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Anderson Silva e Maurício Shogun: os novos treinadores do TUF Brasil 4

30 outubro, 2014 às 11:13  |  por Gustavo Kipper

Acabou o mistério. Anderson Silva e Maurício Shogun serão os novos treinadores do The Ultimate Fighter Brasil 4. Essa edição traz alterações importantes: a primeira é a mudança do local de gravações para Las Vegas, excluindo São Paulo ou qualquer cidade brasileira da jogada. Creio que a dificuldade de locomoção e a estrutura que o UFC já criou em Nevada (Estados Unidos) fazem diferença na logística. Agora será mais difícil para os treinadores chegarem atrasados alegando problemas com o trânsito.

A segunda mudança é o fato de os treinadores das duas equipes não se enfrentarem nas finais do programa. Anderson Silva e Maurício Shogun lutarão contra adversários diferentes na mesma noite. Bom para o espetáculo, que ganha duas lutas ótimas para o público, ruim para quem gostaria de ver os dois ex-companheiros de treino se enfrentando.

Realmente, do ponto de vista competitivo, essa luta não seria boa para nenhum dos dois, tendo em vista que buscam o título de categorias de peso diferentes. Uma vitória não mexeria no ranking de nenhuma divisão, nem deixaria nenhum dos dois mais próximos a um title shot. Outro e talvez importante fator talvez seja que ex-companheiros de treinos da equipe Chute Boxe dificilmente se enfrentam. Ainda mais esses dois, que já conquistaram uma legião de fãs.

Mas, por que então que o UFC não escolheu dois atletas que pudessem lutar nas finais do programa? Se analisarmos o atual momento do MMA nacional, poderemos perceber que vivemos uma entressafra de atletas vitoriosos. Ainda vivemos à custa das lendas do Pride ou dos atletas da Nova União. As novas promessas ainda não deslancharam e os melhores brasileiros ranqueados estão com lutas marcadas e quase não competem entre si. Os únicos que sobraram com real apelo do público foram Anderson Silva e Shogun, que enfrenta Ovince St. Preux, em Uberlândia, no sábado (08).

Júnior Cigano e Fabrício Werdum um dia podem ser os treinadores de uma edição. Mas o momento atual não permite o confronto. Werdum tem title shot interino agendado contra Mark Hunt. Cigano enfrenta Miocic em busca da redenção. Nos meio-pesados, Glover sofreu a segunda derrota. Não tem apelo popular suficiente, além de ser praticamente nosso único representante da categoria perto do top 5. Caso contrário, um duelo com Shogun seria possível.

No peso-médio, Lyoto Machida seria um grande nome. Poderia enfrentar Ronaldo Jacaré ou até mesmo Vitor Belfort, duelo já cogitado anteriormente. Mas não neste momento. Quem sabe ano que vem, em caso de derrota de Vitor para Chris Weidman. Uma edição com Anderson Silva e Vitor Belfort seria fantástica. Mas Anderson tem luta agendada contra Nick Diaz e antes precisa provar que está recuperado da lesão na perna esquerda. Treinadores abaixo do peso- médio parecem não interessar ao UFC, até porque estamos carentes de atletas até 77 kg e 70 kg.

Enfim, a escolha de Anderson e Shogun, em termos de audiência e espetáculo, sem dúvida foi acertada. Talvez a rivalidade excessiva de Wanderlei Silva e Chael Sonnen tenha aberto uma nova proposta: sem stress desta vez. Os dois brasileiros se respeitam muito e dificilmente haverá atritos. Terá tudo para ser uma grande edição que revele grandes talentos, objetivo principal do programa. Cada um tem uma equipe poderosa para formação e treinamento dos atletas, que, com a estrutura já existente em Las Vegas, terão de tudo para ser o próximo The Ultimate Fighter Brasil.

Noite decisiva para nossos últimos campeões

31 janeiro, 2014 às 09:49  |  por Gustavo Kipper
UFC 169

UFC 169

Quando subirem no octógono sábado à noite, José Aldo e Renan Barão irão carregar em seus ombros os últimos cinturões que nos restaram. Fomos acostumados a dominar o esporte desde os primórdios. Das lutas de vale-tudo de antigamente, quando Hélio Gracie e Carlos Gracie desafiaram os campeões japoneses do judô, quando Royce atropelou os americanos e europeus com nossa arma secreta, quando a Chute Boxe e a American Top Team protagonizaram uma rivalidade única no Pride, tornando-se campeões, sabíamos que tínhamos sido feitos para aquilo.

O tempo foi passando e, como diria o “pofexô” Wanderlei Luxemburgo, não existe mais bobo no MMA. Os muitos “Joões” que enfrentavam nossos campeões aos poucos foram se transformando em atletas completos, dominaram a arte suave, trouxeram o boxe e o wrestrling de níveis olímpicos e o esporte finalmente virou o que é hoje. Uma disputa palmo a palmo para quem domina a arte. E hoje, os americanos nos dominam. Em partes.

O Brasil já conquistou quase todos os cinturões do UFC. Já em um formato mais moderno, Vitor Belfort ganhou os pesados e meio-pesados, Anderson Silva os médios, Lyoto Machida e Maurício Shogun os meio-pesados, Minotauro e Júnior Cigano os pesados, José Aldo os penas e Renan Barão o peso-galo. John Lineker, se ajustar seu problema em perder peso, é o possível desafiante dos moscas. Enfrenta o fenômeno russo Ali Bagautinov. Além, é claro, de Vitor, que pode fazer história e se tornar o primeiro ser vivo a conquistar três cinturões em categorias diferentes de peso.

Fato mesmo é que hoje só nos sobraram dois campeões. O que torna tudo mais emocionante é que os dois são como irmãos, treinados pelo paizão Dedé Pederneiras, chefe da equipe Nova União, considerada por muitos a melhor do planeta. José Aldo e Renan Barão não sabem o que é a derrota há muitos anos. A última derrota de José Aldo foi em 2005, no Jungle Fight. De lá pra cá foram 16 vitórias consecutivas, sendo duas defesas de cinturão pelo extinto WEC e cinco pelo UFC. Renan Barão perdeu apenas em sua estreia, em 2005. Acumula a impressionante marca de 32 lutas sem derrotas, sendo 31 vitórias e uma luta sem resultado. No UFC, tornou-se campeão indiscutível com a nova lesão de Dominick Cruz.

Sábado os dois carregarão uma nação nos ombros e em ano de Copa do Mundo temos que mostrar quem manda. Sem aquele patriotismo exacerbado, do qual não sou muito fã, dessa vez é diferente. Precisamos segurar os últimos cinturões que nos restaram e torcer para que, até fim do ano, mais um ou dois volte pra nossas mãos. Os treinamentos de Aldo e Barão já são intensos por natureza, com os dois se enfrentando todos os dias. Não podemos esquecer que lá também tem Dudu Dantas, campeão dos penas do Bellator. Então sai faísca todo dia. Mas pra encorpar ainda mais as dificuldades, a Nova União trouxe também as lenda BJ Penn e Acelino Popó Freitas, o nosso campeão mundial de boxe. Faixas pretas em jiu-jitsu e muay- thai, José Aldo e Renan agora desenvolvem a exaustão suas técnicas no boxe. Seus treinadores enxergam neles pugilistas natos, o que os torna muito completos. Por isso são os campeões.

José Aldo só conhece seu adversário por vídeos. Não muito adepto da autopromoção, Ricardo Lamas teve seus movimentos e técnicas destrinchadas para traçar a estratégia perfeita. Creio que com o nível de intensidade do combate, não passe do quarto round, com um nocaute do brasileiro, que costuma diminuir o ritmo nos rounds finais. Por isso é bom não deixar nas mãos dos juízes. Renan Barão já conhece bem seu adversário. Ele já derrotou Urijah Faber e sabe bem as falhas do californiano, que, apesar da experiência e ótima fase, não tem ferramentas para surpreender Barão. Mas o americano é muito esperto, então acho difícil ser nocauteado. Mais provável que Barão domine todos os rounds e leve a luta por decisão unânime.

Além disso, ainda temos o choque dos pesos pesados Frank Mir e Alistair Overeem. Os dois vêm de derrotas e precisam mostrar que ainda têm lenha pra queimar. Acho que veremos um belo nocaute de Overeem, que já foi campeão do K-1 e do Strikeforce. Esse é um dos eventos imperdíveis que acontecem no UFC. Ao contrário das mornas edições do Fight Night, o UFC 169 vai entrar para história. Seja ela de glória ou pesadelo.

Vídeos: Countdown to UFC 169.

CARD COMPLETO:

UFC 169
Newark, Estados Unidos
Sábado, 1º de fevereiro de 2014.

Card Principal
Renan Barão x Urijah Faber
José Aldo x Ricardo Lamas
Frank Mir x Alistair Overeem
John Lineker x Ali Bagautinov
Jamie Varner x Abel Trujillo

Card Preliminar
John Makdessi x Alan Nuguette
Chris Cariaso x Kyoji Horiguch
Nick Catone x Tom Watson
Al Iaquinta x Kevin Lee
Clint Hester x Andy Enz
Tony Martin x Rashid Magomedov
Neil Magny x Gasan Umalatov

E evento começa às 21:30.

 

 

 

O que esperar do MMA para o início de 2014.

6 janeiro, 2014 às 17:16  |  por Gustavo Kipper

Ano passado não foi um bom ano para o MMA brasileiro. Como muitos já sabiam o número 13 nunca foi confiável. Foi um ano de contusões, derrotas e novos campeões. Infelizmente nenhum brasileiro. Júnior Cigano não recuperou o cinturão de Cain Velásquez e Anderson também não venceu sua revanche, terminando o ano de forma melancólica. Restaram-nos Aldo e Barão, além de uma esperança chamada Vitor.

O que esperar do MMA para o início de 2014.

Não fosse à complacência de Dana White em relação ao tempo de afastamento de Dominick Cruz, Renan Barão poderia ser o campeão dos galos. Mas, em fevereiro, os dois poderão resolver de fato quem é o campeão indiscutível. O único campeão oficial do Brasil é José Aldo, que coloca mais uma vez seu cinturão em jogo no mesmo evento que Cruz vs Barão. O UFC 169 de 1º de fevereiro, além de imperdível, é crucial para a manutenção dos cinturões que sobraram. Outra luta de peso é o combate entre Alistair Overeem e Frank Mir. Os dois vêm de derrota.

José Aldo vs Ricardo Lamas

José Aldo é muito favorito. Particularmente não consigo imaginar ninguém nos pesos-penas capaz de ameaçar o reinado do brasileiro. O resultado mais provável é um nocaute até o terceiro round. Se vencer, Aldo deve começar a pensar em conquistar o título dos leves, derrotando quem quer que seja. Ele tem técnica e potência para dominar também a categoria de cima, nem que para isso precise deixar vago seu cinturão dos penas. É a hora de dar um passo maior.

Dominick Cruz vs Renan Barão

Enfim poderemos ver a unificação do título dos galos. Há quase dois anos sem lutar, creio que o ritmo de Barão fará a diferença. Apesar da movimentação de Cruz ser muito efetiva, em uma luta de cinco rounds, sem muito ritmo seu gás pode acabar. É uma das lutas mais aguardadas no ano. Será uma noite de vitórias para o Brasil e para a equipe Nova União.

Chris Weidman vs Vitor Belfort

Mesmo com a polêmica do uso de tratamento de reposição de testosterona (TRT) pelo brasileiro, a luta em Las Vegas é a melhor maneira de Vitor provar que seus últimos grandes resultados são fruto de sua competência e não da testosterona. Afinal, hormônios não sabem chutar. Agora mais campeão do que nunca, a confiança de Weidman, assim como a de Vitor, parece não ter limites. Weidman tem tudo a perder e o brasileiro, tudo a ganhar. Se vencer, será o primeiro lutador da história a ser campeão em três categorias de pesos diferentes dentro do UFC. O fenômeno será mais vitorioso do que nunca. Será uma batalha, embora ache que Weidman leve vantagem por ser maior e melhor no clinch e nas quedas. Mas a velocidade e explosão de Vitor, principalmente nos primeiros rounds, podem colocar o americano na panela de pressão.

Lyoto Machida vs Gerard Mousasi

Após a brilhante estreia nos médios com vitória sobre Mark Muñoz, Lyoto enfrenta agora o ex-campeão do Strikeforce o armênio Gerard Mousasi. Dois strikers de ponta. Será uma batalha entre o karatê e o kick-boxing. O jogo dos dois promete trazer um grande desfecho – um nocaute é esperado. A luta acontece no UFC Jaraguá, dia 15 de fevereiro. Quem vencer pode estar a apenas mais uma vitória da disputa pelo título. Sempre lembrando que Ronaldo Jacaré é outro grande candidato e luta no UFC Jaraguá 2 contra o francês Francis Carmont, outro top 10 da categoria.

Ronda Rousey vs Sarah McMann

Enfim a campeã dos galos do UFC vai enfrentar um desafio à altura. Outra atleta e medalhista olímpica. A wrestler Sarah McMann talvez seja a única atleta empregada pelo UFC a poder derrotar Ronda. É também a primeira atleta americana a conquistar uma medalha olímpica no wrestling. A luta será em Las Vegas, dia 22 de fevereiro. Será que Ronda vai conseguir aplicar novamente aqueles ippons? Após dominar Miesha Tate novamente e conquistar mais uma vitória com chave de braço, Ronda mostrou que na luta agarrada é quase imbatível. Impressionante como conseguiu trazer sua habilidade de judoca para o MMA.

Jon Jones vs Glover Teixeira

Glover Teixeira venceu todos seus adversários até chegar ao campeão Jon Jones. É merecedor da chance ao título e, além de grande pessoa, é um lutador completo e muito perigoso. Mas será o bastante para destronar Jones? O campeão americano dos meio-pesados enfrentou adversários muito complicados, a começar por sua última batalha contra Alexander Gustafsson. Isso faz Glover parecer menos ameaçador. Sua envergadura pode fazer diferença mais uma vez, tendo em vista que talvez Jones não queira trocar muitos golpes em pé com o brasileiro. Vai buscar a queda e as traumáticas cotoveladas. Não estou muito otimista. O combate será no UFC 172, ainda sem local e data definidos.

Johny Hendrics vs Robbie Lawler

Após a controversa vitória de GSP sobre Hendrics e sua aposentadoria por tempo indeterminado, o UFC foi obrigado a casar os dois principais candidatos a ocupar o lugar do ex-campeão canadense. O UFC 171, que acontece dia 15 de março, em Dallas, Texas (EUA), vai trazer finalmente um novo campeão para os meio-médios. Acredito no favoritismo de Hendrics, que está mais preparado para o lugar de campeão. Já vem em ritmo forte de treinos e é muito rápido e explosivo para a categoria. Deve vencer sem precisar da decisão dos juízes.

Wanderlei Silva vs Chael Sonnen

As gravações do The Ultimate Fighter Brasil 3 começam agora em janeiro, mas a rivalidade entre os dois vem desde o vídeo – em que Wanderlei aparece enquadrando o americano – que circulou na internet. Na época, Wanderlei dizia a Sonnen que falar mal dos irmãos Nogueira e do Brasil era perigoso. Após o episódio, Sonnen tornou-se ainda mais polêmico e falastrão devido aos confrontos contra Anderson Silva e Jon Jones. Tornou-se parte da marca UFC e já tem lugar garantido entre os comentaristas do evento. Já Wanderlei tenta provar que ainda tem condições que dar grandes espetáculos e vencer o programa e sua luta. O confronto promete muita ação e dificilmente chegará ao final sem um nocaute ou uma finalização.

Fim da trilogia e briga de cachorro

21 outubro, 2013 às 15:00  |  por Gustavo Kipper

O Fim de uma trilogia 

Agora está claro quem é o lutador mais perigoso do mundo. O campeão dos pesos pesados do UFC, Cain Velasquez, mais uma vez não deu chances ao brasileiro Júnior dos Santos e venceu por nocaute técnico, no quinto round. Muito parecida com a luta em que recuperou o cinturão, uma tempestade de golpes mais uma vez castigaram Cigano, que caiu na estratégia de Cain. O brasileiro passou a maior parte do tempo com as costas na grade, levando golpes de todos os lados. O “dirty boxing” de Cain é brutal. Joelhadas no corpo, socos e cotoveladas minaram o brasileiro, que a cada minuto perdia força e explosão. Seu rosto aos poucos ia se deformando com o volume de luta do campeão.

Quando o combate saia da grade, Cigano também não levou vantagem e seu tão famoso jogo de boxe foi ineficiente. Cain foi dominante mais uma vez, inclusive com um knock-down que quase fez o árbitro Herb Dean parar a luta. Realmente Júnior dos Santos aguenta apanhar, mas para quem estava assistindo, novamente deu pena. Cain Velasquez, ao contrário, parecia uma máquina de bater. Terminou o quinto round como começou. Batendo. O cara não cansa. E isso é assustador. Levou vantagem em todos os aspectos. Lembrei-me de Fedor Emelianenko há dez anos. Invencível.

Cigano precisa melhorar seus parceiros de treino. Enquanto Cain treinou com Daniel Cormier, outro vencedor da noite, Cigano treinou com desconhecidos, lutadores sem projeção em que não há evolução. Cigano precisa achar parceiros que possibilitem a troca de informações. Onde a dupla ou o trio evolui junto, dia após dia. Sem desmerecer o trabalho de seu treinador, Luiz Dórea, Cigano precisa sair do país e da sua zona de conforto. Precisa treinar com wrestlers de nível olímpico. Não por duas semanas. Mas para sempre.

Faixa-preta de jiu-jitsu, Cigano não domina a arte suave. Quando está no chão, as tentativas de finalizações são nulas. E pior, quando está em pé, parece lento, chegando sempre depois. Parece muito grande. Longe da velocidade com as mãos que o levaram ao cinturão. E ainda tem gente que o quer ver lutando boxe contra Wladimir Klitschko. Agora é juntar novamente os cacos e repensar muito.

 

Briga de cachorro

É o que acontece quando você coloca lutadores mexicanos insanos dentro do octógono. Assim descreveu Dana White, ao falar da melhor luta do ano, entre Gilbert Melendez e Diego Sanchez. Ex- companheiros de treino e amigos, os dois literalmente partiram pra porrada com muitos momentos de trocação frenética. O nocaute foi buscado a todo instante e realmente foi incrível. Entrou no meu top 5 das melhores lutas do UFC de todos os tempos.

Gilbert Melendez venceu merecidamente por decisão, porém, é o tipo de luta em que não se pode falar muito. Só aplaudir, rever e respeitar. O dia em que achar a luta completa postarei aqui. Essa valeu o ingresso.

(Sporttv.globo.com)

UFC & Glory

16 outubro, 2013 às 12:40  |  por Gustavo Kipper

A Polêmica demissão de Toquinho

Muitos foram os lutadores e ex- treinadores que expuseram suas opiniões a respeito do comportamento de Rousimar Palhares, o Toquinho, em sua vitória sobre Myke Pierce, no UFC Barueri, no último sábado. Após mais uma finalização considerada maldosa, Dana White veio a público imediatamente comunicando a demissão do brasileiro. Ele é reincidente na arte de finalizar e machucar seus adversários. Vejo seu futuro no MMA o tanto quanto sombrio.

São tantos episódios controversos em suas lutas que podemos até fazer um top 10. O fato é que em qualquer esporte de alto rendimento, além da técnica e do preparo físico, o preparo mental e a inteligência completam o atleta. E, convenhamos, Toquinho nunca teve os dois últimos. Sempre pareceu despreparado para aguentar a pressão de estar no maintreaming do MMA, e, talvez pela sua formação, não tenha conseguido fazer uma carreira regular.

Ser demitido do UFC não é o fim do mundo. O problema é que os outros grandes eventos como o Bellator não parecem querer comprar a ideia. Será que teremos novamente o “Paul Harris” nos eventos nacionais?

Erick Silva cachorro louco

Esse é o post dos Silvas. Muitos viram a reação espantosa de Joe Silva, matchmaker do UFC, quando Erick Silva foi nocauteado pelo coreano Dong Hyn Kim. Realmente ninguém poderia imaginar. Mas, apesar da derrota, tenho que admitir, mesmo achando que se expôs demais, que a atitude de Erick no segundo round foi louvável. O primeiro round tinha sido chato e Erick mudou sua atitude. Voltou com a fome de Wanderlei Silva. Veio pra definir. Mesmo perdendo incendiou a luta. É isso que se espera de quem ainda é novo e tem um enorme potencial.

Erick treina esporadicamente com seu amigo Anderson Silva, e na trocação sua postura até lembra o Spider, sem dúvida sua inspiração, mas dessa vez Erick pareceu mais Wand que Spider e acho isso muito bom. Se conseguir equilibrar a defesa com a agressividade que mostrou, pode ser o primeiro campeão brasileiro da categoria meio-médios – até 77 KG. Porém, Erick ainda tem muita estrada pela frente. Agora é voltar pra academia e continuar treinando.

Nunca deixe nas mãos dos juízes

Demian Maia reclamou da decisão dos árbitros na luta em que Jake Shields o dominou durante os três rounds. Sempre de costas no chão, Demian não conseguiu aplicar seu jogo ofensivo de solo e as tentativas de finalizações desapareceram. Quem realmente correu o risco de deixar nas mãos dos árbitros foi o americano, que poderia ter sido prejudicado com a pressão da luta ser no Brasil. Mas, felizmente para o bem do esporte, o vencedor da luta chata foi merecedor. Encarou o desafio e saiu vitorioso.

Demian precisa parar de reclamar da decisão e rever a luta. Perceber que só mudar de peso não resolve. Já passou a época em que com apenas uma arte você saía vitorioso. Demian precisa aprender a lutar em pé.

Saulo Cavalari estreia com vitória no Glory

Quem estava com saudades do K-1 resolveu seu problema com o Glory 11, que aconteceu no último sábado, em Chicago, Estados Unidos. Com um card sensacional, pudemos ver uma vitória com muita raça nos GP dos pesos-pesados da surpresa da Holanda, Rico Verhoeven, que bateu Daniel Ghita.

O destaque ficou por conta do curitibano Saulo Cavalari, que estreou com o pé direito e bateu o belga Filip Verliden por decisão. É uma grande vitória para o curitibano, que tem um futuro mais que promissor. Saulo é atleta da academia Thai Brasil.

Velasquez vs Júnior dos Santos 3

No próximo sábado, o terceiro capítulo da batalha dos pesados terá seu fim. Não é segredo que Cain Velásquez (foto) é mais completo e talvez o ser humano mais perigoso do planeta em qualquer luta. O cara é um monstro. Mas não podemos esquecer que não foi capaz de nocautear Cigano, mesmo o batendo por cinco rounds, sem contar o sobretreinamento comprovado que afetou demais o brasileiro.

Sem desculpas, sábado é a hora da verdade. Seria um chute tentar fazer previsões com dois monstros de 110 kg. Essa é a luta em que você se senta e assiste pra depois tentar entender o que aconteceu. O certo é que o clima está tenso e eu já estou nervoso. Seria muito bom ter esse cinturão de volta para o Brasil. Mas não pensem que essa história termina aqui. Acho que os caminhos dos dois ainda vão se cruzar mais vezes.

19 de outubro de 2013, em Houston (EUA)
CARD PRINCIPAL
Cain Velásquez x Junior Cigano
Daniel Cormier x Roy Nelson
Gilbert Melendez x Diego Sanchez
Gabriel Napão x Shawn Jordan
John Dodson x Darrell Montague
CARD PRELIMINAR
Tim Boetsch x CB Dollaway
Nate Marquardt x Hector Lombard
Sarah Kaufman x Jessica Eye
George Sotiropoulos x KJ Noons
T.J. Waldburger x Adlan Amagov
Tony Ferguson x Mike Rio
Kyoji Horiguchi x Dustin Pague
Jeremy Larsen x Andre Fili

http://youtu.be/YdGE0NudIpo

 

Ranking Sherdog pesados + UFC Primetime

4 outubro, 2013 às 13:21  |  por Gustavo Kipper

Ranking Sherdog pesos- pesados + UFC Primetime

1 – Cain Velasquez (12-1)
2 – Junior dos Santos (16-2)
3 – Fabricio Werdum (17-5-1)
4 – Daniel Cormier (12-0)
5 – Antonio Silva (18-5)
6 – Josh Barnett (33-6)
7 – Frank Mir – (16-8)
8 – Antônio Rodrigo Nogueira (34-8-1)
9 – Travis Browne (15-1-1)
10 – Alistair Overeem (36-1-1)

(vitórias-derrotas-sem resultado)

http://youtu.be/jcp7znnnNEU

 

Joe Silva por um dia

11 abril, 2013 às 13:38  |  por Gustavo Kipper

Mesmo com a criação do ranking oficial, muitos combates ainda serão marcados pelo apelo que a luta proporciona pelos fãs, além é claro da venda dos pay- per- views que fazem a roda girar. Fico imaginando que um dos empregos mais legais do mundo seja o do matchmaker do evento, Joe Silva, responsável por planejar quem lutará com quem. Embora o ranking seja uma boa referência, a imaginação de um combate com toda sua complexidade e confronto de estilos faz qualquer um imaginar como seria se…?

Pensei um pouco e imaginei 20 confrontos que ao menos eu gostaria de ver na tela. Não posso considerar eventos já marcados. Apenas possíveis confrontos.

  1. Anderson Silva vs Jon Jones (luta em peso combinado de 88 kg)
  2. Anderson Silva vs Georges St Pierre (luta em peso combinado de 80 kg)
  3. José Aldo vs Ben Henderson (luta em peso combinado de 68 kg)
  4. Wanderlei Silva vs Chael Sonnen (meio- pesado)
  5. Júnior Cigano vs Cain Velásquez III (peso- pesado)
  6. Renan Barão vs Dominik Cruz (peso- galo)
  7. Rodrigo Minotauro vs Fedor Emelianenko 4 (peso- pesado)
  8. Maurício Shogun vs Gerard Mousasi (meio- pesado)
  9. Lyoto Machida vs Alexander Gustafsson (meio- pesado)
  10. Michael Bisping vs Hector Lombard (peso- médio)
  11. Frank Edgar vs Chad Mendez (peso- pena)
  12. Vitor Belfort vs Wanderlei Silva (meio- pesado)
  13. Ronaldo Jacaré vs Roger Gracie (peso- médio)
  14. Ronda Rousey vs Chris Cyborg (peso- galo)
  15. Rogério Minotouro vs Dan Henderson (meio- pesado)
  16. Nate Diaz vs Anthony Pettis (peso- leve)
  17. Nick Diaz vs Rory McDonald (meio- médios)
  18. Rodrigo Minotauro vs Frank Mir 3 (peso-pesado)
  19. Maurício Shogun vs Glover Teixeira  (meio-pesado)
  20. Júnior dos Santos vs Jon Jones (peso- pesado)

Especial parte 2 – O MMA virou o UFC: entenda porque as siglas estão cada vez mais unidas

5 dezembro, 2012 às 16:18  |  por Gustavo Kipper

Embora o UFC já colecionasse fãs ao redor do mundo, especialmente no Brasil, onde nomes do MMA nacional consagraram-se em território americano, como Royce Gracie, Vitor Belfort, Marco Ruas, Murilo Bustamante, Pedro Rizzo e outros, os grandes nomes ainda estavam lutando no Japão. O Pride F.C era um evento grandioso, com muita personalidade e atletas que eram a mina de ouro para batalhas épicas que ainda ecoam na mente dos entusiastas do MMA antigo.

Quando foi descoberta uma suposta ligação do evento com a máfia japonesa, as transmissões na TV aberta foram canceladas, criando uma crise financeira e moral insustentável para a franquia, que foi obrigada a fechar suas portas e vender a marca ao UFC com todo o arsenal de grandes lutadores. Realmente foi um acontecimento mágico, graças ao qual finalmente poderíamos ver batalhas tão sonhadas no mesmo palco – o octógono. Wanderlei Silva, Maurício Shogun, Minotauro, Minotouro, Rampage Jackson, todos foram levados pelo evento americano, que passou a ter praticamente o monopólio dos espetáculos de grande porte no mundo e dos atletas de ponta, as celebridades.

Mesmo os eventos Cage Rage na Inglaterra, onde Anderson Silva foi campeão e conquistou projeção internacional, ou os fracassados eventos da M-1, empresa russa que impediu de todas as formas a contratação da lenda Fedor Emelianenko pelo UFC, além do Strikeforce e Affliction, nunca fizeram frente à grandiosidade que o UFC passou a demonstrar. Quantidades absurdas de pay per view vendidos, eventos extremamente bem produzidos, uma estrutura de produtos e marketing jamais vista, transformando atletas em celebridades.

O MMA agora era definitivamente um esporte, apoiado por regras, categorias bem definidas de peso, aval das comissões atléticas e eventos realizados em outros países. Tudo isso tornou a marca UFC bilionária. O Pride F.C agora tinha um substituto à altura e melhor – com um planejamento muito mais ousado (podem ainda ser discutidas muitas regras, como as famosas cotoveladas, das quais, sou a favor, pois a regra vale para ambos), mas após a aquisição do Pride e Strikeforce pelo UFC, o monopólio de um esporte ganhou forma.

 

O corpo humano é uma máquina

A maioria dos lutadores profissionais quando estão em períodos de treino pesam muito mais do que o limite de suas categorias. Inclusive é um tema polêmico, pois muitos lutadores se desgastam a níveis perigosos para chegar à balança no peso ideal, às vezes não conseguem, mas normalmente quando vencida a batalha da balança, o lutador pode ganhar peso extra pra luta, tendo em vista que é apenas um processo controlado de desidratação, podendo ser facilmente reposto com alimentos pastosos, isotônicos, carboidrato e proteína.

O diferencial de muitos lutadores é conseguir bater o peso sem haver muito desgaste e chegar à luta com potencial máximo. Como as divisões de peso são muito bem definidas, e os lutadores quase sempre cumprem uma dieta rigorosa, alguns atletas geneticamente privilegiados conseguem chegar ao limite de suas categorias, obtendo supremacia total. É o caso de José Aldo que já cogitou super para os leves, Jon Jones que pretende subir para os pesados, Anderson Silva e Georges St Pierre. Eles não são apenas campeões. Eles têm o biótipo certo para a categoria certa. Quase imbatíveis.

Com o domínio do UFC na realização dos grandes eventos, os eventos brasileiros ou de outras marcas, como o americano Bellator, soam como uma espécie de segunda divisão do MMA, sendo apenas uma vitrine para chegar aonde todos querem chegar. No UFC. Mesmo os eventos nacionais com uma produção honesta como o Jungle Fight e Shooto Brasil, são espécies de filiais do UFC. Lyoto Machida, Renan Barão, Júnior Cigano, todos começaram em eventos menores, conquistaram seu espaço e hoje são campeões. Mas quando a sigla UFC é mais citada que o nome do próprio esporte – começo a questionar o tamanho do esquema que sustenta essa indústria bilionária, que nos dias de hoje, tem até reality show na rede Globo. Serão os critérios técnicos distorcidos pela grana?

Ainda há muito para falar. A entrada do UFC do mercado asiático, o MMA na olimpíada e temas que ainda irão moldar o rumo do esporte. Fique ligado!

 

 

 

Anderson Silva e Júnior Cigano – Conte até 10

8 novembro, 2012 às 09:04  |  por Gustavo Kipper

Nova e talvez uma das melhores campanhas publicitárias do Brasil neste ano. Em pesquisa realizada, descobriu-se que 80% dos homicídios cometidos no país são por motivos fúteis. A campanha vai contar coma  presença de outros lutadores e terá divulgação maciça na rede pública de educação.

Excelente ideia.

Anderson Silva e a superluta com St Pierre

5 setembro, 2012 às 14:40  |  por Gustavo Kipper

As superlutas, normalmente entre lutadores de categorias diferentes, em pesos combinados, não são corriqueiras no UFC. Foram grandes lutas, mas não foram muitas. Isso porque normalmente lutadores de categorias de peso diferentes possuem estrutura corporal limitada, tendo a envergadura, altura e peso como fatores diferenciais positivos. Alguns lutadores conseguem lutar em mais de uma categoria por ter uma genética e formação óssea e muscular privilegiadas, caso do nosso campeão Anderson Silva. Além é claro de técnicas para desidratação para chegar na balança no peso combinado. Algumas categorias permitem essa transição com maior facilidade, caso dos pesos penas 66 quilos e leves 70 quilos. Fato que facilitou a ida do ex- campeão dos pesos leves Frankie Edgar para os penas e desafiar José Aldo.

Anderson já fez uma superluta nos meio pesados contra Forrest Griffin e ganhou a luta com extrema facilidade. Griffin é um atleta enorme, mas Anderson mede quase 1,90 m e pesa normalmente quase 100 quilos quando não está em preparação. Anderson também já lutou nos meio médios no início de carreira e poderia lutar até entre os pesados se quisesse. O campeão dos meio pesados Jon Jones já demonstrou interesse em realizar superlutas com pesos pesados, mas a ideia foi afastada por Dana White até 2014.

Porém, ultimamente uma grande superluta está sendo cogitada e sem dúvida será feita para quebrar todos os recordes de público e pay per view da história do esporte. O Cowboys Stadium no Texas comporta mais de 100 mil expectadores e é um dos possíveis palcos dessa superluta , que pelo menos de minha parte, é vantajosa para o brasileiro e um péssimo negócio para o canadense. St Pierre não luta há mais de um ano e fará a disputa dos meio médios contra Carlos Condit no fim desse ano. Mesmo que perca a luta e o cinturão, nada afeta os planos para a superluta contra spider. Possivelmente no peso combinado de 80 quilos.

O problema é que Georges St Pierre, um dos melhores pesos por peso do mundo mede apenas 1,78 e quando não esta treinando pesa no máximo 84 quilos. Embora tenha apenas duas derroras, a diferença de altura, peso e envergadura dão uma vantagem astronômica ao spider, exímio defensor de quedas, ponto forte do canadense. Uma luta dessas, mesmo que em um peso combinado de 80 kg, seria uma covardia, mesmo que financeiramente para o canadense seja absurdamente vantajoso, levando em consideração que após essa lesão, não terá mais muitos anos de carreira. Seria um monólogo. Acho que Anderson pelo campeão que é deveria mirar alvos mais altos como Jon Jones, por exemplo, assim como Jones deveria mirar Júnior dos Santos. Isso que faz o esporte evoluir, o desafio, a possibilidade de superlutas não apenas no nome, mas também na sua concepção.

O extinto evento japonês PRIDE era conhecido por ter proporcionado as maiores superlutas da história do MMA moderno, e há exatos 10 anos, nosso Rocky Balboa brasileiro, Rodrigo Minotauro lutava contra o gigante Bob Sapp, que na pesagem oficial registrou 171 quilos. O primeiro round durava 10 minutos e era muito mais brutal. Para muitos foi a maior luta de MMA de todos os tempos e mostra a garra de um dos maiores guerreiros desse esporte.

http://youtu.be/J1gjXHZn6nQ

http://youtu.be/5AotxHFTOOM