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Anderson “The Spider” Silva

8 julho, 2013 às 14:47  |  por Gustavo Kipper

(esporte.uol.com.br)

Eu sou curitibano e conheci Anderson Silva pessoalmente, ainda na época em que ele treinava muay thai na academia do mestre Noguchi. Na época, um grande amigo treinava com ele, e um dia fui assistir a um treino. No meio de vários excelentes lutadores, um deles se destacava pela técnica e perfil, que se encaixava perfeitamente para o esporte marcial. Era Anderson. Não muito mais tarde se juntou ao vitorioso time da academia Chute Boxe e assim o tempo passou.

Quem conheceu Anderson no meio de tantos grandes lutadores curitibanos como Wanderlei Silva, Rafael Cordeiro e José Pelé Landi, nunca realmente imaginou que ele poderia chegar ao patamar técnico e de exposição que ganhou nos últimos sete anos, mesmo sempre tendo seu talento reconhecido. Anderson Silva conquistou um legado quando já estava em uma idade que muitos atletas já estão se aposentando. Ao longo de seu reinado, Anderson nunca teve uma contusão que o deixou fora do octógono por um longo período de tempo como teve Georges St Pierre. Esse tempo, apesar de ser difícil pela recuperação mental e física, é bom ao menos para o atleta se juntar à família e limpar a mente, enxergar o futuro e decidir realmente o que quer. Ao não recusar lutas, Anderson começou a devastar a categoria dos médios e sua evolução técnica atingiu níveis que só os grandes alcançam. Isso fez com que sua responsabilidade em manter o cinturão provocasse certos comportamentos que passaram a fazer parte do produto Anderson Silva, o maior lutador de MMA de todos os tempos.

Esses comportamentos começam com a ideia de criar uma falsa sensação que o cinturão pertence ao Brasil, portanto lutar contra brasileiros sempre foi algo que afetou muito Anderson. Em suas lutas contra Thales Leite, Demian Maia e Vitor Belfort, Anderson estava bastante agitado. Com a vitória sobre os três, criou uma cultura em que o desafio feito por brasileiros era levado como insulto. Logo, muitos ótimos lutadores acabaram por ficar, além de amigos, admiradores de Anderson e com o desejo de serem campeões guardados a sete chaves. No esporte em que amigos e compatriotas não lutam entre si, Anderson acabou por ser o representante oficial do Brasil no MMA com fãs como Ronaldo e a rede Globo.

Os atletas costumam fazer nas lutas o que fizeram nos treinos. E os treinos de MMA, principalmente para lutas como disputas de cinturão, costumam ser muito fortes. Anderson desenvolveu um estilo em que ficava à vontade, ao mesmo tempo em que destruía mentalmente seus adversários, que sempre acabavam cometendo erros, abrindo brechas para contra-ataques mortais e plásticos. Anderson transformou a luta em show, algo que somente Jon Jones pode fazer, mas o curitibano o faz com mais sabedoria, com mais estratégia. Porém, a linha entre a autoconfiança e desrespeito em que ele anda é tênue, e assim como na luta contra Demian Maia, passou do limite, perdeu a referência do respeito e do perigo. Muitos atletas e treinadores, como Renzo Gracie, não acreditam nesse estilo de Anderson, e acham que isso é uma das suas maneiras de desdenhar de seus adversários. Portanto, sua derrota foi muito comemorada no mundo da luta, principalmente pelos estrangeiros. O próprio Chris Weidman no instante após a vitória soltou um “seu desrespeitoso de m…”.

Chris Weidman sabia o que iria enfrentar. Ao contrário da maioria dos desafiantes do ex- campeão, Weidman é de outra geração. Mesmo tendo caído por instantes nas artimanhas de Anderson, continuou reto em seu caminho e ficou provado que Anderson é um humano e tem queixo, que, se acertado, desmontará suas pernas como de um João qualquer.

Mas algo dessa vez estava diferente. A apatia instantes antes da luta e o tédio do brasileiro foram cruciais para Anderson não lutar, apenas provocar e entregar de forma melancólica o mesmo cinturão que dizia ser de todos os brasileiros. Por isso muita gente se sentiu traída, envergonhada e enganada. Até mesmo seus companheiros de corner estavam arrasados. Para os brasileiros, foi como se Neymar rebolasse antes do pênalti decisivo e recuasse a bola para o goleiro. Nas redes sociais muitos dizem que a luta já tinha sido acertada antes. Não acredito, mas o desempenho do ex-campeão foi tão patético que realmente dá margens para discussão, principalmente com o futuro do brasileiro, que chegou a dizer que poderia até mesmo se aposentar. Discurso bem diferente de quem queria fazer três superlutas. Talvez não quisesse mais lutar com Jones. O fato é que muita gente, pelo menos ontem, ganhou muito dinheiro, principalmente Anderson Silva. Só não sei se venderá mais tantos ingressos como antes.

A verdade é que a derrota deixou muitos brasileiros chateados e iniciou um novo ciclo no UFC. Anderson Silva terá suas merecidas férias e tenho certeza que lhe fará bem curtir sua família e o conforto que conquistou com os punhos. Nada como um dia após o outro. O mundo sabe que se Anderson estivesse com gana, ganharia a luta. Então não descarto uma revanche, embora acredite que a atitude de Anderson, de abrir mão de um cinturão “chato”, como seu filho Kalyl definiu nas redes sociais, seja uma tentativa de deixar o caminho aberto a outros brasileiros, como Ronaldo Jacaré. Anderson Silva perdeu o “olho de tigre” pelo menos para as defesas de cinturão dos pesos-médios, que dominou por quase sete anos.

Vitor Belfort pediu Weidman, mas Dana White descartou a luta dizendo que quer a revanche. Mas a negativa a Vitor não faz sentido do ponto de vista do ranking, onde ele ocupa a segunda colocação. O problema é que a luta teria que ser realizada no Brasil, pois no estado de Nevada, onde são realizados os maiores eventos, o tratamento de reposição hormonal não é tolerado. Portanto, Vitor não conseguiria a licença para lutar. A revanche seria o melhor caminho, caso contrário vai começar a chuva de desafios. De Wanderlei Silva, passando por Chael Sonnen, todo mundo agora vai querer pegar esse vácuo.

(ftw.usatoday.com)

 

Murilo Ninja vs Paulão Filho: uma revanche, duas carreiras vitoriosas

6 setembro, 2012 às 15:40  |  por Gustavo Kipper

Divulgação/Pride

Esta noite poderá ficar marcada com um grande e honrado final de carreira para dois lutadores brasileiros que defenderam o país mundo afora e enfrentaram os melhores do mundo. O curitibano Murilo Ninja e o carioca Paulão Filho muito se respeitam e farão um duelo de muita história em Belém, capital do Pará. Ambos já enfrentaram nomes como Dan Henderson, Chael Sonnen, Kevin Randleman e saíram vitoriosos.

No início da explosão do MMA no mundo, principalmente no Japão, os dois representavam uma das maiores rivalidades entre academias do mundo. A Chute Boxe dos curitibanos Wanderlei Silva, José Pelé Landy, Rafael Cordeiro, Maurício Shogun, Murilo Ninja e até mesmo Anderson Silva travava uma disputa dentro e muitas vezes fora dos ringues contra a elite dos lutadores cariocas, a B.T.T (Brazillian Top Team), representada por Minotauro e Rogério Minotouro, José Mario Sperry, Ricardo Arona, Murilo Bustamante e Paulão Filho. Fato é que nunca houve maiores complicações nos bastidores, mas dentro do ringue houve batalhas épicas de ambos os lados, como os duelos de Wanderlei contra Arona, Shogun vs Minotouro, Ninja vs Paulão, Shogun vs Arona, entre outras que fizeram a história do nosso esporte e elevaram o MMA ao patamar que hoje alcançou.

Murilo Ninja já foi derrotado por Paulo Filho, no Pride, mas hoje, às 21 horas, no evento Best of the Best, os dois atletas farão sua luta de despedida e essa revanche, pela rivalidade e tudo que ambos já conquistaram, merece nosso respeito.

Detalhe para Maurício Shogun, que ficará no corner do irmão Murilo Ninja, e Ricardo Arona, que estará presente no canto oposto como nos velhos e bons tempos. É a despedida de uma geração.

Card do evento
Best of the Best
Hangar, Belém do Pará
Quinta-feira, 06 de setembro de 2012

 
Paulo Filho enfrentará Murilo Ninja;
Marcio Parazinho enfrentará Bruno Cro Cop;
André Lobato enfrentará André Mikito;
Bruno Carioca enfrentará Alberto Pantoja;
Lincon Sá enfrentará Joriedson Fein;
Silmar Sombra enfrentará Fabricio Strike;
Samuel Paiva enfrentará Bruno Miranda;
Alexandre Leão enfrentará Jacob Quintana.

O evento será transmitido pelo canal Combat a partir das 21 horas.

Assista o vídeo da primeira luta dos dois no Pride Bushido 10

 

 

UFC 148: Silva vs Sonnen II

6 julho, 2012 às 18:09  |  por Gustavo Kipper

Finalmente chegou a luta mais aguardada dos últimos anos. A revanche entre Anderson Silva e Chael Sonnen, inicialmente programada para ser em solo brasileiro, será na capital mundial dos eventos de boxe e MMA, Las Vegas, neste sábado, dia 7 de julho.

Sem dúvida é uma das lutas mais bem promovidas da história, fato que ganhou reforço com o comportamento desrespeitoso do rival americano, que há dois anos vem falando mal de Anderson, do Brasil e de muitos atletas brasileiros. As provocações passam até por ofensas à mulher do campeão, que uma semana antes da luta resolveu soltar o verbo e falou ao melhor estilo Chute Boxe, que lembra muito os tempos que Anderson ainda morava em Curitiba e era companheiro de atletas como Wanderlei Silva, José Pelé Landi, Rafael Cordeiro entre outros. O estilo curitibano passava muitas vezes também por intimidações verbais antes dos combates e um estilo particular de luta, que deixava sempre a impressão que cada desafio era pessoal, e de certa forma era. Wanderlei Silva ficou seis anos invicto no Japão graças a esse estilo. Normalmente os lutadores já temiam Wand antes mesmo do combate, tamanha eram as encaradas e o clima pesado que a equipe Chute Boxe conseguia criar. Era pura pressão. Competitividade e títulos, como de Maurício Shogun e Wand no Pride japonês.

Anderson mudou-se para o Rio, mudou seus parceiros de treino, ficou melhor, mudou seu comportamento e passou a encarar as lutas como algo mais profissional, assim como fizeram Wand e outros atletas de Curitiba. Com a evolução do esporte, amadureceram, e hoje, salvo exceções, todos os lutadores, independentemente de academia ou arte que praticam, respeitam-se cavalheirescamente. Mas enxerguei nesta semana, como diz Chael, o verdadeiro Anderson Silva, aquele que fez uma aparição contra Demian Maia, em Abu Dhabi, quando mostrou o lado mais selvagem e marrento do lutador, falando palavrões durante a luta, fazendo gestos e provocando seu rival, chamando-o até de playboy. Mais uma vez Anderson colocou de novo pra fora o velho estilo “old school” do vale tudo e deu uma declaração que deixou até Dana White surpreso. Termos como “vou quebrar ele todo”, “vai sair de maca” eram o que faltava para apimentar de vez a pancadaria que a luta promete ser. Literalmente será uma briga de nações, de estilos e de personalidades. Anderson vai sair na mão.

UFC 148
7 de julho de 2012, em Las Vegas (EUA)

CARD PRINCIPAL
Anderson Silva x Chael Sonnen
Forrest Griffin x Tito Ortiz
Cung Le x Patrick Côté
Dong Hyun Kim x Demian Maia
Chad Mendes x Cody McKenzie
Ivan Menjivar x Mike Easton

CARD PRELIMINAR
Gleison Tibau x Khabib Nurmagomedov
Melvin Guillard x Fabrício “Morango” Camões
Costa Philippou x Riki Fukuda
John Alessio x Shane Roller
Rafaello Oliveira x Yoislandy Izquierdo

O canal Combat exibe trasmite o evento à partir das 19:45.

Resposta de José “Pelé” Landi a biografia de Anderson Silva

30 maio, 2012 às 15:29  |  por Gustavo Kipper

Idealizada pela nin9 e escrita pelo jornalista Eduardo Ohata, da Folha de São Paulo e da ESPN Brasil, a biografia de Anderson Silva passeia por episódios obsuros e muita rivalidade que a vida do lutador encontrou, principalmente na época em que vivia em Curitiba e treinava na equipe Chute Boxe. Alguns dos episódios, contados a partir de depoimentos do próprio Anderson e muitas vezes escrito em primeira pessoa, tratam de assuntos polêmicos envolvendo personagens que conviveram diariamente com ele na época do extinto evento japonês Pride e na sequência de sua vida após o sucesso. Porém, as declarações caíram pesadas no colo de alguns lutadores citados, como no caso de José “Pelé” Landi, que, sabendo das polêmicas linhas, resolveu se pronunciar criando um vídeo resposta no qual se defende e ainda desafia o campeão dos médios do UFC para uma luta de muay thai.

Confira o vídeo de “Pelé”.