48% dos estagiários não recebem feedback

12 junho, 2012 às 13:03  |  por Heidi Motomura

Por Isabel Kopschitz
Os futuros profissionais brasileiros estão tendo pouca orientação. É o que mostra o resultado de pesquisa exclusiva da consultoria Page Talent, segundo a qual 48% dos estagiários do país nunca tiveram sequer uma reunião de feedback (ou retorno sobre sua performance no trabalho). Segundo o estudo que ouviu 500 pessoas em todo o país, 22% dos estagiários têm essas reuniões a cada dois meses ou mais; 16%, uma vez a cada 15 dias; e 14%, uma vez por mês.

Para Luis Fernando Martins, gerente-executivo da consultoria no Rio, é fundamental, para qualquer estagiário, ter reuniões com seus chefes, nas quais sejam discutidos aspectos desde desempenho até deficiências e metas futuras.

O estagiário é um jovem em início de carreira, um profissional em formação. Precisa ter autonomia, até para se sentir produtivo. Só que, para isso acontecer, é necessário direcionamento diz Martins, acrescentando que o ideal é que as reuniões sejam semanais.

Empresas podem perder talentos, diz consultor

Segundo Martins, uma das razões que explicam esse comportamento das empresas que ele classifica como inadequado é a agenda cheia dos gestores. O gerente-executivo ressalta, no entanto, que não ajudar no desenvolvimento dos estagiários pode se refletir numa perda futura para as próprias empresas:

Esta nova geração demanda retorno sobre o trabalho, plano de carreira e conversas frequentes. E, se as companhias quiserem reter os talentos, devem oferecer orientação. As conversas devem ser feitas individualmente e direcionadas a cada uma das pessoas.

Manoela Costa, gerente da Page Talent, destaca que os jovens hoje ainda têm como imagem de chefe aquele executivo ocupado, com a agenda sempre muito cheia. Ao perceberem que existe um espaço reservado para discutir seu desenvolvimento, diz, a motivação para executar as atividades diárias aumenta.

Com uma relação transparente, o gestor ganha um colaborador cada vez mais comprometido, e o jovem profissional fica sabendo desde cedo que pontos deve desenvolver conclui Manoela.

Consultora se diz chocada com resultado da pesquisa

Ylana Miller, sócia-diretora da Yluminarh Desenvolvimento Profissional e professora do Ibmec, se diz chocada com o resultado da pesquisa pois, segundo ela, muitas empresas procuram sua consultoria justamente para desenvolver programas para estagiários:

Para a geração Y (jovens entre 20 e 30 anos), feedback é uma moeda de retenção. Não precisa haver sempre reuniões formais, como as avaliações de desempenho, desde que as conversas sejam feitas com uma boa periodicidade, de, ao menos, a cada 15 dias.

O feedback, diz Ylana, é parte do processo de aprendizado e não pode ser encarado como uma obrigação:

Hoje um número crescente de instituições de ensino acompanha o trabalho de seus estudantes, exigindo relatórios das companhias sobre o desempenho deles, justamente para ter controle sobre isso.

Para Ylana, a falta de retorno pode levar os estagiários a quererem não só mudar de empresa, mas, em alguns casos, mudar de área:

Quando eles observam que colegas da mesma corporação têm uma relação mais aberta com o gestor, eles tendem a querer mudar.
Fonte: O Globo – Rio de Janeiro/RJ – INFOMIX /Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br

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