Globo transforma TUF Brasil em Big Brother Brasil

15 abril, 2014 às 14:59  |  por Gustavo Kipper

Não se fala em outra coisa. A suposta briga entre Wanderlei Silva e Chael Sonnen saiu como o esperado. Pelo menos para a emissora e para o UFC, que estão lucrando pesado nessa edição. Mas, ao contrário de todas as outras edições do TUF, que também fizeram da rivalidade de seus treinadores parte do show, essa só demonstra como somos vistos fora do país e como aqui tudo perde o valor moral. Chegou a vez do MMA.

Rede Globo, câmeras, mulheres de biquíni na piscina e muita confusão. O país do futebol e do MMA ainda não conseguiu se livrar do Big Brother Brasil. A emissora brasileira possui um dom: estragar formatos originais de programas e reallity shows estrangeiros. Criado pela empresa holandesa Endemol, o Big Brother, na Europa, teve sua primeiras edições comparadas à caixa de Skinner. Trata-se de um famoso experimento com ratos, realizado pelo escritor e psicólogo Burrhus Frederic Skinner, que usava caixas fechadas para estudar o comportamento de ratos dentro delas. Foi um grande estudioso e criou o conceito de condicionamento operante. Embora a pesquisa tenha seu lugar na ciência, o programa de televisão obviamente nunca acrescentou em nada.

Mas foi no Brasil que realmente pegou. O formato original foi sendo substituído por bundas, confusões e uma perda de tempo que só reflete a cultura de seu povo, que anda por baixo. A terceira edição do TUF Brasil conseguiu trazer elementos parecidos para criar o BBB do MMA. Quem acompanha as edições americanas e inglesas percebe que é outro programa, embora também usem o MMA como pano de fundo. O programa brasileiro passa em um horário desconfortável pra quem acorda cedo na segunda- feira. O espectador que espera até a madrugada para assistir tem sido castigado.

O tempo do programa é preenchido com futilidades que só servem pra fazer propaganda e matar tempo. O Concurso de ring girls não é o problema. Mas a festa do pijama com os lutadores é a prova de que aqui as coisas são diferentes. As mulheres logo viram objeto para aumentar a audiência. Quando venceram o desafio, os atletas do time verde imaginavam um prêmio que os ajudassem a chegar ao objetivo. Mas o que se viu foram muitos lutadores casados, querendo melhorar de vida, envergonhados com a situação. Embora um ou outro tenha se divertido, é assim que imaginam o Brasil.

Hortência e Isabel que merecem todo nosso respeito como atletas, ainda estão perdidas, tentando achar seus lugares. Mesmo vencendo por 4×0, o time de Wanderlei, principalmente um de seus treinadores, o curitibano André Dida, foi duramente criticado por seu envolvimento direto na agressão ao americano. Dana White ainda dirá na semana que vem que o brasileiro será expulso e deveria ser preso. Mas, mesmo com a expulsão, a única coisa que realmente aconteceu foi um contrato para que Dida, por ser treinador de lutadores do evento, não repita a atitude. Caso contrário será banido.

Na verdade, para a Rede Globo e o UFC a confusão foi perfeita. O show e o evento tiveram uma promoção sensacional. Mas e o esporte, onde fica nessa história? Não podemos nos esquecer de que Chael Sonnen estava de calça jeans e havaianas e em menos de cinco segundos derrubou Wanderlei. Seria assim tão fácil? Ou apenas uma grande encenação como muitos acreditam. A verdade é que nada disso interessa. Os vencedores do programa estão sendo ofuscados pela estratégia cruel da emissora de vulgarizar o esporte e o país. De certa forma acabamos voltando para o início de tudo. Se Chael Sonnen tivesse criticado esse ponto, Wanderlei não teria muito do que reclamar. Chael abordou os temas de forma preconceituosa e teve que aguentar as consequências. Mas para o MMA e para o povo que assistia, é igual ao BBB. Não acrescenta em nada.

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Guerra fria no boxe

2 abril, 2014 às 10:41  |  por Gustavo Kipper

As lutas de boxe já não são apenas dentro dos ringues. Emissoras de televisão e empresários travam uma batalha milionária na busca dos melhores negócios. Isso tem frustrado muitos fãs que aguardam por confrontos históricos, mas nem sempre as coisas acontecem em favor do esporte.

No boxe profissional existem quatro grandes entidades esportivas que comandam os rankings de atletas e atribuem títulos mundiais a todas as categorias de pesos. WBA (Associação Mundial de Boxe), WBC (Conselho Mundial de Boxe), WBO (Organização Mundial de Boxe) e IBF (Federação Internacional de Boxe) premiam seus campeões com os cobiçados cinturões. Logo, em cada peso existem quatro campeões. Porém, esses títulos podem ser unificados pelos lutadores, tornando-os supercampeões e detentores de mais de um cinturão. As maiores lendas do boxe moderno conseguiram esse feito, como Mike Tyson e Lennox Lewis. Essas entidades apenas sancionam os combates em suas regras, mas não são responsáveis pelos eventos e transmissão de televisão.

O boxe, além de um esporte competitivo, é um dos esportes mais rentáveis do mundo, se não o mais. Considerado o maior boxeador da atualidade, o americano Floyd Mayweather Jr. é também o atleta mais bem pago do mundo. Suas lutas costumam quebrar recordes de pay per view. Seu apelido é dinheiro. Mas o tão esperado confronto com o filipino Manny Paquiao corre o risco de nunca acontecer. As emissoras HBO e Showtime, além dos promotores Golden Boy Promotions e Top Rank Boxing, polarizam as lutas e cortam as expectativas em relação à unificação do muitos títulos, dando combates mais fáceis para seus campeões, quando nenhum grande acerto é feito. Normalmente, lutadores americanos e latinos costumam lutar nos Estados Unidos e a Showtime leva vantagem. Porém, muitos campeões asiáticos e europeus que se apresentam na Europa têm seus contratos com a HBO.

Floyd Mayweather Jr. escolhe seus adversários a dedo, embora sem nunca sair de “mãos cheias”. Tanto na parte financeira quanto em relação a sua brilhante carreira. Campeão dos meio-médios pelo WBC, pode acumular o cinturão da WBA se vencer Marcos Maidana, dia 3 de maio. Mas definitivamente essa não era a luta que todos queriam ver. Floyd está invito em 42 lutas. Acumula também os cinturões pela WBA e WBC dos médios-ligeiros. Manny Pacquiao é o primeiro a ser campeão em oito categorias de pesos diferentes. Disputa o cinturão pelo WBO dia 12 de abril, na revanche contra Tim Bradley. Para muitos, o confronto entre Mayweather e Pacquiao seria a luta do século XXI.

Esses grandes impasses financeiros dificultam cada vez mais os acertos entre seus empresários e as emissoras. Logo, combates entre lutadores de empresários diferentes costumam serem difíceis de acontecer. As negociações ficam pesadas, pois sempre há um lutador com valor de marca maior que o outro. Nunca é meio a meio. O caso mais recente tomou conta das revistas especializadas. A briga é nos meio-pesados. Campeão pelo WBC, o haitiano-canadense Adonis Stevenson esnobou o desafio feito pelo campeão da WBO, o russo Sergey Kovalev, que defendeu seu cinturão com sucesso no último sábado. Stevenson alega que a HBO ainda não ofereceu dinheiro suficiente para aceitar o desafio. A verdade é que Floyd Mayweather está fazendo escola. Sendo assim, como podemos culpar os jovens campeões por quererem ganhar mais dinheiro? Enquanto isso, Stevenson tem compromisso marcado para dia 24 de maio, em uma dessas lutas fáceis pra rechear seu cartel.

Apesar de terem trocado provocações pelas redes sociais, os campeões do WBC e WBO correm o risco de não se enfrentar. Tudo porque do outro lado está agendada para abril a unificação dos cinturões pela WBA e IBF entre o cazaque Beibut Shumenov e a lenda americana de 49 anos Bernard Hopkins. Nesse caso, um confronto contra o vencedor unificaria três cinturões. É um grande negócio e uma conquista extraordinária. Além, é claro, da facilidade de negociação com a Showtime. De qualquer forma, as unificações estão à vista. Só resta saber quem tem mais bala na agulha pra pagar. Essa briga das emissoras tem sido chamada de a Guerra Fria da Televisão a Cabo.

WBA, WBC, IBF, WBO

WBA, WBC, IBF, WBO

UFC: ranking e próximos eventos

31 março, 2014 às 11:36  |  por Gustavo Kipper

Abril será agitado.  Serão quatro eventos com uma disputa por cinturão. Destaque para a volta de Rodrigo Minotauro e o title shot de Glover Teixeira.

11/04 – Fight Night: Rodrigo Minotauro vs Roy Nelson
16/04 – Fight Night: Michael Bisping vs Tim Kennedy
19/04 – Fight Night: Fabrício Werdum vs Travis Browne
26/04 – UFC 172: Jon Jones vs Glover Teixeira

Ranking peso por peso UFC
1 – Jon Jones
2 – Jose Aldo
3 – Renan Barão
4 – Cain Velasquez
5 – Demetrious Johnson
6 – Chris Weidman
7 – Anderson Silva
8 – Anthony Pettis
9 – Johny Hendricks
10 – Ronda Rousey
11 – Vitor Belfort
12 – Benson Henderson
13 – Gilbert Melendez
14 – Alexander Gustafsson
15 – Urijah Faber

UFC Natal e a revanche de Shogun

21 março, 2014 às 14:37  |  por Gustavo Kipper

Maurício Shogun e Dan Henderson já protagonizaram uma das maiores lutas da história do MMA. No primeiro encontro, o americano venceu por decisão dos juízes. Agora, no Brasil, o curitibano promete dar o troco em outra batalha de cinco rounds.

O UFC volta ao Brasil neste domingo, pela primeira vez em Natal, Rio Grande do Norte, para mais uma edição do UFC on Fox, transmitido para a TV aberta nos Estados Unidos. Com um card recheado de brasileiros, o destaque será a aguardada revanche entre Maurício Shogun e Dan Henderson. Os dois veteranos do MMA terão que mostrar muita ação para reviverem a batalha de 2011.

Ambos vivem momentos bem diferentes. A derrota para Chael Sonnen parece ter sacudido Shogun, que destruiu James Te Huna, ainda no primeiro round, e vem sedento pela revanche contra Henderson. Já o americano foi nocauteado brutalmente, pela primeira vez, nas mãos e pés de Vitor Belfort. Porém, na época, ambos faziam uso da Terapia de Reposição Hormonal (TRT), portanto, estavam em condições iguais. Agora banida, a terapia não consta mais no arsenal de Henderson, o que pode torná-lo menos impetuoso.

Apesar da experiência, Shogun é consideravelmente mais novo do que o americano: 32 anos contra 43. Acredito inclusive que Shogun pode aposentar Hendo dependendo da forma com que o combate acabar. Se for nocauteado novamente, deverá pendurar as luvas. Sem dúvida, foi uma carreira vitoriosa. Ambos já enfrentaram os maiores de todos. Então talvez seja um dos últimos clássicos do antigo Pride, senão o último. Shogun, ao contrário, ainda tem lenha pra queimar.

Minha preocupação pra variar é em relação aos treinamentos e estratégia do curitibano. Pouco se falou sobre seus treinamentos. Embora ache animador ele ter se unido à equipe de Demian Maia, após ser finalizado por Sonnen, ainda tem muito que recuperar. Suas aulas de boxe com Freddie Roach fizeram efeito na última luta. Mas o Shogun com sequencias de socos e chutes está desaparecido. Acho que deveria se aproximar novamente de Rafael Cordeiro, já que Lyoto desceu de categoria e não está mais no radar. Rafael sabe o caminho da vitória. Além de um ótimo treinador, é um estrategista.

UFC Fight Night: Shogun x Henderson 2

CARD PRINCIPAL
Peso-meio-pesado: Maurício Shogun x Dan Henderson
Peso-médio: Cezar Mutante x CB Dollaway
Peso-leve: Léo Santos x Norman Parke
Peso-meio-pesado: Fábio Maldonado x Gian Villante
Peso-leve: Michel Trator x Mairbek Taisumov
Peso-pena: Rony Jason x Steven Siler
CARD PRELIMINAR
Peso-pena: Diego Brandão x Will Chope
Peso-médio: Ronny Markes x Thiago Marreta
Peso-mosca: Jussier Formiga x Scott Jorgensen
Peso-meio-médio: Thiago Bodão x Kenny Robertson
Peso-pena: Godofredo Pepey x Noad Lahat
Peso-meio-pesado: Francimar Bodão x Hans Stringer

Guerra no TUF Brasil 3

18 março, 2014 às 19:06  |  por Gustavo Kipper

O The Ultimate Fighter Brasil definiu os lutadores médios e pesados que foram pra casa do reallity show. Os dois primeiros episódios com as lutas de eliminação já foram ao ar e parece que teremos mais uma ótima edição. Desta vez o UFC soube explorar a rivalidade entre o curitibano Wanderlei Silva e o americano Chael Sonnen, que ao fazer piadas sobre lutadores brasileiros e sobre o Brasil irritou Wanderlei, que promete um bullying classe A contra o americano. Vamos torcer pra que as defesas de quedas de Wand também estejam classe A no dia da luta entre os dois.

Uma suposta briga entre os treinadores vem sendo usada de teaser para promoção. Verdade ou não, o fato é que eles não se gostam. Boatos dão conta de que um lutador da equipe de Wand teria agredido Chael e foi expulso. As provocações prometem ser pesadas. Finalmente vão poder acertar as contas. Quanto aos lutadores da casa, ainda é cedo para fazer previsões. As lutas de eliminação costumam ser tensas e acabam ofuscando um pouco os lutadores. Às vezes a família pode atrapalhar.

O programa foi gravado antes do anúncio, pela Comissão Atlética de Nevada, do banimento do uso do tratamento de reposição hormonal (TRT), a que muitos lutadores vinham recorrendo para o treinamento alegando motivos médicos.  Agora vão ter que escolher se lutam ou se tratam. Especialistas e o próprio Chael disseram que a vida sem TRT é inviável. Então não se assustem se começar uma onda de aposentadorias. Vitor Belfort, Chael Sonnen e Dan Henderson são candidatos.

O fato é que Chael Sonnen foi flagrado com 14 vezes o limite de testosterona permitido na primeira luta contra Anderson Silva. Então na luta contra Wanderlei não estará com tanta testosterona sintética em seu organismo. Isso pode facilitar a vida de Wanderlei, principalmente no começo da luta, quando o americano costuma derrubar com facilidade seus adversários.

Sobre a participação de Hortência e Isabel no programa, achei totalmente desnecessária. Além de não entenderem nada de lutas, pareceram bem assustadas com os combates. Fico imaginando a hora que Wanderlei começar a guerra que prometeu.

Acho que seria mais justo e coerente levar atletas de combates olímpicos, que poderiam incrementar os treinamentos. Rafaela Silva, do judô, e Natália Falavigna, do taekwondo, por exemplo. Duas campeãs mundiais em suas modalidades.

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(Foto: Reprodução/ TUF Brasil 3)

 

Noite decisiva para nossos últimos campeões

31 janeiro, 2014 às 09:49  |  por Gustavo Kipper
UFC 169

UFC 169

Quando subirem no octógono sábado à noite, José Aldo e Renan Barão irão carregar em seus ombros os últimos cinturões que nos restaram. Fomos acostumados a dominar o esporte desde os primórdios. Das lutas de vale-tudo de antigamente, quando Hélio Gracie e Carlos Gracie desafiaram os campeões japoneses do judô, quando Royce atropelou os americanos e europeus com nossa arma secreta, quando a Chute Boxe e a American Top Team protagonizaram uma rivalidade única no Pride, tornando-se campeões, sabíamos que tínhamos sido feitos para aquilo.

O tempo foi passando e, como diria o “pofexô” Wanderlei Luxemburgo, não existe mais bobo no MMA. Os muitos “Joões” que enfrentavam nossos campeões aos poucos foram se transformando em atletas completos, dominaram a arte suave, trouxeram o boxe e o wrestrling de níveis olímpicos e o esporte finalmente virou o que é hoje. Uma disputa palmo a palmo para quem domina a arte. E hoje, os americanos nos dominam. Em partes.

O Brasil já conquistou quase todos os cinturões do UFC. Já em um formato mais moderno, Vitor Belfort ganhou os pesados e meio-pesados, Anderson Silva os médios, Lyoto Machida e Maurício Shogun os meio-pesados, Minotauro e Júnior Cigano os pesados, José Aldo os penas e Renan Barão o peso-galo. John Lineker, se ajustar seu problema em perder peso, é o possível desafiante dos moscas. Enfrenta o fenômeno russo Ali Bagautinov. Além, é claro, de Vitor, que pode fazer história e se tornar o primeiro ser vivo a conquistar três cinturões em categorias diferentes de peso.

Fato mesmo é que hoje só nos sobraram dois campeões. O que torna tudo mais emocionante é que os dois são como irmãos, treinados pelo paizão Dedé Pederneiras, chefe da equipe Nova União, considerada por muitos a melhor do planeta. José Aldo e Renan Barão não sabem o que é a derrota há muitos anos. A última derrota de José Aldo foi em 2005, no Jungle Fight. De lá pra cá foram 16 vitórias consecutivas, sendo duas defesas de cinturão pelo extinto WEC e cinco pelo UFC. Renan Barão perdeu apenas em sua estreia, em 2005. Acumula a impressionante marca de 32 lutas sem derrotas, sendo 31 vitórias e uma luta sem resultado. No UFC, tornou-se campeão indiscutível com a nova lesão de Dominick Cruz.

Sábado os dois carregarão uma nação nos ombros e em ano de Copa do Mundo temos que mostrar quem manda. Sem aquele patriotismo exacerbado, do qual não sou muito fã, dessa vez é diferente. Precisamos segurar os últimos cinturões que nos restaram e torcer para que, até fim do ano, mais um ou dois volte pra nossas mãos. Os treinamentos de Aldo e Barão já são intensos por natureza, com os dois se enfrentando todos os dias. Não podemos esquecer que lá também tem Dudu Dantas, campeão dos penas do Bellator. Então sai faísca todo dia. Mas pra encorpar ainda mais as dificuldades, a Nova União trouxe também as lenda BJ Penn e Acelino Popó Freitas, o nosso campeão mundial de boxe. Faixas pretas em jiu-jitsu e muay- thai, José Aldo e Renan agora desenvolvem a exaustão suas técnicas no boxe. Seus treinadores enxergam neles pugilistas natos, o que os torna muito completos. Por isso são os campeões.

José Aldo só conhece seu adversário por vídeos. Não muito adepto da autopromoção, Ricardo Lamas teve seus movimentos e técnicas destrinchadas para traçar a estratégia perfeita. Creio que com o nível de intensidade do combate, não passe do quarto round, com um nocaute do brasileiro, que costuma diminuir o ritmo nos rounds finais. Por isso é bom não deixar nas mãos dos juízes. Renan Barão já conhece bem seu adversário. Ele já derrotou Urijah Faber e sabe bem as falhas do californiano, que, apesar da experiência e ótima fase, não tem ferramentas para surpreender Barão. Mas o americano é muito esperto, então acho difícil ser nocauteado. Mais provável que Barão domine todos os rounds e leve a luta por decisão unânime.

Além disso, ainda temos o choque dos pesos pesados Frank Mir e Alistair Overeem. Os dois vêm de derrotas e precisam mostrar que ainda têm lenha pra queimar. Acho que veremos um belo nocaute de Overeem, que já foi campeão do K-1 e do Strikeforce. Esse é um dos eventos imperdíveis que acontecem no UFC. Ao contrário das mornas edições do Fight Night, o UFC 169 vai entrar para história. Seja ela de glória ou pesadelo.

Vídeos: Countdown to UFC 169.

CARD COMPLETO:

UFC 169
Newark, Estados Unidos
Sábado, 1º de fevereiro de 2014.

Card Principal
Renan Barão x Urijah Faber
José Aldo x Ricardo Lamas
Frank Mir x Alistair Overeem
John Lineker x Ali Bagautinov
Jamie Varner x Abel Trujillo

Card Preliminar
John Makdessi x Alan Nuguette
Chris Cariaso x Kyoji Horiguch
Nick Catone x Tom Watson
Al Iaquinta x Kevin Lee
Clint Hester x Andy Enz
Tony Martin x Rashid Magomedov
Neil Magny x Gasan Umalatov

E evento começa às 21:30.

 

 

 

Sábado é sempre dia de boxe.

29 janeiro, 2014 às 16:17  |  por Gustavo Kipper

Como de costume, na maioria dos fins de semana há disputas de cinturões e grandes lutas de boxe. O que deixa tudo mais divertido, além da própria rivalidade dos lutadores, é a disputa entre as emissoras de televisão por assinatura para transmitir os grandes eventos. Sempre consagrada pela transmissão dos grandes combates, a HBO olha de perto seu trono ser ameaçado pelo canal Showtime. Outro fator são as empresas que gerenciam a carreira dos atletas, como a Golden Boy, que tem sob contrato mega astros como Floyd Mayweather Jr, Saúl Canelo Alvarez e Danny Garcia, dentre outros. Eles, assim como o UFC, dominam as grandes negociações dos próximos combates, e têm poder de sobra em contratos com as emissoras. Sem contar a Sky, com o programa inglês Box Nation, que tem cobertura ao vivo durante o dia todo de sábado.

Garantido o show, os eventos acontecem pelo mundo todo, principalmente no Japão e China com os lutadores mais leves, na Europa e Rússia com muitos lutadores pesados, e nos Estados Unidos e América Central com muitos americanos e latinos, normalmente nos pesos mais medianos. Isso faz com que, devido ao fuso horário, passem lutas sem parar durante todo o sábado. Apenas no fim de semana passado, três disputas de cinturão agitaram o mundo do boxe.

pay per view war

Campeões mundiais de boxe mantêm seus cinturões.

Rick Garcia vs Juan Carlos Burgos

O mexicano campeão dos superpenas pela Organização Mundial de Boxe (WBO) defendeu pela primeira vez se cinturão contra o outro mexicano, Juan Carlos Burgos, e não decepcionou. Venceu por decisão unânime dos jurados e agora descansa até a definição de seu próximo adversário.

Marco Huck vs Firat Arslan

Defendendo seu cinturão dos cruzadores pela Organização Mundial de Boxe (WBO), o alemão Marco Huck derrotou pela segunda vez seu compatriota Firat Arslan, em uma luta muito disputada que não passou do sexto round. Com vários knock downs, o árbitro interrompeu a luta e o cinturão ficou com o campeão. Marco Huck é campeão desde 2009 e defendeu seu cinturão por doze vezes. Sua única derrota nesse período foi para o russo Alexander Povetkin, em 2012, na tentativa de título dos pesados pela Associação Mundial de Boxe (WBA).

Lamont Peterson vs Dierry Jean

Atual campeão pela Federação Internacional de Boxe (IBF) e ex- campeão pela Associação Mundial de Boxe, Lamont Peterson fez uma grande apresentação e venceu o canadense Dierry Jean em decisão unanime dos juízes. Peterson venceu com certa facilidade e desafiou o supercampeão invicto pela WBA e WBC, Danny Garcia. Porém, essa unificação vai ter que esperar. Nesta quarta-feira (29) foi anunciada a próxima luta de Danny Garcia. Será em Porto Rico, país da origem de sua família, contra o mexicano Maurício Herrera. A luta será transmitida pelo canal Show Time dia 15 de março. Imperdível. Lamont Peterson segue sem adversário definido.

Próxima disputa de cinturão:

Gennady Golovkin vs Osumano Adama

O peso médio cazaque Gennady Golovkin, campeão invicto em 28 lutas, sendo 25 por nocaute, maior porcentagem na história da categoria, defende seus cinturões da Associação Mundial de Boxe (WBA) e da Organização Internacional de Boxe (IBO) neste sábado, em Monte Carlo, Mônaco. Seu adversário é o lutador da República de Gana, África, Osumano Adama.

Links interessantes:

www.goldenboypromotions.com
www.hbo.com/boxing
sports.sho.com/boxing
www.boxnation.com

Quando a arbitragem bate mais forte que o lutador

27 janeiro, 2014 às 16:06  |  por Gustavo Kipper

Em mais uma decisão polêmica envolvendo os juízes laterais do UFC, o ex-campeão dos pesos leves Ben Henderson venceu o ex-campeão do Strikeforce Josh Thomson, por decisão dividida. Porém, mais uma vez, a vitória ficou em segundo plano e logo surgiram muitos comentários negativos acerca da decisão de dois dos três juízes. Um deles inclusive marcou quatro rounds a favor de Henderson e levantou novamente a dúvida a respeito da intenção da classe que julga os combates, tendo em vista sua influência no mercado do MMA e do boxe.

“Nunca deixe nas mãos dos juízes”. Constantemente repetida por Dana White, essa frase chega a decorar a porta de entrada dos lutadores do T.U.F, já deixando claro qual a postura que o lutador deve ter para não ser surpreendido por um julgamento errado. Mas para tudo há limites. Em esportes de alto rendimento, o equilíbrio é a prova de que os atletas treinaram forte para chegar até o combate. Portanto, decisões divididas são normais. Mas o que intriga são os rounds marcados por alguns árbitros e a quantidade dessas decisões polêmicas que chegam a ser absurdas. Nesse caso, dizer que Henderson venceu quatro rounds é um desses absurdos. Outra falta de discernimento é não enxergar algo muito comum em esportes que preveem o empate. Ele muitas vezes coroa uma bela disputa e quase não é visto no MMA.

No caso de Henderson vs Thomson, até um empate seria aceitável, ainda mais com a fratura na mão que Josh sofreu no primeiro round. Porém, quem assistiu não percebeu e o americano foi superior no solo e na trocação. Venceu possivelmente quatro dos cinco rounds. Nessa hora entram os juízes para definir os possíveis combates que virão. Mesmo que Dana White diga que não gostou do desempenho de Henderson e que a vitória não o credencia ao title shot, o fato é que Josh perdeu a chance de sua vida de enfrentar o campeão Anthony Pettis. Após a luta, Josh demonstrou toda sua frustração com a decisão e disse que possivelmente vai se aposentar.

Embora pareça um fenômeno recente, erros de juízes laterais vêm acontecendo sistematicamente no boxe e no MMA. Alguns erros são tão chocantes que são comentados por anos, além, é claro, daquela sonora vaia no anúncio da decisão. A quantidade de dinheiro é tão grande na realização desses eventos, principalmente no boxe, que é fácil suspeitar que, se o lutador não nocautear seu adversário, estará sujeito à lei do mercado e de como as próximas lutas serão marcadas. Os lutadores não têm culpa. Ao contrário. São os mais prejudicados, ao lado do público. Os únicos que têm a ganhar são os promotores e empresários, que usam essas decisões para promoverem outros eventos e ganharem mais dinheiro.

Hoje tenho certeza que as grandes lutas serão decididas pelo mercado, caso não seja decidida pelas mãos dos lutadores. Não há mais limites para a distorção dos fatos. Com um sistema de pontuação com tamanha subjetividade, os esportes como boxe e MMA ficarão reféns do dinheiro dos promotores, que certamente tem influenciado os juízes. Como temos memória curta, quando chegar a próxima luta vamos acreditar novamente que o melhor vai vencer.

(www.mmaspace.net)

(www.mmaspace.net)

Brasileiros

Hugo Viana, o Wolverine, foi o único brasileiro a brilhar. Vencendo os dois primeiros rounds, apenas administrou o terceiro e se recuperou da última derrota. Adriano Martins foi nocauteado por um lindo chute do cowboy Donald Cerrone. Gabriel Napão foi derrotado por Stipe Miocic por decisão unânime. Napão também fraturou a mão no primeiro round, o que prejudicou demais seu desempenho. Cansou no segundo round e foi dominado. Seu futuro no UFC é incerto, oscilando vitórias e derrotas. Se não melhorar seu condicionamento físico, não há futuro.

Veja algumas das lutas que geraram polêmica no boxe e no MMA nos últimos tempos.

Carl Froch vs George Groves

Júlio Cesar Chavez Jr vs Brandon Vera

Georges St Pierre vs Johny Hendrics

Many Pacquiao vs Timothy Bradley

WBA – World Boxe Association (Associação Mundial de Boxe): campeões

23 janeiro, 2014 às 10:15  |  por Gustavo Kipper

No boxe profissional existem quatro grandes títulos a ser conquistados. O WBA, WBC, IBF e WBO são o sonho de qualquer boxeador profissional. Conheça os campeões que detêm os cinturões mais cobiçados do boxe.

Campeões Mundiais de Boxe

WBA – World Boxe Association (Associação Mundial de Boxe).

A Associação Mundial de Boxe é uma das principais reguladoras do boxe profissional e também reconhece os outros títulos. Assim, quando um lutador conquista mais de um cinturão, ele se torna supercampeão ou campeão unificado, quando mantém os dois cinturões.

Heavyweight (200+ lb, 90.7+ kg)
Wladimir Klitschko – supercampeão.
61–3–0–0 (51)
2 de julho de 2011.

Cruiserweight, Junior heavyweight (200 lb, 90.7 kg)
Denis Lebedev
25–2–0–0 (19)
30 de outubro de 2012.

Light heavyweight (175 lb, 79.4 kg)
Beibut Shumenov – supercampeão.
14–1–0–0 (9)
8 de outubro de 2013.

Super middleweight (168 lb, 76.2 kg)
Andre Ward – supercampeão invicto.
27–0–0–0 (14)
21 de novembro de 2009.

Carl Froch – Campeão Unificado.
32–2–0–0 (23)
25 de maio de 2013.

Middleweight (160 lb, 72.6 kg)
Genaddy Golovkin – invicto.
28–0–0–0 (25)
14 de outubro de 2010.

Super welterweight, Junior middleweight (154 lb, 69.9 kg)
Floyd Mayweather, Jr. – supercampeão invicto.
45–0–0–0 (26)
05 de maio de 2012.

Welterweight (147 lb, 66.7 kg)
Marcos Maidana
35–3–0–0 (31)
14 de dezembro de 2013.

Super lightweight, Junior welterweight (140 lb, 63.5 kg)
Danny Garcia – supercampeão invicto.
27–0–0–0 (16)
14 de julho de 2012.

Lightweight (135 lb, 61.2 kg)
Richar Abril
18–3–1–0 (8)
26 de fevereiro de 2013.

Outros campeões:
Takashi Uchiyama – Super featherweight, Junior lightweight (130 lb, 59 kg).
Simpiwe Vetyeka – Featherweight (126 lb, 57.2 kg).
Guillermo Rigondeaux (supercampeão) – Super bantamweight, Junior featherweight (122 lb, 55.3 kg).
Anselmo Moreno – Bantamweight (118 lb, 53.5 kg).
Denkaosan Kaovichit (campeão interino) – Super flyweight, Junior bantamweight (115 lb, 52.2 kg).
Juan Francisco Estrada – Flyweight (112 lb, 50.8 kg)
Kazuto Loka – Light flyweight, Junior flyweight (108 lb, 49 kg)
Hekkie Budler – Minimumweight, Strawweight, Mini flyweight
Algumas defesas de cinturão dos campeões invictos.

Evento do ano de 2013: Floyd Mayweather, Jr. Vs Saúl Canelo Alvarez: defesa do cinturão – WBA super, WBC (14 de setembro de 2013).

Luta do ano de 2013: Danny Garcia vs Lucas Matthysse: defesa dos cinturões – WBA, WBC, The Ring (14 de setembro de 2013).

Andre Ward vs Edwin Rodriguez: defesa do cinturão WBA super, The Ring (16 de novembro de 2013)

Gennady Golovkin vs Curtis Stevens: defesa dos cinturões – WBA e IBO. (02 de novembro de 2013)

Ranking peso por peso revista The Ring.

  1. Floyd Mayweather, Jr. (EUA) – WBA (Super) Super Welterweight Champion, WBC and The Ring Junior Middleweight Champion WBC and The Ring Welterweight Champion, WBC Diamond Champion, WBC Emeritus Champion. WBC Supreme Champion.
  2. Andre Ward (EUA)- WBA (Super) and The Ring Super Middleweight Champion, WBC Emeritus Champion.
  3. Timothy Bradley (EUA) – WBO Welterweight Champion.
  4. Wladimir Klitschko (UKR) – WBA (Super), WBO (Super), IBF, The Ring and IBO Heavyweight Champion.
  5. Sérgio Gabriel Martinez (ARG) – WBC and The Ring Middleweight Champion, WBC Diamond Champion, WBC Emeritus Champion.
  6. Juan Manuel Márquez (MEX) – WBO Super Champion.
  7. Manny Pacquiao (PH) – WBC Diamond Champion, WBC Emeritus Champion, WBO Super Champion.
  8. Guillermo Rigondeaux (CUB) – WBA (Unified), WBO and The Ring Junior featherweight Champion.
  9. Saúl Álvarez (MEX) (42–1–1 (30 KO) – Junior middleweight.
  10. Carl Froch (UK) – WBA (Unified) and IBF Super middleweight champion.
Próxima defesa de cinturão: 01/02/2014 (Monte Carlo).
Gennady Golovkin  vs Asumanu Adama pelos títulos do WBA e IBO dos médios.
 
(WBA Belt)

 

 

 

 

 

UFC Fight Night: Rockhold vs Philippou

15 janeiro, 2014 às 16:56  |  por Gustavo Kipper

Não só de grandes espetáculos vive o MMA. Até mesmo a maior franquia do mundo precisa realizar eventos menores, afinal, os lutadores com menos fama também precisam comer.

Em parceria com a rede americana FOX, o UFC vem realizando com sucesso as edições do Fight Night, dando a chance aos atletas de um dia chegarem ao topo. Nesta quarta-feira (13) à noite, em Duluth, Geórgia (EUA), acontece o UFC Fight Night: Rockhold vs Philippou. Após a derrota por nocaute para Vitor Belfort, o ex-campeão dos médios do Strikeforce Luke Rockhold busca sua redenção. Se vencer coloca sua carreira nos trilhos e passa a ser um futuro desafiante ao cinturão. Seu oponente, o cipriota Costa Philippou, também vem de derrota. Foi nocauteado por Francis Carmont, no UFC 165. Carmont é o futuro adversário do brasileiro Ronaldo Jacaré no UFC Jaraguá do Sul 2, em fevereiro.
UFC: Rockhold x Philippou.

15 de janeiro de 2014, em Atlanta (EUA)

CARD PRINCIPAL
Peso-médio: Luke Rockhold x Costa Philippou
Peso-médio: Lorenz Larkin x Brad Tavares
Peso-galo: TJ Dillashaw x Mike Easton
Peso-médio: Yoel Romero x Derek Brunson
Peso-mosca: John Moraga x Dustin Ortiz
Peso-pena: Cole Miller x Sam Sicilia
CARD PRELIMINAR
Peso-leve: Ramsey Nijem x Justin Edwards
Peso-leve: Isaac Vallie-Flagg x Elias Silvério
Peso-médio: Trevor Smith x Brian Houston
Peso-mosca: Alptekin Ozkilic x Louis Smolka
Peso-leve: Vinc Pichel x Garett Whiteley
Peso-leve: Charlie Brenneman x Beneil Dariush

O canal Combat transmite o evento a partir das 18h30.