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O card dos sonhos

22 julho, 2014 às 13:12  |  por Gustavo Kipper

1 – Jon Jones vs Cain Velasquez

Enfim o combate entre os dois seres-humanos mais perigosos do MMA. Os dois poderiam lutar em em peso casado, com 100 kg, ou no peso-pesado, até 120 kg. Apesar da vantagem de tamanho, Jones poderia encontrar dificuldades com a trocação e o wrestling de Cain, que, com enorme poder de nocaute, poderia fazer o que ninguém fez; nocautear Jon Jones ou castigá-lo no ground and pound.

2 – José Aldo vs Anthony Pettis

Essa superluta já ficou perto de acontecer, mas Pettis sofreu lesão e a luta foi cancelada. O mais justo seria em um peso casado, de 68 kg. Apesar de levar vantagem pela envergadura, Anthony Pettis pode encontrar dificuldades com o muay-thai de Aldo, que usa chutes muito fortes. Mas seu poder de atacar e contra-atacar faria do combate uma batalha pelo nocaute, já que ambos adoram lutar em pé.

3 – Ronda Rousey vs Cris Cyborg

A mais aguardada luta da história do MMA feminino, essa seria a disputa pelo cinturão dos pesos galos. Praticamente invencível, Ronda, enfim, seria testada por outra campeã. Ronda possivelmente levaria a luta para o solo com seu judô, e caso acontecesse, possivelmente poderia acabar a luta ali. Mas Cris Cyborg é diferente. Difícil fazer previsões.

4 – Johnny Hendrics vs Robbie Lawler

O campeão Johnny Hendrics enfrentaria seu maior desafio, depois de Georges St Pierre. Uma batalha de cinco rounds com dois atletas com queixo duro. Venceria aquele que chegasse mais inteiro nos dois últimos rounds. Acho que Lawler poderia levar uma pequena vantagem, mas a mão pesada de Hendrics poderia alterar o rumo das coisas.

5 – Alexander Gustaffson vs Daniel Cormier

Com Jon Jones lutando no evento principal, sobrou para os dois decidirem quem é e o melhor lutador nos meio-pesados, em caso de Jones subir de categoria. Apesar de ser muito mais alto e ter muito mais alcance, Gustaffson enfrentaria um atleta que nunca perdeu nos pesados e nem nos meio-pesados. Daniel Cormier é um monstro e não me surpreenderia se vencesse sem precisar dos pontos.

6 – Fabrício Werdum vs Júnior dos Santos II

Seria a revanche dos sonhos de Werdum que foi nocauteado no primeiro confronto. Hoje Werdum melhorou muito a trocação, além de ter o jiu-jitsu como alternativa. Campeão mundial várias vezes, dessa vez o gaúcho levaria uma pequena vantagem.

7 – Vitor Belfort vs Lyoto Machida

Com um possível domínio de Chris Weidman, nos pesos-médios, os brasileiros fariam um duelo, já cogitado, pela possibilidade de entrar novamente em rota de colisão com o campeão. Nesse caso, uma vitória ou uma derrota são cruciais para a continuação de suas carreiras, pois já são considerados veteranos, com 37 e 36 anos.

8 – Frank Edgar vs Chad Mendez

Seria uma guerra de dois lutadores extremamente rápidos e com poder de nocaute enorme para seus pesos. Difícil imaginar uma luta tão equilibrada, e mais difícil ainda porque nunca lutaram entre si. Não faz tanto tempo que Edgar desceu de peso, após ter sido campeão dos leves. Muita ação e pancadaria, sem dúvida.

9 – Antonio “Pezão” Silva vs Josh Barnett

Essa luta seria praticamente um acerto de contas entre os dois gigantes, que já se provocaram diversas vezes. Barnett, inclusive, já fez piadas com algumas enfermidades do brasileiro, que costuma sair vitorioso contra desafetos. Porém a experiência e frieza de Josh poderiam fazer a diferença.

10 – Rory McDonald vs Hector Lombard

A nova sensação canadense poderia encontrar dificuldades com o jogo do cubano, que de forma nenhuma anda para trás. Medalhista olímpico de judô, Hector Lombard poderia levar perigo, caso chegasse perto de Rory. Com um controle quase perfeito da distancia e golpes rápidos, McDonald pode levar vantagem pelo condicionamento físico e envergadura.

UFC Fight Night e a estreia de Claudia Gadelha

16 julho, 2014 às 15:14  |  por Gustavo Kipper

Hoje, em Atlantic City, estado de New Jersey, acontece mais uma edição do UFC Fight Night. Com um card recheado de brasileiros, o evento promete ser bom. Na luta principal, o duelo do cowboy Donald Cerrone contra Jim Miller. Ambos vêm de vitória, portanto, o vencedor entra no caminho do title shot.

O brasileiro Edson Barbosa volta ao octógono após amargar uma frustrante derrota, por finalização, contra Donald Cerrone. O brasileiro dava show na trocação quando foi surpreendido e obrigado a desistir. Leonardo Macarrão, participante do TUF Brasil, volta ao UFC contra o perigoso Rick Story. Se vencer, surpreenderá muita gente. O paranaense John Lineker finalmente bateu o peso mosca e enfrenta o turco Alptekin Ozkilic. Lineker vem de derrota para o russo Ali Bagautinov, após quatro vitórias consecutivas.

O destaque é a estreia de Claudinha Gadelha. A atleta da academia Nova União entra pela primeira vez no octógono e vai inaugurar a segunda categoria de peso feminina: o peso palha, até 52 kg. A brasileira enfrenta Tina Lahdemaki. Invicta no MMA, é uma das promessas brasileiras e pode ser, em breve, a detentora do título da nova categoria.

UFC Fight Night: Cerrone vs Miller

Donald Cerrone x Jim Miller

Edson Barboza x Evan Dunham

Rick Story x Leonardo Macarrão

Justin Salas x Joe Proctor

John Lineker x Alptekin Ozkilic

Lucas Mineiro x Alex White

Gleison Tibau x Pat Healy

Jessamyn Duke x Leslie Smith

Hugo Wolverine x Aljamain Sterling

Yosdenis Cedeno x Jerrod Sanders

Claudinha Gadelha x Tina Lahdemaki

O UFC Fight Night começa às 19h30min.

Construídos para vencer

10 julho, 2014 às 16:48  |  por Gustavo Kipper

Definitivamente, o esporte brasileiro vive um de seus piores momentos. Um país que sempre enxergou no futebol a esperança de ser o melhor em algo, já que no resto as coisas nunca andaram bem, não pode mais se apegar a isso. O MMA acompanha o ritmo do futebol e mostra que muita coisa precisa mudar, antes que uma geração inteira de talentos seja perdida.

Ficamos vinte e quatro anos sem a taça do mundo. Nem mesmo isso foi capaz de tirar a autoestima do brasileiro, que, acostumado com vitórias, entrava em qualquer competição acreditando ser o favorito. Nessa época de seca, apenas Ayrton Senna da Silva fazia nossa bandeira tremular no ponto mais alto do pódio. Infeliz coincidência, sua morte veio acompanhada do título de 94. Com o passar dos anos vimos conquistas extraordinárias do vôlei, natação, ginástica, atletismo, judô e MMA. Ficou faltando apenas a medalha de ouro do futebol, em algum dos jogos olímpicos disputados. Isso é um enorme sinal negativo.

Todas as nossas conquistas, fora do mundo da bola, foram por obra e esforço dos próprios atletas, que com nenhum incentivo do governo federal precisaram realmente usar a palavra superação no sentido prático do dia-a-dia. No suor e no sufoco. Assim é com todas as modalidades. O choro dos jogadores no hino nacional denunciava isso. A vida sofrida a que cada um foi submetido. Embora seja o esporte com maior incentivo.

No MMA também não é diferente. A maioria dos campeões vindos do Brasil teve infância pobre e precisou sobreviver antes de conseguir um pouco de tranquilidade para treinar. A Copa do Mundo deixou evidente um problema que sempre nos assombrou. A dificuldade em realizar trabalhos de longo prazo que realmente tenham resultado em qualquer modalidade esportiva em que se queira chegar à excelência.

Tirando o vôlei com Bernardinho e José Roberto Guimarães, fica difícil lembrar outros exemplos. Algo sólido que sirva para muitas gerações. O time de futebol alemão, derrotado na Copa de 2006, é praticamente o mesmo que veio ao Brasil e nos humilhou. Aqueles garotos de vinte anos, agora com quase trinta, chegaram à maturidade e estão prontos. Se vão ganhar ou não, é detalhe. Um bom trabalho foi feito e isso é inegável. Se perderem, vão cair de pé.

Espero que essa tenha sido a derrota da prepotência, do comportamento eterno de que se ganha competição com nome, camisa, superstição e fé. Vencemos algumas vezes assim, quando o futebol ainda não era globalizado. Hoje não funciona mais. Sem estudo, competência, humildade e frieza não se ganha Copa. Não se ganha luta e não se ganha corrida.

No MMA vimos nossos campeões sendo destronados por uma nova geração. Uma nova mentalidade de treinos, estilo de vida e comportamento. Resultado de um trabalho de vários profissionais que utilizam todas as ferramentas disponíveis, inclusive a excelente formação a que o atleta foi submetido. A geração vitoriosa do MMA brasileiro está se aposentando. Nossos ídolos ficaram velhos e não podem mais lutar como antes. Quem ocupará seu lugar? Será que as academias e escolas que hoje treinam os futuros atletas têm condições de formar uma legião de campeões? Ou apenas aqueles realmente privilegiados pela genética poderão ter chances?

Investir em educação é também investir em esporte. O governo federal, independentemente de partido político, tem como obrigação criar centros de excelência e formação para as modalidades esportivas mais praticadas no país, e incentivar as modalidades menos praticadas. Trazer capital humano e intelectual do exterior se preciso e pensar nas próximas gerações.

Temo que a Olimpíada de 2016 evidencie ainda mais nossas limitações e possa representar outro fracasso esportivo do Brasil. Mas, se a vergonha for o único trampolim para esses dirigentes corruptos e incompetentes serem excluídos, e prevalecer uma nova forma de pensar e trabalhar, terá valido a pena.

Um dia poderemos pensar nas derrotas do MMA e do futebol como algo positivo. Sete gols não se apagam, mas podem construir uma nova história. Caso contrário, ficaremos submetidos ao fracasso e a assistir a festa dos outros. Seremos ultrapassados em tudo, como fomos no futebol e no MMA.

Marasmo

30 junho, 2014 às 15:02  |  por Gustavo Kipper

Há duas décadas o The Ultimate Fighting Championship (UFC) vem arrebatando uma legião de fãs ao redor do mundo e revelando os melhores atletas de lutas marciais do momento. A quantidade de ídolos e campeões que já entraram no octógono fez da franquia uma referência. Mas a grande quantidade de lutadores obriga o UFC a realizar cada vez mais eventos, com qualidade discutível.

Infelizmente, o marasmo chegou. Nem mesmo na época do extinto Pride F.C., quando o UFC estava à beira de falência, viu-se o nível cair tanto. Não me refiro nem ao nível técnico das lutas em geral, mas da qualidade dos eventos, que são cada vez mais superficiais e valem cada vez menos em termos de competição. Com quase 500 lutadores sob contrato, a franquia é obrigada a realizar eventos de menor importância na televisão aberta americana, para tentar valorizar algo que não empolga.

As edições do UFC Fight Night normalmente são chatas, com muitos lutadores desconhecidos e lutas amarradas. Somente quando há disputas por cinturão, nos eventos numerados, é que podemos ver lutas de grande nível. É muito lutador pra pouco evento. Só no sábado passado (28), foram dois. Um na Austrália, que foi transmitido quase 4 da manhã, e o outro à noite, nos Estados Unidos. Em época de Copa do Mundo, ficam muito pequenos.

Nem mesmo as edições do reality show (TUF) serviram para melhorar a imagem no Brasil. Adorado por muitos, o UFC virou alvo frequente de críticas. Duas lutas principais com os treinadores não aconteceram, virando extrema frustração. Coincidentemente, Wanderlei Silva estava nas duas. Na primeira edição, Vitor Belfort quebrou a mão nos treinamentos e abandonou o card. Na terceira edição, mais um papelão. Na briga entre Wanderlei Silva e Chael Sonnen no programa, o brasileiro fraturou o punho. Além disso, fugiu do teste da comissão atlética de Nevada e não deverá lutar em Las Vegas tão cedo. O americano falastrão também decepcionou. Falhou no teste antidoping e decidiu se aposentar. Ou seja, não existia a menor possibilidade de a luta acontecer. Os dois cairiam no exame antidoping. Os dois estavam com medo.

Acontecimentos como esse, além das lesões que antecedem as lutas, fizeram o evento perder muita credibilidade. Quando uma grande luta é anunciada, sabemos que a chance de não acontecer é grande. Muita explicação demanda a aparição frequente de Dana White, que, sempre dono da razão, acaba por se promover mais do que promove seus atletas. Dana sabe usar como ninguém as redes sociais. O chefão está sempre postando vídeos, fotos com carros, aviões e mulheres. É a cara do UFC. Uma cara que todos já não querem ver muito. Os fãs querem ver grandes lutas e isso está cada vez mais raro.

O formato de ranking e competição muitas vezes não tem um critério definido e fica difícil imaginar como será a evolução de cada atleta em menos de dois anos. A ausência completa dos Grand Prix (GP´s), as competições formato mata-mata, muito usadas no Pride, em torneios, blindam alguns atletas de confrontos realmente perigosos. Isso facilita uma postura de fuga, como a de Jon Jones, que acredita ter o poder de escolher seus adversários. A nova safra é mimada, reclama demais.

Do ponto de vista dos brasileiros, os últimos anos não têm sido bons. Vimos Maurício Shogun, Júnior Cigano, Anderson Silva e Renan Barão perderem seus cinturões para americanos. Outros ídolos, como Minotauro, Minotouro, Wanderlei Silva e Shogun, não vivem bons momentos, com muitas derrotas e lesões.

Porém, nem tudo está perdido. Novas disputas de cinturão estão a caminho. No próximo sábado (05), Lyoto Machida busca o dos médios. Fabrício Werdum pode ser campeão dos pesados. Renan Barão pode vencer sua revanche, além da aguardada segunda parte da batalha entre Jon Jones e Alexander Gustaffson. Tomara que sirva de trampolim para uma nova fase de grandes espetáculos.

 

 

UFC 174

13 junho, 2014 às 20:20  |  por Gustavo Kipper

Disputado em Vancouver, no Canadá, neste sábado (14), o UFC 174 traz a disputa do cinturão dos pesos-moscas entre o campeão Demetrious Johnson, dos EUA, e o russo Ali Bagautinov. Outra luta da noite é entre o canadense Rory MacDonald e o americano Tyron Woodley. O vencedor entra na fila pelo title shot dos meio-médios. Único brasileiro no card, Rafael Feijão luta contra o perigoso americano Ryan Bader. Vindo de vitória contra Igor prokrajac, Feijão busca ganhar espaço entre os meio-pesados. Andrei Arlovski, da Bielorússia, marca sua volta ao UFC. O ex- campeão dos pesados enfrenta Brendan Schaub (EUA).

A edição promete outra batalha entre russos e americanos. Semana passada Ben Henderson sofreu para bater o russo Rustam Khabilov, campeão mundial de sambô. Os russos vêm ganhando espaço e em breve passarão os brasileiros em todos os pesos. Com muita tradição em competições de lutas em esportes olímpicos, demonstram uma técnica refinada de luta olímpica e marcam muitos pontos. A única chance de batê-los é por nocaute ou finalização. Por pontos fica difícil.

UFC 174

14 de junho de 2014, em Vancouver (CAN)
CARD PRINCIPAL

Demetrious Johnson x Ali Bagautinov
Rory MacDonald x Tyron Woodley
Ryan Bader x Rafael Feijão
Andrei Arlovski x Brendan Schaub
Ryan Jimmo x Ovince St. Preux
CARD PRELIMINAR

Kiichi Kunimoto x Daniel Sarafian
Valerie Letourneau x Elizabeth Phillips
Mike Easton x Yves Jabouin
Kajan Johnson x Tae Hyun Bang
Roland Delorme x Michinori Tanaka
Jason Saggo x Josh Shockley

 

UFC 173 e TUF Brasil 3.

26 maio, 2014 às 15:04  |  por Gustavo Kipper

Em um fim de semana movimentado pelo UFC 173 e pelas semifinais do TUF Brasil, acordamos na segunda-feira com um cinturão a menos.

Renan Barão perdeu o cinturão dos pesos-galos para T.J. Dillashaw. Companheiro de treinos de Urijah Faber e Chad Mendez, o atleta da equipe Alpha Male foi dominante. Quebrou uma invencibilidade de 32 lutas de Barão e conquistou o cinturão. Mais do que merecido: Dillashaw mostrou um jogo moderno, técnico, rápido e surpreendente.

Não ficar parado na frente de Barão. Com essa estratégia o americano anulou o ex-campeão. Usando bem as saídas diagonais, atacando sempre, chutando. Dillashaw machucou Barão ainda no primeiro round com um knockdown que mudaria os rumos da luta. A partir daí o brasileiro ligou o piloto automático e, irreconhecível, não achou o americano. Lento, sem explosão, sem equilíbrio. Sem as ferramentas que o consagraram. Não conseguia aplicar os chutes e joelhadas que são suas marcas registradas. Ficou vulnerável. Foi nocauteado.

Possivelmente qualquer outro lutador teria ficado pelo primeiro ou segundo round. Mas Barão lutou quase até o fim. Provou que, apesar do revés, é um campeão. Merece uma revanche imediata. O problema não está somente na preparação ou no mérito do americano. Passa também pelo excesso de confiança. Barão planejava manter o cinturão por mais dez anos. Deveria estar preocupado com a próxima luta. Sem dúvida essa derrota vai trazer Barão de volta a terra. Percebeu que não é invencível e tem grandes chances de recuperar o título perdido. Precisa mudar sua postura. Que sirva de lição para seu companheiro José Aldo, que fará a revanche contra Chad Mendez, no UFC 176, dia 2 de agosto, em Los Angeles.

Cormier é uma máquina

Daniel Cormier mostrou seu potencial de atleta olímpico e apagou Dan Henderson. Visivelmente maior, Cormier fez uma apresentação brilhante e anulou Henderson, que sobreviveu até onde pode. O atropelo terminou com uma finalização. Da maneira como lutou, caso Jon Jones vença a revanche contra Alexander Gustaffson, será o próximo desafiante. Invicto em duas categorias de peso diferentes, Cormier mostrou que há esperanças de alguém vencer Jones, algo considerado impossível há alguns dias.

A luta também se caracterizou pela discrepância de tamanho dos atletas. Tanto que Henderson anunciou que vai descer novamente para o peso-médio. Enquanto Cormier é um peso-pesado disfarçado. Isso fez muita diferença, apesar da resistência de Hendo, que, com 43 anos, parece não ter limites.

TUF Brasil 3

Chegou ao fim a terceira edição do The Ultimate Fighter Brasil 3. Com a liderança de Wanderlei Silva e Chael Sonnem foram definidas as finais, a serem disputadas no próximo sábado (31), no ginásio do Ibirapuera. Apesar do papelão protagonizado por Wand e Sonnen, os lutadores demonstraram muita disposição e profissionalismo. Estão de parabéns. Outros atletas também devem ser contratados, fazendo jus ao desempenho.

Confira o card das finais:

TUF Brasil 3 Final
31 de maio, em São Paulo
CARD PRINCIPAL
Peso-pesado: Fábio Maldonado x Stipe Miocic
Peso-médio: Vitor Miranda x Márcio Lyoto
Peso-pesado: Antônio Carlos “Cara de Sapato” x Warlley
Peso-meio-médio: Demian Maia x Alexander Yakovlev
Peso-pena: Rony Jason x Robbie Peralta

CARD PRELIMINAR
Elias Silvério x Ernest Chavez
Rodrigo Damm x Rashid Magomedov
Paulo Thiago x Gasan Umalatov
Kevin Souza x Mark Eddiva

Luta entre integrantes do TUF Brasil 3
Pedro Munhoz x Matt Hobar

UFC 173: Barão vs Dillashaw

23 maio, 2014 às 10:29  |  por Gustavo Kipper

Renan Barão entra no octógono neste sábado (24), para defender mais uma vez seu título dos pesos- galos. Sem perder desde 2005, em sua estreia profissional, já são incríveis 32 vitórias consecutivas e o terceiro lugar no ranking peso por peso do UFC.

O evento contará também com o duelo entre Dan Henderson e Daniel Cormier. Com apenas uma luta entre os meio-pesados, Cormier busca chegar rapidamente ao topo da divisão. Mas, antes, terá que passar pela lenda do MMA.

Confira abaixo o vídeo do Countdown Barão vs Dillashaw

UFC 173
24 de maio de 2014, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL
Peso-galo: Renan Barão x TJ Dillashaw
Peso-meio-pesado: Dan Henderson x Daniel Cormier
Peso-meio-médio: Robbie Lawler x Jake Ellenberger
Peso-galo: Takeya Mizugaki x Francisco Rivera
Peso-leve: Jamie Varner x James Krause
CARD PRELIMINAR
Peso-leve: Michael Chiesa x Francisco Massaranduba
Peso-leve: Tony Ferguson x Katsunori Kikuno
Peso-galo: Chris Holdsworth x Chico Camus
Peso-leve: Al Iaquinta x Mitch Clarke
Peso-leve: Anthony Njokuani x Vinc Pichel
Peso-pena: Sam Sicilia x Aaron Phillips
Peso-meio-médio: David Michaud x Li Jiangliang

TUF Brasil 3

19 maio, 2014 às 18:30  |  por Gustavo Kipper

Foram definidos no domingo (18) os primeiros finalistas do The Ultimate Fighter Brasil 3. O peso-médio Warlley, do time de Sonnen, e o peso-pesado Cara de Sapato, do time de Wanderlei, conquistaram suas vagas, ambos por finalização. Semana que vem será transmitido o último episódio do reality, com as duas últimas lutas. Mais um lutador peso-médio e mais um peso-pesado passarão para as finais, que serão disputadas no dia 31 de maio, no ginásio do Ibirapuera.

Um dos destaques da edição, Cara de Sapato é mais um atleta treinado por Luiz Dórea que surge como promessa. No domingo lutou pesando dez kg a menos que seu adversário e, mesmo assim, foi superior. Lutando entre os meio-pesados, deve ser ainda mais perigoso. Campeão mundial de jiu-jitsu, também mostrou poder de nocaute. O treinador Luiz Dórea voltou ao programa como um dos treinadores do time de Wanderlei, depois da expulsão de André Dida, devido à confusão e a agressão a Chael Sonnen. Dórea, além de mais experiente, traz um clima mais ameno. Está mais acostumado com a pressão.

Interessante foi ver a evolução de Hortência e Isabel dentro do programa. Entraram meio perdidas, Hortência sempre muito assustada. Agora estão soltinhas. Aprenderam as regras e até participam de algumas atividades com os lutadores. Finalmente estão conseguindo motivar. Experiência e competitividade as duas sempre tiveram. Se os caras da casa pegarem um pouco desse espírito já valeu a participação. Ainda creio na ideia de levar ex-atletas. Mas acho que deveriam ser ex-atletas de outras modalidades de luta.

 

Zona de conforto

13 maio, 2014 às 12:23  |  por Gustavo Kipper

A derrota de Erick Silva, sábado passado (10), para Matt Brown, ainda precisa ser avaliada de forma mais criteriosa. Mesmo com o trabalho do renomado preparador físico Rogério Camões, que também é responsável pelo condicionamento físico de Anderson Silva, Rafael Feijão e outros nomes do UFC, Erick cansou de forma anormal e sucumbiu no terceiro round para um atleta que teria muito mais dificuldade, se não fosse o imprevisto.

Érick Silva tem apenas 29 anos. Como pode ter cansado tão rápido? Rogério Camões afirmou que o excesso de adrenalina pode ter prejudicado o capixaba. O fato é que a surra que levou quase terminou com uma fratura na mandíbula e uma concussão, depois desmentida pelos médicos. Sua saída do octógono na maca deixa muitos questionamentos e certa dose desconfiança de que muitos atletas brasileiros vivem em uma zona de conforto muito grande e estão perdendo tempo em uma carreira que dura apenas poucos anos.

Os lutadores se acostumam com seus companheiros de treinos, criam vínculos e parcerias essenciais. Porém, além de restringir seus adversários, viciam os atletas nos mesmos desafios, até o momento em que param de evoluir. Em um esporte que cresce a cada dia, a que campeões mundiais de outras modalidades estão chegando, treinar apenas em casa com os amigos nivela por baixo e congela o potencial de lutadores que poderiam ser campeões. Erick pode se tornar a eterna promessa.

Quantas vezes vimos o curitibano Maurício Shogun cansando no início da luta. Rafael Feijão também cansou no primeiro round contra Thiago Silva. Júnior Cigano morreu nas duas derrotas para Cain Velasquez. A semelhança entre esses lutadores é que raramente vimos um camp de treinamento fora do país, com intercambio de lutadores de outras modalidades. Shogun foi aprender boxe na fonte, com Freddie Roach, treinador de Manny Pacquiao, mas os poucos dias com o mestre não puderam ser usados contra Chael Sonnen. Foi finalizado sem dar um soco. Quase nunca sai de Curitiba.

Os brasileiros entram em uma zona de conforto perigosa. Em vez de irem para os Estados Unidos, aprender inglês, aprender luta olímpica e técnicas que não dominam, preferem treinar com seus amigos, sem todas as ferramentas. Não adianta gastar dinheiro e treinar uma semana com o melhor wrestler do mundo. É preciso incorporar ao treino rotinas diferentes com lutadores diferentes em academias diferentes. Nesse ponto Vitor Belfort é superior. Evoluiu muito nos últimos anos e continua evoluindo. Não escolhe adversários por afinidade, fala inglês, mora nos Estados Unidos e tem uma ótima relação com o UFC. Treina na Blackzillians, na Flórida, e tem como parceiros de treino Rashad Evans, Tyrone Spong, Anthony Johnson entre outros.

Lyoto Machida percebeu que treinar apenas no Brasil seria frear seus objetivos. Mudou-se para Los Angeles, está aprendendo inglês e treinando com Rafael Cordeiro. Um lutador de karatê com um mestre de muay-thai. Isso é a mistura de artes marciais. Tem uma disputa de cinturão pela frente e é o maior exemplo que deixar a zona de conforto é a única maneira de continuar evoluindo. Obviamente, o ar de nosso país nos faz bem, mas, pra quem quer chegar a um nível de excelência, mudar de ares é a única maneira.

 

Jon Jones e TUF Brasil

28 abril, 2014 às 16:17  |  por Gustavo Kipper

Jon Jones é mau

A vitória sobre Glover Teixeira foi a sua sétima defesa de cinturão. Outra vez vitorioso, o campeão mostrou que seu auge ainda não chegou. Com uma atuação impressionante dominou o brasileiro Glover Teixeira por cinco rounds. Bateu muito. Não correu riscos a luta toda, mesmo aceitando por inúmeras vezes o jogo do brasileiro. Ninguém pode parar Jones.

O jogo de Jones é brutal. Beira o limite das regras. Muitas de suas táticas são contestáveis. Por inúmeras vezes Jones esticava seu braço com os dedos abertos propositalmente para acertar os olhos de Glover. A luta chegou a ser interrompida por momentos, mas Jones só ganhou uma advertência. Se analisarmos seus combates anteriores, fica claro que sempre fez isso. É algo que tem que ser proibido e punido. Mas, tirando o dedo nos olhos, a sensação é de um adulto segurando a cabeça de uma criança. Muita superioridade.

Os chutes no joelho desferidos por Jones não nocauteiam. Só servem para manter a distância. Mas podem destruir os joelhos de seu oponente. Enquanto a regra permitir, não há o que fazer. A tentativa de quebrar o braço do brasileiro em pé, ainda no primeiro round, não é uma tentativa de finalização. É uma tentativa de lesionar articulações, já que não há a possibilidade de desistência, a não ser por lesão. Glover inclusive sofreu uma contusão no ombro, que terá sua gravidade avaliada. Se Vitor Belfort fosse mau caráter, seria campeão e teria quebrado o braço de Jones. Mas será que isso faz bem a um esporte que já é violento?

Regras são regras. Então cabe a seus adversários tomar muito cuidado com seu comportamento. Jones sabe explorar como ninguém o que o regulamento permite e usa todas as ferramentas disponíveis para machucar seus adversários. Glover apanhou quase quanto Maurício Shogun. Saiu arrebentado. Em alguns momentos, principalmente nas sequências de cotoveladas, percebemos como Jones está na frente. Com sua altura e alcance a tarefa fica quase impossível. A evolução do campeão a cada dia é visível. Sua frieza é assustadora.

Sem dúvida, foi a melhor apresentação do campeão. Méritos também para Glover, que aguentou o castigo e testou o queixo do americano. Mas nada que ameaçasse seu reinado. A verdade é que Jon Jones atropelou todo mundo de seu peso. Não sobrou ninguém. O único que chegou perto foi Alexandre Gustaffson, que terá sua revanche tão sonhada. É o único com envergadura nos meio-pesados para bater de frente com Jones. Com certeza será outra grande luta. Eu não creio que o sueco tenha melhorado seu jogo a ponto de nocautear ou finalizar. Por pontos fica muito mais difícil. Lutar cinco rounds contra Jon Jones é prejuízo. Além de não cansar, só melhora. Consegue chegar ao último round melhor que no primeiro. Com apenas 27 anos, ainda não sabemos onde pode chegar. Se desistir de fato de permanecer nessa categoria, não perderá por muito tempo.

Uma luta para ficar acordado

O TUF Brasil chegou ao oitavo episódio com muita luta dos competidores pelas vagas finais. Nossa luta é para ficar acordado. Aturar o programa musical da Rede Globo que passa antes é mais difícil do qualquer dos treinos do show. Não está fácil. Mas o programa melhorou bastante depois da confusão entre Sonnen e Vanderlei e agora caminha para os momentos decisivos. Hortência e Isabel estão mais soltas e até protagonizaram momentos engraçados. Os treinadores se acalmaram e o ambiente melhorou. Com a vitória de Vítor Miranda do time verde, o placar agora está 4×2 para o time de Wand.

Uma das principais características dos lutadores das edições brasileiras é o poder coletivo de superar obstáculos e agarrar a oportunidade que aparece. É nítida a dificuldade do UFC em encontrar pesos-pesados reais com nível aceitável no Brasil. Muitos lutadores acabam por lutar em categorias de peso acima do que deveriam estar. O vencedor de ontem poderia lutar facilmente nos médios ou meio-pesados, mas está lutando entre os pesados e levando vantagem por ser mais técnico. Um dos principais personagens da primeira temporada, Massaranduba lutou entre os médios e hoje luta entre os penas. É muita diferença.

Encontrar atletas com porte de verdadeiros peso- pesados é muito difícil. Nossa genética não ajuda. Até mesmo nos Estados Unidos não é tarefa fácil. O próprio Dana White já comentou que queria criar a categoria dos super-pesados, mas essa geração ainda não chegou. Seria preciso que atletas do basquete, futebol americano e vôlei migrassem para o esporte de combate para conseguir atletas suficientes para a nova categoria. Só espero que os vencedores dessa edição possam lutar em suas reais categorias de peso. Caso contrário, não terão a mínima chance de chegar ao topo.

As finais do TUF Brasil foram confirmadas para o ginásio do Ibirapuera, dia 31 de maio.

CARD DO EVENTO ATÉ O MOMENTO
Peso-médio: Chael Sonnen x Wanderlei Silva
Peso-pesado: finalista 1 do TUF x finalista 2 do TUF
Peso-médio: finalista 1 do TUF x finalista 2 do TUF
Peso-meio-médio: Paulo Thiago x Gasan Umalatov