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Dedé Pederneiras muda a estratégia da Nova União

26 agosto, 2014 às 14:07  |  por Gustavo Kipper

Em entrevista ao jornalista Ivan Raupp, o líder da equipe Nova União, Dedé Pederneiras, comentou algumas adaptações que possivelmente serão feitas para que seus atletas possam faturar mais e ganhar mais visibilidade. Comentou também a derrota de Renan Barão para T.J Dillashaw e como está a preparação para a revanche.

Sempre muito comedidos e respeitosos, os campeões da Nova União José Aldo, Renan Barão e Dudu Dantas ainda não alcançaram o máximo potencial de faturamento com os eventos. Tecnicamente muito bons, estava faltando um pouco de malícia para vender melhor as lutas e entrar no show. Afinal, a carreira do lutador não é das mais longas e garantir o futuro é mais do que merecido. Quanto mais pay per view, maiores as chances de grandes eventos.

Dedé reconheceu que algumas provocações podem servir de combustível para promover o show, mas descartou começar a usar o trash talking para a promoção. O respeito vai continuar. Em breve fará uma reunião com a equipe para definir a nova estratégia de comportamento fora do octógono. Admitiu pela primeira vez que fica para trás quem não acompanha o novo momento do esporte. Momento em que os negócios podem falar mais alto que a técnica, e citou as disputas de cinturão conquistadas pela boca por Chael Sonnen, o rei da promoção.

A derrota de Renan Barão ainda tem a cicatriz aberta, mas já foi compreendida como uma mistura de sorte e competência por parte do americano, que, como disse Dedé, acertou um “pombo daquele”, que mudou o rumo da luta. Barão realmente lutou no automático. Mas será que foi somente isso? Ou será que a estrutura utilizada pelos rivais permite uma maior evolução e Barão estagnou após dez anos de vitórias?

A Nova União sempre foi referência entre os pesos mais leves. A Alpha Male Team, liderada por Urijah Faber, também possui grandes nomes nessas categorias e a rivalidade ao longo dos anos só aumentou. Após as derrotas de Faber e Chad Mendez, muita coisa foi copiada e aperfeiçoada. Agora, pela primeira vez, eles venceram. Até que ponto a tecnologia, suplementação e estrutura de treinamento podem fazer diferença? A Nova União fica dentro de uma academia, no bairro do Flamengo, e tem muita gente boa treinando lá. Júnior Cigano também faz parte da equipe. Mas sua estrutura pode ser contestada.

Assistindo a alguns treinamentos por vídeo, é fácil perceber que é muito atleta pra pouco espaço. Os lutadores treinam muito próximos uns aos outros, e, muitas vezes, acabam tendo que frear seu ímpeto, pois o espaço acabou. Inclusive tenho dúvidas se existe um octógono com tamanho oficial para as sessões com sparring e defesa de quedas na grade. Fora isso, a famosa banheira de gelo, até pouco tempo atrás, era na laje da academia. Hoje desconheço. Nada contra a humildade e simplicidade, mas enquanto alguns usam criogenia, ainda estamos na era do gelo.

Acredito que um investimento maior na estrutura possa fazer com que os lutadores da Nova União evoluam mais. Ao nível em que chegaram, qualquer detalhe pode fazer a diferença. Não é somente de bons treinadores e suor que se faz um campeão. O espaço e tecnologia devem ser usados, além, é claro, da supervisão constante de médicos e nutricionistas para não prejudicar o lutador. Dedé Pederneiras sabe disso, mas acho que a estrutura deveria crescer. Acho também que deveriam ir treinar de vez em quando em outros países. Trocar experiências. Vários já fizeram isso e colheram frutos.

No próximo sábado, Renan Barão enfrenta TJ Dillashaw na tentativa de recuperar o cinturão dos galos. A luta será na casa do inimigo, em Sacramento, Califórnia.

Leia a entrevista de Ivan Raupp com Dedé Pederneiras:

http://sportv.globo.com/site/combate/noticia/2014/08/dede-se-rende-ao-mma-atual-ou-pensa-no-show-ou-fica-para-tras.html

 

Rafael dos Anjos supera Henderson

24 agosto, 2014 às 23:29  |  por Gustavo Kipper

O UFC Fight Night: Henderson vs Dos Anjos trouxe um resultado expressivo, e até certo ponto imprevisível, com a vitória do brasileiro Rafael dos Anjos sobre o ex-campeão dos pesos leves, o americano Ben Henderson.

Treinado pelo curitibano Rafael Cordeiro (Kings MMA), o brasileiro entrou com tudo e conseguiu a vitória por TKO, ainda no primeiro round. Oriundo da arte suave, Rafael mostrou uma trocação afiadíssima e muita explosão. Depois de uma joelhada voadora, que abalou Henderson, aplicou uma pesada combinação até sua mão esquerda acertar o queixo do ex-campeão, que caiu com as pernas dobradas. O brasileiro aproveitou a vantagem e finalizou a luta com mais alguns golpes.

O árbitro do combate, o veterano Big John McCarthy, entrou no centro de uma polêmica, pois teria terminado a luta cedo demais. Após a decisão de Big John, Henderson se levantou e começou a saltar, mostrando que tinha plenas condições de seguir no combate. Isso gerou descontentamento da plateia, que passou a vaiar a interrupção da luta. Mas a imagem não mente. Quando Big John parou o combate, Henderson tentava segurar suas pernas, mostrando que estava fora de ação. A meu ver, acertou o experiente árbitro.

Com a vitória, Rafael dos Anjos ganha novo fôlego após a derrota para Kabhib Nurmagomedov. Possivelmente esteja a mais uma ou duas lutas do tão sonhado title shot. Já Henderson deve cair no ranking dos leves e ter seu sonho de recuperar o cinturão adiado por tempo indeterminado.

Eddie Alvarez fecha com o UFC

20 agosto, 2014 às 14:46  |  por Gustavo Kipper

O campeão dos pesos leves do Bellator, o americano Eddie Alvarez (25-3), é a nova contratação do UFC. Chega para enfrentar o cowboy Donald Cerrone (26-4-1), no co-main event do UFC 178, que traz como luta principal a disputa do cinturão dos moscas, entre o campeão Demetrius Johnson (20-2-1) e Chris Cariaso (17-5-0).

Eddie Alvarez é o nono colocado no ranking dos pesos-leves do Sherdog, e, sem dúvida, um dos mais talentosos da categoria. Suas duas batalhas contra Michael Chandler entraram na lista das melhores lutas da história e o combate contra Donald Cerrone promete um grande espetáculo. O vencedor, com certeza, entra em rota de colisão com o campeão.

Dessa vez, o Bellator não atrapalhou as negociações e liberou Alvarez incondicionalmente para assinar com o maior evento do mundo. Atualmente treinando entre os Blackzilians, na Flórida, Alvarez chega para deixar a disputa nos pesos-leves ainda mais acirrada.

Confira o ranking atual dos leves e alguns vídeos de Eddie Alvarez:

Campeão: Anthony Pettis

1) Benson Henderson

2) Gilbert Melendez

3) Khabib Nurmagumegov

4) Donald Cerrone

5) Rafael dos Anjos

6) Josh Thomsom

7) Bob Green

8) Jim Miller

9) Miles Jury

10) Michael Johson

11) Edson Barboza

12) Rustam Khabilov

13) Jorge Masvidal

14) Ross Pearson

15) Gray Mainard

 

 

 

Especialista x completo

31 julho, 2014 às 15:43  |  por Gustavo Kipper

A história do vale-tudo se definia nos desafios entre academias e atletas para mostrar que a sua arte era a melhor, a mais eficiente, a mais completa.

A família Gracie representa o jiu-jitsu há quase cem anos. Hélio, Rickson e Royce são exemplos de atletas que defendiam um ponto: que o jiu-jitsu, quando usado da forma correta, é imbatível. Realmente isso fazia sentido, principalmente em confrontos com regras limitadas e até mesmo em brigas de rua. Mas, na medida em que outros atletas de outras modalidades começaram a aprender algumas técnicas de chão, as coisas começaram a mudar.

O lutador especialista sempre vai oferecer muito perigo. Pode ser a diferença entre ser campeão ou não. A grande maioria dos lutadores de MMA é especialista em alguma arte. Varia muito da cultura de seu país. Logo, ao ingressarem na carreira profissional, passam a praticar outras modalidades para completar seus treinamentos. Muitos campeões do UFC são especialistas em wrestling. Vieram da luta olímpica e foram lapidados com outras lutas para ficarem completos. Os russos normalmente representam o sambo. Os brasileiros gostam do jiu-jitsu.

Mas uma nova geração de atletas está invadindo os eventos: os especialistas em MMA. O exemplo mais notório pode ser aplicado ao americano TJ Dillashaw, campeão dos pesos-galos. Em sua luta contra Renan Barão foi um atleta completo, rápido e com a trocação impecável. Fruto de um trabalho em que, desde cedo, buscou desenvolver as artes marciais de forma misturada, aplicada e desenvolvida para um esporte, para suas regras e sua dinâmica.

Muitos lutadores de MMA, que nasceram após as primeiras edições com Royce, hoje treinam MMA. Parecem que vêm com outro chip de fábrica. O chip do MMA. Não wrestlers ou boxers que migraram para o esporte na busca de dinheiro. Lutadores que cresceram vendo seus ídolos dentro do octógono e agora os mimetizam. Imagine quantos fãs de Jon Jones e Anderson Silva hoje não buscam as academias em busca do mesmo sonho. Mas agora com as ferramentas corretas desde a formação.

É possível aprender todas as artes marciais de uma só vez. Aprender MMA desde a raiz, agregando outras modalidades para deixar o esporte cada vez mais competitivo.

O retorno de Anderson Silva

30 julho, 2014 às 15:10  |  por Gustavo Kipper

Após a lesão que chocou o mundo e colocou em risco a carreira do ex-campeão dos pesos-médios do UFC, Anderson Silva retorna ao octógono dia 31 de janeiro, em Las Vegas, em uma superluta contra o americano Nick Diaz.

Posso afirmar que o combate é interessante por vários motivos: o primeiro é o fato de ambos estarem parados há mais de um ano. Nick Diaz, famoso por seu comportamento e fama de bad boy, estava aposentado do octógono desde a derrota para Georges St Pierre, em março de 2013, no UFC 158. Outro motivo é o estilo de Diaz, que prefere a trocação e o jiu-jitsu. Acredito que Anderson esteja farto de enfrentar wrestlers chatos. A ideia de passar uma luta defendendo quedas é frustrante. Contra Nick Diaz, o boxe e o show poderão dar o tom da luta.

Apesar de Anderson ser maior e mais pesado, a luta nos 84 kg deixa a situação mais justa. Acostumado com lutas nos 77 kg, Diaz não sofrerá para perder peso. O estilo marrento de andar pra frente, usando seu boxe e envergadura, pode facilitar as coisas para o Spider. Anderson, mesmo maior, é muito rápido e também gosta de boxear. Com dois pugilistas natos, não há como esperar uma luta monótona.

Ainda que esteja receoso em chutar com a perna esquerda, o brasileiro não precisa se preocupar. Seu boxe e ótimo jiu-jitsu podem ser equiparados com o de Nick, que também é habilidoso e treinado por Cesar Gracie. Logo, não esperem uma luta fácil. Nick Diaz tem queixo duro e é difícil de ser nocauteado. Mas a genialidade de Anderson vai fazer a diferença. Conhecendo o personagem, chutará com a perna esquerda sem dó.

Do ponto de vista do entretenimento, o UFC foi extremante competente em casar essa luta. Sem dúvida nenhuma são dois astros que sabem vender. Inclusive, seria interessante se Nick já começasse a fazer o que melhor sabe: tirar seus adversários do sério com provocações e trash talking. Mas, ao contrário de Sonnen, que é um comediante, Nick costuma levar os desafios para o lado pessoal, deixando a luta ainda mais apimentada.

Esse é daquelas lutas imperdíveis. Embora nenhum cinturão esteja em jogo, são duas marcas colidindo. São essas as lutas que todos querem ver. Lutas com apelo. Lutas com emoção. Batalhas entre trocadores é sempre animador. Pelo menos estaremos livres das lutas amarradas de grapplers que ficam na grade a luta toda.

A hora de parar

28 julho, 2014 às 15:07  |  por Gustavo Kipper

A derrota de Antônio Rogério “Minotouro” Nogueira para Anthony Johnson, no último sábado (26), levantou mais uma vez a questão que aflige a maioria dos atletas profissionais: qual a hora de parar de competir?

Paulo Roberto Falcão disse uma vez que o jogador de futebol morre duas vezes. A primeira, quando para de jogar. Assim deve ser com a maioria dos atletas. Por menor que tenha sido seu sucesso, enfrentam com dificuldades o momento, muitas vezes acompanhado por certa depressão. Outros se reinventam, vão dar aulas, tornam-se comentaristas ou apenas seguem suas vidas.

No final de uma carreira vitoriosa, o atleta ainda fatura uma boa grana, mesmo não estando mais em sua melhor forma. Mas, no MMA, o lutador expõe drasticamente sua saúde, acreditando que ainda pode vencer. No caso de Minotouro, parado há mais de um ano, o nocaute deve fazê-lo repensar seus próximos combates, tentando preservar o máximo sua saúde. Ainda pode fazer boas lutas, mas contra atletas no mesmo nível de competição.

Não há dúvidas que lutas contra os tops da divisão estão completamente fora de cogitação. Rodrigo Minotauro, Rogério Minotouro, Wanderlei Silva e outras lendas do Pride F.C, a partir de agora, devem escolher lutas com outro apelo que não seja o cinturão. Lutas com outras lendas ou com atletas de mesma faixa etária e história no esporte devem ser cogitadas. Contudo, combates contra atletas da nova geração trarão derrotas amargas. É preciso conhecer os limites para o corpo não pagar no futuro.

O planejamento da carreira passa também por saber como sair de cena. Como realizar combates em bom nível, contra adversários a altura. Poucos conseguem chegar perto dos quarenta anos em nível de campeão. Anderson Silva conseguiu, mas sabe que agora é melhor fazer shows do que batalhas. As lendas brasileiras não precisam provar nada a ninguém. Merecem se despedir de sua vida de combates. Mas, definitivamente, a hora de mudar de atividade está perto. Uma nova geração vem por aí. Em breve serão seus filhos que estarão lá.

UFC on FOX 12

25 julho, 2014 às 22:26  |  por Gustavo Kipper

Acontece neste sábado (26), em San José, na Califórnia (EUA), mais uma edição do UFC on FOX. Destaque para a volta do brasileiro Antonio Rogério “Minotouro” Nogueira, que não luta desde a vitória contra Rashad Evans, no UFC 156, em fevereiro de 2013. A longa espera e muitas contusões fizeram muitos acreditarem que sua aposentadoria havia chegado, mas ele pode provar que ainda tem lenha para queimar.

Seu adversário é o perigoso Anthony Johnson. Agora lutando nos meio-pesados, parece ter fugido dos problemas com a balança e não precisará perder muito peso. Será uma luta difícil para Minotouro, mas seu boxe afiado e sua defesa de quedas podem lhe dar uma vitória por pontos.

A luta principal pode credenciar o vencedor a um title shot. Lawler, que já foi derrotado por Hendrics, pode conseguir outra chance se vencer Matt Brown. Brown vem de boas vitórias, inclusive derrotando o brasileiro Érick Silva. Mas a força e a trocação de Lawler lhe dão pequena vantagem. Matt Brown terá mais sucesso se tentar levar a luta para o solo.

CARD PRINCIPAL

Robbie Lawler vs. Matt Brown

Anthony Johnson vs. Antonio Rogerio Nogueira

Clay Guida vs. Dennis Bermudez

Josh Thomson vs. Bobby Green

CARD PRELIMINAR

Jorge Masvidal vs. Daron Cruickshank

Kyle Kingsbury vs. Patrick Cummins

Hernani Perpetuo vs. Tim Means

Michael De La Torre vs. Brian Ortega

Akbarh Arreola vs. Tiago dos Santos

Steven Siler vs. Noad Lahat

Andreas Stahl vs. Gilbert Durinho

Juliana Lima vs. Joanna Jedrzejczyk

Road to octagon:

O card dos sonhos

22 julho, 2014 às 13:12  |  por Gustavo Kipper

1 – Jon Jones vs Cain Velasquez

Enfim o combate entre os dois seres-humanos mais perigosos do MMA. Os dois poderiam lutar em em peso casado, com 100 kg, ou no peso-pesado, até 120 kg. Apesar da vantagem de tamanho, Jones poderia encontrar dificuldades com a trocação e o wrestling de Cain, que, com enorme poder de nocaute, poderia fazer o que ninguém fez; nocautear Jon Jones ou castigá-lo no ground and pound.

2 – José Aldo vs Anthony Pettis

Essa superluta já ficou perto de acontecer, mas Pettis sofreu lesão e a luta foi cancelada. O mais justo seria em um peso casado, de 68 kg. Apesar de levar vantagem pela envergadura, Anthony Pettis pode encontrar dificuldades com o muay-thai de Aldo, que usa chutes muito fortes. Mas seu poder de atacar e contra-atacar faria do combate uma batalha pelo nocaute, já que ambos adoram lutar em pé.

3 – Ronda Rousey vs Cris Cyborg

A mais aguardada luta da história do MMA feminino, essa seria a disputa pelo cinturão dos pesos galos. Praticamente invencível, Ronda, enfim, seria testada por outra campeã. Ronda possivelmente levaria a luta para o solo com seu judô, e caso acontecesse, possivelmente poderia acabar a luta ali. Mas Cris Cyborg é diferente. Difícil fazer previsões.

4 – Johnny Hendrics vs Robbie Lawler

O campeão Johnny Hendrics enfrentaria seu maior desafio, depois de Georges St Pierre. Uma batalha de cinco rounds com dois atletas com queixo duro. Venceria aquele que chegasse mais inteiro nos dois últimos rounds. Acho que Lawler poderia levar uma pequena vantagem, mas a mão pesada de Hendrics poderia alterar o rumo das coisas.

5 – Alexander Gustaffson vs Daniel Cormier

Com Jon Jones lutando no evento principal, sobrou para os dois decidirem quem é e o melhor lutador nos meio-pesados, em caso de Jones subir de categoria. Apesar de ser muito mais alto e ter muito mais alcance, Gustaffson enfrentaria um atleta que nunca perdeu nos pesados e nem nos meio-pesados. Daniel Cormier é um monstro e não me surpreenderia se vencesse sem precisar dos pontos.

6 – Fabrício Werdum vs Júnior dos Santos II

Seria a revanche dos sonhos de Werdum que foi nocauteado no primeiro confronto. Hoje Werdum melhorou muito a trocação, além de ter o jiu-jitsu como alternativa. Campeão mundial várias vezes, dessa vez o gaúcho levaria uma pequena vantagem.

7 – Vitor Belfort vs Lyoto Machida

Com um possível domínio de Chris Weidman, nos pesos-médios, os brasileiros fariam um duelo, já cogitado, pela possibilidade de entrar novamente em rota de colisão com o campeão. Nesse caso, uma vitória ou uma derrota são cruciais para a continuação de suas carreiras, pois já são considerados veteranos, com 37 e 36 anos.

8 – Frank Edgar vs Chad Mendez

Seria uma guerra de dois lutadores extremamente rápidos e com poder de nocaute enorme para seus pesos. Difícil imaginar uma luta tão equilibrada, e mais difícil ainda porque nunca lutaram entre si. Não faz tanto tempo que Edgar desceu de peso, após ter sido campeão dos leves. Muita ação e pancadaria, sem dúvida.

9 – Antonio “Pezão” Silva vs Josh Barnett

Essa luta seria praticamente um acerto de contas entre os dois gigantes, que já se provocaram diversas vezes. Barnett, inclusive, já fez piadas com algumas enfermidades do brasileiro, que costuma sair vitorioso contra desafetos. Porém a experiência e frieza de Josh poderiam fazer a diferença.

10 – Rory McDonald vs Hector Lombard

A nova sensação canadense poderia encontrar dificuldades com o jogo do cubano, que de forma nenhuma anda para trás. Medalhista olímpico de judô, Hector Lombard poderia levar perigo, caso chegasse perto de Rory. Com um controle quase perfeito da distancia e golpes rápidos, McDonald pode levar vantagem pelo condicionamento físico e envergadura.

UFC Fight Night e a estreia de Claudia Gadelha

16 julho, 2014 às 15:14  |  por Gustavo Kipper

Hoje, em Atlantic City, estado de New Jersey, acontece mais uma edição do UFC Fight Night. Com um card recheado de brasileiros, o evento promete ser bom. Na luta principal, o duelo do cowboy Donald Cerrone contra Jim Miller. Ambos vêm de vitória, portanto, o vencedor entra no caminho do title shot.

O brasileiro Edson Barbosa volta ao octógono após amargar uma frustrante derrota, por finalização, contra Donald Cerrone. O brasileiro dava show na trocação quando foi surpreendido e obrigado a desistir. Leonardo Macarrão, participante do TUF Brasil, volta ao UFC contra o perigoso Rick Story. Se vencer, surpreenderá muita gente. O paranaense John Lineker finalmente bateu o peso mosca e enfrenta o turco Alptekin Ozkilic. Lineker vem de derrota para o russo Ali Bagautinov, após quatro vitórias consecutivas.

O destaque é a estreia de Claudinha Gadelha. A atleta da academia Nova União entra pela primeira vez no octógono e vai inaugurar a segunda categoria de peso feminina: o peso palha, até 52 kg. A brasileira enfrenta Tina Lahdemaki. Invicta no MMA, é uma das promessas brasileiras e pode ser, em breve, a detentora do título da nova categoria.

UFC Fight Night: Cerrone vs Miller

Donald Cerrone x Jim Miller

Edson Barboza x Evan Dunham

Rick Story x Leonardo Macarrão

Justin Salas x Joe Proctor

John Lineker x Alptekin Ozkilic

Lucas Mineiro x Alex White

Gleison Tibau x Pat Healy

Jessamyn Duke x Leslie Smith

Hugo Wolverine x Aljamain Sterling

Yosdenis Cedeno x Jerrod Sanders

Claudinha Gadelha x Tina Lahdemaki

O UFC Fight Night começa às 19h30min.

Construídos para vencer

10 julho, 2014 às 16:48  |  por Gustavo Kipper

Definitivamente, o esporte brasileiro vive um de seus piores momentos. Um país que sempre enxergou no futebol a esperança de ser o melhor em algo, já que no resto as coisas nunca andaram bem, não pode mais se apegar a isso. O MMA acompanha o ritmo do futebol e mostra que muita coisa precisa mudar, antes que uma geração inteira de talentos seja perdida.

Ficamos vinte e quatro anos sem a taça do mundo. Nem mesmo isso foi capaz de tirar a autoestima do brasileiro, que, acostumado com vitórias, entrava em qualquer competição acreditando ser o favorito. Nessa época de seca, apenas Ayrton Senna da Silva fazia nossa bandeira tremular no ponto mais alto do pódio. Infeliz coincidência, sua morte veio acompanhada do título de 94. Com o passar dos anos vimos conquistas extraordinárias do vôlei, natação, ginástica, atletismo, judô e MMA. Ficou faltando apenas a medalha de ouro do futebol, em algum dos jogos olímpicos disputados. Isso é um enorme sinal negativo.

Todas as nossas conquistas, fora do mundo da bola, foram por obra e esforço dos próprios atletas, que com nenhum incentivo do governo federal precisaram realmente usar a palavra superação no sentido prático do dia-a-dia. No suor e no sufoco. Assim é com todas as modalidades. O choro dos jogadores no hino nacional denunciava isso. A vida sofrida a que cada um foi submetido. Embora seja o esporte com maior incentivo.

No MMA também não é diferente. A maioria dos campeões vindos do Brasil teve infância pobre e precisou sobreviver antes de conseguir um pouco de tranquilidade para treinar. A Copa do Mundo deixou evidente um problema que sempre nos assombrou. A dificuldade em realizar trabalhos de longo prazo que realmente tenham resultado em qualquer modalidade esportiva em que se queira chegar à excelência.

Tirando o vôlei com Bernardinho e José Roberto Guimarães, fica difícil lembrar outros exemplos. Algo sólido que sirva para muitas gerações. O time de futebol alemão, derrotado na Copa de 2006, é praticamente o mesmo que veio ao Brasil e nos humilhou. Aqueles garotos de vinte anos, agora com quase trinta, chegaram à maturidade e estão prontos. Se vão ganhar ou não, é detalhe. Um bom trabalho foi feito e isso é inegável. Se perderem, vão cair de pé.

Espero que essa tenha sido a derrota da prepotência, do comportamento eterno de que se ganha competição com nome, camisa, superstição e fé. Vencemos algumas vezes assim, quando o futebol ainda não era globalizado. Hoje não funciona mais. Sem estudo, competência, humildade e frieza não se ganha Copa. Não se ganha luta e não se ganha corrida.

No MMA vimos nossos campeões sendo destronados por uma nova geração. Uma nova mentalidade de treinos, estilo de vida e comportamento. Resultado de um trabalho de vários profissionais que utilizam todas as ferramentas disponíveis, inclusive a excelente formação a que o atleta foi submetido. A geração vitoriosa do MMA brasileiro está se aposentando. Nossos ídolos ficaram velhos e não podem mais lutar como antes. Quem ocupará seu lugar? Será que as academias e escolas que hoje treinam os futuros atletas têm condições de formar uma legião de campeões? Ou apenas aqueles realmente privilegiados pela genética poderão ter chances?

Investir em educação é também investir em esporte. O governo federal, independentemente de partido político, tem como obrigação criar centros de excelência e formação para as modalidades esportivas mais praticadas no país, e incentivar as modalidades menos praticadas. Trazer capital humano e intelectual do exterior se preciso e pensar nas próximas gerações.

Temo que a Olimpíada de 2016 evidencie ainda mais nossas limitações e possa representar outro fracasso esportivo do Brasil. Mas, se a vergonha for o único trampolim para esses dirigentes corruptos e incompetentes serem excluídos, e prevalecer uma nova forma de pensar e trabalhar, terá valido a pena.

Um dia poderemos pensar nas derrotas do MMA e do futebol como algo positivo. Sete gols não se apagam, mas podem construir uma nova história. Caso contrário, ficaremos submetidos ao fracasso e a assistir a festa dos outros. Seremos ultrapassados em tudo, como fomos no futebol e no MMA.