Razão, Aristóteles e sentimento

30 janeiro, 2010 às 12:26  |  por Heidi Motomura

Por Paiva Netto

Um dia desses, repassava páginas do meu livro “As Profecias sem Mistério”, 1998. Achei oportuno trazer-lhes um trecho extraído do capítulo “Apocalipse: Razão e Coração”. Espero que o apreciem.
Certa vez, à mesa, enquanto realizávamos a Cruzada do Novo Mandamento de Jesus no Lar, um jovem presente, àquela altura com 17 anos, concluiu com sagácia: “Realmente, o Ser Humano, não obstante o extraordinário avanço tecnológico, não está evoluindo como deveria. Na verdade, só está andando mais depressa, sem saber com certeza, até agora, para onde vai. Por esse motivo, o mundo continua sendo um imenso quebra-cabeça”.

INTELIGÊNCIA DO CÉREBRO E DO CORAÇÃO
O jornalista Alziro Zarur (1914-1979) ensinava, nas suas prédicas populares, evangélicas e apocalípticas, que a saída para qualquer problema, por pior que seja, é “ligar a tomada no Gerador que é Cristo Jesus”, o que pode soar absurdo a homens e mulheres excessivamente racionais.
Não sou contra a Razão, como não me oponho ao sentimento. “In medio virtus”, preconizava Aristóteles (384-322 a.C.), em “Ética a Nicômaco”, seu filho. Eis por que venho asseverando que precisamos unir à inteligência do cérebro a do coração. Costumo valer-me deste exemplo: quando em boa hora surgiu o Iluminismo, depois da Idade Média, já na Era Moderna, muitas pessoas viram no racionalismo a chave efetiva, enquanto acusavam as religiões pela aflição permanente das criaturas. É óbvio que a Razão realiza importantíssimo trabalho pelo crescimento dos povos, mas não bastou para emancipá-los de seus tormentos. Trouxe incontáveis inovações. Contudo, somou-se àquilo que os iluministas qualificaram de erros religiosos uma carrada de novos enganos. Adicionaram-se aos anteriores os deslizes advindos do uso desmedido do racional.
Novamente, o Ser Humano colocou-se na busca do equilíbrio, um caminho para a solução de suas angústias.
É quando, radioso, emerge, liberto da obscuridade e do estigma do medo, o Apocalipse do Divino Chefe: uma carta de amigo que apenas deseja o bem do destinatário, escrita com providencial antecedência aos conflitos que a Humanidade teria de enfrentar, pelos milênios, em virtude da desarmonia, criada por si mesma, para com as leis universais, eternas. Jesus é suprema expressão de Fraternidade. Não transfiramos a Ele os equívocos praticados em Seu nome. E é por esse prisma que o texto profético deve ser analisado, até mesmo pelos ateus. (…)

A HUMANIDADE ACIMA DE TUDO
Há respeitáveis pensadores que fazem muita questão de ser racionais (Bem que um pouco de ceticismo seja saudável à inteligência). Por isso, talvez demorem a entender a programação divina para o progresso das gentes, porquanto, para compreensão dela, é imprescindível devidamente observar a lei do Amor, que ilumina a solidariedade social, que, na trágica situação do Haiti, tem demonstrado ser a trajetória a seguir, com o envolvimento humano conjunto das nações, e seu grande poder estrutural e econômico, daqui para a frente, sem arrefecer jamais. O beneficiado por tudo isso, apesar da ganância ainda existente, será o mundo globalizado.

COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO
Na quinta-feira, 28/1,  foi celebrado, pela primeira vez, o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. A data foi escolhida em homenagem aos Auditores Fiscais do Trabalho Erastóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva, e o motorista Ailton Pereira de Oliveira, assassinados em 28 de janeiro de 2004, durante vistoria a fazendas em Unaí/MG. No portal do Ministério do Emprego e Trabalho (www.mte.gov.br) tomamos conhecimento de que “desde 2003, o MTE libertou de condição análoga à de escravo mais de 30 mil trabalhadores em todo o país”.
De  acordo com a matéria, “em 2009, o Rio de Janeiro foi o Estado em que a auditoria trabalhista resgatou o maior número de trabalhadores em condição análoga à de escravo. Do total de 3.419 resgatados no ano, 521 trabalhadores foram resgatados em estabelecimentos fluminenses, 15% do total. Pernambuco aparece em segundo lugar, com 369 trabalhadores resgatados (11%), seguido de Minas Gerais, como 364 trabalhadores resgatados (10,6%). Os Estados de Rondônia e Acre não tiveram nenhum registro de trabalhadores resgatados”.
É de se louvar o esforço de governo e sociedade civil na luta por virar uma página triste de nossa história. Mas toda a atenção é pouca, aconselha bem antigo ditado.

SAÚDE
Após discursar, na última terça-feira, no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre/RS, cumprindo intensa agenda de viagens, no dia seguinte, já em Recife/PE, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma crise hipertensiva, resultante de estresse, quando deixava a capital pernambucana em direção a Davos, na Suíça. Lá, participaria do Fórum Econômico Mundial, onde foi homenageado com o prêmio Estadista Global – o primeiro dessa categoria, motivo de orgulho para o Brasil.
Ficamos na torcida para o pronto restabelecimento do presidente.

José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com


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