Fim de semana agitado para o boxe e o MMA

13 abril, 2015 às 15:50  |  por Gustavo Kipper

Gabriel Napão

Na volta de Crocop quem se deu mal foi Napão

O brasileiro Gabriel Napão não resistiu ao veterano Mirko Crocop e foi nocauteado, na tarde de sábado (11). Há oito anos Napão havia vencido Crocop com um chute alto fulminante. Mas na revanche, mesmo com dificuldades no início, a lenda do Pride mostrou que ainda é muito perigoso.

Napão começou melhor, acertando bons golpes e derrubando algumas vezes o croata. Em duas situações, conseguiu a montada, mas, a falta de agressividade e gana de Napão para finalizar a luta deram brechas para Mirko se recuperar a se levantar.

Com a derrota, Mirko Crocop mostra que ainda está no jogo e pode fazer bons combates. Napão mostrou o porquê de nunca ter chegado a ser um top da categoria. Com a trocação muito fraca e um jiu-jitsu ineficiente, seu futuro no UFC é incerto.

Garcia supera Peterson em luta que não valeu cinturão

Campeão dos superleves pela WBA, WBC e The Ring, o americano Danny Garcia superou o campeão pela IBF, Lamont Peterson, na noite de sábado, no Brooklyn, Nova York.

Em outra decisão polêmica dos juízes, Garcia, que não consegue mais bater o peso de sua categoria, saiu vencedor por 115 x 113. Melhor nos primeiros rounds, perdeu intensidade nos rounds finais e foi pressionado por Peterson, que demorou a mostrar serviço.

Mesmo com um bom combate, Lamont Peterson perdeu o cinturão da IBF, que agora está vago. Danny Garcia deverá subir de categoria, embora ainda tenha anunciado o fato oficialmente.

Lutadores como Marcos Maidana e Adrien Broner já lançaram o desafio a Garcia, que nunca perdeu um combate. Garcia seria esperto se mudasse sua dieta e conseguisse bater 140 lb novamente. No peso de cima vai sofrer e dificilmente será campeão.

Com o combate entre Mayweather e Pacquiao à vista, a categoria welterweight fica muito mais equilibrada.

 

 

Garcia vs Peterson e nenhum cinturão em jogo

9 abril, 2015 às 15:27  |  por Gustavo Kipper

Garcia vs Peterson

Com o aguardado combate entre Floyd Mayweather Jr. e Manny Pacquiao agendado para 2 de maio, parece que o mundo do boxe está paralisado esperando a luta do século. Porém, bons combates vão acontecer até lá, com disputas de cinturão e lutas polêmicas.

No próximo sábado (11), o campeão invicto do peso super-leve pela WBA, WBC e The Ring, Danny Garcia, enfrenta o campeão da IBF, Lamont Peterson, em uma luta que não vale unificação. A notícia de que a luta seria em um peso combinado de 143 lb deixou muitos fãs frustrados, inclusive Peterson, que garantiu que pode bater 140 lb.

Essa será a segunda luta do campeão em um peso combinado que não vale título. Sua última defesa de cinturão foi uma vitória em uma decisão extremamente controversa, lutando em Porto Rico, país de sua ascendência. A maioria da mídia especializada deu vitória ao desafiante Maurício Herrera. A última grande apresentação de Garcia foi em setembro de 2013, quando venceu Lucas Matthysse, no mesmo evento em que Mayweather venceu Canelo Alvarez.

Acredita-se, até pelas recentes declarações de Garcia, que ele não consegue mais bater o peso em que detém dois cinturões. Provavelmente, depois desse combate, será obrigado a mudar para o peso meio-médio e tentar recuperar o título contra atletas muito mais perigosos, como Manny Pacquiao, Floyd Mayweather Jr., Keith Thurman e Kell Brook. Todos adversários absurdamente difíceis.

Mesmo não valendo nenhum cinturão, a luta entre Danny Garcia e Lamont Peterson é pelo domínio da categoria dos super-leves. Quem vencer será indiscutivelmente o melhor. Mas, para Garcia, vale a chance de permanecer invicto e conseguir um title shot imediato quando subir de peso. Possivelmente contra o americano campeão da WBA, o também invicto Keith Thurman. Danny Garcia é um supercampeão. Mas terá um caminho árduo pela frente, caso queira se manter entre os cinco melhores boxeadores em todos os pesos, posição que já ocupa. Mas, a impossibilidade física de colocar em jogo suas conquistas, está afetando sua imagem e uma subida de peso não vai facilitar em nada sua vida.

Creio que finalmente veremos Garcia enfrentando lutadores realmente perigosos. Também não descarto um combate contra Mayweather ou Pacquiao, após o combate épico entre os dois. Inclusive uma revanche imediata ao derrotado é um fato quase certo, especialmente se Floyd perder. Mas em 2016 poderá ser um ano muito bom para Garcia, com grandes combates, grandes bolsas e muitas conquistas. Só depende dele.

Qual o limite das provocações?

7 abril, 2015 às 12:10  |  por Gustavo Kipper

A provocação para vender lutas não é nenhuma novidade. Nem no boxe, nem no MMA. Muhammad Ali era mestre nisso. Porém, mesmo com toda a bravata e língua afiada, era engraçado. Era sagaz. Era um gênio.

Até mesmo no cinema, na saga de Rocky Balboa, Apollo Creed era o falastrão. O campeão que sabia como ninguém vender combates e provocar seus oponentes. Em Rocky IV, no auge da guerra fria, usou suas palavras contra o russo Ivan Drago. Seria morto em combate. Morreu literalmente pela boca.

Outros lutadores ao longo da história das artes marciais revelaram sua irreverência, como Roy Jones Jr. e Anderson Silva. Atletas com postura não ortodoxa, mas que mexia na mente de seus oponentes com movimentos que obrigam qualquer um a tomar uma atitude. Forçavam o erro.

No MMA, Chael Sonnen inaugurou o estilo de falar para chegar mais rápido nas grandes lutas. Ao contrário de lendas, que falavam, mas faziam, Sonnen passou a lutar apenas com a língua, frustrando muita gente que merecia estar em seu lugar, mas foi deixada de lado pelo business das vendas de pay per view.

Conor McGregor é o novo discípulo de Chael Sonnen. Embora reconheça que ambos sejam divertidos, e de certa forma talentosos, nunca realmente foram ou são grande coisa. Apenas são bons vendedores de combates. Tanto é que Chael, depois que proibiram o T.R.T, foi direto comentar na televisão.

Conor McGregor tem vencido suas lutas de forma contundente. Claramente é um peso-leve disfarçado de peso-pena. É maior e mais forte que a maioria de seus recentes oponentes. Chega a pesar 80 kg fora do período de treinos.Mas ainda não foi realmente testado. Não enfrentou nenhum lutador top 5 da categoria e agora foi premiado com um title shot.

A turnê de promoção da luta, que acontece dia 11 de julho, em Las Vegas, vem gerando muita repercussão. O nível de provocação e desrespeito por parte do irlandês nos faz questionar até que ponto o circo do MMA pode chegar para vender o combate?

O UFC já afirmou que nunca gastou tanto para promover uma luta. O próprio José Aldo reconhece que as provocações fazem parte do jogo, e parece estar vacinado contra as investidas de McGregor, que já chegou a “roubar” o cinturão do campeão durante a coletiva em Dublin. Pior, em um programa de entrevistas, Conor Chegou a tocar a nuca do brasileiro, que quase partiu pra cima de McGregor.

Em visita a Irlanda, Dana White deixou uma plateia completamente bêbada fazer perguntas a Aldo. Muitos inclusive falando palavrões, gritando e ofendendo o brasileiro de todas as maneiras. Aldo parecia frio, mas por dentro era nítido que por ele a luta poderia começar ali mesmo.

A briga entre Jon Jones e Daniel Cormier foi péssima para a imagem da organização e dos lutadores. Mas o comportamento que o UFC obriga os lutadores a ter deixa qualquer ser humano no limite. Ainda mais lutadores acostumados com o confronto. Que não se gostam.

Acho que ânimos exaltados, provocações e falação fazem parte. Mas Conor McGregor passou dos limites e mostrou ser um cara extremamente mal educado. Uma vitória de José Aldo seria excelente para o esporte. Talvez nem tanto para o UFC, que já tem sem novo queridinho. Uma vitória de Aldo é uma vitória do respeito, da educação e do povo brasileiro.

O peso morto

6 abril, 2015 às 11:53  |  por Gustavo Kipper

A vitória tranquila de Chad Mendes sobre Ricardo Lamas, no último sábado, mostrou novamente por que a chegada de Conor McGregor é tão importante para a divisão dos penas, e, por isso, o irlandês está sendo bem remunerado.

Mendes e Lamas se enfrentaram pela primeira vez. A luta não durou muito. Chad mostrou que, depois de Aldo, é o melhor da divisão. Mendes e Lamas já perderam para o campeão, Mendes duas vezes inclusive. Mas para o americano, vitorioso no sábado, a única luta que faz sentido seria uma terceira luta contra o campeão José Aldo.

Mendes desconsidera a vitória de McGregor sobre Aldo. Acredita que o brasileiro vencerá facilmente. De qualquer maneira, em caso de vitória de Aldo, dificilmente ganhará outra oportunidade tão cedo. Nem em caso de vitória de McGregor, tendo em vista que uma revanche imediata possivelmente seja oferecida a Aldo, em caso de derrota.

Do outro lado, uma grande luta irá acontecer dia 16 de maio. Frankie Edgar enfrenta Urijah Faber, em uma luta que pode definir o possível desafiante de Chad Mendes. Em caso de vitória de Edgar, uma luta contra Mendes seria explosiva, e o vitorioso teria grande chance de ganhar o title shot. Porém, caso Faber vença, acho pouco provável que os companheiros de equipe se enfrentem e Chad Mendes ficará em uma situação complicada. Um bom caminho para Mendes seria a vitória de José Aldo. Assim poderia desafiar Conor McGregor, levar um bom dinheiro e, quem sabe, ter uma terceira chance.

O caminho de Frankie Edgar, ex-campeão dos pesos-leves, me parece mais complicado. Tem que derrotar os dois atletas da Alpha Male na sequencia. Se vencer Faber e Mendes, sem dúvida terá sua segunda chance contra Aldo.

Infelizmente todo o desenho de possíveis combates gira em torno de três ou quatro lutadores. Aldo já venceu todos e McGregor será seu último grande desafio. Se vencer, creio que será difícil perder nos próximos anos. O único com chances é Chad Mendes, que ainda precisa ser mais testado.

É um peso morto. Uma categoria em que as emoções só aparecem quando Aldo e Mendes se encontram, ou quando Conor McGregor fala bastante. A coletiva de imprensa na Irlanda mostrou que vale tudo para promover  uma luta. Inclusive deixar uma plateia bêbada pegar o microfone e ofender o campeão sem pudor.

Para o UFC, a vitória de McGregor seria a salvação. Mas para o esporte a vitória só comprovaria a teoria de que Aldo é uma lenda ainda não reconhecida. E que vai dominar a divisão até se aposentar.

 

Quem quer dinheiro?

30 março, 2015 às 14:32  |  por Gustavo Kipper

A turnê de promoção da luta entre o campeão José Aldo e o falastrão Conor McGregor parece ter elevado um pouco o patamar de divulgação de outras disputas. É claro que o personagem de McGregor é um vendedor nato, mas a sequência de eventos e materiais audiovisuais deixa claro que o investimento aumentou consideravelmente.

Porém, uma questão levantada por um jornalista canadense deixou Dana White furioso. Quando o jornalista perguntou a Aldo sobre a bolsa dos atletas, White se irritou e mandou o repórter calar a boca. Na mesma semana, Wanderlei Silva começou uma campanha pelo Twitter para que o UFC o libere de seu contrato, tendo em vista que se diz aposentado. Mais que isso, ha alguns meses vem tentando expor a relação do UFC e os lutadores, a quem considera escravos da organização.

Por que a pergunta teria irritado tanto Dana White? Antes devemos olhar a história da relação do UFC com suas estrelas: Wanderlei Silva, Tito Ortiz, Quinton Jackson, Randy Couture, entre outros, já manifestaram em público seus descontentamentos a respeito da contrapartida financeira dada pelo UFC. A ideia de que o UFC não valoriza seus campeões é velha. Mas o que devemos nos concentrar não é apenas na bolsa dos atletas, e sim, a visibilidade que a organização oferece.

José Aldo sabe disso. Apesar de ainda não ganhar o que acredita ser o justo, Aldo sabe que se estivesse em outra franquia, certamente não teria a mesma visibilidade que tem hoje. Inclusive percebeu, ao lado de sua equipe, que aquela atitude respeitosa, de quem treinou jiu-jítsu, não dá dinheiro e não vende luta. Quer ganhar mais, tem que vender mais pay per view.

O atleta tem que botar na cabeça que se quiser ganhar aquilo que acha justo, tem que ficar maior que a própria organização. Tem que virar uma lenda esportiva para poder exigir algo. É evidente que em países em desenvolvimento como o Brasil, as bolsas são uma vergonha. Existem atletas lutando por duzentos reais e isso tem que melhorar.

Porém estamos falando do nível elite. De atletas de ponta, que caso não estejam satisfeitos, podem procurar abrigo em outros eventos como o Bellator ou o WSOF que não pagam mal. A diferença está na visibilidade. Na promoção. Poucos nomes conseguiram ficar maior que a marca e hoje lucram com isso. Royce Gracie, Anderson Silva e Georges St Pierre, além de Jon Jones, são os únicos que ficaram maiores que o UFC.

Não ser uma lenda obriga que seja um trabalhador. Que conquiste seu espaço e o lucro virá. Comparado ao boxe e suas bolsas estratosféricas o MMA sempre estará atrás. E certamente o UFC poderia valorizar mais seus lutadores, tendo em vista que é uma organização bilionária. Mas ainda é para 95% dos lutadores um sonho, uma maneira de melhorar a vida e um objetivo diário para ir para a academia treinar.

Veja os videos promocionais da luta entre:  Aldo vs McGregor

 

 

Lutas que gostaríamos de ver

23 março, 2015 às 12:50  |  por Gustavo Kipper

Embora muitas disputas já tenham sido agendadas, alguns combates que residem no imaginário dos fãs de MMA permanecem inéditos.

Mas, sonhar não custa nada. O Conexão MMA fez uma lista de combates que todo mundo gostaria de assistir. Muitos possivelmente um dia ocorrerão, outros ficarão apenas na nossa imaginação.

Confira alguns combates que com certeza pegariam fogo:

Peso-mosca: John Dodson vs John Lineker (disputa de cinturão)

Peso-galo: Renan Barão vs T.J Dillashaw 3 (disputa de cinturão)

Peso-galo: Raphael Assunção vs Urijan Faber

Peso-pena: Chad Mendes vs Frankie Edgar

Peso-pena: Conor McGregor vs Ricardo Lamas

Peso-leve: Rafael Dos Anjos vs Khabib Nurmagomedov 2 (disputa de cinturão)

Peso-leve: Ben Henderson vs Gilbert Melendez 2

Peso-leve: Anthony Pettis vs Donald Cerrone 2

Peso-meio-médio: Robbie Lawler vs Johnny Hendricks 3 (disputa de cinturão)

Peso-médio: Vitor Belfort vs Ronaldo Jacaré (disputa de cinturão)

Peso-médio: Chris Weidman vs Lyoto Machida 2

Peso-meio-pesado: Anthony Johnson vs Daniel Cormier

Peso-pesado: Fabrício Werdum vs Júnior dos Santos (disputa de cinturão)

Peso-pesado: Cain Velásquez vs Alistair Overeen

Alguma outra luta que gostaria de assistir?

 

 

 

 

Acelino Popó Freitas está de volta!

18 março, 2015 às 19:18  |  por Gustavo Kipper

Com luta agendada para 6 de junho, o maior campeão da história do boxe brasileiro retorna para provar que ainda é um dos melhores no jogo.

Ainda não foi definido seu adversário, mas, pelo calibre de Popó, não pode ser qualquer um. Dono de um invejável cartel de 39 vitórias, sendo 33 por nocaute e apenas duas derrotas, Popó chegou ao topo. Antes dele, apenas outro nome havia chegado lá: Éder Jofre.

Popó está longe dos ringues desde 2 de junho de 2012, quando venceu Michael Oliveira, invicto até então. Provou que quando está em forma é quase impossível pará-lo. Dessa vez, com 39 anos, tenta mais uma vez retornar aos ringues, após não conseguir se reeleger como Deputado Federal.

Popó era avassalador. Letal. Encurralava seus oponentes e partia pra definição. Um pegador nato. Sempre muito rápido, sua mão era sempre muito pesada para as categorias a que pertencia. O resultado da luta de junho não apagará suas conquistas. Mas uma vitória poderá acender a esperança de grandes combates pela frente.

Reveja alguns combates da lenda do boxe brasileiro Acelino Popó Freitas:

(Campeão da WBO/NABO do peso super-pena).

(Campeão da WBO de peso super-pena. Alexandrov permaneceu inconsciente durante 5 minutos).

(Campeão da WBA peso super-pena. Manteve o cinturão da WBO de peso super-pena).

(Manteve os cinturões da WBA e WBO do peso super-pena, os quais ficaram vagos após esta luta. Com a décima defesa de cinturão, recebeu o título de ”supercampeão” da Organização Mundial de Boxe).

(Campeão da WBO do peso-leve).

(Campeão da WBO do peso-leve).

Campeões

16 março, 2015 às 14:47  |  por Gustavo Kipper

Rafael Dos Anjos

O brasileiro Rafael Dos Anjos sagrou-se campeão dos pesos-leves do UFC ao derrotar o ex-campeão Anthony Pettis. Com um desempenho avassalador, venceu todos os cinco rounds e obteve uma vitória dominante. Rafael é o primeiro brasileiro a conquistar um cinturão da categoria.

A vitória do brasileiro surpreendeu muita gente. Pettis é considerado um dos melhores lutadores da atualidade e não encontrou sem jogo em nenhum momento da luta. Dos Anjos o dominou na trocação, no wrestling e no jiu-jitsu. A luta perfeita e o melhor desempenho da carreira de Rafael.

Um dos segredos do campeão já é um velho conhecido dos brasileiros. O mestre Rafael Cordeiro, responsável pelo muay-thai e estratégia de Dos Anjos, conhece como ninguém o processo de formar campeões. Foi assim com Wanderlei Silva, Shogun, Werdum e agora Rafael Dos Anjos.

Hoje o desafio é outro. Aguarda a batalha entre Donald Cerrone e Khabib Nurmagomedov, atleta russo que já o venceu anteriormente. Enquanto isso deve descansar um pouco e comemorar a conquista.

Sergei Kovalev

Campeão dos meio-pesados pela WBA, IFB e WBO, o russo conquistou uma vitória importantíssima contra o canadense Jean Pascal, e levou pra casa também o cinturão Diamond do WBC. Foi a quinta defesa da WBO e primeira da IBF e WBA, conquistados contra a lenda Bernard Hopkins.

Mesmo com uma paralisação contestável do juiz do combate, Kovalev foi dominante e mostrou por que é um dos melhores boxeadores da atualidade. Invicto em 27 combates, ficou longe do radar dos principais promoters, mas agora definitivamente entrou no seleto grupo de atletas russos que fazem sucesso nos EUA.

Agora, um confronto com o campeão linear do WBC, outro haitiano naturalizado canadense, Adonis Stevenson, é inevitável. Assim, uma unificação com os quatro principais cinturões do boxe promete agitar o verão americano. Stevenson tem luta agendada para 4 de abril, contra o ex-campeão Sakio Bika. Se vencer, enfrenta Kovalev pela supremacia dos meio-pesados.

WBA – Associação Mundial de Boxe.

WBC – Conselho Mundial de Boxe

IBF – Federação Internacional de Boxe

WBO – organização Mundial de Boxe

Confrontos à vista

9 março, 2015 às 11:00  |  por Gustavo Kipper

Em ano de luta do século, que ocorre dia 2 de maio, em Las Vegas, entre Floyd Mayweather, Jr. e Manny Pacquiao, outros combates envolvendo cinturões estão agendados e também prometem grandes eventos.

Confira o calendário dos campeões mundiais de boxe:

14/03/2015

Sergei Kovalev (Rússia) vs Jean Pascal (CAN). Em disputa os cinturões dos meio-pesados pela WBA (super), WBO, IBF.

28/03/2015

Kell Brook (GBR) vs Jo Jo Dan (BEL). Em disputa o cinturão dos meio-médios pela IBF.

04/04/2015

Denis Lebedev (Rússia) vs Lukasz Janik (POL). Em disputa o cinturão dos cruzadores pela WBA.

04/04/2015

Adonis Stevenson (CAN) vs Sakio Bika (CMR). Em disputa o cinturão dos meio-pesados pelo WBC.

11/04/2015

Andy Lee (IRL) vs Peter Quillin (EUA). Em disputa o cinturão dos médios pela WBO.

25/04/2015

Wladimir Klitschko (Ucrânia) vs Bryant Jennings (EUA). Em disputa os cinturões dos pesos-pesados pela WBA (super), IBF, WBO, IBO e The Ring.

02/05/2015

Floyd Mayweather, Jr. (EUA) vs Manny Pacquiao (PH). Em disputa os cinturões dos meio-médios pela WBA (super), WBC, WBO, The Ring.

22/05/2015

Grigory Drozd (Rússia) vs Krzysztof Włodarczyk (POL). Em disputa o cinturão dos cruzadores pelo WBC.

MMA Olímpico

5 março, 2015 às 12:55  |  por Gustavo Kipper

Embora muitas pessoas ainda não reconheçam o MMA como esporte, para quem é fã da modalidade, deve acreditar que esse pode ser um dos melhores anos para o mundo das lutas, incluindo o boxe e o MMA.

Grandes disputas de cinturão, unificação e superlutas já tomam conta do calendário de 2015. Números nunca antes alcançados pelas artes marciais mistas. Mas, embora muita coisa tenha sido feita em relação aos eventos, lutadores, uniformes e doping, o esporte ainda precisa evoluir.

Mesmo que não seja um esporte olímpico, tarefa impossível pelos métodos atuais de pontuação, subjetivos e quase lúdicos, vem crescendo em termos de profissionalismo em todas as áreas. A preparação física dos lutadores de ponta, incluindo suplementação e esforço são superiores a maioria dos esportes de alto rendimento, e cada vez mais atletas de outros esportes migram para o MMA.

O melhor exemplo da atualidade é a campeã dos galos do UFC, Ronda Rousey. Judoca, medalhista olímpica, Ronda encontrou no UFC sua melhor forma e potencial. Outros exemplos a seguem: a multicampeã mundial de boxe Holly Holm, Daniel Cormier, Sarah McMann, Hector Lombard entre outros, somam à lista de atletas olímpicos que hoje fazem parte do mundo do MMA.

Mesmo que os números de televisão e bolsas sejam imensamente inferiores ao boxe, o MMA hoje consegue números muito bons, se tratando de um esporte que tem apenas vinte anos e apenas uma grande franquia. Porém, já alcançou todos os continentes e as competições acontecem em todo mundo.

A diferença, em princípio, é que o lutador de MMA busca chegar ao UFC para poder ter uma boa condição financeira, e quem sabe, um dia vestir o cinturão. Enquanto os esportes olímpicos a meta é a Olimpíada, a medalha, de quatro em quatro anos. A vantagem do MMA é que o atleta não precisa abrir mão do sonho olímpico. Pode ter vida olímpica e depois do ciclo de seu esporte migrar para o MMA.

Acho que falta boa vontade por parte do UFC e das comissões atléticas dos países para se tentar chegar a regras de pontuação mais bem definidas, e assim, um dia ser um esporte reconhecidamente Olímpico. Mas, como a maioria dos lutadores americanos tem base de luta olímpica, os critérios subjetivos muitas vezes beneficiam as quedas, mesmo que com elas não se tenha nenhum proveito.

Faltam no MMA critérios bem definidos de pontuação. Quanto vale uma queda, quanto vale uma tentativa de finalização, um soco limpo, uma canelada bem dada da coxa. O boxe olímpico conta com um placar. Como na esgrima, cada golpe limpo é um ponto. No MMA olímpico um placar seria necessário. Assim, definidas as pontuações, o lutador e todos os envolvidos saberiam o placar da luta durante seu andamento.

No MMA lutar em casa tem feito muita diferença, o que é um absurdo. Em uma luta equilibrada, decidida nos detalhes, os jurados nunca querem se complicar, e sempre dão a vitória ao atleta da casa. Com pontuações mais definidas, isso seria impossível, e os jurados teriam cada vez menos poder de decisão sobre os resultados. No modelo atual, polêmicas não faltarão ao longo dos anos.

Não digo que um modelo parecido deva ser aplicado ao UFC e ao MMA profissional, mas pensar em um modelo de MMA adaptado as competições olímpicas poderia facilitar a formação de seleções nacionais, com campeonatos mundiais e copas do mundo com atletas que não pertençam a nenhuma franquia  ou organização.

Em um país pobre como o Brasil, o MMA passa a ser uma segunda válvula de escape para jovens que procuram um esporte como sustento, já que no futebol a competitividade é absurda. O MMA pode contribuir de forma positiva na formação de atletas e cidadãos.

Precisamos reconhecer o talento natural dos brasileiros para o MMA. Muitos atletas com condições imensamente inferiores aos americanos, hoje, dominam suas categorias pelo talento e não pelo incentivo que recebeu ao longo de sua vida. Como seria se o governo reconhecesse esse potencial ainda na adolescência e ajudasse a formar novos campeões?