Arquivos da categoria: Anderson Silva

Resumo da semana

21 fevereiro, 2015 às 12:30  |  por Gustavo Kipper

Anderson Silva banido?

O pesadelo de Anderson Silva parece não ter fim. Mais uma vez o ex-campeão dos pesos-médios testou positivo para o exame realizado às vésperas da luta. Mais uma vez as mesmas substâncias, agora com acréscimo de benzodiazepínicos, que também apareceram no exame. O uso de remédios deve ser comunicado a Comissão Atlética de Nevada (NSAC) com o preenchimento de um formulário.

O resultado de um novo doping enterra de vez qualquer possibilidade de Anderson reverter nos tribunais a pena que lhe será imposta. Pelo contrário, o novo fato deve complicar ainda mais sua situação. O mais provável é que a Anderson seja imposta uma pena exemplar. Sempre lembrando que Wanderlei Silva foi banido por fugir de um teste surpresa. Não luta  mais em Nevada. Será que Anderson será banido?

UFC 187

Na tentativa de mudar o foco de Anderson silva para os próximos eventos, o UFC foi rápido e anunciou um card absurdo para dia 23 de maio, no UFC 187. Duas disputas de cinturão e duas lutas pra lá de emocionantes. No evento principal, Jon Jones defende o cinturão dos meio-pesados contra Anthony Johnson. Antes, outra também valendo cinturão: Chris Weidman enfrenta Vitor Belfort. A noite ainda terá Donald Cerrone vs Khabib Nurmagomedov. Possivelmente, será o melhor evento do ano.

Antonio Pezão vs Frank Mir

Sábado (22), em Porto Alegre, os dois-pesos pesados medem forças em uma luta que pode definir seu futuro no MMA. Nenhum dos dois vem tendo vitórias seguidas e o cinturão fica a cada dia mais longe para ambos.  Tornaram-se coadjuvantes dentro do evento. Quem perder, definitivamente, entra na fase final da carreira.

Mesmo com ambos em declínio, a luta promete ser emocionante, justamente por ser em território brasileiro, que costuma mexer com o emocional dos atletas locais. Mais dez brasileiros lutam no evento, que começa às 22h de Brasília.

Robbie Lawler vs Rory McDonald

Finalmente, o canadense Rory McDonald conseguiu um title shot. Com o doping de Hector Lombard, Rory foi prestigiado e enfrenta o campeão dos meio-médios, Robbie Lawler, dia 11 de julho. No mesmo card, outra disputa de cinturão, entre José Aldo e Conor McGregor. Outro card monstruoso para 2015. Imperdível.

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Notícias da semana

12 fevereiro, 2015 às 12:28  |  por Gustavo Kipper

Anderson Silva

Mais uma vez o brasileiro foi pego no exame antidoping, realizado logo após a luta do UFC 183. Com o novo resultado positivo para substâncias proibidas, Anderson Silva vê distante a possibilidade de provar sua inocência. Mais que isso, além do gancho de até dois anos, quase um milhão de dólares serão retidos. A alegria durou muito pouco. Vamos ver até onde vai a superação.

Rashad Evans fora por seis meses

O ex-campeão dos meio pesados Rashad Evans mais uma vez teve seu combate cancelado. Escalado para enfrentar Glover Teixeira, também lesionado, optou por realizar mais um procedimento cirúrgico para corrigir a mesma lesão que o impediu de enfrentar Daniel Cormier. Mesmo ainda bem ranqueado, vai ser difícil Rashad recuperar o cinturão.

Daniel Cormier está de volta

Após a derrota para Jon Jones, Daniel Cormier volta à ação dia 6 de junho, contra Ryan Bader, que vem de vitória surpreendente contra Phil Davis. É o primeiro passo para a agora sonhada revanche contra o campeão. Com a derrota de Alexander Gustaffson para Anthony Johnson, Cormier é o terceiro melhor ranqueado. Sua determinação com certeza o colocará novamente frente a frente com Jon Jones.

Ronaldo Jacaré

Recuperado da pneumonia que o retirou de combate, Ronaldo Jacaré enfrenta Yoel Romero, dia 18 de abril. Um dos melhores pesos-médios da atualidade, Jacaré caminha a passos largos rumo ao seu primeiro title shot no UFC. Com o novo doping de Anderson Silva e a luta de Lyoto e Rockhold agendada, se vencer, Ronaldo Jacaré pode ser o próximo a disputar o cinturão, contra o vencedor de Weidman vs Belfort. Acredito que Jacaré tem totais condições de vencer qualquer um de sua categoria.

Hector Lombard

Não foi só Anderson Silva que ocupou as notícias sobre doping essa semana. O cubano Hector Lombard, que vinha em uma excelente fase nos meio-médios, testou positivo para esteroides anabolizantes e seu futuro na organização está ameaçado. Com luta marcada contra Rory Mcdonald, sua situação ainda é indefinida. Como disse Joe Rogan esta semana, o MMA vive uma epidemia de doping.

Vitor Belfort

A nova data para a disputa do cinturão dos médios será 23 de maio. O feriado em homenagem aos veteranos de guerra americanos é a data escolhida para finalmente conhecermos quem é o melhor da divisão. A impressionante sequencia de lesões de Weidman possibilitou uma disputa do cinturão interino, rejeitada por Belfort, que não aceitou enfrentar Lyoto. A decisão foi polêmica, mas Belfort segue na disputa, treinando firme.

Uma sombra eterna

7 fevereiro, 2015 às 10:31  |  por Gustavo Kipper

O suposto doping de Anderson Silva levantou uma onda de questionamentos em busca do que poderá acontecer, caso o exame de contraprova confirme o uso de substâncias ilegais pelo ex- campeão dos médios do UFC.

De cara, a primeira derrota: falhou a primeira tentativa de Anderson na busca de provar sua inocência. Seus advogados não conseguiram emplacar o pedido de que o exame fosse realizado em outro laboratório. A Comissão Atlética de Nevada (NSAC) recusou o pedido e convidou a equipe do brasileiro a estar presente ao exame para constatar que as amostras não foram contaminadas.

A outra derrota está por vir. A NSAC, ainda por cima, pretende barrar o brasileiro na próxima edição do The Ultimate Fighter. Pelo fato de o programa ser gravado em Las Vegas, a comissão tem esse poder e possivelmente o exercerá. Nesse caso, a edição perde prestígio com a saída de Anderson. Um novo treinador deve ser anunciado. De preferência algum nome disposto a enfrentar Maurício Shogun, que esperava ter uma edição tranquila.

Os patrocínios também estão na mira. Suas quatro principais apoiadoras se manifestaram em favor do brasileiro e, assim como o UFC, vão esperar a continuidade do processo para tocar decisões mais drásticas. A verdade é que, se confirmado, o doping vai arrancar muito dinheiro de Anderson, que vai perder patrocínios milionários como da Budweiser e da Nike.

A parte mais pesada, quem sabe a mais triste, talvez seja o fato de que sua carreira possa ter sido uma farsa, a exemplo das de tantos outros atletas vencedores, como Lance Armstrong, que assumiram trapacear, usando anabolizantes, para vencer em seus esportes. Se Anderson usou drogas potencializadoras de desempenho ao longo de sua carreira, o fez muito bem feito. Nunca havia sido flagrado em toda a sua carreira, além de ser um dos maiores críticos da prática.

O mais provável é que tenha agora apelado ao artifício para fugir de medos internos e insegurança que a terrível lesão lhe causou. Nos tribunais e com a ciência, poderá provar sua inocência. Apoio do UFC ele tem. Se for inocente, muita gente vai dever desculpas eternas à lenda. Se for culpado, Anderson Silva deverá desculpas a muita gente e sua condição de lenda poderá ser apagada.

Acho quase impossível Anderson Silva provar sua inocência, que acaba passando por teorias conspiratórias, tendo em vista que há muita grana e fama envolvidas. No caso de culpa, Spider ganhará um gancho de nove meses sem poder lutar.

O mais provável, com a perda dos patrocínios e 39 anos, é que se aposente. Mas por ter lutas ainda em contrato, poderá usar o fato como combustível e ainda fazer bons combates. A essa altura do campeonato, Anderson Silva e o MMA não precisavam disso. O esporte e o UFC perdem credibilidade a cada ano. Está ficando chato.

Sangue, suor e doping

4 fevereiro, 2015 às 14:42  |  por Gustavo Kipper

Durou pouco a alegria de Anderson Silva e seus fãs ao redor do mundo.

Logo após o anúncio do doping, muita gente se manifestou nas redes sociais, demonstrando indignação e frustração pelo ocorrido. Outros preferiram as piadinhas para se expressar. A verdade é que o fato pode manchar a carreira do maior lutador brasileiro de todos os tempos.

Alegando inocência, Anderson afirma não entender como isso aconteceu. Mas, para quem é do ramo, acredita-se que o Spider possa ter usado substâncias ilegais durante os treinos, que demoraram mais do que o esperado para sair do sangue. Nick Diaz, por sua vez, caiu mais uma vez por uso de maconha.

Convenhamos, embora a maconha seja proibida no UFC, Nick Diaz possui licença médica, todo o mundo todo sabe que ele é usuário, além é claro da melhora no desempenho, que não existe. Já a substância encontrada no sangue de Anderson Silva é famosa entre halterofilistas e atletas que utilizam anabolizantes. Usada exclusivamente para melhorar o desempenho.

Anderson Silva, como todo atleta, terá amplo direito à defesa. Porém, esse tipo de substância não é como jogar um pó na sua bebida, ou fácil de ser usada como sabotagem. A chance de Anderson Silva realmente ter seguido alguma orientação errada é enorme. Seu médico Márcio Tannure e seu preparador físico Rogério Camões são os suspeitos.

A verdade é que, com 39 anos, depois de uma grave lesão e o lado psicológico abalado, Anderson Silva apelou para uma substância que poderia acelerar seu retorno, auxiliando com a melhora do desempenho nos treinos. Um ciclo errado e a casa caiu.

Atrás disso tudo está o espectador. Muitos pagam TV por assinatura, muitos vão a bares assistir aos combates, que normalmente passam de madrugada. Será que nesse ritmo o público vai continuar animado para assistir ao UFC? Creio que, com tantas lesões, dopings e fiascos, a tendência é que os lutadores percam cada vez mais credibilidade, levando junto o MMA e o UFC.

Fim de semana agitado

2 fevereiro, 2015 às 11:02  |  por Gustavo Kipper

Anderson Silva

Para sua volta triunfal, Anderson Silva não poderia ter escolhido um adversário melhor. O motivo de a escolha ter sido acertada foi revelado logo no primeiro round. Acostumado a entrar na mente de seus adversários, Anderson se viu em uma situação até certo ponto desconfortável.

Nick Diaz conseguiu emular todas as suas famosas provocações e ainda deitou no chão literalmente. Anderson não comprou a ideia e continuou sério e concentrado, como tem de ser. Nick Diaz mostrou que pode enfrentar qualquer atleta dos pesos-médios. Os dois, apesar de alguns momentos de marasmo, fizeram uma boa luta. Mas que isso, Anderson mostrou que ainda está no jogo, recuperado.

Vitor Befort

Novamente Chris Weidman se lesionou e a disputa pelo cinturão dos médios foi adiada. Segundo Dana White, Vitor ligou para ele logo após a notícia e disse que queria lutar. Pediu a Dana que lhe arrumasse um adversário. Imediatamente White teria procurado Lyoto Machida, que aceitou de imediato.

Quando soube que o adversário era Lyoto, Belfort disse que não lutaria pelo título interino. Alegou também que não havia treinado para um adversário canhoto. Tire suas próprias conclusões.

UFC 183

O UFC 183, disputado em Las vegas, no último sábado (31), foi quase uma edição brasileira, feito para brasileiros. Tomando conta das arquibancadas, a torcida brasileira pôde comemorar as vitórias de Thiago de Lima, Ildemar Alcântara, Rafael Sapo, John Lineker, Thiago Alves, Thales Leites e Anderson Silva. Foi uma edição festiva para a volta da maior estrela da organização. Outra dessas pode demorar!

Anderson Silva é tudo isso mesmo?

29 janeiro, 2015 às 09:23  |  por Gustavo Kipper

O maior ídolo brasileiro no MMA enfrenta neste sábado (31) o americano Nick Diaz, em busca da redenção, após a terrível fratura que sofreu em 2013.

Anderson Silva está de volta. Naquela noite fatídica muitos, inclusive ele próprio, acreditaram que ele nunca mais lutaria. Agora, recuperado, enfrenta mais um desafio pessoal. O de superar, mais do que a dúvida de muitos, seu medo interior, após passar momentos de terror.

Para chegar até aqui, Anderson percorreu um longo caminho, muitos eventos, países e adversários. No início da carreira, fez nove lutas em eventos nacionais antes da primeira oportunidade no Japão. Foram oito vitórias e uma derrota para Luiz Azeredo por decisão unânime.

Em sua primeira passagem pelo PRIDE F.C., Anderson fez quatro lutas em um ano, vencendo três de seus quatro combates. A vitória mais impressionante foi contra Carlos Newton, com uma joelhada que ficou famosa. Mas a derrota emblemática para Rio Chonan afastou o Spider da luta pelo título.

Anderson Silva conseguiu se firmar no Cage Rage, um evento britânico, onde foi campeão dos pesos-médios, chamando a atenção do UFC por sua técnica refinada. Mesmo com a desclassificação contra Okami por um chute irregular, ele defendeu o cinturão mais uma vez e deixou o evento como campeão.

Em sua luta de estreia no UFC, um evento sem seu público para testá-lo. Cris Leben foi o escolhido e o show começou. A partir dali foram 16 vitórias consecutivas até a primeira derrota para Chris Weidman. O maior reinado da divisão dos médios, o maior número de nocautes da história do UFC, o recorde de defesas e vitórias consecutivas e o maior reinado como campeão. Sete anos.

Muitos afirmam que, no UFC, com a notoriedade que ganhou, evitou muitos confrontos, principalmente contra brasileiros. O único amigo que comprou a briga foi Vitor Belfort, que encerrou a amizade para poder disputar o título. A postura de Anderson de que atletas que já treinaram juntos não devem lutar causou muitos desconfortos ao longo de seu reinado.

Anderson defendeu seu cinturão por longos anos, mas nem sempre enfrentou atletas com nível suficiente para disputarem o título. Vejamos alguns combates que não ofereceram riscos para ele: Nate Marquardt, Travis Lutter, James Irvin, Patrick Côte, Thales Leites, Demian Maia e Yushin Okami.

Apenas os combates contra Dan Henderson, Chael Sonnen e Vitor Belfort eram risco iminente. Embora tenha vencido todos de forma majestosa, três adversários reais em sete anos é muito pouco. Porém, sete anos é muito. Tempo suficiente para chegar uma nova geração, que trouxe atletas como Chris Weidman e Jon Jones.

Anderson soube surfar a onda da vitória por muito tempo. Protegendo-se ou não, mostrou que dentro do octógono é letal. Mas sua postura muitas vezes o coloca em risco, parecendo tirar todo seu potencial. Como seria se lutasse de forma mais séria?

Essa dúvida seria respondida na fatídica noite. Mas misturou seriedade com raiva e foi punido. Agora terá mais uma chance de mostrar seu talento. Felizmente contra um atleta que gosta de trocação. Então não terá que passar a luta evitando quedas. Vai poder dar seu show, tendo em vista que Nick também gosta de provocar nos combates. Será uma guerra mental.

Vencer Nick Diaz significa dizer que ainda está no jogo. Mesmo que sua postura de não querer enfrentar brasileiros ainda vigore, sabermos que ele ainda pode dar grandes espetáculos, é fenomenal diante de tudo que passou. Caso perca, realmente a idade pode estar chegando. Aí é hora de repensar a carreira. Como uma grande marca, precisará disso.

Se Anderson Silva foi ou é tudo isso, não vai mudar com o resultado de sábado. O que ele conquistou já é dele. A questão agora é a mesma que assombra a maioria dos ídolos em fim de carreira. A dúvida de que ainda pode ser o cara.

Notícias da semana

14 janeiro, 2015 às 15:38  |  por Gustavo Kipper

#1 Anderson Silva parece estar com motivação total para o duelo contra Nick Diaz. Apagou um de seus sparrings no treino dessa semana. O vídeo que foi ao ar dividiu a opinião de alguns atletas. Mas a motivação estava lá. Seria a notícia de que vai furar a fila e enfrentar o vencedor entre Weidman x Belfort o motivo de tanta motivação? Quem não deve estar feliz é Ronaldo Jacaré, que também quer a chance. Essa semana Anderson afirmou que não luta mais contra brasileiros. Se Vitor vencer, será que Anderson vai desafiar?

Tire suas próprias conclusões:

http://youtu.be/9RpPIx8MFxo

O cubano #5 Hector Lombard já percebeu que no MMA falar a vontade muitas vezes premia com grandes lutas. Após sua última vitória, Hector desafiou novamente o canadense #2 Rory McDonald e foi atendido. Com Lawler tendo pedido tempo para descanso, e o agendamento da luta entre Johnny Hendricks x Matt Brown, 14 de março, no UFC 185, o duelo possivelmente decidirá o próximo desafiante ao cinturão dos meio- médios, caso Hendricks não vença. McDonald x Lombard acontecerá no dia 25 de abril, no Canadá, pelo UFC 186.

#3 Lyoto Machida já tem novo adversário. Após ser derrotado pelo campeão Chris Weidman, Lyoto busca a redenção e enfrenta agora #5 Luke Rockhold, que vem de três vitórias consecutivas. Os dois se enfrentam no UFC on Fox, em Nova Jérsey, dia 18 de abril.

Muita gente ainda não digeriu o suposto uso de cocaína por Jon Jones. Mais que isso, muitos atletas se manifestaram revoltados coma postura do UFC, que normalmente manda embora usuários de maconha, mas passou a mão na cabeça de Jones, que usa cocaína. Mesmo que não possa ser punido por estar inativo, Jon Jones cometeu um grave deslize. Não creio que tirar seu cinturão seja o caso, mas repensar como tratar o assunto maconha, especialmente em estados que o consumo é legalizado, deveria entrar em pauta. Substancias que não aumentam o desempenho não deveriam ser consideradas doping. Os irmãos Diaz agradecem.

 

 

Anderson Silva e Maurício Shogun: os novos treinadores do TUF Brasil 4

30 outubro, 2014 às 11:13  |  por Gustavo Kipper

Acabou o mistério. Anderson Silva e Maurício Shogun serão os novos treinadores do The Ultimate Fighter Brasil 4. Essa edição traz alterações importantes: a primeira é a mudança do local de gravações para Las Vegas, excluindo São Paulo ou qualquer cidade brasileira da jogada. Creio que a dificuldade de locomoção e a estrutura que o UFC já criou em Nevada (Estados Unidos) fazem diferença na logística. Agora será mais difícil para os treinadores chegarem atrasados alegando problemas com o trânsito.

A segunda mudança é o fato de os treinadores das duas equipes não se enfrentarem nas finais do programa. Anderson Silva e Maurício Shogun lutarão contra adversários diferentes na mesma noite. Bom para o espetáculo, que ganha duas lutas ótimas para o público, ruim para quem gostaria de ver os dois ex-companheiros de treino se enfrentando.

Realmente, do ponto de vista competitivo, essa luta não seria boa para nenhum dos dois, tendo em vista que buscam o título de categorias de peso diferentes. Uma vitória não mexeria no ranking de nenhuma divisão, nem deixaria nenhum dos dois mais próximos a um title shot. Outro e talvez importante fator talvez seja que ex-companheiros de treinos da equipe Chute Boxe dificilmente se enfrentam. Ainda mais esses dois, que já conquistaram uma legião de fãs.

Mas, por que então que o UFC não escolheu dois atletas que pudessem lutar nas finais do programa? Se analisarmos o atual momento do MMA nacional, poderemos perceber que vivemos uma entressafra de atletas vitoriosos. Ainda vivemos à custa das lendas do Pride ou dos atletas da Nova União. As novas promessas ainda não deslancharam e os melhores brasileiros ranqueados estão com lutas marcadas e quase não competem entre si. Os únicos que sobraram com real apelo do público foram Anderson Silva e Shogun, que enfrenta Ovince St. Preux, em Uberlândia, no sábado (08).

Júnior Cigano e Fabrício Werdum um dia podem ser os treinadores de uma edição. Mas o momento atual não permite o confronto. Werdum tem title shot interino agendado contra Mark Hunt. Cigano enfrenta Miocic em busca da redenção. Nos meio-pesados, Glover sofreu a segunda derrota. Não tem apelo popular suficiente, além de ser praticamente nosso único representante da categoria perto do top 5. Caso contrário, um duelo com Shogun seria possível.

No peso-médio, Lyoto Machida seria um grande nome. Poderia enfrentar Ronaldo Jacaré ou até mesmo Vitor Belfort, duelo já cogitado anteriormente. Mas não neste momento. Quem sabe ano que vem, em caso de derrota de Vitor para Chris Weidman. Uma edição com Anderson Silva e Vitor Belfort seria fantástica. Mas Anderson tem luta agendada contra Nick Diaz e antes precisa provar que está recuperado da lesão na perna esquerda. Treinadores abaixo do peso- médio parecem não interessar ao UFC, até porque estamos carentes de atletas até 77 kg e 70 kg.

Enfim, a escolha de Anderson e Shogun, em termos de audiência e espetáculo, sem dúvida foi acertada. Talvez a rivalidade excessiva de Wanderlei Silva e Chael Sonnen tenha aberto uma nova proposta: sem stress desta vez. Os dois brasileiros se respeitam muito e dificilmente haverá atritos. Terá tudo para ser uma grande edição que revele grandes talentos, objetivo principal do programa. Cada um tem uma equipe poderosa para formação e treinamento dos atletas, que, com a estrutura já existente em Las Vegas, terão de tudo para ser o próximo The Ultimate Fighter Brasil.

Spider por mais 15 lutas

28 outubro, 2014 às 13:52  |  por Gustavo Kipper

O anúncio de que Anderson Silva teria “rasgado” seu contrato antigo e assinado um novo, garantindo o brasileiro por mais quinze lutas no UFC, pegou de surpresa o mundo das lutas.

Com quase 40 anos de idade e vindo de uma gravíssima lesão, Anderson tem luta marcada contra Nick Diaz, no UFC 183, dia 31 de janeiro. Mesmo que perca, não parece estar disposto a abrir mão de fazer o que mais gosta: lutar!

Se analisarmos as lutas disputadas por Anderson e as possíveis lutas dentro do UFC, vários adversários surgem como possibilidade, inclusive com algumas revanches e encontro explosivo com brasileiros.

Essa é uma lista fantasiosa de confrontos que podemos ter o prazer de ver, se o Spider lutar por mais cinco anos, fazendo três combates por ano. Se vencer todos, pode quase igualar seu recorde de 16 vitórias consecutivas.

1.      Anderson Silva vs Nick Diaz

2.      Anderson Silva vs Michael Bisping

3.      Anderson Silva vs Vitor Belfort

4.      Anderson Silva vs Chris Weidman (disputa do cinturão dos pesos-médios)

5.      Anderson Silva vs Luck Rockhold

6.      Anderson Silva vs Ronaldo Jacaré

7.      Anderson Silva vs Yoel Romero

8.      Anderson Silva vs Lyoto Machida

9.      Anderson Silva vs Gerard Mousasi

10.    Anderson Silva vs Dan Henderson

11.    Anderson Silva vs Anthony Johnson

13.    Anderson Silva vs Rashad Evans

14.    Anderson Silva vs Alexander Gustaffson

15.    Anderson Silva vs Jon Jones

Especialista x completo

31 julho, 2014 às 15:43  |  por Gustavo Kipper

A história do vale-tudo se definia nos desafios entre academias e atletas para mostrar que a sua arte era a melhor, a mais eficiente, a mais completa.

A família Gracie representa o jiu-jitsu há quase cem anos. Hélio, Rickson e Royce são exemplos de atletas que defendiam um ponto: que o jiu-jitsu, quando usado da forma correta, é imbatível. Realmente isso fazia sentido, principalmente em confrontos com regras limitadas e até mesmo em brigas de rua. Mas, na medida em que outros atletas de outras modalidades começaram a aprender algumas técnicas de chão, as coisas começaram a mudar.

O lutador especialista sempre vai oferecer muito perigo. Pode ser a diferença entre ser campeão ou não. A grande maioria dos lutadores de MMA é especialista em alguma arte. Varia muito da cultura de seu país. Logo, ao ingressarem na carreira profissional, passam a praticar outras modalidades para completar seus treinamentos. Muitos campeões do UFC são especialistas em wrestling. Vieram da luta olímpica e foram lapidados com outras lutas para ficarem completos. Os russos normalmente representam o sambo. Os brasileiros gostam do jiu-jitsu.

Mas uma nova geração de atletas está invadindo os eventos: os especialistas em MMA. O exemplo mais notório pode ser aplicado ao americano TJ Dillashaw, campeão dos pesos-galos. Em sua luta contra Renan Barão foi um atleta completo, rápido e com a trocação impecável. Fruto de um trabalho em que, desde cedo, buscou desenvolver as artes marciais de forma misturada, aplicada e desenvolvida para um esporte, para suas regras e sua dinâmica.

Muitos lutadores de MMA, que nasceram após as primeiras edições com Royce, hoje treinam MMA. Parecem que vêm com outro chip de fábrica. O chip do MMA. Não wrestlers ou boxers que migraram para o esporte na busca de dinheiro. Lutadores que cresceram vendo seus ídolos dentro do octógono e agora os mimetizam. Imagine quantos fãs de Jon Jones e Anderson Silva hoje não buscam as academias em busca do mesmo sonho. Mas agora com as ferramentas corretas desde a formação.

É possível aprender todas as artes marciais de uma só vez. Aprender MMA desde a raiz, agregando outras modalidades para deixar o esporte cada vez mais competitivo.