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Em rota de colisão

11 novembro, 2013 às 18:57  |  por Gustavo Kipper

Quando Vitor Belfort desafiou Anderson Silva, em 2011, gerou uma polêmica que resiste até hoje. Amigos ou parceiros de treinos devem se enfrentar? Hoje, principalmente após a chocante derrota de Anderson para Chris Weidman, todos parecem querer o cinturão dos médios. Lyoto Machida desceu de peso, Ronaldo Jacaré migrou para o UFC e acumula vitórias – além de Vitor, que, sem dúvida, está no seu auge físico e mental. Com a revanche entre Anderson e Weidman marcada para dezembro, Vitor ficará esperando no camarote por mais uma disputa por cinturão.

O que deixa essa futura disputa emocionante, mesmo sem conhecermos o adversário, é o fato de Vitor Belfort não ser o mesmo lutador que levou aquele golpe. Aquele, que por fim, foi parar no clipe milionário de abertura do UFC que, aliás, poderia ser substituído por qualquer um dos três últimos nocautes aplicados pelo fenômeno. Todos com chutes potentes e arrasadores. Esse Vitor de sábado passado é, como disse Chael Sonnen, assustador. Hoje é um lutador completo. Sem os fantasmas das tragédias da vida, sua mente talvez seja seu trunfo. Confiança sobrando e sangue nos olhos.

Assim como o de Anderson, o caminho de Vitor Belfort será de grandes lutas. Está indo pra reta final de sua carreira e experimenta pela primeira vez a regularidade. Mesmo com boatos de que Anderson Silva vai abandonar o cinturão se vencer Weidman, com Vitor na mira, a primeira superluta de tantas que quer disputar está a caminho. Dana White pretende fazer essa luta em um estádio de futebol, tamanha será a audiência de um confronto como esse.

Eu particularmente gostaria muito de ver. Acho que Vitor Belfort é hoje muito melhor do que há dois anos. Já Anderson precisa vencer pra provar que ainda está no topo da cadeia. Com tantos lutadores de ponta na mesma categoria, é fácil prever colisões históricas em 2013 e 2014. Em ano de Copa do Mundo, o MMA promete dar um salto na dimensão de suas ambições. Só nos resta torcer pra nenhuma lesão atrapalhar o espetáculo.
Ranking Sherdog dos médios

  1. Chris Weiman (10-0)
  2. Anderson Silva (33-5)
  3. Vitor Belfort (24-10)
  4. Ronaldo Souza (10-3-1)
  5. Yushin Okami (29-8)
  6. Michael Bisping (24-5)
  7. Lyoto Machida (20-4)
  8. Mark Muñoz (13-4)
  9. Luke Rockhold (10-2)
  10. Named Khalidov (27-4-2)

(Vitórias- derrotas- sem resultado)

http://youtu.be/-4JxdmfUn5U

 

Renan Barão, Jon Jones, T.U.F e Anderson Silva.

25 setembro, 2013 às 15:34  |  por Gustavo Kipper

Renan Barão é o verdadeiro campeão.

O brasileiro do Rio Grande do Norte só conheceu o gosto da derrota em sua estreia, em 2005. Depois disso foram 31 vitórias consecutivas, sendo seis no UFC – duas delas defendendo o cinturão interino do peso-galo. Já o campeão Dominick Cruz não sabe o que é lutar há quase dois anos e vem sendo protegido pela organização, que insiste em manter o quase ex- atleta com o título. Com seguidas lesões no joelho, é impossível prever como Cruz irá se comportar após tanto tempo de inatividade. Então fica claro que Renan Barão é o verdadeiro campeão. Espero ver esse duelo em breve para botar um fim nessa história.

Jon Jones venceu Alexander Gustafsson

Sem dúvida foi uma das maiores lutas da história do UFC. O duelo de gigantes foi equilibrado e muito técnico. Pela primeira vez vimos o campeão sangrar, sair amassado. Mas, tanto pelo número de golpes significativos quanto pelo que mostrou, Jon Jones venceu Alexander Gustafsson. Entendo perfeitamente e respeito aqueles que enxergaram outro resultado. A questão agora é se o sueco merece uma revanche, mesmo tendo perdido, ou se o UFC cumpre o que prometeu e dá o title shot para Glover Teixeira. Do ponto de vista do negócio, uma segunda luta teria muito mais apelo, mas pela ordem natural das coisas, agora seria a vez de Glover.

The Ultimate Fighter EUA

A edição do The Ultimate Fighter Ronda Rousey vs Miesha Tate chega esta noite ao seu terceiro episódio nas telas americanas. Essa talvez seja a edição com maior apelo, embora já tenhamos visto rivalidades pesadas. Rousey vs Tate promete chegar ao extremo. Perdendo por 2×0, a campeã Ronda Rousey está mostrando um lado que muita gente não conhecia. Bullying, raiva e um pouco de imaturidade fazem com que Miesha Tate fique mais carismática e inevitavelmente você acaba torcendo para seu time, independentemente de quem esteja lutando. É a primeira vez também que as mulheres têm chance de ganhar o contrato de seis dígitos. O canal Combate transmite os episódios na sua programação. Vale a pena conferir.

Anderson Silva vs Chris Weidman 2

Ontem (24), em Las vegas, foi realizada uma entrevista coletiva de promoção da revanche entre Chris Weidman e Anderson Silva. Sempre avesso às entrevistas, Spider disse o que todos já sabem. Acredito que realmente ele está motivado e deve agredir mais, porém não vai mudar sua postura provocadora, que na maioria das vezes destrói a mente de seus adversários. Mas o campeão estará preparado. Desde quando lutava muay-thai, Anderson tem esse estilo. É seu jeito de lutar. Isso não muda. O que muda é a atitude de nocautear, de vencer e recuperar o que é dele. Mas não criemos expectativas. Além da luta estar longe, depois da última, só acredito vendo.

(www.gazetaesportiva.net)

Revanches fazem parte do show

25 julho, 2013 às 13:34  |  por Gustavo Kipper

Chris Weidman é hoje o campeão dos pesos-médios do UFC. Está invicto e venceu a luta contra Anderson Silva com um nocaute chocante. Mas, mesmo com todos os elogios a Weidman, sabemos que Anderson Silva é melhor. A decepção das pessoas não pode atrapalhar uma trajetória que não apenas define sua maneira de lutar, mas sua personalidade, que às vezes transforma alguns de seus adversários em revanches contra o amargo que ele vivenciou nas primeiras décadas da vida. É aí que se perde, e como mesmo disse, esquece o que é a arte marcial.

Sem aquele papo chato de que a derrota torna o lutador melhor, já que Anderson é considerado uma lenda, vamos compará-lo, pelo menos em termos de estilos no palco, a Muhammad Ali, que também sofreu derrotas chocantes, mas voltou e venceu as revanches, algumas até em três lutas, contra Joe Frazier, falecido em 2011, na trilogia chamada de Trilha em Manila, cidade filipina onde foi disputada a luta.

Então senhoras e senhores, aguardem muita água pra rolar. Anderson ainda tem contrato de pelo menos cinco lutas com o UFC e é provável que ainda enfrente, mesmo que perca para Weidman, Jon Jones, Vitor Belfort e como ele mesmo diz, quem bater o peso e cair dentro. Acho que Anderson Silva deve estar muito motivado, assim como todos estão. É uma época em que todo mundo perdeu o medo de desafiar o campeão. Até Ronaldo Jacaré já disse que vai em busca do título. Sem dúvida haverá grandes lutas em um futuro breve. A começar por José Aldo e o Zumbi coreano, que lutam no UFC Rio em agosto.

Anderson “The Spider” Silva

8 julho, 2013 às 14:47  |  por Gustavo Kipper

(esporte.uol.com.br)

Eu sou curitibano e conheci Anderson Silva pessoalmente, ainda na época em que ele treinava muay thai na academia do mestre Noguchi. Na época, um grande amigo treinava com ele, e um dia fui assistir a um treino. No meio de vários excelentes lutadores, um deles se destacava pela técnica e perfil, que se encaixava perfeitamente para o esporte marcial. Era Anderson. Não muito mais tarde se juntou ao vitorioso time da academia Chute Boxe e assim o tempo passou.

Quem conheceu Anderson no meio de tantos grandes lutadores curitibanos como Wanderlei Silva, Rafael Cordeiro e José Pelé Landi, nunca realmente imaginou que ele poderia chegar ao patamar técnico e de exposição que ganhou nos últimos sete anos, mesmo sempre tendo seu talento reconhecido. Anderson Silva conquistou um legado quando já estava em uma idade que muitos atletas já estão se aposentando. Ao longo de seu reinado, Anderson nunca teve uma contusão que o deixou fora do octógono por um longo período de tempo como teve Georges St Pierre. Esse tempo, apesar de ser difícil pela recuperação mental e física, é bom ao menos para o atleta se juntar à família e limpar a mente, enxergar o futuro e decidir realmente o que quer. Ao não recusar lutas, Anderson começou a devastar a categoria dos médios e sua evolução técnica atingiu níveis que só os grandes alcançam. Isso fez com que sua responsabilidade em manter o cinturão provocasse certos comportamentos que passaram a fazer parte do produto Anderson Silva, o maior lutador de MMA de todos os tempos.

Esses comportamentos começam com a ideia de criar uma falsa sensação que o cinturão pertence ao Brasil, portanto lutar contra brasileiros sempre foi algo que afetou muito Anderson. Em suas lutas contra Thales Leite, Demian Maia e Vitor Belfort, Anderson estava bastante agitado. Com a vitória sobre os três, criou uma cultura em que o desafio feito por brasileiros era levado como insulto. Logo, muitos ótimos lutadores acabaram por ficar, além de amigos, admiradores de Anderson e com o desejo de serem campeões guardados a sete chaves. No esporte em que amigos e compatriotas não lutam entre si, Anderson acabou por ser o representante oficial do Brasil no MMA com fãs como Ronaldo e a rede Globo.

Os atletas costumam fazer nas lutas o que fizeram nos treinos. E os treinos de MMA, principalmente para lutas como disputas de cinturão, costumam ser muito fortes. Anderson desenvolveu um estilo em que ficava à vontade, ao mesmo tempo em que destruía mentalmente seus adversários, que sempre acabavam cometendo erros, abrindo brechas para contra-ataques mortais e plásticos. Anderson transformou a luta em show, algo que somente Jon Jones pode fazer, mas o curitibano o faz com mais sabedoria, com mais estratégia. Porém, a linha entre a autoconfiança e desrespeito em que ele anda é tênue, e assim como na luta contra Demian Maia, passou do limite, perdeu a referência do respeito e do perigo. Muitos atletas e treinadores, como Renzo Gracie, não acreditam nesse estilo de Anderson, e acham que isso é uma das suas maneiras de desdenhar de seus adversários. Portanto, sua derrota foi muito comemorada no mundo da luta, principalmente pelos estrangeiros. O próprio Chris Weidman no instante após a vitória soltou um “seu desrespeitoso de m…”.

Chris Weidman sabia o que iria enfrentar. Ao contrário da maioria dos desafiantes do ex- campeão, Weidman é de outra geração. Mesmo tendo caído por instantes nas artimanhas de Anderson, continuou reto em seu caminho e ficou provado que Anderson é um humano e tem queixo, que, se acertado, desmontará suas pernas como de um João qualquer.

Mas algo dessa vez estava diferente. A apatia instantes antes da luta e o tédio do brasileiro foram cruciais para Anderson não lutar, apenas provocar e entregar de forma melancólica o mesmo cinturão que dizia ser de todos os brasileiros. Por isso muita gente se sentiu traída, envergonhada e enganada. Até mesmo seus companheiros de corner estavam arrasados. Para os brasileiros, foi como se Neymar rebolasse antes do pênalti decisivo e recuasse a bola para o goleiro. Nas redes sociais muitos dizem que a luta já tinha sido acertada antes. Não acredito, mas o desempenho do ex-campeão foi tão patético que realmente dá margens para discussão, principalmente com o futuro do brasileiro, que chegou a dizer que poderia até mesmo se aposentar. Discurso bem diferente de quem queria fazer três superlutas. Talvez não quisesse mais lutar com Jones. O fato é que muita gente, pelo menos ontem, ganhou muito dinheiro, principalmente Anderson Silva. Só não sei se venderá mais tantos ingressos como antes.

A verdade é que a derrota deixou muitos brasileiros chateados e iniciou um novo ciclo no UFC. Anderson Silva terá suas merecidas férias e tenho certeza que lhe fará bem curtir sua família e o conforto que conquistou com os punhos. Nada como um dia após o outro. O mundo sabe que se Anderson estivesse com gana, ganharia a luta. Então não descarto uma revanche, embora acredite que a atitude de Anderson, de abrir mão de um cinturão “chato”, como seu filho Kalyl definiu nas redes sociais, seja uma tentativa de deixar o caminho aberto a outros brasileiros, como Ronaldo Jacaré. Anderson Silva perdeu o “olho de tigre” pelo menos para as defesas de cinturão dos pesos-médios, que dominou por quase sete anos.

Vitor Belfort pediu Weidman, mas Dana White descartou a luta dizendo que quer a revanche. Mas a negativa a Vitor não faz sentido do ponto de vista do ranking, onde ele ocupa a segunda colocação. O problema é que a luta teria que ser realizada no Brasil, pois no estado de Nevada, onde são realizados os maiores eventos, o tratamento de reposição hormonal não é tolerado. Portanto, Vitor não conseguiria a licença para lutar. A revanche seria o melhor caminho, caso contrário vai começar a chuva de desafios. De Wanderlei Silva, passando por Chael Sonnen, todo mundo agora vai querer pegar esse vácuo.

(ftw.usatoday.com)

 

A hora e a vez de Anderson Silva perder ?

5 julho, 2013 às 18:59  |  por Gustavo Kipper

UFC 162

 

Anderson Silva chegou a um patamar muito alto. Completo na grande maioria das artes marciais está invicto desde que pisou no octógono, em 2006, e já defendeu seu cinturão 11 vezes. Eleito melhor peso por peso do mundo ainda tem lenha pra queimar e seu novo possível contrato talvez seja de dez lutas. Anderson já enfrentou vários atletas com estilos diferentes e se sobressaiu sobre todos. Mais perigoso ainda é pensar que nas lutas que fez com os meio-pesados, foram justamente as que ele sobrou em todos os aspectos. Embora Chris Weidman seja campeão americano de wrestling e invicto há nove lutas no MMA, isso mesmo, apenas nove lutas, menos lutas que defesas de cinturão do Spider, está sendo considerado o azarão mais perigoso que o brasileiro enfrentou.

Nesse período de preparação, Weidman demonstrou muita confiança, bem diferente da autopromoção que Chael Sonnen fez na época. Chris Weidam é muito mais sério, respeitoso e assustador. Merece estar ali. Pelo contrário, fala muito menos e assusta muito mais. Suas últimas aparições no UFC foram devastadoras e muitos atletas fizeram questão de opinar que desta vez o brasileiro não sairá vitorioso. O que faz muitos lutadores estrangeiros a encher tanto a bola de Chris Weidman?

Cada luta tem sua promoção e estratégia e nada tem mais impacto do que a opinião dos próprios atletas. Isso promove a luta e põe fogo na questão de quanto mesmo o UFC quer ter vários brasileiros dominando as categorias. Até mesmo as bolsas de apostas foram influenciadas por esses chutes. É claro que, mesmo com o sucesso de Spider, que um dia deverá se aposentar, já pensam num substituto à altura para arrecadar tanto quando o brasileiro vende. A maioria dos atletas que opinaram ou já perderam, correram ou treinam com Weidman. Como já diria o mestre Steven Seagal, hoje em dia tem muita gente que fala muita m…

Mas, como analista, concordo que essa realmente seja a luta mais difícil de Anderson nos últimos tempos. Tirando a primeira luta contra Chael Sonnen, situação em que lutou machucado e mesmo assim venceu, me lembro apenas de Dan Henderson como um adversário à altura. E olha que já faz alguns anos. A luta contra Vitor não posso considerar, pois além de fulminante, Belfort ainda não fazia uso do TRT, então não estamos falando do mesmo atleta de hoje, um animal.

Então fãs de MMA, podem esperar de tudo neste sábado. A idade de Weidman pode fazer a diferença se a luta se prolongar, mas, dando um palpite, pois não tenho bola de cristal, acho que Anderson vence no quarto round por desistência técnica. Inclusive, acho que mesmo em uma superluta contra Jon Jones, em um peso combinado, é claro, Anderson sai vitorioso. Ninguém é invencível, mas o “curitibano” é quase.

Muhammad Ali foi derrotado, mas soube usar a derrota para voltar mais forte e sair vitorioso nas revanches contra George Foreman e Joe Frazier. Quem garante que se Anderson perder não pode vencer uma revanche contra Weidman, Jones ou qualquer atleta de 84 a 93 quilos? Confesso que a derrota de Anderson seria ruim para o Brasil, mas, quem sabe, a categoria dominada há sete anos se movimente.

O UFC 162 será disputado neste sábado, em Las Vegas (EUA). Nesta sexta, a pesagem será às 20h (horário de Brasília), com transmissão ao vivo do canal Combate e do Combate.com. No dia do evento, o canal Combate exibirá ao vivo o evento completo a partir de 19h, direto de Las Vegas. O Combate.com vai transmitir, também ao vivo, o duelo entre Mike Pierce e David Mitchell e acompanhará todas as lutas em tempo real. A TV Globo transmite os principais duelos do UFC 162 na madrugada de sábado para domingo com atraso, por força de contrato.
UFC 162
6 de julho de 2013, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL
Anderson Silva x Chris Weidman
Frankie Edgar x Charles Do Bronx
Tim Keneddy x Roger Gracie
Mark Muñoz x Tim Boetsch
Cub Swanson x Dennis Siver
CARD PRELIMINAR
Chris Leben x Andrew Craig
Norman Parke x Kazuki Tokudome
Edson Barboza x Rafaello Trator
Gabriel Napão x Dave Herman
Seth Baczynski x Brian Melancon
Mike Pearce x David Mitchell

 

Sou fã do UFC. Mas tenho saudades do Pride e do K-1

16 maio, 2013 às 15:17  |  por Gustavo Kipper

Sou fã do UFC. Não perco uma edição. Mas tenho saudades do Pride e do K-1

Todos os esportes são gerenciados por entidades. Mas nenhum esporte é tão refém de uma marca como é o MMA em relação ao UFC. Mesmo com o esforço de ex- lutadores e pequenos empresários para realizar os eventos nacionais, estes ainda soam amadores comparados ao maior evento do mundo. É claro que estamos falando de um espetáculo com quase 20 anos de trabalho, mas nunca podemos nos esquecer de que a ideia foi brasileira. O que faltou é o que sobra para os americanos. Como fazer tudo virar um grande show.

Com os cassinos à disposição e um investimento milionário, o UFC é sem dúvida o sonho de qualquer lutador de MMA. O contrato com a entidade é garantia de visibilidade e gera patrocínios e muito apoio. Seguindo os passos dos precursores brasileiros, hoje milhares de atletas enchem as academias com um sonho à frente. Possivelmente seja o segundo esporte no coração dos brasileiros e é, com certeza, o esporte que mais cresce no mundo. Com pouca visibilidade, muitos eventos são realizados com frequência pelo mundo, mas os podemos considerar underground. Ninguém já começa por cima. É preciso conquistar vitórias seguidas para chamar a atenção dos promotores e empresários, e aí, sim, ter uma chance nos eventos maiores.

Mas quando teremos um evento brasileiro realmente grande? Não desmerecendo os nacionais, reveladores de talentos, no país temos a necessidade de grandes eventos com grandes nomes. Com a necessidade de erguer grandes arenas e estádios para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, o Brasil vai finalmente ter estrutura para grandes públicos. Em Curitiba, por exemplo, finalmente sairemos do nostálgico, mas precário Palácio de Cristal do Círculo Militar do Paraná e enfim poderemos abrigar grandes eventos na Arena, que ainda não está pronta. Mesmo com as críticas do uso de dinheiro público, Curitiba finalmente poderá abrigar uma edição do UFC ou qualquer outro que por aqui aporte. Mas, com ídolos locais como Wanderlei Silva, Anderson Silva e Maurício Shogun, será impossível não lotar.

O fato é que quando o UFC para, a impressão é que o mundo do MMA para junto. As grandes notícias e matérias são substituídas apenas por declarações e provocações entre os lutadores, talvez para promover uma luta ou para preencher o vazio que fica quando no fim de semana não tem luta. O Brasil precisa de outros grandes eventos, com grandes lutadores. Faz falta um show que una lutadores com nome, mas que não tem contrato com o UFC. Existe um mar de lutadores que gostariam de um bom contrato, independentemente de onde seja. E falo de lutadores consagrados, como Nick Diaz e Rampage Jackson, por exemplo. O que importa é a visibilidade, vendas e grandes lutas. Será que um dia teremos um evento que faça frente ao UFC ou seremos reféns pra sempre de seus princípios?

Veja a nova abertura com trilha sonora do mestre Hanz Zimmer. Sensacional

Polêmica: o corte de peso ao longo da carreira.

30 abril, 2013 às 14:19  |  por Gustavo Kipper
prommatraining.com

Antes e depois…

Na maioria dos esportes de combate, como o judô ou o boxe, é normal o atleta perder certa quantidade de peso para conseguir lutar em uma categoria abaixo da que realmente pertence para ganhar vantagens, pois após as pesagens o lutador recupera grande parte do peso. O processo, além de uma dieta rigorosa nas semanas que antecedem a luta, consiste basicamente em um trabalho de desidratação ao longo do qual o atleta perde peso apenas em líquidos, sendo fácil recuperá-lo em 24 horas.

No MMA, a grande maioria dos lutadores sofre bastante para conseguir alcançar o peso, que muitas vezes chega a 10 kg a menos do que realmente eles pesam. Esse desgaste os leva ao limite e muitos não conseguem e acabam passando mal e indo para o hospital. Os lutadores mais experientes, que contam com uma equipe de fisiologistas, nutricionistas e treinadores, já se acostumaram com a prática. Muitos dizem que a primeira luta é contra a balança.

Vamos imaginar um lutador como Georges St Pierre, que pesa normalmente 85 kg. Ele é o campeão absoluto da categoria dos meio-médios, com limite de 77 kg. Será que se Georges lutasse nos médios, sem o corte de peso, teria o mesmo desempenho. Nesse caso, obviamente que não. Assim como Georges perde quase 8 kg, os pesos médios, como Anderson Silva, chegam a pesar mais de 100 kg nos treinamentos. Então é uma vantagem difícil de recusar.

Muitas vezes, o que define o sucesso do lutador é sua adaptação ao peso em que irá competir. Wanderlei Silva prefere não cortar muito peso, alegando que perde força e explosão, motivo pelo qual ele subiu novamente para os meio-pesados, até 93 kg. Anderson Silva e Jon Jones são possivelmente os que mais se beneficiam da técnica. Com grandes envergaduras, altos e muito fortes, se sobressaem em suas categorias, pois são notavelmente maiores do que seus adversários.

Certamente, se as pesagens ocorressem no dia das lutas, o mundo do MMA seria completamente diferente e os campeões e rankings seriam totalmente alterados, mudando inclusive o rumo do esporte. Mas, o UFC parece nem pensar nessa possibilidade, ainda. O fato é que não surgiram estudos sérios e definitivos sobre as consequências do corte excessivo de peso a que os atletas são submetidos durante suas carreiras.

Será que essa prática realmente não prejudicará futuramente os atletas? Ou a tecnologia esportiva chegou ao ponto de conseguir manipular o corpo sem que isso diminua funções vitais do atleta ao longo dos anos? É uma questão que deveria ser avaliada para que as futuras gerações de atletas não sofram os mesmos problemas que a primeira geração do MMA pode apresentar em um futuro breve.

Veja o vídeo do campeão dos penas José Aldo cortando peso:

 

 

Joe Silva por um dia

11 abril, 2013 às 13:38  |  por Gustavo Kipper

Mesmo com a criação do ranking oficial, muitos combates ainda serão marcados pelo apelo que a luta proporciona pelos fãs, além é claro da venda dos pay- per- views que fazem a roda girar. Fico imaginando que um dos empregos mais legais do mundo seja o do matchmaker do evento, Joe Silva, responsável por planejar quem lutará com quem. Embora o ranking seja uma boa referência, a imaginação de um combate com toda sua complexidade e confronto de estilos faz qualquer um imaginar como seria se…?

Pensei um pouco e imaginei 20 confrontos que ao menos eu gostaria de ver na tela. Não posso considerar eventos já marcados. Apenas possíveis confrontos.

  1. Anderson Silva vs Jon Jones (luta em peso combinado de 88 kg)
  2. Anderson Silva vs Georges St Pierre (luta em peso combinado de 80 kg)
  3. José Aldo vs Ben Henderson (luta em peso combinado de 68 kg)
  4. Wanderlei Silva vs Chael Sonnen (meio- pesado)
  5. Júnior Cigano vs Cain Velásquez III (peso- pesado)
  6. Renan Barão vs Dominik Cruz (peso- galo)
  7. Rodrigo Minotauro vs Fedor Emelianenko 4 (peso- pesado)
  8. Maurício Shogun vs Gerard Mousasi (meio- pesado)
  9. Lyoto Machida vs Alexander Gustafsson (meio- pesado)
  10. Michael Bisping vs Hector Lombard (peso- médio)
  11. Frank Edgar vs Chad Mendez (peso- pena)
  12. Vitor Belfort vs Wanderlei Silva (meio- pesado)
  13. Ronaldo Jacaré vs Roger Gracie (peso- médio)
  14. Ronda Rousey vs Chris Cyborg (peso- galo)
  15. Rogério Minotouro vs Dan Henderson (meio- pesado)
  16. Nate Diaz vs Anthony Pettis (peso- leve)
  17. Nick Diaz vs Rory McDonald (meio- médios)
  18. Rodrigo Minotauro vs Frank Mir 3 (peso-pesado)
  19. Maurício Shogun vs Glover Teixeira  (meio-pesado)
  20. Júnior dos Santos vs Jon Jones (peso- pesado)

Crônica por Nico Anfarri: Pierre Precisa Perder

15 março, 2013 às 12:34  |  por Gustavo Kipper

Excelente análise de Nico Anfarri sobre o combate de sábado entre GSP vs Diaz. Resolvi publicar. Explica o sentimento de muitos.

Georges St.Pierre só tem duas derrotas em 24 lutas, não perde desde 2007, se impõe sobre adversários de alto nível com a facilidade característica dos acima da média, tem uma excelente aparência, história de vida inspiradora de rapaz que chegou a trabalhar como gari e agora é uma estrela, fala bem, tem discurso sem maneirismos ou a eventual falácia que ainda estigmatiza o MMA, exalta seus adversários tanto na glória quando na queda e é responsável, quase que exclusivamente, pelo esporte ter virado febre num dos maiores países do mundo e sua terra natal, Canadá. St. Pierre é perfeito e por isso tem que perder.

Até sua derrota para Serra em 2007 Pierre era um dos lutadores mais empolgantes do mundo. Um atleta dinâmico e agressivo que usava seu excesso de possibilidades e técnicas para aceitar a emoção do combate. Um apaixonado pelo sonho de ser e se manter campeão. Ser destemido é característica do verdadeiro apaixonado e suas lutas mostravam desejo pelo esporte, eram o ápice de meses de treinamento, era aquilo que ele realmente queria, o melhor dia de sua vida. Atualmente a luta parece ser conseqüência natural de sua posição, um momento inevitável que faz parte do processo de ser lutador. Coisa mecânica. A paixão deu lugar a rotina e mesmice. Suas lutas se tornaram burocráticas, um bom-dia de caixa de supermercado.

St.Pierre luta com a calculadora na mão. O maior matemático do MMA. No marketing ele é faixa preta de jiu-jitsu, mas na prática não conseguiu finalizar o striker Dan Hardy em 25 minutos de luta de solo, mesmo sendo fantástico em wrestling segurou quase toda a luta em pé contra Koscheck e nos maltratou com a mais sacal demonstração de como dar jabs de esquerda num olho com o osso orbital quebrado. Tento não ser mesquinho, mas se é fato que é o campeão inquestionável de seu peso, também é fato que é faz lutas amarradas e sem brilho desde 2008. Ídolos definem tendências, aparecem em noticiários, são imitados e MMA é muito maior do que Pierre faz parecer. Imaginem uma categoria apenas com Andersons, por exemplo. Mas e se fossem apenas vários St.Pierres? Quanto tempo para os fãs mudarem de canal para assistir ginástica olímpica ou ressuscitarem o boxe? Enquanto uns nos prendem na poltrona, St.Pierre nos levanta para ir ao banheiro ou beber água. É tão talentoso que só tem luta se ele quiser, e não quer. Quer é nos convencer que MMA é um somatório infinito de mais e mais técnicas, treino, preparação, sem emoção e risco na equação. Menos espetáculo e mais didática.

A diplomacia de um campeão é medida dentro do octagon e não em ternos Armani. O maior embaixador que o esporte já teve é russo, não fala inglês e divulgou MMA com o rosto cortado e nariz quebrado. Discurso feito com a boca e punhos fechados. As aulas de aritmética de Pierre já são vaiadas até no Canadá. Cada main event de UFC é um dos momentos esportivos mais importantes e influentes do planeta, é quando leigos que assistem pela primeira vez verão mais outras milhares ou nunca mais. Qual de nós aqui teria se apaixonado por MMA se a primeira luta que víssemos fosse Pierre VS Koscheck ou Hardy ou Alves ou Shields? E essas foram as primeiras e últimas de milhares de possíveis fãs. Pierre Vs Clay Guida numa luta sem rounds e limite de tempo poderia ser evento principal na entrada do inferno.

Para ser um dos melhores só precisa de vitórias, mas para ser uma lenda precisa de nossos aplausos. E isso ele não tem. Falta aquele olho vermelho com litros de sangue pra despejar por um sonho. Se vitórias e mais vitórias apagaram essa chama, St.Pierre então precisa perder. Um pequeno passo para trás e mil para frente. Pierre precisa apanhar de Nick Diaz. Não só perder, mas uma surra, coisa quase masoquista, ver sua cara amassada e ensangüentada. Ter a derrota rasgada no seu ego para eternidade, ouvir que sempre foi amarrão e nunca realmente tão bom. Serão calamitosas mentiras, palavras enxaguadas com paixão pelo fã, mas vai magoar e ele vai ser forçado a fazer alguma coisa. Lembrar que não nunca foi gênio, que sua real beleza está na perseverança, vai ter que voltar a carregar a cruz, começar quase do zero, repensar a carreira, em subir de peso, achar que somos ingratos, usar vingança como combustível, derramar sangue, voltar a vencer de modo contundente, ser aplaudido e em glória perceber que em MMA as linhas são sempre tortas.

St.Pierre precisa perder . Sabe que é nosso desejo quase secreto e isso corrói seu espírito de bom moço. Precisa arrancar as asas, jogar fora a auréola, se lançar por entre as nuvens na ponta do cotovelo de Diaz. Martelar o prego na mão. Quebrar a vitrine. Só na marra, espatifado e rastejando em seus próprios cacos vai entender a diferença entre os melhores e os maiores, os famosos e as lendas. Porque choramos a derrota de alguns e vibramos com a de outros. Georges St.Pierre precisa perder para poder renascer.

alexandraphilibert.wordpress.com

Faltam um ranking oficial e critérios

30 janeiro, 2013 às 11:58  |  por Gustavo Kipper

Ninguém pode duvidar da capacidade do UFC em gerenciar a marca e principalmente na padronização da alta qualidade nos eventos da franquia, com estrutura e lutas quase sempre impecáveis. Porém, o número de lutadores se multiplicou nos últimos anos. A compra do Strikeforce, a absorção do WEC, a contratação de atletas do Bellator e a importação de promessas, como por exemplo os irmãos Marajó, campeões dos nossos eventos nacionais como Jungle Fight, fizeram inchar a organização de atletas, e mesmo com o visível aumento no número dos eventos, muitos lutadores não têm a menor ideia de qual será o rumo de suas carreiras. Sempre escutamos a frase: “Não escolho adversário, deixo nas mãos do Dana e do Joe Silva”.

Isso se deve ao fato de as lutas serem combinadas, tendo como principal critério a venda do pay per view. Embora as lutas quase sempre façam sentido, quem acompanha ou trabalha diretamente com o evento é impedido de trabalhar com um planejamento mais longo, pois fica à deriva aguardando instruções dos chefões que anunciam os cards sem que haja muita contestação por parte de atletas e fãs. Faltam critérios técnicos e interação com o público, para que sejam marcadas as lutas mais justas e não as mais vendáveis. Falta um ranking oficial do UFC em todas as categorias, para que seja mais transparente a missão da organização de criar campeões.

Já vimos nas principais categorias o campeão se dar ao luxo de negar desafios, embora em alguns casos, pelos motivos citados anteriormente. Por coincidência, Anderson Silva e Jon Jones, à primeira vista, negaram o combate contra o falastrão Chael Sonnen. Ambos por motivos parecidos, mas o principal: os campeões achavam que Sonnen não merecia estar ali, que tinha ganhado a oportunidade com a garganta e vendia pay per view. Esses foram os casos mais recentes de crises entre os campeões e a organização. Tudo isso poderia ser evitado com a criação de um ranking oficial com critérios de pontuação.

Estabelecer critérios e organizar os egos em posições deixaria mais nítidas para os fãs as lutas mais justas e impediria que os campeões travassem a categoria escolhendo as lutas que melhor encaixam no seu perfil vitorioso. Fogem de desafios. Poucos campeões realmente não escolhem adversários. Anderson Silva vem se especializando em enfrentar adversários medíocres, muito abaixo de seu potencial, para poder dar show em lutas fáceis. Realmente só o vi sendo testado duas ou três vezes em todas as defesas de cinturão. Talvez o único que obrigou Anderson a se superar tenha sido Dan Henderson, muitos anos atrás.

A moda agora para evitar a defesa do cinturão são as chamadas superlutas contra adversários da categoria acima. Mas, como Spider não luta contra amigos, parceiros de treino, ex- colegas e qualquer ser vivo que tenha feito um treino junto, eliminam-se as superlutas mais emocionantes como contra os amigos Lyoto Machida, Maurício Shogun, Rogério Minotouro, Glover Teixeira e assim vai. Aí sobram Stephan Bonnar, Forrest Griffin, Cung Le. Sinceramente, superlutas seriam contra os campeões ou ex- campeões, atletas que algum dia já souberam o que era ser o melhor. Até mesmo Vitor Belfort anda se aproveitando do nome para ganhar disputa de cinturão em pesos diferentes, furando literalmente a fila de atletas que há anos vem tentando subir em um ranking que não existe.

Enquanto os critérios subjetivos e financeiros estiverem à frente de um julgamento técnico, veremos lutas armadas que não movimentam a categoria, apenas protegem os campeões e os lucros da televisão.