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Qual o limite das provocações?

7 abril, 2015 às 12:10  |  por Gustavo Kipper

A provocação para vender lutas não é nenhuma novidade. Nem no boxe, nem no MMA. Muhammad Ali era mestre nisso. Porém, mesmo com toda a bravata e língua afiada, era engraçado. Era sagaz. Era um gênio.

Até mesmo no cinema, na saga de Rocky Balboa, Apollo Creed era o falastrão. O campeão que sabia como ninguém vender combates e provocar seus oponentes. Em Rocky IV, no auge da guerra fria, usou suas palavras contra o russo Ivan Drago. Seria morto em combate. Morreu literalmente pela boca.

Outros lutadores ao longo da história das artes marciais revelaram sua irreverência, como Roy Jones Jr. e Anderson Silva. Atletas com postura não ortodoxa, mas que mexia na mente de seus oponentes com movimentos que obrigam qualquer um a tomar uma atitude. Forçavam o erro.

No MMA, Chael Sonnen inaugurou o estilo de falar para chegar mais rápido nas grandes lutas. Ao contrário de lendas, que falavam, mas faziam, Sonnen passou a lutar apenas com a língua, frustrando muita gente que merecia estar em seu lugar, mas foi deixada de lado pelo business das vendas de pay per view.

Conor McGregor é o novo discípulo de Chael Sonnen. Embora reconheça que ambos sejam divertidos, e de certa forma talentosos, nunca realmente foram ou são grande coisa. Apenas são bons vendedores de combates. Tanto é que Chael, depois que proibiram o T.R.T, foi direto comentar na televisão.

Conor McGregor tem vencido suas lutas de forma contundente. Claramente é um peso-leve disfarçado de peso-pena. É maior e mais forte que a maioria de seus recentes oponentes. Chega a pesar 80 kg fora do período de treinos.Mas ainda não foi realmente testado. Não enfrentou nenhum lutador top 5 da categoria e agora foi premiado com um title shot.

A turnê de promoção da luta, que acontece dia 11 de julho, em Las Vegas, vem gerando muita repercussão. O nível de provocação e desrespeito por parte do irlandês nos faz questionar até que ponto o circo do MMA pode chegar para vender o combate?

O UFC já afirmou que nunca gastou tanto para promover uma luta. O próprio José Aldo reconhece que as provocações fazem parte do jogo, e parece estar vacinado contra as investidas de McGregor, que já chegou a “roubar” o cinturão do campeão durante a coletiva em Dublin. Pior, em um programa de entrevistas, Conor Chegou a tocar a nuca do brasileiro, que quase partiu pra cima de McGregor.

Em visita a Irlanda, Dana White deixou uma plateia completamente bêbada fazer perguntas a Aldo. Muitos inclusive falando palavrões, gritando e ofendendo o brasileiro de todas as maneiras. Aldo parecia frio, mas por dentro era nítido que por ele a luta poderia começar ali mesmo.

A briga entre Jon Jones e Daniel Cormier foi péssima para a imagem da organização e dos lutadores. Mas o comportamento que o UFC obriga os lutadores a ter deixa qualquer ser humano no limite. Ainda mais lutadores acostumados com o confronto. Que não se gostam.

Acho que ânimos exaltados, provocações e falação fazem parte. Mas Conor McGregor passou dos limites e mostrou ser um cara extremamente mal educado. Uma vitória de José Aldo seria excelente para o esporte. Talvez nem tanto para o UFC, que já tem sem novo queridinho. Uma vitória de Aldo é uma vitória do respeito, da educação e do povo brasileiro.

O peso morto

6 abril, 2015 às 11:53  |  por Gustavo Kipper

A vitória tranquila de Chad Mendes sobre Ricardo Lamas, no último sábado, mostrou novamente por que a chegada de Conor McGregor é tão importante para a divisão dos penas, e, por isso, o irlandês está sendo bem remunerado.

Mendes e Lamas se enfrentaram pela primeira vez. A luta não durou muito. Chad mostrou que, depois de Aldo, é o melhor da divisão. Mendes e Lamas já perderam para o campeão, Mendes duas vezes inclusive. Mas para o americano, vitorioso no sábado, a única luta que faz sentido seria uma terceira luta contra o campeão José Aldo.

Mendes desconsidera a vitória de McGregor sobre Aldo. Acredita que o brasileiro vencerá facilmente. De qualquer maneira, em caso de vitória de Aldo, dificilmente ganhará outra oportunidade tão cedo. Nem em caso de vitória de McGregor, tendo em vista que uma revanche imediata possivelmente seja oferecida a Aldo, em caso de derrota.

Do outro lado, uma grande luta irá acontecer dia 16 de maio. Frankie Edgar enfrenta Urijah Faber, em uma luta que pode definir o possível desafiante de Chad Mendes. Em caso de vitória de Edgar, uma luta contra Mendes seria explosiva, e o vitorioso teria grande chance de ganhar o title shot. Porém, caso Faber vença, acho pouco provável que os companheiros de equipe se enfrentem e Chad Mendes ficará em uma situação complicada. Um bom caminho para Mendes seria a vitória de José Aldo. Assim poderia desafiar Conor McGregor, levar um bom dinheiro e, quem sabe, ter uma terceira chance.

O caminho de Frankie Edgar, ex-campeão dos pesos-leves, me parece mais complicado. Tem que derrotar os dois atletas da Alpha Male na sequencia. Se vencer Faber e Mendes, sem dúvida terá sua segunda chance contra Aldo.

Infelizmente todo o desenho de possíveis combates gira em torno de três ou quatro lutadores. Aldo já venceu todos e McGregor será seu último grande desafio. Se vencer, creio que será difícil perder nos próximos anos. O único com chances é Chad Mendes, que ainda precisa ser mais testado.

É um peso morto. Uma categoria em que as emoções só aparecem quando Aldo e Mendes se encontram, ou quando Conor McGregor fala bastante. A coletiva de imprensa na Irlanda mostrou que vale tudo para promover  uma luta. Inclusive deixar uma plateia bêbada pegar o microfone e ofender o campeão sem pudor.

Para o UFC, a vitória de McGregor seria a salvação. Mas para o esporte a vitória só comprovaria a teoria de que Aldo é uma lenda ainda não reconhecida. E que vai dominar a divisão até se aposentar.

 

Quem quer dinheiro?

30 março, 2015 às 14:32  |  por Gustavo Kipper

A turnê de promoção da luta entre o campeão José Aldo e o falastrão Conor McGregor parece ter elevado um pouco o patamar de divulgação de outras disputas. É claro que o personagem de McGregor é um vendedor nato, mas a sequência de eventos e materiais audiovisuais deixa claro que o investimento aumentou consideravelmente.

Porém, uma questão levantada por um jornalista canadense deixou Dana White furioso. Quando o jornalista perguntou a Aldo sobre a bolsa dos atletas, White se irritou e mandou o repórter calar a boca. Na mesma semana, Wanderlei Silva começou uma campanha pelo Twitter para que o UFC o libere de seu contrato, tendo em vista que se diz aposentado. Mais que isso, ha alguns meses vem tentando expor a relação do UFC e os lutadores, a quem considera escravos da organização.

Por que a pergunta teria irritado tanto Dana White? Antes devemos olhar a história da relação do UFC com suas estrelas: Wanderlei Silva, Tito Ortiz, Quinton Jackson, Randy Couture, entre outros, já manifestaram em público seus descontentamentos a respeito da contrapartida financeira dada pelo UFC. A ideia de que o UFC não valoriza seus campeões é velha. Mas o que devemos nos concentrar não é apenas na bolsa dos atletas, e sim, a visibilidade que a organização oferece.

José Aldo sabe disso. Apesar de ainda não ganhar o que acredita ser o justo, Aldo sabe que se estivesse em outra franquia, certamente não teria a mesma visibilidade que tem hoje. Inclusive percebeu, ao lado de sua equipe, que aquela atitude respeitosa, de quem treinou jiu-jítsu, não dá dinheiro e não vende luta. Quer ganhar mais, tem que vender mais pay per view.

O atleta tem que botar na cabeça que se quiser ganhar aquilo que acha justo, tem que ficar maior que a própria organização. Tem que virar uma lenda esportiva para poder exigir algo. É evidente que em países em desenvolvimento como o Brasil, as bolsas são uma vergonha. Existem atletas lutando por duzentos reais e isso tem que melhorar.

Porém estamos falando do nível elite. De atletas de ponta, que caso não estejam satisfeitos, podem procurar abrigo em outros eventos como o Bellator ou o WSOF que não pagam mal. A diferença está na visibilidade. Na promoção. Poucos nomes conseguiram ficar maior que a marca e hoje lucram com isso. Royce Gracie, Anderson Silva e Georges St Pierre, além de Jon Jones, são os únicos que ficaram maiores que o UFC.

Não ser uma lenda obriga que seja um trabalhador. Que conquiste seu espaço e o lucro virá. Comparado ao boxe e suas bolsas estratosféricas o MMA sempre estará atrás. E certamente o UFC poderia valorizar mais seus lutadores, tendo em vista que é uma organização bilionária. Mas ainda é para 95% dos lutadores um sonho, uma maneira de melhorar a vida e um objetivo diário para ir para a academia treinar.

Veja os videos promocionais da luta entre:  Aldo vs McGregor

 

 

Os campeões do fim de semana e o bobo da corte

19 janeiro, 2015 às 14:21  |  por Gustavo Kipper

O ano realmente começou. Patrício Pitbull fez sua primeira defesa de cinturão no Bellator. No boxe, Deontay Wilder é o primeiro americano campeão mundial dos pesos-pesados em 10 anos e Conor McGregor mostrou que é um showman.

Patrício Pitbull

O combate foi marcado por muitos golpes irregulares dos dois atletas, porém Pitbull foi o mais prejudicado. No combo da maldade teve dedo nos olhos, golpe baixo e cabeçada. A primeira defesa de cinturão de Patrício Pitbull foi mais difícil que a luta do título contra Pat Curran, vencida com certa facilidade. Daniel Strauss veio com tudo pra cima do brasileiro, que teve o supercílio cortado com um direto de esquerda, em uma área já afetada por uma cabeçada não intencional de Strauss.

Patrício já havia vencido Strauss há quatro anos. Para o americano, além do cinturão, valia a chance de vingar a primeira derrota. Superior na trocação até o quarto round, Strauss deu brechas, e mesmo sendo um wrestler nível A, foi finalizado pelo brasileiro com um mata-leão, após uma Kimura frustrada por parte do americano.

Logo após a vitória, Patrício Pitbull já conhecia seu próximo adversário. O russo-armênio Georgi Karakhanyan também venceu seu combate e é o próximo desafiante dos pesos-penas do Bellator. Patrício vai precisar de uns meses para se recuperar. Seu supercílio direito vai levar alguns pontos, porém o brasileiro mostrou por que é o campeão.

Deontay Wilder

O peso-pesado americano Deontay Wilder era o desafiante ao cinturão do Conselho Mundial de Boxe (WBC), que pertencia ao haitiano, naturalizado canadense, Bermane Stiverne. Desde que Vitali Klitschko se aposentou e vagou o cinturão, muitos lutadores viram a oportunidade de conquistar o cobiçado green belt. Stiverne havia conquistado derrotando Chris Arreola no ano passado, e fazia assim sua primeira defesa do cinturão.

Deontay Wilder, com 2m de altura, vinha de 32 vitórias, todas por nocaute. Definitivamente era seu primeiro grande desafio, tendo em vista que seus combates raramente passavam do quarto round. Para o campeão, Wilder também significava uma grande ameaça. A altura do desafiante representava uma enorme desvantagem.

Mesmo impondo um ritmo muito forte, dominando os jabs e pontuando, Deontay Wilder não conseguiu vencer rapidamente, como muita gente esperava, e o campeão equilibrou o combate. Mostrou porque era o campeão. Mas a juventude e altura de Wilder lhe davam muita vantagem e ele pontuou, vencendo a maioria absoluta dos rounds. Deontay Wilder é agora o novo campeão mundial dos pesos-pesados pelo WBC.

O notório

O irlandês mostrou na noite de ontem (19) o porquê de ser uma das maiores promessas do showbiz a que pertence o UFC. Não apenas por sua técnica, mas por seu jeito de promover e vender seu personagem, que realmente parece autêntico, se não tivesse sido antes representado por Chael Sonnen e o WWE. Conseguir unir uma excelente promoção com vitórias é a fórmula perfeita para conseguir title shots e ficar milionário.

Embora seu adversário não tenha posado como grande ameaça, a vitória contundente permitiu que Conor fizesse o que mais sabe. Falar e causar euforia na plateia que agora aguarda ansiosa um confronto contra o campeão José Aldo, que pareceu ter se divertido bastante. Após a vitória, Conor pulou a grade que foi provocar o brasileiro, que deu um largo sorriso ao lado de seu treinador, Dedé Pederneiras, que também esboçou certa diversão. Pela primeira vez Aldo entendeu que apenas lutar sem criar um ambiente de show e espetáculo não vai lhe render tanto. Aldo entrou na onda de McGregor e sabe que pode se beneficiar com isso.

Com uma disputa pelo cinturão dos pesos-penas próxima de ser agendada para Las Vegas, Aldo espera colocar a mão em um bom dinheiro, sem ter que enfrentar em teoria nenhumatleta top 5. Porém, quem acha que a luta vai ser fácil, pode esquecer. Conor McGregor é um atleta grande para sua categoria e é mentalmente muito forte. Só resta saber se, contra o campeão, vai conseguir fazer o que costuma.

O domínio de Frank Edgar

23 novembro, 2014 às 17:08  |  por Gustavo Kipper

Na batalha para definir o possível adversário do brasileiro José Aldo, Frank Edgar dominou os cinco rounds contra Cun Swanson e conseguiu uma finalização nos últimos momentos do combate.

Com a vitória, Edgar ultrapassa Swanson no ranking dos pesos-penas e passa a ser o número #2, atrás apenas de Chad Mendes, recentemente derrotado pela segunda vez por José Aldo. A dúvida é se o UFC vai dar nova chance a Edgar, também já derrotado pelo brasileiro no title shot. Acho que uma luta entre Chad Mendes e Frank Edgar seria fantástica, mas Edgar pode estar a um passo de assinar a revanche.

O único empecilho para Edgar se chama Conor McGregor. A mais nova sensação do UFC vem incendiando a categoria com vitórias convincentes. Embora ainda não tenha enfrentado um atleta top 5, Conor tem luta marcada contra o alemão Denis Siver. Se vencer também deverá desafiar José Aldo.

Do ponto de vista dos negócios, uma luta entre Aldo x McGregor na Irlanda poderia ser absurdamente lucrativa. Além é claro da mega promoção que poderia ser feita. Aldo vs Edgar não seria novidade. Não venderia tanto. Mas do ponto de vista do ranking da categoria, Edgar estaria credenciado a desafiar Aldo novamente, com justiça. Até porque Aldo já venceu todo mundo e está dando outra volta.

Vamos aguardar os próximos capítulos. Porém, não me surpreenderia se Conor furasse a fila, como Chael Sonnen fez tantas vezes. Nos dias de hoje, ter a língua afiada faz tanta diferença quanto o boxe ou o jiu-jitsu.

O futuro de José Aldo

27 outubro, 2014 às 14:08  |  por Gustavo Kipper

Quem ficou acordado até a madrugada de domingo foi premiado com a melhor luta do ano, e, sem dúvida, a melhor já disputada entre os pesos-pena (até 66.2 kg).

José Aldo soube aproveitar a torcida toda a seu favor e impôs seu jogo. Como o Flamengo em uma final no antigo Maracanã, como em seus sonhos de torcedor. Poucas vezes a luta foi para o solo, e quando foi, quicava rapidamente e se punha em pé com facilidade. Restou a Chad jogar no terreno de Aldo, um terreno cheio de dor e violência. Mesmo com bons golpes e outros ilegais, Chad feriu o brasileiro, que parecia não se incomodar muito, salvo pelo olho esquerdo bastante machucado. Mas, a cada golpe do americano, várias respostas do campeão, inclusive com knock-down, no fim do primeiro round.

Chad sentiu a pressão de lutar com, talvez, o melhor atleta peso por peso do mundo. Um atleta completo que não perde há quase dez anos. Ser competitivo não bastou para o americano, que, mesmo com um excelente desempenho, voltou para casa com sua segunda derrota na carreira, para o mesmo rival. Chad volta para a fila, embora deva enfrentar um atleta top 5. Uma luta contra Frank Edgar seria fantástica.

José Aldo, por sua vez, limpou a categoria. Mesmo com muitos holofotes em Conor McGregor, e a quase certeza da realização da luta, caso Conor vença Denis Siver, nos faz relaxar, tendo em vista que Mendez é muito superior ao irlandês. Seria uma luta fácil para o brasileiro, sem sombra de dúvida, a maior promoção e a maior bolsa que já recebeu. Há rumores de que Dana White queira fazer na Irlanda. “Easy Money”!

Só existe uma ameaça para o reinado de Aldo no UFC, já que em sua categoria não tem adversários. Subir de peso ou fazer uma luta em um peso combinado, contra o campeão dos pesos-leves, o americano Anthony Pettis. Será seu maior desafio. Muito mais difícil inclusive que Chad Mendes, que já foi uma guerra. Com a dificuldade extrema de sempre bater o peso, poderia ser a chance de entrar mais forte e buscar outro cinturão de outra categoria. Só duas pessoas conseguiram o feito: Vitor Belfort e Randy Couture.

Acredito que José Aldo tenha, mais uma vez, provado que não é um campeão qualquer. Pode suportar a pressão mais extrema, pode levar golpes, pode ter todo um país em suas costas que sempre retorna vitorioso. Com tantos cinturões indo embora, foi um alento e esperança àqueles que acreditam que o talento pode superar as dificuldades externas. José Aldo agora deve planejar sua carreira. Está valorizado e precisa conseguir contratos melhores. É merecedor tanto das glórias quanto das bolsas recheadas, pagas a atletas com menos talento, mas com a boca maior. Precisa sim melhorar sua postura como produto, mas nunca entrando no mercado das provocações desrespeitosas para vender combates.

Está no ar

21 outubro, 2014 às 16:19  |  por Gustavo Kipper

Está no ar o vídeo do Countdown to UFC 179. Sábado (25), no Rio de Janeiro, José Aldo defende uma invencibilidade de quase dez anos no MMA, além é claro do seu precioso cinturão dos pesos-penas. É o único que restou para o Brasil.

Sem dúvida, Chad Mendes é outro atleta, comparado àquele que foi derrotado há dois anos e meio. José Aldo vai ter que lutar muito se quiser manter seu cinturão. O Brasil e seus lutadores têm acompanhando os cinturões indo embora para os americanos. Com a rivalidade acirrada entre a equipe Nova União e a Alpha Male, a luta tem ingredientes para uma verdadeira guerra.

É impressionante perceber como os americanos, especialmente os lutadores da Alpha Male Team, evoluíram na parte física e estratégias de luta. Com uma estrutura de treinamentos invejável e profissionais do mais alto gabarito, em diferentes áreas, eles estão elevando a categoria a patamares olímpicos. Se ainda podem melhorar na parte técnica, veremos. Mas o camping de treinamento parece assustador e a dificuldade que Chad trará a Aldo, desta vez, é incomparável.

Não podemos nos esquecer de que Aldo é o campeão. Suas armas são pesadas e em cima do octógono costuma crescer. Mas temo que seu auge já tenha passado, não creio que tenha evoluído tanto, até porque já alcançou algo próximo à perfeição. Em contraponto, Mendes é ainda muito novo, e sua evolução é nítida. Esse sim pode estar no auge. Torçamos para que eu esteja enganado. José Aldo tem que traçar uma estratégia perfeita para tentar anular a velocidade absurda de Chad. Além, é claro, de machucar o americano a todo instante.

Outro brasileiro em ação é Glover Teixeira, que tentará apagar a imagem da surra que levou de Jon Jones. Espera vencer bem o americano Phil Davis, famoso pelo excelente wrestling e jogo amarrado. Já frustrou antes Lyoto Machida, derrotado na decisão. Glover deverá partir pra cima e buscar o nocaute, já que ainda pensa em ser um dia o campeão da categoria dos meio-pesados.

UFC 179
25 de outubro de 2014, no Rio de Janeiro (RJ)
CARD PRINCIPAL
Peso-pena: José Aldo x Chad Mendes
Peso-meio-pesado: Glover Teixeira x Phil Davis
Peso-meio-pesado: Fábio Maldonado x Hans Stringer
Peso-pena: Darren Elkins x Lucas Mineiro
Peso-leve: Diego Ferreira x Beneil Dariush
CARD PRELIMINAR
Peso-meio-médio: William Patolino x Neil Magny
Peso-leve: Yan Cabral x Naoyuki Kotani
Peso-mosca: Wilson Reis x Scott Jorgensen
Peso-pena: Felipe Sertanejo x Andre Fili
Peso-leve: Gilbert Durinho x Christos Giagos
Peso-leve: Fabrício Morango x Tony Martin

 Assista ao vídeo: Countdown to UFC 179

 

 

 

 

 

 

UFC: ranking e próximos eventos

31 março, 2014 às 11:36  |  por Gustavo Kipper

Abril será agitado.  Serão quatro eventos com uma disputa por cinturão. Destaque para a volta de Rodrigo Minotauro e o title shot de Glover Teixeira.

11/04 – Fight Night: Rodrigo Minotauro vs Roy Nelson
16/04 – Fight Night: Michael Bisping vs Tim Kennedy
19/04 – Fight Night: Fabrício Werdum vs Travis Browne
26/04 – UFC 172: Jon Jones vs Glover Teixeira

Ranking peso por peso UFC
1 – Jon Jones
2 – Jose Aldo
3 – Renan Barão
4 – Cain Velasquez
5 – Demetrious Johnson
6 – Chris Weidman
7 – Anderson Silva
8 – Anthony Pettis
9 – Johny Hendricks
10 – Ronda Rousey
11 – Vitor Belfort
12 – Benson Henderson
13 – Gilbert Melendez
14 – Alexander Gustafsson
15 – Urijah Faber

Noite decisiva para nossos últimos campeões

31 janeiro, 2014 às 09:49  |  por Gustavo Kipper
UFC 169

UFC 169

Quando subirem no octógono sábado à noite, José Aldo e Renan Barão irão carregar em seus ombros os últimos cinturões que nos restaram. Fomos acostumados a dominar o esporte desde os primórdios. Das lutas de vale-tudo de antigamente, quando Hélio Gracie e Carlos Gracie desafiaram os campeões japoneses do judô, quando Royce atropelou os americanos e europeus com nossa arma secreta, quando a Chute Boxe e a American Top Team protagonizaram uma rivalidade única no Pride, tornando-se campeões, sabíamos que tínhamos sido feitos para aquilo.

O tempo foi passando e, como diria o “pofexô” Wanderlei Luxemburgo, não existe mais bobo no MMA. Os muitos “Joões” que enfrentavam nossos campeões aos poucos foram se transformando em atletas completos, dominaram a arte suave, trouxeram o boxe e o wrestrling de níveis olímpicos e o esporte finalmente virou o que é hoje. Uma disputa palmo a palmo para quem domina a arte. E hoje, os americanos nos dominam. Em partes.

O Brasil já conquistou quase todos os cinturões do UFC. Já em um formato mais moderno, Vitor Belfort ganhou os pesados e meio-pesados, Anderson Silva os médios, Lyoto Machida e Maurício Shogun os meio-pesados, Minotauro e Júnior Cigano os pesados, José Aldo os penas e Renan Barão o peso-galo. John Lineker, se ajustar seu problema em perder peso, é o possível desafiante dos moscas. Enfrenta o fenômeno russo Ali Bagautinov. Além, é claro, de Vitor, que pode fazer história e se tornar o primeiro ser vivo a conquistar três cinturões em categorias diferentes de peso.

Fato mesmo é que hoje só nos sobraram dois campeões. O que torna tudo mais emocionante é que os dois são como irmãos, treinados pelo paizão Dedé Pederneiras, chefe da equipe Nova União, considerada por muitos a melhor do planeta. José Aldo e Renan Barão não sabem o que é a derrota há muitos anos. A última derrota de José Aldo foi em 2005, no Jungle Fight. De lá pra cá foram 16 vitórias consecutivas, sendo duas defesas de cinturão pelo extinto WEC e cinco pelo UFC. Renan Barão perdeu apenas em sua estreia, em 2005. Acumula a impressionante marca de 32 lutas sem derrotas, sendo 31 vitórias e uma luta sem resultado. No UFC, tornou-se campeão indiscutível com a nova lesão de Dominick Cruz.

Sábado os dois carregarão uma nação nos ombros e em ano de Copa do Mundo temos que mostrar quem manda. Sem aquele patriotismo exacerbado, do qual não sou muito fã, dessa vez é diferente. Precisamos segurar os últimos cinturões que nos restaram e torcer para que, até fim do ano, mais um ou dois volte pra nossas mãos. Os treinamentos de Aldo e Barão já são intensos por natureza, com os dois se enfrentando todos os dias. Não podemos esquecer que lá também tem Dudu Dantas, campeão dos penas do Bellator. Então sai faísca todo dia. Mas pra encorpar ainda mais as dificuldades, a Nova União trouxe também as lenda BJ Penn e Acelino Popó Freitas, o nosso campeão mundial de boxe. Faixas pretas em jiu-jitsu e muay- thai, José Aldo e Renan agora desenvolvem a exaustão suas técnicas no boxe. Seus treinadores enxergam neles pugilistas natos, o que os torna muito completos. Por isso são os campeões.

José Aldo só conhece seu adversário por vídeos. Não muito adepto da autopromoção, Ricardo Lamas teve seus movimentos e técnicas destrinchadas para traçar a estratégia perfeita. Creio que com o nível de intensidade do combate, não passe do quarto round, com um nocaute do brasileiro, que costuma diminuir o ritmo nos rounds finais. Por isso é bom não deixar nas mãos dos juízes. Renan Barão já conhece bem seu adversário. Ele já derrotou Urijah Faber e sabe bem as falhas do californiano, que, apesar da experiência e ótima fase, não tem ferramentas para surpreender Barão. Mas o americano é muito esperto, então acho difícil ser nocauteado. Mais provável que Barão domine todos os rounds e leve a luta por decisão unânime.

Além disso, ainda temos o choque dos pesos pesados Frank Mir e Alistair Overeem. Os dois vêm de derrotas e precisam mostrar que ainda têm lenha pra queimar. Acho que veremos um belo nocaute de Overeem, que já foi campeão do K-1 e do Strikeforce. Esse é um dos eventos imperdíveis que acontecem no UFC. Ao contrário das mornas edições do Fight Night, o UFC 169 vai entrar para história. Seja ela de glória ou pesadelo.

Vídeos: Countdown to UFC 169.

CARD COMPLETO:

UFC 169
Newark, Estados Unidos
Sábado, 1º de fevereiro de 2014.

Card Principal
Renan Barão x Urijah Faber
José Aldo x Ricardo Lamas
Frank Mir x Alistair Overeem
John Lineker x Ali Bagautinov
Jamie Varner x Abel Trujillo

Card Preliminar
John Makdessi x Alan Nuguette
Chris Cariaso x Kyoji Horiguch
Nick Catone x Tom Watson
Al Iaquinta x Kevin Lee
Clint Hester x Andy Enz
Tony Martin x Rashid Magomedov
Neil Magny x Gasan Umalatov

E evento começa às 21:30.

 

 

 

O que esperar do MMA para o início de 2014.

6 janeiro, 2014 às 17:16  |  por Gustavo Kipper

Ano passado não foi um bom ano para o MMA brasileiro. Como muitos já sabiam o número 13 nunca foi confiável. Foi um ano de contusões, derrotas e novos campeões. Infelizmente nenhum brasileiro. Júnior Cigano não recuperou o cinturão de Cain Velásquez e Anderson também não venceu sua revanche, terminando o ano de forma melancólica. Restaram-nos Aldo e Barão, além de uma esperança chamada Vitor.

O que esperar do MMA para o início de 2014.

Não fosse à complacência de Dana White em relação ao tempo de afastamento de Dominick Cruz, Renan Barão poderia ser o campeão dos galos. Mas, em fevereiro, os dois poderão resolver de fato quem é o campeão indiscutível. O único campeão oficial do Brasil é José Aldo, que coloca mais uma vez seu cinturão em jogo no mesmo evento que Cruz vs Barão. O UFC 169 de 1º de fevereiro, além de imperdível, é crucial para a manutenção dos cinturões que sobraram. Outra luta de peso é o combate entre Alistair Overeem e Frank Mir. Os dois vêm de derrota.

José Aldo vs Ricardo Lamas

José Aldo é muito favorito. Particularmente não consigo imaginar ninguém nos pesos-penas capaz de ameaçar o reinado do brasileiro. O resultado mais provável é um nocaute até o terceiro round. Se vencer, Aldo deve começar a pensar em conquistar o título dos leves, derrotando quem quer que seja. Ele tem técnica e potência para dominar também a categoria de cima, nem que para isso precise deixar vago seu cinturão dos penas. É a hora de dar um passo maior.

Dominick Cruz vs Renan Barão

Enfim poderemos ver a unificação do título dos galos. Há quase dois anos sem lutar, creio que o ritmo de Barão fará a diferença. Apesar da movimentação de Cruz ser muito efetiva, em uma luta de cinco rounds, sem muito ritmo seu gás pode acabar. É uma das lutas mais aguardadas no ano. Será uma noite de vitórias para o Brasil e para a equipe Nova União.

Chris Weidman vs Vitor Belfort

Mesmo com a polêmica do uso de tratamento de reposição de testosterona (TRT) pelo brasileiro, a luta em Las Vegas é a melhor maneira de Vitor provar que seus últimos grandes resultados são fruto de sua competência e não da testosterona. Afinal, hormônios não sabem chutar. Agora mais campeão do que nunca, a confiança de Weidman, assim como a de Vitor, parece não ter limites. Weidman tem tudo a perder e o brasileiro, tudo a ganhar. Se vencer, será o primeiro lutador da história a ser campeão em três categorias de pesos diferentes dentro do UFC. O fenômeno será mais vitorioso do que nunca. Será uma batalha, embora ache que Weidman leve vantagem por ser maior e melhor no clinch e nas quedas. Mas a velocidade e explosão de Vitor, principalmente nos primeiros rounds, podem colocar o americano na panela de pressão.

Lyoto Machida vs Gerard Mousasi

Após a brilhante estreia nos médios com vitória sobre Mark Muñoz, Lyoto enfrenta agora o ex-campeão do Strikeforce o armênio Gerard Mousasi. Dois strikers de ponta. Será uma batalha entre o karatê e o kick-boxing. O jogo dos dois promete trazer um grande desfecho – um nocaute é esperado. A luta acontece no UFC Jaraguá, dia 15 de fevereiro. Quem vencer pode estar a apenas mais uma vitória da disputa pelo título. Sempre lembrando que Ronaldo Jacaré é outro grande candidato e luta no UFC Jaraguá 2 contra o francês Francis Carmont, outro top 10 da categoria.

Ronda Rousey vs Sarah McMann

Enfim a campeã dos galos do UFC vai enfrentar um desafio à altura. Outra atleta e medalhista olímpica. A wrestler Sarah McMann talvez seja a única atleta empregada pelo UFC a poder derrotar Ronda. É também a primeira atleta americana a conquistar uma medalha olímpica no wrestling. A luta será em Las Vegas, dia 22 de fevereiro. Será que Ronda vai conseguir aplicar novamente aqueles ippons? Após dominar Miesha Tate novamente e conquistar mais uma vitória com chave de braço, Ronda mostrou que na luta agarrada é quase imbatível. Impressionante como conseguiu trazer sua habilidade de judoca para o MMA.

Jon Jones vs Glover Teixeira

Glover Teixeira venceu todos seus adversários até chegar ao campeão Jon Jones. É merecedor da chance ao título e, além de grande pessoa, é um lutador completo e muito perigoso. Mas será o bastante para destronar Jones? O campeão americano dos meio-pesados enfrentou adversários muito complicados, a começar por sua última batalha contra Alexander Gustafsson. Isso faz Glover parecer menos ameaçador. Sua envergadura pode fazer diferença mais uma vez, tendo em vista que talvez Jones não queira trocar muitos golpes em pé com o brasileiro. Vai buscar a queda e as traumáticas cotoveladas. Não estou muito otimista. O combate será no UFC 172, ainda sem local e data definidos.

Johny Hendrics vs Robbie Lawler

Após a controversa vitória de GSP sobre Hendrics e sua aposentadoria por tempo indeterminado, o UFC foi obrigado a casar os dois principais candidatos a ocupar o lugar do ex-campeão canadense. O UFC 171, que acontece dia 15 de março, em Dallas, Texas (EUA), vai trazer finalmente um novo campeão para os meio-médios. Acredito no favoritismo de Hendrics, que está mais preparado para o lugar de campeão. Já vem em ritmo forte de treinos e é muito rápido e explosivo para a categoria. Deve vencer sem precisar da decisão dos juízes.

Wanderlei Silva vs Chael Sonnen

As gravações do The Ultimate Fighter Brasil 3 começam agora em janeiro, mas a rivalidade entre os dois vem desde o vídeo – em que Wanderlei aparece enquadrando o americano – que circulou na internet. Na época, Wanderlei dizia a Sonnen que falar mal dos irmãos Nogueira e do Brasil era perigoso. Após o episódio, Sonnen tornou-se ainda mais polêmico e falastrão devido aos confrontos contra Anderson Silva e Jon Jones. Tornou-se parte da marca UFC e já tem lugar garantido entre os comentaristas do evento. Já Wanderlei tenta provar que ainda tem condições que dar grandes espetáculos e vencer o programa e sua luta. O confronto promete muita ação e dificilmente chegará ao final sem um nocaute ou uma finalização.