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Chega de nepotismo!

22 Agosto, 2008
15:50

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

WALTER CENEVIVA

CHEGA? Ao menos é o que parece, depois de decisão do Supremo Tribunal Federal, acompanhando por unanimidade acórdão histórico redigido pelo ministro Ayres Britto, na última quarta-feira, em ação declaratória de constitucionalidade. Normalmente a sentença proferida por um juiz, quando não caiba qualquer recurso, vale entre as partes para as quais é dada, não beneficiando nem prejudicando terceiros. A frase que o leitor acaba de ler reproduz quase por inteiro o artigo 472 do Código Civil, mas tem sido modificada. Desde os últimos anos do século 20 foi sendo estendida a aplicação de certas decisões judiciais até para quem não tenha sido parte no processo.
É o caso da ação declaratória de constitucionalidade (ADC), que só incluí em meu livro “Direito Constitucional Brasileiro”" na terceira edição, pois se incorporou ao direito brasileiro com a EC nº 3, de 1993. Esta emenda introduziu novo parágrafo 2º ao artigo 102 da Constituição para dizer que a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em ação declaratória de constitucionalidade produz efeitos contra todos (não importando se foram ou não foram parte no processo). Produz, ainda, efeito vinculante em relação aos órgãos da administração pública, nos três poderes e em todos os níveis. Foi precisamente esse o caso julgado no STF esta semana.
A ação foi proposta pela AMB - Associação dos Magistrados Brasileiros e o resultado, quando o texto da decisão for publicado, será obrigatório em todo o território nacional, banindo o nepotismo. Banindo? Formalmente, sim, mas para a avaliação substancial do resultado é melhor aguardarmos. O nepotismo é tão enraizado que parece imbatível, desde que começou, depois que o papa Bento 9º foi eleito em 1032. Era filho de um potentado italiano, o conde Tusculano e sobrinho (ou seja “nepote” no italiano daquele tempo) dos papas Bento 8º e João 19. Bento 9º foi nomeado apesar de seu gênio violento e sua conduta (digamos assim) libertina. O nepotismo é tão forte que o termo existe em muitos idiomas, mesmo de origem não latina, como o inglês e o alemão. Sempre com o significado de tratamento favorecido, em cargos públicos, a pessoas da mesma família, por laços de sangue ou conseqüentes do casamento.
O nepotismo é um mal social. Termina gerando castas no serviço público que, às vezes, dominam segmentos da administração na troca ininterrupta de favores. Discrimina os que não pertencem ao mesmo grupo, sem preocupação com o interesse geral, que termina sacrificado. Nessa matéria nenhum dos três Poderes pode atirar pedras ao telhado do vizinho. Uma das formas de assegurar a eficácia da administração é a qualidade de seus quadros. O favorecimento do nepotismo é a própria negação da qualidade. Eficiência, conceito inserido no artigo 37 da Constituição, é o oposto de nepotismo.

Rosana Hermann e uma certa capital chamada… orgasmo

30 Julho, 2008
15:16

‘Quando você chega ao Orgasmo você não tira fotos, nem joga milho pros pombos, nem compra lembrancinhas pros amigos mas, mesmo assim, cada chegada é um momento inesquecível. O importante é aprender o caminho porque depois que você chegar lá pela primeira vez você certamente vai querer voltar. Muitas vezes.’

http://queridoleitor.zip.net/index.html

Amanhã, 31 de julho, é Dia do Orgasmo.
Em comemoração a data escrevi a crônica abaixo:

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Happy Hour com toddynho não dá ou se for votar, não beba

26 Julho, 2008
09:07

DO RECANTO DAS LETRAS

Má Oliveira

Esses caras beberam??? A lei seca não afeta o mais famoso alcoólatra deste país e sabe por quê? Porque EU pago o motorista dele! É… essa lei é mais uma que só afeta os pobres… Se ele bebe mesmo quanto dizem, pelo Principio da Isonomia (CF artigo 5º caput), exijo que esse sujeito passe pelo teste do bafômetro diariamente, antes de sentar-se na cadeira da presidência, afinal, por que ele pode dirigir nossas vidas embriagado (como dizem) e eu não posso dirigir meu carro após tomar UMA cerveja?
Traduzindo está lei, é mais ou menos assim, se um filho não faz seu dever de casa, todos os outros ficam sem TV, entendeu?
E lá vou eu, uma cervejeira consciente, que trabalho pra cacildas, cuido da casa, pago meus impostos, etc e etc…, ser privada de mais alguma coisa, por conta de um erro que eu não cometi!!!
Eu deveria gostar era de incendiar índio, vencer licitações ilegalmente, roubar a grana pública, afogar calouros de faculdade de medicina… ao menos não seria punida… mas eu tinha que complicar!
Eu tinha que gostar justo de algo tão criminoso como tomar UMA cerveja, no fim do dia?
Gente! Happy hour com toddynho não vai dar! Além de tudo, agora sou obrigada a fazer prova contra mim mesma (cadê a Constituição???) e se eu me recusar basta o uso da subjetividade da autoridade policial pra que eu me lasque, enterrando de uma vez o principio da presunção da inocência e do direito ao contraditório. É.., isso só serve pro caso Renan, Dilma…

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Os senhores das armas

21 Julho, 2008
18:34

Coluna de Ruy Castro, na Folha de S. Paulo, cita o caso da estudante assassinada por PMs em Porto Amazonas (PR).

Profissão de futuro

RUY CASTRO

Em Porto Amazonas (78 km de Curitiba), há uma semana, uma estudante de 21 anos foi morta pela PM paranaense com um tiro na cabeça, após o seu carro bater acidentalmente no da polícia, enquanto esta perseguia uma quadrilha em outro carro. Um dos policiais supôs que a batida fosse de propósito e já saiu disparando. A ação lembrou aquela acontecida na Tijuca, no Rio, dias antes, em que uma senhora teve o carro fuzilado pela polícia e um filho morto.

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Do outro lado do cartão postal

18 Junho, 2008
15:25

DA FOLHA DE S. PAULO

CLÓVIS ROSSI

Cartão-postal sem Corcovado

Acompanho pelo “Jornal Nacional” a história da prisão e depois morte dos três rapazes detidos pelo Exército por suposto desacato e os desdobramentos que delas decorreram.
Tento encaixar tudo em algum outro país. Vício, mania, sei lá. É o Iraque? Pode ser, mas tem mais jeito de Bangladesh, Sri Lanka, desses recantos tropicais perdidos no mundo e que, periodicamente, expõem sua miséria aos olhos do planeta em casos de catástrofe para logo serem devolvidos ao anonimato absoluto de sempre e à miséria imensa de sempre.
De repente, cai a ficha. Não é nada disso. É apenas Brasil, aquele Brasil primitivo, selvagem, anárquico, violento, sem lei e sem regras, aquele Brasil pobre que não aparece nos postais de Copacabana, a princesinha do mar, ou do Corcovado e do Redentor que se vêem da janela, que lindos.
Depois, leio os jornais e vem a habitual catarata de indignação pelo comportamento dos militares. Justa, justíssima indignação. Transforme a sua própria indignação em alguma palavra bem dura, a mais dura que você conhece, e eu assino em baixo.
Mas falta nesse Brasil primitivo, o que, de resto, reforça o seu caráter selvagem, a indignação ante a evidência de que a criminalidade controla os morros (e mais que os morros). Selvageria é militares matarem ou entregarem à morte três jovens. Estou de acordo.
Mas não é igualmente selvagem todo mundo saber que assassinos controlam uma parte do território brasileiro - e ninguém faz nada nem se incomoda?
O Exército é bom para impor alguma ordem enquanto se fazem obras em um dos morros. Mas não é bom para impor a presença do Estado aonde ele não chega. Como a polícia também não é boa para isso, tem-se que o Brasil está perdendo a guerra para a criminalidade. E aceitou a derrota.

Marina Silva estréia coluna

9 Junho, 2008
17:54

A ex-ministra Marina Silva (Meio Ambiente) estreou, ontem, coluna semanal na Folha de S. Paulo, com o seguinte título: ’Em legítima defesa’. Ela escreverá sempre às segunda-feiras.

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Prendam o boy

3 Junho, 2008
17:53

Se você ainda não leu, vale a pena

Senhor Minc, o senhor é um fanfarrão

DA FOLHA DE S. PAULO

CLAUDIO ANGELO
EDITOR DE CIÊNCIA

O novo dado de desmatamento comprova: Marina Silva abandonou o barco do Meio Ambiente no momento certo. A cifra final, a sair em agosto (o mês do desgosto, como dizem), será um arraso sobre a floresta. E essa conta será de Lula e de seus “heróis” do agronegócio, encarnados na figura de Blairo Borges Maggi.
Afigura-se a realidade arrepiante de um desmatamento na casa dos 20.000 km2 de agosto de 2007 a julho de 2008. Para dar uma idéia do que isso significa, em 150 anos, de 1700 a 1850, toda a produção de açúcar na mata atlântica ceifou 7.500 km2.
Em resposta ao desastre imposto pela alta nas commodities, Carlos Minc, o “performer” que substitui Marina no ministério, anuncia que vai mandar prender… os bois! Isso mesmo: os bois, cujo único crime é pastar em áreas embargadas cuja floresta algum humano derrubou -com crédito oficial e estímulo político.
Ora, não seria mais efetivo prender os donos das terras onde pastam os bois? Certamente. Mas isso o governo não faz, por duas razões. Primeiro, para não criar caso com aliados em ano de eleição.
Depois, porque nem Minc nem ninguém sabe quem é dono da terra na Amazônia. A única medida que poderia ser definitiva contra o desmate, o ordenamento fundiário, foi um fiasco. Só 20% dos proprietários aderiram ao cadastro de terras imposto pelo governo. E, com o orçamento pífio dedicado a esse reordenamento pelo Plano Amazônia Sustentável, nada vai mudar.
Vai ser engraçado ver o ministro, entre uma coletiva e outra, correndo atrás de boizinhos e vaquinhas no pasto. São 80 milhões de cabeças na Amazônia, senhor ministro. Haja colete para suar.

Proibir blogs de candidatos na campanha é um placebo

29 Abril, 2008
15:17

Repórter quer saber o que acho da resolução do TSE que proibiu o uso por parte dos candidatos de blog e sites de relacionamento na campanha deste ano. Como se trata de “achismo”, acho uma aberração.

Salvo engano, e correndo o risco de mastigar clichês, vejo na internet justamente a possibilidade de ampliação do debate e de democratização da propaganda. Proibir que um candidato nanico apresente seu programa de governo, via blog ou através de sites de relacionamento como o Orkut e o My Space, significa privilegiar poucos em detrimento de muitos. Ou será que os candidatos de maior estrutura econômica não serão beneficiados?

No parecer publicado em 31 de março deste ano, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio Mello, apoiou-se em uma lógica torta para defender a proibição. “Certo é que, conforme senso comum, se algo não é proibido, em tese, deveria ser facultado. Contudo, se a lei não proíbe determinadas práticas de propaganda eleitoral, também não se autoriza”. Traduzindo: Proibido não é, mas autorizado não está, portanto proíba-se.
É desprezar uma ferramenta valiosa de propaganda e de acesso gratuito. Mais: é jogar às traças também um mecanismo que atinge justamente o público que a democracia vem tentando cooptar: o eleitorado jovem.
Se, no entanto, a decisão é proibir, é preciso criar mecanismos para fiscalizar. E eles sabidamente são precários. A considerar-se que um blog pode ser hospedado, por exemplo, no exterior, onde não está sujeito à legislação e fica fácil dimensionar o efeito “placebo” da decisão.
Melhor seria liberar e analisar caso a caso as irregularidades e transgressões eleitorais, como se faz, aliás, em outros casos. O TSE, contudo, achou por bem proibir. Cômodo. Em resumo:  deixou tudo como está para ver como é que fica.

O que um blog pode ensinar*

20 Março, 2008
16:09

O blog do Noblat, um dos mais acessados do país, faz quatro anos. Em 2005, quando ainda dava os primeiros passos no diário eletrônico, Noblat escreveu esse artigo para o Observatório da Imprensa, que eu reproduzo abaixo. Vale como um “mapa da mina” para aqueles que trabalham diariamente - e arduamente - tentando fazer de um blog - blogo no meu caso - uma referência para o leitor.

(Observatório da Imprensa, 1/2/2005)
Ricardo Noblat (*)

Tenho um blog há quase um ano. Anote o endereço e dê uma passadinha lá: (www.noblat.blig.com.br).
Nunca tinha entrado em um até que inventei o meu. Ouvira falar que blog era uma espécie de diário de adolescente na internet – e ponto. O assunto não me atraía, embora atraísse meus três filhos – André, Gustavo e Sofia, todos na faixa dos 20 anos de idade.
Entre março e maio do ano passado, escrevi uma página dominical sobre política no jornal O Dia, do Rio de Janeiro. E como notícias cavadas no início da semana acabavam envelhecendo antes que a semana terminasse, um amigo sugeriu que eu criasse um blog para ter onde despejá-las a tempo e a hora.
Quando a página de O Dia foi extinta, imaginei que deveria também extinguir o blog. Só não o fiz a pedido de algumas pessoas que viam futuro nele. Eu ainda não via. E sentia falta do meio impresso onde vivi os últimos 37 anos.
Em setembro, ao instalar um medidor de audiência no blog, comecei a me dar conta de que o passatempo deixara de ser apenas passatempo.
O blog foi acessado em outubro por 151.465 visitantes únicos. Em novembro, por 100.715. E em dezembro por 106.685.
Se você entrar nele mais de uma vez por dia, o medidor só registrará uma visita. A não ser que você utilize terminais diferentes. E que cada um tenha um IP.
Fui obrigado a aprender que IP é uma espécie de impressão digital do computador. Ou melhor: a porta de entrada e de saída para a internet de um usuário ou de um grupo de usuários.
Expediente integral
É por isso que os números registrados pelo medidor de audiência do blog estão muito abaixo dos verdadeiros.
Por exemplo: a Câmara dos Deputados dispõe de cerca de 4 mil terminais. Mas eles funcionam em rede. Entram e saem da internet via quatro ou cinco IPs.
Quer dizer: no máximo, o medidor de audiência do blog contabilizará por dia quatro ou cinco visitantes únicos oriundos da Câmara.
Ora, é razoável imaginar que um blog dedicado a contar os bastidores do poder em Brasília seja acessado diariamente por mais do que quatro ou cinco funcionários da Câmara.
De resto, quem acessa o blog e se interessa por algo, copia e repassa aos amigos. Esses, por sua vez, repassam aos seus. Quer dizer: você nunca saberá ao certo quantas pessoas atinge.
Mas vamos em frente.
De madrugada
Trabalho mais horas diárias no blog do que jamais trabalhei em jornais ou revistas. Começo por volta das 10h. Uma vez lidos os seis jornais que assino, reproduzo e comento no blog as notícias mais relevantes. Em seguida, passeio pelos sites de jornais e de agências daqui e de fora. Sempre encontro alguma coisa para comentar ou correr atrás.
A partir daí, me penduro no telefone à caça de notícias frescas.
As fontes tradicionais de notícias ainda não sabem direito o que é um blog – costumam confundir com site. Mas se lhe conhecem, ajudam.
Mantenho um aparelho de rádio sintonizado na CBN. E um aparelho de televisão na Globo News ou nas TVs Senado e Câmara, a depender do dia e da hora.
Sinto falta de ir para a rua com mais freqüência atrás de notícias – mas se for, a relação custo-benefício não valerá a pena. Gastarei mais tempo. E apurarei menos notícias.
Sinto falta de trabalhar com gente, de preferência muita gente como sempre trabalhei. Tenho apenas uma estudante de Jornalismo que me ajuda em coberturas de fôlego.
Reservo algumas noites por semana para jantar com políticos e funcionários do governo.
Permaneço defronte do computador até a hora do Jornal Nacional. Depois dou um tempo.
Volto a passear pelos sites de notícias por volta das 23h. E sigo até às 2h ou 3h lendo as edições dos jornais do dia seguinte e postando notícias ou comentários.

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Para ler e recortar

21 Fevereiro, 2008
15:44

Sei lá há quanto tempo não lia um bom texto na “Gazeta do Povo” - foi quando o Londrina sagrou-se campeão? Pois este é obrigatório. Em deliciosas linhas, o repórter especial José Carlos Fernandes faz um relato picaresco do que será a Ilha de Cuba sem El Comandante sob o título “Fidel e a Tartaruga”  Eu reproduziria o texto na íntegra, mas como gente do jornal (os sem-talento, é óbvio) andou me solapando as fuças com  a lei dos direitos autorais, deixo só um acepipe. Com gosto de quero mais.

“Circula uma piada muito boa na ilha de Fidel Castro. O comandante en jefe teria visto, certa vez, uma tartaruga nas mãos de um cubano. Interessado, perguntou quantos anos vivia um bichinho daqueles. ‘Uma tartaruga pode durar 400 anos, señor‘, disseram-lhe. O presidente cofiou a barba, ajeitou o boné verde-quartel e disse. ‘É por isso que não tenho animais de estimação. A gente se apega, depois eles morrem e é aquela tristeza.”

Quaquaquá.

Dois pequenos comentários. Nem nas catacumbas do saber, eu adivinharia que “quelônio” refere-se a tartaruga. A surpresa foi tão grande quanto ler um conto de Dalton Trevisan e descobrir que quirodáctilo é “dedo da mão”.

Outro. Fernandes cometeu só um deslize. E de grife. Coisinha, assim, capitalista. O agasalho usado (e abusado) por Fidel não é da marca Nike, mas da Adidas. Os alemães não perdoariam. Eu perdôo.

Assinante da Gazeta lê mais aqui.

Uma guerrinha pedagógica

15 Fevereiro, 2008
13:04

Para quem adora uma polêmica na imprensa, eis a de Barbara Gancia, colunista ácida da Folha de S. Paulo, com Luis Favre, maridão de dona Marta Suplicy que, por acaso, nos dá a honra hoje em Morretes, a bordo do trem de luxo Great Brazil Express (é bem, dona Marta).

A contenda verbal começou com a declaração infeliz da ministra “Relaxa e Goza”, na Espanha, afirmando que, ao menos, no Brasil não há terrorismo. Pois sim. Mas deixemos os protagonistas falarem. É longo, mas vale a pena.

PRIMEIRO, BARBARA GANCIA EM COLUNA PUBLICADA NO DIA 1° DE FEVEREIRO:

Brioche revisitada

Mais uma vez, Marta Suplicy demonstra não ter temperamento ou tino para nos representar no exterior

FAÇO PARTE daquela parcela da população que não sente a menor saudade da Marta Suplicy prefeita de São Paulo. Sempre encarei as eleições como exercício enxadrístico, e mudo meu voto a cada nova estação eleitoral de acordo com os candidatos que se apresentam e o balanço de poder que, imagino, venha a ser o menos danoso.
Fiel a essa proposição, votei em Marta nas eleições municipais de 2000 a fim de vê-la derrubar seu principal concorrente à prefeitura, o ex-prefeito Paulo Maluf.
Ah, se arrependimento matasse! Note, dileto leitor, que, para mim, Maluf não poderia nunca configurar como alternativa de voto, uma vez que, ao longo dos anos, ele parece ter adquirido o tique nervoso de me processar a cada vez que ouso mencionar seu nome (já são coisa de cinco processos formais e outras tantas tentativas de instauração de litígio repudiadas pela Justiça).
Mesmo assim, tenho vontade de arrancar os cabelos e as vestes quando penso que votei em Martaxa. E que passei os últimos dois anos da prefeitura dela engolindo o monóxido de carbono dos veículos desviados da av. Cidade Jardim em direção à minha rua, por conta das obras de um túnel que trouxe zero benefício ao trânsito e ao comércio da minha região.
É por já ter depositado meu voto na urna em proveito de dona Marta (não confundir com o morrote carioca homônimo), que hoje me sinto à vontade para esbravejar: por qué no te callas, Martaxa?
Na quarta-feira, a ministra do Turismo ofendeu a platéia da Feira Internacional de Turismo de Madri com uma reedição dos comentários que havia proferido sobre a crise aérea (”relaxa e goza”).
Ao ser questionada sobre a insegurança que os turistas estrangeiros enfrentam no Brasil, Marta “Comam Brioche” Suplicy, em pleno exercício de má-fé e desinformação contra-atacou dizendo que a violência no Brasil e no resto do mundo civilizado são comparáveis.
Ao dizer que a nossa violência concorre com a de países europeus, mais uma vez, Marta demonstrou não ter temperamento ou tino para representar este Brasilzão de meu Deus no exterior.
Alô, dona Martaxa Relaxa! Não vou nem mesmo me valer de números oficiais, porque isso seria covardia. Proponho o seguinte: a título de comparação, vá ao salão de beleza, vá passear de coletivo ou, quem sabe, vá dar uma banda em algum parque da nossa adorada São Paulo e peça às pessoas que encontrar nesses lugares que discorram sobre os assaltos e a violência generalizada que já sofreram ou que já viram algum familiar ou conhecido sofrer.
Depois, sempre à título de comparação, faça a mesma coisa em Madri, Barcelona, Sevilha ou Torremolinos, na Espanha, o país que a ilustre ministra, como nossa representante oficial, insultou sem nenhum motivo aparente ou, quiçá, puramente por descontrole emocional.
Ao final da experiência, compare o que brasucas e espanhóis têm a dizer e, conselho meu: ligue correndo ao rei Juan Carlos pedindo desculpas.

AGORA A SEGUNDA COLUNA DE BARBARA, PUBLICADA EM 8 DE FEVEREIRO

A ira do senhor Wermus

Quem não inveja uma mulher como Marta Suplicy, que tem um marido que a defende com unhas e dentes?

O DILETO LEITOR por acaso sabia que o atual marido de Marta Suplicy, Luis Favre, mantém um blog na internet? Pois é, até ontem, eu também não. Tomei conhecimento de que Favre escrevinha na última quarta-feira e descobri, pasme, que ele não vai com a minha cara. E que isso não é de hoje.
Nas outras vezes em que o marido da ministra mencionou meu nome em seu desconhecido blog, a crítica não teve a menor repercussão. Tanto é que eu nunca fiquei sabendo.
Mas, nestes dias, um leitor ofendido citou o blog do senhor Felipe Belisário Wermus em mensagem ao ombudsman que manifestava descontentamento com minha coluna da semana passada.
Para quem não leu o que escrevi, um pequeno resumo: em feira de turismo na Espanha, a ministra Marta misturou alhos com bugalhos para defender o Brasil e acabou ofendendo gratuitamente o país anfitrião.
Minha coluna de sexta passada condenava (com alguma dureza, admito) a atitude da ministra. Em vez de debater as idéias contidas no meu texto, o senhor Favre resolveu partir para o ataque tentando atingir meu fígado. E sugeriu que tenho o “rabo preso” com o tucanato.
Como é a segunda vez que alguém ligado a Marta Suplicy faz essa afirmação, e como eu sou uma pessoa um tanto detalhista, vou pedir que ele explique na Justiça o que isso significa. Será que “rabo preso” quer dizer que recebo dinheiro do PSDB para falar o que penso? Nesse caso, o senhor Favre terá de provar o que está dizendo e eu vou me divertir muito vendo-o tentar fazer isso.
É bem comum do modo de agir de certos petistas e seus aliados fundamentalistas usar desse tipo de artimanha para invalidar as críticas que lhes são feitas.
A Barbara Gancia contestou Marta Suplicy? A colunista bateu duro na ministra por ela ter feito uso de uma falácia ao comparar coisas desiguais, como o ataque terrorista sofrido pela Espanha e a violência no Brasil? Então vamos desqualificá-la, vamos jogar sua honra na lama para desviar o foco.
A tática é burralda e tem prazo de validade limitado. Quero ver, nos tribunais, Favre estabelecer um laço meu com os tucanos, a direita ou com qualquer movimento ideológico ou partidário.
O marido da ministra também afirma em seu blog semiclandestino que sou desbocada e que “vomito” regulamente no jornal Folha de S.Paulo. Engraçados esses comentários vindos de alguém que convive com Marta Suplicy, não é mesmo? Admito que posso ser um tanto inconveniente, mas, nesse caso, dona Martaxa Relaxa é o quê?
Diz também o senhor Luis Favre (ou Felipe Belisário Wermus, nunca sei como me referir a ele) que tenho “ódio” e “inveja” de Marta Suplicy. Não tenho ódio, não, isso é coisa da esquerda maniqueísta.
Apesar de minhas eventuais críticas, acho a figura de Marta simpática, controvertida, moderna e menos perniciosa à vida pública do país do que tantos vilões de verdade que andam por aí.
Até daria uma nota seis à sua administração em São Paulo, a despeito do túnel inútil que ela mandou construir quase na porta da minha casa.
Quanto à inveja, Favre pode estar certo. Quem não inveja uma mulher que tem um marido que a defende com unhas e dentes?
Alô, senhor Favre! Nos vemos então nos tribunais. Até breve.

E, POR FIM, A RÉPLICA DO MARIDÃO DA DONA MARTA, PUBLICADA HOJE NA SEÇÃO TENDÊNCIAS & DEBATES

Barbara Gancia quer me calar

LUIS FAVRE

Ela, que se serve do poder de fogo da grande mídia para tentar destruir reputações, não tolera ser contestada com a mesma arma que usa

BARBARA GANCIA quer me calar.
Ela usa seu espaço neste jornal para me ameaçar de um processo e tentar colocar uma mordaça nos que recusam sua prepotência e seus insultos.
Ela está descontrolada porque, em resposta a um artigo cheio de prepotência, arrogância e insultos, ousei escrever no meu blog, no artigo “Latem, Sancho, sinal que cavalgamos” (http://blogdofavre.ig.com.br) o que ela não quer ouvir e que vou repetir: “2007 foi o melhor ano da história do turismo no Brasil. Apesar de todos os problemas, particularmente o da valorização do real, mas também a quebra da Varig e os atrasos nos aeroportos, o fluxo do dinheiro em divisas deixado pelos turistas no Brasil bateu todos os recordes. Imagino como seria se alguns dos articulistas antipetistas, esses de “rabo preso” com o tucanato e alérgicos a operário metalúrgico presidente, fossem ministros do Turismo e falassem, aqui e lá fora, as sandices que aqui escrevem”.
Ela, que tanto esbraveja, não gostou do “rabo preso”. Ela tampouco gostou de que eu acrescentasse: “Se ela ministra fosse (mas por enquanto esse risco o Brasil não corre), ela iria dizer nos foros internacionais o que ela e uma parte da mídia repetem incansavelmente, mas que, como mostram as pesquisas, o povo não compra. A saber: que o país vive um apagão aéreo, dobrado de um apagão elétrico. Que sofremos uma epidemia de febre amarela, mas que não adianta vir vacinado pois os turistas vão enfrentar taxas de homicídios de outro planeta. Que, salvo a cidade de São Paulo, cidade limpa, como todos sabem, onde a taxa de homicídios (particularmente nos Jardins, Pinheiros e a rua de Barbara Gancia) é a mesma de Paris, melhor se abster de circular no resto de nosso paraíso tropical.”
Ao contrário dessa torcida do contra, a ministra do Turismo calmamente explicou em Madri que não há epidemia de febre amarela e que somente as pessoas que forem para regiões de risco devem ser vacinadas. Disse também que os problemas encontrados com o tráfego aéreo estão em vias de solução, mas que não são piores que os enfrentados pelos aeroportos de Londres ou pelo JFK em Nova York. Afirmou também que, se é verdade que a violência existe, pelo menos no Brasil não há terrorismo, nem ameaças desse tipo, como ocorre na França, na Inglaterra e na Espanha, por exemplo. Que aqui não há terremotos nem tsunamis. Resumindo, defendeu o Brasil e mostrou que vale a pena visitá-lo e conhecê-lo.
Nada diferente do que disse, por exemplo, o “Valor Econômico”: “Os espanhóis têm procurado mais a costa brasileira por dois fatores: o primeiro deles, segundo fontes do setor, é a saturação do turismo no litoral sul da Espanha. Outro fator é que o atentado terrorista do 11 de Setembro nos Estados Unidos e o tsunami na Tailândia acabaram tornando a costa brasileira mais atrativa e segura para turistas estrangeiros, sobretudo o europeu”. (1º/2/2008).
Tampouco muito diferente do que, sobre a “epidemia”de febre amarela, afirmou o próprio ombudsman da Folha: “Acontece que desde 1942 não se conhece no Brasil transmissão de febre amarela em reduto urbano. A informação foi veiculada, mas o tom predominante, mostram os títulos da capa, foi o de escalada”. (27/1/2008).
Mas quando falta a razão, sobram os impropérios. A irritação e a contrariedade de alguns se entende, pois mesmo com suas penas servindo os que procuram desmoralizar o governo e promover o ódio e a rejeição de suas figuras mais populares, a avaliação majoritária da população é que o Brasil está no caminho certo.
Por isso, Barbara Gancia quer me calar com um processo e assim cercear meu direito à liberdade de expressão e de opinião. Ela, que se serve do poder de fogo da grande mídia para tentar destruir reputações, colar etiquetas e adjetivos pejorativos contra uns, obsequiosos para outros, não tolera ser contestada com a mesma arma que ela invoca para realizar sua tarefa política: minha liberdade de opinião e de expressão.
Solicitei à Folha de S.Paulo o direito de responder no mesmo espaço onde fui atacado e ameaçado, permitindo que o despropósito da jornalista seja respondido. A Folha aceitou meu pedido e está de parabéns.
 

Jornalismo esportivo e a soma dos quadrados dos catetos ao cubo

8 Fevereiro, 2008
15:42

Saudade do tempo em que o jornalismo esportivo era passagem obrigatória de qualquer iniciante no ramo e que bastava não babar na gravata para ser forte candidato a editor da seção ou do caderno - já que agora tudo é esporte, até vôlei de praia (essa excrescência).

Hoje é coisa para especialistas. Outro dia me deparei com uma manchete referindo-se a um tal de “K9″ e demorei para entender que tratava-se de um jogador do Coritiba e não do cachorro do filme.

Futebol ficou muito complicado. Se você demora mais de 30 segundos para entender a manchete e, fique claro, não baba na gravata ainda que seja o editor de esportes, alguma coisa está errada. O que é G-8? Ora, o grupo de países mais ricos do mundo. Nananina. É o número de times com chances de classificação para o octogonal decisivo. Ah, tá.

O que é Z-4? Deixe eu ver. O número de átomos do zinco na tabela periódica? Também não. São os quatro clubes ameaçados de rebaixamento. Ah, tá.

Agora, R10 tá na cara. É mais um grupo de rock´n roll que apareceu na praça - desses de morte e vida ligeirinha. Que nada, é o Ronaldinho Gaúcho, camisa 10 do Barcelona.

Se lhe dá a impressão de que o primeiro parágrafo de uma matéria esportiva está mais para a soma dos quadrados dos catetos, tal o complicômetro numérico, leia de novo e vai constatar que não é só impressão. E você, pobre coitado, que só queria saber o resultado do jogo.

E os apelidos dos times? Houve tempo em que eles eram criados pela torcida e adotados pelas redações. Nada mais  natural. Pois agora o fluxo se inverteu e os apodos (reparou no termo?) ficaram a cargo dos cérebros pensantes do jornalismo. Pra quê? Dá-lhe Cori, Ventania, Jotinha, Malita, Sanca, Sampa, Bo, Pira, Flag, Flo, Fi. Fi de quem?

Sempre em benefício do Macunaíma que há em cada um de nós e em detrimento da clareza. Tá difícil para caber Luxemburgo? Mete Luxa. Dagoberto? Mete Dago. A conclusão é que trata-se de norma constante no manual de redação. Nomes com mais de duas sílabas, jamais. Dane-se o leitor, este ente desconhecido.

Não por acaso, aquele hábito do marmiteiro - e de qualquer trabalhador - de ler no varal das bancas as notícias esportivas depois de mais uma rodada foi para as catacumbas juntamente com a tiragem dos diários. O que era manchete virou fórmula matemática.  ‘Cori vence Sanca por 1 a 0 aos 45, alcança a V2 e ruma para o G8, tal que V corresponde ao número de vitórias’.

E nem vou entrar no mérito das estatísticas do futebol porque isso é coisa de PhD em Física Quântica com doutorado na Universidade de Cambrigde.

Ah, bons tempos em que o esporte bretão era uma caixinha de surpresas. Vá lá, uma calcinha no varal.

Curitiba dá pena

6 Fevereiro, 2008
12:42

Foram registrados 26 assassinatos em Curitiba e em sua região metropolitana entre sábado e terça-feira, período do feriado do Carnaval. Esta é mais uma informação para justificar o título desta coluna: Curitiba dá pena.

Dá pena porque nos acostumamos a admirar aquela cidade como um laboratório urbano de civilidade, especialmente para as nações mais pobres. Muitas das invenções curitibanas se propagaram pelo mundo –mas a violência atinge sua imagem, revelando uma desagregação social combinada com ineficiência policial. A civilidade de uma comunidade começa pelo direito à vida.

A matança do feriado apenas reforça o relatório, divulgado na semana passada, com base em dados do Ministério da Saúde. A taxa de assassinatos é de 49,3 por 100 mil habitantes em Curitiba, muito maior do que a média nacional — a linha do homicídio, segundo o documento, cresce a cada ano. Mesmo considerando a possibilidade de desvios estatísticos apontados pela Folha, a cidade está pior do que São Paulo e, na melhor das hipóteses, igual ao Rio.

Curitiba é mais um exemplo do poder avassalador da epidemia da violência, abalando sua imagem de cidade modelo — é uma pena não só para eles, mas para todo o país.

GILBERTO DIMMENSTEIN NO ‘PENSATA’ DA FOLHA.

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Nosso horror de hoje

6 Fevereiro, 2008
08:11

DEU NA FOLHA DE S. PAULO - edição de domingo

GILBERTO DIMENSTEIN

DE TANTO MORRER SE APRENDE A VIVER

APONTADA MUNDIALMENTE COMO uma referência de civilidade urbana, Curitiba foi alvo, na semana passada, de um pesado ataque a sua imagem. Quem imaginaria que lá se poderia correr mais risco de assassinato do que no Rio de Janeiro?
Já soaria até muito estranho comparar as duas cidades no quesito violência. Ainda mais esdrúxulo seria colocar Curitiba em desvantagem. Feito com base em informações dos ministérios da Saúde e da Justiça, o “Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008″, divulgado na última terça-feira, revela até mesmo uma diferença expressiva: em Curitiba, o índice de assassinatos por 100 mil habitantes foi, em 2006, de 49,3 e, no Rio, de 37,7. Surpreso? Então veja a comparação com Florianópolis, até pouco tempo atrás a capital mais segura do país, vista como um refúgio contra o caos urbano.
Florianópolis, com a taxa de 40,7, não só perde para o Rio como fica bem longe de São Paulo, que, em 2006, teve 23,7 assassinatos por 100 mil habitantes. A comparação ficaria ainda muito pior se a base fosse o ano de 2007; segundo relatório publicado na quinta-feira, a queda do índice na capital paulista em relação ano anterior foi de 22%.
Os números mostram como a epidemia da violência se espalhou pelo Brasil, escapando das metrópoles -e, ao mesmo tempo, como se vai aprendendo, aos poucos, a lidar com a violência.

Comparadas a São Paulo e ao Rio de Janeiro, Curitiba e Florianópolis são cidades que têm populações pequenas, não sofrem com tantas favelas, oferecem educação de melhor qualidade e registram um nível de desemprego mais baixo.
O responsável pelo “Mapa da Violência”, Julio Jacobo Waiselfisz, da Ritla (Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana), acredita que haja uma questão de aprendizado. “Lugares mais pacatos não se prepararam como deveriam para o aumento da violência”, diz ele. A leitura de seu relatório mostra que a média nacional caiu entre os períodos de 2004 e 2006, em comparação com o biênio anterior, por causa especialmente dos resultados melhores (embora ainda preocupantes) obtidos pelas regiões metropolitanas do Rio, de Belo Horizonte e de São Paulo. Registraram-se quedas, embora modestas, até mesmo na tão temida Baixada Fluminense, em cidades como Duque de Caxias, São Gonçalo e Nova Iguaçu.

Sem algumas melhorias nos indicadores de homicídio nessas três regiões metropolitanas, a manchete dos jornais seria a seguinte: “Explode a violência no Brasil”. Foi o desempenho dessas regiões que ajudou a compensar os índices de lugares como Foz de Iguaçu, no Paraná, que, embora ostente uma das maiores belezas do mundo, as famosas cataratas, carrega o incômodo título de capital brasileira da morte de jovens. Só para dar uma idéia, a queda na média nacional, naquele período, foi de 5%, com a redução, em termos absolutos, de 1.739 mortes -o número é muito próximo do atingido apenas na cidade de São Paulo. Em suma, se a cidade São Paulo não tivesse tido menos assassinatos, a média nacional ficaria estacionada.
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Leitores, leitores

11 Janeiro, 2008
13:17

Fiquei 48 horas longe da “Selva”. Tempo em que não li jornais nem vi televisão. É o que se chama de férias. Os livros, contudo, não me escaparam. Consumi dois. ”Devorando o Vizinho - A História do Canibalismo” de Daniel Diehl e Mark P. Donnelly (Editora Globo, 344 págs. R$ 27) e  “1808″ do jornalista paranaense Laurentino Gomes  (Editora Planeta, 408 páginas, R$ 31,90), que trata da vinda da corte portuguesa para o Brasil, no que completam-se este ano, dois séculos. Ah, a efeméride.

Em 1988, o jornalista carioca Zuenir Ventura, pediu licença do Jornal do Brasil, onde era colunista para se dedicar ao projeto do livro “1968 - O Ano Que Não Terminou”, que naquele ano completava duas décadas.  Descobriu que a revolução social que a juventude  carbonária sonhava não foi além de uma revolução de costumes. E ainda assim restrita ao círculo da “pensata” brasileira.

Laurentino Gomes, que para orgulho dos caipiras locais, é maringaense, formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, e  diretor de uma divisão de revistas da Editora Abril, descreve, em passagem do livro, a tentativa dos pernambucanos de instalar uma república no estado. Livre, portanto, dos grilhões, do Brasil-Colônia e da esfera de poder de Portugal.

Para isso, engendraram um plano mirabolante. Tomaram a capital Recife, com o apoio de  senhores de engenho, produtores de algodão e comerciantes locais  e enviaram ainda, nos primeiros dias do movimento, o comerciante Antônio Gonçalves Cruz, o Cabugá, para a Filadélfia, então capital dos Estados Unidos, com o objetivo de angariar apoio do governo americano e recrutar para a causa revolucionários franceses exilados no país.

Claro que era preciso mais do que isso. E Cabugá levava na bagagem a importância impressionante de 800 mil dólares - algo como 12 milhões de dólares em dinheiro de hoje - para convencer os possíveis aliados.

Mas a missão do agente secreto pernambucano ia além. Ele pretendia também financiar a fuga de Napoleão Bonaparte, então prisioneiro dos ingleses na Ilha de Santa Helena, que seria transportado para o Recife, onde assumiria o comando da revolução pernambucana, para depois seguir para a França e retomar o trono de Imperador.

Não é preciso dizer que a revolução fracassou. Em menos de três meses, os rebeldes foram cercados pela tropas reais de D. João - que ainda não havia sido proclamado rei -, presos e os seus líderes executados no velho estilo lusitano da época: enforcados, esquartejados e suas cabeças fincadas em postes para exibição popular.

No terreno da imaginação, no entanto, é possível conjecturar o que teria acontecido se a missão de Cabugá tivesse êxito e Napoleão tivesse aportado mesmo em terras pernambucanas disposto a comandar um exército de maltrapilhos contra as forças do medroso D. João que, dez anos antes,  saíra fugido de Portugal, deixando aos seus súditos a missão de enfrentar as tropas bonapartistas.

A história de Napoleão no Recife, aliás, seria um prato e tanto para nossos “cineastas”, não estivessem eles tão preocupados em roteirizar os dramas de seu próprio umbigo.

Bom, não seria a primeira vez. Quem leu ”Frankenstein” de Mary Shelley, lembra que em certo trecho a criatura vai até o seu criador, o Dr. Victor Frankenstein, e roga-lhe que crie para si uma companheira. Em troca, promete partir com ela para as florestas ermas da Amazônia, onde viveria recluso e distante da civilização.

É preciso lembrar que Frankenstein, a criatura de Shelley, não era a besta-fera retratada por Hollywood anos depois, mas um ser inteligente, que depois de rejeitado por seu criador, escondeu-se em um porão e lá leu todos os clássicos da filosofia e da literatura.

Victor Frankenstein recusa a oferta porque vislumbra a possibilidade de que ele venha a procriar-se e ter filhos tão monstruosos quanto ele. Imaginar a possibilidade de que herdeiros da criatura pudessem vir a constituir família na selva amazônica também seria uma idéia e tanto para um filme. Mas é esperar demais dessa gente botocuda.

Jocelito defende deputados e quer ’sair no braço’ com Requião

26 Dezembro, 2007
10:29

Em artigo divulgado no portal Plantão da Cidade, de Ponta Grossa, o deputado Jocelito Canto (PTB), diz que não ‘reconhece’ em Requião aquele que ajudou a eleger e afirma que está disposto a responder à altura as ameaças do governador em dar uns petelecos em alguns parlamentares da oposição.

‘Se os outros deputados, aceitarem calados, eu não vou aceitar. Primeiro porque, antes de tudo, não sou covarde. E mais: Se não reagirmos ele pode pensar que é dono do mundo’

Para ler o artigo completo clique no LEIA MAIS.

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Um chute no pensamento tacanho

21 Novembro, 2007
19:37

Este é um artigo de Rodrigo Constantino que vale a pena ser lido. Discute o “Dia Nacional da Consciência Negra”, um besteirol botocudo para confundir alhos com bugalhos e instituir em um país único por sua miscigenação um racismo que não existe. São os mesmos idiotas que querem enfiar goela abaixo o Estatuto da Igualdade Racial e que devem fazer Charles Darwin contorcer-se no caixão com a idéia de cotas nas universidades. Não demora e haverá banheiros públicos para negros, assim como há para deficientes (neste caso, acertadamente). Percebeu em que buraco a esquerda jurássica quer nos levar? Para o Mississipi na década de 60, onde negros e brancos não dividiam sequer o mesmo lado da rua. Isto é cota racial! (Indicação do blogo-leitor Kadu Neto)

Feriado Racista

Comemora-se hoje o “Dia da Consciência Negra”, mais um feriado num país recordista de feriados – como se o país fosse rico o bastante para se dar este luxo. Entendo que políticos foquem sempre em grupos de minorias, buscando garantir privilégios em troca de votos. Entendo também que os demais não se importam, pois afinal, trata-se de mais um dia de ócio nada criativo, para um povo que idolatra a preguiça. Mas é preciso constatar o óbvio, mesmo contra a ditadura do politicamente correto: este é um feriado claramente racista!

No seu famoso discurso “My Dream”, Martin Luther King Jr. enalteceu as passagens da Declaração de Independência americana, que prega um tratamento isonômico das pessoas, considerando que todos são iguais perante a lei. Depois ele condena os atos de violência contra os negros, que eram, de fato, vítimas de absurdos nos Estados Unidos. O racismo intencional era combatido, portanto. E a passagem mais famosa e importante diz que ele tinha um sonho, de que seus quatro filhos iriam um dia viver em uma nação onde não seriam julgados pela cor da pele, mas sim pelo conteúdo do caráter. Perfeito! Justo, íntegro e admirável. Devemos julgar indivíduos por suas ações individuais, por suas crenças morais e sua conduta, por seu caráter enfim. Palavras de um dos maiores líderes negros da América.

(Para ler o texto completo clique no LEIA MAIS abaixo.  Outros artigos podem ser lidos na seção ARTIGOS no botão do lado direito deste blogo).
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E o Dr. Rosinha relaxou e gozou

10 Julho, 2007
17:21

O deputado federal Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha (PT-PR), decidiu seguir os ensinamentos da ministra Marta Suplicy (Turismo) durante vôo de Montevidéu a Brasília. No total, gastou 32 horas em uma viagem que, sem relaxar e gozar, não demoraria mais que três horas e meia. Em sua reflexão, transformada em artigo e reproduzida neste blogo, ele enxerga a culpa no apagão aéreo que tomou conta do segundo reinado Lula, mas responsabiliza principalmente o “monopólio” dos serviços de aeroporto, a cerveja quente e, principalmente, uma empresa que ele subtrai o nome, mas dá a dica: “é aquela gritada nos estádios”. Gooooool! Para ler o artigo é só clicar abaixo.

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A revolta da goiabinha

10 Julho, 2007
07:39

Quem diria? Um mineiro com aversão à goiabada. Na escola, Silas ganhou o apelido de “ET de Varginha”. Adulto, liderou uma revolta contra a goiabinha servida em um certa companhia aérea. Eis a crônica de Adriana Gomes. Aposto uma goiabinha como você não vai perder. Está na seção “Artigos”. Clique abaixo ou logo ali ao lado.

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Santos Dumont, rogai por nós

5 Julho, 2007
08:59

A jornalista Adriana Gomes foi ao Chile fazer uma reportagem e, no sofrimento do caos aéreo, compôs uma oração ao santo de devoção dos passageiros desesperados. Santo, Santo, Santos Dumont. O texto hilário está na seção “Artigos”. Clique abaixo ou logo ali ao lado.

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