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Bateu, levou

16 dezembro, 2014 às 15:41  |  por Gustavo Kipper

A batalha entre Júnior Cigano e Stipe Miocic ainda rende críticas ao brasileiro, que mais uma vez, foi duramente castigado em outra batalha de cinco rounds.

Apesar da vitória por decisão, Júnior Cigano deixou novamente a sensação de que apanha muito. O brasileiro tem queixo duro. Para quem assistiu o combate, percebeu que foi uma guerra. Uma luta de boxe, entre pesos-pesados, porém nas regras do MMA. Inclusive com luvas de menor espessura.

Essa postura de Cigano em lutar boxe vinha funcionando até suas últimas lutas contra Cain Velasquez. A partir daí, vem levando muitos golpes duros e saindo bem machucado, levando suspensões médicas de seis meses. O brasileiro não chutou, não usou seu jiu-jitsu e não tentou nenhuma vez colocar o croata para baixo. O resultado foi uma luta franca de 25 minutos e muitos golpes na cabeça.

Para termos uma noção, nas duas últimas lutas contra Cain e nessa contra Miocic, Cigano levou 255 golpes na cabeça. Muito mais do que levou em todas as partes do corpo, em todas as suas lutas no UFC. Infelizmente isso pode trazer um futuro sombrio para o brasileiro, que pode ser vítima de problemas neurológicos por causa de tanta pancada.

A arte do boxe ou do MMA é golpear sem ser golpeado. Alguns atletas são mestres nisso e conseguem diminuir muito o impacto dos golpes que chegam ao tronco e cabeça. Floyd Mayweather e Lyoto Machida são exemplos de atletas que sabem bater sem apanhar, por mais que isso às vezes represente  uma postura evasiva. Outros atletas já ficaram mais conhecidos por se expor mais que os outros e por terem suas carreiras marcadas por cortes e olhos roxos. Wanderlei Silva e Maurício Shogun são exemplos de lutadores ofensivos que batem, mas apanham demais. Júnior Cigano entrou nesse time. Milagre não ter sido nocauteado ou quebrado nada.

Agora treinando na Nova União, esperava-se que sua estratégia de luta fosse aprimorada. Porém, tudo que ouvimos foi Luiz Dórea gritando as mesmas coisas que sempre gritou. Faltou Dedé Pederneiras ficar no comando. Cigano precisa repensar sua estratégia para não apanhar tanto, isso se quiser ter uma carreira longa. É claro que em uma batalha de cinco rounds entre pesos-pesados é coisa pra maluco.

Justamente por esse motivo tem que melhorar sua defesa. Isso vale também para a equipe Nova União, que tem tido atletas bastante machucados após os combates. Verdadeiras guerras, é fato, mas muita cara estragada. Renan Barão foi amassado por Dillashaw; José Aldo venceu, mas saiu muito machucado. Claudia Gadelha foi roubada, mas também apanhou bastante. Agora Cigano, que novamente saiu deformado.

Nessas horas é impossível não se lembrar de Royce e Rickson Gracie. Não fugiam da porrada e conseguiam impor sua técnica. Raramente saiam sangrando, com o rosto inchado. Se o objetivo é vencer, por que não por um atalho? No caso de Cigano, do ponto de vista do show, é claro que foi sensacional. Do ponto de vista da carreira do atleta, batalhas como essa não podem ser frequentes. Caso contrário, veremos um dia nossos ídolos sofrendo como Muhammad Ali, com Parkinson ou pior.

Bater sem apanhar deveria ser a meta dos lutadores. Até nos filmes isso não costuma acabar bem. Rocky fez duelos épicos. Mas, o filme deixa claras as sequelas e limitações que os golpes na cabeça podem trazer com o tempo.

Detalhes que fazem a diferença

8 dezembro, 2014 às 15:05  |  por Gustavo Kipper

Com grandes lutas, o UFC realizou mais um grande evento e caminha para um fim de ano vitorioso, apesar das turbulências com contusões e cancelamentos que incomodaram bastante em 2014.

As lutas principais eram decisivas e valiam o cinturão. A tensão era visível desde as pesagens, um dia antes. E, mais uma vez, a balança pode ter feito a diferença para Johnny Hendricks. O americano não conseguiu lutar nos últimos rounds e foi surpreendido pela decisão dos árbitros.

A preparação de Hendricks pareceu correta, porém, como admitiu, ele gosta de comer. O ex-campeão dos meio-médios chegou ao começo da preparação quase um peso-pesado. São muitos quilos para tirar. Fez a diferença. Robbie Lawler que não tinha nada a ver com isso. Apesar de ter perdido dois rounds, não baixou a cabeça. Chegou mais inteiro na hora da decisão e venceu a luta. Com merecimento, Lawler torna-se o novo campeão dos meio-médios. Nessas horas ficamos imaginando que esse título vai passar por muita gente, agora que Georges St Pierre se aposentou.

Anthony Pettis mostrou por que é o campeão dos leves. Com excelente técnica e muita paciência, o showtime soube atacar na hora certa e se aproveitou da afobação de Gilbert Melendez, para vencer sua primeira defesa do cinturão. Ainda na coletiva, o russo Khabib Nurmagomedov já fez o desafio, aceito de imediato pelo campeão. Porém, o próximo desafiante do campeão ainda não está definido. Com a vitória sobre Ben Henderson, o brasileiro Rafael dos Anjos também está na fila e pode surpreender. O russo ainda se recupera de lesão e só deve voltar a lutar em maio de 2015.

Lutas em alto nível são vencidas no detalhe. Na alimentação, corte de peso, preparação mental. Não só treinando as artes marciais. Johnny Hendricks mostrou que não estava preparado suficientemente para manter o cinturão. Mesmo treinando com um campeão olímpico, e orientado por nutricionistas da moda, Johnny deixou a desejar. Lawler queria mais.

Entre os pesos-leves, o detalhe foi a paciência. Mesmo perdendo o primeiro round, Pettis se manteve atento às brechas proporcionadas por Melendez, que caminhava pra frente, mas não conseguia agredir nem colocar pra baixo. Foi questão de tempo para Pettis colocar na guarda e encaixar uma guilhotina perfeita. Foi a primeira vez que Gilbert Melendez foi finalizado.

Todos os grandes campeões conheciam como ninguém os detalhes e se preocupavam exaustivamente com eles. Georges St Pierre era obcecado por eles. Anderson Silva se aproveitava deles para dar show. E Jon Jones sabe como ninguém machucar os outros nos detalhes. Mais do que treino, a inteligência é critério obrigatório para manter cinturões por longo tempo.

UFC 181: Hendricks vs Lawler II

5 dezembro, 2014 às 13:10  |  por Gustavo Kipper

UFC 181

A aguardada revanche entre o campeão dos meio-médios Johnny Hendricks e o desafiante Robbie Lawler será neste sábado (06), em Las Vegas.

O primeiro confronto foi marcado por muito equilíbrio, com os dois atletas buscando a trocação. Uma guerra sangrenta. Os dois tiveram grandes momentos na luta, porém o campeão ganhou força no round final e levou o cinturão por decisão unânime dos juízes. A luta com Lawler foi a primeira disputa de cinturão após a aposentadoria de Georges St Pierre, que vagou o título.

Dificilmente a luta será mais agressiva que a primeira. Hendricks, que entrou no octógono apenas quatro meses após a derrota para St Pierre, parecia não ter se recuperado totalmente do combate. Muito pesado, as dietas para alcançar o peso esgotam o campeão. Ainda no começo da luta, machucou o braço e ficou completamente limitado para usar seu wrestling. Desta vez, teve oito meses para se preparar. A lesão no bíceps precisou de uma pequena cirurgia, mas agora o campeão está de volta.

Robbie Lawler é um lutador muito versátil e perigoso. Se o campeão não entrar cem por cento ligado,será fatalmente surpreendido. Acredito que a luta não tem favorito, mas Lawler esteve muito perto de conquistar seu objetivo. O desgaste pesou. Agora, sem dúvida, estará preparado para 25 minutos intensos. Treinando na American Top Team, na Flórida, venceu suas últimas lutas de forma contundente, contra Jake Ellemberger e Matt Brown.

O card está excelente. Na mesma noite, outra disputa de cinturão. Agora pelo peso-leve. O campeão Anthony Pettis defende o título contra Gilbert Melendez, na luta entre os treinadores da 20.ª versão do The Ultimate Fighter. Após uma edição dramática, até porque apenas mulheres participaram, os dois lutadores prometem dar a alma. Mesmo com muito respeito, a rivalidade, que já vinha do Strikeforce, ganhou corpo e o ar da guerra está no ar. Ambos são atletas completos, com excelente trocação e jogo de chão. O campeão leva vantagem, mas Melendez tem a mão pesada. Lutaça!

Esta é uma daquelas edições imperdíveis, com duas disputas de cinturão, além de outros grandes combates e nomes. Espero que daqui pra frente continue assim.

Assista o Countdown to UFC 181:

UFC 181

6 de dezembro de 2014, em Las Vegas (EUA)

CARD PRINCIPAL

Peso-meio-médio: Johny Hendricks x Robbie Lawler

Peso-leve: Anthony Pettis x Gilbert Melendez

Peso-pesado: Travis Browne x Brendan Schaub

Peso-galo: Raquel Pennington x Ashlee Evans-Smith

Peso-leve: Tony Ferguson x Abel Trujillo

CARD PRELIMINAR

Peso-galo: Urijah Faber x Francisco Rivera

Peso-médio: Eddie Gordon x Josh Samman

Peso-meio-pesado: Corey Anderson x Justin Jones

Peso-pesado: Todd Duffee x Anthony Hamilton

Peso-galo: Matt Hobar x Sergio Pettis

Peso-pena: Clay Collard x Alex White

Invicta F.C 10

4 dezembro, 2014 às 17:41  |  por Gustavo Kipper

Conhecido por promover eventos apenas para lutadoras, o Invicta F.C vem ganhando projeção e abriga grandes nomes do MMA feminino.

Nesta sexta (04) acontece mais uma edição do Invicta F.C. Desta vez, a cidade escolhida é Houston, no estado americano do Texas. Na luta principal, a disputa do cinturão do peso-átomo, até 47,6kg. A campeã Michelle Waterson (12-3) enfrenta a brasileira Herica Tiburcio (8-2).

O Invicta F.C foi o grande responsável pelo sucesso da vigésima edição do The Ultimate Fighter, que está no ar nos Estados Unidos. O evento cedeu as atletas para a competição, que premia a campeã com o título do peso-palha no UFC. Uma das semifinalistas do TUF 20, Carla Esparza, é a atual campeã da categoria. A brasileira Cris Cyborg é a atual campeã no peso-pena.

Confira o card completo do Invicta F.C 10

Atomweight Title Fight: Michelle Waterson (12-3) vs. Herica Tiburcio (8-2)

Bantamweight: Tonya Evinger (14-5) vs. Cindy Dandois (5-1)

Flyweight: Andrea Lee (2-0) vs. Roxanne Modafferi (16-11)

Flyweight: Jennifer Maia (9-3-1) vs. DeAnna Bennett (5-0)

Featherweight: Charmaine Tweet (6-4) vs. Faith van Duin (4-1)

Featherweight: Peggy Morgan (2-2) vs. Andria Wawro (3-1)

Strawweight: Alexa Grasso (5-0) vs. Alida Gray (4-1)

Atomweight: Jinh Yu Frey (2-1) vs. Cassie Robb (0-2)

Flyweight: Rachael Ostovich (1-1) vs. Evva Johnson (1-0)

http://invictafc.com/

https://www.facebook.com/InvictaFights?fref=ts

Parceria UFC x Reebok promete revolucionar o MMA

3 dezembro, 2014 às 17:52  |  por Gustavo Kipper

A parceria anunciada nessa terça-feira (02) promete mudar completamente a relação dos atletas com seus patrocinadores. O contrato inédito de exclusividade prevê o desenvolvimento de materiais esportivos para todos os atletas, incluindo materiais para treinos e para a aquisição de fãs.

Com o acordo entre as marcas UFC e a gigante esportiva Reebok, os lutadores ficam impedidos de estamparem a marca de seus patrocinadores nos eventos oficiais, que incluem o evento principal, a semana da luta, pesagens e conteúdo produzido pelo UFC e em outros eventos oficiais do UFC. O cartaz com as marcas também não poderá mais ser usado no Cage. Até mesmo os corners terão que vestir uniforme apropriado. Serão distribuídos kits para as equipes e lutadores. A regra passa a valer na semana da luta (International Fight Week) do dia 6 de julho de 2015.

Para os atletas que estão no início da carreira, a notícia chega em boa hora, tendo em vista a dificuldade de conseguir patrocínios razoáveis para suas carreiras. Com isso, o lutador pode se dedicar apenas aos treinamentos e lutas. Por outro lado, atletas renomados que têm contratos com outras empresas esportivas ou grandes marcas podem ser prejudicados, caso o valor oferecido seja inferior ao que deseja pagar a Reebok.

Segundo o UFC, o valor dos patrocínios vai ser ajustado conforme o lugar que cada um ocupa no ranking. Coincidência ou não, a parceria vem após a quebra de contrato de John Jones com a Nike. Jones e a Reebok já estavam namorando.

Pensando do ponto de vista esportivo, se feitos da forma adequada, os uniformes podem no futuro melhorar o desempenho dos atletas, além de deixar o esporte mais padronizado do ponto de vista visual e competitivo. Alguns campeões do UFC como Anthony Pettis e Johnny Hendrics irão ajudar na criação dos materiais.

A maioria dos esportes olímpicos tem certa padronização nos uniformes. Seleções e confederações selam parcerias com gigantes esportivas em moldes muito parecidos com o que sugere o novo modelo de negócio. Sem contar o lucro com a venda e licenciamento dos mais variados tipos de produtos, do boné ao protetor bucal.

A parte social também foi apresentada. Parte dos lucros obtidos com a venda dos produtos será repassada à ONG Luta pela Paz, que usa as artes marciais e a educação para ajudar na formação de jovens carentes que foram expostos ao crime e à violência Com sede em Londres e no Rio de Janeiro, a ONG foi fundada pelo ex-boxeador Luke Dowdney.

Sem dúvida, muito lutador vai torcer o nariz para o contrato. A novidade, de certa forma, atrapalha consideravelmente a relação dos lutadores com seus patrocinadores, que terão suas exposições diminuídas drasticamente. As empresas que investem no MMA terão que encontrar soluções para aumentar a visibilidade, recorrendo a outras mídias disponíveis. Sem dúvida, é uma mudança significativa que busca também distanciar o UFC cada vez mais de seus concorrentes.

Ronda Rousey vs Cris Cyborg

27 novembro, 2014 às 14:10  |  por Gustavo Kipper

Poucas rivalidades no MMA são tão intensas e verdadeiras como a da americana Ronda Rousey e a brasileira Cris Cyborg.

Mesmo sem nunca terem se enfrentado e nem ao menos terem pertencido à mesma organização, as duas atletas realmente não se gostam, deixando a rivalidade de Ronda com Miesha Tate quase uma amizade.

Será mesmo que Ronda tem medo de Cyborg? E por que ela fica tão irritada quando tocam no assunto de uma possível luta? Há alguns anos podemos ver no boxe uma situação muito parecida. O maior astro do boxe mundial, o supercampeão Floyd Mayweather, Jr., tem uma enorme dificuldade em lidar com o tema Manny Pacquiao.

A luta que todos aguardam já esteve muito perto de acontecer, mas Floyd inventa todas as desculpas possíveis para não enfrentar o filipino. Só há uma maneira de o medo ser superado. Milhões de dólares em dinheiro vivo comprariam a frustração de sua única derrota. O dinheiro é seu ponto fraco. Qual será o ponto fraco de Rousey?

Atletas olímpicos estão acostumados com competições e todo o tipo de pressão. Ronda Rousey não tem medo de Cris Cyborg. Ao contrário, se pudesse a matava com as próprias mãos, como já mencionou recentemente. Se eu acredito que Cris Cyborg pode dar uma surra em Ronda Rousey e ser campeã do UFC, é claro que acredito. Acho inclusive possível.

O problema é que Ronda está em um patamar muito alto como marca. Algo que Cris precisa evoluir. A construção da imagem como marca pessoal é longo. Ronda traçou o caminho perfeito. Olimpíadas, UFC e cinema. É uma estrela nos Estados Unidos, e só vai aliar sua marca pessoal a projetos em que acredita. Assim como Mayweather. Ou seja, muita grana.

Cris terá um caminho complicado. Precisa reverter a imagem negativa do caso de doping. Precisa perder peso pra descer de categoria e, mais do que tudo, vencer uma boa sequência de lutas até o ponto em que seja impossível segurar sua ida ao UFC. Lá dentro, vai ter que se credenciar dentro do octógono, algo que ela sabe fazer como ninguém.

Ronda Rousey é capaz de escolher suas próximas adversárias. Não que isso signifique escolhas fáceis. Ao contrário, Ronda vem enfrentando as melhores. Inclusive outra atleta olímpica como Sarah McCann. Venceu todas com extrema facilidade. Ronda vai querer essa luta o dia em que Cyborg tiver tantas vitórias no UFC que seu sucesso fique insuportável. Assim a proposta que receberá pela luta será a maior da história do MMA feminino.

É sem dúvida a luta que todos gostaríamos de ver um dia. Mas esse, sem dúvida, não é o melhor momento. Cris Cyborg precisa subir alguns degraus importantes nos próximos dois anos. Não pode nem pensar em derrota no Invicta F.C, para poder chegar ao UFC. Sua trocação é imbatível, mas Ronda apresenta dificuldades extremas no grappling, especialmente quando cai por cima. Fato comum, tendo em vista seu nível no judô.

Infelizmente corremos o risco de não assistir nenhuma das duas lutas, por motivos muito parecidos. A batalha das marcas é mais lucrativa que a batalha de lutadores, apenas. Luta é negócio desde que Sugar Ray Robinson descobriu o poder da negociação.

O domínio de Frank Edgar

23 novembro, 2014 às 17:08  |  por Gustavo Kipper

Na batalha para definir o possível adversário do brasileiro José Aldo, Frank Edgar dominou os cinco rounds contra Cun Swanson e conseguiu uma finalização nos últimos momentos do combate.

Com a vitória, Edgar ultrapassa Swanson no ranking dos pesos-penas e passa a ser o número #2, atrás apenas de Chad Mendes, recentemente derrotado pela segunda vez por José Aldo. A dúvida é se o UFC vai dar nova chance a Edgar, também já derrotado pelo brasileiro no title shot. Acho que uma luta entre Chad Mendes e Frank Edgar seria fantástica, mas Edgar pode estar a um passo de assinar a revanche.

O único empecilho para Edgar se chama Conor McGregor. A mais nova sensação do UFC vem incendiando a categoria com vitórias convincentes. Embora ainda não tenha enfrentado um atleta top 5, Conor tem luta marcada contra o alemão Denis Siver. Se vencer também deverá desafiar José Aldo.

Do ponto de vista dos negócios, uma luta entre Aldo x McGregor na Irlanda poderia ser absurdamente lucrativa. Além é claro da mega promoção que poderia ser feita. Aldo vs Edgar não seria novidade. Não venderia tanto. Mas do ponto de vista do ranking da categoria, Edgar estaria credenciado a desafiar Aldo novamente, com justiça. Até porque Aldo já venceu todo mundo e está dando outra volta.

Vamos aguardar os próximos capítulos. Porém, não me surpreenderia se Conor furasse a fila, como Chael Sonnen fez tantas vezes. Nos dias de hoje, ter a língua afiada faz tanta diferença quanto o boxe ou o jiu-jitsu.

UFC Fight Night: Edgar vs Swanson

22 novembro, 2014 às 09:11  |  por Gustavo Kipper

Acontece neste sábado (22), em Austin, Texas, mais uma edição do UFC Fight Night.

Na luta principal, o duelo entre #3 Frank Edgar e #2 Cub Swanson. O vencedor possivelmente enfrentará José Aldo, pelo cinturão dos pesos-penas. A divisão, que nunca ganhou muito destaque, agora está sem sua fase mais acirrada. Personagens como Conor McGregor agitaram a categoria, que promete grandes lutas para 2015.

Único brasileiro no card, Edson Barboza busca mais uma vitória, desta vez contra Bobby Green. Em sua última luta venceu Evan Dunhan por nocaute técnico. Com sua maior arma, castigou seu adversário com chutes nas pernas e no corpo. Barboza precisa embalar umas três, quatro vitórias seguidas para entrar no radar do title shot.

Tirando a luta principal e a do brasileiro, o card não é muito animador. Porém, o UFC tem muitos atletas que precisam trabalhar. Portanto, as edições do Fight Night acabam movimentando um pouco as categorias e dando chance de aparecer a atletas não tão bem ranqueados.

O UFC Fight Night começa às 23h horário de Brasília.

UFC: Swanson x Edgar

22 de novembro de 2014, em Austin (EUA)

CARD PRINCIPAL

Peso-pena: Frankie Edgar x Cub Swanson

Peso-leve: Edson Barboza x Bobby Green

Peso-mosca: Chico Camus x Brad Pickett

Peso-pesado: Oleksiy Oliynyk x Jared Rosholt

Peso-mosca: Joseph Benavidez x Dustin Ortiz

Peso-leve: Isaac Vallie-Flagg x Matt Wiman

CARD PRELIMINAR

Peso-pesado: Josh Copeland x Ruslan Magomedov

Peso-médio: Luke Barnatt x Roger Narvaez

Peso-leve: Nick Hein x James Vick

Peso-leve: Arreola Akbahr x Yves Edwards

Peso-palha: Kailin Curran x Paige VanZant

Peso-leve: Dooho Choi x Juan Puig

UFC: The time is now

19 novembro, 2014 às 16:41  |  por Gustavo Kipper

Em um superevento, pela primeira vez em sua história o UFC divulga todo o seu calendário para 2015.

Na busca de se diferenciar cada vez mais de seus concorrentes, o UFC resolveu tratar o esporte, principalmente do ponto de vista dos negócios, como são tratados outros esportes de grande público nos Estados Unidos. Assim como na NFL e NBA, foi apresentada a temporada toda de lutas, com as edições do UFC Fight Night, e com as edições numeradas com superlutas e disputas de cinturão. Para patrocinadores e pay per view, fica mais organizado.

Em uma apresentação que contou com a presença das maiores personalidades da franquia, como Anderson Silva, Vitor Belfort, Jon Jones, Ronda Rousey e Nick Diaz, em uma entrevista coletiva, os atletas e Dana White mostraram que o ano de 2015 será recheado de ótimos espetáculos. Além, é claro, de momentos divertidos, com Jones e Cormier se provocando, mas dessa vez de forma humorada.

Apenas no Brasil serão sete. Possivelmente um em Curitiba, na Arena da Baixada. Para os fãs de MMA, uma maior chance de acompanhar a carreira de seus lutadores prediletos. Além disso, foi lançado um aplicativo (http://m.ufc.com.br/apps) com o calendário, que pode ser baixado para celulares e tablets, aproximando o público da organização. Finalmente estão usando todos os recursos disponíveis.

Embora o card de todos os 45 eventos não tenha sido divulgado, saber as datas com antecedência foi algo inédito nos mais de 20 anos do UFC. É claro que haverá lesões e lutas canceladas, mas os shows deverão ter datas fixas. Preparem-se!

Assista ao evento do UFC: The time is now:

Calendário UFC 2015

calendario-ufc2015-twitter

Um futuro complicado para Shogun

10 novembro, 2014 às 15:42  |  por Gustavo Kipper

A derrota frustrante de Maurício Shogun, nesse sábado (08), em Uberlândia, foi um balde de água gelada para os fãs do MMA. Não apenas aos brasileiros, que ficaram acordados até as 4 da manhã de domingo, mas a todo mundo que acompanha o curitibano desde a época em que era o campeão do PRIDE.

Mas, antes de sair criticando o atleta, devemos entender todo o contexto que cercou a pífia apresentação do meio-pesado curitibano, em sua segunda derrota consecutiva, por nocaute. Com o passar dos anos, Shogun, que estreou no esporte muito novo, só ganhou massa óssea e muscular. Ele por natureza é um atleta pesado, embora só tenha 1,85 m de altura.

Uma nova geração de atletas, principalmente os americanos, invadiu o esporte. Sabemos que geneticamente os americanos levam certa vantagem, principalmente em relação a atletas mais pesados. O melhor exemplo é Jon  Jones, que na mesma categoria de Shogun varreu todos seus oponentes com seus incríveis 2,20 m de envergadura e 1,93 m de altura. O próprio Shogun provou desse veneno, ao perder seu cinturão para Jones levando uma verdadeira surra. Não achou Jones a luta toda.

Maurício Shogun é um atleta pesado para sua altura e muito pequeno para os novos desafios de sua divisão. Serão cada vez mais comuns pesos-pesados disfarçados de meio-pesados. Anderson Silva é um meio-pesado disfarçado de peso-médio que dominou a categoria por longos anos. Seu tamanho e envergadura lhe dão extrema vantagem. A conclusão a que chego é que Shogun precisa seguir o mesmo caminho que Lyoto já percorreu. Abaixar de peso e descer para os médios. Não apenas desidratar para a luta. Shogun já sofre um pouco para baixar para 93 kg.

Precisa fazer uma dieta caprichada, para abaixar seu peso para menos que 90 kg, e poder alcançar os 84, que é o limite da categoria. Somente nos médios Shogun pode ainda pode ter chance de brigar pelo cinturão ou fazer grandes combates. Com o tamanho atual dos atletas do meio-pesado, não vai ter chance nenhuma. Vai continuar desapontando seus fãs e passando vergonha. No próprio peso-médio já temos atletas grandes, então já sabemos que também não será fácil. Mas ao menos terá mais chances de soltar seu jogo, que há tempos não consegue. Outro fator que considero fundamental à sobrevivência da carreira de Shogun é sair completamente da sua zona de conforto e passar uns tempos morando nos Estados Unidos. Shogun chegou ao topo muito novo e nos dias de hoje é difícil fazer seu jogo evoluir. Morando em Curitiba, treinando em Curitiba e São Paulo, ele não sai de sua rotina habitual. Não sabe o inglês e perde a oportunidade de trocar conhecimento com atletas de outros países e modalidades. Atletas com nível olímpico.

Maurício Shogun precisa seguir o rumo que Lyoto seguiu. Fazer uma dieta, mudar de peso e ir para os Estados Unidos, especialmente Los Angeles, onde Rafael Cordeiro tem sua academia. Fabrício Werdum e Lyoto treinam por lá e o poderiam ajudar muito com sua adaptação. Deve alugar uma boa casa em um bom bairro e levar sua família toda. Somente com uma mudança radical no estilo de vida e rotinas poderá fazer Maurício Shogun vitorioso novamente.