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'Fedor Emelianenko'

Joe Silva por um dia

11 abril, 2013
13:38

Mesmo com a criação do ranking oficial, muitos combates ainda serão marcados pelo apelo que a luta proporciona pelos fãs, além é claro da venda dos pay- per- views que fazem a roda girar. Fico imaginando que um dos empregos mais legais do mundo seja o do matchmaker do evento, Joe Silva, responsável por planejar quem lutará com quem. Embora o ranking seja uma boa referência, a imaginação de um combate com toda sua complexidade e confronto de estilos faz qualquer um imaginar como seria se…?

Pensei um pouco e imaginei 20 confrontos que ao menos eu gostaria de ver na tela. Não posso considerar eventos já marcados. Apenas possíveis confrontos.

  1. Anderson Silva vs Jon Jones (luta em peso combinado de 88 kg)
  2. Anderson Silva vs Georges St Pierre (luta em peso combinado de 80 kg)
  3. José Aldo vs Ben Henderson (luta em peso combinado de 68 kg)
  4. Wanderlei Silva vs Chael Sonnen (meio- pesado)
  5. Júnior Cigano vs Cain Velásquez III (peso- pesado)
  6. Renan Barão vs Dominik Cruz (peso- galo)
  7. Rodrigo Minotauro vs Fedor Emelianenko 4 (peso- pesado)
  8. Maurício Shogun vs Gerard Mousasi (meio- pesado)
  9. Lyoto Machida vs Alexander Gustafsson (meio- pesado)
  10. Michael Bisping vs Hector Lombard (peso- médio)
  11. Frank Edgar vs Chad Mendez (peso- pena)
  12. Vitor Belfort vs Wanderlei Silva (meio- pesado)
  13. Ronaldo Jacaré vs Roger Gracie (peso- médio)
  14. Ronda Rousey vs Chris Cyborg (peso- galo)
  15. Rogério Minotouro vs Dan Henderson (meio- pesado)
  16. Nate Diaz vs Anthony Pettis (peso- leve)
  17. Nick Diaz vs Rory McDonald (meio- médios)
  18. Rodrigo Minotauro vs Frank Mir 3 (peso-pesado)
  19. Maurício Shogun vs Glover Teixeira  (meio-pesado)
  20. Júnior dos Santos vs Jon Jones (peso- pesado)

T.U.F América, terror psicológico e Mike Tyson

3 abril, 2013
16:05

The Ultimate Fighter: Jones vs Sonnen

Um dos fatores mais importantes em uma luta é a guerra psicológica. As provocações, discussões e encaradas, apesar de serem parte do jogo promocional, fazem parte de algo maior. É a guerra mental que se inicia com a marcação da luta, até o possível abraço final de respeito após o fim do combate. A última demonstração clara de que a guerra psicológica faz parte do jogo, e é usada por todos os lutadores, foi na aguardada luta entre Georges St Pierre e Nick Diaz. Assim como Chael Sonnen e Anderson Silva, a pressão durou anos até ter seu desfecho. Do caso de Pierre e Diaz um abraço e um erguendo a mão do outro demonstraram claramente que aquela guerra acabou. O próprio campeão canadense admitiu na coletiva que nunca havia passado por uma guerra psicológica tão intensa e quem acompanha sabe o esforço mental que Georges fez para não sair dos trilhos. Se não fosse quem é, teria sucumbido.

O meu herói Mike Tyson era mestre. Suas táticas eram brutas, toscas e simples. As mais animais, primitivas e funcionais que o boxe já viu. Além dos nocautes, os segundos antes da luta faziam toda a diferença. Sem tirar o mérito de Ali, que também fazia os oponentes mudarem de cor, as encaradas de Mike Tyson antes do gongo inicial já lhe davam metade da luta. Era o famoso olhar fixo como o de um leão antes de atacar sua presa. Dava medo até em nós que víamos pela televisão. Do outro lado, o pobre adversário com olhos de quem caminha para a cadeira elétrica ou para a câmara de gás já deixava escapar o odor do medo, que nós humanos também podemos sentir.

Com a ascensão do MMA, muitos atletas conseguiam essa vantagem extracampo do seu próprio jeito. Wanderlei Silva pela violência e intimidação, Fedor Emelianenko pela frieza russa, Anderson Silva pela imprevisibilidade, Jon Jones pelo tamanho e golpes cruéis – mas sempre algo que acompanha suas carreiras.

O The Ultimate Fighter América chegou à fase semifinal, e com ela, grandes descobertas e ótimos lutadores. Mas um em específico chamou a atenção dos fãs, e principalmente de Dana White, que disse nunca ter visto nada parecido em sua longa carreira. Uriah Hall simplesmente devastou seus oponentes com nocautes tão brutais que os espectadores não tiveram coragem sequer de bater palmas. Ambulâncias, médicos, dor e choque foram à tônica de seus combates.

Ontem, no programa que foi ao ar nos EUA, o adversário foi nocauteado em menos de trinta segundos comprovando toda a crise de estresse e pavor que Bubba, o atleta do time Jones, sentiu durante a semana sabendo que iria enfrentar o melhor atleta da casa. Crises existenciais, dores fantasmas, depressão, todos os sintomas do pânico acompanharam Bubba durante a semana. Os nocautes avassaladores de Uriah Hall o deram o poder de imputar terror em seus adversários que já entram derrotados, como em muitas lutas que vimos por ai. Como costumava dizer um folclórico treinador de futebol do Brasil: “O medo de perder tira a vontade de ganhar”. Chael soube escolher o possível vencedor do reality americano. E mais: Uriah Hall um dia pode ser campeão do UFC.

Acho que os atletas de hoje, até pela mentalidade de seus formadores, não trabalham esse lado emocional, tão importante como o físico e o técnico. Para ser campeão é preciso dominar essas três classes. Um excelente exemplo é do saudoso mestre Carlson Gracie, formador de lendas como Vitor Belfort. Levado pela filosofia da família Gracie em vencer os desafios que a vida impõe, conseguia transformar seus atletas em lutadores de grande poder mental. Diferentemente da superconfiança, é algo maior, intrínseco aos seus valores da vida.

Ao vencer Wanderlei Silva em 1998, em um nocaute relâmpago, Vitor iniciou uma comemoração extravazada, como a de um garoto ganhando uma campeonato de videogame. Carlson, vendo a cena, tratou de colocar Vitor na linha e mostrar qual o caminho eterno para a guerra mental que aquele garoto ainda travaria a vida toda. Chamou-o e sem pestanejar o repreendeu: “Está comemorando por quê? Você achou que iria perder?”

Um dos nocautes de Uriah Hall na casa

Nocaute de Uriah Hall contra Bubba McDaniel no TUF

Uriah Hall

Mike Tyson – Uma lição de intimidação

 

 

 

Especial parte 2 – O MMA virou o UFC: entenda porque as siglas estão cada vez mais unidas

5 dezembro, 2012
16:18

Embora o UFC já colecionasse fãs ao redor do mundo, especialmente no Brasil, onde nomes do MMA nacional consagraram-se em território americano, como Royce Gracie, Vitor Belfort, Marco Ruas, Murilo Bustamante, Pedro Rizzo e outros, os grandes nomes ainda estavam lutando no Japão. O Pride F.C era um evento grandioso, com muita personalidade e atletas que eram a mina de ouro para batalhas épicas que ainda ecoam na mente dos entusiastas do MMA antigo.

Quando foi descoberta uma suposta ligação do evento com a máfia japonesa, as transmissões na TV aberta foram canceladas, criando uma crise financeira e moral insustentável para a franquia, que foi obrigada a fechar suas portas e vender a marca ao UFC com todo o arsenal de grandes lutadores. Realmente foi um acontecimento mágico, graças ao qual finalmente poderíamos ver batalhas tão sonhadas no mesmo palco – o octógono. Wanderlei Silva, Maurício Shogun, Minotauro, Minotouro, Rampage Jackson, todos foram levados pelo evento americano, que passou a ter praticamente o monopólio dos espetáculos de grande porte no mundo e dos atletas de ponta, as celebridades.

Mesmo os eventos Cage Rage na Inglaterra, onde Anderson Silva foi campeão e conquistou projeção internacional, ou os fracassados eventos da M-1, empresa russa que impediu de todas as formas a contratação da lenda Fedor Emelianenko pelo UFC, além do Strikeforce e Affliction, nunca fizeram frente à grandiosidade que o UFC passou a demonstrar. Quantidades absurdas de pay per view vendidos, eventos extremamente bem produzidos, uma estrutura de produtos e marketing jamais vista, transformando atletas em celebridades.

O MMA agora era definitivamente um esporte, apoiado por regras, categorias bem definidas de peso, aval das comissões atléticas e eventos realizados em outros países. Tudo isso tornou a marca UFC bilionária. O Pride F.C agora tinha um substituto à altura e melhor – com um planejamento muito mais ousado (podem ainda ser discutidas muitas regras, como as famosas cotoveladas, das quais, sou a favor, pois a regra vale para ambos), mas após a aquisição do Pride e Strikeforce pelo UFC, o monopólio de um esporte ganhou forma.

 

O corpo humano é uma máquina

A maioria dos lutadores profissionais quando estão em períodos de treino pesam muito mais do que o limite de suas categorias. Inclusive é um tema polêmico, pois muitos lutadores se desgastam a níveis perigosos para chegar à balança no peso ideal, às vezes não conseguem, mas normalmente quando vencida a batalha da balança, o lutador pode ganhar peso extra pra luta, tendo em vista que é apenas um processo controlado de desidratação, podendo ser facilmente reposto com alimentos pastosos, isotônicos, carboidrato e proteína.

O diferencial de muitos lutadores é conseguir bater o peso sem haver muito desgaste e chegar à luta com potencial máximo. Como as divisões de peso são muito bem definidas, e os lutadores quase sempre cumprem uma dieta rigorosa, alguns atletas geneticamente privilegiados conseguem chegar ao limite de suas categorias, obtendo supremacia total. É o caso de José Aldo que já cogitou super para os leves, Jon Jones que pretende subir para os pesados, Anderson Silva e Georges St Pierre. Eles não são apenas campeões. Eles têm o biótipo certo para a categoria certa. Quase imbatíveis.

Com o domínio do UFC na realização dos grandes eventos, os eventos brasileiros ou de outras marcas, como o americano Bellator, soam como uma espécie de segunda divisão do MMA, sendo apenas uma vitrine para chegar aonde todos querem chegar. No UFC. Mesmo os eventos nacionais com uma produção honesta como o Jungle Fight e Shooto Brasil, são espécies de filiais do UFC. Lyoto Machida, Renan Barão, Júnior Cigano, todos começaram em eventos menores, conquistaram seu espaço e hoje são campeões. Mas quando a sigla UFC é mais citada que o nome do próprio esporte – começo a questionar o tamanho do esquema que sustenta essa indústria bilionária, que nos dias de hoje, tem até reality show na rede Globo. Serão os critérios técnicos distorcidos pela grana?

Ainda há muito para falar. A entrada do UFC do mercado asiático, o MMA na olimpíada e temas que ainda irão moldar o rumo do esporte. Fique ligado!

 

 

 

Lyoto não aceita luta e Vitor Belfort será o novo desafiante no UFC

24 agosto, 2012
10:24

(Foto: Adriano Caldas / Globoesporte.com)

As últimas horas talvez tenham sido as mais difíceis da história do UFC. Neste ano foram incontáveis os cancelamentos e lesões que vieram à tona antes de eventos já confirmados. Dessa vez quem se machucou nos treinos e será substituído será Dan Henderson. O americano, que havia garantido a disputa do cinturão após derrotar lendas do MMA como Fedor Emelianenko e Maurício Shogun, sofreu uma lesão no joelho e obrigou Dana White a fazer uma tentativa desesperada de botar o falastrão Chael Sonnen no lugar de Henderson.

Dana White começou a semana ironizando a possibilidade de Chael Sonnen conseguir disputar o cinturão dos meio pesados, antes de fazer pelo menos duas lutas, sendo uma contra um TOP 5 da categoria. Disse com todas as letras que não faria sentido nenhum premiar alguém que acabou de perder na divisão de baixo. Jon Jones também ficou irritado com a falação de Sonnen – fortalecendo que não deixaria o falador lutar com a boca e que para lhe conceder a disputa Sonnen teria que merecer. Jones também acusou Sonnen de racismo contra os brasileiros. Porém, bastou Dan Henderson se machucar para Dana White se lembrar do poder da falação na venda de lutas e mudou de ideia rápido, na maior contradição que o vi cometer. Na tentativa de fazer a luta acontecer sem perder muito dinheiro, White passou por cima de todo o ranking e tentou colocar Sonnen em outra disputa de cinturão, só que agora no peso de cima, sem ter vencido nenhum combate para mostrar do que é capaz. Depois do fraco desempenho contra Anderson Silva, Chael disse que subiria para os meio-pesados, mas sua nova chance veio cedo demais.

O que irritou muito White foi que Jon Jones, a princípio, teria aceitado o combate. Mas, aconselhado por seu empresário e treinador Greg Jackson, voltou atrás e desistiu da luta, colocando o UFC em uma situação delicada. Jackson, que é considerado o melhor treinador de MMA do mundo, foi acusado por White de ser um dos maiores traidores do esporte e avisou que as relações com o campeão estavam estremecidas. Mas não precisa ser nenhum gênio para notar que a recusa de Jones foi muito acertada, tendo em vista que White só estava analisando o ponto de vista financeiro, abandonando por completo os critérios técnicos e o ranking do peso. Jon Jones foi bem orientado e não entrou na pilha, posicionando-se de forma correta – respeitando o ranking e os fãs.

Lyoto Machida, que vencera Ryan Bader com contundência, conquistou o direito de desafiar novamente o campeão, aguardando o vencedor de Jones contra Henderson. Sem levar nenhum golpe, fez uma luta perfeita, não levou suspensão médica e o desafio da luta foi anunciado na coletiva após o evento. Porém, quando chamado, Lyoto Machida também recusou o combate, alegando falta de tempo para se preparar, tendo em vista que acabara de lutar. Sendo esse o motivo, ou mágoa de ter visto Sonnen sendo colocado à sua frente sem merecimento, Lyoto também desagradou a cúpula do UFC. Esta, por sua vez, encontrou a saída em outro brasileiro, que ironicamente também desistiu às vésperas da final do primeiro The Ultimate Fighter Brasil, por conta de uma lesão na mão esquerda. Vitor Belfort é agora o novo desafiante ao cinturão dos meio-pesados e enfrentará Jon Jones dia 22 de setembro, em Toronto, Canadá.

A saída encontrada é acertada, levando-se em conta critérios técnicos e tempo de preparação. Será um grande combate. Para os brasileiros acabou sendo positivo, pois teremos dois compatriotas lutando na sequencia pelo título da categoria mais disputada do mundo. Mas o que ficará marcado nesse gerenciamento de crise é que as vendas do evento nos canais fechados estão falando mais alto do que o merecimento e a técnica. O que se falou no começo da semana foi aniquilado pela primeira crise que chegou, e pior, que a falação que Sonnen protagonizou veio pra ficar. Devemos respeito a Jon Jones por não ter aceitado a luta apenas por dinheiro, valorizando seu cinturão e mostrando que os campeões têm muito poder dentro do evento, pois carregam todos os fãs nas costas. Independentemente do vencedor, Jon Jones mostrou que, além de ser um grande campeão, tem personalidade.

O dia em que dominaremos todas as categorias do UFC

17 maio, 2012
12:13

Do Pride ao UFC

Em mais de 150 torneios, muitos campeões surgiram e gravaram seu nome no hall da fama. Os eventos rústicos onde Royce Gracie e Marco Ruas reinaram, o aumento da popularidade do esporte crescendo nos Estados Unidos e a crise dos eventos japoneses, cujas transmissões em TV aberta foram suspensas devido à participação dos organizadores com membros da máfia japonesa, levaram o MMA a migrar definitivamente para Estados Unidos, com mais possibilidades e “know how” para o show. Muitos brasileiros gravaram seu nome no evento americano, como Vitor Belfort e Rodrigo Bustamante.

Após a aquisição do Pride pelos mesmos donos do UFC, o evento japonês foi literalmente colocado na geladeira, sendo seu formato ultrapassado, porém, com grande acervo da história mundial do esporte. Uma enxurrada de ídolos migrou para o UFC, deixando ainda mais interessante o evento americano. Muitas lutas aguardadas aconteceram, mas com uma gigante vantagem dos atletas da casa. Wanderlei pareceu ter perdido o queixo depois de sua cirurgia facial, deixando o cachorro louco com cara de pai de família bonzinho. Mirko Crocop, campeão de um dos GP´s do Pride, amargou derrotas cruéis, com direito a desmaiadas e surras. Minotauro, apesar de ter ganhado o título interino contra o decadente Tom Sylvia, não resistiu aos principais nomes da categoria, como Cain Velasquez e Frank Mir. O curitibano Maurício Shogun foi talvez o único brasileiro a ser campeão nos dois eventos, vencendo Lidell e Lyoto Machida. Mas o reinado não passou da primeira defesa contra Jon Jones.

Uma nova geração surgiu para tentar dominar o esporte e trazer o máximo de cinturões para o Brasil. São oito categorias de peso e no momento temos três campeões: José Aldo nos pesos penas, Anderson Silva nos médios e Júnior Cigano nos pesados. Mesmo sendo quase a metade, ainda falta chão para nossos atletas, tendo em vista que algumas categorias parecem dominadas. Caso dos meio-médios com Georges St Pierre e dos meio pesados com Jon Jones.

Renan Barão a duas lutas do cinturão inédito dos galos

Renan Barão é o brasileiro que parece estar mais perto de um “title shot”, mesmo que interino, devido à lesão de Dominick Cruz no joelho esquerdo. O campeão, que enfrentaria Urijah Faber no TUF americano, fica fora por pelo menos sete meses, e Dana White disse que há uma grande possibilidade de Renan Barão ser o desafiante. Caso vença, enfrentará Cruz quando ele se recuperar. Seria o primeiro título brasileiro na competição, que absorveu o extinto WEC, especializado em lutas de categorias mais leves.Será que um dia dominaremos todas as categorias de peso do UFC e nos tornaremos os maiores do planeta, mesmo com a diferença econômica abissal? Será o UFC nosso novo futebol?

Pesos penas em boas mãos

José Aldo é um verdadeiro campeão. Longa data sem saber o gosto amargo da derrota, é considerado um dos três melhores pesos por pesos do mundo e parece não ter adversários. Seu próximo adversário deve ser o Zombie coreano que venceu Junstin Poirier, pelo UFC on Fuel 3. O coreano mostrou grande técnica, mas ainda está longe de querer bater de frente com Aldo. Esse é uma certeza de que o título dos penas fica no Brasil por muito tempo, embora já fosse cogitada sua ida para os pesos leves.

Pesos leves e revanches

Há quase dois anos a categoria do penas vive rivalidades que obrigaram a organização a editar duas revanches, tamanho o equilíbrio dos combates. De certa forma, isso trava a categoria, deixando muita gente boa na fila. O ex-campeão Frank Edgar defendeu seu cinturão duas vezes contra Grey Maynard e agora irá fazer sua segunda luta seguida com o atual campeão Ben Henderson. Vencendo ou não, a única chance de título de um brasileiro é de Édson Barbosa, lutador que ficou marcado pelo nocaute plástico no UFC Rio. Barboza luta dia 27. Vamos ficar de olho.

Não vejo brasileiros em condições de brigarem pela categoria meio-médios… Por enquanto

Com o domínio de St Pierre há anos nesse cenário, nossos melhores atletas como Thiago Alves Pitt Bull e Paulo Thiago vêm de derrotas e terão ainda um longo caminho pela frente. A divisão é recheada de atletas muito competitivos como John Fitch, Johny Hendricks, Martin Kampmann e o maluco Nick Diaz. Nossa esperança no momento é o capixaba Erick Silva, pupilo de Andersom Silva. Ele tem feito apresentações perfeitas, mesmo com o incidente no UFC RIO. É o único brasileiro com chances na categoria, se embalar é claro uma sequência de pelo menos três vitórias.

Domínio extremo de Anderson Silva nos médios

Desde 2006 nos acostumamos com as grandes performances de Anderson. Mas sempre me perguntei. Será que a maioria de seus oponentes eram de fato caras que cheiram título? Alguns oponentes, confesso, têm enorme potencial, como Belfort, Sonnem e Henderson, mas a grande maioria não chega nem aos pés do spider. Quem talvez possa acabar com o reinado de Silva é o cubano que recentemente assinou com o UFC, Hector Lombard, invicto também desde 2006. É a única chance de a categoria não ser varrida até a aposentadoria de Anderson.

Jon Bones Jones choca os meio pesados

Há alguns meses esse americano com ar de adolescente vem chocando os fãs de MMA. Com seu jeito exêntrico que lembra Anderson, porém com um jogo não apenas imprevisível, mas desconcertante. Cotoveladas giratórias, high kicks, quedas sensacionais, clinches avassaladores e um perfeito controle da distância, Jones, em menos de um ano, parece não ter mais adversários. Caso vença sua luta contra Dan Henderson, no UFC 151, possivelmente deva subir de peso em 2013, abrindo assim novamente o caminho para brasileiros como Shogun, Lyoto, Thiago Silva e o estreante Glover Teixeira.

Pesos Pesados. Quem pode segurar esse cinturão por muito tempo?

Júnior dos Santos Cigano foi demolindo seus adversários com nocautes precisos, resultado de um boxe de campeão mundial. Afinal, seu treinador já afiou as mãos de ninguém menos que Acelino Popó Freitas. Esse boxe é o grande responsável pelo sucesso de Cigano, que ainda não precisou mostrar o que sabe da “arte suave” (Jiu-Jítsu). O título dos pesados vem trocando de mão em mão há anos. Nenhum lutador conseguiu segurá-lo por muito tempo. O doping de Overeem e a mudança no card do próximo evento fizeram com que Cigano mudasse sua tática contra Mir, mas ainda é favorito. Tem potencial para reinar por mais alguns anos sem ser incomodado, mesmo com brasileiros perigosos como Antônio Pezão e Fabrício Werdum, e os gringos Cain Velásquez e Lavar Johnson.

Fedor Emelianenko ameaça fazer sua última luta

16 maio, 2012
15:11

Em 21 de junho a M1-Eventos, grupo criticado por muitos por ter atrapalhado a desejada ida da lenda russa ao UFC, organiza um evento em São Petesburgo (RUS), que pode trazer aos fãs a última luta do imperador Fedor Emelianenko. O russo disputou ano passado o GP dos pesos pesados do Strikeforce, sendo eliminado pelo brasileiro Antônio Pezão. A competição está na fase final e o confronto do título será entre Josh Barnett e Daniel Cormier. Segundo declarações de Fedor, irá torcer para seu amigo Josh Barnett e afirmou que sua próxima luta poderá ser sua última batalha.

Seu adversário será o brasileiro Pedro Rizzo, que é mestre em muay thai e já fez grandes participações nos principais eventos mundiais, além de ser um dos pioneiros do MMA no país. A notícia pegou muitos de surpresa, e nos fóruns de discussões e redes sociais as homenagens já começaram, colocando Emelianenko na posição de melhor peso por peso do mundo de todos os tempos. Mesmo que isso seja um assunto para um grande embate contra os fãs de Anderson Silva, não podemos esquecer o legado e a brilhante carreira que o russo percorreu. Anos invicto, lutou contra os melhores de sua época e, com lutas espetaculares, conquistou admiradores do mundo todo com mais de 30 vitórias.

A M1-Global, empresa responsável por gerir a carreira do russo, nunca facilitou sua ida para o UFC, querendo inclusive que o evento fosse organizado em formato de parceria. Isso irritou profundamente os dirigentes do evento americano - o que acabou por minimizar a importância de Fedor -, que investiu pesado no marketing de atletas como Randy Couture e Brock Lesnar.

Eu ainda acredito que se Fedor baixasse de categoria, lutando nos 93 quilos, poderia sacudir os pesos meio-pesados do UFC. Os padrões de tamanho e técnica mudaram. Na época do Pride (extinto evento japonês), em que as regras eram mais agressivas, com lutas em um ringue e com apenas um seleto número de atletas que dominavam várias artes marciais, alguns lutadores reinaram intocáveis por anos, como nosso Wanderlei Silva, que chegou a lutar contra oponentes até 20 quilos mais pesados e venceu todos. Assim como Fedor, que derrubou verdadeiros gigantes, pesando mais de 140 quilos. Era a época do Vale Tudo.

A chegada do MMA e a definição do esporte levando em consideração a segurança dos atletas, a americanização dos formatos para a televisão e a dificuldade de alguns lutadores em migrarem do ringue para o cage dificultaram e muito a vida dos ídolos que brilharam no Japão, como Mirko Crocop, Rodrigo Minotauro e Wanderlei Silva. Alguns deles até hoje não parecem sentirem-se confortáveis dentro do octogon. Mesmo lutando nos Estados Unidos, Fedor nunca mais atingiu o mesmo nível de confiança e prestígio, acumulando derrotas que antes seriam impossíveis.

Talvez Fedor tenha percebido que é o momento de parar e que competir no nível a que chegou um dia é uma tarefa utópica. Pedro Rizzo também já venceu e participou de lutas memoráveis e é um oponente à altura para o evento. Ambos gostam de uma boa trocação e possuem um chão com excelente nível. Os dois batem muito forte, e caso Rizzo vença, também não deve estar longe da aposentadoria. Será uma luta “old school”, no melhor estilo Pride, com sangue, suor e lágrimas.

Veja o russo no PRIDE Total Elimination 2003

http://youtu.be/MQAj_cu6r3Y

Veja Pedro Rizzo contra o mesmo adversário – Gary Goodridge