Dedé Pederneiras muda a estratégia da Nova União

26 agosto, 2014 às 14:07  |  por Gustavo Kipper

Em entrevista ao jornalista Ivan Raupp, o líder da equipe Nova União, Dedé Pederneiras, comentou algumas adaptações que possivelmente serão feitas para que seus atletas possam faturar mais e ganhar mais visibilidade. Comentou também a derrota de Renan Barão para T.J Dillashaw e como está a preparação para a revanche.

Sempre muito comedidos e respeitosos, os campeões da Nova União José Aldo, Renan Barão e Dudu Dantas ainda não alcançaram o máximo potencial de faturamento com os eventos. Tecnicamente muito bons, estava faltando um pouco de malícia para vender melhor as lutas e entrar no show. Afinal, a carreira do lutador não é das mais longas e garantir o futuro é mais do que merecido. Quanto mais pay per view, maiores as chances de grandes eventos.

Dedé reconheceu que algumas provocações podem servir de combustível para promover o show, mas descartou começar a usar o trash talking para a promoção. O respeito vai continuar. Em breve fará uma reunião com a equipe para definir a nova estratégia de comportamento fora do octógono. Admitiu pela primeira vez que fica para trás quem não acompanha o novo momento do esporte. Momento em que os negócios podem falar mais alto que a técnica, e citou as disputas de cinturão conquistadas pela boca por Chael Sonnen, o rei da promoção.

A derrota de Renan Barão ainda tem a cicatriz aberta, mas já foi compreendida como uma mistura de sorte e competência por parte do americano, que, como disse Dedé, acertou um “pombo daquele”, que mudou o rumo da luta. Barão realmente lutou no automático. Mas será que foi somente isso? Ou será que a estrutura utilizada pelos rivais permite uma maior evolução e Barão estagnou após dez anos de vitórias?

A Nova União sempre foi referência entre os pesos mais leves. A Alpha Male Team, liderada por Urijah Faber, também possui grandes nomes nessas categorias e a rivalidade ao longo dos anos só aumentou. Após as derrotas de Faber e Chad Mendez, muita coisa foi copiada e aperfeiçoada. Agora, pela primeira vez, eles venceram. Até que ponto a tecnologia, suplementação e estrutura de treinamento podem fazer diferença? A Nova União fica dentro de uma academia, no bairro do Flamengo, e tem muita gente boa treinando lá. Júnior Cigano também faz parte da equipe. Mas sua estrutura pode ser contestada.

Assistindo a alguns treinamentos por vídeo, é fácil perceber que é muito atleta pra pouco espaço. Os lutadores treinam muito próximos uns aos outros, e, muitas vezes, acabam tendo que frear seu ímpeto, pois o espaço acabou. Inclusive tenho dúvidas se existe um octógono com tamanho oficial para as sessões com sparring e defesa de quedas na grade. Fora isso, a famosa banheira de gelo, até pouco tempo atrás, era na laje da academia. Hoje desconheço. Nada contra a humildade e simplicidade, mas enquanto alguns usam criogenia, ainda estamos na era do gelo.

Acredito que um investimento maior na estrutura possa fazer com que os lutadores da Nova União evoluam mais. Ao nível em que chegaram, qualquer detalhe pode fazer a diferença. Não é somente de bons treinadores e suor que se faz um campeão. O espaço e tecnologia devem ser usados, além, é claro, da supervisão constante de médicos e nutricionistas para não prejudicar o lutador. Dedé Pederneiras sabe disso, mas acho que a estrutura deveria crescer. Acho também que deveriam ir treinar de vez em quando em outros países. Trocar experiências. Vários já fizeram isso e colheram frutos.

No próximo sábado, Renan Barão enfrenta TJ Dillashaw na tentativa de recuperar o cinturão dos galos. A luta será na casa do inimigo, em Sacramento, Califórnia.

Leia a entrevista de Ivan Raupp com Dedé Pederneiras:

http://sportv.globo.com/site/combate/noticia/2014/08/dede-se-rende-ao-mma-atual-ou-pensa-no-show-ou-fica-para-tras.html

 

Rafael dos Anjos supera Henderson

24 agosto, 2014 às 23:29  |  por Gustavo Kipper

O UFC Fight Night: Henderson vs Dos Anjos trouxe um resultado expressivo, e até certo ponto imprevisível, com a vitória do brasileiro Rafael dos Anjos sobre o ex-campeão dos pesos leves, o americano Ben Henderson.

Treinado pelo curitibano Rafael Cordeiro (Kings MMA), o brasileiro entrou com tudo e conseguiu a vitória por TKO, ainda no primeiro round. Oriundo da arte suave, Rafael mostrou uma trocação afiadíssima e muita explosão. Depois de uma joelhada voadora, que abalou Henderson, aplicou uma pesada combinação até sua mão esquerda acertar o queixo do ex-campeão, que caiu com as pernas dobradas. O brasileiro aproveitou a vantagem e finalizou a luta com mais alguns golpes.

O árbitro do combate, o veterano Big John McCarthy, entrou no centro de uma polêmica, pois teria terminado a luta cedo demais. Após a decisão de Big John, Henderson se levantou e começou a saltar, mostrando que tinha plenas condições de seguir no combate. Isso gerou descontentamento da plateia, que passou a vaiar a interrupção da luta. Mas a imagem não mente. Quando Big John parou o combate, Henderson tentava segurar suas pernas, mostrando que estava fora de ação. A meu ver, acertou o experiente árbitro.

Com a vitória, Rafael dos Anjos ganha novo fôlego após a derrota para Kabhib Nurmagomedov. Possivelmente esteja a mais uma ou duas lutas do tão sonhado title shot. Já Henderson deve cair no ranking dos leves e ter seu sonho de recuperar o cinturão adiado por tempo indeterminado.

UFC em dose dupla

22 agosto, 2014 às 17:03  |  por Gustavo Kipper

Após um período de marasmo e eventos de baixa qualidade, o UFC traz neste sábado (23) dois eventos com muita ação e cards bem honestos. Um na Ásia e o outro em solo americano.

Em Macau, República da China, Michael Bisping (24-6) e Cung Le (9-2) fazem o evento principal. Conhecido pelas provocações e trash talking, Bisping vem de derrota frustrante para Tim Kennedy, quando dominado pelo wrestling do americano. Já Cung Le, apesar de ter 42 anos, vem de duas vitórias, contra Patrick Coté e Rich Frankling. É a terceira vez que o UFC é realizado na China.

Ambos gostam da trocação. É uma luta boa para os fãs, mas pode ter efeitos muito negativos na carreira de Bisping, caso seja derrotado. Perder para um veterano pode atrasar por tempo indeterminado qualquer chance de disputar o cinturão. Campeão da terceira edição do The Ultimate Fighter, lutando nos meio-pesados, Bisping já tem 35 anos e sua carreira pode iniciar um declínio imediato. Suas lutas serão apenas combates espetáculo, sem almejar o título. Para Cung Le, a derrota não significa nada, já que não tem nada a provar nessas alturas. Uma vitória, quem sabe, mais lutas em contrato.

No co-main event, uma luta muito bem casada na categoria dos meio-médios. Tyron Woodley (13-3) busca redenção após derrota para Rory McDonald. Enfrenta o sul coreano Dong Hyun Kim (19-2-1) que busca a quinta vitória consecutiva. Único brasileiro no card, o meio-médio Alberto Mina enfrenta o japonês Shinsho Anzai.

O UFC Fight Night Macau começa cedo pela manhã: às 07h30min horário de Brasília.

CARD PRINCIPAL

Peso-médio (Até 84,4kg): Michael Bisping (84,4kg) x Cung Le (83,9 kg)

Peso-meio-médio (Até 77,6kg): Tyron Woodley (77,1kg) x Dong Hyun Kim (77,6kg)

Peso-leve (Até 70,8kg): Zhang Li Peng (70,3kg) x Brendan O’Reilly (70,3kg)

Peso-pena (Até 66,3kg): Ning Guangyou (66,3kg) x Yang Jianping (65,8kg)

CARD PRELIMINAR

Peso-meio-médio (Até 77,6kg): Wang Sai (77,1kg) x Danny Mitchell (77,6kg)

Peso-meio-médio (Até 77,6kg): Alberto Mina (77,1kg) x Shinsho Anzai (77,6kg)

Peso-galo (Até 61,7kg): Roland Delorme (61,7kg) x Yuta Sasaki (61,2kg)

Peso-meio-médio (Até 77,6kg): Wang Anying (77,1kg) x Colby Covington (77,6kg)

Peso-galo (Até 61,7kg): Yao Zhikui (61,2kg) x Royston Wee (61,7kg)

Peso-galo (Até 61,7kg): Elizabeth Phillips (61,7kg) x Milana Dudieva (61,2kg)

Press Conference:

 

Simulação no PS4:

 

Em Tulsa, estado de Oklahoma (OK), Ben Henderson (21-3) enfrenta o brasileiro Rafael dos Anjos (21-7).

É uma luta complicada para o ex- campeão dos pesos leves. Mesmo sendo o primeiro do ranking, ocupa uma posição desconfortável na tentativa de recuperar o cinturão. Com a luta entre Pettis e Melendez agendada, além de uma possível superluta contra Aldo, uma vitória não representa muito em seu árduo caminho. Além disso, a luta entre Eddie Alvarez e Donald Cerrone pode trazer o próximo desafiante ao título. Ou até mesmo seu futuro adversário. Para Rafael dos Anjos, atual quinto colocado, ganhar o coloca a duas ou três vitórias do title shot.

Thales Leites (23-4) e Wilson Reis (17-5) são os brasileiros do card. Enfrentam respectivamente o canadense Francis Carmont, nos médios, e o americano Joby Sanchez (6-0), nos moscas.

CARD PRINCIPAL

Peso-leve: Benson Henderson x Rafael dos Anjos

Peso-meio-médio: Jordan Mein x Mike Pyle

Peso-médio: Francis Carmont x Thales Leites

Peso-pena: Max Holloway x Clay Collard

Peso-leve: James Vick x Valmir Lázaro

Peso-leve: Chas Skelly x Tom Niinimaki

CARD PRELIMINAR

Peso-meio-médio: Neil Magny x Alex Garcia

Peso-leve: Beneil Dariush x Tony Martin

Peso-galo: Aaron Phillips x Matt Hobar

Peso-meio-médio: Ben Saunders x Chris Heatherly

Peso-mosca: Wilson Reis x Joby Sanchez

O UFC Fight Night: Henderson vs Dos Anjos começa às 20h30min. O canal Combat transmite os dois eventos ao vivo.

 

Eddie Alvarez fecha com o UFC

20 agosto, 2014 às 14:46  |  por Gustavo Kipper

O campeão dos pesos leves do Bellator, o americano Eddie Alvarez (25-3), é a nova contratação do UFC. Chega para enfrentar o cowboy Donald Cerrone (26-4-1), no co-main event do UFC 178, que traz como luta principal a disputa do cinturão dos moscas, entre o campeão Demetrius Johnson (20-2-1) e Chris Cariaso (17-5-0).

Eddie Alvarez é o nono colocado no ranking dos pesos-leves do Sherdog, e, sem dúvida, um dos mais talentosos da categoria. Suas duas batalhas contra Michael Chandler entraram na lista das melhores lutas da história e o combate contra Donald Cerrone promete um grande espetáculo. O vencedor, com certeza, entra em rota de colisão com o campeão.

Dessa vez, o Bellator não atrapalhou as negociações e liberou Alvarez incondicionalmente para assinar com o maior evento do mundo. Atualmente treinando entre os Blackzilians, na Flórida, Alvarez chega para deixar a disputa nos pesos-leves ainda mais acirrada.

Confira o ranking atual dos leves e alguns vídeos de Eddie Alvarez:

Campeão: Anthony Pettis

1) Benson Henderson

2) Gilbert Melendez

3) Khabib Nurmagumegov

4) Donald Cerrone

5) Rafael dos Anjos

6) Josh Thomsom

7) Bob Green

8) Jim Miller

9) Miles Jury

10) Michael Johson

11) Edson Barboza

12) Rustam Khabilov

13) Jorge Masvidal

14) Ross Pearson

15) Gray Mainard

 

 

 

Arena Combat traz lutas entre duplas

18 agosto, 2014 às 14:17  |  por Gustavo Kipper

O sucesso do extinto Pride F.C e do UFC não são mais novidade. Após décadas de construção de um esporte, de eventos e de atletas, agora surgem novas e estranhas modalidades, espelhadas nas misturas de arte marciais. O Arena Combat é um exemplo e seus vídeos estão espalhados pela internet.

Parece que a dinâmica do octógono está sendo abandonada por esses eventos malucos, normalmente criados na Rússia, e que se parecem mais com simulações reais de brigas de rua, em um cenário que de nada lembra o famoso octógono.  Os duelos agora são entre duplas e até mesmo entre times. Embora tenha regras definidas e juízes, o evento é talvez mais violento do que o UFC, mas pra quem gosta de ação e pancadaria é um prato cheio.

Veja alguns vídeos da nova modalidade criada na Rússia:

 

 

 

 

Vexame no evento promocional do UFC 178

6 agosto, 2014 às 10:09  |  por Gustavo Kipper

A suposta briga entre o campeão dos meio-pesados, Jon Jones, e o próximo desafiante ao cinturão, Daniel Cormier, em um evento promocional, no MGM Grand, tem ocupado a maioria dos noticiários sobre MMA.

Isso significa a máxima falta do que falar. Em um mundo cada dia mais monótono, ávido por notícias novas, a briga preencheu o vazio deixado por algumas semanas sem nenhum evento do UFC.

Ultimamente tem sido isso. Muitos lutadores que deveriam estar de boca fechada, treinando para seus próximos combates, encontram tempo para desabafos e provocação nas redes sociais, expondo a monotonia aparente do período de preparação. Promover os eventos fica mais fácil quando há rivalidade ou confusões entre os atletas. Em seu primeiro dia de férias, Dana White, que não estava presente, comentou usando certa dose de ironia. Embora se posicione discretamente contra as confusões, sabemos que deve estar rindo por dentro. Vai faturar mais. Ambos os lutadores também vão ganhar mais, embora não se deva duvidar da animosidade evidente, desde que Cormier migrou de categoria para caçar Jones.

As confusões estão começando a se tornar frequentes. Tratando-se de atletas profissionais, que ganham um belo dinheiro para lutar, e também resolver alguma pendência se necessário, acabam por protagonizar momentos bizarros, como o que Wand e Sonnen nos proporcionaram no TUF Brasil 3. Pra piorar, acabaram não lutando, aumentando a frustração. Espero que nem Jones nem Cormier se machuquem para não melar o evento. Caso contrário, o UFC vai acabar perdendo a pouca credibilidade que ainda tem a respeito dos confrontos acontecerem, como no contrato e na promoção.

Não bastassem as contusões que amedrontam lutadores e fãs, os caras ainda se dão ao luxo de brigar no chão, sem luvas e com supercílio com pontos, no meio de cabos e gente se socando. Chega a ser inacreditável, ou podemos começar a desconfiar desses vexames tão comuns em época de tédio e mesmice. De qualquer forma, os dois são lutadores extremamente competitivos e a luta tem tudo para ser um espetáculo. Estão inflamados pelos recentes acontecimentos. Não espero nada menos do que uma batalha com sangue e suor.

Veja o vídeo da confusão:

Especialista x completo

31 julho, 2014 às 15:43  |  por Gustavo Kipper

A história do vale-tudo se definia nos desafios entre academias e atletas para mostrar que a sua arte era a melhor, a mais eficiente, a mais completa.

A família Gracie representa o jiu-jitsu há quase cem anos. Hélio, Rickson e Royce são exemplos de atletas que defendiam um ponto: que o jiu-jitsu, quando usado da forma correta, é imbatível. Realmente isso fazia sentido, principalmente em confrontos com regras limitadas e até mesmo em brigas de rua. Mas, na medida em que outros atletas de outras modalidades começaram a aprender algumas técnicas de chão, as coisas começaram a mudar.

O lutador especialista sempre vai oferecer muito perigo. Pode ser a diferença entre ser campeão ou não. A grande maioria dos lutadores de MMA é especialista em alguma arte. Varia muito da cultura de seu país. Logo, ao ingressarem na carreira profissional, passam a praticar outras modalidades para completar seus treinamentos. Muitos campeões do UFC são especialistas em wrestling. Vieram da luta olímpica e foram lapidados com outras lutas para ficarem completos. Os russos normalmente representam o sambo. Os brasileiros gostam do jiu-jitsu.

Mas uma nova geração de atletas está invadindo os eventos: os especialistas em MMA. O exemplo mais notório pode ser aplicado ao americano TJ Dillashaw, campeão dos pesos-galos. Em sua luta contra Renan Barão foi um atleta completo, rápido e com a trocação impecável. Fruto de um trabalho em que, desde cedo, buscou desenvolver as artes marciais de forma misturada, aplicada e desenvolvida para um esporte, para suas regras e sua dinâmica.

Muitos lutadores de MMA, que nasceram após as primeiras edições com Royce, hoje treinam MMA. Parecem que vêm com outro chip de fábrica. O chip do MMA. Não wrestlers ou boxers que migraram para o esporte na busca de dinheiro. Lutadores que cresceram vendo seus ídolos dentro do octógono e agora os mimetizam. Imagine quantos fãs de Jon Jones e Anderson Silva hoje não buscam as academias em busca do mesmo sonho. Mas agora com as ferramentas corretas desde a formação.

É possível aprender todas as artes marciais de uma só vez. Aprender MMA desde a raiz, agregando outras modalidades para deixar o esporte cada vez mais competitivo.

O retorno de Anderson Silva

30 julho, 2014 às 15:10  |  por Gustavo Kipper

Após a lesão que chocou o mundo e colocou em risco a carreira do ex-campeão dos pesos-médios do UFC, Anderson Silva retorna ao octógono dia 31 de janeiro, em Las Vegas, em uma superluta contra o americano Nick Diaz.

Posso afirmar que o combate é interessante por vários motivos: o primeiro é o fato de ambos estarem parados há mais de um ano. Nick Diaz, famoso por seu comportamento e fama de bad boy, estava aposentado do octógono desde a derrota para Georges St Pierre, em março de 2013, no UFC 158. Outro motivo é o estilo de Diaz, que prefere a trocação e o jiu-jitsu. Acredito que Anderson esteja farto de enfrentar wrestlers chatos. A ideia de passar uma luta defendendo quedas é frustrante. Contra Nick Diaz, o boxe e o show poderão dar o tom da luta.

Apesar de Anderson ser maior e mais pesado, a luta nos 84 kg deixa a situação mais justa. Acostumado com lutas nos 77 kg, Diaz não sofrerá para perder peso. O estilo marrento de andar pra frente, usando seu boxe e envergadura, pode facilitar as coisas para o Spider. Anderson, mesmo maior, é muito rápido e também gosta de boxear. Com dois pugilistas natos, não há como esperar uma luta monótona.

Ainda que esteja receoso em chutar com a perna esquerda, o brasileiro não precisa se preocupar. Seu boxe e ótimo jiu-jitsu podem ser equiparados com o de Nick, que também é habilidoso e treinado por Cesar Gracie. Logo, não esperem uma luta fácil. Nick Diaz tem queixo duro e é difícil de ser nocauteado. Mas a genialidade de Anderson vai fazer a diferença. Conhecendo o personagem, chutará com a perna esquerda sem dó.

Do ponto de vista do entretenimento, o UFC foi extremante competente em casar essa luta. Sem dúvida nenhuma são dois astros que sabem vender. Inclusive, seria interessante se Nick já começasse a fazer o que melhor sabe: tirar seus adversários do sério com provocações e trash talking. Mas, ao contrário de Sonnen, que é um comediante, Nick costuma levar os desafios para o lado pessoal, deixando a luta ainda mais apimentada.

Esse é daquelas lutas imperdíveis. Embora nenhum cinturão esteja em jogo, são duas marcas colidindo. São essas as lutas que todos querem ver. Lutas com apelo. Lutas com emoção. Batalhas entre trocadores é sempre animador. Pelo menos estaremos livres das lutas amarradas de grapplers que ficam na grade a luta toda.

A hora de parar

28 julho, 2014 às 15:07  |  por Gustavo Kipper

A derrota de Antônio Rogério “Minotouro” Nogueira para Anthony Johnson, no último sábado (26), levantou mais uma vez a questão que aflige a maioria dos atletas profissionais: qual a hora de parar de competir?

Paulo Roberto Falcão disse uma vez que o jogador de futebol morre duas vezes. A primeira, quando para de jogar. Assim deve ser com a maioria dos atletas. Por menor que tenha sido seu sucesso, enfrentam com dificuldades o momento, muitas vezes acompanhado por certa depressão. Outros se reinventam, vão dar aulas, tornam-se comentaristas ou apenas seguem suas vidas.

No final de uma carreira vitoriosa, o atleta ainda fatura uma boa grana, mesmo não estando mais em sua melhor forma. Mas, no MMA, o lutador expõe drasticamente sua saúde, acreditando que ainda pode vencer. No caso de Minotouro, parado há mais de um ano, o nocaute deve fazê-lo repensar seus próximos combates, tentando preservar o máximo sua saúde. Ainda pode fazer boas lutas, mas contra atletas no mesmo nível de competição.

Não há dúvidas que lutas contra os tops da divisão estão completamente fora de cogitação. Rodrigo Minotauro, Rogério Minotouro, Wanderlei Silva e outras lendas do Pride F.C, a partir de agora, devem escolher lutas com outro apelo que não seja o cinturão. Lutas com outras lendas ou com atletas de mesma faixa etária e história no esporte devem ser cogitadas. Contudo, combates contra atletas da nova geração trarão derrotas amargas. É preciso conhecer os limites para o corpo não pagar no futuro.

O planejamento da carreira passa também por saber como sair de cena. Como realizar combates em bom nível, contra adversários a altura. Poucos conseguem chegar perto dos quarenta anos em nível de campeão. Anderson Silva conseguiu, mas sabe que agora é melhor fazer shows do que batalhas. As lendas brasileiras não precisam provar nada a ninguém. Merecem se despedir de sua vida de combates. Mas, definitivamente, a hora de mudar de atividade está perto. Uma nova geração vem por aí. Em breve serão seus filhos que estarão lá.

UFC on FOX 12

25 julho, 2014 às 22:26  |  por Gustavo Kipper

Acontece neste sábado (26), em San José, na Califórnia (EUA), mais uma edição do UFC on FOX. Destaque para a volta do brasileiro Antonio Rogério “Minotouro” Nogueira, que não luta desde a vitória contra Rashad Evans, no UFC 156, em fevereiro de 2013. A longa espera e muitas contusões fizeram muitos acreditarem que sua aposentadoria havia chegado, mas ele pode provar que ainda tem lenha para queimar.

Seu adversário é o perigoso Anthony Johnson. Agora lutando nos meio-pesados, parece ter fugido dos problemas com a balança e não precisará perder muito peso. Será uma luta difícil para Minotouro, mas seu boxe afiado e sua defesa de quedas podem lhe dar uma vitória por pontos.

A luta principal pode credenciar o vencedor a um title shot. Lawler, que já foi derrotado por Hendrics, pode conseguir outra chance se vencer Matt Brown. Brown vem de boas vitórias, inclusive derrotando o brasileiro Érick Silva. Mas a força e a trocação de Lawler lhe dão pequena vantagem. Matt Brown terá mais sucesso se tentar levar a luta para o solo.

CARD PRINCIPAL

Robbie Lawler vs. Matt Brown

Anthony Johnson vs. Antonio Rogerio Nogueira

Clay Guida vs. Dennis Bermudez

Josh Thomson vs. Bobby Green

CARD PRELIMINAR

Jorge Masvidal vs. Daron Cruickshank

Kyle Kingsbury vs. Patrick Cummins

Hernani Perpetuo vs. Tim Means

Michael De La Torre vs. Brian Ortega

Akbarh Arreola vs. Tiago dos Santos

Steven Siler vs. Noad Lahat

Andreas Stahl vs. Gilbert Durinho

Juliana Lima vs. Joanna Jedrzejczyk

Road to octagon: