra a corrupção, e lhe voltaram as costas.
Aécio é hoje um dos políticos mais rejeitados do país e não há na linha do horizonte qualquer sinal de que venha a recuperar em médio prazo ao menos parte de sua popularidade. Ressalte-se: nem processado – por enquanto – ele está.
No outro lado do espectro político, o petista Lula, autoproclamado “a viva alma mais honesta deste país” ao mesmo tempo em que está condenado por corrupção, responde a seis ações penais por crimes correlatos e é investigado em outras frentes pela suspeita de malfeitos, desponta como o favorito na corrida eleitoral de 2018.
Como explicar tal disparidade de reações?
Os eleitores de Aécio dispersam-se em todas as classes sociais, mas predominam entre as mais altas e mais escolarizadas. O inverso acontece com Lula, ao qual se acrescenta o carisma e o portfólio de realizações sociais (embora destruídas por sua sucessora e aliada Dilma) que o tucano não possui.
Em relação aos eleitores de ambos, conclui-se que os de Aécio condenam a corrupção, seja quem for que a pratique – e por isso não o poupa -, enquanto os de Lula condenam a prática de forma genérica, mas o absolvem pelas razões alegadas acima.
Quando aos militantes partidários, o procedimento é praticamente o mesmo, com a diferença de que, quanto mais se agrava a situação jurídica de Lula, mais os petistas o cultuam e propagam sua inocência.
Afinal, como desafiou Antonio Palocci, que de cultuado pelos “companheiros” passou a maldito depois que dedurou alguns dos pecados de Lula, o PT é um “partido ou uma seita guiada por uma pretensa divindade”?
O comportamento dos petistas satisfaz a dúvida de forma contundente.
0 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>