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'Anderson Silva'

Sou fã do UFC. Mas tenho saudades do Pride e do K-1

16 maio, 2013
15:17

Sou fã do UFC. Não perco uma edição. Mas tenho saudades do Pride e do K-1

Todos os esportes são gerenciados por entidades. Mas nenhum esporte é tão refém de uma marca como é o MMA em relação ao UFC. Mesmo com o esforço de ex- lutadores e pequenos empresários para realizar os eventos nacionais, estes ainda soam amadores comparados ao maior evento do mundo. É claro que estamos falando de um espetáculo com quase 20 anos de trabalho, mas nunca podemos nos esquecer de que a ideia foi brasileira. O que faltou é o que sobra para os americanos. Como fazer tudo virar um grande show.

Com os cassinos à disposição e um investimento milionário, o UFC é sem dúvida o sonho de qualquer lutador de MMA. O contrato com a entidade é garantia de visibilidade e gera patrocínios e muito apoio. Seguindo os passos dos precursores brasileiros, hoje milhares de atletas enchem as academias com um sonho à frente. Possivelmente seja o segundo esporte no coração dos brasileiros e é, com certeza, o esporte que mais cresce no mundo. Com pouca visibilidade, muitos eventos são realizados com frequência pelo mundo, mas os podemos considerar underground. Ninguém já começa por cima. É preciso conquistar vitórias seguidas para chamar a atenção dos promotores e empresários, e aí, sim, ter uma chance nos eventos maiores.

Mas quando teremos um evento brasileiro realmente grande? Não desmerecendo os nacionais, reveladores de talentos, no país temos a necessidade de grandes eventos com grandes nomes. Com a necessidade de erguer grandes arenas e estádios para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, o Brasil vai finalmente ter estrutura para grandes públicos. Em Curitiba, por exemplo, finalmente sairemos do nostálgico, mas precário Palácio de Cristal do Círculo Militar do Paraná e enfim poderemos abrigar grandes eventos na Arena, que ainda não está pronta. Mesmo com as críticas do uso de dinheiro público, Curitiba finalmente poderá abrigar uma edição do UFC ou qualquer outro que por aqui aporte. Mas, com ídolos locais como Wanderlei Silva, Anderson Silva e Maurício Shogun, será impossível não lotar.

O fato é que quando o UFC para, a impressão é que o mundo do MMA para junto. As grandes notícias e matérias são substituídas apenas por declarações e provocações entre os lutadores, talvez para promover uma luta ou para preencher o vazio que fica quando no fim de semana não tem luta. O Brasil precisa de outros grandes eventos, com grandes lutadores. Faz falta um show que una lutadores com nome, mas que não tem contrato com o UFC. Existe um mar de lutadores que gostariam de um bom contrato, independentemente de onde seja. E falo de lutadores consagrados, como Nick Diaz e Rampage Jackson, por exemplo. O que importa é a visibilidade, vendas e grandes lutas. Será que um dia teremos um evento que faça frente ao UFC ou seremos reféns pra sempre de seus princípios?

Veja a nova abertura com trilha sonora do mestre Hanz Zimmer. Sensacional

Polêmica: o corte de peso ao longo da carreira.

30 abril, 2013
14:19
prommatraining.com

Antes e depois…

Na maioria dos esportes de combate, como o judô ou o boxe, é normal o atleta perder certa quantidade de peso para conseguir lutar em uma categoria abaixo da que realmente pertence para ganhar vantagens, pois após as pesagens o lutador recupera grande parte do peso. O processo, além de uma dieta rigorosa nas semanas que antecedem a luta, consiste basicamente em um trabalho de desidratação ao longo do qual o atleta perde peso apenas em líquidos, sendo fácil recuperá-lo em 24 horas.

No MMA, a grande maioria dos lutadores sofre bastante para conseguir alcançar o peso, que muitas vezes chega a 10 kg a menos do que realmente eles pesam. Esse desgaste os leva ao limite e muitos não conseguem e acabam passando mal e indo para o hospital. Os lutadores mais experientes, que contam com uma equipe de fisiologistas, nutricionistas e treinadores, já se acostumaram com a prática. Muitos dizem que a primeira luta é contra a balança.

Vamos imaginar um lutador como Georges St Pierre, que pesa normalmente 85 kg. Ele é o campeão absoluto da categoria dos meio-médios, com limite de 77 kg. Será que se Georges lutasse nos médios, sem o corte de peso, teria o mesmo desempenho. Nesse caso, obviamente que não. Assim como Georges perde quase 8 kg, os pesos médios, como Anderson Silva, chegam a pesar mais de 100 kg nos treinamentos. Então é uma vantagem difícil de recusar.

Muitas vezes, o que define o sucesso do lutador é sua adaptação ao peso em que irá competir. Wanderlei Silva prefere não cortar muito peso, alegando que perde força e explosão, motivo pelo qual ele subiu novamente para os meio-pesados, até 93 kg. Anderson Silva e Jon Jones são possivelmente os que mais se beneficiam da técnica. Com grandes envergaduras, altos e muito fortes, se sobressaem em suas categorias, pois são notavelmente maiores do que seus adversários.

Certamente, se as pesagens ocorressem no dia das lutas, o mundo do MMA seria completamente diferente e os campeões e rankings seriam totalmente alterados, mudando inclusive o rumo do esporte. Mas, o UFC parece nem pensar nessa possibilidade, ainda. O fato é que não surgiram estudos sérios e definitivos sobre as consequências do corte excessivo de peso a que os atletas são submetidos durante suas carreiras.

Será que essa prática realmente não prejudicará futuramente os atletas? Ou a tecnologia esportiva chegou ao ponto de conseguir manipular o corpo sem que isso diminua funções vitais do atleta ao longo dos anos? É uma questão que deveria ser avaliada para que as futuras gerações de atletas não sofram os mesmos problemas que a primeira geração do MMA pode apresentar em um futuro breve.

Veja o vídeo do campeão dos penas José Aldo cortando peso:

 

 

Joe Silva por um dia

11 abril, 2013
13:38

Mesmo com a criação do ranking oficial, muitos combates ainda serão marcados pelo apelo que a luta proporciona pelos fãs, além é claro da venda dos pay- per- views que fazem a roda girar. Fico imaginando que um dos empregos mais legais do mundo seja o do matchmaker do evento, Joe Silva, responsável por planejar quem lutará com quem. Embora o ranking seja uma boa referência, a imaginação de um combate com toda sua complexidade e confronto de estilos faz qualquer um imaginar como seria se…?

Pensei um pouco e imaginei 20 confrontos que ao menos eu gostaria de ver na tela. Não posso considerar eventos já marcados. Apenas possíveis confrontos.

  1. Anderson Silva vs Jon Jones (luta em peso combinado de 88 kg)
  2. Anderson Silva vs Georges St Pierre (luta em peso combinado de 80 kg)
  3. José Aldo vs Ben Henderson (luta em peso combinado de 68 kg)
  4. Wanderlei Silva vs Chael Sonnen (meio- pesado)
  5. Júnior Cigano vs Cain Velásquez III (peso- pesado)
  6. Renan Barão vs Dominik Cruz (peso- galo)
  7. Rodrigo Minotauro vs Fedor Emelianenko 4 (peso- pesado)
  8. Maurício Shogun vs Gerard Mousasi (meio- pesado)
  9. Lyoto Machida vs Alexander Gustafsson (meio- pesado)
  10. Michael Bisping vs Hector Lombard (peso- médio)
  11. Frank Edgar vs Chad Mendez (peso- pena)
  12. Vitor Belfort vs Wanderlei Silva (meio- pesado)
  13. Ronaldo Jacaré vs Roger Gracie (peso- médio)
  14. Ronda Rousey vs Chris Cyborg (peso- galo)
  15. Rogério Minotouro vs Dan Henderson (meio- pesado)
  16. Nate Diaz vs Anthony Pettis (peso- leve)
  17. Nick Diaz vs Rory McDonald (meio- médios)
  18. Rodrigo Minotauro vs Frank Mir 3 (peso-pesado)
  19. Maurício Shogun vs Glover Teixeira  (meio-pesado)
  20. Júnior dos Santos vs Jon Jones (peso- pesado)

Crônica por Nico Anfarri: Pierre Precisa Perder

15 março, 2013
12:34

Excelente análise de Nico Anfarri sobre o combate de sábado entre GSP vs Diaz. Resolvi publicar. Explica o sentimento de muitos.

Georges St.Pierre só tem duas derrotas em 24 lutas, não perde desde 2007, se impõe sobre adversários de alto nível com a facilidade característica dos acima da média, tem uma excelente aparência, história de vida inspiradora de rapaz que chegou a trabalhar como gari e agora é uma estrela, fala bem, tem discurso sem maneirismos ou a eventual falácia que ainda estigmatiza o MMA, exalta seus adversários tanto na glória quando na queda e é responsável, quase que exclusivamente, pelo esporte ter virado febre num dos maiores países do mundo e sua terra natal, Canadá. St. Pierre é perfeito e por isso tem que perder.

Até sua derrota para Serra em 2007 Pierre era um dos lutadores mais empolgantes do mundo. Um atleta dinâmico e agressivo que usava seu excesso de possibilidades e técnicas para aceitar a emoção do combate. Um apaixonado pelo sonho de ser e se manter campeão. Ser destemido é característica do verdadeiro apaixonado e suas lutas mostravam desejo pelo esporte, eram o ápice de meses de treinamento, era aquilo que ele realmente queria, o melhor dia de sua vida. Atualmente a luta parece ser conseqüência natural de sua posição, um momento inevitável que faz parte do processo de ser lutador. Coisa mecânica. A paixão deu lugar a rotina e mesmice. Suas lutas se tornaram burocráticas, um bom-dia de caixa de supermercado.

St.Pierre luta com a calculadora na mão. O maior matemático do MMA. No marketing ele é faixa preta de jiu-jitsu, mas na prática não conseguiu finalizar o striker Dan Hardy em 25 minutos de luta de solo, mesmo sendo fantástico em wrestling segurou quase toda a luta em pé contra Koscheck e nos maltratou com a mais sacal demonstração de como dar jabs de esquerda num olho com o osso orbital quebrado. Tento não ser mesquinho, mas se é fato que é o campeão inquestionável de seu peso, também é fato que é faz lutas amarradas e sem brilho desde 2008. Ídolos definem tendências, aparecem em noticiários, são imitados e MMA é muito maior do que Pierre faz parecer. Imaginem uma categoria apenas com Andersons, por exemplo. Mas e se fossem apenas vários St.Pierres? Quanto tempo para os fãs mudarem de canal para assistir ginástica olímpica ou ressuscitarem o boxe? Enquanto uns nos prendem na poltrona, St.Pierre nos levanta para ir ao banheiro ou beber água. É tão talentoso que só tem luta se ele quiser, e não quer. Quer é nos convencer que MMA é um somatório infinito de mais e mais técnicas, treino, preparação, sem emoção e risco na equação. Menos espetáculo e mais didática.

A diplomacia de um campeão é medida dentro do octagon e não em ternos Armani. O maior embaixador que o esporte já teve é russo, não fala inglês e divulgou MMA com o rosto cortado e nariz quebrado. Discurso feito com a boca e punhos fechados. As aulas de aritmética de Pierre já são vaiadas até no Canadá. Cada main event de UFC é um dos momentos esportivos mais importantes e influentes do planeta, é quando leigos que assistem pela primeira vez verão mais outras milhares ou nunca mais. Qual de nós aqui teria se apaixonado por MMA se a primeira luta que víssemos fosse Pierre VS Koscheck ou Hardy ou Alves ou Shields? E essas foram as primeiras e últimas de milhares de possíveis fãs. Pierre Vs Clay Guida numa luta sem rounds e limite de tempo poderia ser evento principal na entrada do inferno.

Para ser um dos melhores só precisa de vitórias, mas para ser uma lenda precisa de nossos aplausos. E isso ele não tem. Falta aquele olho vermelho com litros de sangue pra despejar por um sonho. Se vitórias e mais vitórias apagaram essa chama, St.Pierre então precisa perder. Um pequeno passo para trás e mil para frente. Pierre precisa apanhar de Nick Diaz. Não só perder, mas uma surra, coisa quase masoquista, ver sua cara amassada e ensangüentada. Ter a derrota rasgada no seu ego para eternidade, ouvir que sempre foi amarrão e nunca realmente tão bom. Serão calamitosas mentiras, palavras enxaguadas com paixão pelo fã, mas vai magoar e ele vai ser forçado a fazer alguma coisa. Lembrar que não nunca foi gênio, que sua real beleza está na perseverança, vai ter que voltar a carregar a cruz, começar quase do zero, repensar a carreira, em subir de peso, achar que somos ingratos, usar vingança como combustível, derramar sangue, voltar a vencer de modo contundente, ser aplaudido e em glória perceber que em MMA as linhas são sempre tortas.

St.Pierre precisa perder . Sabe que é nosso desejo quase secreto e isso corrói seu espírito de bom moço. Precisa arrancar as asas, jogar fora a auréola, se lançar por entre as nuvens na ponta do cotovelo de Diaz. Martelar o prego na mão. Quebrar a vitrine. Só na marra, espatifado e rastejando em seus próprios cacos vai entender a diferença entre os melhores e os maiores, os famosos e as lendas. Porque choramos a derrota de alguns e vibramos com a de outros. Georges St.Pierre precisa perder para poder renascer.

alexandraphilibert.wordpress.com

Faltam um ranking oficial e critérios

30 janeiro, 2013
11:58

Ninguém pode duvidar da capacidade do UFC em gerenciar a marca e principalmente na padronização da alta qualidade nos eventos da franquia, com estrutura e lutas quase sempre impecáveis. Porém, o número de lutadores se multiplicou nos últimos anos. A compra do Strikeforce, a absorção do WEC, a contratação de atletas do Bellator e a importação de promessas, como por exemplo os irmãos Marajó, campeões dos nossos eventos nacionais como Jungle Fight, fizeram inchar a organização de atletas, e mesmo com o visível aumento no número dos eventos, muitos lutadores não têm a menor ideia de qual será o rumo de suas carreiras. Sempre escutamos a frase: “Não escolho adversário, deixo nas mãos do Dana e do Joe Silva”.

Isso se deve ao fato de as lutas serem combinadas, tendo como principal critério a venda do pay per view. Embora as lutas quase sempre façam sentido, quem acompanha ou trabalha diretamente com o evento é impedido de trabalhar com um planejamento mais longo, pois fica à deriva aguardando instruções dos chefões que anunciam os cards sem que haja muita contestação por parte de atletas e fãs. Faltam critérios técnicos e interação com o público, para que sejam marcadas as lutas mais justas e não as mais vendáveis. Falta um ranking oficial do UFC em todas as categorias, para que seja mais transparente a missão da organização de criar campeões.

Já vimos nas principais categorias o campeão se dar ao luxo de negar desafios, embora em alguns casos, pelos motivos citados anteriormente. Por coincidência, Anderson Silva e Jon Jones, à primeira vista, negaram o combate contra o falastrão Chael Sonnen. Ambos por motivos parecidos, mas o principal: os campeões achavam que Sonnen não merecia estar ali, que tinha ganhado a oportunidade com a garganta e vendia pay per view. Esses foram os casos mais recentes de crises entre os campeões e a organização. Tudo isso poderia ser evitado com a criação de um ranking oficial com critérios de pontuação.

Estabelecer critérios e organizar os egos em posições deixaria mais nítidas para os fãs as lutas mais justas e impediria que os campeões travassem a categoria escolhendo as lutas que melhor encaixam no seu perfil vitorioso. Fogem de desafios. Poucos campeões realmente não escolhem adversários. Anderson Silva vem se especializando em enfrentar adversários medíocres, muito abaixo de seu potencial, para poder dar show em lutas fáceis. Realmente só o vi sendo testado duas ou três vezes em todas as defesas de cinturão. Talvez o único que obrigou Anderson a se superar tenha sido Dan Henderson, muitos anos atrás.

A moda agora para evitar a defesa do cinturão são as chamadas superlutas contra adversários da categoria acima. Mas, como Spider não luta contra amigos, parceiros de treino, ex- colegas e qualquer ser vivo que tenha feito um treino junto, eliminam-se as superlutas mais emocionantes como contra os amigos Lyoto Machida, Maurício Shogun, Rogério Minotouro, Glover Teixeira e assim vai. Aí sobram Stephan Bonnar, Forrest Griffin, Cung Le. Sinceramente, superlutas seriam contra os campeões ou ex- campeões, atletas que algum dia já souberam o que era ser o melhor. Até mesmo Vitor Belfort anda se aproveitando do nome para ganhar disputa de cinturão em pesos diferentes, furando literalmente a fila de atletas que há anos vem tentando subir em um ranking que não existe.

Enquanto os critérios subjetivos e financeiros estiverem à frente de um julgamento técnico, veremos lutas armadas que não movimentam a categoria, apenas protegem os campeões e os lucros da televisão.

Anderson Silva e Júnior Cigano – Conte até 10

8 novembro, 2012
09:04

Nova e talvez uma das melhores campanhas publicitárias do Brasil neste ano. Em pesquisa realizada, descobriu-se que 80% dos homicídios cometidos no país são por motivos fúteis. A campanha vai contar coma  presença de outros lutadores e terá divulgação maciça na rede pública de educação.

Excelente ideia.

O medo de perder

17 outubro, 2012
16:00

(Foto: Reprodução/veja.abril.com.br)

Jon Jones já afirmou que hoje ele e Anderson Silva têm tudo, mas se os dois lutarem, ao final um dos dois não terá nada.  Além disso, o americano acredita que Anderson seja como uma espécie de referência, ou até mesmo um mentor.

Anderson Silva não perde desde 2006 e hoje está com 37 anos de idade. Embora repita com frequência que lutará por mais cinco ou seis anos, não parece querer mudar de peso, muito menos enfrentar lutadores com alto poder de periculosidade. Suas últimas lutas ele venceu com extrema facilidade, contribuindo muito para a formação do mito. Já afirmou que nunca enfrentaria Jon Jones.

Os principais articuladores do UFC, assim como o público do mundo todo, enxergam nessa luta o maior combate de todas as lutas e esportes de contato do século XXI. Não apenas pelas receitas e números que o evento impulsionaria, mas pela dúvida que quase nos atormenta em saber quem é o melhor. Quem seria o vencedor.

Tanto no boxe como nas origens do vale- tudo e MMA, o objeto de desejo era saber qual o estilo e lutador era o melhor. Os atletas compraram essa premissa da família Gracie, que desde os anos 20 vem travando desafios de quem ou qual arte era a melhor. Royce Gracie venceu as primeiras edições do UFC enfrentando atletas muito maiores e mais pesados, mas por acreditar em sua arte e técnica, venceu todos seus oponentes, chegando a fazer quatro lutas em uma só noite.

O MMA que vemos hoje é muito mais organizado, tanto na estrutura quanto na definição de regras, pesos e ranking. O atleta se profissionalizou e pode viver bem e investir em sua carreira. Os lutadores modernos não precisam mais fazer várias lutas em uma noite para saírem vencedores. Os combates foram direcionados como no boxe, dando oportunidade ao atleta de estudar seu adversário e se preparar corretamente.

Questiono se todo esse aparato de proteção, além da cultura de enxergar os atletas como marcas e personalidades, não tirou do lutador a vontade de provar que é o melhor, ainda mais quando certo combate é indiscutivelmente desejado pelo mundo todo – além de questionar a superioridade de um atleta ou outro. Décadas atrás esse desejo seria concretizado facilmente pelos lutadores que estão sob os holofotes.

Foi assim que a família Gracie conquistou respeito, enfrentando oponentes não importando o tamanho ou o nome. Respeito o temor de Jones e Anderson Silva em terem seus egos diminuídos ou sua qualidade questionada.
Mas sabemos que ambos se assemelham, sendo pequena a diferença de tamanho. Ambos temem um ao outro, mas talvez o dinheiro compre esse temor. Resta saber quanto custa.

Como foi o UFC Rio 3

15 outubro, 2012
10:10

(Reprodução/ site UFC)

Muita expectativa cercava o UFC Rio 3, que aconteceu neste sábado, na HSBC Arena, Barra da Tijuca. Não só pela participação dos astros Anderson Silva e Rodrigo Minotauro, mas também pela quantidade de brasileiros no card, muitos conhecidos pela participação do reality show The Ultimate Fighter. Diego Brandão, ganhador da edição americana, logo após vencer sua luta, desafiou o vencedor da edição brasileira, Rony Jason. Eles postaram vídeos na internet assinalando que esse pode ser o próximo combate do peso pena, envolvendo os dois cearenses campeões.

Demian Maia mais uma vez mostrou que sua mudança de categoria foi a melhor estratégia que sua carreira já viu desde sua mudança do jiu-jitsu para o MMA. Lutando nos meio-médios, venceu o americano Rick Story com facilidade, por finalização, e continua avançando no ranking. Se continuar assim, deverá ganhar mais uma chance de conquistar o cinturão, já que em seu antigo peso Anderson Silva reina.

Wagner Caldeirão não repetiu o bom início de combate contra Phil Davis, quando teve seu olho golpeado, obrigando a remarcação do combate. Mesmo lutando fora de casa, Phil Davis dessa vez preferiu não arriscar e usou de forma precisa seu wrestling, derrubando, dominando e finalizando sem maiores problemas.

Muita expectativa também em torno do prodígio brasileiro Erick Silva, que tinha pela frente seu maior desafio, fugir do carrapato John Fitch, um dos tops da categoria e conhecido por seu jogo chato, porém competitivo. Em uma luta movimentada em que ambos tiveram a chance de finalizar, o resultado veio por pontos a favor do americano, que venceu com dificuldades. Por ser muito novo e talentoso, Erick deverá voltar mais forte, embora tenha caído algumas posições no caminho ao cinturão.

Embora não tenha sido escolhida como a luta da noite, Glover Teixeira e Fábio Maldonado protagonizaram uma batalha épica. Glover começou com tudo e iniciou um castigo a Maldonado que poucos seres vivos poderiam suportar. O poder de aguentar o castigo fez com que Glover não acreditasse no que estava vendo, e mesmo com a luta interrompida pelo árbitro, Glover fez questão de levantar o braço do oponente com a frase “ele não é humano”. Mesmo com a derrota, Fabio Maldonado ganhou muito prestígio pela raça, determinação e resistência. Já Glover nada de braçadas rumo à tão sonhada luta contra Jon Jones.

Rodrigo Minotauro entrou com a missão de mostrar ao mundo que estava recuperado da terrível lesão no braço direito. Porém, com a falação do americano, que tentou minimizar as técnicas do jiu-jitsu, alegando que jamais havia sido finalizado, a missão passou a ser outra. No melhor estilo Gracie, a vitória seria muito mais gloriosa se fosse por desistência e finalização. Como um herói exemplar, não deu outra. Após castigar Dave Herman com seu boxe afiado, aproveitou a queda do americano para montar e partir para a chave de braço, melhor ajustada quando o americano tentou um rolamento para escapar. Desesperado, bateu três vezes fazendo a arena explodir como se fosse um gol da seleção de futebol. Lavou mais uma vez nossa alma.

Um parágrafo sempre será pouco para tentar explicar o que fez novamente Anderson Silva. Vou resumir dizendo que pudemos mais uma vez presenciar a história. A glória. Um show do melhor de todos os tempos. Posso dizer que para quem gosta de MMA ou qualquer tipo de luta, são indescritíveis a superioridade e a habilidade com que Anderson guia seus combates. Em mais uma exibição de gala, ele entrou definitivamente no ramo da genialidade.

Quando achávamos que já tínhamos visto tudo, o brasileiro mostrou por que dificilmente será superado na arte de lutar. É o humano que leva a sério o conceito de misturar e combinar todas as artes marciais. É o mais próximo que pude ver da perfeição. Acho que Anderson subiu muito alto e nenhum adversário que não seja Jon Jones nos interessa mais. Vida longa ao campeão.

Michael Bisping em rota de colisão com Anderson Silva

26 setembro, 2012
10:33

(By Mike Dinovo, US Presswire)

Muitos acreditam que o brasileiro Anderson Silva tenha varrido por completo sua divisão de peso, forçando inclusive combates no peso de cima. Caso do próximo UFC Rio, em que enfrentará o veterano meio-pesado Stephan Bonnar. Porém, os últimos confrontos realizados dentro de seu peso original movimentaram bastante as posições do ranking da divisão, e, com a vitória no último sábado, o inglês Michael Bisping está credenciado a desafiá-lo. Com uma vitória contundente sobre Brian Stann, na coletiva de imprensa pediu a luta. Mas será que chegou sua hora?

Quem acompanha a divisão sabe que Michael pode ter ainda um último adversário antes de ganhar a grande chance. Hector Lombard, ex- campeão do Bellator, estreou no UFC carregado de expectativas. Vindo de 35 triunfos e sem perder desde 2006, pegou logo de cara um adversário duríssimo que impediu o cubano de fazer seu jogo. Tim Boetsch superou todo o favoritismo e arrancou uma vitória contestável na decisão dos árbitros, empurrando Hector para o fim da fila.

Outro lutador que também tenta garantir o posto de desafiante é o jovem invicto Chris Weidman, que vem de vitória esmagadora contra Mark Muñoz. Toda essa movimentação sugere duas semifinais para decidirem quem realmente terá a chance de disputar o cinturão contra Spider. Seguindo a lógica, a primeira já foi realizada e, com a vitória de Bisping sobre Stann, resta aguardar o vencedor de Tim Boetsch e Chris Weidman para, aí sim, os dois definirem em uma luta quem será o desafiante.

Parece um pouco complicado, mas essa é a lógica. Enquanto o desafiante não é definido, sobram especulações de um combate do brasileiro contra o canadense Georges St Pierre, campeão dos meio-médios, que não luta há um ano e meio, mas voltará ao octógono no fim do ano para a decisão do cinturão, que hoje está interinamente nas mãos de Carlos Condit. Anderson torce muito para a realização da luta. Mas também por um motivo simples. Seria a luta dos dois maiores vendedores de pay per view do UFC. Além da fama, muito dinheiro está em jogo antes de colocar novamente seu cinturão em perigo.

Veja como ficou o card do UFC Rio III

13 setembro, 2012
12:01

UFC Rio III
13 de outubro, no Rio de Janeiro (RJ)
CARD PRINCIPAL*
Anderson Silva x Stephan Bonnar
Rodrigo Minotauro x Dave Herman
Glover Teixeira x Fábio Maldonado
Jon Fitch x Erick Silva
Wagner Caldeirão x Phil Davis
Demian Maia x Rick Story
CARD PRELIMINAR* 
Rony Jason x Sam Sicilia
Gabriel Napão x Gerônimo Mondragon
Gleison Tibau x Francisco Massaranduba
Diego Brandão x Joey Gambino
Serginho Moraes x Renée Forte
Luiz “Banha” Cané x Chris Camozzi
Cristiano Marcello x Reza Madadi

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