Mesmo com a criação do ranking oficial, muitos combates ainda serão marcados pelo apelo que a luta proporciona pelos fãs, além é claro da venda dos pay- per- views que fazem a roda girar. Fico imaginando que um dos empregos mais legais do mundo seja o do matchmaker do evento, Joe Silva, responsável por planejar quem lutará com quem. Embora o ranking seja uma boa referência, a imaginação de um combate com toda sua complexidade e confronto de estilos faz qualquer um imaginar como seria se…?
Pensei um pouco e imaginei 20 confrontos que ao menos eu gostaria de ver na tela. Não posso considerar eventos já marcados. Apenas possíveis confrontos.
Anderson Silva vs Jon Jones (luta em peso combinado de 88 kg)
Anderson Silva vs Georges St Pierre (luta em peso combinado de 80 kg)
José Aldo vs Ben Henderson (luta em peso combinado de 68 kg)
Wanderlei Silva vs Chael Sonnen (meio- pesado)
Júnior Cigano vs Cain Velásquez III (peso- pesado)
Renan Barão vs Dominik Cruz (peso- galo)
Rodrigo Minotauro vs Fedor Emelianenko 4 (peso- pesado)
Maurício Shogun vs Gerard Mousasi (meio- pesado)
Lyoto Machida vs Alexander Gustafsson (meio- pesado)
Um dos fatores mais importantes em uma luta é a guerra psicológica. As provocações, discussões e encaradas, apesar de serem parte do jogo promocional, fazem parte de algo maior. É a guerra mental que se inicia com a marcação da luta, até o possível abraço final de respeito após o fim do combate. A última demonstração clara de que a guerra psicológica faz parte do jogo, e é usada por todos os lutadores, foi na aguardada luta entre Georges St Pierre e Nick Diaz. Assim como Chael Sonnen e Anderson Silva, a pressão durou anos até ter seu desfecho. Do caso de Pierre e Diaz um abraço e um erguendo a mão do outro demonstraram claramente que aquela guerra acabou. O próprio campeão canadense admitiu na coletiva que nunca havia passado por uma guerra psicológica tão intensa e quem acompanha sabe o esforço mental que Georges fez para não sair dos trilhos. Se não fosse quem é, teria sucumbido.
O meu herói Mike Tyson era mestre. Suas táticas eram brutas, toscas e simples. As mais animais, primitivas e funcionais que o boxe já viu. Além dos nocautes, os segundos antes da luta faziam toda a diferença. Sem tirar o mérito de Ali, que também fazia os oponentes mudarem de cor, as encaradas de Mike Tyson antes do gongo inicial já lhe davam metade da luta. Era o famoso olhar fixo como o de um leão antes de atacar sua presa. Dava medo até em nós que víamos pela televisão. Do outro lado, o pobre adversário com olhos de quem caminha para a cadeira elétrica ou para a câmara de gás já deixava escapar o odor do medo, que nós humanos também podemos sentir.
Com a ascensão do MMA, muitos atletas conseguiam essa vantagem extracampo do seu próprio jeito. Wanderlei Silva pela violência e intimidação, Fedor Emelianenko pela frieza russa, Anderson Silva pela imprevisibilidade, Jon Jones pelo tamanho e golpes cruéis – mas sempre algo que acompanha suas carreiras.
O The Ultimate Fighter América chegou à fase semifinal, e com ela, grandes descobertas e ótimos lutadores. Mas um em específico chamou a atenção dos fãs, e principalmente de Dana White, que disse nunca ter visto nada parecido em sua longa carreira. Uriah Hall simplesmente devastou seus oponentes com nocautes tão brutais que os espectadores não tiveram coragem sequer de bater palmas. Ambulâncias, médicos, dor e choque foram à tônica de seus combates.
Ontem, no programa que foi ao ar nos EUA, o adversário foi nocauteado em menos de trinta segundos comprovando toda a crise de estresse e pavor que Bubba, o atleta do time Jones, sentiu durante a semana sabendo que iria enfrentar o melhor atleta da casa. Crises existenciais, dores fantasmas, depressão, todos os sintomas do pânico acompanharam Bubba durante a semana. Os nocautes avassaladores de Uriah Hall o deram o poder de imputar terror em seus adversários que já entram derrotados, como em muitas lutas que vimos por ai. Como costumava dizer um folclórico treinador de futebol do Brasil: “O medo de perder tira a vontade de ganhar”. Chael soube escolher o possível vencedor do reality americano. E mais: Uriah Hall um dia pode ser campeão do UFC.
Acho que os atletas de hoje, até pela mentalidade de seus formadores, não trabalham esse lado emocional, tão importante como o físico e o técnico. Para ser campeão é preciso dominar essas três classes. Um excelente exemplo é do saudoso mestre Carlson Gracie, formador de lendas como Vitor Belfort. Levado pela filosofia da família Gracie em vencer os desafios que a vida impõe, conseguia transformar seus atletas em lutadores de grande poder mental. Diferentemente da superconfiança, é algo maior, intrínseco aos seus valores da vida.
Ao vencer Wanderlei Silva em 1998, em um nocaute relâmpago, Vitor iniciou uma comemoração extravazada, como a de um garoto ganhando uma campeonato de videogame. Carlson, vendo a cena, tratou de colocar Vitor na linha e mostrar qual o caminho eterno para a guerra mental que aquele garoto ainda travaria a vida toda. Chamou-o e sem pestanejar o repreendeu: “Está comemorando por quê? Você achou que iria perder?”
Um dos nocautes de Uriah Hall na casa
Nocaute de Uriah Hall contra Bubba McDaniel no TUF
Ninguém pode duvidar da capacidade do UFC em gerenciar a marca e principalmente na padronização da alta qualidade nos eventos da franquia, com estrutura e lutas quase sempre impecáveis. Porém, o número de lutadores se multiplicou nos últimos anos. A compra do Strikeforce, a absorção do WEC, a contratação de atletas do Bellator e a importação de promessas, como por exemplo os irmãos Marajó, campeões dos nossos eventos nacionais como Jungle Fight, fizeram inchar a organização de atletas, e mesmo com o visível aumento no número dos eventos, muitos lutadores não têm a menor ideia de qual será o rumo de suas carreiras. Sempre escutamos a frase: “Não escolho adversário, deixo nas mãos do Dana e do Joe Silva”.
Isso se deve ao fato de as lutas serem combinadas, tendo como principal critério a venda do pay per view. Embora as lutas quase sempre façam sentido, quem acompanha ou trabalha diretamente com o evento é impedido de trabalhar com um planejamento mais longo, pois fica à deriva aguardando instruções dos chefões que anunciam os cards sem que haja muita contestação por parte de atletas e fãs. Faltam critérios técnicos e interação com o público, para que sejam marcadas as lutas mais justas e não as mais vendáveis. Falta um ranking oficial do UFC em todas as categorias, para que seja mais transparente a missão da organização de criar campeões.
Já vimos nas principais categorias o campeão se dar ao luxo de negar desafios, embora em alguns casos, pelos motivos citados anteriormente. Por coincidência, Anderson Silva e Jon Jones, à primeira vista, negaram o combate contra o falastrão Chael Sonnen. Ambos por motivos parecidos, mas o principal: os campeões achavam que Sonnen não merecia estar ali, que tinha ganhado a oportunidade com a garganta e vendia pay per view. Esses foram os casos mais recentes de crises entre os campeões e a organização. Tudo isso poderia ser evitado com a criação de um ranking oficial com critérios de pontuação.
Estabelecer critérios e organizar os egos em posições deixaria mais nítidas para os fãs as lutas mais justas e impediria que os campeões travassem a categoria escolhendo as lutas que melhor encaixam no seu perfil vitorioso. Fogem de desafios. Poucos campeões realmente não escolhem adversários. Anderson Silva vem se especializando em enfrentar adversários medíocres, muito abaixo de seu potencial, para poder dar show em lutas fáceis. Realmente só o vi sendo testado duas ou três vezes em todas as defesas de cinturão. Talvez o único que obrigou Anderson a se superar tenha sido Dan Henderson, muitos anos atrás.
A moda agora para evitar a defesa do cinturão são as chamadas superlutas contra adversários da categoria acima. Mas, como Spider não luta contra amigos, parceiros de treino, ex- colegas e qualquer ser vivo que tenha feito um treino junto, eliminam-se as superlutas mais emocionantes como contra os amigos Lyoto Machida, Maurício Shogun, Rogério Minotouro, Glover Teixeira e assim vai. Aí sobram Stephan Bonnar, Forrest Griffin, Cung Le. Sinceramente, superlutas seriam contra os campeões ou ex- campeões, atletas que algum dia já souberam o que era ser o melhor. Até mesmo Vitor Belfort anda se aproveitando do nome para ganhar disputa de cinturão em pesos diferentes, furando literalmente a fila de atletas que há anos vem tentando subir em um ranking que não existe.
Enquanto os critérios subjetivos e financeiros estiverem à frente de um julgamento técnico, veremos lutas armadas que não movimentam a categoria, apenas protegem os campeões e os lucros da televisão.
Não sou muito fã de apostas, mas se meus instintos de apostador estivessem aflorados, com certeza essa seria uma boa luta para começar. Grandes emoções, poucos riscos. Como muitos haviam previsto, Vitor Belfort nocauteou Michael Bisping – ainda no segundo round. Todos sabiam que quanto mais o tempo passasse, mais seria difícil Vitor manter o ritmo e a pressão dos primeiros rounds. Mas o inglês mostrou mais uma vez que quando o adversário é da velha escola, ele grita. Foi assim que Michael Bisping sentiu a força e a experiência de Vitor Belfort e foi nocauteado.
É impressionante como o brasileiro ainda consegue evoluir seu jogo dentro de um esporte cada vez mais competitivo. A sede com que Vitor abraça seus desafios o torna um dos lutadores mais perigosos em todos os pesos. Acredito que tenha sido a primeira vez em que ele consegue o nocaute usando chutes, ainda mais em um adversário com pelo menos sua altura e striker. Surpreendeu a todos não só o chute quanto a atitude do brasileiro, que deixou um pouco a religião de lado e tratou de intimidar o inglês, que já estava assustado pela grandeza de nosso país ainda na pesagem. Michael estava com medo.
Mais que isso, Vítor Belfort venceu Michael Bisping e travou o peso médio quando não desafiou novamente Anderson Silva. Não fez sentido desafiar Jon Jones, campeão da categoria acima, sendo que vem de derrota recente para o mesmo e acabou de vencer nos médios. Com a derrota de Tim Boetsch, a contusão de Chris Weidman e as vitórias de Vitor e Hector Lombard, essa seria a luta certa. Porém, Hector já manifestou interesse na luta contra Bisping e Belfort desafiou indiretamente Chael Sonnen, chamando-o de palhaço.
Dana White, que não esteve presente devido a uma cirurgia, twittou reclamando da atuação de Dan Migliota, o juiz da luta da derrota de Thiago Tavares e do controverso No Contest de Yuri Marajó. Dana White, como muitos, também achou que Migliota demorou a encerrar a a luta e Thiago levou golpes desnecessários. Não sou muito de falar dos juízes, mas dessa vez tanto os árbitros do octógono quanto os árbitros laterais, que julgam as lutas e pontuam, equivocaram-se em várias ocasiões. Não apenas na demora em encerrar as lutas, mas também na decisão equivocada ao dar a vitória a Godofredo Pepey e C.B Dolloway na decisão. Assim, Miltinho Vieira e Daniel Sarafian foram prejudicados.
Mesmo tendo desafiado Jon Jones e citado Jesus em mais um de seus discursos chatos, para um bom entendedor, a vontade de Vitor pode ter criado a luta certa depois do T.U.F América, que traz a luta em abril de Jones contra Sonnen. Independentemente do resultado, Vitor vs Sonnen e Hector vs Bisping, se acontecerem, darão uma bela folga a Anderson Silva, que segue sem adversário e nada em mares tranquilos há anos.
Jon Jones já afirmou que hoje ele e Anderson Silva têm tudo, mas se os dois lutarem, ao final um dos dois não terá nada. Além disso, o americano acredita que Anderson seja como uma espécie de referência, ou até mesmo um mentor.
Anderson Silva não perde desde 2006 e hoje está com 37 anos de idade. Embora repita com frequência que lutará por mais cinco ou seis anos, não parece querer mudar de peso, muito menos enfrentar lutadores com alto poder de periculosidade. Suas últimas lutas ele venceu com extrema facilidade, contribuindo muito para a formação do mito. Já afirmou que nunca enfrentaria Jon Jones.
Os principais articuladores do UFC, assim como o público do mundo todo, enxergam nessa luta o maior combate de todas as lutas e esportes de contato do século XXI. Não apenas pelas receitas e números que o evento impulsionaria, mas pela dúvida que quase nos atormenta em saber quem é o melhor. Quem seria o vencedor.
Tanto no boxe como nas origens do vale- tudo e MMA, o objeto de desejo era saber qual o estilo e lutador era o melhor. Os atletas compraram essa premissa da família Gracie, que desde os anos 20 vem travando desafios de quem ou qual arte era a melhor. Royce Gracie venceu as primeiras edições do UFC enfrentando atletas muito maiores e mais pesados, mas por acreditar em sua arte e técnica, venceu todos seus oponentes, chegando a fazer quatro lutas em uma só noite.
O MMA que vemos hoje é muito mais organizado, tanto na estrutura quanto na definição de regras, pesos e ranking. O atleta se profissionalizou e pode viver bem e investir em sua carreira. Os lutadores modernos não precisam mais fazer várias lutas em uma noite para saírem vencedores. Os combates foram direcionados como no boxe, dando oportunidade ao atleta de estudar seu adversário e se preparar corretamente.
Questiono se todo esse aparato de proteção, além da cultura de enxergar os atletas como marcas e personalidades, não tirou do lutador a vontade de provar que é o melhor, ainda mais quando certo combate é indiscutivelmente desejado pelo mundo todo – além de questionar a superioridade de um atleta ou outro. Décadas atrás esse desejo seria concretizado facilmente pelos lutadores que estão sob os holofotes.
Foi assim que a família Gracie conquistou respeito, enfrentando oponentes não importando o tamanho ou o nome. Respeito o temor de Jones e Anderson Silva em terem seus egos diminuídos ou sua qualidade questionada.
Mas sabemos que ambos se assemelham, sendo pequena a diferença de tamanho. Ambos temem um ao outro, mas talvez o dinheiro compre esse temor. Resta saber quanto custa.
Muita expectativa cercava o UFC Rio 3, que aconteceu neste sábado, na HSBC Arena, Barra da Tijuca. Não só pela participação dos astros Anderson Silva e Rodrigo Minotauro, mas também pela quantidade de brasileiros no card, muitos conhecidos pela participação do reality show The Ultimate Fighter. Diego Brandão, ganhador da edição americana, logo após vencer sua luta, desafiou o vencedor da edição brasileira, Rony Jason. Eles postaram vídeos na internet assinalando que esse pode ser o próximo combate do peso pena, envolvendo os dois cearenses campeões.
Demian Maia mais uma vez mostrou que sua mudança de categoria foi a melhor estratégia que sua carreira já viu desde sua mudança do jiu-jitsu para o MMA. Lutando nos meio-médios, venceu o americano Rick Story com facilidade, por finalização, e continua avançando no ranking. Se continuar assim, deverá ganhar mais uma chance de conquistar o cinturão, já que em seu antigo peso Anderson Silva reina.
Wagner Caldeirão não repetiu o bom início de combate contra Phil Davis, quando teve seu olho golpeado, obrigando a remarcação do combate. Mesmo lutando fora de casa, Phil Davis dessa vez preferiu não arriscar e usou de forma precisa seu wrestling, derrubando, dominando e finalizando sem maiores problemas.
Muita expectativa também em torno do prodígio brasileiro Erick Silva, que tinha pela frente seu maior desafio, fugir do carrapato John Fitch, um dos tops da categoria e conhecido por seu jogo chato, porém competitivo. Em uma luta movimentada em que ambos tiveram a chance de finalizar, o resultado veio por pontos a favor do americano, que venceu com dificuldades. Por ser muito novo e talentoso, Erick deverá voltar mais forte, embora tenha caído algumas posições no caminho ao cinturão.
Embora não tenha sido escolhida como a luta da noite, Glover Teixeira e Fábio Maldonado protagonizaram uma batalha épica. Glover começou com tudo e iniciou um castigo a Maldonado que poucos seres vivos poderiam suportar. O poder de aguentar o castigo fez com que Glover não acreditasse no que estava vendo, e mesmo com a luta interrompida pelo árbitro, Glover fez questão de levantar o braço do oponente com a frase “ele não é humano”. Mesmo com a derrota, Fabio Maldonado ganhou muito prestígio pela raça, determinação e resistência. Já Glover nada de braçadas rumo à tão sonhada luta contra Jon Jones.
Rodrigo Minotauro entrou com a missão de mostrar ao mundo que estava recuperado da terrível lesão no braço direito. Porém, com a falação do americano, que tentou minimizar as técnicas do jiu-jitsu, alegando que jamais havia sido finalizado, a missão passou a ser outra. No melhor estilo Gracie, a vitória seria muito mais gloriosa se fosse por desistência e finalização. Como um herói exemplar, não deu outra. Após castigar Dave Herman com seu boxe afiado, aproveitou a queda do americano para montar e partir para a chave de braço, melhor ajustada quando o americano tentou um rolamento para escapar. Desesperado, bateu três vezes fazendo a arena explodir como se fosse um gol da seleção de futebol. Lavou mais uma vez nossa alma.
Um parágrafo sempre será pouco para tentar explicar o que fez novamente Anderson Silva. Vou resumir dizendo que pudemos mais uma vez presenciar a história. A glória. Um show do melhor de todos os tempos. Posso dizer que para quem gosta de MMA ou qualquer tipo de luta, são indescritíveis a superioridade e a habilidade com que Anderson guia seus combates. Em mais uma exibição de gala, ele entrou definitivamente no ramo da genialidade.
Quando achávamos que já tínhamos visto tudo, o brasileiro mostrou por que dificilmente será superado na arte de lutar. É o humano que leva a sério o conceito de misturar e combinar todas as artes marciais. É o mais próximo que pude ver da perfeição. Acho que Anderson subiu muito alto e nenhum adversário que não seja Jon Jones nos interessa mais. Vida longa ao campeão.
Muita expectativa foi criada em torno do combate entre Vitor Belfort e o americano Jon Jones. Depois do cancelamento da edição 151, muitos acreditavam que Vitor poderia ser o cara certo para a missão impossível: bater um campeão no auge de sua forma física, técnica e mental.
Além dos treinamentos com atletas que já lutaram e treinaram com Jones, Vitor fez uma grande campanha e atraiu grande parte dos fãs, que passaram a torcer por sua vitória. Mas apesar dos treinos puxados e da torcida a seu favor, ele não conseguiu fazer seu jogo e foi finalizado no quarto round. O que saiu errado é difícil dizer. É mais fácil analisar os acertos do campeão do que os erros de Vitor, mas é inevitável não questionar a postura do brasileiro, que em diversos momentos puxou o rival para sua guarda, facilitando que as cotoveladas e outros golpes entrassem, causando prejuízo físico.
Apesar de ter quase finalizado Jones no primeiro round, e realmente faltou pouco, Belfort não se movimentou e foi presa fácil. Jones usou com muita precisão seus chutes, que diversas vezes acertaram Vitor, inclusive o derrubando quando acertou a costela. A envergadura absurda do campeão fez novamente a diferença. Vitor foi cansando e o campeão acertava com precisão golpes e mais golpes, até derrubar novamente o brasileiro. Jogando por cima Jones pode ainda ser mais perigoso. Finalizou a luta com perfeição no quarto round. Foi com esse desempenho que Jones recuperou seu respeito e provou que nesse peso é imbatível.
Agora é esperar qual será o próximo desafiante. Talvez até seja o falastrão Chael Sonnen, mas quem quer que seja quase não terá chances. Só mesmo um peso pesado como Júnior dos Santos ou Alistair Overrem para parar Jones. Se continuar nessa categoria fará igual a Anderson Silva. Será uma lenda. Invencível.
Mesmo com o tumultuado adiamento da edição 151 e do envolvimento de muitos lutadores que não puderam participar, a luta deste sábado pode causar espanto em muitos americanos, mas não em nós, brasileiros. Quem conhece o jogo de Belfort sabe que suas mãos são uma das mais rápidas e pesadas de todo o esporte. Já o vimos nocautear grandes nomes e, depois de sua derrota para Anderson Silva, voltou mais preparado e com muito menos brechas em seu jogo. Faixa preta de Carlson Gracie, no solo também pode surpreender se cair por cima. Suas chances podem ser avaliadas usando como termômetro as bolsas de apostas.
O campeão Jon Jones tem características completamente diferentes das de Vitor, mas não muito diferentes das de Anderson Silva. É uma que Vitor pode usar como experiência. Palavra que pode ser o caminho para uma vitória improvável. Creio que o primeiro passo para ganhar seja quebrar a confiança de Jones, como fez Lyoto no primeiro round contra ele. É uma luta que também pode ser usada, pois mostra como o campeão reagiria em caso de estar levando desvantagem na trocação em pé. Certamente usará sua envergadura, wrestling e cotovelos, nessa ordem, para castigar Vitor e terminar o combate. Por isso Vitor, que está no Canadá, deve estar com a defesa de quedas em dia para não ser surpreendido.
Muitos também acreditam que a única forma de acertar Jones é encurtando a distância e usar os socos rápidos em linha reta, ponto forte do brasileiro. Fato é que, se a mão esquerda entrar no rosto do campeão, veremos se realmente sabe apanhar como bate. Para ser campeão, tem que aguentar pancada, ter resistência. Os dois aparentam estar em grande forma e Belfort já está no peso ideal. Nesta luta pode acontecer de tudo. Apesar do favoritismo de Jones, o confronto de gerações e estilos acaba por ser intrigante.
UFC 152
22 de setembro de 2012, em Toronto, Canadá
CARD PRINCIPAL
Jon Jones x Vitor Belfort
Joseph Benavidez x Demetrious Johnson
Michael Bisping x Brian Stann
Matt Hamill x Roger Hollett
Cub Swanson x Charles do Bronx CARD PRELIMINAR
Igor Pokrajac x Vinny Magalhães
T.J. Grant x Evan Dunham
Sean Pierson x Lance Benoist
Jimy Hettes x Marcus Brimage
Seth Baczynski x Simeon Thoresen
Mitch Gagnon x Walel Watson
Kyle Noke x Charlie Brenneman
O canal combate exibe o UFC 152 sábado à partir das 20:00 hs.
As superlutas, normalmente entre lutadores de categorias diferentes, em pesos combinados, não são corriqueiras no UFC. Foram grandes lutas, mas não foram muitas. Isso porque normalmente lutadores de categorias de peso diferentes possuem estrutura corporal limitada, tendo a envergadura, altura e peso como fatores diferenciais positivos. Alguns lutadores conseguem lutar em mais de uma categoria por ter uma genética e formação óssea e muscular privilegiadas, caso do nosso campeão Anderson Silva. Além é claro de técnicas para desidratação para chegar na balança no peso combinado. Algumas categorias permitem essa transição com maior facilidade, caso dos pesos penas 66 quilos e leves 70 quilos. Fato que facilitou a ida do ex- campeão dos pesos leves Frankie Edgar para os penas e desafiar José Aldo.
Anderson já fez uma superluta nos meio pesados contra Forrest Griffin e ganhou a luta com extrema facilidade. Griffin é um atleta enorme, mas Anderson mede quase 1,90 m e pesa normalmente quase 100 quilos quando não está em preparação. Anderson também já lutou nos meio médios no início de carreira e poderia lutar até entre os pesados se quisesse. O campeão dos meio pesados Jon Jones já demonstrou interesse em realizar superlutas com pesos pesados, mas a ideia foi afastada por Dana White até 2014.
Porém, ultimamente uma grande superluta está sendo cogitada e sem dúvida será feita para quebrar todos os recordes de público e pay per view da história do esporte. O Cowboys Stadium no Texas comporta mais de 100 mil expectadores e é um dos possíveis palcos dessa superluta , que pelo menos de minha parte, é vantajosa para o brasileiro e um péssimo negócio para o canadense. St Pierre não luta há mais de um ano e fará a disputa dos meio médios contra Carlos Condit no fim desse ano. Mesmo que perca a luta e o cinturão, nada afeta os planos para a superluta contra spider. Possivelmente no peso combinado de 80 quilos.
O problema é que Georges St Pierre, um dos melhores pesos por peso do mundo mede apenas 1,78 e quando não esta treinando pesa no máximo 84 quilos. Embora tenha apenas duas derroras, a diferença de altura, peso e envergadura dão uma vantagem astronômica ao spider, exímio defensor de quedas, ponto forte do canadense. Uma luta dessas, mesmo que em um peso combinado de 80 kg, seria uma covardia, mesmo que financeiramente para o canadense seja absurdamente vantajoso, levando em consideração que após essa lesão, não terá mais muitos anos de carreira. Seria um monólogo. Acho que Anderson pelo campeão que é deveria mirar alvos mais altos como Jon Jones, por exemplo, assim como Jones deveria mirar Júnior dos Santos. Isso que faz o esporte evoluir, o desafio, a possibilidade de superlutas não apenas no nome, mas também na sua concepção.
O extinto evento japonês PRIDE era conhecido por ter proporcionado as maiores superlutas da história do MMA moderno, e há exatos 10 anos, nosso Rocky Balboa brasileiro, Rodrigo Minotauro lutava contra o gigante Bob Sapp, que na pesagem oficial registrou 171 quilos. O primeiro round durava 10 minutos e era muito mais brutal. Para muitos foi a maior luta de MMA de todos os tempos e mostra a garra de um dos maiores guerreiros desse esporte.
Gustavo Kipper nasceu em Curitiba e além de publicitário é praticante de artes marciais, já tendo lutado Judô, Karatê e Jiu-Jítsu.
Fã e analista de lutas em geral e MMA, está sempre em busca das notícias que vão definir os rumos do esporte no Brasil e no mundo.