Entidades do ensino superior privado pedem cancelamento do Enade
Segundo o Correio Braziliense, representantes do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular encaminharam semana passada um requerimento ao presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes, solicitando o imediato cancelamento das provas do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), previstas para o dia 8 de novembro. O documento foi entregue na sede no Inep, em Brasília.
O motivo do pedido foi a desconfiança causada pela descoberta de caixas com provas do Exame, sem lacre de segurança, durante uma blitz policial no Rio de Janeiro, na última terça-feira. Segundo os representantes, o ocorrido “coloca sob suspeita o sigilo da prova” e “representa um risco para os alunos das instituições de ensino, considerando que estas serão avaliadas com base neste processo potencialmente viciado.”
Assinam o requerimento Abib Cury, presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup); Paulo Cardim, presidente da Associação Nacional dos Centros Universitários (Anaceu); Gabriel Mário Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes); José Diniz, presidente da Associação Brasileira das Mantenedoras das Faculdades Isoladas e Integradas (Abrafi) e Hermes Figueiredo, presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp). A assessoria de imprensa do Ministério da Educação afirmou que, segundo informações do Ministério Público de Petrópolis (RJ), não houve vazamento do conteúdo das provas. Portanto, não há porque se falar em cancelamento. Apesar do pedido das entidades, a prova está mantida para 8 de novembro. “O MEC reconhece o zelo do Fórum, principalmente em relação aos seus estudantes, mas garante que a segurança da prova está mantida”, observou a assessoria. “As imagens demonstram o que ocorreu. As provas não estavam lacradas. Não se sabe o que aconteceu com os demais envelopes”, disse José Roberto Covac, consultor jurídico do Fórum. Quanto ao não atendimento do MEC ao pedido, ele defende que o Ministério Público Federal deve tomar alguma atitude em relação ao controle e transparência do exame. “Qualquer critério que ofenda a integralidade do exame é preocupante.”