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Anderson Silva é tudo isso mesmo?

29 janeiro, 2015 às 09:23  |  por Gustavo Kipper

O maior ídolo brasileiro no MMA enfrenta neste sábado (31) o americano Nick Diaz, em busca da redenção, após a terrível fratura que sofreu em 2013.

Anderson Silva está de volta. Naquela noite fatídica muitos, inclusive ele próprio, acreditaram que ele nunca mais lutaria. Agora, recuperado, enfrenta mais um desafio pessoal. O de superar, mais do que a dúvida de muitos, seu medo interior, após passar momentos de terror.

Para chegar até aqui, Anderson percorreu um longo caminho, muitos eventos, países e adversários. No início da carreira, fez nove lutas em eventos nacionais antes da primeira oportunidade no Japão. Foram oito vitórias e uma derrota para Luiz Azeredo por decisão unânime.

Em sua primeira passagem pelo PRIDE F.C., Anderson fez quatro lutas em um ano, vencendo três de seus quatro combates. A vitória mais impressionante foi contra Carlos Newton, com uma joelhada que ficou famosa. Mas a derrota emblemática para Rio Chonan afastou o Spider da luta pelo título.

Anderson Silva conseguiu se firmar no Cage Rage, um evento britânico, onde foi campeão dos pesos-médios, chamando a atenção do UFC por sua técnica refinada. Mesmo com a desclassificação contra Okami por um chute irregular, ele defendeu o cinturão mais uma vez e deixou o evento como campeão.

Em sua luta de estreia no UFC, um evento sem seu público para testá-lo. Cris Leben foi o escolhido e o show começou. A partir dali foram 16 vitórias consecutivas até a primeira derrota para Chris Weidman. O maior reinado da divisão dos médios, o maior número de nocautes da história do UFC, o recorde de defesas e vitórias consecutivas e o maior reinado como campeão. Sete anos.

Muitos afirmam que, no UFC, com a notoriedade que ganhou, evitou muitos confrontos, principalmente contra brasileiros. O único amigo que comprou a briga foi Vitor Belfort, que encerrou a amizade para poder disputar o título. A postura de Anderson de que atletas que já treinaram juntos não devem lutar causou muitos desconfortos ao longo de seu reinado.

Anderson defendeu seu cinturão por longos anos, mas nem sempre enfrentou atletas com nível suficiente para disputarem o título. Vejamos alguns combates que não ofereceram riscos para ele: Nate Marquardt, Travis Lutter, James Irvin, Patrick Côte, Thales Leites, Demian Maia e Yushin Okami.

Apenas os combates contra Dan Henderson, Chael Sonnen e Vitor Belfort eram risco iminente. Embora tenha vencido todos de forma majestosa, três adversários reais em sete anos é muito pouco. Porém, sete anos é muito. Tempo suficiente para chegar uma nova geração, que trouxe atletas como Chris Weidman e Jon Jones.

Anderson soube surfar a onda da vitória por muito tempo. Protegendo-se ou não, mostrou que dentro do octógono é letal. Mas sua postura muitas vezes o coloca em risco, parecendo tirar todo seu potencial. Como seria se lutasse de forma mais séria?

Essa dúvida seria respondida na fatídica noite. Mas misturou seriedade com raiva e foi punido. Agora terá mais uma chance de mostrar seu talento. Felizmente contra um atleta que gosta de trocação. Então não terá que passar a luta evitando quedas. Vai poder dar seu show, tendo em vista que Nick também gosta de provocar nos combates. Será uma guerra mental.

Vencer Nick Diaz significa dizer que ainda está no jogo. Mesmo que sua postura de não querer enfrentar brasileiros ainda vigore, sabermos que ele ainda pode dar grandes espetáculos, é fenomenal diante de tudo que passou. Caso perca, realmente a idade pode estar chegando. Aí é hora de repensar a carreira. Como uma grande marca, precisará disso.

Se Anderson Silva foi ou é tudo isso, não vai mudar com o resultado de sábado. O que ele conquistou já é dele. A questão agora é a mesma que assombra a maioria dos ídolos em fim de carreira. A dúvida de que ainda pode ser o cara.

Notícias da semana

14 janeiro, 2015 às 15:38  |  por Gustavo Kipper

#1 Anderson Silva parece estar com motivação total para o duelo contra Nick Diaz. Apagou um de seus sparrings no treino dessa semana. O vídeo que foi ao ar dividiu a opinião de alguns atletas. Mas a motivação estava lá. Seria a notícia de que vai furar a fila e enfrentar o vencedor entre Weidman x Belfort o motivo de tanta motivação? Quem não deve estar feliz é Ronaldo Jacaré, que também quer a chance. Essa semana Anderson afirmou que não luta mais contra brasileiros. Se Vitor vencer, será que Anderson vai desafiar?

Tire suas próprias conclusões:

http://youtu.be/9RpPIx8MFxo

O cubano #5 Hector Lombard já percebeu que no MMA falar a vontade muitas vezes premia com grandes lutas. Após sua última vitória, Hector desafiou novamente o canadense #2 Rory McDonald e foi atendido. Com Lawler tendo pedido tempo para descanso, e o agendamento da luta entre Johnny Hendricks x Matt Brown, 14 de março, no UFC 185, o duelo possivelmente decidirá o próximo desafiante ao cinturão dos meio- médios, caso Hendricks não vença. McDonald x Lombard acontecerá no dia 25 de abril, no Canadá, pelo UFC 186.

#3 Lyoto Machida já tem novo adversário. Após ser derrotado pelo campeão Chris Weidman, Lyoto busca a redenção e enfrenta agora #5 Luke Rockhold, que vem de três vitórias consecutivas. Os dois se enfrentam no UFC on Fox, em Nova Jérsey, dia 18 de abril.

Muita gente ainda não digeriu o suposto uso de cocaína por Jon Jones. Mais que isso, muitos atletas se manifestaram revoltados coma postura do UFC, que normalmente manda embora usuários de maconha, mas passou a mão na cabeça de Jones, que usa cocaína. Mesmo que não possa ser punido por estar inativo, Jon Jones cometeu um grave deslize. Não creio que tirar seu cinturão seja o caso, mas repensar como tratar o assunto maconha, especialmente em estados que o consumo é legalizado, deveria entrar em pauta. Substancias que não aumentam o desempenho não deveriam ser consideradas doping. Os irmãos Diaz agradecem.

 

 

Anderson Silva e Maurício Shogun: os novos treinadores do TUF Brasil 4

30 outubro, 2014 às 11:13  |  por Gustavo Kipper

Acabou o mistério. Anderson Silva e Maurício Shogun serão os novos treinadores do The Ultimate Fighter Brasil 4. Essa edição traz alterações importantes: a primeira é a mudança do local de gravações para Las Vegas, excluindo São Paulo ou qualquer cidade brasileira da jogada. Creio que a dificuldade de locomoção e a estrutura que o UFC já criou em Nevada (Estados Unidos) fazem diferença na logística. Agora será mais difícil para os treinadores chegarem atrasados alegando problemas com o trânsito.

A segunda mudança é o fato de os treinadores das duas equipes não se enfrentarem nas finais do programa. Anderson Silva e Maurício Shogun lutarão contra adversários diferentes na mesma noite. Bom para o espetáculo, que ganha duas lutas ótimas para o público, ruim para quem gostaria de ver os dois ex-companheiros de treino se enfrentando.

Realmente, do ponto de vista competitivo, essa luta não seria boa para nenhum dos dois, tendo em vista que buscam o título de categorias de peso diferentes. Uma vitória não mexeria no ranking de nenhuma divisão, nem deixaria nenhum dos dois mais próximos a um title shot. Outro e talvez importante fator talvez seja que ex-companheiros de treinos da equipe Chute Boxe dificilmente se enfrentam. Ainda mais esses dois, que já conquistaram uma legião de fãs.

Mas, por que então que o UFC não escolheu dois atletas que pudessem lutar nas finais do programa? Se analisarmos o atual momento do MMA nacional, poderemos perceber que vivemos uma entressafra de atletas vitoriosos. Ainda vivemos à custa das lendas do Pride ou dos atletas da Nova União. As novas promessas ainda não deslancharam e os melhores brasileiros ranqueados estão com lutas marcadas e quase não competem entre si. Os únicos que sobraram com real apelo do público foram Anderson Silva e Shogun, que enfrenta Ovince St. Preux, em Uberlândia, no sábado (08).

Júnior Cigano e Fabrício Werdum um dia podem ser os treinadores de uma edição. Mas o momento atual não permite o confronto. Werdum tem title shot interino agendado contra Mark Hunt. Cigano enfrenta Miocic em busca da redenção. Nos meio-pesados, Glover sofreu a segunda derrota. Não tem apelo popular suficiente, além de ser praticamente nosso único representante da categoria perto do top 5. Caso contrário, um duelo com Shogun seria possível.

No peso-médio, Lyoto Machida seria um grande nome. Poderia enfrentar Ronaldo Jacaré ou até mesmo Vitor Belfort, duelo já cogitado anteriormente. Mas não neste momento. Quem sabe ano que vem, em caso de derrota de Vitor para Chris Weidman. Uma edição com Anderson Silva e Vitor Belfort seria fantástica. Mas Anderson tem luta agendada contra Nick Diaz e antes precisa provar que está recuperado da lesão na perna esquerda. Treinadores abaixo do peso- médio parecem não interessar ao UFC, até porque estamos carentes de atletas até 77 kg e 70 kg.

Enfim, a escolha de Anderson e Shogun, em termos de audiência e espetáculo, sem dúvida foi acertada. Talvez a rivalidade excessiva de Wanderlei Silva e Chael Sonnen tenha aberto uma nova proposta: sem stress desta vez. Os dois brasileiros se respeitam muito e dificilmente haverá atritos. Terá tudo para ser uma grande edição que revele grandes talentos, objetivo principal do programa. Cada um tem uma equipe poderosa para formação e treinamento dos atletas, que, com a estrutura já existente em Las Vegas, terão de tudo para ser o próximo The Ultimate Fighter Brasil.

Spider por mais 15 lutas

28 outubro, 2014 às 13:52  |  por Gustavo Kipper

O anúncio de que Anderson Silva teria “rasgado” seu contrato antigo e assinado um novo, garantindo o brasileiro por mais quinze lutas no UFC, pegou de surpresa o mundo das lutas.

Com quase 40 anos de idade e vindo de uma gravíssima lesão, Anderson tem luta marcada contra Nick Diaz, no UFC 183, dia 31 de janeiro. Mesmo que perca, não parece estar disposto a abrir mão de fazer o que mais gosta: lutar!

Se analisarmos as lutas disputadas por Anderson e as possíveis lutas dentro do UFC, vários adversários surgem como possibilidade, inclusive com algumas revanches e encontro explosivo com brasileiros.

Essa é uma lista fantasiosa de confrontos que podemos ter o prazer de ver, se o Spider lutar por mais cinco anos, fazendo três combates por ano. Se vencer todos, pode quase igualar seu recorde de 16 vitórias consecutivas.

1.      Anderson Silva vs Nick Diaz

2.      Anderson Silva vs Michael Bisping

3.      Anderson Silva vs Vitor Belfort

4.      Anderson Silva vs Chris Weidman (disputa do cinturão dos pesos-médios)

5.      Anderson Silva vs Luck Rockhold

6.      Anderson Silva vs Ronaldo Jacaré

7.      Anderson Silva vs Yoel Romero

8.      Anderson Silva vs Lyoto Machida

9.      Anderson Silva vs Gerard Mousasi

10.    Anderson Silva vs Dan Henderson

11.    Anderson Silva vs Anthony Johnson

13.    Anderson Silva vs Rashad Evans

14.    Anderson Silva vs Alexander Gustaffson

15.    Anderson Silva vs Jon Jones

Especialista x completo

31 julho, 2014 às 15:43  |  por Gustavo Kipper

A história do vale-tudo se definia nos desafios entre academias e atletas para mostrar que a sua arte era a melhor, a mais eficiente, a mais completa.

A família Gracie representa o jiu-jitsu há quase cem anos. Hélio, Rickson e Royce são exemplos de atletas que defendiam um ponto: que o jiu-jitsu, quando usado da forma correta, é imbatível. Realmente isso fazia sentido, principalmente em confrontos com regras limitadas e até mesmo em brigas de rua. Mas, na medida em que outros atletas de outras modalidades começaram a aprender algumas técnicas de chão, as coisas começaram a mudar.

O lutador especialista sempre vai oferecer muito perigo. Pode ser a diferença entre ser campeão ou não. A grande maioria dos lutadores de MMA é especialista em alguma arte. Varia muito da cultura de seu país. Logo, ao ingressarem na carreira profissional, passam a praticar outras modalidades para completar seus treinamentos. Muitos campeões do UFC são especialistas em wrestling. Vieram da luta olímpica e foram lapidados com outras lutas para ficarem completos. Os russos normalmente representam o sambo. Os brasileiros gostam do jiu-jitsu.

Mas uma nova geração de atletas está invadindo os eventos: os especialistas em MMA. O exemplo mais notório pode ser aplicado ao americano TJ Dillashaw, campeão dos pesos-galos. Em sua luta contra Renan Barão foi um atleta completo, rápido e com a trocação impecável. Fruto de um trabalho em que, desde cedo, buscou desenvolver as artes marciais de forma misturada, aplicada e desenvolvida para um esporte, para suas regras e sua dinâmica.

Muitos lutadores de MMA, que nasceram após as primeiras edições com Royce, hoje treinam MMA. Parecem que vêm com outro chip de fábrica. O chip do MMA. Não wrestlers ou boxers que migraram para o esporte na busca de dinheiro. Lutadores que cresceram vendo seus ídolos dentro do octógono e agora os mimetizam. Imagine quantos fãs de Jon Jones e Anderson Silva hoje não buscam as academias em busca do mesmo sonho. Mas agora com as ferramentas corretas desde a formação.

É possível aprender todas as artes marciais de uma só vez. Aprender MMA desde a raiz, agregando outras modalidades para deixar o esporte cada vez mais competitivo.

O retorno de Anderson Silva

30 julho, 2014 às 15:10  |  por Gustavo Kipper

Após a lesão que chocou o mundo e colocou em risco a carreira do ex-campeão dos pesos-médios do UFC, Anderson Silva retorna ao octógono dia 31 de janeiro, em Las Vegas, em uma superluta contra o americano Nick Diaz.

Posso afirmar que o combate é interessante por vários motivos: o primeiro é o fato de ambos estarem parados há mais de um ano. Nick Diaz, famoso por seu comportamento e fama de bad boy, estava aposentado do octógono desde a derrota para Georges St Pierre, em março de 2013, no UFC 158. Outro motivo é o estilo de Diaz, que prefere a trocação e o jiu-jitsu. Acredito que Anderson esteja farto de enfrentar wrestlers chatos. A ideia de passar uma luta defendendo quedas é frustrante. Contra Nick Diaz, o boxe e o show poderão dar o tom da luta.

Apesar de Anderson ser maior e mais pesado, a luta nos 84 kg deixa a situação mais justa. Acostumado com lutas nos 77 kg, Diaz não sofrerá para perder peso. O estilo marrento de andar pra frente, usando seu boxe e envergadura, pode facilitar as coisas para o Spider. Anderson, mesmo maior, é muito rápido e também gosta de boxear. Com dois pugilistas natos, não há como esperar uma luta monótona.

Ainda que esteja receoso em chutar com a perna esquerda, o brasileiro não precisa se preocupar. Seu boxe e ótimo jiu-jitsu podem ser equiparados com o de Nick, que também é habilidoso e treinado por Cesar Gracie. Logo, não esperem uma luta fácil. Nick Diaz tem queixo duro e é difícil de ser nocauteado. Mas a genialidade de Anderson vai fazer a diferença. Conhecendo o personagem, chutará com a perna esquerda sem dó.

Do ponto de vista do entretenimento, o UFC foi extremante competente em casar essa luta. Sem dúvida nenhuma são dois astros que sabem vender. Inclusive, seria interessante se Nick já começasse a fazer o que melhor sabe: tirar seus adversários do sério com provocações e trash talking. Mas, ao contrário de Sonnen, que é um comediante, Nick costuma levar os desafios para o lado pessoal, deixando a luta ainda mais apimentada.

Esse é daquelas lutas imperdíveis. Embora nenhum cinturão esteja em jogo, são duas marcas colidindo. São essas as lutas que todos querem ver. Lutas com apelo. Lutas com emoção. Batalhas entre trocadores é sempre animador. Pelo menos estaremos livres das lutas amarradas de grapplers que ficam na grade a luta toda.

A hora de parar

28 julho, 2014 às 15:07  |  por Gustavo Kipper

A derrota de Antônio Rogério “Minotouro” Nogueira para Anthony Johnson, no último sábado (26), levantou mais uma vez a questão que aflige a maioria dos atletas profissionais: qual a hora de parar de competir?

Paulo Roberto Falcão disse uma vez que o jogador de futebol morre duas vezes. A primeira, quando para de jogar. Assim deve ser com a maioria dos atletas. Por menor que tenha sido seu sucesso, enfrentam com dificuldades o momento, muitas vezes acompanhado por certa depressão. Outros se reinventam, vão dar aulas, tornam-se comentaristas ou apenas seguem suas vidas.

No final de uma carreira vitoriosa, o atleta ainda fatura uma boa grana, mesmo não estando mais em sua melhor forma. Mas, no MMA, o lutador expõe drasticamente sua saúde, acreditando que ainda pode vencer. No caso de Minotouro, parado há mais de um ano, o nocaute deve fazê-lo repensar seus próximos combates, tentando preservar o máximo sua saúde. Ainda pode fazer boas lutas, mas contra atletas no mesmo nível de competição.

Não há dúvidas que lutas contra os tops da divisão estão completamente fora de cogitação. Rodrigo Minotauro, Rogério Minotouro, Wanderlei Silva e outras lendas do Pride F.C, a partir de agora, devem escolher lutas com outro apelo que não seja o cinturão. Lutas com outras lendas ou com atletas de mesma faixa etária e história no esporte devem ser cogitadas. Contudo, combates contra atletas da nova geração trarão derrotas amargas. É preciso conhecer os limites para o corpo não pagar no futuro.

O planejamento da carreira passa também por saber como sair de cena. Como realizar combates em bom nível, contra adversários a altura. Poucos conseguem chegar perto dos quarenta anos em nível de campeão. Anderson Silva conseguiu, mas sabe que agora é melhor fazer shows do que batalhas. As lendas brasileiras não precisam provar nada a ninguém. Merecem se despedir de sua vida de combates. Mas, definitivamente, a hora de mudar de atividade está perto. Uma nova geração vem por aí. Em breve serão seus filhos que estarão lá.

Em rota de colisão

11 novembro, 2013 às 18:57  |  por Gustavo Kipper

Quando Vitor Belfort desafiou Anderson Silva, em 2011, gerou uma polêmica que resiste até hoje. Amigos ou parceiros de treinos devem se enfrentar? Hoje, principalmente após a chocante derrota de Anderson para Chris Weidman, todos parecem querer o cinturão dos médios. Lyoto Machida desceu de peso, Ronaldo Jacaré migrou para o UFC e acumula vitórias – além de Vitor, que, sem dúvida, está no seu auge físico e mental. Com a revanche entre Anderson e Weidman marcada para dezembro, Vitor ficará esperando no camarote por mais uma disputa por cinturão.

O que deixa essa futura disputa emocionante, mesmo sem conhecermos o adversário, é o fato de Vitor Belfort não ser o mesmo lutador que levou aquele golpe. Aquele, que por fim, foi parar no clipe milionário de abertura do UFC que, aliás, poderia ser substituído por qualquer um dos três últimos nocautes aplicados pelo fenômeno. Todos com chutes potentes e arrasadores. Esse Vitor de sábado passado é, como disse Chael Sonnen, assustador. Hoje é um lutador completo. Sem os fantasmas das tragédias da vida, sua mente talvez seja seu trunfo. Confiança sobrando e sangue nos olhos.

Assim como o de Anderson, o caminho de Vitor Belfort será de grandes lutas. Está indo pra reta final de sua carreira e experimenta pela primeira vez a regularidade. Mesmo com boatos de que Anderson Silva vai abandonar o cinturão se vencer Weidman, com Vitor na mira, a primeira superluta de tantas que quer disputar está a caminho. Dana White pretende fazer essa luta em um estádio de futebol, tamanha será a audiência de um confronto como esse.

Eu particularmente gostaria muito de ver. Acho que Vitor Belfort é hoje muito melhor do que há dois anos. Já Anderson precisa vencer pra provar que ainda está no topo da cadeia. Com tantos lutadores de ponta na mesma categoria, é fácil prever colisões históricas em 2013 e 2014. Em ano de Copa do Mundo, o MMA promete dar um salto na dimensão de suas ambições. Só nos resta torcer pra nenhuma lesão atrapalhar o espetáculo.
Ranking Sherdog dos médios

  1. Chris Weiman (10-0)
  2. Anderson Silva (33-5)
  3. Vitor Belfort (24-10)
  4. Ronaldo Souza (10-3-1)
  5. Yushin Okami (29-8)
  6. Michael Bisping (24-5)
  7. Lyoto Machida (20-4)
  8. Mark Muñoz (13-4)
  9. Luke Rockhold (10-2)
  10. Named Khalidov (27-4-2)

(Vitórias- derrotas- sem resultado)

http://youtu.be/-4JxdmfUn5U

 

Renan Barão, Jon Jones, T.U.F e Anderson Silva.

25 setembro, 2013 às 15:34  |  por Gustavo Kipper

Renan Barão é o verdadeiro campeão.

O brasileiro do Rio Grande do Norte só conheceu o gosto da derrota em sua estreia, em 2005. Depois disso foram 31 vitórias consecutivas, sendo seis no UFC – duas delas defendendo o cinturão interino do peso-galo. Já o campeão Dominick Cruz não sabe o que é lutar há quase dois anos e vem sendo protegido pela organização, que insiste em manter o quase ex- atleta com o título. Com seguidas lesões no joelho, é impossível prever como Cruz irá se comportar após tanto tempo de inatividade. Então fica claro que Renan Barão é o verdadeiro campeão. Espero ver esse duelo em breve para botar um fim nessa história.

Jon Jones venceu Alexander Gustafsson

Sem dúvida foi uma das maiores lutas da história do UFC. O duelo de gigantes foi equilibrado e muito técnico. Pela primeira vez vimos o campeão sangrar, sair amassado. Mas, tanto pelo número de golpes significativos quanto pelo que mostrou, Jon Jones venceu Alexander Gustafsson. Entendo perfeitamente e respeito aqueles que enxergaram outro resultado. A questão agora é se o sueco merece uma revanche, mesmo tendo perdido, ou se o UFC cumpre o que prometeu e dá o title shot para Glover Teixeira. Do ponto de vista do negócio, uma segunda luta teria muito mais apelo, mas pela ordem natural das coisas, agora seria a vez de Glover.

The Ultimate Fighter EUA

A edição do The Ultimate Fighter Ronda Rousey vs Miesha Tate chega esta noite ao seu terceiro episódio nas telas americanas. Essa talvez seja a edição com maior apelo, embora já tenhamos visto rivalidades pesadas. Rousey vs Tate promete chegar ao extremo. Perdendo por 2×0, a campeã Ronda Rousey está mostrando um lado que muita gente não conhecia. Bullying, raiva e um pouco de imaturidade fazem com que Miesha Tate fique mais carismática e inevitavelmente você acaba torcendo para seu time, independentemente de quem esteja lutando. É a primeira vez também que as mulheres têm chance de ganhar o contrato de seis dígitos. O canal Combate transmite os episódios na sua programação. Vale a pena conferir.

Anderson Silva vs Chris Weidman 2

Ontem (24), em Las vegas, foi realizada uma entrevista coletiva de promoção da revanche entre Chris Weidman e Anderson Silva. Sempre avesso às entrevistas, Spider disse o que todos já sabem. Acredito que realmente ele está motivado e deve agredir mais, porém não vai mudar sua postura provocadora, que na maioria das vezes destrói a mente de seus adversários. Mas o campeão estará preparado. Desde quando lutava muay-thai, Anderson tem esse estilo. É seu jeito de lutar. Isso não muda. O que muda é a atitude de nocautear, de vencer e recuperar o que é dele. Mas não criemos expectativas. Além da luta estar longe, depois da última, só acredito vendo.

(www.gazetaesportiva.net)

Revanches fazem parte do show

25 julho, 2013 às 13:34  |  por Gustavo Kipper

Chris Weidman é hoje o campeão dos pesos-médios do UFC. Está invicto e venceu a luta contra Anderson Silva com um nocaute chocante. Mas, mesmo com todos os elogios a Weidman, sabemos que Anderson Silva é melhor. A decepção das pessoas não pode atrapalhar uma trajetória que não apenas define sua maneira de lutar, mas sua personalidade, que às vezes transforma alguns de seus adversários em revanches contra o amargo que ele vivenciou nas primeiras décadas da vida. É aí que se perde, e como mesmo disse, esquece o que é a arte marcial.

Sem aquele papo chato de que a derrota torna o lutador melhor, já que Anderson é considerado uma lenda, vamos compará-lo, pelo menos em termos de estilos no palco, a Muhammad Ali, que também sofreu derrotas chocantes, mas voltou e venceu as revanches, algumas até em três lutas, contra Joe Frazier, falecido em 2011, na trilogia chamada de Trilha em Manila, cidade filipina onde foi disputada a luta.

Então senhoras e senhores, aguardem muita água pra rolar. Anderson ainda tem contrato de pelo menos cinco lutas com o UFC e é provável que ainda enfrente, mesmo que perca para Weidman, Jon Jones, Vitor Belfort e como ele mesmo diz, quem bater o peso e cair dentro. Acho que Anderson Silva deve estar muito motivado, assim como todos estão. É uma época em que todo mundo perdeu o medo de desafiar o campeão. Até Ronaldo Jacaré já disse que vai em busca do título. Sem dúvida haverá grandes lutas em um futuro breve. A começar por José Aldo e o Zumbi coreano, que lutam no UFC Rio em agosto.