Arquivos da categoria: José Aldo

O futuro de José Aldo

27 outubro, 2014 às 14:08  |  por Gustavo Kipper

Quem ficou acordado até a madrugada de domingo foi premiado com a melhor luta do ano, e, sem dúvida, a melhor já disputada entre os pesos-pena (até 66.2 kg).

José Aldo soube aproveitar a torcida toda a seu favor e impôs seu jogo. Como o Flamengo em uma final no antigo Maracanã, como em seus sonhos de torcedor. Poucas vezes a luta foi para o solo, e quando foi, quicava rapidamente e se punha em pé com facilidade. Restou a Chad jogar no terreno de Aldo, um terreno cheio de dor e violência. Mesmo com bons golpes e outros ilegais, Chad feriu o brasileiro, que parecia não se incomodar muito, salvo pelo olho esquerdo bastante machucado. Mas, a cada golpe do americano, várias respostas do campeão, inclusive com knock-down, no fim do primeiro round.

Chad sentiu a pressão de lutar com, talvez, o melhor atleta peso por peso do mundo. Um atleta completo que não perde há quase dez anos. Ser competitivo não bastou para o americano, que, mesmo com um excelente desempenho, voltou para casa com sua segunda derrota na carreira, para o mesmo rival. Chad volta para a fila, embora deva enfrentar um atleta top 5. Uma luta contra Frank Edgar seria fantástica.

José Aldo, por sua vez, limpou a categoria. Mesmo com muitos holofotes em Conor McGregor, e a quase certeza da realização da luta, caso Conor vença Denis Siver, nos faz relaxar, tendo em vista que Mendez é muito superior ao irlandês. Seria uma luta fácil para o brasileiro, sem sombra de dúvida, a maior promoção e a maior bolsa que já recebeu. Há rumores de que Dana White queira fazer na Irlanda. “Easy Money”!

Só existe uma ameaça para o reinado de Aldo no UFC, já que em sua categoria não tem adversários. Subir de peso ou fazer uma luta em um peso combinado, contra o campeão dos pesos-leves, o americano Anthony Pettis. Será seu maior desafio. Muito mais difícil inclusive que Chad Mendes, que já foi uma guerra. Com a dificuldade extrema de sempre bater o peso, poderia ser a chance de entrar mais forte e buscar outro cinturão de outra categoria. Só duas pessoas conseguiram o feito: Vitor Belfort e Randy Couture.

Acredito que José Aldo tenha, mais uma vez, provado que não é um campeão qualquer. Pode suportar a pressão mais extrema, pode levar golpes, pode ter todo um país em suas costas que sempre retorna vitorioso. Com tantos cinturões indo embora, foi um alento e esperança àqueles que acreditam que o talento pode superar as dificuldades externas. José Aldo agora deve planejar sua carreira. Está valorizado e precisa conseguir contratos melhores. É merecedor tanto das glórias quanto das bolsas recheadas, pagas a atletas com menos talento, mas com a boca maior. Precisa sim melhorar sua postura como produto, mas nunca entrando no mercado das provocações desrespeitosas para vender combates.

Está no ar

21 outubro, 2014 às 16:19  |  por Gustavo Kipper

Está no ar o vídeo do Countdown to UFC 179. Sábado (25), no Rio de Janeiro, José Aldo defende uma invencibilidade de quase dez anos no MMA, além é claro do seu precioso cinturão dos pesos-penas. É o único que restou para o Brasil.

Sem dúvida, Chad Mendes é outro atleta, comparado àquele que foi derrotado há dois anos e meio. José Aldo vai ter que lutar muito se quiser manter seu cinturão. O Brasil e seus lutadores têm acompanhando os cinturões indo embora para os americanos. Com a rivalidade acirrada entre a equipe Nova União e a Alpha Male, a luta tem ingredientes para uma verdadeira guerra.

É impressionante perceber como os americanos, especialmente os lutadores da Alpha Male Team, evoluíram na parte física e estratégias de luta. Com uma estrutura de treinamentos invejável e profissionais do mais alto gabarito, em diferentes áreas, eles estão elevando a categoria a patamares olímpicos. Se ainda podem melhorar na parte técnica, veremos. Mas o camping de treinamento parece assustador e a dificuldade que Chad trará a Aldo, desta vez, é incomparável.

Não podemos nos esquecer de que Aldo é o campeão. Suas armas são pesadas e em cima do octógono costuma crescer. Mas temo que seu auge já tenha passado, não creio que tenha evoluído tanto, até porque já alcançou algo próximo à perfeição. Em contraponto, Mendes é ainda muito novo, e sua evolução é nítida. Esse sim pode estar no auge. Torçamos para que eu esteja enganado. José Aldo tem que traçar uma estratégia perfeita para tentar anular a velocidade absurda de Chad. Além, é claro, de machucar o americano a todo instante.

Outro brasileiro em ação é Glover Teixeira, que tentará apagar a imagem da surra que levou de Jon Jones. Espera vencer bem o americano Phil Davis, famoso pelo excelente wrestling e jogo amarrado. Já frustrou antes Lyoto Machida, derrotado na decisão. Glover deverá partir pra cima e buscar o nocaute, já que ainda pensa em ser um dia o campeão da categoria dos meio-pesados.

UFC 179
25 de outubro de 2014, no Rio de Janeiro (RJ)
CARD PRINCIPAL
Peso-pena: José Aldo x Chad Mendes
Peso-meio-pesado: Glover Teixeira x Phil Davis
Peso-meio-pesado: Fábio Maldonado x Hans Stringer
Peso-pena: Darren Elkins x Lucas Mineiro
Peso-leve: Diego Ferreira x Beneil Dariush
CARD PRELIMINAR
Peso-meio-médio: William Patolino x Neil Magny
Peso-leve: Yan Cabral x Naoyuki Kotani
Peso-mosca: Wilson Reis x Scott Jorgensen
Peso-pena: Felipe Sertanejo x Andre Fili
Peso-leve: Gilbert Durinho x Christos Giagos
Peso-leve: Fabrício Morango x Tony Martin

 Assista ao vídeo: Countdown to UFC 179

 

 

 

 

 

 

UFC: ranking e próximos eventos

31 março, 2014 às 11:36  |  por Gustavo Kipper

Abril será agitado.  Serão quatro eventos com uma disputa por cinturão. Destaque para a volta de Rodrigo Minotauro e o title shot de Glover Teixeira.

11/04 – Fight Night: Rodrigo Minotauro vs Roy Nelson
16/04 – Fight Night: Michael Bisping vs Tim Kennedy
19/04 – Fight Night: Fabrício Werdum vs Travis Browne
26/04 – UFC 172: Jon Jones vs Glover Teixeira

Ranking peso por peso UFC
1 – Jon Jones
2 – Jose Aldo
3 – Renan Barão
4 – Cain Velasquez
5 – Demetrious Johnson
6 – Chris Weidman
7 – Anderson Silva
8 – Anthony Pettis
9 – Johny Hendricks
10 – Ronda Rousey
11 – Vitor Belfort
12 – Benson Henderson
13 – Gilbert Melendez
14 – Alexander Gustafsson
15 – Urijah Faber

Noite decisiva para nossos últimos campeões

31 janeiro, 2014 às 09:49  |  por Gustavo Kipper
UFC 169

UFC 169

Quando subirem no octógono sábado à noite, José Aldo e Renan Barão irão carregar em seus ombros os últimos cinturões que nos restaram. Fomos acostumados a dominar o esporte desde os primórdios. Das lutas de vale-tudo de antigamente, quando Hélio Gracie e Carlos Gracie desafiaram os campeões japoneses do judô, quando Royce atropelou os americanos e europeus com nossa arma secreta, quando a Chute Boxe e a American Top Team protagonizaram uma rivalidade única no Pride, tornando-se campeões, sabíamos que tínhamos sido feitos para aquilo.

O tempo foi passando e, como diria o “pofexô” Wanderlei Luxemburgo, não existe mais bobo no MMA. Os muitos “Joões” que enfrentavam nossos campeões aos poucos foram se transformando em atletas completos, dominaram a arte suave, trouxeram o boxe e o wrestrling de níveis olímpicos e o esporte finalmente virou o que é hoje. Uma disputa palmo a palmo para quem domina a arte. E hoje, os americanos nos dominam. Em partes.

O Brasil já conquistou quase todos os cinturões do UFC. Já em um formato mais moderno, Vitor Belfort ganhou os pesados e meio-pesados, Anderson Silva os médios, Lyoto Machida e Maurício Shogun os meio-pesados, Minotauro e Júnior Cigano os pesados, José Aldo os penas e Renan Barão o peso-galo. John Lineker, se ajustar seu problema em perder peso, é o possível desafiante dos moscas. Enfrenta o fenômeno russo Ali Bagautinov. Além, é claro, de Vitor, que pode fazer história e se tornar o primeiro ser vivo a conquistar três cinturões em categorias diferentes de peso.

Fato mesmo é que hoje só nos sobraram dois campeões. O que torna tudo mais emocionante é que os dois são como irmãos, treinados pelo paizão Dedé Pederneiras, chefe da equipe Nova União, considerada por muitos a melhor do planeta. José Aldo e Renan Barão não sabem o que é a derrota há muitos anos. A última derrota de José Aldo foi em 2005, no Jungle Fight. De lá pra cá foram 16 vitórias consecutivas, sendo duas defesas de cinturão pelo extinto WEC e cinco pelo UFC. Renan Barão perdeu apenas em sua estreia, em 2005. Acumula a impressionante marca de 32 lutas sem derrotas, sendo 31 vitórias e uma luta sem resultado. No UFC, tornou-se campeão indiscutível com a nova lesão de Dominick Cruz.

Sábado os dois carregarão uma nação nos ombros e em ano de Copa do Mundo temos que mostrar quem manda. Sem aquele patriotismo exacerbado, do qual não sou muito fã, dessa vez é diferente. Precisamos segurar os últimos cinturões que nos restaram e torcer para que, até fim do ano, mais um ou dois volte pra nossas mãos. Os treinamentos de Aldo e Barão já são intensos por natureza, com os dois se enfrentando todos os dias. Não podemos esquecer que lá também tem Dudu Dantas, campeão dos penas do Bellator. Então sai faísca todo dia. Mas pra encorpar ainda mais as dificuldades, a Nova União trouxe também as lenda BJ Penn e Acelino Popó Freitas, o nosso campeão mundial de boxe. Faixas pretas em jiu-jitsu e muay- thai, José Aldo e Renan agora desenvolvem a exaustão suas técnicas no boxe. Seus treinadores enxergam neles pugilistas natos, o que os torna muito completos. Por isso são os campeões.

José Aldo só conhece seu adversário por vídeos. Não muito adepto da autopromoção, Ricardo Lamas teve seus movimentos e técnicas destrinchadas para traçar a estratégia perfeita. Creio que com o nível de intensidade do combate, não passe do quarto round, com um nocaute do brasileiro, que costuma diminuir o ritmo nos rounds finais. Por isso é bom não deixar nas mãos dos juízes. Renan Barão já conhece bem seu adversário. Ele já derrotou Urijah Faber e sabe bem as falhas do californiano, que, apesar da experiência e ótima fase, não tem ferramentas para surpreender Barão. Mas o americano é muito esperto, então acho difícil ser nocauteado. Mais provável que Barão domine todos os rounds e leve a luta por decisão unânime.

Além disso, ainda temos o choque dos pesos pesados Frank Mir e Alistair Overeem. Os dois vêm de derrotas e precisam mostrar que ainda têm lenha pra queimar. Acho que veremos um belo nocaute de Overeem, que já foi campeão do K-1 e do Strikeforce. Esse é um dos eventos imperdíveis que acontecem no UFC. Ao contrário das mornas edições do Fight Night, o UFC 169 vai entrar para história. Seja ela de glória ou pesadelo.

Vídeos: Countdown to UFC 169.

CARD COMPLETO:

UFC 169
Newark, Estados Unidos
Sábado, 1º de fevereiro de 2014.

Card Principal
Renan Barão x Urijah Faber
José Aldo x Ricardo Lamas
Frank Mir x Alistair Overeem
John Lineker x Ali Bagautinov
Jamie Varner x Abel Trujillo

Card Preliminar
John Makdessi x Alan Nuguette
Chris Cariaso x Kyoji Horiguch
Nick Catone x Tom Watson
Al Iaquinta x Kevin Lee
Clint Hester x Andy Enz
Tony Martin x Rashid Magomedov
Neil Magny x Gasan Umalatov

E evento começa às 21:30.

 

 

 

O que esperar do MMA para o início de 2014.

6 janeiro, 2014 às 17:16  |  por Gustavo Kipper

Ano passado não foi um bom ano para o MMA brasileiro. Como muitos já sabiam o número 13 nunca foi confiável. Foi um ano de contusões, derrotas e novos campeões. Infelizmente nenhum brasileiro. Júnior Cigano não recuperou o cinturão de Cain Velásquez e Anderson também não venceu sua revanche, terminando o ano de forma melancólica. Restaram-nos Aldo e Barão, além de uma esperança chamada Vitor.

O que esperar do MMA para o início de 2014.

Não fosse à complacência de Dana White em relação ao tempo de afastamento de Dominick Cruz, Renan Barão poderia ser o campeão dos galos. Mas, em fevereiro, os dois poderão resolver de fato quem é o campeão indiscutível. O único campeão oficial do Brasil é José Aldo, que coloca mais uma vez seu cinturão em jogo no mesmo evento que Cruz vs Barão. O UFC 169 de 1º de fevereiro, além de imperdível, é crucial para a manutenção dos cinturões que sobraram. Outra luta de peso é o combate entre Alistair Overeem e Frank Mir. Os dois vêm de derrota.

José Aldo vs Ricardo Lamas

José Aldo é muito favorito. Particularmente não consigo imaginar ninguém nos pesos-penas capaz de ameaçar o reinado do brasileiro. O resultado mais provável é um nocaute até o terceiro round. Se vencer, Aldo deve começar a pensar em conquistar o título dos leves, derrotando quem quer que seja. Ele tem técnica e potência para dominar também a categoria de cima, nem que para isso precise deixar vago seu cinturão dos penas. É a hora de dar um passo maior.

Dominick Cruz vs Renan Barão

Enfim poderemos ver a unificação do título dos galos. Há quase dois anos sem lutar, creio que o ritmo de Barão fará a diferença. Apesar da movimentação de Cruz ser muito efetiva, em uma luta de cinco rounds, sem muito ritmo seu gás pode acabar. É uma das lutas mais aguardadas no ano. Será uma noite de vitórias para o Brasil e para a equipe Nova União.

Chris Weidman vs Vitor Belfort

Mesmo com a polêmica do uso de tratamento de reposição de testosterona (TRT) pelo brasileiro, a luta em Las Vegas é a melhor maneira de Vitor provar que seus últimos grandes resultados são fruto de sua competência e não da testosterona. Afinal, hormônios não sabem chutar. Agora mais campeão do que nunca, a confiança de Weidman, assim como a de Vitor, parece não ter limites. Weidman tem tudo a perder e o brasileiro, tudo a ganhar. Se vencer, será o primeiro lutador da história a ser campeão em três categorias de pesos diferentes dentro do UFC. O fenômeno será mais vitorioso do que nunca. Será uma batalha, embora ache que Weidman leve vantagem por ser maior e melhor no clinch e nas quedas. Mas a velocidade e explosão de Vitor, principalmente nos primeiros rounds, podem colocar o americano na panela de pressão.

Lyoto Machida vs Gerard Mousasi

Após a brilhante estreia nos médios com vitória sobre Mark Muñoz, Lyoto enfrenta agora o ex-campeão do Strikeforce o armênio Gerard Mousasi. Dois strikers de ponta. Será uma batalha entre o karatê e o kick-boxing. O jogo dos dois promete trazer um grande desfecho – um nocaute é esperado. A luta acontece no UFC Jaraguá, dia 15 de fevereiro. Quem vencer pode estar a apenas mais uma vitória da disputa pelo título. Sempre lembrando que Ronaldo Jacaré é outro grande candidato e luta no UFC Jaraguá 2 contra o francês Francis Carmont, outro top 10 da categoria.

Ronda Rousey vs Sarah McMann

Enfim a campeã dos galos do UFC vai enfrentar um desafio à altura. Outra atleta e medalhista olímpica. A wrestler Sarah McMann talvez seja a única atleta empregada pelo UFC a poder derrotar Ronda. É também a primeira atleta americana a conquistar uma medalha olímpica no wrestling. A luta será em Las Vegas, dia 22 de fevereiro. Será que Ronda vai conseguir aplicar novamente aqueles ippons? Após dominar Miesha Tate novamente e conquistar mais uma vitória com chave de braço, Ronda mostrou que na luta agarrada é quase imbatível. Impressionante como conseguiu trazer sua habilidade de judoca para o MMA.

Jon Jones vs Glover Teixeira

Glover Teixeira venceu todos seus adversários até chegar ao campeão Jon Jones. É merecedor da chance ao título e, além de grande pessoa, é um lutador completo e muito perigoso. Mas será o bastante para destronar Jones? O campeão americano dos meio-pesados enfrentou adversários muito complicados, a começar por sua última batalha contra Alexander Gustafsson. Isso faz Glover parecer menos ameaçador. Sua envergadura pode fazer diferença mais uma vez, tendo em vista que talvez Jones não queira trocar muitos golpes em pé com o brasileiro. Vai buscar a queda e as traumáticas cotoveladas. Não estou muito otimista. O combate será no UFC 172, ainda sem local e data definidos.

Johny Hendrics vs Robbie Lawler

Após a controversa vitória de GSP sobre Hendrics e sua aposentadoria por tempo indeterminado, o UFC foi obrigado a casar os dois principais candidatos a ocupar o lugar do ex-campeão canadense. O UFC 171, que acontece dia 15 de março, em Dallas, Texas (EUA), vai trazer finalmente um novo campeão para os meio-médios. Acredito no favoritismo de Hendrics, que está mais preparado para o lugar de campeão. Já vem em ritmo forte de treinos e é muito rápido e explosivo para a categoria. Deve vencer sem precisar da decisão dos juízes.

Wanderlei Silva vs Chael Sonnen

As gravações do The Ultimate Fighter Brasil 3 começam agora em janeiro, mas a rivalidade entre os dois vem desde o vídeo – em que Wanderlei aparece enquadrando o americano – que circulou na internet. Na época, Wanderlei dizia a Sonnen que falar mal dos irmãos Nogueira e do Brasil era perigoso. Após o episódio, Sonnen tornou-se ainda mais polêmico e falastrão devido aos confrontos contra Anderson Silva e Jon Jones. Tornou-se parte da marca UFC e já tem lugar garantido entre os comentaristas do evento. Já Wanderlei tenta provar que ainda tem condições que dar grandes espetáculos e vencer o programa e sua luta. O confronto promete muita ação e dificilmente chegará ao final sem um nocaute ou uma finalização.

UFC 163: vitórias, derrotas, polêmicas e contusões

6 agosto, 2013 às 12:10  |  por Gustavo Kipper

O UFC 163, no Rio de Janeiro, sábado, não foi só de alegrias. Mas, com a vitória do campeão dos penas, o brasileiro José Aldo, o saldo acabou positivo. Definitivamente, não foi uma edição empolgante, com muitos atletas sofrendo contusões durante os combates, o que atrapalhou seu desempenho. Entre os feridos, José Aldo, que quebrou o pé logo no primeiro chute. Perdeu sua principal arma, mudou sua estratégia, mas não diminuiu sua motivação. Aldo continuou agredindo e sua luta contra o zumbi coreano foi boa, apesar da lesão. Sem perder a pressão e andando pra frente, machucou o coreano, que acabou deslocando o ombro. Aldo não perdeu a chance de finalizar a luta e venceu por nocaute técnico. Dessa vez não pode ir pra galera, sendo contido pelos seguranças. Agora só perde pra Anderson Silva em defesas de cinturão. Se somar mais três vitórias, será também o maior recordista.

Serginho Moraes foi outro brasileiro que se destacou, com uma linda finalização. Da mesma maneira, Cesar Mutante também venceu rapidamente seu combate, mostrando que os participantes do “The Ultimate Fighter Brasil” são melhores que os americanos. Principalmente no chão. Amanda Nunes, a primeira brasileira a vencer uma luta no UFC, também não passou despercebida e venceu bem a alemã, pra delírio do povo.

Mais uma vez os árbitros não escaparam da polêmica. Na luta entre Lyoto Machida e Phil Davis, todos os três árbitros deram vitória por unanimidade para o americano. Ao fim da luta, muitas vaias da torcida e o depoimento do brasileiro, ainda em cima do octógono, que afirmou não entender as regras do UFC. Dana White, nas redes sociais, também afirmou ter visto vitória do brasileiro e ressaltou que essa é uma consequência negativa de deixar a luta nas mãos dos juízes. Fato é que a recusa em aceitar a luta com pouco tempo de preparação, contra Jon Jones, fez com que o UFC dificultasse sua vida para uma nova chance de cinturão, quando escalou o sueco Alexander Gustafsson para enfrentar Jones.

Mas, conforme o tempo passou, as reclamações deram lugar às críticas. Lyoto não lutou bem. Foi burocrático e seu jogo de sempre esperar o contra-ataque foi muito chato de assistir. Sabemos como as coisas funcionam e realmente Davis estava com mais vontade, mesmo que os números tenham dado a vitória para o brasileiro. Foi um castigo merecido. Machida precisa recuperar sua agressividade e não pode mais ficar esperando o oponente errar. Quando o nível de competição aumenta, os lutadores erram menos, e se tem um cara no MMA que erra pouco é Phil Davis. Ainda acho que Davis precise passar por mais um desafio antes de desafiar Jones. Talvez uma revanche contra seu algoz Rashad Evans ou contra o vencedor de Shogun vs Chael Sonnen possa ser o passaporte para o sonhado cinturão.  Mas, para Lyoto, o caminho será mais longo. Se não vencer as próximas três lutas com convicção, não creio mais que chegue ao topo dessa divisão. Quem sabe não teremos Lyoto nos médios?

Dessa vez ficou claro que o público não compareceu com a mesma intensidade que em edições anteriores. Com a Copa de 2014, o UFC vai passar o mais longe possível do evento. Sem dúvida, precisam reavaliar as estratégias para que as arenas voltem a encher. Em breve teremos uma edição em BH e, ainda por ser novidade por lá, deverá ter bom público. Nas próximas edições, se os cards não forem incrementados, tendem a perder público. Enquanto isso, viva José Aldo. E viva Cesar Cielo, tricampeão mundial de natação. Orgulhos nacionais.

(mmabrasil.com.br)

UFC 163 no Rio. Aldo e Lyoto lideram time de brasileiros

2 agosto, 2013 às 17:53  |  por Gustavo Kipper

José “scarface” Aldo vs Zumbi Coreano

A mudança de adversário na luta de José Aldo nesse sábado não diminuiu a dificuldade do desafio. Escalado para defender seu cinturão dos penas contra Anthony Pettis, viu seus planos alterados com a lesão do desafiante, mas, seu treinador, Dedé Pederneiras, acredita que o desafio lhe posto está à mesma altura do anterior. Estamos falando de Chan Sung (13-3), 26 anos, o zumbi coreano, que chega ao Rio de Janeiro para tentar arrancar a hegemonia do brasileiro. No UFC nunca perdeu. O apelido zumbi surgiu nos treinos. Sua característica de aguentar muitos golpes e continuar andando para frente lhe rendeu um ótimo apelido está entre melhores da categoria.

Mesmo com um grande desafio pela frente, José Aldo fez uma preparação exemplar e promete uma trocação ainda mais afiada que conhecemos. Para seu treinamento trouxe nada menos que o campão do K-1, o holandês Andy Souwer, que permitiu que ambos realizassem o que chamaram de treino dos sonhos. Será uma grande luta, mas aposto minhas fichas no brasileiro que deverá manter seu cinturão.

Lyoto vs Phil Davis

ão é a primeira vez que o brasileiro Lyoto Machida enfrenta um wrestler de nível mundial. Em todas as vezes levou grande vantagem, sendo surpreendido apenas contra o campeão, Jon Jones. Phill Davis é um lutador classe A, com ótimo jogo de chão e luta olímpica, mas sua trocação nem se compara a do brasileiro. Se Lyoto seguir a tática que usou contra Randy Couture e Rashad Evans deverá vencer por pontos, ou, quem sabe, um nocaute técnico, fato muito difícil de acontecer, pois Davis é um superdesafiante.

Lyoto quer provar que merece uma nova chance pelo cinturão dos meio- pesados. Após a recusa em lutar em cima da hora contra Jones, foi colocado na geladeira e precisou trilhar um novo caminho. Porém, se vencer Davis, possivelmente será o próximo desafiante, esperando a definição entre o combate de Jones contra o sueco Gustaffson em setembro. Assim como em Aldo, também aposto minhas fichas em todos os brasileiros que lutarão no UFC 163, no Rio de Janeiro.

FC 163 (UFC Rio 4)

3 de agosto de 2013, no Rio de Janeiro

CARD PRINCIPAL

José Aldo x Chan Sung Jung

Lyoto Machida x Phil Davis

Cezar Mutante x Thiago Marreta

Thales Leites x Tom Watson

John Lineker x José Maria No Chance

CARD PRELIMINAR

Vinny Magalhães x Anthony Perosh

Amanda Nunes x Sheila Gaff

Serginho Moraes x Neil Magny

Ian McCall x Iliarde Santos

Rani Yahya x Josh Clopton

Ednaldo Lula x Francimar Bodão

Viscardi Andrade x Bristol Marunde

O canal Combat transmite com exclusividade o evento integral à partir das 18:30 desse sábado.

 

 

 

 

 

Calendário movimentado e boas lutas

12 junho, 2013 às 15:46  |  por Gustavo Kipper

As finais do The Ultimate Fight Brasil foram disputadas no último sábado, em Fortaleza, Ceará. Além de um ótimo público, quem assistiu o evento vai se lembrar de muitas vitórias brasileiras, principalmente com finalizações sensacionais,mostrando que o jiu-jitsu ainda está em alta no MMA.

Mas nem só da arte suave vive o esporte, por isso a vitória de Thiago Silva por nocaute talvez tenha sido o ápice de um evento que prometia e cumpriu. A vitória de Fabrício Werdum sobre Rodrigo Minotauro deixou a maioria da mídia especializada sem reação, especialmente porque havia certa torcida para Minotauro, especialmente por tudo que já fez, mas achei um pouco exagerada a tristeza estampada nos comentaristas do Canal Combat, mais tristes pela derrota do amigo do que felizes pela vitória do outro brasileiro, que, de fato, representa um possível title shot. Se Minotauro vencesse, não mudaria muita coisa nos pesos- pesados, só atrapalhando a caminhada de um atleta que está próximo de seu objetivo. Como Minotauro é amigo de Júnior Cigano, ser campeão não é mais seu objetivo. Ele não tem mais nada a provar.

O segundo semestre promete movimentar várias categorias com muitas lutas decisivas.

Confira a programação dos próximos eventos do UFC:

UFC 151
15 de junho de 2013
Winnipeg (CAN)
CARD PRINCIPAL
Rashad Evans x Dan Henderson
Roy Nelson x Stipe Miocic
Ryan Jimmo x Igor Pokrajac
Alexis Davis x Rosi Sexton
Pat Barry x Shawn Jordan
CARD PRELIMINAR
Jake Shields x Tyron Woodley
Sam Stout x James Krause
Sean Pierson x Kenny Robertson
Roland Delorme x Edwin Figueroa
Mitch Clarke x John Maguire
Yves Jabouin x Dustin Pague

UFC 162
6 de julho de 2013, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL
Anderson Silva x Chris Weidman
Frankie Edgar x Charles Do Bronx
Tim Keneddy x Roger Gracie
Chan Sung Jung x Ricardo Lamas
Cub Swanson x Dennis Siver
CARD PRELIMINAR
Mark Muñoz x Tim Boetsch
Chris Leben x Andrew Craig
Norman Parke x Kazuki Tokudome
Edson Barboza x Rafaello Trator
Gabriel Napão x Dave Herman
Seth Baczynski x Brian Melancon
Mike Pearce x David Mitchel

UFC: Johnson x Moraga
27 de julho de 2013, em Seattle (EUA)
CARD DO EVENTO
Demetrious Johnson x John Moraga
Rory MacDonald x Jake Ellenberger
Robbie Lawler x Siyar Bahadurzada
Liz Carmouche x Jessica Andrade
Michael Chiesa x Jorge Masvidal
Bobby Green x Danny Castillo
Mac Danzig x Melvin Guillard
Brendan Schaub x Matt Mitrione
Yves Edwards x Spencer Fisher
Julie Kedzie x Germaine de Randamie
Ed Herman x Trevor Smith
Aaron Riley x Justin Salas
John Albert x Yaotzin Meza

UFC 163 (UFC Rio 4)
3 de agosto de 2013, no Rio de Janeiro
CARD DO EVENTO
José Aldo x Anthony Pettis
Lyoto Machida x Phil Davis
Demian Maia x Josh Koscheck
Clint Hester x Cezar Mutante
Vinny Magalhães x Anthony Perosh
Amanda Nunes x Sheila Gaff
Serginho Moraes x Neil Magny
Thales Leites x Tom Watson
Rani Yahia x Josh Clopton
Robert Drysdale x Ednaldo Lula
Ian McCall x Iliarde Santos
John Lineker x Phil Harris
Viscardi Andrade x Bristol Marunde

UFC: Shogun x Sonnen
17 de agosto de 2013, em Boston (EUA)
CARD PRINCIPAL
Mauricio Shogun x Chael Sonnen
Alistair Overeem x Travis Browne
Urijah Faber x Iuri Marajó
Matt Brown x Thiago Pitbull
Uriah Hall x Nick Ring
Joe Lauzon x Michael Johnson
CARD PRELIMINAR
Brad Pickett x Michael McDonald
Mike Brown x Akira Corassani
Conor McGregor x Andy Ogle
Diego Brandão x Daniel Pineda
Manny Gamburyan x Cole Miller
Ovince St. Preux x Cody Donovan
Ramsey Nijem x James Vick

UFC: Condit x Kampmann
28 de agosto de 2013, em Indianápolis (EUA)
CARD DO EVENTO
Carlos Condit x Martin Kampmann
Donald Cerrone x Rafael dos Anjos
Kelvin Gastelum x Paulo Thiago
Sara McMann x Sarah Kaufman
Court McGee x Robert Whittaker
Takeya Mizugaki x Erik Perez
Brad Tavares x Bubba McDaniel
Darren Elkins x Hatsu Hioki
James Head x Bobby Volker
Justin Edwards x Brandon Thatch

UFC 164
31 de agosto de 2013, em Milwaukee (EUA)
CARD DO EVENTO
Ben Henderson x TJ Grant
Josh Barnett x Frank Mir
Chad Mendes x Clay Guida
Diego Sanchez x adversário a ser divulgado *
Ben Rothwell x Brandon Vera
Dustin Poirier x Erik Koch
Soa Palelei x Nikita Krylov
Chico Camus x Kyung Ho Kang
Louis Gaudinot x Tim Elliott

UFC
4 de setembro de 2013, em local a ser divulgado.

UFC 165
21 de setembro de 2013, em Toronto (CAN).

UFC
14 de dezembro de 2013, em local a ser divulgado.

UFC
21 de dezembro de 2013, em local a ser divulgado.

 

 

 

Joe Silva por um dia

11 abril, 2013 às 13:38  |  por Gustavo Kipper

Mesmo com a criação do ranking oficial, muitos combates ainda serão marcados pelo apelo que a luta proporciona pelos fãs, além é claro da venda dos pay- per- views que fazem a roda girar. Fico imaginando que um dos empregos mais legais do mundo seja o do matchmaker do evento, Joe Silva, responsável por planejar quem lutará com quem. Embora o ranking seja uma boa referência, a imaginação de um combate com toda sua complexidade e confronto de estilos faz qualquer um imaginar como seria se…?

Pensei um pouco e imaginei 20 confrontos que ao menos eu gostaria de ver na tela. Não posso considerar eventos já marcados. Apenas possíveis confrontos.

  1. Anderson Silva vs Jon Jones (luta em peso combinado de 88 kg)
  2. Anderson Silva vs Georges St Pierre (luta em peso combinado de 80 kg)
  3. José Aldo vs Ben Henderson (luta em peso combinado de 68 kg)
  4. Wanderlei Silva vs Chael Sonnen (meio- pesado)
  5. Júnior Cigano vs Cain Velásquez III (peso- pesado)
  6. Renan Barão vs Dominik Cruz (peso- galo)
  7. Rodrigo Minotauro vs Fedor Emelianenko 4 (peso- pesado)
  8. Maurício Shogun vs Gerard Mousasi (meio- pesado)
  9. Lyoto Machida vs Alexander Gustafsson (meio- pesado)
  10. Michael Bisping vs Hector Lombard (peso- médio)
  11. Frank Edgar vs Chad Mendez (peso- pena)
  12. Vitor Belfort vs Wanderlei Silva (meio- pesado)
  13. Ronaldo Jacaré vs Roger Gracie (peso- médio)
  14. Ronda Rousey vs Chris Cyborg (peso- galo)
  15. Rogério Minotouro vs Dan Henderson (meio- pesado)
  16. Nate Diaz vs Anthony Pettis (peso- leve)
  17. Nick Diaz vs Rory McDonald (meio- médios)
  18. Rodrigo Minotauro vs Frank Mir 3 (peso-pesado)
  19. Maurício Shogun vs Glover Teixeira  (meio-pesado)
  20. Júnior dos Santos vs Jon Jones (peso- pesado)

Goleada brasileira pode reeditar o clássico Shogun vs Minotouro

5 fevereiro, 2013 às 10:52  |  por Gustavo Kipper
Susumu Nagao's Photograph

Shogun vs Minotouro (PRIDE)

Quatro Brasileiros lideraram nesse sábado uma goleada contra os atletas americanos no UFC 156, em Las Vegas. O único revés brasileiro foi de Gleison Tibau, que perdeu para o americano Evan Dunhan nos pesos-leves. Mas no card principal os brasileiros sobraram. Não foi nem de perto o final que Dana White gostaria que acontecesse.

Demian Maia mostrou que o jiu-jitsu pode dominar o wrestling se usado da forma correta. Ele e John Fitch são lutadores do mais alto nível em suas especialidades, mas o brasileiro fez o que o americano costuma fazer em quase todas suas lutas. Frustrar seus adversários. Foi exatamente o que Demian fez, dominando os três rounds com facilidade, só não conseguindo finalizar pelo alto nível técnico do adversário.

Rogério Minotouro surpreendeu muito gringo que achava que Rashad Evans venceria o duelo. Ao contrário. Rogério dominou o centro do octógono e usou seu boxe muito superior para obter vantagem, e as defesas de queda bem treinadas não deram quase nenhuma chance ao americano. Rogério venceu por decisão unânime e frustra os planos do UFC de uma superluta de Rashad contra Anderson Silva ou até mesmo a tão sonhada revanche contra Jon Jones. Minotouro posiciona-se como um dos tops da categoria e sem dúvida terá uma grande luta pela frente. Quem sabe uma revanche contra Maurício Shogun ou o sueco Alexander Gustafsson, que tem uma luta duríssima contra o ex- campeão do Strikeforce Gerard Mousasi. Seria fantástico.

Antônio Pezão foi “o cara” da edição 156 do Ultimate Fighter. Se o falatório do gigante holandês, que sem as “bombas” nem estava tão grande assim foi combustível para o paraibano, os dois primeiros rounds não foram como planejado. Aí sobra a sempre esperada opção de ir pra cima e é tudo ou nada. Mas o tudo ou nada virou tudo quando Pezão iniciou combinações violentas que vazaram a guarda do holandês, que acusou um upper cut e desligou ainda em pé. Sobrou tempo de encaixar mais combinações que levaram à lona o falastrão. Mais que missão cumprida, Pezão arrancou seu respeito no soco. Nocaute da noite!

Não poderia finalizar esse review sem dizer que José Aldo Júnior é um monstro. Sua forma física, aliada a sua técnica perfeita, o torna o quarto lutador peso por peso do mundo, à frente inclusive do campeão do peso de cima, Ben Henderson. José Aldo dominou os cinco rounds, mesmo que algum juiz senil ainda tenha dado algum round para o americano. Aldo foi a fúria. Socos. Chutes cruéis, joelhadas. Pobre Edgar, nem teve chance. Inclusive por seu tamanho, deveria descer para os pesos-moscas, porque com o Renan Barão dominando os galos, também não tem chances.

Foi um sábado de glórias para o MMA brasileiro. Mostramos que podemos ir à casa deles e vencê-los, mesmo contra a torcida da organização por resultados que levem a lutas que faturam mais. Parabéns aos vencedores que honraram nosso país com sangue e suor. Esse UFC entrou pra história. Vida longa aos atletas brasileiros.