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'Chael Sonnen'

Calendário movimentado e boas lutas

12 junho, 2013
15:46

As finais do The Ultimate Fight Brasil foram disputadas no último sábado, em Fortaleza, Ceará. Além de um ótimo público, quem assistiu o evento vai se lembrar de muitas vitórias brasileiras, principalmente com finalizações sensacionais,mostrando que o jiu-jitsu ainda está em alta no MMA.

Mas nem só da arte suave vive o esporte, por isso a vitória de Thiago Silva por nocaute talvez tenha sido o ápice de um evento que prometia e cumpriu. A vitória de Fabrício Werdum sobre Rodrigo Minotauro deixou a maioria da mídia especializada sem reação, especialmente porque havia certa torcida para Minotauro, especialmente por tudo que já fez, mas achei um pouco exagerada a tristeza estampada nos comentaristas do Canal Combat, mais tristes pela derrota do amigo do que felizes pela vitória do outro brasileiro, que, de fato, representa um possível title shot. Se Minotauro vencesse, não mudaria muita coisa nos pesos- pesados, só atrapalhando a caminhada de um atleta que está próximo de seu objetivo. Como Minotauro é amigo de Júnior Cigano, ser campeão não é mais seu objetivo. Ele não tem mais nada a provar.

O segundo semestre promete movimentar várias categorias com muitas lutas decisivas.

Confira a programação dos próximos eventos do UFC:

UFC 151
15 de junho de 2013
Winnipeg (CAN)
CARD PRINCIPAL
Rashad Evans x Dan Henderson
Roy Nelson x Stipe Miocic
Ryan Jimmo x Igor Pokrajac
Alexis Davis x Rosi Sexton
Pat Barry x Shawn Jordan
CARD PRELIMINAR
Jake Shields x Tyron Woodley
Sam Stout x James Krause
Sean Pierson x Kenny Robertson
Roland Delorme x Edwin Figueroa
Mitch Clarke x John Maguire
Yves Jabouin x Dustin Pague

UFC 162
6 de julho de 2013, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL
Anderson Silva x Chris Weidman
Frankie Edgar x Charles Do Bronx
Tim Keneddy x Roger Gracie
Chan Sung Jung x Ricardo Lamas
Cub Swanson x Dennis Siver
CARD PRELIMINAR
Mark Muñoz x Tim Boetsch
Chris Leben x Andrew Craig
Norman Parke x Kazuki Tokudome
Edson Barboza x Rafaello Trator
Gabriel Napão x Dave Herman
Seth Baczynski x Brian Melancon
Mike Pearce x David Mitchel

UFC: Johnson x Moraga
27 de julho de 2013, em Seattle (EUA)
CARD DO EVENTO
Demetrious Johnson x John Moraga
Rory MacDonald x Jake Ellenberger
Robbie Lawler x Siyar Bahadurzada
Liz Carmouche x Jessica Andrade
Michael Chiesa x Jorge Masvidal
Bobby Green x Danny Castillo
Mac Danzig x Melvin Guillard
Brendan Schaub x Matt Mitrione
Yves Edwards x Spencer Fisher
Julie Kedzie x Germaine de Randamie
Ed Herman x Trevor Smith
Aaron Riley x Justin Salas
John Albert x Yaotzin Meza

UFC 163 (UFC Rio 4)
3 de agosto de 2013, no Rio de Janeiro
CARD DO EVENTO
José Aldo x Anthony Pettis
Lyoto Machida x Phil Davis
Demian Maia x Josh Koscheck
Clint Hester x Cezar Mutante
Vinny Magalhães x Anthony Perosh
Amanda Nunes x Sheila Gaff
Serginho Moraes x Neil Magny
Thales Leites x Tom Watson
Rani Yahia x Josh Clopton
Robert Drysdale x Ednaldo Lula
Ian McCall x Iliarde Santos
John Lineker x Phil Harris
Viscardi Andrade x Bristol Marunde

UFC: Shogun x Sonnen
17 de agosto de 2013, em Boston (EUA)
CARD PRINCIPAL
Mauricio Shogun x Chael Sonnen
Alistair Overeem x Travis Browne
Urijah Faber x Iuri Marajó
Matt Brown x Thiago Pitbull
Uriah Hall x Nick Ring
Joe Lauzon x Michael Johnson
CARD PRELIMINAR
Brad Pickett x Michael McDonald
Mike Brown x Akira Corassani
Conor McGregor x Andy Ogle
Diego Brandão x Daniel Pineda
Manny Gamburyan x Cole Miller
Ovince St. Preux x Cody Donovan
Ramsey Nijem x James Vick

UFC: Condit x Kampmann
28 de agosto de 2013, em Indianápolis (EUA)
CARD DO EVENTO
Carlos Condit x Martin Kampmann
Donald Cerrone x Rafael dos Anjos
Kelvin Gastelum x Paulo Thiago
Sara McMann x Sarah Kaufman
Court McGee x Robert Whittaker
Takeya Mizugaki x Erik Perez
Brad Tavares x Bubba McDaniel
Darren Elkins x Hatsu Hioki
James Head x Bobby Volker
Justin Edwards x Brandon Thatch

UFC 164
31 de agosto de 2013, em Milwaukee (EUA)
CARD DO EVENTO
Ben Henderson x TJ Grant
Josh Barnett x Frank Mir
Chad Mendes x Clay Guida
Diego Sanchez x adversário a ser divulgado *
Ben Rothwell x Brandon Vera
Dustin Poirier x Erik Koch
Soa Palelei x Nikita Krylov
Chico Camus x Kyung Ho Kang
Louis Gaudinot x Tim Elliott

UFC
4 de setembro de 2013, em local a ser divulgado.

UFC 165
21 de setembro de 2013, em Toronto (CAN).

UFC
14 de dezembro de 2013, em local a ser divulgado.

UFC
21 de dezembro de 2013, em local a ser divulgado.

 

 

 

“Pouca luta e muita promoção fazem do Jack um bobão”

4 junho, 2013
15:04

Dana White Angry (knuxx.com)

Mais uma vez venho bater nessa tecla, que já está suja de poeira: nada ainda foi feito a respeito das seguidas lesões de atletas, principalmente e coincidentemente atletas do main card. São muitos os fatores prejudicados com esse tipo de desistência, principalmente às vésperas dos eventos. Se Rogério Minotouro está com inflamação na hérnia de disco, não deve ter sido ontem que descobriu o problema. Por que esperar chegar a duas semanas do evento para comunicar ao UFC que não poderá lutar? Se Rogério tivesse 22 anos, até entendo que deveria esperar uma recuperação. Mas, atletas da velha guarda, ex-combatentes do Pride F.C, não têm condições de melhorar em duas semanas. Talvez isso seja feito, para, quem sabe, não haver tempo de encontrar um substituto e a luta ser remarcada. Afinal, tirando o aproveitador Chael Sonnen, quem mais pegaria o Shogun faltando duas semanas para a luta? Difícil.

O que venho dizendo há meses é que devido ao grande investimento por parte de ambas as partes – como pay per view, preparação dos atletas, ingressos vendidos e uma promoção caríssima – o certo seria melhorar a forma de organizar os combates. Em cada combate deveriam existir dois lutadores substitutos para cada atleta, treinados e prontos para lutar qualquer dia, naquele período de contrato. Quantas pessoas poderiam ter a chance de lutar contra Shogun, já previamente sabendo que se o principal lutador se machucar, ele será o próximo? E assim vale também para o segundo. Ou seja, se caso dois atletas se machuquem, ainda existirá um terceiro faminto pela oportunidade.

Quando o evento for lançado, os dois substitutos de cada atleta já serão previamente anunciados, apimentando ainda mais os cards dos eventos, e as surpresas passarão a serem oportunidades. Uma das regras básicas do marketing e da publicidade é transformar os erros em oportunidades e o UFC ainda não fez isso. Prática que permite ao falastrão Chael Sonnen ganhar na picaretagem o direito de disputar. E mais: Sonnen já sabia que tinha problemas de visto, só ganhou fama por ter sido o valentão de novo. Por isso, senhoras e senhores, Maurício Shogun só deve retornar em agosto e o adversário ainda é indefinido. O UFC está virando a CBF. Já que Minotouro não está em condições, sugiro a trilogia Shogun contra Lyoto ou, quem sabe, contra o amarrão Phil Davis, que só perdeu para Rashad Evans. Seu cartel é melhor que o dos brasileiros. Oss!

 

Joe Silva por um dia

11 abril, 2013
13:38

Mesmo com a criação do ranking oficial, muitos combates ainda serão marcados pelo apelo que a luta proporciona pelos fãs, além é claro da venda dos pay- per- views que fazem a roda girar. Fico imaginando que um dos empregos mais legais do mundo seja o do matchmaker do evento, Joe Silva, responsável por planejar quem lutará com quem. Embora o ranking seja uma boa referência, a imaginação de um combate com toda sua complexidade e confronto de estilos faz qualquer um imaginar como seria se…?

Pensei um pouco e imaginei 20 confrontos que ao menos eu gostaria de ver na tela. Não posso considerar eventos já marcados. Apenas possíveis confrontos.

  1. Anderson Silva vs Jon Jones (luta em peso combinado de 88 kg)
  2. Anderson Silva vs Georges St Pierre (luta em peso combinado de 80 kg)
  3. José Aldo vs Ben Henderson (luta em peso combinado de 68 kg)
  4. Wanderlei Silva vs Chael Sonnen (meio- pesado)
  5. Júnior Cigano vs Cain Velásquez III (peso- pesado)
  6. Renan Barão vs Dominik Cruz (peso- galo)
  7. Rodrigo Minotauro vs Fedor Emelianenko 4 (peso- pesado)
  8. Maurício Shogun vs Gerard Mousasi (meio- pesado)
  9. Lyoto Machida vs Alexander Gustafsson (meio- pesado)
  10. Michael Bisping vs Hector Lombard (peso- médio)
  11. Frank Edgar vs Chad Mendez (peso- pena)
  12. Vitor Belfort vs Wanderlei Silva (meio- pesado)
  13. Ronaldo Jacaré vs Roger Gracie (peso- médio)
  14. Ronda Rousey vs Chris Cyborg (peso- galo)
  15. Rogério Minotouro vs Dan Henderson (meio- pesado)
  16. Nate Diaz vs Anthony Pettis (peso- leve)
  17. Nick Diaz vs Rory McDonald (meio- médios)
  18. Rodrigo Minotauro vs Frank Mir 3 (peso-pesado)
  19. Maurício Shogun vs Glover Teixeira  (meio-pesado)
  20. Júnior dos Santos vs Jon Jones (peso- pesado)

T.U.F América, terror psicológico e Mike Tyson

3 abril, 2013
16:05

The Ultimate Fighter: Jones vs Sonnen

Um dos fatores mais importantes em uma luta é a guerra psicológica. As provocações, discussões e encaradas, apesar de serem parte do jogo promocional, fazem parte de algo maior. É a guerra mental que se inicia com a marcação da luta, até o possível abraço final de respeito após o fim do combate. A última demonstração clara de que a guerra psicológica faz parte do jogo, e é usada por todos os lutadores, foi na aguardada luta entre Georges St Pierre e Nick Diaz. Assim como Chael Sonnen e Anderson Silva, a pressão durou anos até ter seu desfecho. Do caso de Pierre e Diaz um abraço e um erguendo a mão do outro demonstraram claramente que aquela guerra acabou. O próprio campeão canadense admitiu na coletiva que nunca havia passado por uma guerra psicológica tão intensa e quem acompanha sabe o esforço mental que Georges fez para não sair dos trilhos. Se não fosse quem é, teria sucumbido.

O meu herói Mike Tyson era mestre. Suas táticas eram brutas, toscas e simples. As mais animais, primitivas e funcionais que o boxe já viu. Além dos nocautes, os segundos antes da luta faziam toda a diferença. Sem tirar o mérito de Ali, que também fazia os oponentes mudarem de cor, as encaradas de Mike Tyson antes do gongo inicial já lhe davam metade da luta. Era o famoso olhar fixo como o de um leão antes de atacar sua presa. Dava medo até em nós que víamos pela televisão. Do outro lado, o pobre adversário com olhos de quem caminha para a cadeira elétrica ou para a câmara de gás já deixava escapar o odor do medo, que nós humanos também podemos sentir.

Com a ascensão do MMA, muitos atletas conseguiam essa vantagem extracampo do seu próprio jeito. Wanderlei Silva pela violência e intimidação, Fedor Emelianenko pela frieza russa, Anderson Silva pela imprevisibilidade, Jon Jones pelo tamanho e golpes cruéis – mas sempre algo que acompanha suas carreiras.

O The Ultimate Fighter América chegou à fase semifinal, e com ela, grandes descobertas e ótimos lutadores. Mas um em específico chamou a atenção dos fãs, e principalmente de Dana White, que disse nunca ter visto nada parecido em sua longa carreira. Uriah Hall simplesmente devastou seus oponentes com nocautes tão brutais que os espectadores não tiveram coragem sequer de bater palmas. Ambulâncias, médicos, dor e choque foram à tônica de seus combates.

Ontem, no programa que foi ao ar nos EUA, o adversário foi nocauteado em menos de trinta segundos comprovando toda a crise de estresse e pavor que Bubba, o atleta do time Jones, sentiu durante a semana sabendo que iria enfrentar o melhor atleta da casa. Crises existenciais, dores fantasmas, depressão, todos os sintomas do pânico acompanharam Bubba durante a semana. Os nocautes avassaladores de Uriah Hall o deram o poder de imputar terror em seus adversários que já entram derrotados, como em muitas lutas que vimos por ai. Como costumava dizer um folclórico treinador de futebol do Brasil: “O medo de perder tira a vontade de ganhar”. Chael soube escolher o possível vencedor do reality americano. E mais: Uriah Hall um dia pode ser campeão do UFC.

Acho que os atletas de hoje, até pela mentalidade de seus formadores, não trabalham esse lado emocional, tão importante como o físico e o técnico. Para ser campeão é preciso dominar essas três classes. Um excelente exemplo é do saudoso mestre Carlson Gracie, formador de lendas como Vitor Belfort. Levado pela filosofia da família Gracie em vencer os desafios que a vida impõe, conseguia transformar seus atletas em lutadores de grande poder mental. Diferentemente da superconfiança, é algo maior, intrínseco aos seus valores da vida.

Ao vencer Wanderlei Silva em 1998, em um nocaute relâmpago, Vitor iniciou uma comemoração extravazada, como a de um garoto ganhando uma campeonato de videogame. Carlson, vendo a cena, tratou de colocar Vitor na linha e mostrar qual o caminho eterno para a guerra mental que aquele garoto ainda travaria a vida toda. Chamou-o e sem pestanejar o repreendeu: “Está comemorando por quê? Você achou que iria perder?”

Um dos nocautes de Uriah Hall na casa

Nocaute de Uriah Hall contra Bubba McDaniel no TUF

Uriah Hall

Mike Tyson – Uma lição de intimidação

 

 

 

Faltam um ranking oficial e critérios

30 janeiro, 2013
11:58

Ninguém pode duvidar da capacidade do UFC em gerenciar a marca e principalmente na padronização da alta qualidade nos eventos da franquia, com estrutura e lutas quase sempre impecáveis. Porém, o número de lutadores se multiplicou nos últimos anos. A compra do Strikeforce, a absorção do WEC, a contratação de atletas do Bellator e a importação de promessas, como por exemplo os irmãos Marajó, campeões dos nossos eventos nacionais como Jungle Fight, fizeram inchar a organização de atletas, e mesmo com o visível aumento no número dos eventos, muitos lutadores não têm a menor ideia de qual será o rumo de suas carreiras. Sempre escutamos a frase: “Não escolho adversário, deixo nas mãos do Dana e do Joe Silva”.

Isso se deve ao fato de as lutas serem combinadas, tendo como principal critério a venda do pay per view. Embora as lutas quase sempre façam sentido, quem acompanha ou trabalha diretamente com o evento é impedido de trabalhar com um planejamento mais longo, pois fica à deriva aguardando instruções dos chefões que anunciam os cards sem que haja muita contestação por parte de atletas e fãs. Faltam critérios técnicos e interação com o público, para que sejam marcadas as lutas mais justas e não as mais vendáveis. Falta um ranking oficial do UFC em todas as categorias, para que seja mais transparente a missão da organização de criar campeões.

Já vimos nas principais categorias o campeão se dar ao luxo de negar desafios, embora em alguns casos, pelos motivos citados anteriormente. Por coincidência, Anderson Silva e Jon Jones, à primeira vista, negaram o combate contra o falastrão Chael Sonnen. Ambos por motivos parecidos, mas o principal: os campeões achavam que Sonnen não merecia estar ali, que tinha ganhado a oportunidade com a garganta e vendia pay per view. Esses foram os casos mais recentes de crises entre os campeões e a organização. Tudo isso poderia ser evitado com a criação de um ranking oficial com critérios de pontuação.

Estabelecer critérios e organizar os egos em posições deixaria mais nítidas para os fãs as lutas mais justas e impediria que os campeões travassem a categoria escolhendo as lutas que melhor encaixam no seu perfil vitorioso. Fogem de desafios. Poucos campeões realmente não escolhem adversários. Anderson Silva vem se especializando em enfrentar adversários medíocres, muito abaixo de seu potencial, para poder dar show em lutas fáceis. Realmente só o vi sendo testado duas ou três vezes em todas as defesas de cinturão. Talvez o único que obrigou Anderson a se superar tenha sido Dan Henderson, muitos anos atrás.

A moda agora para evitar a defesa do cinturão são as chamadas superlutas contra adversários da categoria acima. Mas, como Spider não luta contra amigos, parceiros de treino, ex- colegas e qualquer ser vivo que tenha feito um treino junto, eliminam-se as superlutas mais emocionantes como contra os amigos Lyoto Machida, Maurício Shogun, Rogério Minotouro, Glover Teixeira e assim vai. Aí sobram Stephan Bonnar, Forrest Griffin, Cung Le. Sinceramente, superlutas seriam contra os campeões ou ex- campeões, atletas que algum dia já souberam o que era ser o melhor. Até mesmo Vitor Belfort anda se aproveitando do nome para ganhar disputa de cinturão em pesos diferentes, furando literalmente a fila de atletas que há anos vem tentando subir em um ranking que não existe.

Enquanto os critérios subjetivos e financeiros estiverem à frente de um julgamento técnico, veremos lutas armadas que não movimentam a categoria, apenas protegem os campeões e os lucros da televisão.

Especial parte 2 – O MMA virou o UFC: entenda porque as siglas estão cada vez mais unidas

5 dezembro, 2012
16:18

Embora o UFC já colecionasse fãs ao redor do mundo, especialmente no Brasil, onde nomes do MMA nacional consagraram-se em território americano, como Royce Gracie, Vitor Belfort, Marco Ruas, Murilo Bustamante, Pedro Rizzo e outros, os grandes nomes ainda estavam lutando no Japão. O Pride F.C era um evento grandioso, com muita personalidade e atletas que eram a mina de ouro para batalhas épicas que ainda ecoam na mente dos entusiastas do MMA antigo.

Quando foi descoberta uma suposta ligação do evento com a máfia japonesa, as transmissões na TV aberta foram canceladas, criando uma crise financeira e moral insustentável para a franquia, que foi obrigada a fechar suas portas e vender a marca ao UFC com todo o arsenal de grandes lutadores. Realmente foi um acontecimento mágico, graças ao qual finalmente poderíamos ver batalhas tão sonhadas no mesmo palco – o octógono. Wanderlei Silva, Maurício Shogun, Minotauro, Minotouro, Rampage Jackson, todos foram levados pelo evento americano, que passou a ter praticamente o monopólio dos espetáculos de grande porte no mundo e dos atletas de ponta, as celebridades.

Mesmo os eventos Cage Rage na Inglaterra, onde Anderson Silva foi campeão e conquistou projeção internacional, ou os fracassados eventos da M-1, empresa russa que impediu de todas as formas a contratação da lenda Fedor Emelianenko pelo UFC, além do Strikeforce e Affliction, nunca fizeram frente à grandiosidade que o UFC passou a demonstrar. Quantidades absurdas de pay per view vendidos, eventos extremamente bem produzidos, uma estrutura de produtos e marketing jamais vista, transformando atletas em celebridades.

O MMA agora era definitivamente um esporte, apoiado por regras, categorias bem definidas de peso, aval das comissões atléticas e eventos realizados em outros países. Tudo isso tornou a marca UFC bilionária. O Pride F.C agora tinha um substituto à altura e melhor – com um planejamento muito mais ousado (podem ainda ser discutidas muitas regras, como as famosas cotoveladas, das quais, sou a favor, pois a regra vale para ambos), mas após a aquisição do Pride e Strikeforce pelo UFC, o monopólio de um esporte ganhou forma.

 

O corpo humano é uma máquina

A maioria dos lutadores profissionais quando estão em períodos de treino pesam muito mais do que o limite de suas categorias. Inclusive é um tema polêmico, pois muitos lutadores se desgastam a níveis perigosos para chegar à balança no peso ideal, às vezes não conseguem, mas normalmente quando vencida a batalha da balança, o lutador pode ganhar peso extra pra luta, tendo em vista que é apenas um processo controlado de desidratação, podendo ser facilmente reposto com alimentos pastosos, isotônicos, carboidrato e proteína.

O diferencial de muitos lutadores é conseguir bater o peso sem haver muito desgaste e chegar à luta com potencial máximo. Como as divisões de peso são muito bem definidas, e os lutadores quase sempre cumprem uma dieta rigorosa, alguns atletas geneticamente privilegiados conseguem chegar ao limite de suas categorias, obtendo supremacia total. É o caso de José Aldo que já cogitou super para os leves, Jon Jones que pretende subir para os pesados, Anderson Silva e Georges St Pierre. Eles não são apenas campeões. Eles têm o biótipo certo para a categoria certa. Quase imbatíveis.

Com o domínio do UFC na realização dos grandes eventos, os eventos brasileiros ou de outras marcas, como o americano Bellator, soam como uma espécie de segunda divisão do MMA, sendo apenas uma vitrine para chegar aonde todos querem chegar. No UFC. Mesmo os eventos nacionais com uma produção honesta como o Jungle Fight e Shooto Brasil, são espécies de filiais do UFC. Lyoto Machida, Renan Barão, Júnior Cigano, todos começaram em eventos menores, conquistaram seu espaço e hoje são campeões. Mas quando a sigla UFC é mais citada que o nome do próprio esporte – começo a questionar o tamanho do esquema que sustenta essa indústria bilionária, que nos dias de hoje, tem até reality show na rede Globo. Serão os critérios técnicos distorcidos pela grana?

Ainda há muito para falar. A entrada do UFC do mercado asiático, o MMA na olimpíada e temas que ainda irão moldar o rumo do esporte. Fique ligado!

 

 

 

Murilo Ninja vs Paulão Filho: uma revanche, duas carreiras vitoriosas

6 setembro, 2012
15:40

Divulgação/Pride

Esta noite poderá ficar marcada com um grande e honrado final de carreira para dois lutadores brasileiros que defenderam o país mundo afora e enfrentaram os melhores do mundo. O curitibano Murilo Ninja e o carioca Paulão Filho muito se respeitam e farão um duelo de muita história em Belém, capital do Pará. Ambos já enfrentaram nomes como Dan Henderson, Chael Sonnen, Kevin Randleman e saíram vitoriosos.

No início da explosão do MMA no mundo, principalmente no Japão, os dois representavam uma das maiores rivalidades entre academias do mundo. A Chute Boxe dos curitibanos Wanderlei Silva, José Pelé Landy, Rafael Cordeiro, Maurício Shogun, Murilo Ninja e até mesmo Anderson Silva travava uma disputa dentro e muitas vezes fora dos ringues contra a elite dos lutadores cariocas, a B.T.T (Brazillian Top Team), representada por Minotauro e Rogério Minotouro, José Mario Sperry, Ricardo Arona, Murilo Bustamante e Paulão Filho. Fato é que nunca houve maiores complicações nos bastidores, mas dentro do ringue houve batalhas épicas de ambos os lados, como os duelos de Wanderlei contra Arona, Shogun vs Minotouro, Ninja vs Paulão, Shogun vs Arona, entre outras que fizeram a história do nosso esporte e elevaram o MMA ao patamar que hoje alcançou.

Murilo Ninja já foi derrotado por Paulo Filho, no Pride, mas hoje, às 21 horas, no evento Best of the Best, os dois atletas farão sua luta de despedida e essa revanche, pela rivalidade e tudo que ambos já conquistaram, merece nosso respeito.

Detalhe para Maurício Shogun, que ficará no corner do irmão Murilo Ninja, e Ricardo Arona, que estará presente no canto oposto como nos velhos e bons tempos. É a despedida de uma geração.

Card do evento
Best of the Best
Hangar, Belém do Pará
Quinta-feira, 06 de setembro de 2012

 
Paulo Filho enfrentará Murilo Ninja;
Marcio Parazinho enfrentará Bruno Cro Cop;
André Lobato enfrentará André Mikito;
Bruno Carioca enfrentará Alberto Pantoja;
Lincon Sá enfrentará Joriedson Fein;
Silmar Sombra enfrentará Fabricio Strike;
Samuel Paiva enfrentará Bruno Miranda;
Alexandre Leão enfrentará Jacob Quintana.

O evento será transmitido pelo canal Combat a partir das 21 horas.

Assista o vídeo da primeira luta dos dois no Pride Bushido 10

 

 

Notícias do MMA

28 agosto, 2012
10:33

O dia do arrego

A semana passada sem dúvida foi uma das mais difíceis para a organização do UFC, o maior evento mundial de artes marciais mistas. As polêmicas e conturbadas decisões de todos os envolvidos podem ser questionadas, embora a saída encontrada tenha sido bem acertada, tendo em vista o que poderia acontecer. Porém, os principais envolvidos não escaparam de uma divertida montagem no youtube, satirizando de uma forma bem humorada todas as situações que acabaram por cancelar o UFC 151. Veja abaixo o vídeo chamado “O dia do arrego”.

Dudu Dantas perde no Sooto Brasil 33

Muitos se perguntam por que alguns lutadores possuem contrato de exclusividade com os eventos, principalmente quando o atleta é campeão de sua divisão. Nesse sábado, no quartel do batalhão de choque, Rio de Janeiro, foi realizada mais uma edição do evento Shooto Brasil. Como destaque e na luta principal, o campeão dos pesos galos do Bellator, o brasileiro da academia Nova União Dudu Dantas contra o desconhecido americano Tyson Nam.

Dudu defende seu título do Bellator no fim do ano contra outro brasileiro, o vencedor do GP da categoria, Marcos Loro. Para não ficar até o fim do ano sem lutar, Dudu decidiu retornar ao evento que o projetou internacionalmente. Ganha sem dúvida o público que pode ver o campeão lutando em casa. Mas para o lutador, será que para manter-se em forma vale a pena arriscar desse jeito? Logo no início do combate Dudu partiu pra cima do americano com toda confiança de um campeão lutando em casa. Logo mostrou seu cartão de visitas, a joelhada voadora e tentou encurralar o americano. Iniciou uma troca franca de golpes e foi surpreendido com um poderoso gancho de direita que passou por cima da guarda e nocauteou o brasileiro ainda nos primeiros segundos de combate. Foi o primeiro sofrido por Dudu, que após a luta parecia não acreditar.

Após a vitória, em um misto de medo e alegria, o americano saiu correndo para seu vestiário, deixando os espectadores sem entender nada. Após o ocorrido, o americano voltou e explicou sua surpresa e o medo da reação do público. Para Dudu Dantas, vale a pergunta. Valeu a pena ter lutado em outro evento e ser nocauteado em casa? Pelo jeito, não. O erro está em aceitar a luta e não se preparar corretamente. Dudu achou que já tinha vencido antes mesmo de subir ao combate. Excesso de confiança? Sem dúvida. O mundo da luta é igual ao futebol. Só termina quando acaba.

Foto: Alan Oliveira

 

 

 

Lyoto não aceita luta e Vitor Belfort será o novo desafiante no UFC

24 agosto, 2012
10:24

(Foto: Adriano Caldas / Globoesporte.com)

As últimas horas talvez tenham sido as mais difíceis da história do UFC. Neste ano foram incontáveis os cancelamentos e lesões que vieram à tona antes de eventos já confirmados. Dessa vez quem se machucou nos treinos e será substituído será Dan Henderson. O americano, que havia garantido a disputa do cinturão após derrotar lendas do MMA como Fedor Emelianenko e Maurício Shogun, sofreu uma lesão no joelho e obrigou Dana White a fazer uma tentativa desesperada de botar o falastrão Chael Sonnen no lugar de Henderson.

Dana White começou a semana ironizando a possibilidade de Chael Sonnen conseguir disputar o cinturão dos meio pesados, antes de fazer pelo menos duas lutas, sendo uma contra um TOP 5 da categoria. Disse com todas as letras que não faria sentido nenhum premiar alguém que acabou de perder na divisão de baixo. Jon Jones também ficou irritado com a falação de Sonnen – fortalecendo que não deixaria o falador lutar com a boca e que para lhe conceder a disputa Sonnen teria que merecer. Jones também acusou Sonnen de racismo contra os brasileiros. Porém, bastou Dan Henderson se machucar para Dana White se lembrar do poder da falação na venda de lutas e mudou de ideia rápido, na maior contradição que o vi cometer. Na tentativa de fazer a luta acontecer sem perder muito dinheiro, White passou por cima de todo o ranking e tentou colocar Sonnen em outra disputa de cinturão, só que agora no peso de cima, sem ter vencido nenhum combate para mostrar do que é capaz. Depois do fraco desempenho contra Anderson Silva, Chael disse que subiria para os meio-pesados, mas sua nova chance veio cedo demais.

O que irritou muito White foi que Jon Jones, a princípio, teria aceitado o combate. Mas, aconselhado por seu empresário e treinador Greg Jackson, voltou atrás e desistiu da luta, colocando o UFC em uma situação delicada. Jackson, que é considerado o melhor treinador de MMA do mundo, foi acusado por White de ser um dos maiores traidores do esporte e avisou que as relações com o campeão estavam estremecidas. Mas não precisa ser nenhum gênio para notar que a recusa de Jones foi muito acertada, tendo em vista que White só estava analisando o ponto de vista financeiro, abandonando por completo os critérios técnicos e o ranking do peso. Jon Jones foi bem orientado e não entrou na pilha, posicionando-se de forma correta – respeitando o ranking e os fãs.

Lyoto Machida, que vencera Ryan Bader com contundência, conquistou o direito de desafiar novamente o campeão, aguardando o vencedor de Jones contra Henderson. Sem levar nenhum golpe, fez uma luta perfeita, não levou suspensão médica e o desafio da luta foi anunciado na coletiva após o evento. Porém, quando chamado, Lyoto Machida também recusou o combate, alegando falta de tempo para se preparar, tendo em vista que acabara de lutar. Sendo esse o motivo, ou mágoa de ter visto Sonnen sendo colocado à sua frente sem merecimento, Lyoto também desagradou a cúpula do UFC. Esta, por sua vez, encontrou a saída em outro brasileiro, que ironicamente também desistiu às vésperas da final do primeiro The Ultimate Fighter Brasil, por conta de uma lesão na mão esquerda. Vitor Belfort é agora o novo desafiante ao cinturão dos meio-pesados e enfrentará Jon Jones dia 22 de setembro, em Toronto, Canadá.

A saída encontrada é acertada, levando-se em conta critérios técnicos e tempo de preparação. Será um grande combate. Para os brasileiros acabou sendo positivo, pois teremos dois compatriotas lutando na sequencia pelo título da categoria mais disputada do mundo. Mas o que ficará marcado nesse gerenciamento de crise é que as vendas do evento nos canais fechados estão falando mais alto do que o merecimento e a técnica. O que se falou no começo da semana foi aniquilado pela primeira crise que chegou, e pior, que a falação que Sonnen protagonizou veio pra ficar. Devemos respeito a Jon Jones por não ter aceitado a luta apenas por dinheiro, valorizando seu cinturão e mostrando que os campeões têm muito poder dentro do evento, pois carregam todos os fãs nas costas. Independentemente do vencedor, Jon Jones mostrou que, além de ser um grande campeão, tem personalidade.

Dan Henderson machucado, UFC 151 adiado

23 agosto, 2012
16:59

 

Foto:UFC

Na tarde de hoje, quinta-feira, 23 de agosto, Dana White anunciou em uma coletiva de imprensa que Dan Henderson havia se lesionado. O evento marcado para o dia 1º de setembro em Bankers Life Fieldhouse, Indianapolis,  foi adiado para o dia 22 de setembro, em Toronto, Canadá. O adversário de Jon Jones agora será Lyoto Machida. Muitos dizem que foi oferecido Chael Sonnen, mas Jones e sua equipe, caso realmente tenha havido o contato, obviamente recusaram a luta.

Mais informações em breve.

http://br.ufc.com/news/ufc-on-fx-5-change-announced

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