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UFC: ranking e próximos eventos

31 março, 2014 às 11:36  |  por Gustavo Kipper

Abril será agitado.  Serão quatro eventos com uma disputa por cinturão. Destaque para a volta de Rodrigo Minotauro e o title shot de Glover Teixeira.

11/04 – Fight Night: Rodrigo Minotauro vs Roy Nelson
16/04 – Fight Night: Michael Bisping vs Tim Kennedy
19/04 – Fight Night: Fabrício Werdum vs Travis Browne
26/04 – UFC 172: Jon Jones vs Glover Teixeira

Ranking peso por peso UFC
1 – Jon Jones
2 – Jose Aldo
3 – Renan Barão
4 – Cain Velasquez
5 – Demetrious Johnson
6 – Chris Weidman
7 – Anderson Silva
8 – Anthony Pettis
9 – Johny Hendricks
10 – Ronda Rousey
11 – Vitor Belfort
12 – Benson Henderson
13 – Gilbert Melendez
14 – Alexander Gustafsson
15 – Urijah Faber

O que esperar do MMA para o início de 2014.

6 janeiro, 2014 às 17:16  |  por Gustavo Kipper

Ano passado não foi um bom ano para o MMA brasileiro. Como muitos já sabiam o número 13 nunca foi confiável. Foi um ano de contusões, derrotas e novos campeões. Infelizmente nenhum brasileiro. Júnior Cigano não recuperou o cinturão de Cain Velásquez e Anderson também não venceu sua revanche, terminando o ano de forma melancólica. Restaram-nos Aldo e Barão, além de uma esperança chamada Vitor.

O que esperar do MMA para o início de 2014.

Não fosse à complacência de Dana White em relação ao tempo de afastamento de Dominick Cruz, Renan Barão poderia ser o campeão dos galos. Mas, em fevereiro, os dois poderão resolver de fato quem é o campeão indiscutível. O único campeão oficial do Brasil é José Aldo, que coloca mais uma vez seu cinturão em jogo no mesmo evento que Cruz vs Barão. O UFC 169 de 1º de fevereiro, além de imperdível, é crucial para a manutenção dos cinturões que sobraram. Outra luta de peso é o combate entre Alistair Overeem e Frank Mir. Os dois vêm de derrota.

José Aldo vs Ricardo Lamas

José Aldo é muito favorito. Particularmente não consigo imaginar ninguém nos pesos-penas capaz de ameaçar o reinado do brasileiro. O resultado mais provável é um nocaute até o terceiro round. Se vencer, Aldo deve começar a pensar em conquistar o título dos leves, derrotando quem quer que seja. Ele tem técnica e potência para dominar também a categoria de cima, nem que para isso precise deixar vago seu cinturão dos penas. É a hora de dar um passo maior.

Dominick Cruz vs Renan Barão

Enfim poderemos ver a unificação do título dos galos. Há quase dois anos sem lutar, creio que o ritmo de Barão fará a diferença. Apesar da movimentação de Cruz ser muito efetiva, em uma luta de cinco rounds, sem muito ritmo seu gás pode acabar. É uma das lutas mais aguardadas no ano. Será uma noite de vitórias para o Brasil e para a equipe Nova União.

Chris Weidman vs Vitor Belfort

Mesmo com a polêmica do uso de tratamento de reposição de testosterona (TRT) pelo brasileiro, a luta em Las Vegas é a melhor maneira de Vitor provar que seus últimos grandes resultados são fruto de sua competência e não da testosterona. Afinal, hormônios não sabem chutar. Agora mais campeão do que nunca, a confiança de Weidman, assim como a de Vitor, parece não ter limites. Weidman tem tudo a perder e o brasileiro, tudo a ganhar. Se vencer, será o primeiro lutador da história a ser campeão em três categorias de pesos diferentes dentro do UFC. O fenômeno será mais vitorioso do que nunca. Será uma batalha, embora ache que Weidman leve vantagem por ser maior e melhor no clinch e nas quedas. Mas a velocidade e explosão de Vitor, principalmente nos primeiros rounds, podem colocar o americano na panela de pressão.

Lyoto Machida vs Gerard Mousasi

Após a brilhante estreia nos médios com vitória sobre Mark Muñoz, Lyoto enfrenta agora o ex-campeão do Strikeforce o armênio Gerard Mousasi. Dois strikers de ponta. Será uma batalha entre o karatê e o kick-boxing. O jogo dos dois promete trazer um grande desfecho – um nocaute é esperado. A luta acontece no UFC Jaraguá, dia 15 de fevereiro. Quem vencer pode estar a apenas mais uma vitória da disputa pelo título. Sempre lembrando que Ronaldo Jacaré é outro grande candidato e luta no UFC Jaraguá 2 contra o francês Francis Carmont, outro top 10 da categoria.

Ronda Rousey vs Sarah McMann

Enfim a campeã dos galos do UFC vai enfrentar um desafio à altura. Outra atleta e medalhista olímpica. A wrestler Sarah McMann talvez seja a única atleta empregada pelo UFC a poder derrotar Ronda. É também a primeira atleta americana a conquistar uma medalha olímpica no wrestling. A luta será em Las Vegas, dia 22 de fevereiro. Será que Ronda vai conseguir aplicar novamente aqueles ippons? Após dominar Miesha Tate novamente e conquistar mais uma vitória com chave de braço, Ronda mostrou que na luta agarrada é quase imbatível. Impressionante como conseguiu trazer sua habilidade de judoca para o MMA.

Jon Jones vs Glover Teixeira

Glover Teixeira venceu todos seus adversários até chegar ao campeão Jon Jones. É merecedor da chance ao título e, além de grande pessoa, é um lutador completo e muito perigoso. Mas será o bastante para destronar Jones? O campeão americano dos meio-pesados enfrentou adversários muito complicados, a começar por sua última batalha contra Alexander Gustafsson. Isso faz Glover parecer menos ameaçador. Sua envergadura pode fazer diferença mais uma vez, tendo em vista que talvez Jones não queira trocar muitos golpes em pé com o brasileiro. Vai buscar a queda e as traumáticas cotoveladas. Não estou muito otimista. O combate será no UFC 172, ainda sem local e data definidos.

Johny Hendrics vs Robbie Lawler

Após a controversa vitória de GSP sobre Hendrics e sua aposentadoria por tempo indeterminado, o UFC foi obrigado a casar os dois principais candidatos a ocupar o lugar do ex-campeão canadense. O UFC 171, que acontece dia 15 de março, em Dallas, Texas (EUA), vai trazer finalmente um novo campeão para os meio-médios. Acredito no favoritismo de Hendrics, que está mais preparado para o lugar de campeão. Já vem em ritmo forte de treinos e é muito rápido e explosivo para a categoria. Deve vencer sem precisar da decisão dos juízes.

Wanderlei Silva vs Chael Sonnen

As gravações do The Ultimate Fighter Brasil 3 começam agora em janeiro, mas a rivalidade entre os dois vem desde o vídeo – em que Wanderlei aparece enquadrando o americano – que circulou na internet. Na época, Wanderlei dizia a Sonnen que falar mal dos irmãos Nogueira e do Brasil era perigoso. Após o episódio, Sonnen tornou-se ainda mais polêmico e falastrão devido aos confrontos contra Anderson Silva e Jon Jones. Tornou-se parte da marca UFC e já tem lugar garantido entre os comentaristas do evento. Já Wanderlei tenta provar que ainda tem condições que dar grandes espetáculos e vencer o programa e sua luta. O confronto promete muita ação e dificilmente chegará ao final sem um nocaute ou uma finalização.

Renan Barão, Jon Jones, T.U.F e Anderson Silva.

25 setembro, 2013 às 15:34  |  por Gustavo Kipper

Renan Barão é o verdadeiro campeão.

O brasileiro do Rio Grande do Norte só conheceu o gosto da derrota em sua estreia, em 2005. Depois disso foram 31 vitórias consecutivas, sendo seis no UFC – duas delas defendendo o cinturão interino do peso-galo. Já o campeão Dominick Cruz não sabe o que é lutar há quase dois anos e vem sendo protegido pela organização, que insiste em manter o quase ex- atleta com o título. Com seguidas lesões no joelho, é impossível prever como Cruz irá se comportar após tanto tempo de inatividade. Então fica claro que Renan Barão é o verdadeiro campeão. Espero ver esse duelo em breve para botar um fim nessa história.

Jon Jones venceu Alexander Gustafsson

Sem dúvida foi uma das maiores lutas da história do UFC. O duelo de gigantes foi equilibrado e muito técnico. Pela primeira vez vimos o campeão sangrar, sair amassado. Mas, tanto pelo número de golpes significativos quanto pelo que mostrou, Jon Jones venceu Alexander Gustafsson. Entendo perfeitamente e respeito aqueles que enxergaram outro resultado. A questão agora é se o sueco merece uma revanche, mesmo tendo perdido, ou se o UFC cumpre o que prometeu e dá o title shot para Glover Teixeira. Do ponto de vista do negócio, uma segunda luta teria muito mais apelo, mas pela ordem natural das coisas, agora seria a vez de Glover.

The Ultimate Fighter EUA

A edição do The Ultimate Fighter Ronda Rousey vs Miesha Tate chega esta noite ao seu terceiro episódio nas telas americanas. Essa talvez seja a edição com maior apelo, embora já tenhamos visto rivalidades pesadas. Rousey vs Tate promete chegar ao extremo. Perdendo por 2×0, a campeã Ronda Rousey está mostrando um lado que muita gente não conhecia. Bullying, raiva e um pouco de imaturidade fazem com que Miesha Tate fique mais carismática e inevitavelmente você acaba torcendo para seu time, independentemente de quem esteja lutando. É a primeira vez também que as mulheres têm chance de ganhar o contrato de seis dígitos. O canal Combate transmite os episódios na sua programação. Vale a pena conferir.

Anderson Silva vs Chris Weidman 2

Ontem (24), em Las vegas, foi realizada uma entrevista coletiva de promoção da revanche entre Chris Weidman e Anderson Silva. Sempre avesso às entrevistas, Spider disse o que todos já sabem. Acredito que realmente ele está motivado e deve agredir mais, porém não vai mudar sua postura provocadora, que na maioria das vezes destrói a mente de seus adversários. Mas o campeão estará preparado. Desde quando lutava muay-thai, Anderson tem esse estilo. É seu jeito de lutar. Isso não muda. O que muda é a atitude de nocautear, de vencer e recuperar o que é dele. Mas não criemos expectativas. Além da luta estar longe, depois da última, só acredito vendo.

(www.gazetaesportiva.net)

UFC 163: vitórias, derrotas, polêmicas e contusões

6 agosto, 2013 às 12:10  |  por Gustavo Kipper

O UFC 163, no Rio de Janeiro, sábado, não foi só de alegrias. Mas, com a vitória do campeão dos penas, o brasileiro José Aldo, o saldo acabou positivo. Definitivamente, não foi uma edição empolgante, com muitos atletas sofrendo contusões durante os combates, o que atrapalhou seu desempenho. Entre os feridos, José Aldo, que quebrou o pé logo no primeiro chute. Perdeu sua principal arma, mudou sua estratégia, mas não diminuiu sua motivação. Aldo continuou agredindo e sua luta contra o zumbi coreano foi boa, apesar da lesão. Sem perder a pressão e andando pra frente, machucou o coreano, que acabou deslocando o ombro. Aldo não perdeu a chance de finalizar a luta e venceu por nocaute técnico. Dessa vez não pode ir pra galera, sendo contido pelos seguranças. Agora só perde pra Anderson Silva em defesas de cinturão. Se somar mais três vitórias, será também o maior recordista.

Serginho Moraes foi outro brasileiro que se destacou, com uma linda finalização. Da mesma maneira, Cesar Mutante também venceu rapidamente seu combate, mostrando que os participantes do “The Ultimate Fighter Brasil” são melhores que os americanos. Principalmente no chão. Amanda Nunes, a primeira brasileira a vencer uma luta no UFC, também não passou despercebida e venceu bem a alemã, pra delírio do povo.

Mais uma vez os árbitros não escaparam da polêmica. Na luta entre Lyoto Machida e Phil Davis, todos os três árbitros deram vitória por unanimidade para o americano. Ao fim da luta, muitas vaias da torcida e o depoimento do brasileiro, ainda em cima do octógono, que afirmou não entender as regras do UFC. Dana White, nas redes sociais, também afirmou ter visto vitória do brasileiro e ressaltou que essa é uma consequência negativa de deixar a luta nas mãos dos juízes. Fato é que a recusa em aceitar a luta com pouco tempo de preparação, contra Jon Jones, fez com que o UFC dificultasse sua vida para uma nova chance de cinturão, quando escalou o sueco Alexander Gustafsson para enfrentar Jones.

Mas, conforme o tempo passou, as reclamações deram lugar às críticas. Lyoto não lutou bem. Foi burocrático e seu jogo de sempre esperar o contra-ataque foi muito chato de assistir. Sabemos como as coisas funcionam e realmente Davis estava com mais vontade, mesmo que os números tenham dado a vitória para o brasileiro. Foi um castigo merecido. Machida precisa recuperar sua agressividade e não pode mais ficar esperando o oponente errar. Quando o nível de competição aumenta, os lutadores erram menos, e se tem um cara no MMA que erra pouco é Phil Davis. Ainda acho que Davis precise passar por mais um desafio antes de desafiar Jones. Talvez uma revanche contra seu algoz Rashad Evans ou contra o vencedor de Shogun vs Chael Sonnen possa ser o passaporte para o sonhado cinturão.  Mas, para Lyoto, o caminho será mais longo. Se não vencer as próximas três lutas com convicção, não creio mais que chegue ao topo dessa divisão. Quem sabe não teremos Lyoto nos médios?

Dessa vez ficou claro que o público não compareceu com a mesma intensidade que em edições anteriores. Com a Copa de 2014, o UFC vai passar o mais longe possível do evento. Sem dúvida, precisam reavaliar as estratégias para que as arenas voltem a encher. Em breve teremos uma edição em BH e, ainda por ser novidade por lá, deverá ter bom público. Nas próximas edições, se os cards não forem incrementados, tendem a perder público. Enquanto isso, viva José Aldo. E viva Cesar Cielo, tricampeão mundial de natação. Orgulhos nacionais.

(mmabrasil.com.br)

Anderson “The Spider” Silva

8 julho, 2013 às 14:47  |  por Gustavo Kipper

(esporte.uol.com.br)

Eu sou curitibano e conheci Anderson Silva pessoalmente, ainda na época em que ele treinava muay thai na academia do mestre Noguchi. Na época, um grande amigo treinava com ele, e um dia fui assistir a um treino. No meio de vários excelentes lutadores, um deles se destacava pela técnica e perfil, que se encaixava perfeitamente para o esporte marcial. Era Anderson. Não muito mais tarde se juntou ao vitorioso time da academia Chute Boxe e assim o tempo passou.

Quem conheceu Anderson no meio de tantos grandes lutadores curitibanos como Wanderlei Silva, Rafael Cordeiro e José Pelé Landi, nunca realmente imaginou que ele poderia chegar ao patamar técnico e de exposição que ganhou nos últimos sete anos, mesmo sempre tendo seu talento reconhecido. Anderson Silva conquistou um legado quando já estava em uma idade que muitos atletas já estão se aposentando. Ao longo de seu reinado, Anderson nunca teve uma contusão que o deixou fora do octógono por um longo período de tempo como teve Georges St Pierre. Esse tempo, apesar de ser difícil pela recuperação mental e física, é bom ao menos para o atleta se juntar à família e limpar a mente, enxergar o futuro e decidir realmente o que quer. Ao não recusar lutas, Anderson começou a devastar a categoria dos médios e sua evolução técnica atingiu níveis que só os grandes alcançam. Isso fez com que sua responsabilidade em manter o cinturão provocasse certos comportamentos que passaram a fazer parte do produto Anderson Silva, o maior lutador de MMA de todos os tempos.

Esses comportamentos começam com a ideia de criar uma falsa sensação que o cinturão pertence ao Brasil, portanto lutar contra brasileiros sempre foi algo que afetou muito Anderson. Em suas lutas contra Thales Leite, Demian Maia e Vitor Belfort, Anderson estava bastante agitado. Com a vitória sobre os três, criou uma cultura em que o desafio feito por brasileiros era levado como insulto. Logo, muitos ótimos lutadores acabaram por ficar, além de amigos, admiradores de Anderson e com o desejo de serem campeões guardados a sete chaves. No esporte em que amigos e compatriotas não lutam entre si, Anderson acabou por ser o representante oficial do Brasil no MMA com fãs como Ronaldo e a rede Globo.

Os atletas costumam fazer nas lutas o que fizeram nos treinos. E os treinos de MMA, principalmente para lutas como disputas de cinturão, costumam ser muito fortes. Anderson desenvolveu um estilo em que ficava à vontade, ao mesmo tempo em que destruía mentalmente seus adversários, que sempre acabavam cometendo erros, abrindo brechas para contra-ataques mortais e plásticos. Anderson transformou a luta em show, algo que somente Jon Jones pode fazer, mas o curitibano o faz com mais sabedoria, com mais estratégia. Porém, a linha entre a autoconfiança e desrespeito em que ele anda é tênue, e assim como na luta contra Demian Maia, passou do limite, perdeu a referência do respeito e do perigo. Muitos atletas e treinadores, como Renzo Gracie, não acreditam nesse estilo de Anderson, e acham que isso é uma das suas maneiras de desdenhar de seus adversários. Portanto, sua derrota foi muito comemorada no mundo da luta, principalmente pelos estrangeiros. O próprio Chris Weidman no instante após a vitória soltou um “seu desrespeitoso de m…”.

Chris Weidman sabia o que iria enfrentar. Ao contrário da maioria dos desafiantes do ex- campeão, Weidman é de outra geração. Mesmo tendo caído por instantes nas artimanhas de Anderson, continuou reto em seu caminho e ficou provado que Anderson é um humano e tem queixo, que, se acertado, desmontará suas pernas como de um João qualquer.

Mas algo dessa vez estava diferente. A apatia instantes antes da luta e o tédio do brasileiro foram cruciais para Anderson não lutar, apenas provocar e entregar de forma melancólica o mesmo cinturão que dizia ser de todos os brasileiros. Por isso muita gente se sentiu traída, envergonhada e enganada. Até mesmo seus companheiros de corner estavam arrasados. Para os brasileiros, foi como se Neymar rebolasse antes do pênalti decisivo e recuasse a bola para o goleiro. Nas redes sociais muitos dizem que a luta já tinha sido acertada antes. Não acredito, mas o desempenho do ex-campeão foi tão patético que realmente dá margens para discussão, principalmente com o futuro do brasileiro, que chegou a dizer que poderia até mesmo se aposentar. Discurso bem diferente de quem queria fazer três superlutas. Talvez não quisesse mais lutar com Jones. O fato é que muita gente, pelo menos ontem, ganhou muito dinheiro, principalmente Anderson Silva. Só não sei se venderá mais tantos ingressos como antes.

A verdade é que a derrota deixou muitos brasileiros chateados e iniciou um novo ciclo no UFC. Anderson Silva terá suas merecidas férias e tenho certeza que lhe fará bem curtir sua família e o conforto que conquistou com os punhos. Nada como um dia após o outro. O mundo sabe que se Anderson estivesse com gana, ganharia a luta. Então não descarto uma revanche, embora acredite que a atitude de Anderson, de abrir mão de um cinturão “chato”, como seu filho Kalyl definiu nas redes sociais, seja uma tentativa de deixar o caminho aberto a outros brasileiros, como Ronaldo Jacaré. Anderson Silva perdeu o “olho de tigre” pelo menos para as defesas de cinturão dos pesos-médios, que dominou por quase sete anos.

Vitor Belfort pediu Weidman, mas Dana White descartou a luta dizendo que quer a revanche. Mas a negativa a Vitor não faz sentido do ponto de vista do ranking, onde ele ocupa a segunda colocação. O problema é que a luta teria que ser realizada no Brasil, pois no estado de Nevada, onde são realizados os maiores eventos, o tratamento de reposição hormonal não é tolerado. Portanto, Vitor não conseguiria a licença para lutar. A revanche seria o melhor caminho, caso contrário vai começar a chuva de desafios. De Wanderlei Silva, passando por Chael Sonnen, todo mundo agora vai querer pegar esse vácuo.

(ftw.usatoday.com)

 

Joe Silva por um dia

11 abril, 2013 às 13:38  |  por Gustavo Kipper

Mesmo com a criação do ranking oficial, muitos combates ainda serão marcados pelo apelo que a luta proporciona pelos fãs, além é claro da venda dos pay- per- views que fazem a roda girar. Fico imaginando que um dos empregos mais legais do mundo seja o do matchmaker do evento, Joe Silva, responsável por planejar quem lutará com quem. Embora o ranking seja uma boa referência, a imaginação de um combate com toda sua complexidade e confronto de estilos faz qualquer um imaginar como seria se…?

Pensei um pouco e imaginei 20 confrontos que ao menos eu gostaria de ver na tela. Não posso considerar eventos já marcados. Apenas possíveis confrontos.

  1. Anderson Silva vs Jon Jones (luta em peso combinado de 88 kg)
  2. Anderson Silva vs Georges St Pierre (luta em peso combinado de 80 kg)
  3. José Aldo vs Ben Henderson (luta em peso combinado de 68 kg)
  4. Wanderlei Silva vs Chael Sonnen (meio- pesado)
  5. Júnior Cigano vs Cain Velásquez III (peso- pesado)
  6. Renan Barão vs Dominik Cruz (peso- galo)
  7. Rodrigo Minotauro vs Fedor Emelianenko 4 (peso- pesado)
  8. Maurício Shogun vs Gerard Mousasi (meio- pesado)
  9. Lyoto Machida vs Alexander Gustafsson (meio- pesado)
  10. Michael Bisping vs Hector Lombard (peso- médio)
  11. Frank Edgar vs Chad Mendez (peso- pena)
  12. Vitor Belfort vs Wanderlei Silva (meio- pesado)
  13. Ronaldo Jacaré vs Roger Gracie (peso- médio)
  14. Ronda Rousey vs Chris Cyborg (peso- galo)
  15. Rogério Minotouro vs Dan Henderson (meio- pesado)
  16. Nate Diaz vs Anthony Pettis (peso- leve)
  17. Nick Diaz vs Rory McDonald (meio- médios)
  18. Rodrigo Minotauro vs Frank Mir 3 (peso-pesado)
  19. Maurício Shogun vs Glover Teixeira  (meio-pesado)
  20. Júnior dos Santos vs Jon Jones (peso- pesado)

T.U.F América, terror psicológico e Mike Tyson

3 abril, 2013 às 16:05  |  por Gustavo Kipper

The Ultimate Fighter: Jones vs Sonnen

Um dos fatores mais importantes em uma luta é a guerra psicológica. As provocações, discussões e encaradas, apesar de serem parte do jogo promocional, fazem parte de algo maior. É a guerra mental que se inicia com a marcação da luta, até o possível abraço final de respeito após o fim do combate. A última demonstração clara de que a guerra psicológica faz parte do jogo, e é usada por todos os lutadores, foi na aguardada luta entre Georges St Pierre e Nick Diaz. Assim como Chael Sonnen e Anderson Silva, a pressão durou anos até ter seu desfecho. Do caso de Pierre e Diaz um abraço e um erguendo a mão do outro demonstraram claramente que aquela guerra acabou. O próprio campeão canadense admitiu na coletiva que nunca havia passado por uma guerra psicológica tão intensa e quem acompanha sabe o esforço mental que Georges fez para não sair dos trilhos. Se não fosse quem é, teria sucumbido.

O meu herói Mike Tyson era mestre. Suas táticas eram brutas, toscas e simples. As mais animais, primitivas e funcionais que o boxe já viu. Além dos nocautes, os segundos antes da luta faziam toda a diferença. Sem tirar o mérito de Ali, que também fazia os oponentes mudarem de cor, as encaradas de Mike Tyson antes do gongo inicial já lhe davam metade da luta. Era o famoso olhar fixo como o de um leão antes de atacar sua presa. Dava medo até em nós que víamos pela televisão. Do outro lado, o pobre adversário com olhos de quem caminha para a cadeira elétrica ou para a câmara de gás já deixava escapar o odor do medo, que nós humanos também podemos sentir.

Com a ascensão do MMA, muitos atletas conseguiam essa vantagem extracampo do seu próprio jeito. Wanderlei Silva pela violência e intimidação, Fedor Emelianenko pela frieza russa, Anderson Silva pela imprevisibilidade, Jon Jones pelo tamanho e golpes cruéis – mas sempre algo que acompanha suas carreiras.

O The Ultimate Fighter América chegou à fase semifinal, e com ela, grandes descobertas e ótimos lutadores. Mas um em específico chamou a atenção dos fãs, e principalmente de Dana White, que disse nunca ter visto nada parecido em sua longa carreira. Uriah Hall simplesmente devastou seus oponentes com nocautes tão brutais que os espectadores não tiveram coragem sequer de bater palmas. Ambulâncias, médicos, dor e choque foram à tônica de seus combates.

Ontem, no programa que foi ao ar nos EUA, o adversário foi nocauteado em menos de trinta segundos comprovando toda a crise de estresse e pavor que Bubba, o atleta do time Jones, sentiu durante a semana sabendo que iria enfrentar o melhor atleta da casa. Crises existenciais, dores fantasmas, depressão, todos os sintomas do pânico acompanharam Bubba durante a semana. Os nocautes avassaladores de Uriah Hall o deram o poder de imputar terror em seus adversários que já entram derrotados, como em muitas lutas que vimos por ai. Como costumava dizer um folclórico treinador de futebol do Brasil: “O medo de perder tira a vontade de ganhar”. Chael soube escolher o possível vencedor do reality americano. E mais: Uriah Hall um dia pode ser campeão do UFC.

Acho que os atletas de hoje, até pela mentalidade de seus formadores, não trabalham esse lado emocional, tão importante como o físico e o técnico. Para ser campeão é preciso dominar essas três classes. Um excelente exemplo é do saudoso mestre Carlson Gracie, formador de lendas como Vitor Belfort. Levado pela filosofia da família Gracie em vencer os desafios que a vida impõe, conseguia transformar seus atletas em lutadores de grande poder mental. Diferentemente da superconfiança, é algo maior, intrínseco aos seus valores da vida.

Ao vencer Wanderlei Silva em 1998, em um nocaute relâmpago, Vitor iniciou uma comemoração extravazada, como a de um garoto ganhando uma campeonato de videogame. Carlson, vendo a cena, tratou de colocar Vitor na linha e mostrar qual o caminho eterno para a guerra mental que aquele garoto ainda travaria a vida toda. Chamou-o e sem pestanejar o repreendeu: “Está comemorando por quê? Você achou que iria perder?”

Um dos nocautes de Uriah Hall na casa

Nocaute de Uriah Hall contra Bubba McDaniel no TUF

http://youtu.be/tGxAQ-Ii9Qk

Uriah Hall

Mike Tyson – Uma lição de intimidação

 

 

 

Faltam um ranking oficial e critérios

30 janeiro, 2013 às 11:58  |  por Gustavo Kipper

Ninguém pode duvidar da capacidade do UFC em gerenciar a marca e principalmente na padronização da alta qualidade nos eventos da franquia, com estrutura e lutas quase sempre impecáveis. Porém, o número de lutadores se multiplicou nos últimos anos. A compra do Strikeforce, a absorção do WEC, a contratação de atletas do Bellator e a importação de promessas, como por exemplo os irmãos Marajó, campeões dos nossos eventos nacionais como Jungle Fight, fizeram inchar a organização de atletas, e mesmo com o visível aumento no número dos eventos, muitos lutadores não têm a menor ideia de qual será o rumo de suas carreiras. Sempre escutamos a frase: “Não escolho adversário, deixo nas mãos do Dana e do Joe Silva”.

Isso se deve ao fato de as lutas serem combinadas, tendo como principal critério a venda do pay per view. Embora as lutas quase sempre façam sentido, quem acompanha ou trabalha diretamente com o evento é impedido de trabalhar com um planejamento mais longo, pois fica à deriva aguardando instruções dos chefões que anunciam os cards sem que haja muita contestação por parte de atletas e fãs. Faltam critérios técnicos e interação com o público, para que sejam marcadas as lutas mais justas e não as mais vendáveis. Falta um ranking oficial do UFC em todas as categorias, para que seja mais transparente a missão da organização de criar campeões.

Já vimos nas principais categorias o campeão se dar ao luxo de negar desafios, embora em alguns casos, pelos motivos citados anteriormente. Por coincidência, Anderson Silva e Jon Jones, à primeira vista, negaram o combate contra o falastrão Chael Sonnen. Ambos por motivos parecidos, mas o principal: os campeões achavam que Sonnen não merecia estar ali, que tinha ganhado a oportunidade com a garganta e vendia pay per view. Esses foram os casos mais recentes de crises entre os campeões e a organização. Tudo isso poderia ser evitado com a criação de um ranking oficial com critérios de pontuação.

Estabelecer critérios e organizar os egos em posições deixaria mais nítidas para os fãs as lutas mais justas e impediria que os campeões travassem a categoria escolhendo as lutas que melhor encaixam no seu perfil vitorioso. Fogem de desafios. Poucos campeões realmente não escolhem adversários. Anderson Silva vem se especializando em enfrentar adversários medíocres, muito abaixo de seu potencial, para poder dar show em lutas fáceis. Realmente só o vi sendo testado duas ou três vezes em todas as defesas de cinturão. Talvez o único que obrigou Anderson a se superar tenha sido Dan Henderson, muitos anos atrás.

A moda agora para evitar a defesa do cinturão são as chamadas superlutas contra adversários da categoria acima. Mas, como Spider não luta contra amigos, parceiros de treino, ex- colegas e qualquer ser vivo que tenha feito um treino junto, eliminam-se as superlutas mais emocionantes como contra os amigos Lyoto Machida, Maurício Shogun, Rogério Minotouro, Glover Teixeira e assim vai. Aí sobram Stephan Bonnar, Forrest Griffin, Cung Le. Sinceramente, superlutas seriam contra os campeões ou ex- campeões, atletas que algum dia já souberam o que era ser o melhor. Até mesmo Vitor Belfort anda se aproveitando do nome para ganhar disputa de cinturão em pesos diferentes, furando literalmente a fila de atletas que há anos vem tentando subir em um ranking que não existe.

Enquanto os critérios subjetivos e financeiros estiverem à frente de um julgamento técnico, veremos lutas armadas que não movimentam a categoria, apenas protegem os campeões e os lucros da televisão.

Na cara

21 janeiro, 2013 às 10:51  |  por Gustavo Kipper

Wagner Carmo Divulgacao

Não sou muito fã de apostas, mas se meus instintos de apostador estivessem aflorados, com certeza essa seria uma boa luta para começar. Grandes emoções, poucos riscos. Como muitos haviam previsto, Vitor Belfort nocauteou Michael Bisping – ainda no segundo round. Todos sabiam que quanto mais o tempo passasse, mais seria difícil Vitor manter o ritmo e a pressão dos primeiros rounds. Mas o inglês mostrou mais uma vez que quando o adversário é da velha escola, ele grita. Foi assim que Michael Bisping sentiu a força e a experiência de Vitor Belfort e foi nocauteado.

É impressionante como o brasileiro ainda consegue evoluir seu jogo dentro de um esporte cada vez mais competitivo. A sede com que Vitor abraça seus desafios o torna um dos lutadores mais perigosos em todos os pesos. Acredito que tenha sido a primeira vez em que ele consegue o nocaute usando chutes, ainda mais em um adversário com pelo menos sua altura e striker. Surpreendeu a todos não só o chute quanto a atitude do brasileiro, que deixou um pouco a religião de lado e tratou de intimidar o inglês, que já estava assustado pela grandeza de nosso país ainda na pesagem. Michael estava com medo.

Mais que isso, Vítor Belfort venceu Michael Bisping e travou o peso médio quando não desafiou novamente Anderson Silva. Não fez sentido desafiar Jon Jones, campeão da categoria acima, sendo que vem de derrota recente para o mesmo e acabou de vencer nos médios. Com a derrota de Tim Boetsch, a contusão de Chris Weidman e as vitórias de Vitor e Hector Lombard, essa seria a luta certa. Porém, Hector já manifestou interesse na luta contra Bisping e Belfort desafiou indiretamente Chael Sonnen, chamando-o de palhaço.

Dana White, que não esteve presente devido a uma cirurgia, twittou reclamando da atuação de Dan Migliota, o juiz da luta da derrota de Thiago Tavares e do controverso No Contest de Yuri Marajó. Dana White, como muitos, também achou que Migliota demorou a encerrar a a luta e Thiago levou golpes desnecessários. Não sou muito de falar dos juízes, mas dessa vez tanto os árbitros do octógono quanto os árbitros laterais, que julgam as lutas e pontuam, equivocaram-se em várias ocasiões. Não apenas na demora em encerrar as lutas, mas também na decisão equivocada ao dar a vitória a Godofredo Pepey e C.B Dolloway na decisão. Assim, Miltinho Vieira e Daniel Sarafian foram prejudicados.

Mesmo tendo desafiado Jon Jones e citado Jesus em mais um de seus discursos chatos, para um bom entendedor, a vontade de Vitor pode ter criado a luta certa depois do T.U.F América, que traz a luta em abril de Jones contra Sonnen. Independentemente do resultado, Vitor vs Sonnen e Hector vs Bisping, se acontecerem, darão uma bela folga a Anderson Silva, que segue sem adversário e nada em mares tranquilos há anos.

O medo de perder

17 outubro, 2012 às 16:00  |  por Gustavo Kipper

(Foto: Reprodução/veja.abril.com.br)

Jon Jones já afirmou que hoje ele e Anderson Silva têm tudo, mas se os dois lutarem, ao final um dos dois não terá nada.  Além disso, o americano acredita que Anderson seja como uma espécie de referência, ou até mesmo um mentor.

Anderson Silva não perde desde 2006 e hoje está com 37 anos de idade. Embora repita com frequência que lutará por mais cinco ou seis anos, não parece querer mudar de peso, muito menos enfrentar lutadores com alto poder de periculosidade. Suas últimas lutas ele venceu com extrema facilidade, contribuindo muito para a formação do mito. Já afirmou que nunca enfrentaria Jon Jones.

Os principais articuladores do UFC, assim como o público do mundo todo, enxergam nessa luta o maior combate de todas as lutas e esportes de contato do século XXI. Não apenas pelas receitas e números que o evento impulsionaria, mas pela dúvida que quase nos atormenta em saber quem é o melhor. Quem seria o vencedor.

Tanto no boxe como nas origens do vale- tudo e MMA, o objeto de desejo era saber qual o estilo e lutador era o melhor. Os atletas compraram essa premissa da família Gracie, que desde os anos 20 vem travando desafios de quem ou qual arte era a melhor. Royce Gracie venceu as primeiras edições do UFC enfrentando atletas muito maiores e mais pesados, mas por acreditar em sua arte e técnica, venceu todos seus oponentes, chegando a fazer quatro lutas em uma só noite.

O MMA que vemos hoje é muito mais organizado, tanto na estrutura quanto na definição de regras, pesos e ranking. O atleta se profissionalizou e pode viver bem e investir em sua carreira. Os lutadores modernos não precisam mais fazer várias lutas em uma noite para saírem vencedores. Os combates foram direcionados como no boxe, dando oportunidade ao atleta de estudar seu adversário e se preparar corretamente.

Questiono se todo esse aparato de proteção, além da cultura de enxergar os atletas como marcas e personalidades, não tirou do lutador a vontade de provar que é o melhor, ainda mais quando certo combate é indiscutivelmente desejado pelo mundo todo – além de questionar a superioridade de um atleta ou outro. Décadas atrás esse desejo seria concretizado facilmente pelos lutadores que estão sob os holofotes.

Foi assim que a família Gracie conquistou respeito, enfrentando oponentes não importando o tamanho ou o nome. Respeito o temor de Jones e Anderson Silva em terem seus egos diminuídos ou sua qualidade questionada.
Mas sabemos que ambos se assemelham, sendo pequena a diferença de tamanho. Ambos temem um ao outro, mas talvez o dinheiro compre esse temor. Resta saber quanto custa.