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Vexame no evento promocional do UFC 178

6 agosto, 2014 às 10:09  |  por Gustavo Kipper

A suposta briga entre o campeão dos meio-pesados, Jon Jones, e o próximo desafiante ao cinturão, Daniel Cormier, em um evento promocional, no MGM Grand, tem ocupado a maioria dos noticiários sobre MMA.

Isso significa a máxima falta do que falar. Em um mundo cada dia mais monótono, ávido por notícias novas, a briga preencheu o vazio deixado por algumas semanas sem nenhum evento do UFC.

Ultimamente tem sido isso. Muitos lutadores que deveriam estar de boca fechada, treinando para seus próximos combates, encontram tempo para desabafos e provocação nas redes sociais, expondo a monotonia aparente do período de preparação. Promover os eventos fica mais fácil quando há rivalidade ou confusões entre os atletas. Em seu primeiro dia de férias, Dana White, que não estava presente, comentou usando certa dose de ironia. Embora se posicione discretamente contra as confusões, sabemos que deve estar rindo por dentro. Vai faturar mais. Ambos os lutadores também vão ganhar mais, embora não se deva duvidar da animosidade evidente, desde que Cormier migrou de categoria para caçar Jones.

As confusões estão começando a se tornar frequentes. Tratando-se de atletas profissionais, que ganham um belo dinheiro para lutar, e também resolver alguma pendência se necessário, acabam por protagonizar momentos bizarros, como o que Wand e Sonnen nos proporcionaram no TUF Brasil 3. Pra piorar, acabaram não lutando, aumentando a frustração. Espero que nem Jones nem Cormier se machuquem para não melar o evento. Caso contrário, o UFC vai acabar perdendo a pouca credibilidade que ainda tem a respeito dos confrontos acontecerem, como no contrato e na promoção.

Não bastassem as contusões que amedrontam lutadores e fãs, os caras ainda se dão ao luxo de brigar no chão, sem luvas e com supercílio com pontos, no meio de cabos e gente se socando. Chega a ser inacreditável, ou podemos começar a desconfiar desses vexames tão comuns em época de tédio e mesmice. De qualquer forma, os dois são lutadores extremamente competitivos e a luta tem tudo para ser um espetáculo. Estão inflamados pelos recentes acontecimentos. Não espero nada menos do que uma batalha com sangue e suor.

Veja o vídeo da confusão:

Especialista x completo

31 julho, 2014 às 15:43  |  por Gustavo Kipper

A história do vale-tudo se definia nos desafios entre academias e atletas para mostrar que a sua arte era a melhor, a mais eficiente, a mais completa.

A família Gracie representa o jiu-jitsu há quase cem anos. Hélio, Rickson e Royce são exemplos de atletas que defendiam um ponto: que o jiu-jitsu, quando usado da forma correta, é imbatível. Realmente isso fazia sentido, principalmente em confrontos com regras limitadas e até mesmo em brigas de rua. Mas, na medida em que outros atletas de outras modalidades começaram a aprender algumas técnicas de chão, as coisas começaram a mudar.

O lutador especialista sempre vai oferecer muito perigo. Pode ser a diferença entre ser campeão ou não. A grande maioria dos lutadores de MMA é especialista em alguma arte. Varia muito da cultura de seu país. Logo, ao ingressarem na carreira profissional, passam a praticar outras modalidades para completar seus treinamentos. Muitos campeões do UFC são especialistas em wrestling. Vieram da luta olímpica e foram lapidados com outras lutas para ficarem completos. Os russos normalmente representam o sambo. Os brasileiros gostam do jiu-jitsu.

Mas uma nova geração de atletas está invadindo os eventos: os especialistas em MMA. O exemplo mais notório pode ser aplicado ao americano TJ Dillashaw, campeão dos pesos-galos. Em sua luta contra Renan Barão foi um atleta completo, rápido e com a trocação impecável. Fruto de um trabalho em que, desde cedo, buscou desenvolver as artes marciais de forma misturada, aplicada e desenvolvida para um esporte, para suas regras e sua dinâmica.

Muitos lutadores de MMA, que nasceram após as primeiras edições com Royce, hoje treinam MMA. Parecem que vêm com outro chip de fábrica. O chip do MMA. Não wrestlers ou boxers que migraram para o esporte na busca de dinheiro. Lutadores que cresceram vendo seus ídolos dentro do octógono e agora os mimetizam. Imagine quantos fãs de Jon Jones e Anderson Silva hoje não buscam as academias em busca do mesmo sonho. Mas agora com as ferramentas corretas desde a formação.

É possível aprender todas as artes marciais de uma só vez. Aprender MMA desde a raiz, agregando outras modalidades para deixar o esporte cada vez mais competitivo.

Jon Jones e TUF Brasil

28 abril, 2014 às 16:17  |  por Gustavo Kipper

Jon Jones é mau

A vitória sobre Glover Teixeira foi a sua sétima defesa de cinturão. Outra vez vitorioso, o campeão mostrou que seu auge ainda não chegou. Com uma atuação impressionante dominou o brasileiro Glover Teixeira por cinco rounds. Bateu muito. Não correu riscos a luta toda, mesmo aceitando por inúmeras vezes o jogo do brasileiro. Ninguém pode parar Jones.

O jogo de Jones é brutal. Beira o limite das regras. Muitas de suas táticas são contestáveis. Por inúmeras vezes Jones esticava seu braço com os dedos abertos propositalmente para acertar os olhos de Glover. A luta chegou a ser interrompida por momentos, mas Jones só ganhou uma advertência. Se analisarmos seus combates anteriores, fica claro que sempre fez isso. É algo que tem que ser proibido e punido. Mas, tirando o dedo nos olhos, a sensação é de um adulto segurando a cabeça de uma criança. Muita superioridade.

Os chutes no joelho desferidos por Jones não nocauteiam. Só servem para manter a distância. Mas podem destruir os joelhos de seu oponente. Enquanto a regra permitir, não há o que fazer. A tentativa de quebrar o braço do brasileiro em pé, ainda no primeiro round, não é uma tentativa de finalização. É uma tentativa de lesionar articulações, já que não há a possibilidade de desistência, a não ser por lesão. Glover inclusive sofreu uma contusão no ombro, que terá sua gravidade avaliada. Se Vitor Belfort fosse mau caráter, seria campeão e teria quebrado o braço de Jones. Mas será que isso faz bem a um esporte que já é violento?

Regras são regras. Então cabe a seus adversários tomar muito cuidado com seu comportamento. Jones sabe explorar como ninguém o que o regulamento permite e usa todas as ferramentas disponíveis para machucar seus adversários. Glover apanhou quase quanto Maurício Shogun. Saiu arrebentado. Em alguns momentos, principalmente nas sequências de cotoveladas, percebemos como Jones está na frente. Com sua altura e alcance a tarefa fica quase impossível. A evolução do campeão a cada dia é visível. Sua frieza é assustadora.

Sem dúvida, foi a melhor apresentação do campeão. Méritos também para Glover, que aguentou o castigo e testou o queixo do americano. Mas nada que ameaçasse seu reinado. A verdade é que Jon Jones atropelou todo mundo de seu peso. Não sobrou ninguém. O único que chegou perto foi Alexandre Gustaffson, que terá sua revanche tão sonhada. É o único com envergadura nos meio-pesados para bater de frente com Jones. Com certeza será outra grande luta. Eu não creio que o sueco tenha melhorado seu jogo a ponto de nocautear ou finalizar. Por pontos fica muito mais difícil. Lutar cinco rounds contra Jon Jones é prejuízo. Além de não cansar, só melhora. Consegue chegar ao último round melhor que no primeiro. Com apenas 27 anos, ainda não sabemos onde pode chegar. Se desistir de fato de permanecer nessa categoria, não perderá por muito tempo.

Uma luta para ficar acordado

O TUF Brasil chegou ao oitavo episódio com muita luta dos competidores pelas vagas finais. Nossa luta é para ficar acordado. Aturar o programa musical da Rede Globo que passa antes é mais difícil do qualquer dos treinos do show. Não está fácil. Mas o programa melhorou bastante depois da confusão entre Sonnen e Vanderlei e agora caminha para os momentos decisivos. Hortência e Isabel estão mais soltas e até protagonizaram momentos engraçados. Os treinadores se acalmaram e o ambiente melhorou. Com a vitória de Vítor Miranda do time verde, o placar agora está 4×2 para o time de Wand.

Uma das principais características dos lutadores das edições brasileiras é o poder coletivo de superar obstáculos e agarrar a oportunidade que aparece. É nítida a dificuldade do UFC em encontrar pesos-pesados reais com nível aceitável no Brasil. Muitos lutadores acabam por lutar em categorias de peso acima do que deveriam estar. O vencedor de ontem poderia lutar facilmente nos médios ou meio-pesados, mas está lutando entre os pesados e levando vantagem por ser mais técnico. Um dos principais personagens da primeira temporada, Massaranduba lutou entre os médios e hoje luta entre os penas. É muita diferença.

Encontrar atletas com porte de verdadeiros peso- pesados é muito difícil. Nossa genética não ajuda. Até mesmo nos Estados Unidos não é tarefa fácil. O próprio Dana White já comentou que queria criar a categoria dos super-pesados, mas essa geração ainda não chegou. Seria preciso que atletas do basquete, futebol americano e vôlei migrassem para o esporte de combate para conseguir atletas suficientes para a nova categoria. Só espero que os vencedores dessa edição possam lutar em suas reais categorias de peso. Caso contrário, não terão a mínima chance de chegar ao topo.

As finais do TUF Brasil foram confirmadas para o ginásio do Ibirapuera, dia 31 de maio.

CARD DO EVENTO ATÉ O MOMENTO
Peso-médio: Chael Sonnen x Wanderlei Silva
Peso-pesado: finalista 1 do TUF x finalista 2 do TUF
Peso-médio: finalista 1 do TUF x finalista 2 do TUF
Peso-meio-médio: Paulo Thiago x Gasan Umalatov

Quem pode parar Jon Jones?

25 abril, 2014 às 17:32  |  por Gustavo Kipper

Sábado será um dia decisivo para Glover Teixeira. Sem saber o que é derrota desde 2005, é o quarto brasileiro a tentar destronar a sensação do UFC, o americano Jon Jones. Dono de marcas impressionantes, Jones é o atleta mais novo a conquistar o cinturão da organização. Sua única mancha no cartel foi uma desclassificação por golpe irregular. Nessa categoria de peso tem demonstrado ser imbatível.

Comparado a grandes nomes que já conquistaram o título dos meio-pesados, Jon Jones sobra. Dono de uma envergadura de 2,20 m, só encontrou alguém à altura contra Alexander Gustaffson, e, mesmo assim, foi superior. Contra Glover Teixeira fará sua sétima defesa de cinturão. Hoje o americano ocupa o número 1 no ranking peso por peso do UFC. Quem pode parar Jon Jones?

Analisando seus adversários, todos dominados, percebe-se que o que mais chegou perto foi Vitor Belfort, com uma finalização. A tentativa machucou o braço do americano, que mesmo assim conseguiu escapar e vencer no quarto round. Vitor cansou. Jones dificilmente cai com as costas no chão. Com o wrestling em dia, normalmente faz estragos quando cai por cima. Seu ground and pound é violento. Na trocação é difícil achá-lo. Consegue sempre manter-se em uma distância segura usando seus chutes e cotoveladas. Como Glover deve lutar?

Jones já enfrentou lutadores com grande poder de nocaute, como Lyoto Machida e Mauricio Shogun. Mas nenhum deles conseguiu encaixar seus golpes e ambos acabaram sucumbindo. Glover está mais bem preparado fisicamente que Shogun, mas sua velocidade não supera a de Lyoto, que na trocação levava a melhor até ser finalizado. Glover tem que encurtar a distância para conseguir encaixar seus golpes. Jogando na longa distância, vai sofrer. Se conseguir acertar Jones, provavelmente o americano tentará levá-lo ao chão. Nessa hora Glover terá que usar o que aprendeu com Liddel e evitar cair por baixo, em qualquer circunstância. Dificilmente Glover nocauteará Jones com um único soco, como costuma fazer. Jones tentará entrar no clinch e amarrar a luta. Mas Glover pode usar um bom golpe para atordoar Jones e levá-lo ao solo, caindo por cima. Seria a situação mais complicada para Jones. Machucado e por baixo de um faixa- preta.

Glover Teixeira é oriundo do jiu-jitsu. Mesmo tendo um boxe muito bom, se conseguir jogar por cima de Jones pode tentar uma finalização. Difícil? Com certeza. Mas somente com as costas no chão Jones pode ficar vulnerável. Por baixo, seu tamanho não fará tanta diferença. Glover tem que machucar Jones com socos, mas uma luta de cinco rounds em pé com Jones nunca é bom negócio. Glover tem que deixar Jones desconfortável. Não vai poder ter pressa, mas seu poder de nocaute pode diminuir com o cansaço, então esperem Jon Jones cozinhando a luta no início.

Glover tentará o que ninguém conseguiu: dominar Jones. Tem todas as ferramentas. É o brasileiro com mais chances. É muito forte. Mas do outro lado está um fenômeno. Um atleta que possivelmente será o maior lutador de todos os tempos depois de Fedor Emelianenko. Até lá, tem muito chão e soco pela frente.

Countdown UFC 172

UFC 172
26 de abril de 2014, em Baltimore (EUA)
CARD PRINCIPAL
Peso-meio-pesado: Jon Jones x Glover Teixeira
Peso-meio-pesado: Phil Davis x Anthony Johnson
Peso-médio: Luke Rockhold x Tim Boetsch
Peso-leve: Jim Miller x Yancy Medeiros
Peso-pena: Max Holloway x Andre Fili
CARD PRELIMINAR
Peso-mosca: Joseph Benavidez x Tim Elliott
Peso-leve: Takanori Gomi x Isaac Vallie-Flagg
Peso-galo: Jessamyn Duke x Bethe Correia
Peso-leve: Danny Castillo x Charlie Brenneman
Peso-galo: Chris Beal x Patrick Williams

O canal Combate transmite o evento ao vivo a partir das 20h30.

 

UFC: ranking e próximos eventos

31 março, 2014 às 11:36  |  por Gustavo Kipper

Abril será agitado.  Serão quatro eventos com uma disputa por cinturão. Destaque para a volta de Rodrigo Minotauro e o title shot de Glover Teixeira.

11/04 – Fight Night: Rodrigo Minotauro vs Roy Nelson
16/04 – Fight Night: Michael Bisping vs Tim Kennedy
19/04 – Fight Night: Fabrício Werdum vs Travis Browne
26/04 – UFC 172: Jon Jones vs Glover Teixeira

Ranking peso por peso UFC
1 – Jon Jones
2 – Jose Aldo
3 – Renan Barão
4 – Cain Velasquez
5 – Demetrious Johnson
6 – Chris Weidman
7 – Anderson Silva
8 – Anthony Pettis
9 – Johny Hendricks
10 – Ronda Rousey
11 – Vitor Belfort
12 – Benson Henderson
13 – Gilbert Melendez
14 – Alexander Gustafsson
15 – Urijah Faber

O que esperar do MMA para o início de 2014.

6 janeiro, 2014 às 17:16  |  por Gustavo Kipper

Ano passado não foi um bom ano para o MMA brasileiro. Como muitos já sabiam o número 13 nunca foi confiável. Foi um ano de contusões, derrotas e novos campeões. Infelizmente nenhum brasileiro. Júnior Cigano não recuperou o cinturão de Cain Velásquez e Anderson também não venceu sua revanche, terminando o ano de forma melancólica. Restaram-nos Aldo e Barão, além de uma esperança chamada Vitor.

O que esperar do MMA para o início de 2014.

Não fosse à complacência de Dana White em relação ao tempo de afastamento de Dominick Cruz, Renan Barão poderia ser o campeão dos galos. Mas, em fevereiro, os dois poderão resolver de fato quem é o campeão indiscutível. O único campeão oficial do Brasil é José Aldo, que coloca mais uma vez seu cinturão em jogo no mesmo evento que Cruz vs Barão. O UFC 169 de 1º de fevereiro, além de imperdível, é crucial para a manutenção dos cinturões que sobraram. Outra luta de peso é o combate entre Alistair Overeem e Frank Mir. Os dois vêm de derrota.

José Aldo vs Ricardo Lamas

José Aldo é muito favorito. Particularmente não consigo imaginar ninguém nos pesos-penas capaz de ameaçar o reinado do brasileiro. O resultado mais provável é um nocaute até o terceiro round. Se vencer, Aldo deve começar a pensar em conquistar o título dos leves, derrotando quem quer que seja. Ele tem técnica e potência para dominar também a categoria de cima, nem que para isso precise deixar vago seu cinturão dos penas. É a hora de dar um passo maior.

Dominick Cruz vs Renan Barão

Enfim poderemos ver a unificação do título dos galos. Há quase dois anos sem lutar, creio que o ritmo de Barão fará a diferença. Apesar da movimentação de Cruz ser muito efetiva, em uma luta de cinco rounds, sem muito ritmo seu gás pode acabar. É uma das lutas mais aguardadas no ano. Será uma noite de vitórias para o Brasil e para a equipe Nova União.

Chris Weidman vs Vitor Belfort

Mesmo com a polêmica do uso de tratamento de reposição de testosterona (TRT) pelo brasileiro, a luta em Las Vegas é a melhor maneira de Vitor provar que seus últimos grandes resultados são fruto de sua competência e não da testosterona. Afinal, hormônios não sabem chutar. Agora mais campeão do que nunca, a confiança de Weidman, assim como a de Vitor, parece não ter limites. Weidman tem tudo a perder e o brasileiro, tudo a ganhar. Se vencer, será o primeiro lutador da história a ser campeão em três categorias de pesos diferentes dentro do UFC. O fenômeno será mais vitorioso do que nunca. Será uma batalha, embora ache que Weidman leve vantagem por ser maior e melhor no clinch e nas quedas. Mas a velocidade e explosão de Vitor, principalmente nos primeiros rounds, podem colocar o americano na panela de pressão.

Lyoto Machida vs Gerard Mousasi

Após a brilhante estreia nos médios com vitória sobre Mark Muñoz, Lyoto enfrenta agora o ex-campeão do Strikeforce o armênio Gerard Mousasi. Dois strikers de ponta. Será uma batalha entre o karatê e o kick-boxing. O jogo dos dois promete trazer um grande desfecho – um nocaute é esperado. A luta acontece no UFC Jaraguá, dia 15 de fevereiro. Quem vencer pode estar a apenas mais uma vitória da disputa pelo título. Sempre lembrando que Ronaldo Jacaré é outro grande candidato e luta no UFC Jaraguá 2 contra o francês Francis Carmont, outro top 10 da categoria.

Ronda Rousey vs Sarah McMann

Enfim a campeã dos galos do UFC vai enfrentar um desafio à altura. Outra atleta e medalhista olímpica. A wrestler Sarah McMann talvez seja a única atleta empregada pelo UFC a poder derrotar Ronda. É também a primeira atleta americana a conquistar uma medalha olímpica no wrestling. A luta será em Las Vegas, dia 22 de fevereiro. Será que Ronda vai conseguir aplicar novamente aqueles ippons? Após dominar Miesha Tate novamente e conquistar mais uma vitória com chave de braço, Ronda mostrou que na luta agarrada é quase imbatível. Impressionante como conseguiu trazer sua habilidade de judoca para o MMA.

Jon Jones vs Glover Teixeira

Glover Teixeira venceu todos seus adversários até chegar ao campeão Jon Jones. É merecedor da chance ao título e, além de grande pessoa, é um lutador completo e muito perigoso. Mas será o bastante para destronar Jones? O campeão americano dos meio-pesados enfrentou adversários muito complicados, a começar por sua última batalha contra Alexander Gustafsson. Isso faz Glover parecer menos ameaçador. Sua envergadura pode fazer diferença mais uma vez, tendo em vista que talvez Jones não queira trocar muitos golpes em pé com o brasileiro. Vai buscar a queda e as traumáticas cotoveladas. Não estou muito otimista. O combate será no UFC 172, ainda sem local e data definidos.

Johny Hendrics vs Robbie Lawler

Após a controversa vitória de GSP sobre Hendrics e sua aposentadoria por tempo indeterminado, o UFC foi obrigado a casar os dois principais candidatos a ocupar o lugar do ex-campeão canadense. O UFC 171, que acontece dia 15 de março, em Dallas, Texas (EUA), vai trazer finalmente um novo campeão para os meio-médios. Acredito no favoritismo de Hendrics, que está mais preparado para o lugar de campeão. Já vem em ritmo forte de treinos e é muito rápido e explosivo para a categoria. Deve vencer sem precisar da decisão dos juízes.

Wanderlei Silva vs Chael Sonnen

As gravações do The Ultimate Fighter Brasil 3 começam agora em janeiro, mas a rivalidade entre os dois vem desde o vídeo – em que Wanderlei aparece enquadrando o americano – que circulou na internet. Na época, Wanderlei dizia a Sonnen que falar mal dos irmãos Nogueira e do Brasil era perigoso. Após o episódio, Sonnen tornou-se ainda mais polêmico e falastrão devido aos confrontos contra Anderson Silva e Jon Jones. Tornou-se parte da marca UFC e já tem lugar garantido entre os comentaristas do evento. Já Wanderlei tenta provar que ainda tem condições que dar grandes espetáculos e vencer o programa e sua luta. O confronto promete muita ação e dificilmente chegará ao final sem um nocaute ou uma finalização.

Renan Barão, Jon Jones, T.U.F e Anderson Silva.

25 setembro, 2013 às 15:34  |  por Gustavo Kipper

Renan Barão é o verdadeiro campeão.

O brasileiro do Rio Grande do Norte só conheceu o gosto da derrota em sua estreia, em 2005. Depois disso foram 31 vitórias consecutivas, sendo seis no UFC – duas delas defendendo o cinturão interino do peso-galo. Já o campeão Dominick Cruz não sabe o que é lutar há quase dois anos e vem sendo protegido pela organização, que insiste em manter o quase ex- atleta com o título. Com seguidas lesões no joelho, é impossível prever como Cruz irá se comportar após tanto tempo de inatividade. Então fica claro que Renan Barão é o verdadeiro campeão. Espero ver esse duelo em breve para botar um fim nessa história.

Jon Jones venceu Alexander Gustafsson

Sem dúvida foi uma das maiores lutas da história do UFC. O duelo de gigantes foi equilibrado e muito técnico. Pela primeira vez vimos o campeão sangrar, sair amassado. Mas, tanto pelo número de golpes significativos quanto pelo que mostrou, Jon Jones venceu Alexander Gustafsson. Entendo perfeitamente e respeito aqueles que enxergaram outro resultado. A questão agora é se o sueco merece uma revanche, mesmo tendo perdido, ou se o UFC cumpre o que prometeu e dá o title shot para Glover Teixeira. Do ponto de vista do negócio, uma segunda luta teria muito mais apelo, mas pela ordem natural das coisas, agora seria a vez de Glover.

The Ultimate Fighter EUA

A edição do The Ultimate Fighter Ronda Rousey vs Miesha Tate chega esta noite ao seu terceiro episódio nas telas americanas. Essa talvez seja a edição com maior apelo, embora já tenhamos visto rivalidades pesadas. Rousey vs Tate promete chegar ao extremo. Perdendo por 2×0, a campeã Ronda Rousey está mostrando um lado que muita gente não conhecia. Bullying, raiva e um pouco de imaturidade fazem com que Miesha Tate fique mais carismática e inevitavelmente você acaba torcendo para seu time, independentemente de quem esteja lutando. É a primeira vez também que as mulheres têm chance de ganhar o contrato de seis dígitos. O canal Combate transmite os episódios na sua programação. Vale a pena conferir.

Anderson Silva vs Chris Weidman 2

Ontem (24), em Las vegas, foi realizada uma entrevista coletiva de promoção da revanche entre Chris Weidman e Anderson Silva. Sempre avesso às entrevistas, Spider disse o que todos já sabem. Acredito que realmente ele está motivado e deve agredir mais, porém não vai mudar sua postura provocadora, que na maioria das vezes destrói a mente de seus adversários. Mas o campeão estará preparado. Desde quando lutava muay-thai, Anderson tem esse estilo. É seu jeito de lutar. Isso não muda. O que muda é a atitude de nocautear, de vencer e recuperar o que é dele. Mas não criemos expectativas. Além da luta estar longe, depois da última, só acredito vendo.

(www.gazetaesportiva.net)

UFC 163: vitórias, derrotas, polêmicas e contusões

6 agosto, 2013 às 12:10  |  por Gustavo Kipper

O UFC 163, no Rio de Janeiro, sábado, não foi só de alegrias. Mas, com a vitória do campeão dos penas, o brasileiro José Aldo, o saldo acabou positivo. Definitivamente, não foi uma edição empolgante, com muitos atletas sofrendo contusões durante os combates, o que atrapalhou seu desempenho. Entre os feridos, José Aldo, que quebrou o pé logo no primeiro chute. Perdeu sua principal arma, mudou sua estratégia, mas não diminuiu sua motivação. Aldo continuou agredindo e sua luta contra o zumbi coreano foi boa, apesar da lesão. Sem perder a pressão e andando pra frente, machucou o coreano, que acabou deslocando o ombro. Aldo não perdeu a chance de finalizar a luta e venceu por nocaute técnico. Dessa vez não pode ir pra galera, sendo contido pelos seguranças. Agora só perde pra Anderson Silva em defesas de cinturão. Se somar mais três vitórias, será também o maior recordista.

Serginho Moraes foi outro brasileiro que se destacou, com uma linda finalização. Da mesma maneira, Cesar Mutante também venceu rapidamente seu combate, mostrando que os participantes do “The Ultimate Fighter Brasil” são melhores que os americanos. Principalmente no chão. Amanda Nunes, a primeira brasileira a vencer uma luta no UFC, também não passou despercebida e venceu bem a alemã, pra delírio do povo.

Mais uma vez os árbitros não escaparam da polêmica. Na luta entre Lyoto Machida e Phil Davis, todos os três árbitros deram vitória por unanimidade para o americano. Ao fim da luta, muitas vaias da torcida e o depoimento do brasileiro, ainda em cima do octógono, que afirmou não entender as regras do UFC. Dana White, nas redes sociais, também afirmou ter visto vitória do brasileiro e ressaltou que essa é uma consequência negativa de deixar a luta nas mãos dos juízes. Fato é que a recusa em aceitar a luta com pouco tempo de preparação, contra Jon Jones, fez com que o UFC dificultasse sua vida para uma nova chance de cinturão, quando escalou o sueco Alexander Gustafsson para enfrentar Jones.

Mas, conforme o tempo passou, as reclamações deram lugar às críticas. Lyoto não lutou bem. Foi burocrático e seu jogo de sempre esperar o contra-ataque foi muito chato de assistir. Sabemos como as coisas funcionam e realmente Davis estava com mais vontade, mesmo que os números tenham dado a vitória para o brasileiro. Foi um castigo merecido. Machida precisa recuperar sua agressividade e não pode mais ficar esperando o oponente errar. Quando o nível de competição aumenta, os lutadores erram menos, e se tem um cara no MMA que erra pouco é Phil Davis. Ainda acho que Davis precise passar por mais um desafio antes de desafiar Jones. Talvez uma revanche contra seu algoz Rashad Evans ou contra o vencedor de Shogun vs Chael Sonnen possa ser o passaporte para o sonhado cinturão.  Mas, para Lyoto, o caminho será mais longo. Se não vencer as próximas três lutas com convicção, não creio mais que chegue ao topo dessa divisão. Quem sabe não teremos Lyoto nos médios?

Dessa vez ficou claro que o público não compareceu com a mesma intensidade que em edições anteriores. Com a Copa de 2014, o UFC vai passar o mais longe possível do evento. Sem dúvida, precisam reavaliar as estratégias para que as arenas voltem a encher. Em breve teremos uma edição em BH e, ainda por ser novidade por lá, deverá ter bom público. Nas próximas edições, se os cards não forem incrementados, tendem a perder público. Enquanto isso, viva José Aldo. E viva Cesar Cielo, tricampeão mundial de natação. Orgulhos nacionais.

(mmabrasil.com.br)

Anderson “The Spider” Silva

8 julho, 2013 às 14:47  |  por Gustavo Kipper

(esporte.uol.com.br)

Eu sou curitibano e conheci Anderson Silva pessoalmente, ainda na época em que ele treinava muay thai na academia do mestre Noguchi. Na época, um grande amigo treinava com ele, e um dia fui assistir a um treino. No meio de vários excelentes lutadores, um deles se destacava pela técnica e perfil, que se encaixava perfeitamente para o esporte marcial. Era Anderson. Não muito mais tarde se juntou ao vitorioso time da academia Chute Boxe e assim o tempo passou.

Quem conheceu Anderson no meio de tantos grandes lutadores curitibanos como Wanderlei Silva, Rafael Cordeiro e José Pelé Landi, nunca realmente imaginou que ele poderia chegar ao patamar técnico e de exposição que ganhou nos últimos sete anos, mesmo sempre tendo seu talento reconhecido. Anderson Silva conquistou um legado quando já estava em uma idade que muitos atletas já estão se aposentando. Ao longo de seu reinado, Anderson nunca teve uma contusão que o deixou fora do octógono por um longo período de tempo como teve Georges St Pierre. Esse tempo, apesar de ser difícil pela recuperação mental e física, é bom ao menos para o atleta se juntar à família e limpar a mente, enxergar o futuro e decidir realmente o que quer. Ao não recusar lutas, Anderson começou a devastar a categoria dos médios e sua evolução técnica atingiu níveis que só os grandes alcançam. Isso fez com que sua responsabilidade em manter o cinturão provocasse certos comportamentos que passaram a fazer parte do produto Anderson Silva, o maior lutador de MMA de todos os tempos.

Esses comportamentos começam com a ideia de criar uma falsa sensação que o cinturão pertence ao Brasil, portanto lutar contra brasileiros sempre foi algo que afetou muito Anderson. Em suas lutas contra Thales Leite, Demian Maia e Vitor Belfort, Anderson estava bastante agitado. Com a vitória sobre os três, criou uma cultura em que o desafio feito por brasileiros era levado como insulto. Logo, muitos ótimos lutadores acabaram por ficar, além de amigos, admiradores de Anderson e com o desejo de serem campeões guardados a sete chaves. No esporte em que amigos e compatriotas não lutam entre si, Anderson acabou por ser o representante oficial do Brasil no MMA com fãs como Ronaldo e a rede Globo.

Os atletas costumam fazer nas lutas o que fizeram nos treinos. E os treinos de MMA, principalmente para lutas como disputas de cinturão, costumam ser muito fortes. Anderson desenvolveu um estilo em que ficava à vontade, ao mesmo tempo em que destruía mentalmente seus adversários, que sempre acabavam cometendo erros, abrindo brechas para contra-ataques mortais e plásticos. Anderson transformou a luta em show, algo que somente Jon Jones pode fazer, mas o curitibano o faz com mais sabedoria, com mais estratégia. Porém, a linha entre a autoconfiança e desrespeito em que ele anda é tênue, e assim como na luta contra Demian Maia, passou do limite, perdeu a referência do respeito e do perigo. Muitos atletas e treinadores, como Renzo Gracie, não acreditam nesse estilo de Anderson, e acham que isso é uma das suas maneiras de desdenhar de seus adversários. Portanto, sua derrota foi muito comemorada no mundo da luta, principalmente pelos estrangeiros. O próprio Chris Weidman no instante após a vitória soltou um “seu desrespeitoso de m…”.

Chris Weidman sabia o que iria enfrentar. Ao contrário da maioria dos desafiantes do ex- campeão, Weidman é de outra geração. Mesmo tendo caído por instantes nas artimanhas de Anderson, continuou reto em seu caminho e ficou provado que Anderson é um humano e tem queixo, que, se acertado, desmontará suas pernas como de um João qualquer.

Mas algo dessa vez estava diferente. A apatia instantes antes da luta e o tédio do brasileiro foram cruciais para Anderson não lutar, apenas provocar e entregar de forma melancólica o mesmo cinturão que dizia ser de todos os brasileiros. Por isso muita gente se sentiu traída, envergonhada e enganada. Até mesmo seus companheiros de corner estavam arrasados. Para os brasileiros, foi como se Neymar rebolasse antes do pênalti decisivo e recuasse a bola para o goleiro. Nas redes sociais muitos dizem que a luta já tinha sido acertada antes. Não acredito, mas o desempenho do ex-campeão foi tão patético que realmente dá margens para discussão, principalmente com o futuro do brasileiro, que chegou a dizer que poderia até mesmo se aposentar. Discurso bem diferente de quem queria fazer três superlutas. Talvez não quisesse mais lutar com Jones. O fato é que muita gente, pelo menos ontem, ganhou muito dinheiro, principalmente Anderson Silva. Só não sei se venderá mais tantos ingressos como antes.

A verdade é que a derrota deixou muitos brasileiros chateados e iniciou um novo ciclo no UFC. Anderson Silva terá suas merecidas férias e tenho certeza que lhe fará bem curtir sua família e o conforto que conquistou com os punhos. Nada como um dia após o outro. O mundo sabe que se Anderson estivesse com gana, ganharia a luta. Então não descarto uma revanche, embora acredite que a atitude de Anderson, de abrir mão de um cinturão “chato”, como seu filho Kalyl definiu nas redes sociais, seja uma tentativa de deixar o caminho aberto a outros brasileiros, como Ronaldo Jacaré. Anderson Silva perdeu o “olho de tigre” pelo menos para as defesas de cinturão dos pesos-médios, que dominou por quase sete anos.

Vitor Belfort pediu Weidman, mas Dana White descartou a luta dizendo que quer a revanche. Mas a negativa a Vitor não faz sentido do ponto de vista do ranking, onde ele ocupa a segunda colocação. O problema é que a luta teria que ser realizada no Brasil, pois no estado de Nevada, onde são realizados os maiores eventos, o tratamento de reposição hormonal não é tolerado. Portanto, Vitor não conseguiria a licença para lutar. A revanche seria o melhor caminho, caso contrário vai começar a chuva de desafios. De Wanderlei Silva, passando por Chael Sonnen, todo mundo agora vai querer pegar esse vácuo.

(ftw.usatoday.com)

 

Joe Silva por um dia

11 abril, 2013 às 13:38  |  por Gustavo Kipper

Mesmo com a criação do ranking oficial, muitos combates ainda serão marcados pelo apelo que a luta proporciona pelos fãs, além é claro da venda dos pay- per- views que fazem a roda girar. Fico imaginando que um dos empregos mais legais do mundo seja o do matchmaker do evento, Joe Silva, responsável por planejar quem lutará com quem. Embora o ranking seja uma boa referência, a imaginação de um combate com toda sua complexidade e confronto de estilos faz qualquer um imaginar como seria se…?

Pensei um pouco e imaginei 20 confrontos que ao menos eu gostaria de ver na tela. Não posso considerar eventos já marcados. Apenas possíveis confrontos.

  1. Anderson Silva vs Jon Jones (luta em peso combinado de 88 kg)
  2. Anderson Silva vs Georges St Pierre (luta em peso combinado de 80 kg)
  3. José Aldo vs Ben Henderson (luta em peso combinado de 68 kg)
  4. Wanderlei Silva vs Chael Sonnen (meio- pesado)
  5. Júnior Cigano vs Cain Velásquez III (peso- pesado)
  6. Renan Barão vs Dominik Cruz (peso- galo)
  7. Rodrigo Minotauro vs Fedor Emelianenko 4 (peso- pesado)
  8. Maurício Shogun vs Gerard Mousasi (meio- pesado)
  9. Lyoto Machida vs Alexander Gustafsson (meio- pesado)
  10. Michael Bisping vs Hector Lombard (peso- médio)
  11. Frank Edgar vs Chad Mendez (peso- pena)
  12. Vitor Belfort vs Wanderlei Silva (meio- pesado)
  13. Ronaldo Jacaré vs Roger Gracie (peso- médio)
  14. Ronda Rousey vs Chris Cyborg (peso- galo)
  15. Rogério Minotouro vs Dan Henderson (meio- pesado)
  16. Nate Diaz vs Anthony Pettis (peso- leve)
  17. Nick Diaz vs Rory McDonald (meio- médios)
  18. Rodrigo Minotauro vs Frank Mir 3 (peso-pesado)
  19. Maurício Shogun vs Glover Teixeira  (meio-pesado)
  20. Júnior dos Santos vs Jon Jones (peso- pesado)