Estabilidade X Sustentabilidade

24 outubro, 2017 às 12:57  |  por equipe do Blog Maluco Beleza

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Daniella Forster

Esta semana meus pais comemoram 56 anos de namoro e 49 de casados. Em um mundo tão mutável e instável, somos invariavelmente conduzidos a novos valores, mudanças sociais e individuais que nem sempre representam sucesso ou felicidade.

Neste sentido, penso em inúmeros relacionamentos pessoais e profissionais que sim, são estáveis, e nem por isso agregam valor, geram crescimento, praticam respeito mútuo e percebem o verdadeiro significado de uma relação. Em outras palavras: a estabilidade deixou de ser algo que promove o desenvolvimento humano e se adapta às exigências do mundo moderno.

A sustentabilidade vem então como um conceito que traz consigo a possibilidade de representar com mais força as demandas atuais: em organizações e relacionamentos afetivos ou familiares não podemos pensar que a estabilidade gera interações eficientes ou até mesmo exemplos, referências e histórias de sucesso.

Aliás, a sustentabilidade remete ao equilíbrio – sendo assim, exageros, positivos ou negativos, são contrários à percepção de que há a possibilidade de manter uma vida e uma relação ao longo termo. O grande desafio está na importância do relacionamento, que pressupõe ter a própria identidade e exige reconhecer em si mesmo o que lhe faz bem, traz paz, gera aprendizado e faz superar teus próprios limites. Não importa se tua busca é profissional ou afetiva, este autoconhecimento te permite verdadeiramente ser alguém.

Ganhar muito dinheiro, ter muito poder ou mais status muitas vezes são exageros da vida moderna. As relações se tornam sustentáveis quando há troca e empatia, paciência e perseverança, ética e espaço para admitir erros e humildade para dizer preciso de alguém.

Assim, há algumas tendências a serem questionadas: estamos em plena comemoração do Outubro Rosa e as questões da mulher vem à tona. O exemplo refere-se ao modelo social da mulher independente, que é feliz por cuidar da sua vida e por ser bem-sucedida no trabalho. Entretanto, muitas vezes ela é infeliz no relacionamento afetivo, na maternidade, no conforto de ter uma identidade feminina que vai além de ser uma profissional “realizada”. Em outras palavras, de uma mulher que pode ser acolhida, acarinhada e mimada, que não precisa obrigatoriamente se esconder através das sentenças como: “eu sei”, “eu posso”, “eu mando”, “eu sou melhor” e “eu delego sempre”.

Esta mulher independente, dentro deste “pré-conceito” disseminado não corresponde ao equilíbrio, à sustentabilidade, e não permite relações verdadeiras com parceiras, parceiros, filhas e filhos, mães e pais. Há um exagero que se traduz de certa forma como um ego inflado, incapaz de enxergar que existe um(a) outro(a) – seja esta pessoa quem for.

E, finalmente: sinto que o que fez meus pais terem uma relação verossímil e sustentável foi, na essência, a reciprocidade. A reciprocidade consiste em duas pessoas existindo integralmente no mesmo espaço, duas vontades sendo expressas, e um senso comum sendo partilhado para que o equilíbrio sempre seja uma possibilidade. Nem sempre a comemoração é em grande estilo, mas há sempre a valorização de um desafio superado, de um conhecimento adquirido, de uma maturidade a ser alcançada, porque juntos são melhores. Tal condição me parece igualmente viável em qualquer relacionamento, sendo ele pessoal ou profissional. Vale a reflexão!

Daniella Forster é psicóloga, mestre em Administração e especialista em coaching de carreira. É coordenadora do PUC Talentos, núcleo de empregabilidade da PUCPR.

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