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'UFC'

Calendário movimentado e boas lutas

12 junho, 2013
15:46

As finais do The Ultimate Fight Brasil foram disputadas no último sábado, em Fortaleza, Ceará. Além de um ótimo público, quem assistiu o evento vai se lembrar de muitas vitórias brasileiras, principalmente com finalizações sensacionais,mostrando que o jiu-jitsu ainda está em alta no MMA.

Mas nem só da arte suave vive o esporte, por isso a vitória de Thiago Silva por nocaute talvez tenha sido o ápice de um evento que prometia e cumpriu. A vitória de Fabrício Werdum sobre Rodrigo Minotauro deixou a maioria da mídia especializada sem reação, especialmente porque havia certa torcida para Minotauro, especialmente por tudo que já fez, mas achei um pouco exagerada a tristeza estampada nos comentaristas do Canal Combat, mais tristes pela derrota do amigo do que felizes pela vitória do outro brasileiro, que, de fato, representa um possível title shot. Se Minotauro vencesse, não mudaria muita coisa nos pesos- pesados, só atrapalhando a caminhada de um atleta que está próximo de seu objetivo. Como Minotauro é amigo de Júnior Cigano, ser campeão não é mais seu objetivo. Ele não tem mais nada a provar.

O segundo semestre promete movimentar várias categorias com muitas lutas decisivas.

Confira a programação dos próximos eventos do UFC:

UFC 151
15 de junho de 2013
Winnipeg (CAN)
CARD PRINCIPAL
Rashad Evans x Dan Henderson
Roy Nelson x Stipe Miocic
Ryan Jimmo x Igor Pokrajac
Alexis Davis x Rosi Sexton
Pat Barry x Shawn Jordan
CARD PRELIMINAR
Jake Shields x Tyron Woodley
Sam Stout x James Krause
Sean Pierson x Kenny Robertson
Roland Delorme x Edwin Figueroa
Mitch Clarke x John Maguire
Yves Jabouin x Dustin Pague

UFC 162
6 de julho de 2013, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL
Anderson Silva x Chris Weidman
Frankie Edgar x Charles Do Bronx
Tim Keneddy x Roger Gracie
Chan Sung Jung x Ricardo Lamas
Cub Swanson x Dennis Siver
CARD PRELIMINAR
Mark Muñoz x Tim Boetsch
Chris Leben x Andrew Craig
Norman Parke x Kazuki Tokudome
Edson Barboza x Rafaello Trator
Gabriel Napão x Dave Herman
Seth Baczynski x Brian Melancon
Mike Pearce x David Mitchel

UFC: Johnson x Moraga
27 de julho de 2013, em Seattle (EUA)
CARD DO EVENTO
Demetrious Johnson x John Moraga
Rory MacDonald x Jake Ellenberger
Robbie Lawler x Siyar Bahadurzada
Liz Carmouche x Jessica Andrade
Michael Chiesa x Jorge Masvidal
Bobby Green x Danny Castillo
Mac Danzig x Melvin Guillard
Brendan Schaub x Matt Mitrione
Yves Edwards x Spencer Fisher
Julie Kedzie x Germaine de Randamie
Ed Herman x Trevor Smith
Aaron Riley x Justin Salas
John Albert x Yaotzin Meza

UFC 163 (UFC Rio 4)
3 de agosto de 2013, no Rio de Janeiro
CARD DO EVENTO
José Aldo x Anthony Pettis
Lyoto Machida x Phil Davis
Demian Maia x Josh Koscheck
Clint Hester x Cezar Mutante
Vinny Magalhães x Anthony Perosh
Amanda Nunes x Sheila Gaff
Serginho Moraes x Neil Magny
Thales Leites x Tom Watson
Rani Yahia x Josh Clopton
Robert Drysdale x Ednaldo Lula
Ian McCall x Iliarde Santos
John Lineker x Phil Harris
Viscardi Andrade x Bristol Marunde

UFC: Shogun x Sonnen
17 de agosto de 2013, em Boston (EUA)
CARD PRINCIPAL
Mauricio Shogun x Chael Sonnen
Alistair Overeem x Travis Browne
Urijah Faber x Iuri Marajó
Matt Brown x Thiago Pitbull
Uriah Hall x Nick Ring
Joe Lauzon x Michael Johnson
CARD PRELIMINAR
Brad Pickett x Michael McDonald
Mike Brown x Akira Corassani
Conor McGregor x Andy Ogle
Diego Brandão x Daniel Pineda
Manny Gamburyan x Cole Miller
Ovince St. Preux x Cody Donovan
Ramsey Nijem x James Vick

UFC: Condit x Kampmann
28 de agosto de 2013, em Indianápolis (EUA)
CARD DO EVENTO
Carlos Condit x Martin Kampmann
Donald Cerrone x Rafael dos Anjos
Kelvin Gastelum x Paulo Thiago
Sara McMann x Sarah Kaufman
Court McGee x Robert Whittaker
Takeya Mizugaki x Erik Perez
Brad Tavares x Bubba McDaniel
Darren Elkins x Hatsu Hioki
James Head x Bobby Volker
Justin Edwards x Brandon Thatch

UFC 164
31 de agosto de 2013, em Milwaukee (EUA)
CARD DO EVENTO
Ben Henderson x TJ Grant
Josh Barnett x Frank Mir
Chad Mendes x Clay Guida
Diego Sanchez x adversário a ser divulgado *
Ben Rothwell x Brandon Vera
Dustin Poirier x Erik Koch
Soa Palelei x Nikita Krylov
Chico Camus x Kyung Ho Kang
Louis Gaudinot x Tim Elliott

UFC
4 de setembro de 2013, em local a ser divulgado.

UFC 165
21 de setembro de 2013, em Toronto (CAN).

UFC
14 de dezembro de 2013, em local a ser divulgado.

UFC
21 de dezembro de 2013, em local a ser divulgado.

 

 

 

UFC 160: dois pesos pesados e o mesmo sonho

24 maio, 2013
23:34

O UFC 160 é a oportunidade que todos por aqui aguardavam e traz a chance inédita de dois brasileiros disputarem o cinturão dos pesados em um futuro breve. Mas, a tarefa será muito mais que complicada. Embora Júnior Cigano enfrente um lutador experiente e com uma mão muito pesada, sua envergadura e técnica devem fazer o combate ser fácil, se o brasileiro estiver atento. Por outro lado, o paraibano Antônio Big Foot encara novamente seu algoz e campeão Cain Velasquez, que o triturou na primeira luta, sangrenta, e que terminou ainda no primeiro round.

Será que dessa vez será diferente?
Confira o vídeo Countdown to UFC 160

UFC 160

Sábado, 25 de maio de 2013
MGM Grand Garden Arena, Las Vegas, Nevada, EUA

Card principal:
Cain Velasquez vs Antônio “Pezão” Silva
Junior “Cigano” dos Santos vs Mark Hunt
Glover Teixeira vs James Te Huna
Gray Maynard vs T.J. Grant
Donald Cerrone vs K.J. Noons

Card preliminar:
Rick Story vs Mike Pyle
Dennis Bermudez vs Max Holloway
Robert Whittaker vs Colton Smith
Khabib Nurmagomedov vs Abel Trujillo
Nah-Shon Burrell vs Stephen Thompson
Brian Bowles vs George Roop
Jeremy Stephens vs Estevan Payan

Vitor, vitória e TRT.

24 maio, 2013
23:15

A vitória de Vitor Belfort, no último sábado, na arena Jaraguá, em Santa Catarina, ainda rende muitos comentários e matérias, tanto pela forma devastadora com que encerrou o combate quanto pela forma ríspida e mal educada com que encerrou a coletiva pós-luta. É notável a evolução técnica de Vitor, que parece estar no auge de sua carreira, só tendo perdido para os campeões das categorias em que se aventurou. O resto foram vitórias contundentes e surpreendentes, com novos golpes e muita explosão.

A questão nem é o uso de reposição hormonal que Vitor faz, que apenas nivela seu nível de testosterona, mas, segundo o UFC, ele é testado e está em níveis normais. Se o TRT melhora o desempenho nos treinos e nas lutas, deveria ser revisto. Se a luta fosse em Las Vegas, estado de Nevada, a luta não aconteceria, pois a comissão atlética de Nevada não tolera esse tratamento. Ou seja, Vitor, fazendo uso do TRT, só pode lutar no Brasil, lembrou Joe Rogan em seu Twitter logo após o combate.

O americano Luke Rockhold, muito abalado pela derrota, disse que o tratamento não ensina chutes. Essa é a mais pura verdade, mas o uso do TRT está diretamente ligado ao uso de esteroides anabolizantes usados no passado, ou recentemente. Por isso, no mundo do MMA, esse é o tema mais polêmico da atualidade. Acho inclusive que a atitude de Vitor na coletiva demonstra claramente que há algo errado. Sem dúvida. Até por isso teve que ir à Ana Maria Braga fazer pizza para poder se desculpar pelo vexame.

Mas a atitude de Vitor na entrevista esbarra em outro tema em que o jornalista da ESPN Brasil, Mauro Cezar Pereira, costuma sempre abordar, especialmente quando o assunto são as entrevistas coletivas da seleção brasileira de futebol. O atleta brasileiro, do futebol ao MMA, acha que a função do jornalista é torcer e apoiar incondicionalmente seu país e atletas, sem poder exercer o papel investigativo e publicar o que realmente as pessoas querem saber e não aquilo que o atleta quer falar. Esse vício é algo inadmissível para atletas de ponta, que representam mais que o país, representam também as marcas que o patrocinam. Está na hora de os atletas entenderem que a imprensa não tem o papel de torcer e sim analisar, comunicar e disseminar opiniões livres.

Sou fã do UFC. Mas tenho saudades do Pride e do K-1

16 maio, 2013
15:17

Sou fã do UFC. Não perco uma edição. Mas tenho saudades do Pride e do K-1

Todos os esportes são gerenciados por entidades. Mas nenhum esporte é tão refém de uma marca como é o MMA em relação ao UFC. Mesmo com o esforço de ex- lutadores e pequenos empresários para realizar os eventos nacionais, estes ainda soam amadores comparados ao maior evento do mundo. É claro que estamos falando de um espetáculo com quase 20 anos de trabalho, mas nunca podemos nos esquecer de que a ideia foi brasileira. O que faltou é o que sobra para os americanos. Como fazer tudo virar um grande show.

Com os cassinos à disposição e um investimento milionário, o UFC é sem dúvida o sonho de qualquer lutador de MMA. O contrato com a entidade é garantia de visibilidade e gera patrocínios e muito apoio. Seguindo os passos dos precursores brasileiros, hoje milhares de atletas enchem as academias com um sonho à frente. Possivelmente seja o segundo esporte no coração dos brasileiros e é, com certeza, o esporte que mais cresce no mundo. Com pouca visibilidade, muitos eventos são realizados com frequência pelo mundo, mas os podemos considerar underground. Ninguém já começa por cima. É preciso conquistar vitórias seguidas para chamar a atenção dos promotores e empresários, e aí, sim, ter uma chance nos eventos maiores.

Mas quando teremos um evento brasileiro realmente grande? Não desmerecendo os nacionais, reveladores de talentos, no país temos a necessidade de grandes eventos com grandes nomes. Com a necessidade de erguer grandes arenas e estádios para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, o Brasil vai finalmente ter estrutura para grandes públicos. Em Curitiba, por exemplo, finalmente sairemos do nostálgico, mas precário Palácio de Cristal do Círculo Militar do Paraná e enfim poderemos abrigar grandes eventos na Arena, que ainda não está pronta. Mesmo com as críticas do uso de dinheiro público, Curitiba finalmente poderá abrigar uma edição do UFC ou qualquer outro que por aqui aporte. Mas, com ídolos locais como Wanderlei Silva, Anderson Silva e Maurício Shogun, será impossível não lotar.

O fato é que quando o UFC para, a impressão é que o mundo do MMA para junto. As grandes notícias e matérias são substituídas apenas por declarações e provocações entre os lutadores, talvez para promover uma luta ou para preencher o vazio que fica quando no fim de semana não tem luta. O Brasil precisa de outros grandes eventos, com grandes lutadores. Faz falta um show que una lutadores com nome, mas que não tem contrato com o UFC. Existe um mar de lutadores que gostariam de um bom contrato, independentemente de onde seja. E falo de lutadores consagrados, como Nick Diaz e Rampage Jackson, por exemplo. O que importa é a visibilidade, vendas e grandes lutas. Será que um dia teremos um evento que faça frente ao UFC ou seremos reféns pra sempre de seus princípios?

Veja a nova abertura com trilha sonora do mestre Hanz Zimmer. Sensacional

Polêmica: o corte de peso ao longo da carreira.

30 abril, 2013
14:19
prommatraining.com

Antes e depois…

Na maioria dos esportes de combate, como o judô ou o boxe, é normal o atleta perder certa quantidade de peso para conseguir lutar em uma categoria abaixo da que realmente pertence para ganhar vantagens, pois após as pesagens o lutador recupera grande parte do peso. O processo, além de uma dieta rigorosa nas semanas que antecedem a luta, consiste basicamente em um trabalho de desidratação ao longo do qual o atleta perde peso apenas em líquidos, sendo fácil recuperá-lo em 24 horas.

No MMA, a grande maioria dos lutadores sofre bastante para conseguir alcançar o peso, que muitas vezes chega a 10 kg a menos do que realmente eles pesam. Esse desgaste os leva ao limite e muitos não conseguem e acabam passando mal e indo para o hospital. Os lutadores mais experientes, que contam com uma equipe de fisiologistas, nutricionistas e treinadores, já se acostumaram com a prática. Muitos dizem que a primeira luta é contra a balança.

Vamos imaginar um lutador como Georges St Pierre, que pesa normalmente 85 kg. Ele é o campeão absoluto da categoria dos meio-médios, com limite de 77 kg. Será que se Georges lutasse nos médios, sem o corte de peso, teria o mesmo desempenho. Nesse caso, obviamente que não. Assim como Georges perde quase 8 kg, os pesos médios, como Anderson Silva, chegam a pesar mais de 100 kg nos treinamentos. Então é uma vantagem difícil de recusar.

Muitas vezes, o que define o sucesso do lutador é sua adaptação ao peso em que irá competir. Wanderlei Silva prefere não cortar muito peso, alegando que perde força e explosão, motivo pelo qual ele subiu novamente para os meio-pesados, até 93 kg. Anderson Silva e Jon Jones são possivelmente os que mais se beneficiam da técnica. Com grandes envergaduras, altos e muito fortes, se sobressaem em suas categorias, pois são notavelmente maiores do que seus adversários.

Certamente, se as pesagens ocorressem no dia das lutas, o mundo do MMA seria completamente diferente e os campeões e rankings seriam totalmente alterados, mudando inclusive o rumo do esporte. Mas, o UFC parece nem pensar nessa possibilidade, ainda. O fato é que não surgiram estudos sérios e definitivos sobre as consequências do corte excessivo de peso a que os atletas são submetidos durante suas carreiras.

Será que essa prática realmente não prejudicará futuramente os atletas? Ou a tecnologia esportiva chegou ao ponto de conseguir manipular o corpo sem que isso diminua funções vitais do atleta ao longo dos anos? É uma questão que deveria ser avaliada para que as futuras gerações de atletas não sofram os mesmos problemas que a primeira geração do MMA pode apresentar em um futuro breve.

Veja o vídeo do campeão dos penas José Aldo cortando peso:

 

 

Joe Silva por um dia

11 abril, 2013
13:38

Mesmo com a criação do ranking oficial, muitos combates ainda serão marcados pelo apelo que a luta proporciona pelos fãs, além é claro da venda dos pay- per- views que fazem a roda girar. Fico imaginando que um dos empregos mais legais do mundo seja o do matchmaker do evento, Joe Silva, responsável por planejar quem lutará com quem. Embora o ranking seja uma boa referência, a imaginação de um combate com toda sua complexidade e confronto de estilos faz qualquer um imaginar como seria se…?

Pensei um pouco e imaginei 20 confrontos que ao menos eu gostaria de ver na tela. Não posso considerar eventos já marcados. Apenas possíveis confrontos.

  1. Anderson Silva vs Jon Jones (luta em peso combinado de 88 kg)
  2. Anderson Silva vs Georges St Pierre (luta em peso combinado de 80 kg)
  3. José Aldo vs Ben Henderson (luta em peso combinado de 68 kg)
  4. Wanderlei Silva vs Chael Sonnen (meio- pesado)
  5. Júnior Cigano vs Cain Velásquez III (peso- pesado)
  6. Renan Barão vs Dominik Cruz (peso- galo)
  7. Rodrigo Minotauro vs Fedor Emelianenko 4 (peso- pesado)
  8. Maurício Shogun vs Gerard Mousasi (meio- pesado)
  9. Lyoto Machida vs Alexander Gustafsson (meio- pesado)
  10. Michael Bisping vs Hector Lombard (peso- médio)
  11. Frank Edgar vs Chad Mendez (peso- pena)
  12. Vitor Belfort vs Wanderlei Silva (meio- pesado)
  13. Ronaldo Jacaré vs Roger Gracie (peso- médio)
  14. Ronda Rousey vs Chris Cyborg (peso- galo)
  15. Rogério Minotouro vs Dan Henderson (meio- pesado)
  16. Nate Diaz vs Anthony Pettis (peso- leve)
  17. Nick Diaz vs Rory McDonald (meio- médios)
  18. Rodrigo Minotauro vs Frank Mir 3 (peso-pesado)
  19. Maurício Shogun vs Glover Teixeira  (meio-pesado)
  20. Júnior dos Santos vs Jon Jones (peso- pesado)

T.U.F América, terror psicológico e Mike Tyson

3 abril, 2013
16:05

The Ultimate Fighter: Jones vs Sonnen

Um dos fatores mais importantes em uma luta é a guerra psicológica. As provocações, discussões e encaradas, apesar de serem parte do jogo promocional, fazem parte de algo maior. É a guerra mental que se inicia com a marcação da luta, até o possível abraço final de respeito após o fim do combate. A última demonstração clara de que a guerra psicológica faz parte do jogo, e é usada por todos os lutadores, foi na aguardada luta entre Georges St Pierre e Nick Diaz. Assim como Chael Sonnen e Anderson Silva, a pressão durou anos até ter seu desfecho. Do caso de Pierre e Diaz um abraço e um erguendo a mão do outro demonstraram claramente que aquela guerra acabou. O próprio campeão canadense admitiu na coletiva que nunca havia passado por uma guerra psicológica tão intensa e quem acompanha sabe o esforço mental que Georges fez para não sair dos trilhos. Se não fosse quem é, teria sucumbido.

O meu herói Mike Tyson era mestre. Suas táticas eram brutas, toscas e simples. As mais animais, primitivas e funcionais que o boxe já viu. Além dos nocautes, os segundos antes da luta faziam toda a diferença. Sem tirar o mérito de Ali, que também fazia os oponentes mudarem de cor, as encaradas de Mike Tyson antes do gongo inicial já lhe davam metade da luta. Era o famoso olhar fixo como o de um leão antes de atacar sua presa. Dava medo até em nós que víamos pela televisão. Do outro lado, o pobre adversário com olhos de quem caminha para a cadeira elétrica ou para a câmara de gás já deixava escapar o odor do medo, que nós humanos também podemos sentir.

Com a ascensão do MMA, muitos atletas conseguiam essa vantagem extracampo do seu próprio jeito. Wanderlei Silva pela violência e intimidação, Fedor Emelianenko pela frieza russa, Anderson Silva pela imprevisibilidade, Jon Jones pelo tamanho e golpes cruéis – mas sempre algo que acompanha suas carreiras.

O The Ultimate Fighter América chegou à fase semifinal, e com ela, grandes descobertas e ótimos lutadores. Mas um em específico chamou a atenção dos fãs, e principalmente de Dana White, que disse nunca ter visto nada parecido em sua longa carreira. Uriah Hall simplesmente devastou seus oponentes com nocautes tão brutais que os espectadores não tiveram coragem sequer de bater palmas. Ambulâncias, médicos, dor e choque foram à tônica de seus combates.

Ontem, no programa que foi ao ar nos EUA, o adversário foi nocauteado em menos de trinta segundos comprovando toda a crise de estresse e pavor que Bubba, o atleta do time Jones, sentiu durante a semana sabendo que iria enfrentar o melhor atleta da casa. Crises existenciais, dores fantasmas, depressão, todos os sintomas do pânico acompanharam Bubba durante a semana. Os nocautes avassaladores de Uriah Hall o deram o poder de imputar terror em seus adversários que já entram derrotados, como em muitas lutas que vimos por ai. Como costumava dizer um folclórico treinador de futebol do Brasil: “O medo de perder tira a vontade de ganhar”. Chael soube escolher o possível vencedor do reality americano. E mais: Uriah Hall um dia pode ser campeão do UFC.

Acho que os atletas de hoje, até pela mentalidade de seus formadores, não trabalham esse lado emocional, tão importante como o físico e o técnico. Para ser campeão é preciso dominar essas três classes. Um excelente exemplo é do saudoso mestre Carlson Gracie, formador de lendas como Vitor Belfort. Levado pela filosofia da família Gracie em vencer os desafios que a vida impõe, conseguia transformar seus atletas em lutadores de grande poder mental. Diferentemente da superconfiança, é algo maior, intrínseco aos seus valores da vida.

Ao vencer Wanderlei Silva em 1998, em um nocaute relâmpago, Vitor iniciou uma comemoração extravazada, como a de um garoto ganhando uma campeonato de videogame. Carlson, vendo a cena, tratou de colocar Vitor na linha e mostrar qual o caminho eterno para a guerra mental que aquele garoto ainda travaria a vida toda. Chamou-o e sem pestanejar o repreendeu: “Está comemorando por quê? Você achou que iria perder?”

Um dos nocautes de Uriah Hall na casa

Nocaute de Uriah Hall contra Bubba McDaniel no TUF

Uriah Hall

Mike Tyson – Uma lição de intimidação

 

 

 

Vídeo: Pride F.C – Shogun vs Minotouro

25 março, 2013
10:22

Com a luta entre Shogun e Minotouro marcada cresce a expectativa do combate. Mas, tudo isso porque a primeira luta entre os dois, no Pride Critical Countdown, em 2005, entrou para a história como uma das melhores lutas de todos os tempos.

Assista o combate:

 

UFC 158: St Pierre vs Diaz

15 março, 2013
16:15

UFC 158

A luta entre o campeão Georges St. Pierre e Nick Diaz, aguardada há muito tempo, coroa a ótima fase da categoria, que ficou esquecida quando o campeão canadense esteva lesionado. Com tantos lutadores em excelente fase nos meio-médios, as duas lutas principais devem revelar, além do cinturão, o próximo combate pelo mesmo cinturão. É isso mesmo. No futebol seria como uma semifinal, com o campeão atual em uma das chaves.

Nick Diaz tomou conta da coletiva de imprensa e com seu jeito sincero, muitas vezes ofensivo, que faz referência a brigas de rua e confusões no passado, conseguiu em alguns momentos irritar St. Pierre, que se conteve, mas ficou clara a força mental que precisou fazer para não entrar nas discussões de Diaz. No meio de tudo isso, Dana White parecia estar irritado pelo comportamento do americano, que já havia faltado ao treino aberto aos fãs, e ainda não garantiu que testará negativo por uso médico de maconha. Mas, um sorrisinho escondido no rosto do patrão ao menos deixava claro que Diaz, apesar de seu jeito marrento, atrai a atenção e promove a luta, mesmo não aparecendo nos compromissos públicos e contratuais.

A torcida do UFC para que GSP vença a luta esbarra nas superlutas programadas. Caso Nick Diaz vença, será um desastre para os planos da organização. Primeiramente porque Nick Diaz será o campeão mais indisciplinado que já pisou no octógono e, além da dor de cabeça com declarações e atitudes, derruba o confronto de St. Pierre contra Anderson Silva e a chance de o UFC faturar e promover uma das duas lutas que todos querem ver.

Por outro lado, a vitória de Nick Diaz simbolizaria a vitória do anti-herói, a vitória do que entra para lutar e não para calcular. Não desmerecendo o lutador mais tático do UFC, Georges St. Pierre, até ele mesmo sabe que suas lutas podem facilmente se tornar chatas pela burocracia que impõe. Então é fácil deduzir que só há duas maneiras de Diaz vencer, e nunca por pontos: nocautear ou finalizar nos 25 minutos que terá pela frente. Suas chances são poucas, mas nunca duvido da alma de um guerreiro. Duvido dos olhos dos árbitros e da falta de critérios. Um dos motivos para o esporte se afastar cada vez mais de ser um esporte olímpico, e sim, uma máquina de fazer dinheiro.

UFC 158
16 de março de 2013, em Montreal (CAN)
CARD PRINCIPAL
Georges Saint Pierre x Nick Diaz
Carlos Condit x Johny Hendricks
Jake Ellenberger x Nate Marquardt
Chris Camozzi x Nick Ring
Mike Ricci x Colin Fletcher
CARD PRELIMINAR
Patrick Cote x Bobby Voelker
Antonio Carvalho x Darren Elkins
Jordan Mein x Dan Miller
Daron Cruickshank x John Makdessi
Rick Story x Quinn Mulhern
TJ Dillashaw x Issei Tamura
George Roop x Reuben Duran

O canal Combate exibirá o UFC 158 na íntegra e com exclusividade neste sábado, às 19h35 (horário de Brasília).

Assista o vídeo: Countdown to UFC 158: St-Pierre vs. Diaz

 

 

Crônica por Nico Anfarri: Pierre Precisa Perder

15 março, 2013
12:34

Excelente análise de Nico Anfarri sobre o combate de sábado entre GSP vs Diaz. Resolvi publicar. Explica o sentimento de muitos.

Georges St.Pierre só tem duas derrotas em 24 lutas, não perde desde 2007, se impõe sobre adversários de alto nível com a facilidade característica dos acima da média, tem uma excelente aparência, história de vida inspiradora de rapaz que chegou a trabalhar como gari e agora é uma estrela, fala bem, tem discurso sem maneirismos ou a eventual falácia que ainda estigmatiza o MMA, exalta seus adversários tanto na glória quando na queda e é responsável, quase que exclusivamente, pelo esporte ter virado febre num dos maiores países do mundo e sua terra natal, Canadá. St. Pierre é perfeito e por isso tem que perder.

Até sua derrota para Serra em 2007 Pierre era um dos lutadores mais empolgantes do mundo. Um atleta dinâmico e agressivo que usava seu excesso de possibilidades e técnicas para aceitar a emoção do combate. Um apaixonado pelo sonho de ser e se manter campeão. Ser destemido é característica do verdadeiro apaixonado e suas lutas mostravam desejo pelo esporte, eram o ápice de meses de treinamento, era aquilo que ele realmente queria, o melhor dia de sua vida. Atualmente a luta parece ser conseqüência natural de sua posição, um momento inevitável que faz parte do processo de ser lutador. Coisa mecânica. A paixão deu lugar a rotina e mesmice. Suas lutas se tornaram burocráticas, um bom-dia de caixa de supermercado.

St.Pierre luta com a calculadora na mão. O maior matemático do MMA. No marketing ele é faixa preta de jiu-jitsu, mas na prática não conseguiu finalizar o striker Dan Hardy em 25 minutos de luta de solo, mesmo sendo fantástico em wrestling segurou quase toda a luta em pé contra Koscheck e nos maltratou com a mais sacal demonstração de como dar jabs de esquerda num olho com o osso orbital quebrado. Tento não ser mesquinho, mas se é fato que é o campeão inquestionável de seu peso, também é fato que é faz lutas amarradas e sem brilho desde 2008. Ídolos definem tendências, aparecem em noticiários, são imitados e MMA é muito maior do que Pierre faz parecer. Imaginem uma categoria apenas com Andersons, por exemplo. Mas e se fossem apenas vários St.Pierres? Quanto tempo para os fãs mudarem de canal para assistir ginástica olímpica ou ressuscitarem o boxe? Enquanto uns nos prendem na poltrona, St.Pierre nos levanta para ir ao banheiro ou beber água. É tão talentoso que só tem luta se ele quiser, e não quer. Quer é nos convencer que MMA é um somatório infinito de mais e mais técnicas, treino, preparação, sem emoção e risco na equação. Menos espetáculo e mais didática.

A diplomacia de um campeão é medida dentro do octagon e não em ternos Armani. O maior embaixador que o esporte já teve é russo, não fala inglês e divulgou MMA com o rosto cortado e nariz quebrado. Discurso feito com a boca e punhos fechados. As aulas de aritmética de Pierre já são vaiadas até no Canadá. Cada main event de UFC é um dos momentos esportivos mais importantes e influentes do planeta, é quando leigos que assistem pela primeira vez verão mais outras milhares ou nunca mais. Qual de nós aqui teria se apaixonado por MMA se a primeira luta que víssemos fosse Pierre VS Koscheck ou Hardy ou Alves ou Shields? E essas foram as primeiras e últimas de milhares de possíveis fãs. Pierre Vs Clay Guida numa luta sem rounds e limite de tempo poderia ser evento principal na entrada do inferno.

Para ser um dos melhores só precisa de vitórias, mas para ser uma lenda precisa de nossos aplausos. E isso ele não tem. Falta aquele olho vermelho com litros de sangue pra despejar por um sonho. Se vitórias e mais vitórias apagaram essa chama, St.Pierre então precisa perder. Um pequeno passo para trás e mil para frente. Pierre precisa apanhar de Nick Diaz. Não só perder, mas uma surra, coisa quase masoquista, ver sua cara amassada e ensangüentada. Ter a derrota rasgada no seu ego para eternidade, ouvir que sempre foi amarrão e nunca realmente tão bom. Serão calamitosas mentiras, palavras enxaguadas com paixão pelo fã, mas vai magoar e ele vai ser forçado a fazer alguma coisa. Lembrar que não nunca foi gênio, que sua real beleza está na perseverança, vai ter que voltar a carregar a cruz, começar quase do zero, repensar a carreira, em subir de peso, achar que somos ingratos, usar vingança como combustível, derramar sangue, voltar a vencer de modo contundente, ser aplaudido e em glória perceber que em MMA as linhas são sempre tortas.

St.Pierre precisa perder . Sabe que é nosso desejo quase secreto e isso corrói seu espírito de bom moço. Precisa arrancar as asas, jogar fora a auréola, se lançar por entre as nuvens na ponta do cotovelo de Diaz. Martelar o prego na mão. Quebrar a vitrine. Só na marra, espatifado e rastejando em seus próprios cacos vai entender a diferença entre os melhores e os maiores, os famosos e as lendas. Porque choramos a derrota de alguns e vibramos com a de outros. Georges St.Pierre precisa perder para poder renascer.

alexandraphilibert.wordpress.com

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