Arquivos da categoria: MMA

A sombra do que já foi

20 abril, 2015 às 14:55  |  por Gustavo Kipper

A derrota de Lyoto Machida para o americano Luke Rockhold, na noite de sábado, mostrou que não apenas Lyoto está longe de seu auge, quando foi campeão dos meio-pesados, quanto hoje existe muito mais competividade em todos os pesos.

O brasileiro foi duramente castigado. Inclusive não pôde comparecer à coletiva pós-luta, pois foi direto para o hospital fazer uma tomografia. A diferença de tamanho não foi só o diferencial do americano. Lyoto parecia lento, muito diferente do atleta que conquistou o cinturão. Luke estava voando.

Lyoto lutava melhor nos meio-pesados. Apesar de ter feito uma excelente dieta e não precisarperder muito peso para alcançar os 84 kg, limite de sua categoria atual, Lyoto perdeu poder de nocaute. É incrível como o tamanho dos lutadores vem aumentando ao longo dos anos, deixando as coisas muito mais difíceis. Lyoto Machida e Maurício Shogun já foram campeões dos meio- pesados. Hoje não têm chance alguma. Jon Jones, Anthony Johnson, Daniel Cormier e Alexander Gustaffson são enormes. Pesos-pesados disfarçados.

No peso-médio as coisas também estão indo para esse caminho. Luke Rockhold e Chris Weidman são atletas muito fortes para a categoria. Poderiam ser meio-pesados. Lyoto decidiu mudar de peso e agora também gastou sua munição sem resultados positivos. Venceu apenas atletas sem expressão e perdeu todas as lutas decisivas. Realmente a situação de Lyoto é muito complicada. Maurício Shogun, depois da luta contra Minotouro, pode ir para os médios e tentar a sorte. Corre o risco de também perder potência, mas tornou-se um atleta pequeno para sua categoria original, e ir para os médios, pode ser uma boa estratégia.

Já para Lyoto Machida, não vejo muita saída. Nos meio-pesados não teria chances e nos médios pode fazer boas lutas, mas nunca mais será campeão. Ainda há atletas bons para Lyoto enfrentar, mas devemos admitir que seu auge já passou. Não tem que provar mais nada a ninguém, e deve lutar apenas se ainda estiver se divertindo.

Qual o limite das provocações?

7 abril, 2015 às 12:10  |  por Gustavo Kipper

A provocação para vender lutas não é nenhuma novidade. Nem no boxe, nem no MMA. Muhammad Ali era mestre nisso. Porém, mesmo com toda a bravata e língua afiada, era engraçado. Era sagaz. Era um gênio.

Até mesmo no cinema, na saga de Rocky Balboa, Apollo Creed era o falastrão. O campeão que sabia como ninguém vender combates e provocar seus oponentes. Em Rocky IV, no auge da guerra fria, usou suas palavras contra o russo Ivan Drago. Seria morto em combate. Morreu literalmente pela boca.

Outros lutadores ao longo da história das artes marciais revelaram sua irreverência, como Roy Jones Jr. e Anderson Silva. Atletas com postura não ortodoxa, mas que mexia na mente de seus oponentes com movimentos que obrigam qualquer um a tomar uma atitude. Forçavam o erro.

No MMA, Chael Sonnen inaugurou o estilo de falar para chegar mais rápido nas grandes lutas. Ao contrário de lendas, que falavam, mas faziam, Sonnen passou a lutar apenas com a língua, frustrando muita gente que merecia estar em seu lugar, mas foi deixada de lado pelo business das vendas de pay per view.

Conor McGregor é o novo discípulo de Chael Sonnen. Embora reconheça que ambos sejam divertidos, e de certa forma talentosos, nunca realmente foram ou são grande coisa. Apenas são bons vendedores de combates. Tanto é que Chael, depois que proibiram o T.R.T, foi direto comentar na televisão.

Conor McGregor tem vencido suas lutas de forma contundente. Claramente é um peso-leve disfarçado de peso-pena. É maior e mais forte que a maioria de seus recentes oponentes. Chega a pesar 80 kg fora do período de treinos.Mas ainda não foi realmente testado. Não enfrentou nenhum lutador top 5 da categoria e agora foi premiado com um title shot.

A turnê de promoção da luta, que acontece dia 11 de julho, em Las Vegas, vem gerando muita repercussão. O nível de provocação e desrespeito por parte do irlandês nos faz questionar até que ponto o circo do MMA pode chegar para vender o combate?

O UFC já afirmou que nunca gastou tanto para promover uma luta. O próprio José Aldo reconhece que as provocações fazem parte do jogo, e parece estar vacinado contra as investidas de McGregor, que já chegou a “roubar” o cinturão do campeão durante a coletiva em Dublin. Pior, em um programa de entrevistas, Conor Chegou a tocar a nuca do brasileiro, que quase partiu pra cima de McGregor.

Em visita a Irlanda, Dana White deixou uma plateia completamente bêbada fazer perguntas a Aldo. Muitos inclusive falando palavrões, gritando e ofendendo o brasileiro de todas as maneiras. Aldo parecia frio, mas por dentro era nítido que por ele a luta poderia começar ali mesmo.

A briga entre Jon Jones e Daniel Cormier foi péssima para a imagem da organização e dos lutadores. Mas o comportamento que o UFC obriga os lutadores a ter deixa qualquer ser humano no limite. Ainda mais lutadores acostumados com o confronto. Que não se gostam.

Acho que ânimos exaltados, provocações e falação fazem parte. Mas Conor McGregor passou dos limites e mostrou ser um cara extremamente mal educado. Uma vitória de José Aldo seria excelente para o esporte. Talvez nem tanto para o UFC, que já tem sem novo queridinho. Uma vitória de Aldo é uma vitória do respeito, da educação e do povo brasileiro.

O peso morto

6 abril, 2015 às 11:53  |  por Gustavo Kipper

A vitória tranquila de Chad Mendes sobre Ricardo Lamas, no último sábado, mostrou novamente por que a chegada de Conor McGregor é tão importante para a divisão dos penas, e, por isso, o irlandês está sendo bem remunerado.

Mendes e Lamas se enfrentaram pela primeira vez. A luta não durou muito. Chad mostrou que, depois de Aldo, é o melhor da divisão. Mendes e Lamas já perderam para o campeão, Mendes duas vezes inclusive. Mas para o americano, vitorioso no sábado, a única luta que faz sentido seria uma terceira luta contra o campeão José Aldo.

Mendes desconsidera a vitória de McGregor sobre Aldo. Acredita que o brasileiro vencerá facilmente. De qualquer maneira, em caso de vitória de Aldo, dificilmente ganhará outra oportunidade tão cedo. Nem em caso de vitória de McGregor, tendo em vista que uma revanche imediata possivelmente seja oferecida a Aldo, em caso de derrota.

Do outro lado, uma grande luta irá acontecer dia 16 de maio. Frankie Edgar enfrenta Urijah Faber, em uma luta que pode definir o possível desafiante de Chad Mendes. Em caso de vitória de Edgar, uma luta contra Mendes seria explosiva, e o vitorioso teria grande chance de ganhar o title shot. Porém, caso Faber vença, acho pouco provável que os companheiros de equipe se enfrentem e Chad Mendes ficará em uma situação complicada. Um bom caminho para Mendes seria a vitória de José Aldo. Assim poderia desafiar Conor McGregor, levar um bom dinheiro e, quem sabe, ter uma terceira chance.

O caminho de Frankie Edgar, ex-campeão dos pesos-leves, me parece mais complicado. Tem que derrotar os dois atletas da Alpha Male na sequencia. Se vencer Faber e Mendes, sem dúvida terá sua segunda chance contra Aldo.

Infelizmente todo o desenho de possíveis combates gira em torno de três ou quatro lutadores. Aldo já venceu todos e McGregor será seu último grande desafio. Se vencer, creio que será difícil perder nos próximos anos. O único com chances é Chad Mendes, que ainda precisa ser mais testado.

É um peso morto. Uma categoria em que as emoções só aparecem quando Aldo e Mendes se encontram, ou quando Conor McGregor fala bastante. A coletiva de imprensa na Irlanda mostrou que vale tudo para promover  uma luta. Inclusive deixar uma plateia bêbada pegar o microfone e ofender o campeão sem pudor.

Para o UFC, a vitória de McGregor seria a salvação. Mas para o esporte a vitória só comprovaria a teoria de que Aldo é uma lenda ainda não reconhecida. E que vai dominar a divisão até se aposentar.

 

Campeões

16 março, 2015 às 14:47  |  por Gustavo Kipper

Rafael Dos Anjos

O brasileiro Rafael Dos Anjos sagrou-se campeão dos pesos-leves do UFC ao derrotar o ex-campeão Anthony Pettis. Com um desempenho avassalador, venceu todos os cinco rounds e obteve uma vitória dominante. Rafael é o primeiro brasileiro a conquistar um cinturão da categoria.

A vitória do brasileiro surpreendeu muita gente. Pettis é considerado um dos melhores lutadores da atualidade e não encontrou sem jogo em nenhum momento da luta. Dos Anjos o dominou na trocação, no wrestling e no jiu-jitsu. A luta perfeita e o melhor desempenho da carreira de Rafael.

Um dos segredos do campeão já é um velho conhecido dos brasileiros. O mestre Rafael Cordeiro, responsável pelo muay-thai e estratégia de Dos Anjos, conhece como ninguém o processo de formar campeões. Foi assim com Wanderlei Silva, Shogun, Werdum e agora Rafael Dos Anjos.

Hoje o desafio é outro. Aguarda a batalha entre Donald Cerrone e Khabib Nurmagomedov, atleta russo que já o venceu anteriormente. Enquanto isso deve descansar um pouco e comemorar a conquista.

Sergei Kovalev

Campeão dos meio-pesados pela WBA, IFB e WBO, o russo conquistou uma vitória importantíssima contra o canadense Jean Pascal, e levou pra casa também o cinturão Diamond do WBC. Foi a quinta defesa da WBO e primeira da IBF e WBA, conquistados contra a lenda Bernard Hopkins.

Mesmo com uma paralisação contestável do juiz do combate, Kovalev foi dominante e mostrou por que é um dos melhores boxeadores da atualidade. Invicto em 27 combates, ficou longe do radar dos principais promoters, mas agora definitivamente entrou no seleto grupo de atletas russos que fazem sucesso nos EUA.

Agora, um confronto com o campeão linear do WBC, outro haitiano naturalizado canadense, Adonis Stevenson, é inevitável. Assim, uma unificação com os quatro principais cinturões do boxe promete agitar o verão americano. Stevenson tem luta agendada para 4 de abril, contra o ex-campeão Sakio Bika. Se vencer, enfrenta Kovalev pela supremacia dos meio-pesados.

WBA – Associação Mundial de Boxe.

WBC – Conselho Mundial de Boxe

IBF – Federação Internacional de Boxe

WBO – organização Mundial de Boxe

MMA Olímpico

5 março, 2015 às 12:55  |  por Gustavo Kipper

Embora muitas pessoas ainda não reconheçam o MMA como esporte, para quem é fã da modalidade, deve acreditar que esse pode ser um dos melhores anos para o mundo das lutas, incluindo o boxe e o MMA.

Grandes disputas de cinturão, unificação e superlutas já tomam conta do calendário de 2015. Números nunca antes alcançados pelas artes marciais mistas. Mas, embora muita coisa tenha sido feita em relação aos eventos, lutadores, uniformes e doping, o esporte ainda precisa evoluir.

Mesmo que não seja um esporte olímpico, tarefa impossível pelos métodos atuais de pontuação, subjetivos e quase lúdicos, vem crescendo em termos de profissionalismo em todas as áreas. A preparação física dos lutadores de ponta, incluindo suplementação e esforço são superiores a maioria dos esportes de alto rendimento, e cada vez mais atletas de outros esportes migram para o MMA.

O melhor exemplo da atualidade é a campeã dos galos do UFC, Ronda Rousey. Judoca, medalhista olímpica, Ronda encontrou no UFC sua melhor forma e potencial. Outros exemplos a seguem: a multicampeã mundial de boxe Holly Holm, Daniel Cormier, Sarah McMann, Hector Lombard entre outros, somam à lista de atletas olímpicos que hoje fazem parte do mundo do MMA.

Mesmo que os números de televisão e bolsas sejam imensamente inferiores ao boxe, o MMA hoje consegue números muito bons, se tratando de um esporte que tem apenas vinte anos e apenas uma grande franquia. Porém, já alcançou todos os continentes e as competições acontecem em todo mundo.

A diferença, em princípio, é que o lutador de MMA busca chegar ao UFC para poder ter uma boa condição financeira, e quem sabe, um dia vestir o cinturão. Enquanto os esportes olímpicos a meta é a Olimpíada, a medalha, de quatro em quatro anos. A vantagem do MMA é que o atleta não precisa abrir mão do sonho olímpico. Pode ter vida olímpica e depois do ciclo de seu esporte migrar para o MMA.

Acho que falta boa vontade por parte do UFC e das comissões atléticas dos países para se tentar chegar a regras de pontuação mais bem definidas, e assim, um dia ser um esporte reconhecidamente Olímpico. Mas, como a maioria dos lutadores americanos tem base de luta olímpica, os critérios subjetivos muitas vezes beneficiam as quedas, mesmo que com elas não se tenha nenhum proveito.

Faltam no MMA critérios bem definidos de pontuação. Quanto vale uma queda, quanto vale uma tentativa de finalização, um soco limpo, uma canelada bem dada da coxa. O boxe olímpico conta com um placar. Como na esgrima, cada golpe limpo é um ponto. No MMA olímpico um placar seria necessário. Assim, definidas as pontuações, o lutador e todos os envolvidos saberiam o placar da luta durante seu andamento.

No MMA lutar em casa tem feito muita diferença, o que é um absurdo. Em uma luta equilibrada, decidida nos detalhes, os jurados nunca querem se complicar, e sempre dão a vitória ao atleta da casa. Com pontuações mais definidas, isso seria impossível, e os jurados teriam cada vez menos poder de decisão sobre os resultados. No modelo atual, polêmicas não faltarão ao longo dos anos.

Não digo que um modelo parecido deva ser aplicado ao UFC e ao MMA profissional, mas pensar em um modelo de MMA adaptado as competições olímpicas poderia facilitar a formação de seleções nacionais, com campeonatos mundiais e copas do mundo com atletas que não pertençam a nenhuma franquia  ou organização.

Em um país pobre como o Brasil, o MMA passa a ser uma segunda válvula de escape para jovens que procuram um esporte como sustento, já que no futebol a competitividade é absurda. O MMA pode contribuir de forma positiva na formação de atletas e cidadãos.

Precisamos reconhecer o talento natural dos brasileiros para o MMA. Muitos atletas com condições imensamente inferiores aos americanos, hoje, dominam suas categorias pelo talento e não pelo incentivo que recebeu ao longo de sua vida. Como seria se o governo reconhecesse esse potencial ainda na adolescência e ajudasse a formar novos campeões?

 

 

Passando a régua

27 fevereiro, 2015 às 12:44  |  por Gustavo Kipper

Ronda Rousey vs Cat Zingano

Neste sábado (28), em Los Angeles (EUA), a campeã dos galos do UFC, a superstar Ronda Rousey, luta mais uma vez pela hegemonia absoluta no esporte. Nunca conheceu a derrota no MMA. Caso passe por Cat Zingano, quem sabe alcance a maior hegemonia da história do esporte, segundo o comentarista Joe Rogan.

Definitivamente, esse reinado não vem pelo tempo como campeã, apenas dois anos e seis meses. Número muito inferior ao alcançado por Anderson Silva, Georges St Pierre ou Jon Jones. O reinado vem pela intensidade como a atleta e celebridade Ronda Rousey se posiciona diante dos desafios a ela impostos como: filmes, mídia, fãs, Cris Cyborg e suas defesas de cinturão. É uma máquina.

As vitórias sobre Alexis Davis e Sarah McMann a colocaram em um patamar nunca antes alcançado por uma mulher no MMA, a não ser por Cris Cyborg, que tem um currículo manchado pelo doping, além de nunca ter lutado ainda no UFC. Um dia Cris pode dar a volta por cima, mas até lá tem muito chão.

O fato de o inglês ser a língua nativa de Ronda, além, é claro, de morar ao lado do UFC e de Hollywood, a tornaram a queridinha da América. Já havia representado o país lutando judô nas Olimpíadas. Feito muito valorizado, ainda mais quando se traz uma medalha. Os compromissos aumentaram, as responsabilidades cresceram, mas Ronda permaneceu inabalável.

Agora a campeã tem a chance de mostrar que não é apenas a melhor grappler. Pode mostrar que é também a melhor striker. Sua velocidade, potência e precisão têm acabado suas lutas de maneira avassaladora. Mesmo adversárias com nível olímpico, como McMann, primeira mulher a conquistar uma medalha na luta olímpica, não resistiu ao primeiro round.

Outra adversária invicta se aproxima. Cat Zingano também não conheça a derrota. As duas já haviam sido escolhidas para serem as treinadoras da vigésima edição do TUF americano, em 2013. Mas, Cat teve uma grave lesão no joelho, que a forçou a dar lutar a Miescha Tate. O fim dessa história você já sabe.

Recuperada, Zingano venceu a brasileira Amanda Nunes em setembro e agora diz estar em sua melhor forma. Com nove vitórias em nove lutas pode ser a última grande adversária da categoria. A cada ano vai ficando mais difícil acreditar que qualquer adversária de Ronda consiga aguentar tanta pressão por cinco rounds.

Só existe uma maneira de derrotar Ronda. Encaixando um golpe fulminante eu seu queixo. Um nocaute. Qualquer outra possibilidade, como finalizações, pontos ou T.K.O. podem ser descartadas. Será que Cat Zingano tem as armas para completar a tarefa?

Só existe uma mulher viva capaz de nocautear Rousey, que não foge da briga. Chama-se Cris Cyborg e ela luta hoje, sexta, defendendo seu cinturão do Invicta F.C. Com as duas mulheres mais letais do mundo lutando no mesmo fim de semana, fica mais fácil projetar uma possível superluta ainda este ano. Se Mayweather vs Pacquiao tornou-se realidade, agora tudo é possível!

Resumo da semana

21 fevereiro, 2015 às 12:30  |  por Gustavo Kipper

Anderson Silva banido?

O pesadelo de Anderson Silva parece não ter fim. Mais uma vez o ex-campeão dos pesos-médios testou positivo para o exame realizado às vésperas da luta. Mais uma vez as mesmas substâncias, agora com acréscimo de benzodiazepínicos, que também apareceram no exame. O uso de remédios deve ser comunicado a Comissão Atlética de Nevada (NSAC) com o preenchimento de um formulário.

O resultado de um novo doping enterra de vez qualquer possibilidade de Anderson reverter nos tribunais a pena que lhe será imposta. Pelo contrário, o novo fato deve complicar ainda mais sua situação. O mais provável é que a Anderson seja imposta uma pena exemplar. Sempre lembrando que Wanderlei Silva foi banido por fugir de um teste surpresa. Não luta  mais em Nevada. Será que Anderson será banido?

UFC 187

Na tentativa de mudar o foco de Anderson silva para os próximos eventos, o UFC foi rápido e anunciou um card absurdo para dia 23 de maio, no UFC 187. Duas disputas de cinturão e duas lutas pra lá de emocionantes. No evento principal, Jon Jones defende o cinturão dos meio-pesados contra Anthony Johnson. Antes, outra também valendo cinturão: Chris Weidman enfrenta Vitor Belfort. A noite ainda terá Donald Cerrone vs Khabib Nurmagomedov. Possivelmente, será o melhor evento do ano.

Antonio Pezão vs Frank Mir

Sábado (22), em Porto Alegre, os dois-pesos pesados medem forças em uma luta que pode definir seu futuro no MMA. Nenhum dos dois vem tendo vitórias seguidas e o cinturão fica a cada dia mais longe para ambos.  Tornaram-se coadjuvantes dentro do evento. Quem perder, definitivamente, entra na fase final da carreira.

Mesmo com ambos em declínio, a luta promete ser emocionante, justamente por ser em território brasileiro, que costuma mexer com o emocional dos atletas locais. Mais dez brasileiros lutam no evento, que começa às 22h de Brasília.

Robbie Lawler vs Rory McDonald

Finalmente, o canadense Rory McDonald conseguiu um title shot. Com o doping de Hector Lombard, Rory foi prestigiado e enfrenta o campeão dos meio-médios, Robbie Lawler, dia 11 de julho. No mesmo card, outra disputa de cinturão, entre José Aldo e Conor McGregor. Outro card monstruoso para 2015. Imperdível.

conexao_mma.jpg

Notícias da semana

12 fevereiro, 2015 às 12:28  |  por Gustavo Kipper

Anderson Silva

Mais uma vez o brasileiro foi pego no exame antidoping, realizado logo após a luta do UFC 183. Com o novo resultado positivo para substâncias proibidas, Anderson Silva vê distante a possibilidade de provar sua inocência. Mais que isso, além do gancho de até dois anos, quase um milhão de dólares serão retidos. A alegria durou muito pouco. Vamos ver até onde vai a superação.

Rashad Evans fora por seis meses

O ex-campeão dos meio pesados Rashad Evans mais uma vez teve seu combate cancelado. Escalado para enfrentar Glover Teixeira, também lesionado, optou por realizar mais um procedimento cirúrgico para corrigir a mesma lesão que o impediu de enfrentar Daniel Cormier. Mesmo ainda bem ranqueado, vai ser difícil Rashad recuperar o cinturão.

Daniel Cormier está de volta

Após a derrota para Jon Jones, Daniel Cormier volta à ação dia 6 de junho, contra Ryan Bader, que vem de vitória surpreendente contra Phil Davis. É o primeiro passo para a agora sonhada revanche contra o campeão. Com a derrota de Alexander Gustaffson para Anthony Johnson, Cormier é o terceiro melhor ranqueado. Sua determinação com certeza o colocará novamente frente a frente com Jon Jones.

Ronaldo Jacaré

Recuperado da pneumonia que o retirou de combate, Ronaldo Jacaré enfrenta Yoel Romero, dia 18 de abril. Um dos melhores pesos-médios da atualidade, Jacaré caminha a passos largos rumo ao seu primeiro title shot no UFC. Com o novo doping de Anderson Silva e a luta de Lyoto e Rockhold agendada, se vencer, Ronaldo Jacaré pode ser o próximo a disputar o cinturão, contra o vencedor de Weidman vs Belfort. Acredito que Jacaré tem totais condições de vencer qualquer um de sua categoria.

Hector Lombard

Não foi só Anderson Silva que ocupou as notícias sobre doping essa semana. O cubano Hector Lombard, que vinha em uma excelente fase nos meio-médios, testou positivo para esteroides anabolizantes e seu futuro na organização está ameaçado. Com luta marcada contra Rory Mcdonald, sua situação ainda é indefinida. Como disse Joe Rogan esta semana, o MMA vive uma epidemia de doping.

Vitor Belfort

A nova data para a disputa do cinturão dos médios será 23 de maio. O feriado em homenagem aos veteranos de guerra americanos é a data escolhida para finalmente conhecermos quem é o melhor da divisão. A impressionante sequencia de lesões de Weidman possibilitou uma disputa do cinturão interino, rejeitada por Belfort, que não aceitou enfrentar Lyoto. A decisão foi polêmica, mas Belfort segue na disputa, treinando firme.

Uma sombra eterna

7 fevereiro, 2015 às 10:31  |  por Gustavo Kipper

O suposto doping de Anderson Silva levantou uma onda de questionamentos em busca do que poderá acontecer, caso o exame de contraprova confirme o uso de substâncias ilegais pelo ex- campeão dos médios do UFC.

De cara, a primeira derrota: falhou a primeira tentativa de Anderson na busca de provar sua inocência. Seus advogados não conseguiram emplacar o pedido de que o exame fosse realizado em outro laboratório. A Comissão Atlética de Nevada (NSAC) recusou o pedido e convidou a equipe do brasileiro a estar presente ao exame para constatar que as amostras não foram contaminadas.

A outra derrota está por vir. A NSAC, ainda por cima, pretende barrar o brasileiro na próxima edição do The Ultimate Fighter. Pelo fato de o programa ser gravado em Las Vegas, a comissão tem esse poder e possivelmente o exercerá. Nesse caso, a edição perde prestígio com a saída de Anderson. Um novo treinador deve ser anunciado. De preferência algum nome disposto a enfrentar Maurício Shogun, que esperava ter uma edição tranquila.

Os patrocínios também estão na mira. Suas quatro principais apoiadoras se manifestaram em favor do brasileiro e, assim como o UFC, vão esperar a continuidade do processo para tocar decisões mais drásticas. A verdade é que, se confirmado, o doping vai arrancar muito dinheiro de Anderson, que vai perder patrocínios milionários como da Budweiser e da Nike.

A parte mais pesada, quem sabe a mais triste, talvez seja o fato de que sua carreira possa ter sido uma farsa, a exemplo das de tantos outros atletas vencedores, como Lance Armstrong, que assumiram trapacear, usando anabolizantes, para vencer em seus esportes. Se Anderson usou drogas potencializadoras de desempenho ao longo de sua carreira, o fez muito bem feito. Nunca havia sido flagrado em toda a sua carreira, além de ser um dos maiores críticos da prática.

O mais provável é que tenha agora apelado ao artifício para fugir de medos internos e insegurança que a terrível lesão lhe causou. Nos tribunais e com a ciência, poderá provar sua inocência. Apoio do UFC ele tem. Se for inocente, muita gente vai dever desculpas eternas à lenda. Se for culpado, Anderson Silva deverá desculpas a muita gente e sua condição de lenda poderá ser apagada.

Acho quase impossível Anderson Silva provar sua inocência, que acaba passando por teorias conspiratórias, tendo em vista que há muita grana e fama envolvidas. No caso de culpa, Spider ganhará um gancho de nove meses sem poder lutar.

O mais provável, com a perda dos patrocínios e 39 anos, é que se aposente. Mas por ter lutas ainda em contrato, poderá usar o fato como combustível e ainda fazer bons combates. A essa altura do campeonato, Anderson Silva e o MMA não precisavam disso. O esporte e o UFC perdem credibilidade a cada ano. Está ficando chato.

Sangue, suor e doping

4 fevereiro, 2015 às 14:42  |  por Gustavo Kipper

Durou pouco a alegria de Anderson Silva e seus fãs ao redor do mundo.

Logo após o anúncio do doping, muita gente se manifestou nas redes sociais, demonstrando indignação e frustração pelo ocorrido. Outros preferiram as piadinhas para se expressar. A verdade é que o fato pode manchar a carreira do maior lutador brasileiro de todos os tempos.

Alegando inocência, Anderson afirma não entender como isso aconteceu. Mas, para quem é do ramo, acredita-se que o Spider possa ter usado substâncias ilegais durante os treinos, que demoraram mais do que o esperado para sair do sangue. Nick Diaz, por sua vez, caiu mais uma vez por uso de maconha.

Convenhamos, embora a maconha seja proibida no UFC, Nick Diaz possui licença médica, todo o mundo todo sabe que ele é usuário, além é claro da melhora no desempenho, que não existe. Já a substância encontrada no sangue de Anderson Silva é famosa entre halterofilistas e atletas que utilizam anabolizantes. Usada exclusivamente para melhorar o desempenho.

Anderson Silva, como todo atleta, terá amplo direito à defesa. Porém, esse tipo de substância não é como jogar um pó na sua bebida, ou fácil de ser usada como sabotagem. A chance de Anderson Silva realmente ter seguido alguma orientação errada é enorme. Seu médico Márcio Tannure e seu preparador físico Rogério Camões são os suspeitos.

A verdade é que, com 39 anos, depois de uma grave lesão e o lado psicológico abalado, Anderson Silva apelou para uma substância que poderia acelerar seu retorno, auxiliando com a melhora do desempenho nos treinos. Um ciclo errado e a casa caiu.

Atrás disso tudo está o espectador. Muitos pagam TV por assinatura, muitos vão a bares assistir aos combates, que normalmente passam de madrugada. Será que nesse ritmo o público vai continuar animado para assistir ao UFC? Creio que, com tantas lesões, dopings e fiascos, a tendência é que os lutadores percam cada vez mais credibilidade, levando junto o MMA e o UFC.