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Anderson Silva e Maurício Shogun: os novos treinadores do TUF Brasil 4

30 outubro, 2014 às 11:13  |  por Gustavo Kipper

Acabou o mistério. Anderson Silva e Maurício Shogun serão os novos treinadores do The Ultimate Fighter Brasil 4. Essa edição traz alterações importantes: a primeira é a mudança do local de gravações para Las Vegas, excluindo São Paulo ou qualquer cidade brasileira da jogada. Creio que a dificuldade de locomoção e a estrutura que o UFC já criou em Nevada (Estados Unidos) fazem diferença na logística. Agora será mais difícil para os treinadores chegarem atrasados alegando problemas com o trânsito.

A segunda mudança é o fato de os treinadores das duas equipes não se enfrentarem nas finais do programa. Anderson Silva e Maurício Shogun lutarão contra adversários diferentes na mesma noite. Bom para o espetáculo, que ganha duas lutas ótimas para o público, ruim para quem gostaria de ver os dois ex-companheiros de treino se enfrentando.

Realmente, do ponto de vista competitivo, essa luta não seria boa para nenhum dos dois, tendo em vista que buscam o título de categorias de peso diferentes. Uma vitória não mexeria no ranking de nenhuma divisão, nem deixaria nenhum dos dois mais próximos a um title shot. Outro e talvez importante fator talvez seja que ex-companheiros de treinos da equipe Chute Boxe dificilmente se enfrentam. Ainda mais esses dois, que já conquistaram uma legião de fãs.

Mas, por que então que o UFC não escolheu dois atletas que pudessem lutar nas finais do programa? Se analisarmos o atual momento do MMA nacional, poderemos perceber que vivemos uma entressafra de atletas vitoriosos. Ainda vivemos à custa das lendas do Pride ou dos atletas da Nova União. As novas promessas ainda não deslancharam e os melhores brasileiros ranqueados estão com lutas marcadas e quase não competem entre si. Os únicos que sobraram com real apelo do público foram Anderson Silva e Shogun, que enfrenta Ovince St. Preux, em Uberlândia, no sábado (08).

Júnior Cigano e Fabrício Werdum um dia podem ser os treinadores de uma edição. Mas o momento atual não permite o confronto. Werdum tem title shot interino agendado contra Mark Hunt. Cigano enfrenta Miocic em busca da redenção. Nos meio-pesados, Glover sofreu a segunda derrota. Não tem apelo popular suficiente, além de ser praticamente nosso único representante da categoria perto do top 5. Caso contrário, um duelo com Shogun seria possível.

No peso-médio, Lyoto Machida seria um grande nome. Poderia enfrentar Ronaldo Jacaré ou até mesmo Vitor Belfort, duelo já cogitado anteriormente. Mas não neste momento. Quem sabe ano que vem, em caso de derrota de Vitor para Chris Weidman. Uma edição com Anderson Silva e Vitor Belfort seria fantástica. Mas Anderson tem luta agendada contra Nick Diaz e antes precisa provar que está recuperado da lesão na perna esquerda. Treinadores abaixo do peso- médio parecem não interessar ao UFC, até porque estamos carentes de atletas até 77 kg e 70 kg.

Enfim, a escolha de Anderson e Shogun, em termos de audiência e espetáculo, sem dúvida foi acertada. Talvez a rivalidade excessiva de Wanderlei Silva e Chael Sonnen tenha aberto uma nova proposta: sem stress desta vez. Os dois brasileiros se respeitam muito e dificilmente haverá atritos. Terá tudo para ser uma grande edição que revele grandes talentos, objetivo principal do programa. Cada um tem uma equipe poderosa para formação e treinamento dos atletas, que, com a estrutura já existente em Las Vegas, terão de tudo para ser o próximo The Ultimate Fighter Brasil.

A hora de parar

28 julho, 2014 às 15:07  |  por Gustavo Kipper

A derrota de Antônio Rogério “Minotouro” Nogueira para Anthony Johnson, no último sábado (26), levantou mais uma vez a questão que aflige a maioria dos atletas profissionais: qual a hora de parar de competir?

Paulo Roberto Falcão disse uma vez que o jogador de futebol morre duas vezes. A primeira, quando para de jogar. Assim deve ser com a maioria dos atletas. Por menor que tenha sido seu sucesso, enfrentam com dificuldades o momento, muitas vezes acompanhado por certa depressão. Outros se reinventam, vão dar aulas, tornam-se comentaristas ou apenas seguem suas vidas.

No final de uma carreira vitoriosa, o atleta ainda fatura uma boa grana, mesmo não estando mais em sua melhor forma. Mas, no MMA, o lutador expõe drasticamente sua saúde, acreditando que ainda pode vencer. No caso de Minotouro, parado há mais de um ano, o nocaute deve fazê-lo repensar seus próximos combates, tentando preservar o máximo sua saúde. Ainda pode fazer boas lutas, mas contra atletas no mesmo nível de competição.

Não há dúvidas que lutas contra os tops da divisão estão completamente fora de cogitação. Rodrigo Minotauro, Rogério Minotouro, Wanderlei Silva e outras lendas do Pride F.C, a partir de agora, devem escolher lutas com outro apelo que não seja o cinturão. Lutas com outras lendas ou com atletas de mesma faixa etária e história no esporte devem ser cogitadas. Contudo, combates contra atletas da nova geração trarão derrotas amargas. É preciso conhecer os limites para o corpo não pagar no futuro.

O planejamento da carreira passa também por saber como sair de cena. Como realizar combates em bom nível, contra adversários a altura. Poucos conseguem chegar perto dos quarenta anos em nível de campeão. Anderson Silva conseguiu, mas sabe que agora é melhor fazer shows do que batalhas. As lendas brasileiras não precisam provar nada a ninguém. Merecem se despedir de sua vida de combates. Mas, definitivamente, a hora de mudar de atividade está perto. Uma nova geração vem por aí. Em breve serão seus filhos que estarão lá.

Marasmo

30 junho, 2014 às 15:02  |  por Gustavo Kipper

Há duas décadas o The Ultimate Fighting Championship (UFC) vem arrebatando uma legião de fãs ao redor do mundo e revelando os melhores atletas de lutas marciais do momento. A quantidade de ídolos e campeões que já entraram no octógono fez da franquia uma referência. Mas a grande quantidade de lutadores obriga o UFC a realizar cada vez mais eventos, com qualidade discutível.

Infelizmente, o marasmo chegou. Nem mesmo na época do extinto Pride F.C., quando o UFC estava à beira de falência, viu-se o nível cair tanto. Não me refiro nem ao nível técnico das lutas em geral, mas da qualidade dos eventos, que são cada vez mais superficiais e valem cada vez menos em termos de competição. Com quase 500 lutadores sob contrato, a franquia é obrigada a realizar eventos de menor importância na televisão aberta americana, para tentar valorizar algo que não empolga.

As edições do UFC Fight Night normalmente são chatas, com muitos lutadores desconhecidos e lutas amarradas. Somente quando há disputas por cinturão, nos eventos numerados, é que podemos ver lutas de grande nível. É muito lutador pra pouco evento. Só no sábado passado (28), foram dois. Um na Austrália, que foi transmitido quase 4 da manhã, e o outro à noite, nos Estados Unidos. Em época de Copa do Mundo, ficam muito pequenos.

Nem mesmo as edições do reality show (TUF) serviram para melhorar a imagem no Brasil. Adorado por muitos, o UFC virou alvo frequente de críticas. Duas lutas principais com os treinadores não aconteceram, virando extrema frustração. Coincidentemente, Wanderlei Silva estava nas duas. Na primeira edição, Vitor Belfort quebrou a mão nos treinamentos e abandonou o card. Na terceira edição, mais um papelão. Na briga entre Wanderlei Silva e Chael Sonnen no programa, o brasileiro fraturou o punho. Além disso, fugiu do teste da comissão atlética de Nevada e não deverá lutar em Las Vegas tão cedo. O americano falastrão também decepcionou. Falhou no teste antidoping e decidiu se aposentar. Ou seja, não existia a menor possibilidade de a luta acontecer. Os dois cairiam no exame antidoping. Os dois estavam com medo.

Acontecimentos como esse, além das lesões que antecedem as lutas, fizeram o evento perder muita credibilidade. Quando uma grande luta é anunciada, sabemos que a chance de não acontecer é grande. Muita explicação demanda a aparição frequente de Dana White, que, sempre dono da razão, acaba por se promover mais do que promove seus atletas. Dana sabe usar como ninguém as redes sociais. O chefão está sempre postando vídeos, fotos com carros, aviões e mulheres. É a cara do UFC. Uma cara que todos já não querem ver muito. Os fãs querem ver grandes lutas e isso está cada vez mais raro.

O formato de ranking e competição muitas vezes não tem um critério definido e fica difícil imaginar como será a evolução de cada atleta em menos de dois anos. A ausência completa dos Grand Prix (GP´s), as competições formato mata-mata, muito usadas no Pride, em torneios, blindam alguns atletas de confrontos realmente perigosos. Isso facilita uma postura de fuga, como a de Jon Jones, que acredita ter o poder de escolher seus adversários. A nova safra é mimada, reclama demais.

Do ponto de vista dos brasileiros, os últimos anos não têm sido bons. Vimos Maurício Shogun, Júnior Cigano, Anderson Silva e Renan Barão perderem seus cinturões para americanos. Outros ídolos, como Minotauro, Minotouro, Wanderlei Silva e Shogun, não vivem bons momentos, com muitas derrotas e lesões.

Porém, nem tudo está perdido. Novas disputas de cinturão estão a caminho. No próximo sábado (05), Lyoto Machida busca o dos médios. Fabrício Werdum pode ser campeão dos pesados. Renan Barão pode vencer sua revanche, além da aguardada segunda parte da batalha entre Jon Jones e Alexander Gustaffson. Tomara que sirva de trampolim para uma nova fase de grandes espetáculos.

 

 

O que esperar do MMA para o início de 2014.

6 janeiro, 2014 às 17:16  |  por Gustavo Kipper

Ano passado não foi um bom ano para o MMA brasileiro. Como muitos já sabiam o número 13 nunca foi confiável. Foi um ano de contusões, derrotas e novos campeões. Infelizmente nenhum brasileiro. Júnior Cigano não recuperou o cinturão de Cain Velásquez e Anderson também não venceu sua revanche, terminando o ano de forma melancólica. Restaram-nos Aldo e Barão, além de uma esperança chamada Vitor.

O que esperar do MMA para o início de 2014.

Não fosse à complacência de Dana White em relação ao tempo de afastamento de Dominick Cruz, Renan Barão poderia ser o campeão dos galos. Mas, em fevereiro, os dois poderão resolver de fato quem é o campeão indiscutível. O único campeão oficial do Brasil é José Aldo, que coloca mais uma vez seu cinturão em jogo no mesmo evento que Cruz vs Barão. O UFC 169 de 1º de fevereiro, além de imperdível, é crucial para a manutenção dos cinturões que sobraram. Outra luta de peso é o combate entre Alistair Overeem e Frank Mir. Os dois vêm de derrota.

José Aldo vs Ricardo Lamas

José Aldo é muito favorito. Particularmente não consigo imaginar ninguém nos pesos-penas capaz de ameaçar o reinado do brasileiro. O resultado mais provável é um nocaute até o terceiro round. Se vencer, Aldo deve começar a pensar em conquistar o título dos leves, derrotando quem quer que seja. Ele tem técnica e potência para dominar também a categoria de cima, nem que para isso precise deixar vago seu cinturão dos penas. É a hora de dar um passo maior.

Dominick Cruz vs Renan Barão

Enfim poderemos ver a unificação do título dos galos. Há quase dois anos sem lutar, creio que o ritmo de Barão fará a diferença. Apesar da movimentação de Cruz ser muito efetiva, em uma luta de cinco rounds, sem muito ritmo seu gás pode acabar. É uma das lutas mais aguardadas no ano. Será uma noite de vitórias para o Brasil e para a equipe Nova União.

Chris Weidman vs Vitor Belfort

Mesmo com a polêmica do uso de tratamento de reposição de testosterona (TRT) pelo brasileiro, a luta em Las Vegas é a melhor maneira de Vitor provar que seus últimos grandes resultados são fruto de sua competência e não da testosterona. Afinal, hormônios não sabem chutar. Agora mais campeão do que nunca, a confiança de Weidman, assim como a de Vitor, parece não ter limites. Weidman tem tudo a perder e o brasileiro, tudo a ganhar. Se vencer, será o primeiro lutador da história a ser campeão em três categorias de pesos diferentes dentro do UFC. O fenômeno será mais vitorioso do que nunca. Será uma batalha, embora ache que Weidman leve vantagem por ser maior e melhor no clinch e nas quedas. Mas a velocidade e explosão de Vitor, principalmente nos primeiros rounds, podem colocar o americano na panela de pressão.

Lyoto Machida vs Gerard Mousasi

Após a brilhante estreia nos médios com vitória sobre Mark Muñoz, Lyoto enfrenta agora o ex-campeão do Strikeforce o armênio Gerard Mousasi. Dois strikers de ponta. Será uma batalha entre o karatê e o kick-boxing. O jogo dos dois promete trazer um grande desfecho – um nocaute é esperado. A luta acontece no UFC Jaraguá, dia 15 de fevereiro. Quem vencer pode estar a apenas mais uma vitória da disputa pelo título. Sempre lembrando que Ronaldo Jacaré é outro grande candidato e luta no UFC Jaraguá 2 contra o francês Francis Carmont, outro top 10 da categoria.

Ronda Rousey vs Sarah McMann

Enfim a campeã dos galos do UFC vai enfrentar um desafio à altura. Outra atleta e medalhista olímpica. A wrestler Sarah McMann talvez seja a única atleta empregada pelo UFC a poder derrotar Ronda. É também a primeira atleta americana a conquistar uma medalha olímpica no wrestling. A luta será em Las Vegas, dia 22 de fevereiro. Será que Ronda vai conseguir aplicar novamente aqueles ippons? Após dominar Miesha Tate novamente e conquistar mais uma vitória com chave de braço, Ronda mostrou que na luta agarrada é quase imbatível. Impressionante como conseguiu trazer sua habilidade de judoca para o MMA.

Jon Jones vs Glover Teixeira

Glover Teixeira venceu todos seus adversários até chegar ao campeão Jon Jones. É merecedor da chance ao título e, além de grande pessoa, é um lutador completo e muito perigoso. Mas será o bastante para destronar Jones? O campeão americano dos meio-pesados enfrentou adversários muito complicados, a começar por sua última batalha contra Alexander Gustafsson. Isso faz Glover parecer menos ameaçador. Sua envergadura pode fazer diferença mais uma vez, tendo em vista que talvez Jones não queira trocar muitos golpes em pé com o brasileiro. Vai buscar a queda e as traumáticas cotoveladas. Não estou muito otimista. O combate será no UFC 172, ainda sem local e data definidos.

Johny Hendrics vs Robbie Lawler

Após a controversa vitória de GSP sobre Hendrics e sua aposentadoria por tempo indeterminado, o UFC foi obrigado a casar os dois principais candidatos a ocupar o lugar do ex-campeão canadense. O UFC 171, que acontece dia 15 de março, em Dallas, Texas (EUA), vai trazer finalmente um novo campeão para os meio-médios. Acredito no favoritismo de Hendrics, que está mais preparado para o lugar de campeão. Já vem em ritmo forte de treinos e é muito rápido e explosivo para a categoria. Deve vencer sem precisar da decisão dos juízes.

Wanderlei Silva vs Chael Sonnen

As gravações do The Ultimate Fighter Brasil 3 começam agora em janeiro, mas a rivalidade entre os dois vem desde o vídeo – em que Wanderlei aparece enquadrando o americano – que circulou na internet. Na época, Wanderlei dizia a Sonnen que falar mal dos irmãos Nogueira e do Brasil era perigoso. Após o episódio, Sonnen tornou-se ainda mais polêmico e falastrão devido aos confrontos contra Anderson Silva e Jon Jones. Tornou-se parte da marca UFC e já tem lugar garantido entre os comentaristas do evento. Já Wanderlei tenta provar que ainda tem condições que dar grandes espetáculos e vencer o programa e sua luta. O confronto promete muita ação e dificilmente chegará ao final sem um nocaute ou uma finalização.

Em rota de colisão

11 novembro, 2013 às 18:57  |  por Gustavo Kipper

Quando Vitor Belfort desafiou Anderson Silva, em 2011, gerou uma polêmica que resiste até hoje. Amigos ou parceiros de treinos devem se enfrentar? Hoje, principalmente após a chocante derrota de Anderson para Chris Weidman, todos parecem querer o cinturão dos médios. Lyoto Machida desceu de peso, Ronaldo Jacaré migrou para o UFC e acumula vitórias – além de Vitor, que, sem dúvida, está no seu auge físico e mental. Com a revanche entre Anderson e Weidman marcada para dezembro, Vitor ficará esperando no camarote por mais uma disputa por cinturão.

O que deixa essa futura disputa emocionante, mesmo sem conhecermos o adversário, é o fato de Vitor Belfort não ser o mesmo lutador que levou aquele golpe. Aquele, que por fim, foi parar no clipe milionário de abertura do UFC que, aliás, poderia ser substituído por qualquer um dos três últimos nocautes aplicados pelo fenômeno. Todos com chutes potentes e arrasadores. Esse Vitor de sábado passado é, como disse Chael Sonnen, assustador. Hoje é um lutador completo. Sem os fantasmas das tragédias da vida, sua mente talvez seja seu trunfo. Confiança sobrando e sangue nos olhos.

Assim como o de Anderson, o caminho de Vitor Belfort será de grandes lutas. Está indo pra reta final de sua carreira e experimenta pela primeira vez a regularidade. Mesmo com boatos de que Anderson Silva vai abandonar o cinturão se vencer Weidman, com Vitor na mira, a primeira superluta de tantas que quer disputar está a caminho. Dana White pretende fazer essa luta em um estádio de futebol, tamanha será a audiência de um confronto como esse.

Eu particularmente gostaria muito de ver. Acho que Vitor Belfort é hoje muito melhor do que há dois anos. Já Anderson precisa vencer pra provar que ainda está no topo da cadeia. Com tantos lutadores de ponta na mesma categoria, é fácil prever colisões históricas em 2013 e 2014. Em ano de Copa do Mundo, o MMA promete dar um salto na dimensão de suas ambições. Só nos resta torcer pra nenhuma lesão atrapalhar o espetáculo.
Ranking Sherdog dos médios

  1. Chris Weiman (10-0)
  2. Anderson Silva (33-5)
  3. Vitor Belfort (24-10)
  4. Ronaldo Souza (10-3-1)
  5. Yushin Okami (29-8)
  6. Michael Bisping (24-5)
  7. Lyoto Machida (20-4)
  8. Mark Muñoz (13-4)
  9. Luke Rockhold (10-2)
  10. Named Khalidov (27-4-2)

(Vitórias- derrotas- sem resultado)

http://youtu.be/-4JxdmfUn5U

 

Anderson “The Spider” Silva

8 julho, 2013 às 14:47  |  por Gustavo Kipper

(esporte.uol.com.br)

Eu sou curitibano e conheci Anderson Silva pessoalmente, ainda na época em que ele treinava muay thai na academia do mestre Noguchi. Na época, um grande amigo treinava com ele, e um dia fui assistir a um treino. No meio de vários excelentes lutadores, um deles se destacava pela técnica e perfil, que se encaixava perfeitamente para o esporte marcial. Era Anderson. Não muito mais tarde se juntou ao vitorioso time da academia Chute Boxe e assim o tempo passou.

Quem conheceu Anderson no meio de tantos grandes lutadores curitibanos como Wanderlei Silva, Rafael Cordeiro e José Pelé Landi, nunca realmente imaginou que ele poderia chegar ao patamar técnico e de exposição que ganhou nos últimos sete anos, mesmo sempre tendo seu talento reconhecido. Anderson Silva conquistou um legado quando já estava em uma idade que muitos atletas já estão se aposentando. Ao longo de seu reinado, Anderson nunca teve uma contusão que o deixou fora do octógono por um longo período de tempo como teve Georges St Pierre. Esse tempo, apesar de ser difícil pela recuperação mental e física, é bom ao menos para o atleta se juntar à família e limpar a mente, enxergar o futuro e decidir realmente o que quer. Ao não recusar lutas, Anderson começou a devastar a categoria dos médios e sua evolução técnica atingiu níveis que só os grandes alcançam. Isso fez com que sua responsabilidade em manter o cinturão provocasse certos comportamentos que passaram a fazer parte do produto Anderson Silva, o maior lutador de MMA de todos os tempos.

Esses comportamentos começam com a ideia de criar uma falsa sensação que o cinturão pertence ao Brasil, portanto lutar contra brasileiros sempre foi algo que afetou muito Anderson. Em suas lutas contra Thales Leite, Demian Maia e Vitor Belfort, Anderson estava bastante agitado. Com a vitória sobre os três, criou uma cultura em que o desafio feito por brasileiros era levado como insulto. Logo, muitos ótimos lutadores acabaram por ficar, além de amigos, admiradores de Anderson e com o desejo de serem campeões guardados a sete chaves. No esporte em que amigos e compatriotas não lutam entre si, Anderson acabou por ser o representante oficial do Brasil no MMA com fãs como Ronaldo e a rede Globo.

Os atletas costumam fazer nas lutas o que fizeram nos treinos. E os treinos de MMA, principalmente para lutas como disputas de cinturão, costumam ser muito fortes. Anderson desenvolveu um estilo em que ficava à vontade, ao mesmo tempo em que destruía mentalmente seus adversários, que sempre acabavam cometendo erros, abrindo brechas para contra-ataques mortais e plásticos. Anderson transformou a luta em show, algo que somente Jon Jones pode fazer, mas o curitibano o faz com mais sabedoria, com mais estratégia. Porém, a linha entre a autoconfiança e desrespeito em que ele anda é tênue, e assim como na luta contra Demian Maia, passou do limite, perdeu a referência do respeito e do perigo. Muitos atletas e treinadores, como Renzo Gracie, não acreditam nesse estilo de Anderson, e acham que isso é uma das suas maneiras de desdenhar de seus adversários. Portanto, sua derrota foi muito comemorada no mundo da luta, principalmente pelos estrangeiros. O próprio Chris Weidman no instante após a vitória soltou um “seu desrespeitoso de m…”.

Chris Weidman sabia o que iria enfrentar. Ao contrário da maioria dos desafiantes do ex- campeão, Weidman é de outra geração. Mesmo tendo caído por instantes nas artimanhas de Anderson, continuou reto em seu caminho e ficou provado que Anderson é um humano e tem queixo, que, se acertado, desmontará suas pernas como de um João qualquer.

Mas algo dessa vez estava diferente. A apatia instantes antes da luta e o tédio do brasileiro foram cruciais para Anderson não lutar, apenas provocar e entregar de forma melancólica o mesmo cinturão que dizia ser de todos os brasileiros. Por isso muita gente se sentiu traída, envergonhada e enganada. Até mesmo seus companheiros de corner estavam arrasados. Para os brasileiros, foi como se Neymar rebolasse antes do pênalti decisivo e recuasse a bola para o goleiro. Nas redes sociais muitos dizem que a luta já tinha sido acertada antes. Não acredito, mas o desempenho do ex-campeão foi tão patético que realmente dá margens para discussão, principalmente com o futuro do brasileiro, que chegou a dizer que poderia até mesmo se aposentar. Discurso bem diferente de quem queria fazer três superlutas. Talvez não quisesse mais lutar com Jones. O fato é que muita gente, pelo menos ontem, ganhou muito dinheiro, principalmente Anderson Silva. Só não sei se venderá mais tantos ingressos como antes.

A verdade é que a derrota deixou muitos brasileiros chateados e iniciou um novo ciclo no UFC. Anderson Silva terá suas merecidas férias e tenho certeza que lhe fará bem curtir sua família e o conforto que conquistou com os punhos. Nada como um dia após o outro. O mundo sabe que se Anderson estivesse com gana, ganharia a luta. Então não descarto uma revanche, embora acredite que a atitude de Anderson, de abrir mão de um cinturão “chato”, como seu filho Kalyl definiu nas redes sociais, seja uma tentativa de deixar o caminho aberto a outros brasileiros, como Ronaldo Jacaré. Anderson Silva perdeu o “olho de tigre” pelo menos para as defesas de cinturão dos pesos-médios, que dominou por quase sete anos.

Vitor Belfort pediu Weidman, mas Dana White descartou a luta dizendo que quer a revanche. Mas a negativa a Vitor não faz sentido do ponto de vista do ranking, onde ele ocupa a segunda colocação. O problema é que a luta teria que ser realizada no Brasil, pois no estado de Nevada, onde são realizados os maiores eventos, o tratamento de reposição hormonal não é tolerado. Portanto, Vitor não conseguiria a licença para lutar. A revanche seria o melhor caminho, caso contrário vai começar a chuva de desafios. De Wanderlei Silva, passando por Chael Sonnen, todo mundo agora vai querer pegar esse vácuo.

(ftw.usatoday.com)

 

Vitor, vitória e TRT.

24 maio, 2013 às 23:15  |  por Gustavo Kipper

A vitória de Vitor Belfort, no último sábado, na arena Jaraguá, em Santa Catarina, ainda rende muitos comentários e matérias, tanto pela forma devastadora com que encerrou o combate quanto pela forma ríspida e mal educada com que encerrou a coletiva pós-luta. É notável a evolução técnica de Vitor, que parece estar no auge de sua carreira, só tendo perdido para os campeões das categorias em que se aventurou. O resto foram vitórias contundentes e surpreendentes, com novos golpes e muita explosão.

A questão nem é o uso de reposição hormonal que Vitor faz, que apenas nivela seu nível de testosterona, mas, segundo o UFC, ele é testado e está em níveis normais. Se o TRT melhora o desempenho nos treinos e nas lutas, deveria ser revisto. Se a luta fosse em Las Vegas, estado de Nevada, a luta não aconteceria, pois a comissão atlética de Nevada não tolera esse tratamento. Ou seja, Vitor, fazendo uso do TRT, só pode lutar no Brasil, lembrou Joe Rogan em seu Twitter logo após o combate.

O americano Luke Rockhold, muito abalado pela derrota, disse que o tratamento não ensina chutes. Essa é a mais pura verdade, mas o uso do TRT está diretamente ligado ao uso de esteroides anabolizantes usados no passado, ou recentemente. Por isso, no mundo do MMA, esse é o tema mais polêmico da atualidade. Acho inclusive que a atitude de Vitor na coletiva demonstra claramente que há algo errado. Sem dúvida. Até por isso teve que ir à Ana Maria Braga fazer pizza para poder se desculpar pelo vexame.

Mas a atitude de Vitor na entrevista esbarra em outro tema em que o jornalista da ESPN Brasil, Mauro Cezar Pereira, costuma sempre abordar, especialmente quando o assunto são as entrevistas coletivas da seleção brasileira de futebol. O atleta brasileiro, do futebol ao MMA, acha que a função do jornalista é torcer e apoiar incondicionalmente seu país e atletas, sem poder exercer o papel investigativo e publicar o que realmente as pessoas querem saber e não aquilo que o atleta quer falar. Esse vício é algo inadmissível para atletas de ponta, que representam mais que o país, representam também as marcas que o patrocinam. Está na hora de os atletas entenderem que a imprensa não tem o papel de torcer e sim analisar, comunicar e disseminar opiniões livres.

Joe Silva por um dia

11 abril, 2013 às 13:38  |  por Gustavo Kipper

Mesmo com a criação do ranking oficial, muitos combates ainda serão marcados pelo apelo que a luta proporciona pelos fãs, além é claro da venda dos pay- per- views que fazem a roda girar. Fico imaginando que um dos empregos mais legais do mundo seja o do matchmaker do evento, Joe Silva, responsável por planejar quem lutará com quem. Embora o ranking seja uma boa referência, a imaginação de um combate com toda sua complexidade e confronto de estilos faz qualquer um imaginar como seria se…?

Pensei um pouco e imaginei 20 confrontos que ao menos eu gostaria de ver na tela. Não posso considerar eventos já marcados. Apenas possíveis confrontos.

  1. Anderson Silva vs Jon Jones (luta em peso combinado de 88 kg)
  2. Anderson Silva vs Georges St Pierre (luta em peso combinado de 80 kg)
  3. José Aldo vs Ben Henderson (luta em peso combinado de 68 kg)
  4. Wanderlei Silva vs Chael Sonnen (meio- pesado)
  5. Júnior Cigano vs Cain Velásquez III (peso- pesado)
  6. Renan Barão vs Dominik Cruz (peso- galo)
  7. Rodrigo Minotauro vs Fedor Emelianenko 4 (peso- pesado)
  8. Maurício Shogun vs Gerard Mousasi (meio- pesado)
  9. Lyoto Machida vs Alexander Gustafsson (meio- pesado)
  10. Michael Bisping vs Hector Lombard (peso- médio)
  11. Frank Edgar vs Chad Mendez (peso- pena)
  12. Vitor Belfort vs Wanderlei Silva (meio- pesado)
  13. Ronaldo Jacaré vs Roger Gracie (peso- médio)
  14. Ronda Rousey vs Chris Cyborg (peso- galo)
  15. Rogério Minotouro vs Dan Henderson (meio- pesado)
  16. Nate Diaz vs Anthony Pettis (peso- leve)
  17. Nick Diaz vs Rory McDonald (meio- médios)
  18. Rodrigo Minotauro vs Frank Mir 3 (peso-pesado)
  19. Maurício Shogun vs Glover Teixeira  (meio-pesado)
  20. Júnior dos Santos vs Jon Jones (peso- pesado)

A volta do cachorro louco

4 março, 2013 às 16:46  |  por Gustavo Kipper

The Axe Murderer

O Curitibano Wanderlei Silva protagonizou na noite de sábado uma luta que nos fez lembrar seus melhores momentos na carreira lutando no palco de muitas glórias. A Saitama Super Arena, em Tóquio, teve a chance de presenciar mais uma vez um dos maiores ídolos do país, fama conquistada com o cinturão do Pride e uma invencibilidade que durou anos.

Lutando na categoria dos meio-pesados, Wanderlei ganhou ainda o bônus de nocaute e luta da noite. Seu adversário, o fuzileiro naval americano Brian Stann, é muito forte e logo no início do combate partiram para a trocação. Wand nitidamente mais forte que no peso-médio, encaixou a mão que lhe rendeu o apelido de machado assassino, ainda quando lutava no Japão, e nocauteou o americano, como nos velhos tempos.

Para quem acompanha a carreira de Wand, essa vitória mostrou que ele ainda pode lutar em alto nível e fazer superlutas. Não tem mais tempo a perder com adversários medíocres e a tendência é que faça ainda vários combates emocionantes. Muito bem preparado técnica e fisicamente, o curitibano possivelmente, fique nessa categoria de peso, já que deve ter menos dificuldades com a balança, além de sua força aumentar consideravelmente com quase 10 kg a mais.

É inevitável não perceber o bem que Rafael Cordeiro faz, tanto nos treinos quanto no córner. Não desmerecendo o bom trabalho de Dida, que foi o treinador principal, Cordeiro, eleito o melhor treinador de MMA do mundo em 2012, é uma lenda da academia Chute Boxe e do esporte curitibano, assim como Wanderlei Silva, Shogun e Anderson Silva. Hoje tem sua própria academia na Califórnia, a Kings MMA. Sua amizade e contribuição fazem Wanderlei lutar em seu limite.

Penso em vários nomes que possam ser a próximo desafio de Wand. Mas, confesso que ainda gostaria de ver aquela luta contra Vitor Belfort novamente.

Na cara

21 janeiro, 2013 às 10:51  |  por Gustavo Kipper

Wagner Carmo Divulgacao

Não sou muito fã de apostas, mas se meus instintos de apostador estivessem aflorados, com certeza essa seria uma boa luta para começar. Grandes emoções, poucos riscos. Como muitos haviam previsto, Vitor Belfort nocauteou Michael Bisping – ainda no segundo round. Todos sabiam que quanto mais o tempo passasse, mais seria difícil Vitor manter o ritmo e a pressão dos primeiros rounds. Mas o inglês mostrou mais uma vez que quando o adversário é da velha escola, ele grita. Foi assim que Michael Bisping sentiu a força e a experiência de Vitor Belfort e foi nocauteado.

É impressionante como o brasileiro ainda consegue evoluir seu jogo dentro de um esporte cada vez mais competitivo. A sede com que Vitor abraça seus desafios o torna um dos lutadores mais perigosos em todos os pesos. Acredito que tenha sido a primeira vez em que ele consegue o nocaute usando chutes, ainda mais em um adversário com pelo menos sua altura e striker. Surpreendeu a todos não só o chute quanto a atitude do brasileiro, que deixou um pouco a religião de lado e tratou de intimidar o inglês, que já estava assustado pela grandeza de nosso país ainda na pesagem. Michael estava com medo.

Mais que isso, Vítor Belfort venceu Michael Bisping e travou o peso médio quando não desafiou novamente Anderson Silva. Não fez sentido desafiar Jon Jones, campeão da categoria acima, sendo que vem de derrota recente para o mesmo e acabou de vencer nos médios. Com a derrota de Tim Boetsch, a contusão de Chris Weidman e as vitórias de Vitor e Hector Lombard, essa seria a luta certa. Porém, Hector já manifestou interesse na luta contra Bisping e Belfort desafiou indiretamente Chael Sonnen, chamando-o de palhaço.

Dana White, que não esteve presente devido a uma cirurgia, twittou reclamando da atuação de Dan Migliota, o juiz da luta da derrota de Thiago Tavares e do controverso No Contest de Yuri Marajó. Dana White, como muitos, também achou que Migliota demorou a encerrar a a luta e Thiago levou golpes desnecessários. Não sou muito de falar dos juízes, mas dessa vez tanto os árbitros do octógono quanto os árbitros laterais, que julgam as lutas e pontuam, equivocaram-se em várias ocasiões. Não apenas na demora em encerrar as lutas, mas também na decisão equivocada ao dar a vitória a Godofredo Pepey e C.B Dolloway na decisão. Assim, Miltinho Vieira e Daniel Sarafian foram prejudicados.

Mesmo tendo desafiado Jon Jones e citado Jesus em mais um de seus discursos chatos, para um bom entendedor, a vontade de Vitor pode ter criado a luta certa depois do T.U.F América, que traz a luta em abril de Jones contra Sonnen. Independentemente do resultado, Vitor vs Sonnen e Hector vs Bisping, se acontecerem, darão uma bela folga a Anderson Silva, que segue sem adversário e nada em mares tranquilos há anos.