O confronto entre Vitor Belfort e Wand não vai mais acontecer este ano. O atleta carioca, líder da equipe verde do TUF Brasil, quebrou a mão nos treinos para a luta e deixou muita gente decepcionada, começando por ele mesmo, que afirmou que sua luta agora é contra a lesão. Vitor colocou a foto de sua mão quebrada em seu perfil do Twitter e alegou que a força de um de seus golpes, além de cortar seu sparring, deslocou os ossos de sua mão esquerda, tendo que ser submetido a uma cirurgia. Segundo seu médico particular, Michael Simoni, Vitor ficará de gesso por quatro semanas e em dois meses poderá iniciar novamente os treinos.
Cada personagem reagiu diferentemente à situação que inevitavelmente já deixa mais problemática a versão mais bagunçada da história do UFC. Após a lesão, Vitor teria dito que pediu ao seu médico para que o liberasse para o combate com apenas uma mão. As declarações pegaram mal e Wand respondeu com um tom bem áspero: “Com uma mão só (risos)? O senhor é um fanfarrão! Somos profissionais. É uma grande irresponsabilidade não ter se cuidado nos treinos. Um grande desrespeito com os fãs” – publicou Wand em seu Twitter.
Essa não é a primeira vez que um lutador importante se machuca perto de um evento, mas Vitor, ao longo dos últimos anos, tem sofrido lesões constantes, sendo obrigado a mudar por vezes as datas de seus combates, prejudicando os lutadores, o público, o evento e levanta mais uma polêmica sobre a intensidade dos treinos preparatórios que antecedem os desafios. Vitor disse que já lutou mesmo estando lesionado mais de uma vez na carreira. Antes de enfrentar o americano Anthony Johnson no UFC 142, no Rio de Janeiro, disse que fez cinco infiltrações no cotovelo e no ombro para poder lutar. Contra o japonês Yoshihiro Akiyama, disse ter lutado com a mão fissurada. Ou seja, ou o cara está dando mole ou mente sobre tanta superação.
Antes de subir ao octógono, o atleta passa por meses de treinamento físico e técnico, com equipe de lutadores, preparadores físicos e nutricionistas. A pesagem é também o momento crítico em que muitos atletas reduzem significativamente seu peso por processo de desidratação para chegarem ao limite de peso estabelecido – processo que debilita os atletas e muitos não conseguem alcançar a meta. Belfort deve pesar quase 100 kg nos treinos, mas chega à pesagem oficial com 84. Fácil não é. Segundo todos os lutadores, são sempre duas batalhas para cada luta.
Mas até que ponto o lutador deve por em risco sua saúde ou integridade física na preparação? Wand garante que isso não é azar e cobrou profissionalismo de Belfort: “Os melhores equipamentos, luva, gel, bandagem. Eu acho que amarelou. Ninguém treina tão duro assim ao ponto de socar tão forte. Se estava com medo, não tivesse aceitado a luta”. A declaração de Wand deixa clara sua frustração, colocando alguns ingredientes que sabemos que não existem. Ninguém quebra a mão por medo, mas sim excesso. Por outro lado, Wand tem razão. Se o soco foi tão forte capaz de quebrar ossos e machucar um companheiro em um treino, mesmo com essa quantidade de proteção, não deixa de ser falta de inteligência, negligência e irresponsabilidade. Eu não me lembro de Wand ter que abandonar uma luta por uma contusão nos treinos. Embora saibamos que essas coisas acontecem, é algo a ser pensado, pois envolve muito investimento do atleta da organização e dos fãs.
Os fãs…esses são os que mais têm se pronunciado. Mesmo que as declarações de quem só acompanha não sejam publicadas pela mídia, quem participa e lê os fóruns de discussão nas redes sociais não está nada feliz. Muitos já contestavam a qualidade do evento inicial, e com tantas mudanças, o cenário só tende a piorar. Da ideia original ao que ainda não se sabe o que será, houve uma sequência de acontecimentos negativos, possivelmente inéditos na história do UFC. O TUF Brasil foi um grande passo dado, mas gerou muita expectativa, que certamente não será cumprida e a organização vai sem dúvida ficar devendo ao povo brasileiro um evento de verdade.
O UFC ainda não se pronunciou sobre o substituto de Vitor, mas garantiu que o lutador curitibano estará no card principal no dia 23 no ginásio do Mineirinho. Os principais nomes da categoria têm datas agendadas e são lutas muito bem casadas como Hector Lombard vs Brian Stann e Michael Bisping vs Tim Boetsch. Em minha opinião o adversário mais correto seria o americano Rich Franklin, que além de já ter vencido o brasileiro, em uma luta controversa, tem luta marcada para dia 7 de julho, sendo apenas alguns dias de diferença. Mudar adversários tem sido prática comum, a exemplo do UFC 146, em que houve várias mudanças no card, mas que acabaram agradando. Rich Franklin desceu recentemente de peso, voltando para a categoria na qual já foi campeão, tendo perdido seu título para Anderson Silva. Seria uma boa revanche para Wand e um ex-campeão. Qualquer outro nome dificilmente agradará, principalmente se for um adversário brasileiro.

Mão de belfort após a lesão.