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Anderson Silva é tudo isso mesmo?

29 janeiro, 2015 às 09:23  |  por Gustavo Kipper

O maior ídolo brasileiro no MMA enfrenta neste sábado (31) o americano Nick Diaz, em busca da redenção, após a terrível fratura que sofreu em 2013.

Anderson Silva está de volta. Naquela noite fatídica muitos, inclusive ele próprio, acreditaram que ele nunca mais lutaria. Agora, recuperado, enfrenta mais um desafio pessoal. O de superar, mais do que a dúvida de muitos, seu medo interior, após passar momentos de terror.

Para chegar até aqui, Anderson percorreu um longo caminho, muitos eventos, países e adversários. No início da carreira, fez nove lutas em eventos nacionais antes da primeira oportunidade no Japão. Foram oito vitórias e uma derrota para Luiz Azeredo por decisão unânime.

Em sua primeira passagem pelo PRIDE F.C., Anderson fez quatro lutas em um ano, vencendo três de seus quatro combates. A vitória mais impressionante foi contra Carlos Newton, com uma joelhada que ficou famosa. Mas a derrota emblemática para Rio Chonan afastou o Spider da luta pelo título.

Anderson Silva conseguiu se firmar no Cage Rage, um evento britânico, onde foi campeão dos pesos-médios, chamando a atenção do UFC por sua técnica refinada. Mesmo com a desclassificação contra Okami por um chute irregular, ele defendeu o cinturão mais uma vez e deixou o evento como campeão.

Em sua luta de estreia no UFC, um evento sem seu público para testá-lo. Cris Leben foi o escolhido e o show começou. A partir dali foram 16 vitórias consecutivas até a primeira derrota para Chris Weidman. O maior reinado da divisão dos médios, o maior número de nocautes da história do UFC, o recorde de defesas e vitórias consecutivas e o maior reinado como campeão. Sete anos.

Muitos afirmam que, no UFC, com a notoriedade que ganhou, evitou muitos confrontos, principalmente contra brasileiros. O único amigo que comprou a briga foi Vitor Belfort, que encerrou a amizade para poder disputar o título. A postura de Anderson de que atletas que já treinaram juntos não devem lutar causou muitos desconfortos ao longo de seu reinado.

Anderson defendeu seu cinturão por longos anos, mas nem sempre enfrentou atletas com nível suficiente para disputarem o título. Vejamos alguns combates que não ofereceram riscos para ele: Nate Marquardt, Travis Lutter, James Irvin, Patrick Côte, Thales Leites, Demian Maia e Yushin Okami.

Apenas os combates contra Dan Henderson, Chael Sonnen e Vitor Belfort eram risco iminente. Embora tenha vencido todos de forma majestosa, três adversários reais em sete anos é muito pouco. Porém, sete anos é muito. Tempo suficiente para chegar uma nova geração, que trouxe atletas como Chris Weidman e Jon Jones.

Anderson soube surfar a onda da vitória por muito tempo. Protegendo-se ou não, mostrou que dentro do octógono é letal. Mas sua postura muitas vezes o coloca em risco, parecendo tirar todo seu potencial. Como seria se lutasse de forma mais séria?

Essa dúvida seria respondida na fatídica noite. Mas misturou seriedade com raiva e foi punido. Agora terá mais uma chance de mostrar seu talento. Felizmente contra um atleta que gosta de trocação. Então não terá que passar a luta evitando quedas. Vai poder dar seu show, tendo em vista que Nick também gosta de provocar nos combates. Será uma guerra mental.

Vencer Nick Diaz significa dizer que ainda está no jogo. Mesmo que sua postura de não querer enfrentar brasileiros ainda vigore, sabermos que ele ainda pode dar grandes espetáculos, é fenomenal diante de tudo que passou. Caso perca, realmente a idade pode estar chegando. Aí é hora de repensar a carreira. Como uma grande marca, precisará disso.

Se Anderson Silva foi ou é tudo isso, não vai mudar com o resultado de sábado. O que ele conquistou já é dele. A questão agora é a mesma que assombra a maioria dos ídolos em fim de carreira. A dúvida de que ainda pode ser o cara.

Notícias do MMA

23 janeiro, 2015 às 08:58  |  por Gustavo Kipper

Cris Cyborg no UFC?

Parece notícia velha, mas novamente o UFC diz estar interessado na contratação da brasileira Cris Cyborg. Lorenzo Fertitta, CEO da empresa, disse que Cris tem que garantir que pode alcançar os 61,2 kg, peso limite para a categoria dos galos. Se Cyborg conseguir, uma luta contra a campeã Ronda Rousey pode se concretizar.

O problema é que Cris Cyborg já afirmou que não consegue alcançar esse peso sem comprometer seu desempenho e saúde. Então creio que não passa de promoção, para mostrar que a campeã estaria disposta a enfrentar a brasileira. Há anos as duas trocam farpas pelas redes sociais. A verdade é que se Ronda realmente quisesse lutar contra a brasileira, fariam a luta em um peso combinado.

Raphael Assunção vs Urijah Faber

Está marcada para o próximo UFC Rio, dia 21 de março, no Maracanãzinho, a batalha para, quem sabe, conhecermos o próximo adversário no peso-galo masculino. Raphael Assunção, que vem de excelentes vitórias, há um bom tempo espera uma chance de disputar o cinturão, hoje nas mãos de T.J Dillashaw.

Do outro lado, o veterano Urijah Faber, companheiro de treinos de T.J, que sempre terá title shot se vencer lutas consecutivas. O problema está em uma luta com dois companheiros de equipe. O fator de desequilíbrio pode ser a grana. Se vencer Raphael Assunção, Urijah Faber e T.J Dillashaw podem ganhar muito dinheiro e ainda manter o cinturão no Team Alpha Male.

Será que o dinheiro pode falar mais alto? Ou a amizade vai prevalecer e Urijah não desafiará seu parceiro de treinos. Veremos.

Donald Cerrone vs Khabib Nurmagomedov

Mal terminou sua maratona de vitórias e Donald Cerrone já foi desafiado novamente. Quem fez o convite pelo twitter foi o russo invicto Khabib Nurmagomedov. Cerrone parece ter gostado da ideia e, após seu merecido descanso, os dois devem se enfrentar dia 23 de maio, no UFC 187, em Las Vegas.

O russo, que está se recuperando de uma lesão no joelho, aguardava o vencedor entre o campeão Anthony Pettis e o brasileiro Raphael dos Anjos, mas para não ficar sem ritmo e mostrar quem manda na categoria, faz uma aposta pesada. Cerrone está na melhor fase de sua carreira e está nadando de braçadas rumo ao cinturão. Khabib nunca perdeu e sempre frustra seus adversários com suas quedas e jogo amarrado. São 22 vitórias em 22 lutas. Quem leva a melhor?

Fabio Maldonado vs Rampage Jackson

O retorno de Rampage Jackson ao UFC vai ser como o público queria. O brasileiro Fábio Maldonado pediu e a organização atendeu. A batalha foi marcada para 25 de abril, em Montreal, no Canadá.  Os dois são conhecidos pela maneira franca de lutar, preferindo a trocação que as quedas e chão. Essa é uma luta que dificilmente chegará ao fim. Os dois tem a mão muito pesada, além de serem personagens conhecidos do público. Lutão!

Notícias da semana

14 janeiro, 2015 às 15:38  |  por Gustavo Kipper

#1 Anderson Silva parece estar com motivação total para o duelo contra Nick Diaz. Apagou um de seus sparrings no treino dessa semana. O vídeo que foi ao ar dividiu a opinião de alguns atletas. Mas a motivação estava lá. Seria a notícia de que vai furar a fila e enfrentar o vencedor entre Weidman x Belfort o motivo de tanta motivação? Quem não deve estar feliz é Ronaldo Jacaré, que também quer a chance. Essa semana Anderson afirmou que não luta mais contra brasileiros. Se Vitor vencer, será que Anderson vai desafiar?

Tire suas próprias conclusões:

http://youtu.be/9RpPIx8MFxo

O cubano #5 Hector Lombard já percebeu que no MMA falar a vontade muitas vezes premia com grandes lutas. Após sua última vitória, Hector desafiou novamente o canadense #2 Rory McDonald e foi atendido. Com Lawler tendo pedido tempo para descanso, e o agendamento da luta entre Johnny Hendricks x Matt Brown, 14 de março, no UFC 185, o duelo possivelmente decidirá o próximo desafiante ao cinturão dos meio- médios, caso Hendricks não vença. McDonald x Lombard acontecerá no dia 25 de abril, no Canadá, pelo UFC 186.

#3 Lyoto Machida já tem novo adversário. Após ser derrotado pelo campeão Chris Weidman, Lyoto busca a redenção e enfrenta agora #5 Luke Rockhold, que vem de três vitórias consecutivas. Os dois se enfrentam no UFC on Fox, em Nova Jérsey, dia 18 de abril.

Muita gente ainda não digeriu o suposto uso de cocaína por Jon Jones. Mais que isso, muitos atletas se manifestaram revoltados coma postura do UFC, que normalmente manda embora usuários de maconha, mas passou a mão na cabeça de Jones, que usa cocaína. Mesmo que não possa ser punido por estar inativo, Jon Jones cometeu um grave deslize. Não creio que tirar seu cinturão seja o caso, mas repensar como tratar o assunto maconha, especialmente em estados que o consumo é legalizado, deveria entrar em pauta. Substancias que não aumentam o desempenho não deveriam ser consideradas doping. Os irmãos Diaz agradecem.

 

 

Uma questão de grandeza

6 janeiro, 2015 às 11:27  |  por Gustavo Kipper

A vitória de Jon Jones sobre Daniel Cormier o colocou em uma posição de grandeza no esporte. Lugar ocupado apenas por seletos atletas, nos vinte anos do The Ultimate Fighting Championship. Posso afirmar que nessa lista tem menos nomes que o Hall da Fama criado para homenagear grandes campeões do passado. A questão aqui não apenas sobre ser um dos maiores, é sobre ser o maior de todos os tempos.

No boxe, muitos gostam de Mike Tyson, Joe Louis e Sugar Ray Robinson. Porém, na alma do povo e dos apaixonados, Muhammad Ali sempre será o maior de todos os tempos, em um esporte centenário. No MMA, para ocupar esse espaço no pedestal, apenas três nomes vêm a minha cabeça: Fedor Emelianenko, Anderson Silva e Jon Jones. Excluo definitivamente Georges St Pierre pelo alto nível de marasmo que impõe em suas lutas. É apenas competitivo, não é gênio.

No último sábado (03), o americano de 105 quilos e mais de dois metros de envergadura fez uma luta muito dura, com quem seria seu maior desafio. Mas, quando a luta passa do terceiro round, Jones começa a sobrar em todos os aspectos possíveis. Como disse o próprio Cormier ao fim da luta, ao afirmar que Jones tem a técnica de parecer ainda maior do que realmente é. No fim das contas, é uma questão de tamanho.

Embora tenha um vasto arsenal que incluem pisadas no joelho, dedos nos olhos e cotoveladas maldosas, Jones não é um lutador que costuma nocautear com um golpe. Ele machuca o oponente por 25 minutos, mas às vezes não finaliza as lutas. Sabe usar as regras de pontuação e sobra nos últimos rounds. Mas não tem punch suficiente para subir para os pesados. Segundo o próprio Jones, suas canelas são finas e ele não vai subir de peso. É um legítimo meio- pesado. Seu segredo é usar como ninguém seu tamanho, frustrando seus oponentes em suas melhores áreas.

Logo, a decisão de permanecer na divisão que é rei, me parece acertada. Agora vai começar a segunda rodada de vitórias sobre todos aqueles que antes já derrotou. Para quem quer ser o maior de todos os tempos, permanecer anos limpando a categoria é o caminho mais fácil. Toda essa conversa de melhor de todos os tempos será amplamente facilitada por Anderson Silva, que não quer lutar contra brasileiros. Quer furar fila para disputar o cinturão, o que não vai aumentar em nada sua grandeza. A decadência vem aí.

Com Fedor aposentado e Anderson escolhendo lutas, Jon Jones me parece o maior candidato a ser o cara. Jones não escolhe tanto seus adversários e ainda é muito novo. Vai enfrentar apenas os melhores e, se não tiver contusões sérias, pode lutar até os quarenta anos de idade. Insuperável. Sem contar é claro de possíveis superlutas contra campeões como: Chris Weidman e Cain Velásquez.

Podemos prever um ano muito forte no mundo das lutas. Grandes combates no boxe e no MMA. Muitas lutas históricas que podem sair do papel e virar realidade. Talvez seja o melhor ano do século XXI.

 

Bateu, levou

16 dezembro, 2014 às 15:41  |  por Gustavo Kipper

A batalha entre Júnior Cigano e Stipe Miocic ainda rende críticas ao brasileiro, que mais uma vez, foi duramente castigado em outra batalha de cinco rounds.

Apesar da vitória por decisão, Júnior Cigano deixou novamente a sensação de que apanha muito. O brasileiro tem queixo duro. Para quem assistiu o combate, percebeu que foi uma guerra. Uma luta de boxe, entre pesos-pesados, porém nas regras do MMA. Inclusive com luvas de menor espessura.

Essa postura de Cigano em lutar boxe vinha funcionando até suas últimas lutas contra Cain Velasquez. A partir daí, vem levando muitos golpes duros e saindo bem machucado, levando suspensões médicas de seis meses. O brasileiro não chutou, não usou seu jiu-jitsu e não tentou nenhuma vez colocar o croata para baixo. O resultado foi uma luta franca de 25 minutos e muitos golpes na cabeça.

Para termos uma noção, nas duas últimas lutas contra Cain e nessa contra Miocic, Cigano levou 255 golpes na cabeça. Muito mais do que levou em todas as partes do corpo, em todas as suas lutas no UFC. Infelizmente isso pode trazer um futuro sombrio para o brasileiro, que pode ser vítima de problemas neurológicos por causa de tanta pancada.

A arte do boxe ou do MMA é golpear sem ser golpeado. Alguns atletas são mestres nisso e conseguem diminuir muito o impacto dos golpes que chegam ao tronco e cabeça. Floyd Mayweather e Lyoto Machida são exemplos de atletas que sabem bater sem apanhar, por mais que isso às vezes represente  uma postura evasiva. Outros atletas já ficaram mais conhecidos por se expor mais que os outros e por terem suas carreiras marcadas por cortes e olhos roxos. Wanderlei Silva e Maurício Shogun são exemplos de lutadores ofensivos que batem, mas apanham demais. Júnior Cigano entrou nesse time. Milagre não ter sido nocauteado ou quebrado nada.

Agora treinando na Nova União, esperava-se que sua estratégia de luta fosse aprimorada. Porém, tudo que ouvimos foi Luiz Dórea gritando as mesmas coisas que sempre gritou. Faltou Dedé Pederneiras ficar no comando. Cigano precisa repensar sua estratégia para não apanhar tanto, isso se quiser ter uma carreira longa. É claro que em uma batalha de cinco rounds entre pesos-pesados é coisa pra maluco.

Justamente por esse motivo tem que melhorar sua defesa. Isso vale também para a equipe Nova União, que tem tido atletas bastante machucados após os combates. Verdadeiras guerras, é fato, mas muita cara estragada. Renan Barão foi amassado por Dillashaw; José Aldo venceu, mas saiu muito machucado. Claudia Gadelha foi roubada, mas também apanhou bastante. Agora Cigano, que novamente saiu deformado.

Nessas horas é impossível não se lembrar de Royce e Rickson Gracie. Não fugiam da porrada e conseguiam impor sua técnica. Raramente saiam sangrando, com o rosto inchado. Se o objetivo é vencer, por que não por um atalho? No caso de Cigano, do ponto de vista do show, é claro que foi sensacional. Do ponto de vista da carreira do atleta, batalhas como essa não podem ser frequentes. Caso contrário, veremos um dia nossos ídolos sofrendo como Muhammad Ali, com Parkinson ou pior.

Bater sem apanhar deveria ser a meta dos lutadores. Até nos filmes isso não costuma acabar bem. Rocky fez duelos épicos. Mas, o filme deixa claras as sequelas e limitações que os golpes na cabeça podem trazer com o tempo.

Detalhes que fazem a diferença

8 dezembro, 2014 às 15:05  |  por Gustavo Kipper

Com grandes lutas, o UFC realizou mais um grande evento e caminha para um fim de ano vitorioso, apesar das turbulências com contusões e cancelamentos que incomodaram bastante em 2014.

As lutas principais eram decisivas e valiam o cinturão. A tensão era visível desde as pesagens, um dia antes. E, mais uma vez, a balança pode ter feito a diferença para Johnny Hendricks. O americano não conseguiu lutar nos últimos rounds e foi surpreendido pela decisão dos árbitros.

A preparação de Hendricks pareceu correta, porém, como admitiu, ele gosta de comer. O ex-campeão dos meio-médios chegou ao começo da preparação quase um peso-pesado. São muitos quilos para tirar. Fez a diferença. Robbie Lawler que não tinha nada a ver com isso. Apesar de ter perdido dois rounds, não baixou a cabeça. Chegou mais inteiro na hora da decisão e venceu a luta. Com merecimento, Lawler torna-se o novo campeão dos meio-médios. Nessas horas ficamos imaginando que esse título vai passar por muita gente, agora que Georges St Pierre se aposentou.

Anthony Pettis mostrou por que é o campeão dos leves. Com excelente técnica e muita paciência, o showtime soube atacar na hora certa e se aproveitou da afobação de Gilbert Melendez, para vencer sua primeira defesa do cinturão. Ainda na coletiva, o russo Khabib Nurmagomedov já fez o desafio, aceito de imediato pelo campeão. Porém, o próximo desafiante do campeão ainda não está definido. Com a vitória sobre Ben Henderson, o brasileiro Rafael dos Anjos também está na fila e pode surpreender. O russo ainda se recupera de lesão e só deve voltar a lutar em maio de 2015.

Lutas em alto nível são vencidas no detalhe. Na alimentação, corte de peso, preparação mental. Não só treinando as artes marciais. Johnny Hendricks mostrou que não estava preparado suficientemente para manter o cinturão. Mesmo treinando com um campeão olímpico, e orientado por nutricionistas da moda, Johnny deixou a desejar. Lawler queria mais.

Entre os pesos-leves, o detalhe foi a paciência. Mesmo perdendo o primeiro round, Pettis se manteve atento às brechas proporcionadas por Melendez, que caminhava pra frente, mas não conseguia agredir nem colocar pra baixo. Foi questão de tempo para Pettis colocar na guarda e encaixar uma guilhotina perfeita. Foi a primeira vez que Gilbert Melendez foi finalizado.

Todos os grandes campeões conheciam como ninguém os detalhes e se preocupavam exaustivamente com eles. Georges St Pierre era obcecado por eles. Anderson Silva se aproveitava deles para dar show. E Jon Jones sabe como ninguém machucar os outros nos detalhes. Mais do que treino, a inteligência é critério obrigatório para manter cinturões por longo tempo.

UFC 181: Hendricks vs Lawler II

5 dezembro, 2014 às 13:10  |  por Gustavo Kipper

UFC 181

A aguardada revanche entre o campeão dos meio-médios Johnny Hendricks e o desafiante Robbie Lawler será neste sábado (06), em Las Vegas.

O primeiro confronto foi marcado por muito equilíbrio, com os dois atletas buscando a trocação. Uma guerra sangrenta. Os dois tiveram grandes momentos na luta, porém o campeão ganhou força no round final e levou o cinturão por decisão unânime dos juízes. A luta com Lawler foi a primeira disputa de cinturão após a aposentadoria de Georges St Pierre, que vagou o título.

Dificilmente a luta será mais agressiva que a primeira. Hendricks, que entrou no octógono apenas quatro meses após a derrota para St Pierre, parecia não ter se recuperado totalmente do combate. Muito pesado, as dietas para alcançar o peso esgotam o campeão. Ainda no começo da luta, machucou o braço e ficou completamente limitado para usar seu wrestling. Desta vez, teve oito meses para se preparar. A lesão no bíceps precisou de uma pequena cirurgia, mas agora o campeão está de volta.

Robbie Lawler é um lutador muito versátil e perigoso. Se o campeão não entrar cem por cento ligado,será fatalmente surpreendido. Acredito que a luta não tem favorito, mas Lawler esteve muito perto de conquistar seu objetivo. O desgaste pesou. Agora, sem dúvida, estará preparado para 25 minutos intensos. Treinando na American Top Team, na Flórida, venceu suas últimas lutas de forma contundente, contra Jake Ellemberger e Matt Brown.

O card está excelente. Na mesma noite, outra disputa de cinturão. Agora pelo peso-leve. O campeão Anthony Pettis defende o título contra Gilbert Melendez, na luta entre os treinadores da 20.ª versão do The Ultimate Fighter. Após uma edição dramática, até porque apenas mulheres participaram, os dois lutadores prometem dar a alma. Mesmo com muito respeito, a rivalidade, que já vinha do Strikeforce, ganhou corpo e o ar da guerra está no ar. Ambos são atletas completos, com excelente trocação e jogo de chão. O campeão leva vantagem, mas Melendez tem a mão pesada. Lutaça!

Esta é uma daquelas edições imperdíveis, com duas disputas de cinturão, além de outros grandes combates e nomes. Espero que daqui pra frente continue assim.

Assista o Countdown to UFC 181:

UFC 181

6 de dezembro de 2014, em Las Vegas (EUA)

CARD PRINCIPAL

Peso-meio-médio: Johny Hendricks x Robbie Lawler

Peso-leve: Anthony Pettis x Gilbert Melendez

Peso-pesado: Travis Browne x Brendan Schaub

Peso-galo: Raquel Pennington x Ashlee Evans-Smith

Peso-leve: Tony Ferguson x Abel Trujillo

CARD PRELIMINAR

Peso-galo: Urijah Faber x Francisco Rivera

Peso-médio: Eddie Gordon x Josh Samman

Peso-meio-pesado: Corey Anderson x Justin Jones

Peso-pesado: Todd Duffee x Anthony Hamilton

Peso-galo: Matt Hobar x Sergio Pettis

Peso-pena: Clay Collard x Alex White

Invicta F.C 10

4 dezembro, 2014 às 17:41  |  por Gustavo Kipper

Conhecido por promover eventos apenas para lutadoras, o Invicta F.C vem ganhando projeção e abriga grandes nomes do MMA feminino.

Nesta sexta (04) acontece mais uma edição do Invicta F.C. Desta vez, a cidade escolhida é Houston, no estado americano do Texas. Na luta principal, a disputa do cinturão do peso-átomo, até 47,6kg. A campeã Michelle Waterson (12-3) enfrenta a brasileira Herica Tiburcio (8-2).

O Invicta F.C foi o grande responsável pelo sucesso da vigésima edição do The Ultimate Fighter, que está no ar nos Estados Unidos. O evento cedeu as atletas para a competição, que premia a campeã com o título do peso-palha no UFC. Uma das semifinalistas do TUF 20, Carla Esparza, é a atual campeã da categoria. A brasileira Cris Cyborg é a atual campeã no peso-pena.

Confira o card completo do Invicta F.C 10

Atomweight Title Fight: Michelle Waterson (12-3) vs. Herica Tiburcio (8-2)

Bantamweight: Tonya Evinger (14-5) vs. Cindy Dandois (5-1)

Flyweight: Andrea Lee (2-0) vs. Roxanne Modafferi (16-11)

Flyweight: Jennifer Maia (9-3-1) vs. DeAnna Bennett (5-0)

Featherweight: Charmaine Tweet (6-4) vs. Faith van Duin (4-1)

Featherweight: Peggy Morgan (2-2) vs. Andria Wawro (3-1)

Strawweight: Alexa Grasso (5-0) vs. Alida Gray (4-1)

Atomweight: Jinh Yu Frey (2-1) vs. Cassie Robb (0-2)

Flyweight: Rachael Ostovich (1-1) vs. Evva Johnson (1-0)

http://invictafc.com/

https://www.facebook.com/InvictaFights?fref=ts

Parceria UFC x Reebok promete revolucionar o MMA

3 dezembro, 2014 às 17:52  |  por Gustavo Kipper

A parceria anunciada nessa terça-feira (02) promete mudar completamente a relação dos atletas com seus patrocinadores. O contrato inédito de exclusividade prevê o desenvolvimento de materiais esportivos para todos os atletas, incluindo materiais para treinos e para a aquisição de fãs.

Com o acordo entre as marcas UFC e a gigante esportiva Reebok, os lutadores ficam impedidos de estamparem a marca de seus patrocinadores nos eventos oficiais, que incluem o evento principal, a semana da luta, pesagens e conteúdo produzido pelo UFC e em outros eventos oficiais do UFC. O cartaz com as marcas também não poderá mais ser usado no Cage. Até mesmo os corners terão que vestir uniforme apropriado. Serão distribuídos kits para as equipes e lutadores. A regra passa a valer na semana da luta (International Fight Week) do dia 6 de julho de 2015.

Para os atletas que estão no início da carreira, a notícia chega em boa hora, tendo em vista a dificuldade de conseguir patrocínios razoáveis para suas carreiras. Com isso, o lutador pode se dedicar apenas aos treinamentos e lutas. Por outro lado, atletas renomados que têm contratos com outras empresas esportivas ou grandes marcas podem ser prejudicados, caso o valor oferecido seja inferior ao que deseja pagar a Reebok.

Segundo o UFC, o valor dos patrocínios vai ser ajustado conforme o lugar que cada um ocupa no ranking. Coincidência ou não, a parceria vem após a quebra de contrato de John Jones com a Nike. Jones e a Reebok já estavam namorando.

Pensando do ponto de vista esportivo, se feitos da forma adequada, os uniformes podem no futuro melhorar o desempenho dos atletas, além de deixar o esporte mais padronizado do ponto de vista visual e competitivo. Alguns campeões do UFC como Anthony Pettis e Johnny Hendrics irão ajudar na criação dos materiais.

A maioria dos esportes olímpicos tem certa padronização nos uniformes. Seleções e confederações selam parcerias com gigantes esportivas em moldes muito parecidos com o que sugere o novo modelo de negócio. Sem contar o lucro com a venda e licenciamento dos mais variados tipos de produtos, do boné ao protetor bucal.

A parte social também foi apresentada. Parte dos lucros obtidos com a venda dos produtos será repassada à ONG Luta pela Paz, que usa as artes marciais e a educação para ajudar na formação de jovens carentes que foram expostos ao crime e à violência Com sede em Londres e no Rio de Janeiro, a ONG foi fundada pelo ex-boxeador Luke Dowdney.

Sem dúvida, muito lutador vai torcer o nariz para o contrato. A novidade, de certa forma, atrapalha consideravelmente a relação dos lutadores com seus patrocinadores, que terão suas exposições diminuídas drasticamente. As empresas que investem no MMA terão que encontrar soluções para aumentar a visibilidade, recorrendo a outras mídias disponíveis. Sem dúvida, é uma mudança significativa que busca também distanciar o UFC cada vez mais de seus concorrentes.

Ronda Rousey vs Cris Cyborg

27 novembro, 2014 às 14:10  |  por Gustavo Kipper

Poucas rivalidades no MMA são tão intensas e verdadeiras como a da americana Ronda Rousey e a brasileira Cris Cyborg.

Mesmo sem nunca terem se enfrentado e nem ao menos terem pertencido à mesma organização, as duas atletas realmente não se gostam, deixando a rivalidade de Ronda com Miesha Tate quase uma amizade.

Será mesmo que Ronda tem medo de Cyborg? E por que ela fica tão irritada quando tocam no assunto de uma possível luta? Há alguns anos podemos ver no boxe uma situação muito parecida. O maior astro do boxe mundial, o supercampeão Floyd Mayweather, Jr., tem uma enorme dificuldade em lidar com o tema Manny Pacquiao.

A luta que todos aguardam já esteve muito perto de acontecer, mas Floyd inventa todas as desculpas possíveis para não enfrentar o filipino. Só há uma maneira de o medo ser superado. Milhões de dólares em dinheiro vivo comprariam a frustração de sua única derrota. O dinheiro é seu ponto fraco. Qual será o ponto fraco de Rousey?

Atletas olímpicos estão acostumados com competições e todo o tipo de pressão. Ronda Rousey não tem medo de Cris Cyborg. Ao contrário, se pudesse a matava com as próprias mãos, como já mencionou recentemente. Se eu acredito que Cris Cyborg pode dar uma surra em Ronda Rousey e ser campeã do UFC, é claro que acredito. Acho inclusive possível.

O problema é que Ronda está em um patamar muito alto como marca. Algo que Cris precisa evoluir. A construção da imagem como marca pessoal é longo. Ronda traçou o caminho perfeito. Olimpíadas, UFC e cinema. É uma estrela nos Estados Unidos, e só vai aliar sua marca pessoal a projetos em que acredita. Assim como Mayweather. Ou seja, muita grana.

Cris terá um caminho complicado. Precisa reverter a imagem negativa do caso de doping. Precisa perder peso pra descer de categoria e, mais do que tudo, vencer uma boa sequência de lutas até o ponto em que seja impossível segurar sua ida ao UFC. Lá dentro, vai ter que se credenciar dentro do octógono, algo que ela sabe fazer como ninguém.

Ronda Rousey é capaz de escolher suas próximas adversárias. Não que isso signifique escolhas fáceis. Ao contrário, Ronda vem enfrentando as melhores. Inclusive outra atleta olímpica como Sarah McCann. Venceu todas com extrema facilidade. Ronda vai querer essa luta o dia em que Cyborg tiver tantas vitórias no UFC que seu sucesso fique insuportável. Assim a proposta que receberá pela luta será a maior da história do MMA feminino.

É sem dúvida a luta que todos gostaríamos de ver um dia. Mas esse, sem dúvida, não é o melhor momento. Cris Cyborg precisa subir alguns degraus importantes nos próximos dois anos. Não pode nem pensar em derrota no Invicta F.C, para poder chegar ao UFC. Sua trocação é imbatível, mas Ronda apresenta dificuldades extremas no grappling, especialmente quando cai por cima. Fato comum, tendo em vista seu nível no judô.

Infelizmente corremos o risco de não assistir nenhuma das duas lutas, por motivos muito parecidos. A batalha das marcas é mais lucrativa que a batalha de lutadores, apenas. Luta é negócio desde que Sugar Ray Robinson descobriu o poder da negociação.