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Globo transforma TUF Brasil em Big Brother Brasil

15 abril, 2014 às 14:59  |  por Gustavo Kipper

Não se fala em outra coisa. A suposta briga entre Wanderlei Silva e Chael Sonnen saiu como o esperado. Pelo menos para a emissora e para o UFC, que estão lucrando pesado nessa edição. Mas, ao contrário de todas as outras edições do TUF, que também fizeram da rivalidade de seus treinadores parte do show, essa só demonstra como somos vistos fora do país e como aqui tudo perde o valor moral. Chegou a vez do MMA.

Rede Globo, câmeras, mulheres de biquíni na piscina e muita confusão. O país do futebol e do MMA ainda não conseguiu se livrar do Big Brother Brasil. A emissora brasileira possui um dom: estragar formatos originais de programas e reallity shows estrangeiros. Criado pela empresa holandesa Endemol, o Big Brother, na Europa, teve sua primeiras edições comparadas à caixa de Skinner. Trata-se de um famoso experimento com ratos, realizado pelo escritor e psicólogo Burrhus Frederic Skinner, que usava caixas fechadas para estudar o comportamento de ratos dentro delas. Foi um grande estudioso e criou o conceito de condicionamento operante. Embora a pesquisa tenha seu lugar na ciência, o programa de televisão obviamente nunca acrescentou em nada.

Mas foi no Brasil que realmente pegou. O formato original foi sendo substituído por bundas, confusões e uma perda de tempo que só reflete a cultura de seu povo, que anda por baixo. A terceira edição do TUF Brasil conseguiu trazer elementos parecidos para criar o BBB do MMA. Quem acompanha as edições americanas e inglesas percebe que é outro programa, embora também usem o MMA como pano de fundo. O programa brasileiro passa em um horário desconfortável pra quem acorda cedo na segunda- feira. O espectador que espera até a madrugada para assistir tem sido castigado.

O tempo do programa é preenchido com futilidades que só servem pra fazer propaganda e matar tempo. O Concurso de ring girls não é o problema. Mas a festa do pijama com os lutadores é a prova de que aqui as coisas são diferentes. As mulheres logo viram objeto para aumentar a audiência. Quando venceram o desafio, os atletas do time verde imaginavam um prêmio que os ajudassem a chegar ao objetivo. Mas o que se viu foram muitos lutadores casados, querendo melhorar de vida, envergonhados com a situação. Embora um ou outro tenha se divertido, é assim que imaginam o Brasil.

Hortência e Isabel que merecem todo nosso respeito como atletas, ainda estão perdidas, tentando achar seus lugares. Mesmo vencendo por 4×0, o time de Wanderlei, principalmente um de seus treinadores, o curitibano André Dida, foi duramente criticado por seu envolvimento direto na agressão ao americano. Dana White ainda dirá na semana que vem que o brasileiro será expulso e deveria ser preso. Mas, mesmo com a expulsão, a única coisa que realmente aconteceu foi um contrato para que Dida, por ser treinador de lutadores do evento, não repita a atitude. Caso contrário será banido.

Na verdade, para a Rede Globo e o UFC a confusão foi perfeita. O show e o evento tiveram uma promoção sensacional. Mas e o esporte, onde fica nessa história? Não podemos nos esquecer de que Chael Sonnen estava de calça jeans e havaianas e em menos de cinco segundos derrubou Wanderlei. Seria assim tão fácil? Ou apenas uma grande encenação como muitos acreditam. A verdade é que nada disso interessa. Os vencedores do programa estão sendo ofuscados pela estratégia cruel da emissora de vulgarizar o esporte e o país. De certa forma acabamos voltando para o início de tudo. Se Chael Sonnen tivesse criticado esse ponto, Wanderlei não teria muito do que reclamar. Chael abordou os temas de forma preconceituosa e teve que aguentar as consequências. Mas para o MMA e para o povo que assistia, é igual ao BBB. Não acrescenta em nada.

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Guerra no TUF Brasil 3

18 março, 2014 às 19:06  |  por Gustavo Kipper

O The Ultimate Fighter Brasil definiu os lutadores médios e pesados que foram pra casa do reallity show. Os dois primeiros episódios com as lutas de eliminação já foram ao ar e parece que teremos mais uma ótima edição. Desta vez o UFC soube explorar a rivalidade entre o curitibano Wanderlei Silva e o americano Chael Sonnen, que ao fazer piadas sobre lutadores brasileiros e sobre o Brasil irritou Wanderlei, que promete um bullying classe A contra o americano. Vamos torcer pra que as defesas de quedas de Wand também estejam classe A no dia da luta entre os dois.

Uma suposta briga entre os treinadores vem sendo usada de teaser para promoção. Verdade ou não, o fato é que eles não se gostam. Boatos dão conta de que um lutador da equipe de Wand teria agredido Chael e foi expulso. As provocações prometem ser pesadas. Finalmente vão poder acertar as contas. Quanto aos lutadores da casa, ainda é cedo para fazer previsões. As lutas de eliminação costumam ser tensas e acabam ofuscando um pouco os lutadores. Às vezes a família pode atrapalhar.

O programa foi gravado antes do anúncio, pela Comissão Atlética de Nevada, do banimento do uso do tratamento de reposição hormonal (TRT), a que muitos lutadores vinham recorrendo para o treinamento alegando motivos médicos.  Agora vão ter que escolher se lutam ou se tratam. Especialistas e o próprio Chael disseram que a vida sem TRT é inviável. Então não se assustem se começar uma onda de aposentadorias. Vitor Belfort, Chael Sonnen e Dan Henderson são candidatos.

O fato é que Chael Sonnen foi flagrado com 14 vezes o limite de testosterona permitido na primeira luta contra Anderson Silva. Então na luta contra Wanderlei não estará com tanta testosterona sintética em seu organismo. Isso pode facilitar a vida de Wanderlei, principalmente no começo da luta, quando o americano costuma derrubar com facilidade seus adversários.

Sobre a participação de Hortência e Isabel no programa, achei totalmente desnecessária. Além de não entenderem nada de lutas, pareceram bem assustadas com os combates. Fico imaginando a hora que Wanderlei começar a guerra que prometeu.

Acho que seria mais justo e coerente levar atletas de combates olímpicos, que poderiam incrementar os treinamentos. Rafaela Silva, do judô, e Natália Falavigna, do taekwondo, por exemplo. Duas campeãs mundiais em suas modalidades.

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(Foto: Reprodução/ TUF Brasil 3)

 

O que esperar do MMA para o início de 2014.

6 janeiro, 2014 às 17:16  |  por Gustavo Kipper

Ano passado não foi um bom ano para o MMA brasileiro. Como muitos já sabiam o número 13 nunca foi confiável. Foi um ano de contusões, derrotas e novos campeões. Infelizmente nenhum brasileiro. Júnior Cigano não recuperou o cinturão de Cain Velásquez e Anderson também não venceu sua revanche, terminando o ano de forma melancólica. Restaram-nos Aldo e Barão, além de uma esperança chamada Vitor.

O que esperar do MMA para o início de 2014.

Não fosse à complacência de Dana White em relação ao tempo de afastamento de Dominick Cruz, Renan Barão poderia ser o campeão dos galos. Mas, em fevereiro, os dois poderão resolver de fato quem é o campeão indiscutível. O único campeão oficial do Brasil é José Aldo, que coloca mais uma vez seu cinturão em jogo no mesmo evento que Cruz vs Barão. O UFC 169 de 1º de fevereiro, além de imperdível, é crucial para a manutenção dos cinturões que sobraram. Outra luta de peso é o combate entre Alistair Overeem e Frank Mir. Os dois vêm de derrota.

José Aldo vs Ricardo Lamas

José Aldo é muito favorito. Particularmente não consigo imaginar ninguém nos pesos-penas capaz de ameaçar o reinado do brasileiro. O resultado mais provável é um nocaute até o terceiro round. Se vencer, Aldo deve começar a pensar em conquistar o título dos leves, derrotando quem quer que seja. Ele tem técnica e potência para dominar também a categoria de cima, nem que para isso precise deixar vago seu cinturão dos penas. É a hora de dar um passo maior.

Dominick Cruz vs Renan Barão

Enfim poderemos ver a unificação do título dos galos. Há quase dois anos sem lutar, creio que o ritmo de Barão fará a diferença. Apesar da movimentação de Cruz ser muito efetiva, em uma luta de cinco rounds, sem muito ritmo seu gás pode acabar. É uma das lutas mais aguardadas no ano. Será uma noite de vitórias para o Brasil e para a equipe Nova União.

Chris Weidman vs Vitor Belfort

Mesmo com a polêmica do uso de tratamento de reposição de testosterona (TRT) pelo brasileiro, a luta em Las Vegas é a melhor maneira de Vitor provar que seus últimos grandes resultados são fruto de sua competência e não da testosterona. Afinal, hormônios não sabem chutar. Agora mais campeão do que nunca, a confiança de Weidman, assim como a de Vitor, parece não ter limites. Weidman tem tudo a perder e o brasileiro, tudo a ganhar. Se vencer, será o primeiro lutador da história a ser campeão em três categorias de pesos diferentes dentro do UFC. O fenômeno será mais vitorioso do que nunca. Será uma batalha, embora ache que Weidman leve vantagem por ser maior e melhor no clinch e nas quedas. Mas a velocidade e explosão de Vitor, principalmente nos primeiros rounds, podem colocar o americano na panela de pressão.

Lyoto Machida vs Gerard Mousasi

Após a brilhante estreia nos médios com vitória sobre Mark Muñoz, Lyoto enfrenta agora o ex-campeão do Strikeforce o armênio Gerard Mousasi. Dois strikers de ponta. Será uma batalha entre o karatê e o kick-boxing. O jogo dos dois promete trazer um grande desfecho – um nocaute é esperado. A luta acontece no UFC Jaraguá, dia 15 de fevereiro. Quem vencer pode estar a apenas mais uma vitória da disputa pelo título. Sempre lembrando que Ronaldo Jacaré é outro grande candidato e luta no UFC Jaraguá 2 contra o francês Francis Carmont, outro top 10 da categoria.

Ronda Rousey vs Sarah McMann

Enfim a campeã dos galos do UFC vai enfrentar um desafio à altura. Outra atleta e medalhista olímpica. A wrestler Sarah McMann talvez seja a única atleta empregada pelo UFC a poder derrotar Ronda. É também a primeira atleta americana a conquistar uma medalha olímpica no wrestling. A luta será em Las Vegas, dia 22 de fevereiro. Será que Ronda vai conseguir aplicar novamente aqueles ippons? Após dominar Miesha Tate novamente e conquistar mais uma vitória com chave de braço, Ronda mostrou que na luta agarrada é quase imbatível. Impressionante como conseguiu trazer sua habilidade de judoca para o MMA.

Jon Jones vs Glover Teixeira

Glover Teixeira venceu todos seus adversários até chegar ao campeão Jon Jones. É merecedor da chance ao título e, além de grande pessoa, é um lutador completo e muito perigoso. Mas será o bastante para destronar Jones? O campeão americano dos meio-pesados enfrentou adversários muito complicados, a começar por sua última batalha contra Alexander Gustafsson. Isso faz Glover parecer menos ameaçador. Sua envergadura pode fazer diferença mais uma vez, tendo em vista que talvez Jones não queira trocar muitos golpes em pé com o brasileiro. Vai buscar a queda e as traumáticas cotoveladas. Não estou muito otimista. O combate será no UFC 172, ainda sem local e data definidos.

Johny Hendrics vs Robbie Lawler

Após a controversa vitória de GSP sobre Hendrics e sua aposentadoria por tempo indeterminado, o UFC foi obrigado a casar os dois principais candidatos a ocupar o lugar do ex-campeão canadense. O UFC 171, que acontece dia 15 de março, em Dallas, Texas (EUA), vai trazer finalmente um novo campeão para os meio-médios. Acredito no favoritismo de Hendrics, que está mais preparado para o lugar de campeão. Já vem em ritmo forte de treinos e é muito rápido e explosivo para a categoria. Deve vencer sem precisar da decisão dos juízes.

Wanderlei Silva vs Chael Sonnen

As gravações do The Ultimate Fighter Brasil 3 começam agora em janeiro, mas a rivalidade entre os dois vem desde o vídeo – em que Wanderlei aparece enquadrando o americano – que circulou na internet. Na época, Wanderlei dizia a Sonnen que falar mal dos irmãos Nogueira e do Brasil era perigoso. Após o episódio, Sonnen tornou-se ainda mais polêmico e falastrão devido aos confrontos contra Anderson Silva e Jon Jones. Tornou-se parte da marca UFC e já tem lugar garantido entre os comentaristas do evento. Já Wanderlei tenta provar que ainda tem condições que dar grandes espetáculos e vencer o programa e sua luta. O confronto promete muita ação e dificilmente chegará ao final sem um nocaute ou uma finalização.

Notícias do mundo das lutas

27 novembro, 2013 às 14:00  |  por Gustavo Kipper

Maurício Shogun

Finalizado por Chael Sonnen no primeiro round, Maurício Shogun decidiu afiar seu jiu-jitsu e entrou para a equipe de Demian Maia, considerado por muitos um dos melhores atletas da arte suave no MMA. Após os treinos de boxe com o consagrado treinador Freddie Roach, o curitibano agora se prepara para mais uma batalha, dia 7 de dezembro, na Austrália, quando enfrentará James Te-Huna no UFC Fight Night. O evento principal será o confronto de Antônio Pezão contra Mark Hunt.

Shogun comentou a possibilidade de descer de peso e de lutar nos médios, em caso de nova derrota. Acho que ele deveria considerar essa possibilidade mesmo com a vitória. Os tempos são outros. A era do Pride se encerrou. Hoje os lutadores que atuam nos meio-pesados são muito maiores. Quando enfrentou Alexander Gustafsson e Jon Jones, Shogun sofreu demais com a envergadura de seus oponentes.

Embora pese normalmente mais de 100 kg, fazer uma preparação física para chegar aos 84 kg de forma saudável é fundamental para a continuidade de sua carreira, que sofre com a irregularidade. Nos médios terá muito mais chances de  disputar novamente o cinturão de uma categoria no UFC. Mas, antes, terá que passar por Te-Huna. Caso perca novamente, encontrar motivação poderá ser mais difícil do que se imagina.

Saulo Cavalari

O curitibano Saulo Cavalari, atleta da Thai Brasil, conquistou mais uma vitória no Glory, maior evento de luta em pé do mundo, disputado no lendário Madison Square Garden, em Nova York. Saulo aplicou um nocaute avassalador no holandês Mourad Bouzini, no primeiro round, e é agora o terceiro do ranking mundial em seu peso. Ainda jovem, Saulo não vai demorar a chegar ao topo do mundo.

Veja o vídeo o nocaute:

Jon Jones vs Cain Velasquez

Essa possível superluta luta tem sido cogitada pelo UFC e os atletas, campeões em seus pesos. Caso vençam seus próximos combates, poderia ser uma grande oportunidade pra testar Jones em um peso maior, já que pesa quase 110 kg normalmente . Já Velasquez, habituado ao peso, teria que encarar um adversário muito mais habilidoso do que costuma enfrentar. Seria um belo show.

 

A chocante derrota de Maurício Shogun

18 agosto, 2013 às 20:13  |  por Gustavo Kipper

A derrota de Maurício Shogun para Chael Sonnen fez ecoar novamente o sentimento de frustração de muitos brasileiros, especialmente os mais deslumbrados pelo MMA, que sentem a derrota de seus ídolos da mesma maneira com que sentem a derrota de seu time do coração, para o maior rival, em um clássico. Com a diferença que em um time a derrota é dividida entre os jogadores. No MMA é tudo nas costas de um só lutador. Recentemente pudemos ver como os brasileiros se comportam frente à derrota daquilo em que colocam energia. Quando Anderson Silva perdeu o título para Chris Weidman, uma chuva de críticas que passaram até por questionar a legitimidade do combate, sugerindo armações, servindo como uma notícia requentada da copa do mundo de 98, segundo a qual até hoje os conspiratórios sugerem que vendemos o jogo contra a França, recusando-nos a considerar que o time francês era melhor que o nosso e jogava em casa.

O mesmo vem acontecendo com o MMA no Brasil. Os fãs brasileiros têm grande dificuldade em aceitar a derrota, principalmente contra adversários conhecidos americanos. Ontem, quando Shogun perdeu de forma chocante para Sonnen, as redes sociais foram invadidas por comentários que iam do mau condicionamento à aposentadoria do lutador, que tem apenas 31 anos de idade. Quem acompanhou a preparação do brasileiro percebeu que talvez tenha sido um dos melhores camps já feitos por Shogun. O abatimento do curitibano após o combate, principalmente na coletiva após luta, deixou claro o quanto aquela derrota estava doendo. Afinal, nenhum brasileiro imaginaria seu ídolo perdendo daquela forma. Sem dar um chute, um soco. Quando se perde sem conseguir lutar, a dor é maior, principalmente quando se trata de um atleta do nível de Shogun.

Não podemos nos esquecer que do outro lado não estava apenas um lutador falastrão. Estava um oponente muito inteligente e bem preparado, que foi derrotado apenas pelos campeões das divisões em que atua. Portanto, subestimamos o cara e por isso foi chocante, assim como com Anderson Silva. Mas o brasileiro precisa começar a entender que em uma carreira de anos, lutando com diversos oponentes com características diferentes, a derrota será normal em certo momento e que é impossível manter-se no topo para sempre. O lutador é um ser humano e por isso passará por diversos ciclos, até porque certas ocasiões negativas fazem o lutador melhorar em algum aspecto. Percebo que muitas pessoas transformam suas frustrações em relação à derrota de seus ídolos em comentários negativos, desabafos e paixão, igualzinho com seu clube do coração. Mas é preciso aprender a separar, para não injustiçar um ser humano que pode ter dado seu máximo, mas não conseguiu seu objetivo.

O torcedor analisa e se manifesta como quer. É o que torna o MMA cada vez mais popular. E com isso a pressão pela vitória dos brasileiros se torna cada vez maior. Mas prefiro analisar de uma forma mais técnica e sem julgamentos pessoais, afinal, não podemos nos esquecer de que apesar da intensidade, o MMA é um esporte, e o esporte é feito de seres humanos e não de máquinas. Prefiro tentar enxergar onde foi que o brasileiro errou. Sendo Chael Sonnen notoriamente conhecido pelo wrestling e facilidade em colocar seus oponentes para baixo, Shogun deveria ter separado grande parte do seu treino para afiar as defesas de quedas, para poder executar o boxe que tanto treinou. Foi levado ao solo num piscar de olhos, não oferecendo nenhuma resistência às quedas, assim como Anderson Silva no primeiro combate contra Sonnen. Shogun sempre teve um ótimo jiu-jitsu e talvez tenha subestimado a evolução do americano, que treina com um brasileiro campeão mundial, Vinny Magalhães. Foi surpreendido em uma área em que achou que era muito superior, cometendo o erro básico de expor o pescoço ao tentar se levantar. Se não aprender a defender as quedas, sua carreira não terá mais consistência, oscilando entre vitórias e derrotas. Se os americanos têm humildade de reconhecer que o jiu-jitsu brasileiro é o melhor e nos procuram para aprender, por que não ir pra América treinar luta olímpica, assim como treinou boxe? Shogun precisa se renovar e se tornar mais uma vez completo. Ficou claro que seu jogo hoje tem mais brechas de que antigamente, especialmente contra wrestlers.

Agora Shogun deve lamber as feridas e voltar renovado, recuperar o espírito de campeão, mas sem projetar um título. Deve subir degrau por degrau até recuperar sua devida colocação, e aí sim, um dia, pensar em ser novamente o campeão do UFC.

O que pode servir de combustível foi o desafio de Chael Sonnen a Wanderlei Silva, antigo parceiro e grande amigo da Chute Boxe, que pode não só vingar Shogun como vingar todo o povo brasileiro. Wanderlei vai ter que ser muito estratégico se realmente quiser vencer Sonnen, assumir suas deficiências e não subestimar o falastrão. No GP do Pride de 2005, Wanderlei Silva foi derrotado por Ricardo Arona, sendo vingado logo em seguida por Maurício Shogun. Será a hora de retribuir o favor? Quem tem essa resposta é unicamente Dana White, que agora está confortável em marcar a luta que lhe for conveniente. Com tantos nomes dispostos a enfrentar o americano, ainda temos Vitor Belfort e Lyoto Machida correndo por fora. Essa história não acabou. Ainda não chegou nem na metade.

(Foto divulgação)

UFC on Fox: Shogun vs Sonnen

16 agosto, 2013 às 16:58  |  por Gustavo Kipper

Sábado o maior evento de MMA do mundo invade Boston, Estados Unidos, para realizar mais um grande show, transmitido em rede aberta para os americanos, e que, segundo Dana White, chegará a 93 milhões de lares em todo mundo. Estou falando do UFC on Fox: Shogun vs Chael Sonnen.

O curitibano Maurício Shogun tenta mais uma vez recuperar uma série de vitórias que há anos não acontece. Ex- campeão do extinto Pride e do UFC, ele carrega toda a torcida brasileira consigo, até porque Sonnen vem provocando alguns lutadores brasileiros e fazendo piadas sobre o Brasil, fato que servirá de combustível para Shogun. Após críticas sobre seu condicionamento físico e estratégias contra wrestlers, Shogun buscou novas alternativas e aumentou seu arsenal, treinando inclusive com um dos maiores treinadores de boxe da América: Freddie Roach. Segundo Freddie, Shogun era bom, mas batia como uma garota. Brincadeiras à parte, ao final dos treinos, o treinador americano ficou surpreso com o poder de assimilação e nocaute que Shogun conquistou. Boxe afiado, meio passo andado.

Há poucos anos essa seria uma luta impossível de acontecer, porém, com a ascensão de Sonnen, até por conta de suas habilidades em promover seus combates, virou realidade. Além disso, suas últimas derrotas foram em disputas de cinturão apenas, tendo vencido todos os outros contenders. É claro que a língua afiada ajuda, mas também há certo mérito. Uma das alegações de Sonnen para o combate ter ocorrido tornou-se uma de suas mais recentes piadas. O americano afirmou que sempre que vê uma luta marcada de Vitor Belfort ou Rogério Minotouro, corre para academia treinar, pois sabe que não vão aparecer alegando contusão. Realmente, a luta marcada inicialmente era entre Shogun e Minotouro, porém Rogério acusou uma hérnia de disco faltando três semanas para a luta. Oportunismo ou não, a luta foi remarcada para agosto e Chael entrou na disputa.

O que pode tornar uma luta fácil em um pesadelo é justamente a maior deficiência do brasileiro. O wrestling e a defesa de quedas. Contra adversários de maior envergadura como Jon Jones e Alexander Gustafsson, Shogun acusou dificuldades, porém contra wrestlers com altura parecida conseguiu êxito em evitar quedas. Com o condicionamento físico bom e com sua trocação cada vez mais aprimorada, Shogun deve nocautear se segurar as quedas, especialmente no início do combate. Sua opção por melhorar o boxe passa pelo fato de que chutar wrestlers pode facilitar o ataque de quedas, portanto não espere os potentes chutes de sempre. Espere muita agressividade com os punhos. Outro fator importante é o excelente jiu-jitsu do brasileiro. Mesmo que caia por baixo em uma situação desconfortável, sabe lutar no chão e pode finalizar Sonnen, como já fizeram Babalu, Paulão Filho, Demian Maia e Anderson Silva.

O UFC deste sábado é imperdível não somente pelo duelo principal, pois carrega, talvez, o melhor card do ano. O UFC há tempos quer entrar no mercado em que ainda não entrou. O leste americano. Não tem licença para atuar em Nova York e, sendo Boston uma cidade relativamente próxima, fazer um evento grandioso torna-se obrigação.

Veja o vídeo de Shogun treinando com Freddie Roach.

Confira o card do UFC on Fox desse sábado:

UFC Fight Night Combate: Shogun x Sonnen

17 de agosto de 2013, em Boston (EUA)

CARD PRINCIPAL

Mauricio Shogun x Chael Sonnen

Alistair Overeem x Travis Browne

Urijah Faber x Iuri Marajó

Matt Brown x Mike Pyle

Uriah Hall x John Howard

CARD PRELIMINAR

Joe Lauzon x Michael Johnson

Brad Pickett x Michael McDonald Conor

McGregor x Max Holloway

Mike Brown x Steven Siler

Diego Brandão x Daniel Pineda

Manny Gamburyan x Cole Miller

Cody Donovan x Ovince St. Preux

Ramsey Nijem x James Vick

 

Anderson “The Spider” Silva

8 julho, 2013 às 14:47  |  por Gustavo Kipper

(esporte.uol.com.br)

Eu sou curitibano e conheci Anderson Silva pessoalmente, ainda na época em que ele treinava muay thai na academia do mestre Noguchi. Na época, um grande amigo treinava com ele, e um dia fui assistir a um treino. No meio de vários excelentes lutadores, um deles se destacava pela técnica e perfil, que se encaixava perfeitamente para o esporte marcial. Era Anderson. Não muito mais tarde se juntou ao vitorioso time da academia Chute Boxe e assim o tempo passou.

Quem conheceu Anderson no meio de tantos grandes lutadores curitibanos como Wanderlei Silva, Rafael Cordeiro e José Pelé Landi, nunca realmente imaginou que ele poderia chegar ao patamar técnico e de exposição que ganhou nos últimos sete anos, mesmo sempre tendo seu talento reconhecido. Anderson Silva conquistou um legado quando já estava em uma idade que muitos atletas já estão se aposentando. Ao longo de seu reinado, Anderson nunca teve uma contusão que o deixou fora do octógono por um longo período de tempo como teve Georges St Pierre. Esse tempo, apesar de ser difícil pela recuperação mental e física, é bom ao menos para o atleta se juntar à família e limpar a mente, enxergar o futuro e decidir realmente o que quer. Ao não recusar lutas, Anderson começou a devastar a categoria dos médios e sua evolução técnica atingiu níveis que só os grandes alcançam. Isso fez com que sua responsabilidade em manter o cinturão provocasse certos comportamentos que passaram a fazer parte do produto Anderson Silva, o maior lutador de MMA de todos os tempos.

Esses comportamentos começam com a ideia de criar uma falsa sensação que o cinturão pertence ao Brasil, portanto lutar contra brasileiros sempre foi algo que afetou muito Anderson. Em suas lutas contra Thales Leite, Demian Maia e Vitor Belfort, Anderson estava bastante agitado. Com a vitória sobre os três, criou uma cultura em que o desafio feito por brasileiros era levado como insulto. Logo, muitos ótimos lutadores acabaram por ficar, além de amigos, admiradores de Anderson e com o desejo de serem campeões guardados a sete chaves. No esporte em que amigos e compatriotas não lutam entre si, Anderson acabou por ser o representante oficial do Brasil no MMA com fãs como Ronaldo e a rede Globo.

Os atletas costumam fazer nas lutas o que fizeram nos treinos. E os treinos de MMA, principalmente para lutas como disputas de cinturão, costumam ser muito fortes. Anderson desenvolveu um estilo em que ficava à vontade, ao mesmo tempo em que destruía mentalmente seus adversários, que sempre acabavam cometendo erros, abrindo brechas para contra-ataques mortais e plásticos. Anderson transformou a luta em show, algo que somente Jon Jones pode fazer, mas o curitibano o faz com mais sabedoria, com mais estratégia. Porém, a linha entre a autoconfiança e desrespeito em que ele anda é tênue, e assim como na luta contra Demian Maia, passou do limite, perdeu a referência do respeito e do perigo. Muitos atletas e treinadores, como Renzo Gracie, não acreditam nesse estilo de Anderson, e acham que isso é uma das suas maneiras de desdenhar de seus adversários. Portanto, sua derrota foi muito comemorada no mundo da luta, principalmente pelos estrangeiros. O próprio Chris Weidman no instante após a vitória soltou um “seu desrespeitoso de m…”.

Chris Weidman sabia o que iria enfrentar. Ao contrário da maioria dos desafiantes do ex- campeão, Weidman é de outra geração. Mesmo tendo caído por instantes nas artimanhas de Anderson, continuou reto em seu caminho e ficou provado que Anderson é um humano e tem queixo, que, se acertado, desmontará suas pernas como de um João qualquer.

Mas algo dessa vez estava diferente. A apatia instantes antes da luta e o tédio do brasileiro foram cruciais para Anderson não lutar, apenas provocar e entregar de forma melancólica o mesmo cinturão que dizia ser de todos os brasileiros. Por isso muita gente se sentiu traída, envergonhada e enganada. Até mesmo seus companheiros de corner estavam arrasados. Para os brasileiros, foi como se Neymar rebolasse antes do pênalti decisivo e recuasse a bola para o goleiro. Nas redes sociais muitos dizem que a luta já tinha sido acertada antes. Não acredito, mas o desempenho do ex-campeão foi tão patético que realmente dá margens para discussão, principalmente com o futuro do brasileiro, que chegou a dizer que poderia até mesmo se aposentar. Discurso bem diferente de quem queria fazer três superlutas. Talvez não quisesse mais lutar com Jones. O fato é que muita gente, pelo menos ontem, ganhou muito dinheiro, principalmente Anderson Silva. Só não sei se venderá mais tantos ingressos como antes.

A verdade é que a derrota deixou muitos brasileiros chateados e iniciou um novo ciclo no UFC. Anderson Silva terá suas merecidas férias e tenho certeza que lhe fará bem curtir sua família e o conforto que conquistou com os punhos. Nada como um dia após o outro. O mundo sabe que se Anderson estivesse com gana, ganharia a luta. Então não descarto uma revanche, embora acredite que a atitude de Anderson, de abrir mão de um cinturão “chato”, como seu filho Kalyl definiu nas redes sociais, seja uma tentativa de deixar o caminho aberto a outros brasileiros, como Ronaldo Jacaré. Anderson Silva perdeu o “olho de tigre” pelo menos para as defesas de cinturão dos pesos-médios, que dominou por quase sete anos.

Vitor Belfort pediu Weidman, mas Dana White descartou a luta dizendo que quer a revanche. Mas a negativa a Vitor não faz sentido do ponto de vista do ranking, onde ele ocupa a segunda colocação. O problema é que a luta teria que ser realizada no Brasil, pois no estado de Nevada, onde são realizados os maiores eventos, o tratamento de reposição hormonal não é tolerado. Portanto, Vitor não conseguiria a licença para lutar. A revanche seria o melhor caminho, caso contrário vai começar a chuva de desafios. De Wanderlei Silva, passando por Chael Sonnen, todo mundo agora vai querer pegar esse vácuo.

(ftw.usatoday.com)

 

Calendário movimentado e boas lutas

12 junho, 2013 às 15:46  |  por Gustavo Kipper

As finais do The Ultimate Fight Brasil foram disputadas no último sábado, em Fortaleza, Ceará. Além de um ótimo público, quem assistiu o evento vai se lembrar de muitas vitórias brasileiras, principalmente com finalizações sensacionais,mostrando que o jiu-jitsu ainda está em alta no MMA.

Mas nem só da arte suave vive o esporte, por isso a vitória de Thiago Silva por nocaute talvez tenha sido o ápice de um evento que prometia e cumpriu. A vitória de Fabrício Werdum sobre Rodrigo Minotauro deixou a maioria da mídia especializada sem reação, especialmente porque havia certa torcida para Minotauro, especialmente por tudo que já fez, mas achei um pouco exagerada a tristeza estampada nos comentaristas do Canal Combat, mais tristes pela derrota do amigo do que felizes pela vitória do outro brasileiro, que, de fato, representa um possível title shot. Se Minotauro vencesse, não mudaria muita coisa nos pesos- pesados, só atrapalhando a caminhada de um atleta que está próximo de seu objetivo. Como Minotauro é amigo de Júnior Cigano, ser campeão não é mais seu objetivo. Ele não tem mais nada a provar.

O segundo semestre promete movimentar várias categorias com muitas lutas decisivas.

Confira a programação dos próximos eventos do UFC:

UFC 151
15 de junho de 2013
Winnipeg (CAN)
CARD PRINCIPAL
Rashad Evans x Dan Henderson
Roy Nelson x Stipe Miocic
Ryan Jimmo x Igor Pokrajac
Alexis Davis x Rosi Sexton
Pat Barry x Shawn Jordan
CARD PRELIMINAR
Jake Shields x Tyron Woodley
Sam Stout x James Krause
Sean Pierson x Kenny Robertson
Roland Delorme x Edwin Figueroa
Mitch Clarke x John Maguire
Yves Jabouin x Dustin Pague

UFC 162
6 de julho de 2013, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL
Anderson Silva x Chris Weidman
Frankie Edgar x Charles Do Bronx
Tim Keneddy x Roger Gracie
Chan Sung Jung x Ricardo Lamas
Cub Swanson x Dennis Siver
CARD PRELIMINAR
Mark Muñoz x Tim Boetsch
Chris Leben x Andrew Craig
Norman Parke x Kazuki Tokudome
Edson Barboza x Rafaello Trator
Gabriel Napão x Dave Herman
Seth Baczynski x Brian Melancon
Mike Pearce x David Mitchel

UFC: Johnson x Moraga
27 de julho de 2013, em Seattle (EUA)
CARD DO EVENTO
Demetrious Johnson x John Moraga
Rory MacDonald x Jake Ellenberger
Robbie Lawler x Siyar Bahadurzada
Liz Carmouche x Jessica Andrade
Michael Chiesa x Jorge Masvidal
Bobby Green x Danny Castillo
Mac Danzig x Melvin Guillard
Brendan Schaub x Matt Mitrione
Yves Edwards x Spencer Fisher
Julie Kedzie x Germaine de Randamie
Ed Herman x Trevor Smith
Aaron Riley x Justin Salas
John Albert x Yaotzin Meza

UFC 163 (UFC Rio 4)
3 de agosto de 2013, no Rio de Janeiro
CARD DO EVENTO
José Aldo x Anthony Pettis
Lyoto Machida x Phil Davis
Demian Maia x Josh Koscheck
Clint Hester x Cezar Mutante
Vinny Magalhães x Anthony Perosh
Amanda Nunes x Sheila Gaff
Serginho Moraes x Neil Magny
Thales Leites x Tom Watson
Rani Yahia x Josh Clopton
Robert Drysdale x Ednaldo Lula
Ian McCall x Iliarde Santos
John Lineker x Phil Harris
Viscardi Andrade x Bristol Marunde

UFC: Shogun x Sonnen
17 de agosto de 2013, em Boston (EUA)
CARD PRINCIPAL
Mauricio Shogun x Chael Sonnen
Alistair Overeem x Travis Browne
Urijah Faber x Iuri Marajó
Matt Brown x Thiago Pitbull
Uriah Hall x Nick Ring
Joe Lauzon x Michael Johnson
CARD PRELIMINAR
Brad Pickett x Michael McDonald
Mike Brown x Akira Corassani
Conor McGregor x Andy Ogle
Diego Brandão x Daniel Pineda
Manny Gamburyan x Cole Miller
Ovince St. Preux x Cody Donovan
Ramsey Nijem x James Vick

UFC: Condit x Kampmann
28 de agosto de 2013, em Indianápolis (EUA)
CARD DO EVENTO
Carlos Condit x Martin Kampmann
Donald Cerrone x Rafael dos Anjos
Kelvin Gastelum x Paulo Thiago
Sara McMann x Sarah Kaufman
Court McGee x Robert Whittaker
Takeya Mizugaki x Erik Perez
Brad Tavares x Bubba McDaniel
Darren Elkins x Hatsu Hioki
James Head x Bobby Volker
Justin Edwards x Brandon Thatch

UFC 164
31 de agosto de 2013, em Milwaukee (EUA)
CARD DO EVENTO
Ben Henderson x TJ Grant
Josh Barnett x Frank Mir
Chad Mendes x Clay Guida
Diego Sanchez x adversário a ser divulgado *
Ben Rothwell x Brandon Vera
Dustin Poirier x Erik Koch
Soa Palelei x Nikita Krylov
Chico Camus x Kyung Ho Kang
Louis Gaudinot x Tim Elliott

UFC
4 de setembro de 2013, em local a ser divulgado.

UFC 165
21 de setembro de 2013, em Toronto (CAN).

UFC
14 de dezembro de 2013, em local a ser divulgado.

UFC
21 de dezembro de 2013, em local a ser divulgado.

 

 

 

“Pouca luta e muita promoção fazem do Jack um bobão”

4 junho, 2013 às 15:04  |  por Gustavo Kipper

Dana White Angry (knuxx.com)

Mais uma vez venho bater nessa tecla, que já está suja de poeira: nada ainda foi feito a respeito das seguidas lesões de atletas, principalmente e coincidentemente atletas do main card. São muitos os fatores prejudicados com esse tipo de desistência, principalmente às vésperas dos eventos. Se Rogério Minotouro está com inflamação na hérnia de disco, não deve ter sido ontem que descobriu o problema. Por que esperar chegar a duas semanas do evento para comunicar ao UFC que não poderá lutar? Se Rogério tivesse 22 anos, até entendo que deveria esperar uma recuperação. Mas, atletas da velha guarda, ex-combatentes do Pride F.C, não têm condições de melhorar em duas semanas. Talvez isso seja feito, para, quem sabe, não haver tempo de encontrar um substituto e a luta ser remarcada. Afinal, tirando o aproveitador Chael Sonnen, quem mais pegaria o Shogun faltando duas semanas para a luta? Difícil.

O que venho dizendo há meses é que devido ao grande investimento por parte de ambas as partes – como pay per view, preparação dos atletas, ingressos vendidos e uma promoção caríssima – o certo seria melhorar a forma de organizar os combates. Em cada combate deveriam existir dois lutadores substitutos para cada atleta, treinados e prontos para lutar qualquer dia, naquele período de contrato. Quantas pessoas poderiam ter a chance de lutar contra Shogun, já previamente sabendo que se o principal lutador se machucar, ele será o próximo? E assim vale também para o segundo. Ou seja, se caso dois atletas se machuquem, ainda existirá um terceiro faminto pela oportunidade.

Quando o evento for lançado, os dois substitutos de cada atleta já serão previamente anunciados, apimentando ainda mais os cards dos eventos, e as surpresas passarão a serem oportunidades. Uma das regras básicas do marketing e da publicidade é transformar os erros em oportunidades e o UFC ainda não fez isso. Prática que permite ao falastrão Chael Sonnen ganhar na picaretagem o direito de disputar. E mais: Sonnen já sabia que tinha problemas de visto, só ganhou fama por ter sido o valentão de novo. Por isso, senhoras e senhores, Maurício Shogun só deve retornar em agosto e o adversário ainda é indefinido. O UFC está virando a CBF. Já que Minotouro não está em condições, sugiro a trilogia Shogun contra Lyoto ou, quem sabe, contra o amarrão Phil Davis, que só perdeu para Rashad Evans. Seu cartel é melhor que o dos brasileiros. Oss!

 

Joe Silva por um dia

11 abril, 2013 às 13:38  |  por Gustavo Kipper

Mesmo com a criação do ranking oficial, muitos combates ainda serão marcados pelo apelo que a luta proporciona pelos fãs, além é claro da venda dos pay- per- views que fazem a roda girar. Fico imaginando que um dos empregos mais legais do mundo seja o do matchmaker do evento, Joe Silva, responsável por planejar quem lutará com quem. Embora o ranking seja uma boa referência, a imaginação de um combate com toda sua complexidade e confronto de estilos faz qualquer um imaginar como seria se…?

Pensei um pouco e imaginei 20 confrontos que ao menos eu gostaria de ver na tela. Não posso considerar eventos já marcados. Apenas possíveis confrontos.

  1. Anderson Silva vs Jon Jones (luta em peso combinado de 88 kg)
  2. Anderson Silva vs Georges St Pierre (luta em peso combinado de 80 kg)
  3. José Aldo vs Ben Henderson (luta em peso combinado de 68 kg)
  4. Wanderlei Silva vs Chael Sonnen (meio- pesado)
  5. Júnior Cigano vs Cain Velásquez III (peso- pesado)
  6. Renan Barão vs Dominik Cruz (peso- galo)
  7. Rodrigo Minotauro vs Fedor Emelianenko 4 (peso- pesado)
  8. Maurício Shogun vs Gerard Mousasi (meio- pesado)
  9. Lyoto Machida vs Alexander Gustafsson (meio- pesado)
  10. Michael Bisping vs Hector Lombard (peso- médio)
  11. Frank Edgar vs Chad Mendez (peso- pena)
  12. Vitor Belfort vs Wanderlei Silva (meio- pesado)
  13. Ronaldo Jacaré vs Roger Gracie (peso- médio)
  14. Ronda Rousey vs Chris Cyborg (peso- galo)
  15. Rogério Minotouro vs Dan Henderson (meio- pesado)
  16. Nate Diaz vs Anthony Pettis (peso- leve)
  17. Nick Diaz vs Rory McDonald (meio- médios)
  18. Rodrigo Minotauro vs Frank Mir 3 (peso-pesado)
  19. Maurício Shogun vs Glover Teixeira  (meio-pesado)
  20. Júnior dos Santos vs Jon Jones (peso- pesado)