Limites – O meu, o do outro, o nosso!

31 maio, 2017 às 09:47  |  por equipe do Blog Maluco Beleza

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 * Daniella Forster 

Um dos aprendizados mais importantes da vida é aprender que cada um de nós tem seus limites, aprender a respeitar o limite do outro, que pode ser bem diferente do nosso. Este processo tão relevante exige maturidade e principalmente humildade para dizer “não”, ou “preciso melhorar”, ou “ainda não é como eu gostaria”.

Uma das questões relacionadas ao limite, refere-se basicamente à concepção de que na vida precisamos criar espaços de preservação, para poder esperar, dar o tempo necessário para que o emocional possa absorver com paciência e respeito o que ainda não está pronto para ser compartilhado. O certo é criar espaço para o silêncio, para a reflexão, a internalização.

O limite desrespeitado, o seu ou o do outro, pode criar diretamente a percepção de caos, de desconforto ou até mesmo de agressão. Invade-se um espaço ainda inseguro, desconfiado, dolorido, que está em elaboração. Quando o desrespeito invade o nós, surgem os conflitos, os desabafos infindáveis e a possível ruptura de relacionamentos pessoais ou profissionais.

Administrar limites pressupõe observar, dar tempo ao tempo, evitar sobrecargas e imposições que exijam mudanças muito abruptas, que demandem grande esforço emocional. Em outras palavras, há que se reconhecer quando não há espaço para arriscar, não há como ser impulsivo ou correr contra o tempo. Apesar da ansiedade do mundo cotidiano, há que se considerar a opção pela “slow atitude”.

Pode parecer um pensamento anacrônico, afinal existe forte motivação para que aceleremos nossa jornada na vida para garantirmos sucesso. No entanto, nem sempre a agilidade e a rapidez trazem consigo sustentabilidade em uma decisão. Arrependimentos e até mesmo a nítida percepção de que estamos simplesmente fazendo algo por “obrigação” ou “pressão” frustram nossos resultados.

Saber esperar a si mesmo e ao outro,  possibilitam transformação e desenvolvimento verdadeiro. Não se trata simplesmente de concordar ou discordar, mas de compreender o significado de uma determinada decisão. Não se trata de avançar ou regredir, mas de apreender a necessidade de fazer isto com a consciência devida para de qualquer maneira seguir, passo a passo, em prol de um resultado melhor para si, para o outro, para nós.

Talvez devêssemos esquecer um pouco a ditadura da tecnologia, da atualização a qualquer preço, do consumo das relações, para que possamos voltar para a nossa humanidade, nosso tempo individual, nossa preservação emocional. Por que correr tanto? Por que desrespeitar tanto o ser humano? O que mais carecemos hoje é empatia e compaixão.

Daniella Forster é psicóloga, mestre em Administração e especialista em coaching de carreira. É coordenadora do PUC Talentos, núcleo de empregabilidade da PUCPR.

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