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UFC Natal e a revanche de Shogun

21 março, 2014 às 14:37  |  por Gustavo Kipper

Maurício Shogun e Dan Henderson já protagonizaram uma das maiores lutas da história do MMA. No primeiro encontro, o americano venceu por decisão dos juízes. Agora, no Brasil, o curitibano promete dar o troco em outra batalha de cinco rounds.

O UFC volta ao Brasil neste domingo, pela primeira vez em Natal, Rio Grande do Norte, para mais uma edição do UFC on Fox, transmitido para a TV aberta nos Estados Unidos. Com um card recheado de brasileiros, o destaque será a aguardada revanche entre Maurício Shogun e Dan Henderson. Os dois veteranos do MMA terão que mostrar muita ação para reviverem a batalha de 2011.

Ambos vivem momentos bem diferentes. A derrota para Chael Sonnen parece ter sacudido Shogun, que destruiu James Te Huna, ainda no primeiro round, e vem sedento pela revanche contra Henderson. Já o americano foi nocauteado brutalmente, pela primeira vez, nas mãos e pés de Vitor Belfort. Porém, na época, ambos faziam uso da Terapia de Reposição Hormonal (TRT), portanto, estavam em condições iguais. Agora banida, a terapia não consta mais no arsenal de Henderson, o que pode torná-lo menos impetuoso.

Apesar da experiência, Shogun é consideravelmente mais novo do que o americano: 32 anos contra 43. Acredito inclusive que Shogun pode aposentar Hendo dependendo da forma com que o combate acabar. Se for nocauteado novamente, deverá pendurar as luvas. Sem dúvida, foi uma carreira vitoriosa. Ambos já enfrentaram os maiores de todos. Então talvez seja um dos últimos clássicos do antigo Pride, senão o último. Shogun, ao contrário, ainda tem lenha pra queimar.

Minha preocupação pra variar é em relação aos treinamentos e estratégia do curitibano. Pouco se falou sobre seus treinamentos. Embora ache animador ele ter se unido à equipe de Demian Maia, após ser finalizado por Sonnen, ainda tem muito que recuperar. Suas aulas de boxe com Freddie Roach fizeram efeito na última luta. Mas o Shogun com sequencias de socos e chutes está desaparecido. Acho que deveria se aproximar novamente de Rafael Cordeiro, já que Lyoto desceu de categoria e não está mais no radar. Rafael sabe o caminho da vitória. Além de um ótimo treinador, é um estrategista.

UFC Fight Night: Shogun x Henderson 2

CARD PRINCIPAL
Peso-meio-pesado: Maurício Shogun x Dan Henderson
Peso-médio: Cezar Mutante x CB Dollaway
Peso-leve: Léo Santos x Norman Parke
Peso-meio-pesado: Fábio Maldonado x Gian Villante
Peso-leve: Michel Trator x Mairbek Taisumov
Peso-pena: Rony Jason x Steven Siler
CARD PRELIMINAR
Peso-pena: Diego Brandão x Will Chope
Peso-médio: Ronny Markes x Thiago Marreta
Peso-mosca: Jussier Formiga x Scott Jorgensen
Peso-meio-médio: Thiago Bodão x Kenny Robertson
Peso-pena: Godofredo Pepey x Noad Lahat
Peso-meio-pesado: Francimar Bodão x Hans Stringer

Noite decisiva para nossos últimos campeões

31 janeiro, 2014 às 09:49  |  por Gustavo Kipper
UFC 169

UFC 169

Quando subirem no octógono sábado à noite, José Aldo e Renan Barão irão carregar em seus ombros os últimos cinturões que nos restaram. Fomos acostumados a dominar o esporte desde os primórdios. Das lutas de vale-tudo de antigamente, quando Hélio Gracie e Carlos Gracie desafiaram os campeões japoneses do judô, quando Royce atropelou os americanos e europeus com nossa arma secreta, quando a Chute Boxe e a American Top Team protagonizaram uma rivalidade única no Pride, tornando-se campeões, sabíamos que tínhamos sido feitos para aquilo.

O tempo foi passando e, como diria o “pofexô” Wanderlei Luxemburgo, não existe mais bobo no MMA. Os muitos “Joões” que enfrentavam nossos campeões aos poucos foram se transformando em atletas completos, dominaram a arte suave, trouxeram o boxe e o wrestrling de níveis olímpicos e o esporte finalmente virou o que é hoje. Uma disputa palmo a palmo para quem domina a arte. E hoje, os americanos nos dominam. Em partes.

O Brasil já conquistou quase todos os cinturões do UFC. Já em um formato mais moderno, Vitor Belfort ganhou os pesados e meio-pesados, Anderson Silva os médios, Lyoto Machida e Maurício Shogun os meio-pesados, Minotauro e Júnior Cigano os pesados, José Aldo os penas e Renan Barão o peso-galo. John Lineker, se ajustar seu problema em perder peso, é o possível desafiante dos moscas. Enfrenta o fenômeno russo Ali Bagautinov. Além, é claro, de Vitor, que pode fazer história e se tornar o primeiro ser vivo a conquistar três cinturões em categorias diferentes de peso.

Fato mesmo é que hoje só nos sobraram dois campeões. O que torna tudo mais emocionante é que os dois são como irmãos, treinados pelo paizão Dedé Pederneiras, chefe da equipe Nova União, considerada por muitos a melhor do planeta. José Aldo e Renan Barão não sabem o que é a derrota há muitos anos. A última derrota de José Aldo foi em 2005, no Jungle Fight. De lá pra cá foram 16 vitórias consecutivas, sendo duas defesas de cinturão pelo extinto WEC e cinco pelo UFC. Renan Barão perdeu apenas em sua estreia, em 2005. Acumula a impressionante marca de 32 lutas sem derrotas, sendo 31 vitórias e uma luta sem resultado. No UFC, tornou-se campeão indiscutível com a nova lesão de Dominick Cruz.

Sábado os dois carregarão uma nação nos ombros e em ano de Copa do Mundo temos que mostrar quem manda. Sem aquele patriotismo exacerbado, do qual não sou muito fã, dessa vez é diferente. Precisamos segurar os últimos cinturões que nos restaram e torcer para que, até fim do ano, mais um ou dois volte pra nossas mãos. Os treinamentos de Aldo e Barão já são intensos por natureza, com os dois se enfrentando todos os dias. Não podemos esquecer que lá também tem Dudu Dantas, campeão dos penas do Bellator. Então sai faísca todo dia. Mas pra encorpar ainda mais as dificuldades, a Nova União trouxe também as lenda BJ Penn e Acelino Popó Freitas, o nosso campeão mundial de boxe. Faixas pretas em jiu-jitsu e muay- thai, José Aldo e Renan agora desenvolvem a exaustão suas técnicas no boxe. Seus treinadores enxergam neles pugilistas natos, o que os torna muito completos. Por isso são os campeões.

José Aldo só conhece seu adversário por vídeos. Não muito adepto da autopromoção, Ricardo Lamas teve seus movimentos e técnicas destrinchadas para traçar a estratégia perfeita. Creio que com o nível de intensidade do combate, não passe do quarto round, com um nocaute do brasileiro, que costuma diminuir o ritmo nos rounds finais. Por isso é bom não deixar nas mãos dos juízes. Renan Barão já conhece bem seu adversário. Ele já derrotou Urijah Faber e sabe bem as falhas do californiano, que, apesar da experiência e ótima fase, não tem ferramentas para surpreender Barão. Mas o americano é muito esperto, então acho difícil ser nocauteado. Mais provável que Barão domine todos os rounds e leve a luta por decisão unânime.

Além disso, ainda temos o choque dos pesos pesados Frank Mir e Alistair Overeem. Os dois vêm de derrotas e precisam mostrar que ainda têm lenha pra queimar. Acho que veremos um belo nocaute de Overeem, que já foi campeão do K-1 e do Strikeforce. Esse é um dos eventos imperdíveis que acontecem no UFC. Ao contrário das mornas edições do Fight Night, o UFC 169 vai entrar para história. Seja ela de glória ou pesadelo.

Vídeos: Countdown to UFC 169.

CARD COMPLETO:

UFC 169
Newark, Estados Unidos
Sábado, 1º de fevereiro de 2014.

Card Principal
Renan Barão x Urijah Faber
José Aldo x Ricardo Lamas
Frank Mir x Alistair Overeem
John Lineker x Ali Bagautinov
Jamie Varner x Abel Trujillo

Card Preliminar
John Makdessi x Alan Nuguette
Chris Cariaso x Kyoji Horiguch
Nick Catone x Tom Watson
Al Iaquinta x Kevin Lee
Clint Hester x Andy Enz
Tony Martin x Rashid Magomedov
Neil Magny x Gasan Umalatov

E evento começa às 21:30.

 

 

 

Notícias do mundo das lutas

27 novembro, 2013 às 14:00  |  por Gustavo Kipper

Maurício Shogun

Finalizado por Chael Sonnen no primeiro round, Maurício Shogun decidiu afiar seu jiu-jitsu e entrou para a equipe de Demian Maia, considerado por muitos um dos melhores atletas da arte suave no MMA. Após os treinos de boxe com o consagrado treinador Freddie Roach, o curitibano agora se prepara para mais uma batalha, dia 7 de dezembro, na Austrália, quando enfrentará James Te-Huna no UFC Fight Night. O evento principal será o confronto de Antônio Pezão contra Mark Hunt.

Shogun comentou a possibilidade de descer de peso e de lutar nos médios, em caso de nova derrota. Acho que ele deveria considerar essa possibilidade mesmo com a vitória. Os tempos são outros. A era do Pride se encerrou. Hoje os lutadores que atuam nos meio-pesados são muito maiores. Quando enfrentou Alexander Gustafsson e Jon Jones, Shogun sofreu demais com a envergadura de seus oponentes.

Embora pese normalmente mais de 100 kg, fazer uma preparação física para chegar aos 84 kg de forma saudável é fundamental para a continuidade de sua carreira, que sofre com a irregularidade. Nos médios terá muito mais chances de  disputar novamente o cinturão de uma categoria no UFC. Mas, antes, terá que passar por Te-Huna. Caso perca novamente, encontrar motivação poderá ser mais difícil do que se imagina.

Saulo Cavalari

O curitibano Saulo Cavalari, atleta da Thai Brasil, conquistou mais uma vitória no Glory, maior evento de luta em pé do mundo, disputado no lendário Madison Square Garden, em Nova York. Saulo aplicou um nocaute avassalador no holandês Mourad Bouzini, no primeiro round, e é agora o terceiro do ranking mundial em seu peso. Ainda jovem, Saulo não vai demorar a chegar ao topo do mundo.

Veja o vídeo o nocaute:

Jon Jones vs Cain Velasquez

Essa possível superluta luta tem sido cogitada pelo UFC e os atletas, campeões em seus pesos. Caso vençam seus próximos combates, poderia ser uma grande oportunidade pra testar Jones em um peso maior, já que pesa quase 110 kg normalmente . Já Velasquez, habituado ao peso, teria que encarar um adversário muito mais habilidoso do que costuma enfrentar. Seria um belo show.

 

Vídeo: Pride F.C – Shogun vs Minotouro

25 março, 2013 às 10:22  |  por Gustavo Kipper

Com a luta entre Shogun e Minotouro marcada cresce a expectativa do combate. Mas, tudo isso porque a primeira luta entre os dois, no Pride Critical Countdown, em 2005, entrou para a história como uma das melhores lutas de todos os tempos.

Assista o combate:

http://youtu.be/b-QqscPWwWI

 

A volta do cachorro louco

4 março, 2013 às 16:46  |  por Gustavo Kipper

The Axe Murderer

O Curitibano Wanderlei Silva protagonizou na noite de sábado uma luta que nos fez lembrar seus melhores momentos na carreira lutando no palco de muitas glórias. A Saitama Super Arena, em Tóquio, teve a chance de presenciar mais uma vez um dos maiores ídolos do país, fama conquistada com o cinturão do Pride e uma invencibilidade que durou anos.

Lutando na categoria dos meio-pesados, Wanderlei ganhou ainda o bônus de nocaute e luta da noite. Seu adversário, o fuzileiro naval americano Brian Stann, é muito forte e logo no início do combate partiram para a trocação. Wand nitidamente mais forte que no peso-médio, encaixou a mão que lhe rendeu o apelido de machado assassino, ainda quando lutava no Japão, e nocauteou o americano, como nos velhos tempos.

Para quem acompanha a carreira de Wand, essa vitória mostrou que ele ainda pode lutar em alto nível e fazer superlutas. Não tem mais tempo a perder com adversários medíocres e a tendência é que faça ainda vários combates emocionantes. Muito bem preparado técnica e fisicamente, o curitibano possivelmente, fique nessa categoria de peso, já que deve ter menos dificuldades com a balança, além de sua força aumentar consideravelmente com quase 10 kg a mais.

É inevitável não perceber o bem que Rafael Cordeiro faz, tanto nos treinos quanto no córner. Não desmerecendo o bom trabalho de Dida, que foi o treinador principal, Cordeiro, eleito o melhor treinador de MMA do mundo em 2012, é uma lenda da academia Chute Boxe e do esporte curitibano, assim como Wanderlei Silva, Shogun e Anderson Silva. Hoje tem sua própria academia na Califórnia, a Kings MMA. Sua amizade e contribuição fazem Wanderlei lutar em seu limite.

Penso em vários nomes que possam ser a próximo desafio de Wand. Mas, confesso que ainda gostaria de ver aquela luta contra Vitor Belfort novamente.

Goleada brasileira pode reeditar o clássico Shogun vs Minotouro

5 fevereiro, 2013 às 10:52  |  por Gustavo Kipper
Susumu Nagao's Photograph

Shogun vs Minotouro (PRIDE)

Quatro Brasileiros lideraram nesse sábado uma goleada contra os atletas americanos no UFC 156, em Las Vegas. O único revés brasileiro foi de Gleison Tibau, que perdeu para o americano Evan Dunhan nos pesos-leves. Mas no card principal os brasileiros sobraram. Não foi nem de perto o final que Dana White gostaria que acontecesse.

Demian Maia mostrou que o jiu-jitsu pode dominar o wrestling se usado da forma correta. Ele e John Fitch são lutadores do mais alto nível em suas especialidades, mas o brasileiro fez o que o americano costuma fazer em quase todas suas lutas. Frustrar seus adversários. Foi exatamente o que Demian fez, dominando os três rounds com facilidade, só não conseguindo finalizar pelo alto nível técnico do adversário.

Rogério Minotouro surpreendeu muito gringo que achava que Rashad Evans venceria o duelo. Ao contrário. Rogério dominou o centro do octógono e usou seu boxe muito superior para obter vantagem, e as defesas de queda bem treinadas não deram quase nenhuma chance ao americano. Rogério venceu por decisão unânime e frustra os planos do UFC de uma superluta de Rashad contra Anderson Silva ou até mesmo a tão sonhada revanche contra Jon Jones. Minotouro posiciona-se como um dos tops da categoria e sem dúvida terá uma grande luta pela frente. Quem sabe uma revanche contra Maurício Shogun ou o sueco Alexander Gustafsson, que tem uma luta duríssima contra o ex- campeão do Strikeforce Gerard Mousasi. Seria fantástico.

Antônio Pezão foi “o cara” da edição 156 do Ultimate Fighter. Se o falatório do gigante holandês, que sem as “bombas” nem estava tão grande assim foi combustível para o paraibano, os dois primeiros rounds não foram como planejado. Aí sobra a sempre esperada opção de ir pra cima e é tudo ou nada. Mas o tudo ou nada virou tudo quando Pezão iniciou combinações violentas que vazaram a guarda do holandês, que acusou um upper cut e desligou ainda em pé. Sobrou tempo de encaixar mais combinações que levaram à lona o falastrão. Mais que missão cumprida, Pezão arrancou seu respeito no soco. Nocaute da noite!

Não poderia finalizar esse review sem dizer que José Aldo Júnior é um monstro. Sua forma física, aliada a sua técnica perfeita, o torna o quarto lutador peso por peso do mundo, à frente inclusive do campeão do peso de cima, Ben Henderson. José Aldo dominou os cinco rounds, mesmo que algum juiz senil ainda tenha dado algum round para o americano. Aldo foi a fúria. Socos. Chutes cruéis, joelhadas. Pobre Edgar, nem teve chance. Inclusive por seu tamanho, deveria descer para os pesos-moscas, porque com o Renan Barão dominando os galos, também não tem chances.

Foi um sábado de glórias para o MMA brasileiro. Mostramos que podemos ir à casa deles e vencê-los, mesmo contra a torcida da organização por resultados que levem a lutas que faturam mais. Parabéns aos vencedores que honraram nosso país com sangue e suor. Esse UFC entrou pra história. Vida longa aos atletas brasileiros.

O declínio de Shogun

21 dezembro, 2012 às 12:24  |  por Gustavo Kipper

O curitibano Maurício Shogun Rua, 31 anos, é possivelmente o último atleta dos lendários lutadores do extinto evento japonês Pride que ainda tem chance de conquistar o cinturão de sua categoria no UFC – Feito conquistado anteriormente contra Lyoto Machida em duas lutas. Mas depois perdeu para Jon Jones e sua chance de recuperar o título foi diminuindo. Desde que migrou para o UFC, em 2007 enfrenta altos e baixos e precisa rever alguns conceitos.

Shogun não vence duas lutas seguidas desde que derrotou Chuck Liddel no UFC 97 em 2009, quando ainda tinha Rafael Cordeiro em seu corner. Desde então vem oscilando entre vitórias suadas e derrotas frustrantes, em quase todos os casos saindo muito machucado. Treinando diariamente em sua academia, a Universidade da Luta (UDL), com apoio de seu amigo e treinador, André Dida, vem buscando soluções para a melhora no seu desempenho, trazendo inclusive o campeão mundial de jiu-jitsu Serginho Moraes, participante do TUF Brasil, para morar em Curitiba, incrementando a arte suave de Shogun, que não está a usando como deveria.

Lembro bem da época que Wanderlei e Shogun treinavam com Rafael Cordeiro. Eram lutadores mais agressivos, chutavam muito forte, usavam o muay-thai com precisão. Vale lembrar que nas vitórias de Wanderlei contra Michael Bisping e Chung Le, Rafael cuidou da preparação e treinos técnicos. Vimos por aí o exemplo de vários atletas como Vitor Belfort e Georges St Pierre fazendo treinos pesados, usando o intercâmbio com outras academias para sua evolução.

Shogun deve continuar treinando na UDL, porém, acredito que deva sair da zona de conforto e também realizar treinos com outras academias para buscar o ajuste fino, aquele detalhe estratégico ou técnico que faz a diferença. Precisa treinar mais sua defesa para levar menos golpes. Sabemos que nunca lutará no estilo Lyoto, de campeonato de karatê, mas evitar ser castigado e ter seu gás comprometido cedo não cabe mais. Precisa aprender wrestling para amarrar uma situação desfavorável e melhorar sua defesa de quedas. Tem encontrado problemas quando enfrenta adversários com envergadura maior e com wrestling superior. Deve melhorar seu ataque de quedas e usar melhor seu jiu-jitsu para finalizar lutas no solo e não apenas por nocaute.

Maurício Shogun ainda é novo, muito técnico e fortíssimo. Alguns sugeriram que deveria descer para os médios, mas sua estrutura física impossibilita a decisão. Acho que sentiria muito desgaste e poderia perder força.
Deve continuar nessa divisão, tendo em vista que o campeão Jon Jones pretende migrar para os pesados em 2014, abrindo as portas novamente para muitos atletas derrotados pelo americano. Até lá, deve buscar velhas e novas parcerias para melhorar. Precisa melhorar rápido, senão, ao contrário do que planeja, será sempre o coadjuvante.

 

Maurício Shogun Rua

Especial parte 2 – O MMA virou o UFC: entenda porque as siglas estão cada vez mais unidas

5 dezembro, 2012 às 16:18  |  por Gustavo Kipper

Embora o UFC já colecionasse fãs ao redor do mundo, especialmente no Brasil, onde nomes do MMA nacional consagraram-se em território americano, como Royce Gracie, Vitor Belfort, Marco Ruas, Murilo Bustamante, Pedro Rizzo e outros, os grandes nomes ainda estavam lutando no Japão. O Pride F.C era um evento grandioso, com muita personalidade e atletas que eram a mina de ouro para batalhas épicas que ainda ecoam na mente dos entusiastas do MMA antigo.

Quando foi descoberta uma suposta ligação do evento com a máfia japonesa, as transmissões na TV aberta foram canceladas, criando uma crise financeira e moral insustentável para a franquia, que foi obrigada a fechar suas portas e vender a marca ao UFC com todo o arsenal de grandes lutadores. Realmente foi um acontecimento mágico, graças ao qual finalmente poderíamos ver batalhas tão sonhadas no mesmo palco – o octógono. Wanderlei Silva, Maurício Shogun, Minotauro, Minotouro, Rampage Jackson, todos foram levados pelo evento americano, que passou a ter praticamente o monopólio dos espetáculos de grande porte no mundo e dos atletas de ponta, as celebridades.

Mesmo os eventos Cage Rage na Inglaterra, onde Anderson Silva foi campeão e conquistou projeção internacional, ou os fracassados eventos da M-1, empresa russa que impediu de todas as formas a contratação da lenda Fedor Emelianenko pelo UFC, além do Strikeforce e Affliction, nunca fizeram frente à grandiosidade que o UFC passou a demonstrar. Quantidades absurdas de pay per view vendidos, eventos extremamente bem produzidos, uma estrutura de produtos e marketing jamais vista, transformando atletas em celebridades.

O MMA agora era definitivamente um esporte, apoiado por regras, categorias bem definidas de peso, aval das comissões atléticas e eventos realizados em outros países. Tudo isso tornou a marca UFC bilionária. O Pride F.C agora tinha um substituto à altura e melhor – com um planejamento muito mais ousado (podem ainda ser discutidas muitas regras, como as famosas cotoveladas, das quais, sou a favor, pois a regra vale para ambos), mas após a aquisição do Pride e Strikeforce pelo UFC, o monopólio de um esporte ganhou forma.

 

O corpo humano é uma máquina

A maioria dos lutadores profissionais quando estão em períodos de treino pesam muito mais do que o limite de suas categorias. Inclusive é um tema polêmico, pois muitos lutadores se desgastam a níveis perigosos para chegar à balança no peso ideal, às vezes não conseguem, mas normalmente quando vencida a batalha da balança, o lutador pode ganhar peso extra pra luta, tendo em vista que é apenas um processo controlado de desidratação, podendo ser facilmente reposto com alimentos pastosos, isotônicos, carboidrato e proteína.

O diferencial de muitos lutadores é conseguir bater o peso sem haver muito desgaste e chegar à luta com potencial máximo. Como as divisões de peso são muito bem definidas, e os lutadores quase sempre cumprem uma dieta rigorosa, alguns atletas geneticamente privilegiados conseguem chegar ao limite de suas categorias, obtendo supremacia total. É o caso de José Aldo que já cogitou super para os leves, Jon Jones que pretende subir para os pesados, Anderson Silva e Georges St Pierre. Eles não são apenas campeões. Eles têm o biótipo certo para a categoria certa. Quase imbatíveis.

Com o domínio do UFC na realização dos grandes eventos, os eventos brasileiros ou de outras marcas, como o americano Bellator, soam como uma espécie de segunda divisão do MMA, sendo apenas uma vitrine para chegar aonde todos querem chegar. No UFC. Mesmo os eventos nacionais com uma produção honesta como o Jungle Fight e Shooto Brasil, são espécies de filiais do UFC. Lyoto Machida, Renan Barão, Júnior Cigano, todos começaram em eventos menores, conquistaram seu espaço e hoje são campeões. Mas quando a sigla UFC é mais citada que o nome do próprio esporte – começo a questionar o tamanho do esquema que sustenta essa indústria bilionária, que nos dias de hoje, tem até reality show na rede Globo. Serão os critérios técnicos distorcidos pela grana?

Ainda há muito para falar. A entrada do UFC do mercado asiático, o MMA na olimpíada e temas que ainda irão moldar o rumo do esporte. Fique ligado!

 

 

 

Especial – O MMA virou o UFC: entenda porque as siglas estão cada vez mais unidas

28 novembro, 2012 às 16:03  |  por Gustavo Kipper

Parte 1

No início dos desafios entre lutadores de estilos e artes marciais diferentes, a fama e a atenção eram exclusivamente para os lutadores e sua arte. As lutas eram muito mais violentas, sendo o amadorismo a estrutura e o palco ideais para representar a situação real de combate, onde você não espera o quê e quando irá acontecer. Isso vai de encontro à filosofia dos guerreiros antigos, que disputavam batalhas em qualquer situação e tempo, pois não tinham opção e consideravam-se sempre preparados.

No Brasil, os desafios de antigamente muitas vezes se misturavam às rivalidades pessoais e os combates, na verdade, eram brigas com o mínimo de regras possíveis, mas entre duas pessoas preparadas, com técnica, tornando os confrontos menos violentos pela anulação e boa defesa dos lutadores. Transformavam o evento com certa plástica em algo interessante, pois, para quem gosta de saber quais os estilos de luta e quais os melhores lutadores, é perfeito.

Esse cenário pode ser representado no Rio de Janeiro pela família Gracie e os desafios contra lutadores de outros estilos durante quase todo o século passado. Mas, quem gostava do tema, na grande maioria, eram apenas praticantes de artes marciais. A proposta excluía o público em geral, pela ausência de um show, regras, uma marca, uma estrutura que viabilizasse que o evento chegasse até os lares do mundo todo e uma bolsa que permitisse a profissionalização dos lutadores, para que pudessem dedicar-se exclusivamente à sua profissão.

Quando o UFC realizou seu primeiro evento em solo americano, com transmissão na televisão, o vale-tudo, ou MMA antigo, já tinha encontrado solo fértil. O evento japonês Pride FC tinha o contrato dos principais lutadores da época e o evento, além da média de público superior a 40 mil pessoas, era transmitido em TV aberta, sendo uma febre em território japonês. Tinha regras bem definidas, poucas lesões sérias e ótimas bolsas para os atletas.

No Brasil, os eventos nunca possuíam essa estrutura. Mas grandes lutadores, que hoje ainda dominam sua categoria, como Anderson Silva, encontravam espaço no IVC, Meca e o que aparecesse e tivesse desafiantes. O próximo passo desses lutadores era ir para o Japão e consagrar-se como Minotauro, Wanderlei Silva e Maurício Shogun. Época da histórica rivalidade entre a carioca Brazillian Top Team e a curitibana Chute Boxe.

Enquanto isso, na América, o UFC começa a ganhar espaço. Com a venda da franquia para os irmãos Fertitta – donos de cassinos em Las Vegas – e com a cara de Dana White, o cabeça e presidente da organização, o UFC se aproxima do público de massa quando emplaca o Reality Show “The Ultimate Fighter”. As licenças das comissões atléticas dos estados americanos começam a aprovar a realização do UFC em diversos estados, permitindo que o evento percorra várias cidades, conquistando grande público por onde passa.

Com um formato de ringue diferenciado, sendo um octógono com grades o palco da disputa, todos os problemas encontrados no ringue convencional de boxe desapareciam, deixando os combates mais dinâmicos. O modelo foi criado por Roryon Gracie e parceiros para o 1.º Ultimate Fighting Championship, vencido por Royce Gracie. Grandes lutadores começam a ganhar destaque em diversas categorias e ídolos como Randy Couture, Chuck Liddel e Tito Ortiz alimentam grandes rivalidades, tornando o evento cada dia mais próximo de um esporte, conquistando fãs do mundo todo.

Porém, no Japão, os ventos começam a mudar de direção quando um escândalo envolvendo a máfia japonesa e o Pride FC empurram todo um novo mercado para cima do UFC, mudando para sempre o rumo do esporte que mais cresceu neste século.

UFC 1: Royce Gracie

Pride F.C: Wanderlei Silva

Pride F.C: Rodrigo Minotauro

UFC: Chuck Liddel vs Randy Couture

 

Nada é por acaso

5 outubro, 2012 às 10:24  |  por Gustavo Kipper

Pride F.C

Nada é por acaso. A família Gracie sem dúvida carrega o sobrenome com maior peso dentro da história do MMA. Não apenas pelo legado de Carlos, Hélio e Carlson, mas pelas vitórias dentro dos ringues de Royce e Rickson, que encerrou sua carreira sem conhecer o gosto da derrota.

Muitos acreditam que antigamente as coisas eram mais fáceis, pois os lutadores defendiam apenas uma técnica de luta, sendo presas fáceis para os mestres do jiu-jitsu. Mas o documentário Choke, que significa estrangulamento, é perfeito para dar nome à história de vida de Rickson, o mais perigoso lutador de toda a história da família.

O vídeo acompanha a preparação física e mental, a interação com alunos e familiares e lutas que Rickson fez no Brasil e Japão, antes mesmo do Pride surgir. Uma aula de técnica e preparação para nunca nos esquecermos dos grandes lutadores do passado, principalmente dos criadores oficiais do MMA.