Ameaçados conhecidos
Os mamíferos terrestres de médio e grande porte que estão ameaçados de extinção no litoral paranaense – como onça-parda, cachorro-vinagre, cateto e jaguatirica – vão ser mais conhecidos. Essa é a grande proposta do projeto Status de mamíferos de médio e grande porte ameaçados de extinção em áreas protegidas de Floresta Atlântica costeira do litoral do Paraná, realizado na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba pelo Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC), com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
O estudo, que teve início em 2009, já com o apoio da Fundação Grupo Boticário, avalia a ocorrência e a distribuição dos mamíferos de médio e grande porte nos diferentes tipos de habitat na Floresta Atlântica costeira, dentro de quatro Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPNs): Salto Morato – mantida pela Fundação Grupo Boticário, Morro da Mina, Rio Cachoeira e Serra do Itaqui. “Em outras palavras, queremos saber quais deles estão presentes em cada RPPN e em que locais exatamente eles se localizam”, diz Roberto Fusco-Costa, responsável técnico pelo projeto, doutorando e coordenador de projetos científicos do Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC).
Ao final do projeto, o pesquisador repassará os resultados do estudo para cada reserva, junto com recomendações e orientações para que os gestores dessas unidades de conservação continuem o monitoramento dessas espécies a longo prazo. “Para os gestores das reservas, é importante saber onde as espécies estão localizadas, para que esses locais possam ser adequadamente protegidos. Por outro lado, a falta de animais em outras áreas pode indicar que estas regiões estejam sofrendo pressões, como a caça, e que por isso a fiscalização precisa ser intensificada ali”, explica Fusco.
Até o momento, foram detectadas mais de 20 espécies de mamíferos de médio e grande porte nas quatro reservas estudadas e praticamente 50% delas estão ameaçadas de extinção. Onze guarda-parques experientes na identificação de mamíferos estão sendo orientados para a prática do monitoramento por meio de rastros. Na Reserva Natural Salto Morato, foram 15 as espécies detectadas, sendo que sete estão ameaçadas de extinção: anta, onça-parda, jaguatirica, cateto, paca, gato-maracajá e gato-do-mato-pequeno.
A pesquisa terá conclusão em 2012 e também tem o apoio da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e parceria com os Laboratórios de Dinâmicas Ecológicas e de Biologia e Ecologia de Vertebrados da Universidade Federal do Paraná (UFPR).