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O retorno de Anderson Silva

30 julho, 2014 às 15:10  |  por Gustavo Kipper

Após a lesão que chocou o mundo e colocou em risco a carreira do ex-campeão dos pesos-médios do UFC, Anderson Silva retorna ao octógono dia 31 de janeiro, em Las Vegas, em uma superluta contra o americano Nick Diaz.

Posso afirmar que o combate é interessante por vários motivos: o primeiro é o fato de ambos estarem parados há mais de um ano. Nick Diaz, famoso por seu comportamento e fama de bad boy, estava aposentado do octógono desde a derrota para Georges St Pierre, em março de 2013, no UFC 158. Outro motivo é o estilo de Diaz, que prefere a trocação e o jiu-jitsu. Acredito que Anderson esteja farto de enfrentar wrestlers chatos. A ideia de passar uma luta defendendo quedas é frustrante. Contra Nick Diaz, o boxe e o show poderão dar o tom da luta.

Apesar de Anderson ser maior e mais pesado, a luta nos 84 kg deixa a situação mais justa. Acostumado com lutas nos 77 kg, Diaz não sofrerá para perder peso. O estilo marrento de andar pra frente, usando seu boxe e envergadura, pode facilitar as coisas para o Spider. Anderson, mesmo maior, é muito rápido e também gosta de boxear. Com dois pugilistas natos, não há como esperar uma luta monótona.

Ainda que esteja receoso em chutar com a perna esquerda, o brasileiro não precisa se preocupar. Seu boxe e ótimo jiu-jitsu podem ser equiparados com o de Nick, que também é habilidoso e treinado por Cesar Gracie. Logo, não esperem uma luta fácil. Nick Diaz tem queixo duro e é difícil de ser nocauteado. Mas a genialidade de Anderson vai fazer a diferença. Conhecendo o personagem, chutará com a perna esquerda sem dó.

Do ponto de vista do entretenimento, o UFC foi extremante competente em casar essa luta. Sem dúvida nenhuma são dois astros que sabem vender. Inclusive, seria interessante se Nick já começasse a fazer o que melhor sabe: tirar seus adversários do sério com provocações e trash talking. Mas, ao contrário de Sonnen, que é um comediante, Nick costuma levar os desafios para o lado pessoal, deixando a luta ainda mais apimentada.

Esse é daquelas lutas imperdíveis. Embora nenhum cinturão esteja em jogo, são duas marcas colidindo. São essas as lutas que todos querem ver. Lutas com apelo. Lutas com emoção. Batalhas entre trocadores é sempre animador. Pelo menos estaremos livres das lutas amarradas de grapplers que ficam na grade a luta toda.

O card dos sonhos

22 julho, 2014 às 13:12  |  por Gustavo Kipper

1 – Jon Jones vs Cain Velasquez

Enfim o combate entre os dois seres-humanos mais perigosos do MMA. Os dois poderiam lutar em em peso casado, com 100 kg, ou no peso-pesado, até 120 kg. Apesar da vantagem de tamanho, Jones poderia encontrar dificuldades com a trocação e o wrestling de Cain, que, com enorme poder de nocaute, poderia fazer o que ninguém fez; nocautear Jon Jones ou castigá-lo no ground and pound.

2 – José Aldo vs Anthony Pettis

Essa superluta já ficou perto de acontecer, mas Pettis sofreu lesão e a luta foi cancelada. O mais justo seria em um peso casado, de 68 kg. Apesar de levar vantagem pela envergadura, Anthony Pettis pode encontrar dificuldades com o muay-thai de Aldo, que usa chutes muito fortes. Mas seu poder de atacar e contra-atacar faria do combate uma batalha pelo nocaute, já que ambos adoram lutar em pé.

3 – Ronda Rousey vs Cris Cyborg

A mais aguardada luta da história do MMA feminino, essa seria a disputa pelo cinturão dos pesos galos. Praticamente invencível, Ronda, enfim, seria testada por outra campeã. Ronda possivelmente levaria a luta para o solo com seu judô, e caso acontecesse, possivelmente poderia acabar a luta ali. Mas Cris Cyborg é diferente. Difícil fazer previsões.

4 – Johnny Hendrics vs Robbie Lawler

O campeão Johnny Hendrics enfrentaria seu maior desafio, depois de Georges St Pierre. Uma batalha de cinco rounds com dois atletas com queixo duro. Venceria aquele que chegasse mais inteiro nos dois últimos rounds. Acho que Lawler poderia levar uma pequena vantagem, mas a mão pesada de Hendrics poderia alterar o rumo das coisas.

5 – Alexander Gustaffson vs Daniel Cormier

Com Jon Jones lutando no evento principal, sobrou para os dois decidirem quem é e o melhor lutador nos meio-pesados, em caso de Jones subir de categoria. Apesar de ser muito mais alto e ter muito mais alcance, Gustaffson enfrentaria um atleta que nunca perdeu nos pesados e nem nos meio-pesados. Daniel Cormier é um monstro e não me surpreenderia se vencesse sem precisar dos pontos.

6 – Fabrício Werdum vs Júnior dos Santos II

Seria a revanche dos sonhos de Werdum que foi nocauteado no primeiro confronto. Hoje Werdum melhorou muito a trocação, além de ter o jiu-jitsu como alternativa. Campeão mundial várias vezes, dessa vez o gaúcho levaria uma pequena vantagem.

7 – Vitor Belfort vs Lyoto Machida

Com um possível domínio de Chris Weidman, nos pesos-médios, os brasileiros fariam um duelo, já cogitado, pela possibilidade de entrar novamente em rota de colisão com o campeão. Nesse caso, uma vitória ou uma derrota são cruciais para a continuação de suas carreiras, pois já são considerados veteranos, com 37 e 36 anos.

8 – Frank Edgar vs Chad Mendez

Seria uma guerra de dois lutadores extremamente rápidos e com poder de nocaute enorme para seus pesos. Difícil imaginar uma luta tão equilibrada, e mais difícil ainda porque nunca lutaram entre si. Não faz tanto tempo que Edgar desceu de peso, após ter sido campeão dos leves. Muita ação e pancadaria, sem dúvida.

9 – Antonio “Pezão” Silva vs Josh Barnett

Essa luta seria praticamente um acerto de contas entre os dois gigantes, que já se provocaram diversas vezes. Barnett, inclusive, já fez piadas com algumas enfermidades do brasileiro, que costuma sair vitorioso contra desafetos. Porém a experiência e frieza de Josh poderiam fazer a diferença.

10 – Rory McDonald vs Hector Lombard

A nova sensação canadense poderia encontrar dificuldades com o jogo do cubano, que de forma nenhuma anda para trás. Medalhista olímpico de judô, Hector Lombard poderia levar perigo, caso chegasse perto de Rory. Com um controle quase perfeito da distancia e golpes rápidos, McDonald pode levar vantagem pelo condicionamento físico e envergadura.

Construídos para vencer

10 julho, 2014 às 16:48  |  por Gustavo Kipper

Definitivamente, o esporte brasileiro vive um de seus piores momentos. Um país que sempre enxergou no futebol a esperança de ser o melhor em algo, já que no resto as coisas nunca andaram bem, não pode mais se apegar a isso. O MMA acompanha o ritmo do futebol e mostra que muita coisa precisa mudar, antes que uma geração inteira de talentos seja perdida.

Ficamos vinte e quatro anos sem a taça do mundo. Nem mesmo isso foi capaz de tirar a autoestima do brasileiro, que, acostumado com vitórias, entrava em qualquer competição acreditando ser o favorito. Nessa época de seca, apenas Ayrton Senna da Silva fazia nossa bandeira tremular no ponto mais alto do pódio. Infeliz coincidência, sua morte veio acompanhada do título de 94. Com o passar dos anos vimos conquistas extraordinárias do vôlei, natação, ginástica, atletismo, judô e MMA. Ficou faltando apenas a medalha de ouro do futebol, em algum dos jogos olímpicos disputados. Isso é um enorme sinal negativo.

Todas as nossas conquistas, fora do mundo da bola, foram por obra e esforço dos próprios atletas, que com nenhum incentivo do governo federal precisaram realmente usar a palavra superação no sentido prático do dia-a-dia. No suor e no sufoco. Assim é com todas as modalidades. O choro dos jogadores no hino nacional denunciava isso. A vida sofrida a que cada um foi submetido. Embora seja o esporte com maior incentivo.

No MMA também não é diferente. A maioria dos campeões vindos do Brasil teve infância pobre e precisou sobreviver antes de conseguir um pouco de tranquilidade para treinar. A Copa do Mundo deixou evidente um problema que sempre nos assombrou. A dificuldade em realizar trabalhos de longo prazo que realmente tenham resultado em qualquer modalidade esportiva em que se queira chegar à excelência.

Tirando o vôlei com Bernardinho e José Roberto Guimarães, fica difícil lembrar outros exemplos. Algo sólido que sirva para muitas gerações. O time de futebol alemão, derrotado na Copa de 2006, é praticamente o mesmo que veio ao Brasil e nos humilhou. Aqueles garotos de vinte anos, agora com quase trinta, chegaram à maturidade e estão prontos. Se vão ganhar ou não, é detalhe. Um bom trabalho foi feito e isso é inegável. Se perderem, vão cair de pé.

Espero que essa tenha sido a derrota da prepotência, do comportamento eterno de que se ganha competição com nome, camisa, superstição e fé. Vencemos algumas vezes assim, quando o futebol ainda não era globalizado. Hoje não funciona mais. Sem estudo, competência, humildade e frieza não se ganha Copa. Não se ganha luta e não se ganha corrida.

No MMA vimos nossos campeões sendo destronados por uma nova geração. Uma nova mentalidade de treinos, estilo de vida e comportamento. Resultado de um trabalho de vários profissionais que utilizam todas as ferramentas disponíveis, inclusive a excelente formação a que o atleta foi submetido. A geração vitoriosa do MMA brasileiro está se aposentando. Nossos ídolos ficaram velhos e não podem mais lutar como antes. Quem ocupará seu lugar? Será que as academias e escolas que hoje treinam os futuros atletas têm condições de formar uma legião de campeões? Ou apenas aqueles realmente privilegiados pela genética poderão ter chances?

Investir em educação é também investir em esporte. O governo federal, independentemente de partido político, tem como obrigação criar centros de excelência e formação para as modalidades esportivas mais praticadas no país, e incentivar as modalidades menos praticadas. Trazer capital humano e intelectual do exterior se preciso e pensar nas próximas gerações.

Temo que a Olimpíada de 2016 evidencie ainda mais nossas limitações e possa representar outro fracasso esportivo do Brasil. Mas, se a vergonha for o único trampolim para esses dirigentes corruptos e incompetentes serem excluídos, e prevalecer uma nova forma de pensar e trabalhar, terá valido a pena.

Um dia poderemos pensar nas derrotas do MMA e do futebol como algo positivo. Sete gols não se apagam, mas podem construir uma nova história. Caso contrário, ficaremos submetidos ao fracasso e a assistir a festa dos outros. Seremos ultrapassados em tudo, como fomos no futebol e no MMA.

UFC 174

13 junho, 2014 às 20:20  |  por Gustavo Kipper

Disputado em Vancouver, no Canadá, neste sábado (14), o UFC 174 traz a disputa do cinturão dos pesos-moscas entre o campeão Demetrious Johnson, dos EUA, e o russo Ali Bagautinov. Outra luta da noite é entre o canadense Rory MacDonald e o americano Tyron Woodley. O vencedor entra na fila pelo title shot dos meio-médios. Único brasileiro no card, Rafael Feijão luta contra o perigoso americano Ryan Bader. Vindo de vitória contra Igor prokrajac, Feijão busca ganhar espaço entre os meio-pesados. Andrei Arlovski, da Bielorússia, marca sua volta ao UFC. O ex- campeão dos pesados enfrenta Brendan Schaub (EUA).

A edição promete outra batalha entre russos e americanos. Semana passada Ben Henderson sofreu para bater o russo Rustam Khabilov, campeão mundial de sambô. Os russos vêm ganhando espaço e em breve passarão os brasileiros em todos os pesos. Com muita tradição em competições de lutas em esportes olímpicos, demonstram uma técnica refinada de luta olímpica e marcam muitos pontos. A única chance de batê-los é por nocaute ou finalização. Por pontos fica difícil.

UFC 174

14 de junho de 2014, em Vancouver (CAN)
CARD PRINCIPAL

Demetrious Johnson x Ali Bagautinov
Rory MacDonald x Tyron Woodley
Ryan Bader x Rafael Feijão
Andrei Arlovski x Brendan Schaub
Ryan Jimmo x Ovince St. Preux
CARD PRELIMINAR

Kiichi Kunimoto x Daniel Sarafian
Valerie Letourneau x Elizabeth Phillips
Mike Easton x Yves Jabouin
Kajan Johnson x Tae Hyun Bang
Roland Delorme x Michinori Tanaka
Jason Saggo x Josh Shockley

 

Cotto desmonta Martinez e conquista o cinturão verde dos médios.

9 junho, 2014 às 16:58  |  por Gustavo Kipper

O pugilista porto riquenho Miguel Cotto venceu no último sábado (07), no Madison Square Garden, em Nova York, o argentino Sérgio Martínez, e conquistou o cinturão dos pesos médios pelo Conselho Mundial de Boxe (WBC). Esse é o quarto título de campeão mundial em quatro categorias de pesos diferentes.

Em uma luta espetacular, Cotto levou o campeão à lona 3 vezes, ainda no primeiro round. Visivelmente tonto Martinez sobreviveu, mas foi dominado por um desafiante concentrado, muito rápido e técnico. Seus golpes de esquerda fizeram a diferença e, no décimo round, a luta foi interrompida pelo árbitro central, que optou em preservar a integridade física do argentino, que reconheceu a superioridade do novo campeão.

Com boatos de que a guerra fria do boxe, entre os dois principais promotores de eventos do esporte, a Golden Boy e a Top Rank, vários combates já estão sendo especulados. Um confronto entre Miguel Cotto e Saúl Canel Álvarez foi cogitado pelo líder da Golden Boy, o ex- campeão e lenda, Oscar de La Roya.

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Cotto vs Martínez (www.thesweetscience.com)

UFC 173: Barão vs Dillashaw

23 maio, 2014 às 10:29  |  por Gustavo Kipper

Renan Barão entra no octógono neste sábado (24), para defender mais uma vez seu título dos pesos- galos. Sem perder desde 2005, em sua estreia profissional, já são incríveis 32 vitórias consecutivas e o terceiro lugar no ranking peso por peso do UFC.

O evento contará também com o duelo entre Dan Henderson e Daniel Cormier. Com apenas uma luta entre os meio-pesados, Cormier busca chegar rapidamente ao topo da divisão. Mas, antes, terá que passar pela lenda do MMA.

Confira abaixo o vídeo do Countdown Barão vs Dillashaw

UFC 173
24 de maio de 2014, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL
Peso-galo: Renan Barão x TJ Dillashaw
Peso-meio-pesado: Dan Henderson x Daniel Cormier
Peso-meio-médio: Robbie Lawler x Jake Ellenberger
Peso-galo: Takeya Mizugaki x Francisco Rivera
Peso-leve: Jamie Varner x James Krause
CARD PRELIMINAR
Peso-leve: Michael Chiesa x Francisco Massaranduba
Peso-leve: Tony Ferguson x Katsunori Kikuno
Peso-galo: Chris Holdsworth x Chico Camus
Peso-leve: Al Iaquinta x Mitch Clarke
Peso-leve: Anthony Njokuani x Vinc Pichel
Peso-pena: Sam Sicilia x Aaron Phillips
Peso-meio-médio: David Michaud x Li Jiangliang

Zona de conforto

13 maio, 2014 às 12:23  |  por Gustavo Kipper

A derrota de Erick Silva, sábado passado (10), para Matt Brown, ainda precisa ser avaliada de forma mais criteriosa. Mesmo com o trabalho do renomado preparador físico Rogério Camões, que também é responsável pelo condicionamento físico de Anderson Silva, Rafael Feijão e outros nomes do UFC, Erick cansou de forma anormal e sucumbiu no terceiro round para um atleta que teria muito mais dificuldade, se não fosse o imprevisto.

Érick Silva tem apenas 29 anos. Como pode ter cansado tão rápido? Rogério Camões afirmou que o excesso de adrenalina pode ter prejudicado o capixaba. O fato é que a surra que levou quase terminou com uma fratura na mandíbula e uma concussão, depois desmentida pelos médicos. Sua saída do octógono na maca deixa muitos questionamentos e certa dose desconfiança de que muitos atletas brasileiros vivem em uma zona de conforto muito grande e estão perdendo tempo em uma carreira que dura apenas poucos anos.

Os lutadores se acostumam com seus companheiros de treinos, criam vínculos e parcerias essenciais. Porém, além de restringir seus adversários, viciam os atletas nos mesmos desafios, até o momento em que param de evoluir. Em um esporte que cresce a cada dia, a que campeões mundiais de outras modalidades estão chegando, treinar apenas em casa com os amigos nivela por baixo e congela o potencial de lutadores que poderiam ser campeões. Erick pode se tornar a eterna promessa.

Quantas vezes vimos o curitibano Maurício Shogun cansando no início da luta. Rafael Feijão também cansou no primeiro round contra Thiago Silva. Júnior Cigano morreu nas duas derrotas para Cain Velasquez. A semelhança entre esses lutadores é que raramente vimos um camp de treinamento fora do país, com intercambio de lutadores de outras modalidades. Shogun foi aprender boxe na fonte, com Freddie Roach, treinador de Manny Pacquiao, mas os poucos dias com o mestre não puderam ser usados contra Chael Sonnen. Foi finalizado sem dar um soco. Quase nunca sai de Curitiba.

Os brasileiros entram em uma zona de conforto perigosa. Em vez de irem para os Estados Unidos, aprender inglês, aprender luta olímpica e técnicas que não dominam, preferem treinar com seus amigos, sem todas as ferramentas. Não adianta gastar dinheiro e treinar uma semana com o melhor wrestler do mundo. É preciso incorporar ao treino rotinas diferentes com lutadores diferentes em academias diferentes. Nesse ponto Vitor Belfort é superior. Evoluiu muito nos últimos anos e continua evoluindo. Não escolhe adversários por afinidade, fala inglês, mora nos Estados Unidos e tem uma ótima relação com o UFC. Treina na Blackzillians, na Flórida, e tem como parceiros de treino Rashad Evans, Tyrone Spong, Anthony Johnson entre outros.

Lyoto Machida percebeu que treinar apenas no Brasil seria frear seus objetivos. Mudou-se para Los Angeles, está aprendendo inglês e treinando com Rafael Cordeiro. Um lutador de karatê com um mestre de muay-thai. Isso é a mistura de artes marciais. Tem uma disputa de cinturão pela frente e é o maior exemplo que deixar a zona de conforto é a única maneira de continuar evoluindo. Obviamente, o ar de nosso país nos faz bem, mas, pra quem quer chegar a um nível de excelência, mudar de ares é a única maneira.

 

Jon Jones e TUF Brasil

28 abril, 2014 às 16:17  |  por Gustavo Kipper

Jon Jones é mau

A vitória sobre Glover Teixeira foi a sua sétima defesa de cinturão. Outra vez vitorioso, o campeão mostrou que seu auge ainda não chegou. Com uma atuação impressionante dominou o brasileiro Glover Teixeira por cinco rounds. Bateu muito. Não correu riscos a luta toda, mesmo aceitando por inúmeras vezes o jogo do brasileiro. Ninguém pode parar Jones.

O jogo de Jones é brutal. Beira o limite das regras. Muitas de suas táticas são contestáveis. Por inúmeras vezes Jones esticava seu braço com os dedos abertos propositalmente para acertar os olhos de Glover. A luta chegou a ser interrompida por momentos, mas Jones só ganhou uma advertência. Se analisarmos seus combates anteriores, fica claro que sempre fez isso. É algo que tem que ser proibido e punido. Mas, tirando o dedo nos olhos, a sensação é de um adulto segurando a cabeça de uma criança. Muita superioridade.

Os chutes no joelho desferidos por Jones não nocauteiam. Só servem para manter a distância. Mas podem destruir os joelhos de seu oponente. Enquanto a regra permitir, não há o que fazer. A tentativa de quebrar o braço do brasileiro em pé, ainda no primeiro round, não é uma tentativa de finalização. É uma tentativa de lesionar articulações, já que não há a possibilidade de desistência, a não ser por lesão. Glover inclusive sofreu uma contusão no ombro, que terá sua gravidade avaliada. Se Vitor Belfort fosse mau caráter, seria campeão e teria quebrado o braço de Jones. Mas será que isso faz bem a um esporte que já é violento?

Regras são regras. Então cabe a seus adversários tomar muito cuidado com seu comportamento. Jones sabe explorar como ninguém o que o regulamento permite e usa todas as ferramentas disponíveis para machucar seus adversários. Glover apanhou quase quanto Maurício Shogun. Saiu arrebentado. Em alguns momentos, principalmente nas sequências de cotoveladas, percebemos como Jones está na frente. Com sua altura e alcance a tarefa fica quase impossível. A evolução do campeão a cada dia é visível. Sua frieza é assustadora.

Sem dúvida, foi a melhor apresentação do campeão. Méritos também para Glover, que aguentou o castigo e testou o queixo do americano. Mas nada que ameaçasse seu reinado. A verdade é que Jon Jones atropelou todo mundo de seu peso. Não sobrou ninguém. O único que chegou perto foi Alexandre Gustaffson, que terá sua revanche tão sonhada. É o único com envergadura nos meio-pesados para bater de frente com Jones. Com certeza será outra grande luta. Eu não creio que o sueco tenha melhorado seu jogo a ponto de nocautear ou finalizar. Por pontos fica muito mais difícil. Lutar cinco rounds contra Jon Jones é prejuízo. Além de não cansar, só melhora. Consegue chegar ao último round melhor que no primeiro. Com apenas 27 anos, ainda não sabemos onde pode chegar. Se desistir de fato de permanecer nessa categoria, não perderá por muito tempo.

Uma luta para ficar acordado

O TUF Brasil chegou ao oitavo episódio com muita luta dos competidores pelas vagas finais. Nossa luta é para ficar acordado. Aturar o programa musical da Rede Globo que passa antes é mais difícil do qualquer dos treinos do show. Não está fácil. Mas o programa melhorou bastante depois da confusão entre Sonnen e Vanderlei e agora caminha para os momentos decisivos. Hortência e Isabel estão mais soltas e até protagonizaram momentos engraçados. Os treinadores se acalmaram e o ambiente melhorou. Com a vitória de Vítor Miranda do time verde, o placar agora está 4×2 para o time de Wand.

Uma das principais características dos lutadores das edições brasileiras é o poder coletivo de superar obstáculos e agarrar a oportunidade que aparece. É nítida a dificuldade do UFC em encontrar pesos-pesados reais com nível aceitável no Brasil. Muitos lutadores acabam por lutar em categorias de peso acima do que deveriam estar. O vencedor de ontem poderia lutar facilmente nos médios ou meio-pesados, mas está lutando entre os pesados e levando vantagem por ser mais técnico. Um dos principais personagens da primeira temporada, Massaranduba lutou entre os médios e hoje luta entre os penas. É muita diferença.

Encontrar atletas com porte de verdadeiros peso- pesados é muito difícil. Nossa genética não ajuda. Até mesmo nos Estados Unidos não é tarefa fácil. O próprio Dana White já comentou que queria criar a categoria dos super-pesados, mas essa geração ainda não chegou. Seria preciso que atletas do basquete, futebol americano e vôlei migrassem para o esporte de combate para conseguir atletas suficientes para a nova categoria. Só espero que os vencedores dessa edição possam lutar em suas reais categorias de peso. Caso contrário, não terão a mínima chance de chegar ao topo.

As finais do TUF Brasil foram confirmadas para o ginásio do Ibirapuera, dia 31 de maio.

CARD DO EVENTO ATÉ O MOMENTO
Peso-médio: Chael Sonnen x Wanderlei Silva
Peso-pesado: finalista 1 do TUF x finalista 2 do TUF
Peso-médio: finalista 1 do TUF x finalista 2 do TUF
Peso-meio-médio: Paulo Thiago x Gasan Umalatov

Quem pode parar Jon Jones?

25 abril, 2014 às 17:32  |  por Gustavo Kipper

Sábado será um dia decisivo para Glover Teixeira. Sem saber o que é derrota desde 2005, é o quarto brasileiro a tentar destronar a sensação do UFC, o americano Jon Jones. Dono de marcas impressionantes, Jones é o atleta mais novo a conquistar o cinturão da organização. Sua única mancha no cartel foi uma desclassificação por golpe irregular. Nessa categoria de peso tem demonstrado ser imbatível.

Comparado a grandes nomes que já conquistaram o título dos meio-pesados, Jon Jones sobra. Dono de uma envergadura de 2,20 m, só encontrou alguém à altura contra Alexander Gustaffson, e, mesmo assim, foi superior. Contra Glover Teixeira fará sua sétima defesa de cinturão. Hoje o americano ocupa o número 1 no ranking peso por peso do UFC. Quem pode parar Jon Jones?

Analisando seus adversários, todos dominados, percebe-se que o que mais chegou perto foi Vitor Belfort, com uma finalização. A tentativa machucou o braço do americano, que mesmo assim conseguiu escapar e vencer no quarto round. Vitor cansou. Jones dificilmente cai com as costas no chão. Com o wrestling em dia, normalmente faz estragos quando cai por cima. Seu ground and pound é violento. Na trocação é difícil achá-lo. Consegue sempre manter-se em uma distância segura usando seus chutes e cotoveladas. Como Glover deve lutar?

Jones já enfrentou lutadores com grande poder de nocaute, como Lyoto Machida e Mauricio Shogun. Mas nenhum deles conseguiu encaixar seus golpes e ambos acabaram sucumbindo. Glover está mais bem preparado fisicamente que Shogun, mas sua velocidade não supera a de Lyoto, que na trocação levava a melhor até ser finalizado. Glover tem que encurtar a distância para conseguir encaixar seus golpes. Jogando na longa distância, vai sofrer. Se conseguir acertar Jones, provavelmente o americano tentará levá-lo ao chão. Nessa hora Glover terá que usar o que aprendeu com Liddel e evitar cair por baixo, em qualquer circunstância. Dificilmente Glover nocauteará Jones com um único soco, como costuma fazer. Jones tentará entrar no clinch e amarrar a luta. Mas Glover pode usar um bom golpe para atordoar Jones e levá-lo ao solo, caindo por cima. Seria a situação mais complicada para Jones. Machucado e por baixo de um faixa- preta.

Glover Teixeira é oriundo do jiu-jitsu. Mesmo tendo um boxe muito bom, se conseguir jogar por cima de Jones pode tentar uma finalização. Difícil? Com certeza. Mas somente com as costas no chão Jones pode ficar vulnerável. Por baixo, seu tamanho não fará tanta diferença. Glover tem que machucar Jones com socos, mas uma luta de cinco rounds em pé com Jones nunca é bom negócio. Glover tem que deixar Jones desconfortável. Não vai poder ter pressa, mas seu poder de nocaute pode diminuir com o cansaço, então esperem Jon Jones cozinhando a luta no início.

Glover tentará o que ninguém conseguiu: dominar Jones. Tem todas as ferramentas. É o brasileiro com mais chances. É muito forte. Mas do outro lado está um fenômeno. Um atleta que possivelmente será o maior lutador de todos os tempos depois de Fedor Emelianenko. Até lá, tem muito chão e soco pela frente.

Countdown UFC 172

UFC 172
26 de abril de 2014, em Baltimore (EUA)
CARD PRINCIPAL
Peso-meio-pesado: Jon Jones x Glover Teixeira
Peso-meio-pesado: Phil Davis x Anthony Johnson
Peso-médio: Luke Rockhold x Tim Boetsch
Peso-leve: Jim Miller x Yancy Medeiros
Peso-pena: Max Holloway x Andre Fili
CARD PRELIMINAR
Peso-mosca: Joseph Benavidez x Tim Elliott
Peso-leve: Takanori Gomi x Isaac Vallie-Flagg
Peso-galo: Jessamyn Duke x Bethe Correia
Peso-leve: Danny Castillo x Charlie Brenneman
Peso-galo: Chris Beal x Patrick Williams

O canal Combate transmite o evento ao vivo a partir das 20h30.

 

Guerra fria no boxe

2 abril, 2014 às 10:41  |  por Gustavo Kipper

As lutas de boxe já não são apenas dentro dos ringues. Emissoras de televisão e empresários travam uma batalha milionária na busca dos melhores negócios. Isso tem frustrado muitos fãs que aguardam por confrontos históricos, mas nem sempre as coisas acontecem em favor do esporte.

No boxe profissional existem quatro grandes entidades esportivas que comandam os rankings de atletas e atribuem títulos mundiais a todas as categorias de pesos. WBA (Associação Mundial de Boxe), WBC (Conselho Mundial de Boxe), WBO (Organização Mundial de Boxe) e IBF (Federação Internacional de Boxe) premiam seus campeões com os cobiçados cinturões. Logo, em cada peso existem quatro campeões. Porém, esses títulos podem ser unificados pelos lutadores, tornando-os supercampeões e detentores de mais de um cinturão. As maiores lendas do boxe moderno conseguiram esse feito, como Mike Tyson e Lennox Lewis. Essas entidades apenas sancionam os combates em suas regras, mas não são responsáveis pelos eventos e transmissão de televisão.

O boxe, além de um esporte competitivo, é um dos esportes mais rentáveis do mundo, se não o mais. Considerado o maior boxeador da atualidade, o americano Floyd Mayweather Jr. é também o atleta mais bem pago do mundo. Suas lutas costumam quebrar recordes de pay per view. Seu apelido é dinheiro. Mas o tão esperado confronto com o filipino Manny Paquiao corre o risco de nunca acontecer. As emissoras HBO e Showtime, além dos promotores Golden Boy Promotions e Top Rank Boxing, polarizam as lutas e cortam as expectativas em relação à unificação do muitos títulos, dando combates mais fáceis para seus campeões, quando nenhum grande acerto é feito. Normalmente, lutadores americanos e latinos costumam lutar nos Estados Unidos e a Showtime leva vantagem. Porém, muitos campeões asiáticos e europeus que se apresentam na Europa têm seus contratos com a HBO.

Floyd Mayweather Jr. escolhe seus adversários a dedo, embora sem nunca sair de “mãos cheias”. Tanto na parte financeira quanto em relação a sua brilhante carreira. Campeão dos meio-médios pelo WBC, pode acumular o cinturão da WBA se vencer Marcos Maidana, dia 3 de maio. Mas definitivamente essa não era a luta que todos queriam ver. Floyd está invito em 42 lutas. Acumula também os cinturões pela WBA e WBC dos médios-ligeiros. Manny Pacquiao é o primeiro a ser campeão em oito categorias de pesos diferentes. Disputa o cinturão pelo WBO dia 12 de abril, na revanche contra Tim Bradley. Para muitos, o confronto entre Mayweather e Pacquiao seria a luta do século XXI.

Esses grandes impasses financeiros dificultam cada vez mais os acertos entre seus empresários e as emissoras. Logo, combates entre lutadores de empresários diferentes costumam serem difíceis de acontecer. As negociações ficam pesadas, pois sempre há um lutador com valor de marca maior que o outro. Nunca é meio a meio. O caso mais recente tomou conta das revistas especializadas. A briga é nos meio-pesados. Campeão pelo WBC, o haitiano-canadense Adonis Stevenson esnobou o desafio feito pelo campeão da WBO, o russo Sergey Kovalev, que defendeu seu cinturão com sucesso no último sábado. Stevenson alega que a HBO ainda não ofereceu dinheiro suficiente para aceitar o desafio. A verdade é que Floyd Mayweather está fazendo escola. Sendo assim, como podemos culpar os jovens campeões por quererem ganhar mais dinheiro? Enquanto isso, Stevenson tem compromisso marcado para dia 24 de maio, em uma dessas lutas fáceis pra rechear seu cartel.

Apesar de terem trocado provocações pelas redes sociais, os campeões do WBC e WBO correm o risco de não se enfrentar. Tudo porque do outro lado está agendada para abril a unificação dos cinturões pela WBA e IBF entre o cazaque Beibut Shumenov e a lenda americana de 49 anos Bernard Hopkins. Nesse caso, um confronto contra o vencedor unificaria três cinturões. É um grande negócio e uma conquista extraordinária. Além, é claro, da facilidade de negociação com a Showtime. De qualquer forma, as unificações estão à vista. Só resta saber quem tem mais bala na agulha pra pagar. Essa briga das emissoras tem sido chamada de a Guerra Fria da Televisão a Cabo.

WBA, WBC, IBF, WBO

WBA, WBC, IBF, WBO