Os últimos seis meses de Beto Richa. Adeus ou até logo?

4 outubro, 2017 às 11:34  |  por José Pedriali

Beto Richa inicia os seis meses finais de seu governo, já que, apesar de ele esconder o jogo, será candidato a senador ou deputado (estadual ou federal) no ano que vem.

O primeiro turno das eleições será em 2 de outubro de 2018 – daqui a exatamente a um ano. Como o ocupante de cargo executivo tem de deixá-lo seis meses antes – 2 de abril -, se quiser concorrer, a contagem regressiva dos 180 dias derradeiros de Richa no Palácio Iguaçu está iniciada.
E o encontra num momento de recuperação lenta, porém gradual, de sua imagem, severamente abalada pelo duro ajuste fiscal no início do seu segundo mandato e o fatídico 29 de abril de 2015, quando a Polícia Militar reprimiu a tentativa de invasão da Assembleia por parte de sindicalistas e militantes petistas e afins. E por ter sido citado em três casos de corrupção envolvendo sua campanha à reeleição.
Richa se reelegeu com folga no primeiro turno, batendo o truculento Requião e a esnobe Gleisi Hoffmann, então amparada pelo PT ainda com credibilidade – a Lava Jato não o havia atingido de morte, como agora.
Pois justamente o mandato dos dois – Gleisi e Requião – se esgota no ano que vem e ambos estão severamente feridos. Ela, por sua defesa intransigente do PT e seu envolvimento na Lava Jato, que a ameaça de prisão; ele por associar sua imagem à do PT e criar briga com Deus e o Diabo, e o pior de tudo, com o próprio partido, que lhe voltou as costas e pode até expulsá-lo.
Duas vagas em jogo, seus ocupantes fragilizados e um governador com a popularidade em processo de ascensão de olho numa delas: a equação é favorável a Richa, que recupera sua imagem graças à recomposição fiscal e retomada da economia paranaense em contraste com a pindaíba da maioria dos estados.
Há arapucas pelo caminho, certamente. Uma delas: qual será o desdobramento dos casos de corrupção que o atingem? Estão nas mãos da Justiça e os processos são sigilosos, mas o que veio a público até agora – doações não contabilizadas de empreiteiras e de fiscais da Receita Estadual criminosos e desvio de recursos destinados à construção de escolas para sua campanha – lhe dá o benefício da dúvida, já que em nenhum desses casos ele é apontado como agente recebedor (consciente do crime, portanto) e sim como beneficiário.
Em nenhuma das ações – ressalte-se – Richa é acusado de enriquecimento pessoal, ao contrário dos figurões do PeTrolão, a começar do próprio Lula, a “viva alma mais honesta deste país”.
Richa, portanto, é o favorito para ocupar uma das vagas do Senado. A outra, a quem se destina?
O favorito é o ex-senador Osmar Dias, do PDT, que vacila em concorrer ao Iguaçu ou ao Senado. É cedo para que tome uma decisão, e ela poderá ser influenciada por seu irmão, o senador Alvaro Dias (Podemos), pré-candidato à presidência da República mas estagnado na retaguarda dos pretendentes.
E se Alvaro, diante do eventual encalhe de sua postulação para a presidência, decidir disputar o Iguaçu?
O enredo começa a ficar intrigante…
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