Especial parte 2 – O MMA virou o UFC: entenda porque as siglas estão cada vez mais unidas
Embora o UFC já colecionasse fãs ao redor do mundo, especialmente no Brasil, onde nomes do MMA nacional consagraram-se em território americano, como Royce Gracie, Vitor Belfort, Marco Ruas, Murilo Bustamante, Pedro Rizzo e outros, os grandes nomes ainda estavam lutando no Japão. O Pride F.C era um evento grandioso, com muita personalidade e atletas que eram a mina de ouro para batalhas épicas que ainda ecoam na mente dos entusiastas do MMA antigo.
Quando foi descoberta uma suposta ligação do evento com a máfia japonesa, as transmissões na TV aberta foram canceladas, criando uma crise financeira e moral insustentável para a franquia, que foi obrigada a fechar suas portas e vender a marca ao UFC com todo o arsenal de grandes lutadores. Realmente foi um acontecimento mágico, graças ao qual finalmente poderíamos ver batalhas tão sonhadas no mesmo palco – o octógono. Wanderlei Silva, Maurício Shogun, Minotauro, Minotouro, Rampage Jackson, todos foram levados pelo evento americano, que passou a ter praticamente o monopólio dos espetáculos de grande porte no mundo e dos atletas de ponta, as celebridades.
Mesmo os eventos Cage Rage na Inglaterra, onde Anderson Silva foi campeão e conquistou projeção internacional, ou os fracassados eventos da M-1, empresa russa que impediu de todas as formas a contratação da lenda Fedor Emelianenko pelo UFC, além do Strikeforce e Affliction, nunca fizeram frente à grandiosidade que o UFC passou a demonstrar. Quantidades absurdas de pay per view vendidos, eventos extremamente bem produzidos, uma estrutura de produtos e marketing jamais vista, transformando atletas em celebridades.
O MMA agora era definitivamente um esporte, apoiado por regras, categorias bem definidas de peso, aval das comissões atléticas e eventos realizados em outros países. Tudo isso tornou a marca UFC bilionária. O Pride F.C agora tinha um substituto à altura e melhor – com um planejamento muito mais ousado (podem ainda ser discutidas muitas regras, como as famosas cotoveladas, das quais, sou a favor, pois a regra vale para ambos), mas após a aquisição do Pride e Strikeforce pelo UFC, o monopólio de um esporte ganhou forma.
O corpo humano é uma máquina
A maioria dos lutadores profissionais quando estão em períodos de treino pesam muito mais do que o limite de suas categorias. Inclusive é um tema polêmico, pois muitos lutadores se desgastam a níveis perigosos para chegar à balança no peso ideal, às vezes não conseguem, mas normalmente quando vencida a batalha da balança, o lutador pode ganhar peso extra pra luta, tendo em vista que é apenas um processo controlado de desidratação, podendo ser facilmente reposto com alimentos pastosos, isotônicos, carboidrato e proteína.
O diferencial de muitos lutadores é conseguir bater o peso sem haver muito desgaste e chegar à luta com potencial máximo. Como as divisões de peso são muito bem definidas, e os lutadores quase sempre cumprem uma dieta rigorosa, alguns atletas geneticamente privilegiados conseguem chegar ao limite de suas categorias, obtendo supremacia total. É o caso de José Aldo que já cogitou super para os leves, Jon Jones que pretende subir para os pesados, Anderson Silva e Georges St Pierre. Eles não são apenas campeões. Eles têm o biótipo certo para a categoria certa. Quase imbatíveis.
Com o domínio do UFC na realização dos grandes eventos, os eventos brasileiros ou de outras marcas, como o americano Bellator, soam como uma espécie de segunda divisão do MMA, sendo apenas uma vitrine para chegar aonde todos querem chegar. No UFC. Mesmo os eventos nacionais com uma produção honesta como o Jungle Fight e Shooto Brasil, são espécies de filiais do UFC. Lyoto Machida, Renan Barão, Júnior Cigano, todos começaram em eventos menores, conquistaram seu espaço e hoje são campeões. Mas quando a sigla UFC é mais citada que o nome do próprio esporte – começo a questionar o tamanho do esquema que sustenta essa indústria bilionária, que nos dias de hoje, tem até reality show na rede Globo. Serão os critérios técnicos distorcidos pela grana?
Ainda há muito para falar. A entrada do UFC do mercado asiático, o MMA na olimpíada e temas que ainda irão moldar o rumo do esporte. Fique ligado!




