Procura-se um estadista. Quem se habilita?

3 novembro, 2017 às 14:24  |  por José Pedriali
O ex-presidente Lula personifica a mentira, a fraude, o descalabro administrativo e financeiro (iniciado em seu governo e aprofundado por sua sucessora), a corrupção institucionalizada. Foi condenado à prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, é réu em seis ações penais e investigado em pelo menos meia dúzia de casos cabeludos.
O deputado federal Jair Bolsonaro encarna o que de mais abjeto o regime militar produziu – intolerância, truculência, despotismo. É um milico com trajes civis, um parlamentar que se destaca pela arrogância, agressividade e ausência de conteúdo programático.
Lula e Bolsonaro lideram a corrida eleitoral de 2018 para a presidência da República. Se um dos dois vencer, teremos um enorme retrocesso: moral e administrativo-financeiro no primeiro caso (pois o único que pode oferecer é refazer os erros), civilizatório no segundo.
Ocorre que Deus é brasileiro, e não há de permitir tamanho descalabro. Pois Lula, cujo apoio se limita às camadas mais pobres da população e a uma classe média lobotomizada pele ideário petista, caminha a passos firmes para a inabilitação eleitoral – será condenado em segunda instância. E Bolsonaro se alimenta dele. Com o ex-presidente fora do páreo, o milico de terno perderá a razão de ser.
Pois Bolsonaro é o que é por representar, até o momento, a antítese moral de Lula e do PT. Peço atenção ao termo “representar”, sinônimo de aparentar. Ser é outra coisa. Ressalva feita, Bolsonaro canaliza a rejeição do brasileiro ao lulopetismo, a mais nefasta, agressiva, perdulária e corrupta corrente política desde (pelo menos) a instauração da República.  (Corrente política é um termo brando para definir o lulopetismo: o correto é organização criminosa!)
O Brasil enfrenta uma das mais profundas crises de sua história – econômica, política e moral. As instituições, embora funcionando livremente, foram contaminadas pela corrupção e tornaram-se desacreditadas pela opinião pública. Acabamos de tirar o poder o PT, mas seu braço direito na organização criminosa que formou, o PMDB, está na presidência. Michel Temer é um presidente-zumbi, o mais rejeitado da história, e cujo único mérito é ter formado uma equipe econômica que está retirando o Brasil do fundo do poço.
O caminho da recuperação – econômica, política e moral – será longo, doloroso, sinuoso… e requer um estadista no comando da nação e um Congresso purificado. A purificação passa necessariamente pela renovação e depende de quem colocaremos no lugar dos atuais (alguns merecem a recondução).
Um estadista… mas quem?
A conduta ilibada é conditio sine qua non para merecer o título, que exige tirocínio político, experiência administrativa, capacidade de negociação – pois governar é administrar conflitos – e sensibilidade para as questões sociais. Exige também desprendimento, o que subentende a disposição de sacrificar a popularidade se as circunstâncias impuserem; visão de longo prazo, coerência nas ações. Liderança!
Três presidentes se encaixaram nesse perfil. Cada um no seu tempo e circunstâncias, cada um com seu estilo, cada um com suas vitórias e derrotas: Getúlio Vargas, JK e FHC. O primeiro enfrentou o desafio de um país que se urbanizava, o segundo levou a modernidade e o Estado ao interior e iniciou o processo de industrialização; o terceiro reergueu a economia e o Estado devastados pelo regime militar e por dois presidentes eleitos desastrosos – Collor e Sarney.
Um estadista, com urgência, por favor!
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