Accept: sempre uma aula do mais puro metal

15 novembro, 2017 às 14:53  |  por José Marcos Lopes

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Quatro décadas levando o mais puro heavy metal a todos os cantos do planeta é uma tarefa para poucos. E entre eles está o ACCEPT, maior nome do metal alemão que passou pela terceira vez por Curitiba na noite desta terça-feira (14). Mark Tornillo, Wolf Hoffmann, Uwe Lulis, Peter Baltes e Christopher Williams arrebentaram pescoços durante duas horas na Ópera de Arame para o lançamento de “The Rise of Chaos”, seu 15º álbum de estúdio e o quarto da fase com o vocalista Mark Tornillo.

O Accept no palco é algo impressionante desde a década de 1980, quando Udo Dirkschneider ainda segurava os vocais. A peteca nunca cai, ninguém fica parado, não se ouve uma microfonia, uma nota fora do lugar. E o destaque é o guitarrista Wolf Hoffmann, um dos maiores da história do metal e um dos primeiros a incorporar elementos de música erudita no rock pesado, ainda nos anos 70. Sem a cabeleira loira que ostentava nos 80, Hoffmann ainda atua como um verdadeiro maestro do metal. Ele e o baixista Peter Baltes são os únicos remanescentes da formação original e estiveram em todas as fases da banda.

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Baltes e Hoffmann, a dupla original: um privilégio ver esses dois em ação

O show começou com “Die by the Sword”, do novo álbum, e seguiu com “Stalingrad”, um dos “novos clássicos”, do disco homônimo de 2012. Seguiram dois clássicos para fazer qualquer fã se descabelar, “Restless and Wild” (do clássico absoluto de mesmo nome, de 1982), e “London Leatherboys”, do álbum “Balls to the Wall” (1983). Depois de “Living for Tonite” (do álbum “Metal Heart”, de 1985), eles mandaram cinco sons do novo álbum.

Deram um refresco com “Shadow Soldiers”, quase uma “balada” da nova fase, e mandaram ver com mais clássicos oitentistas: ”Neon Nights”, ”Princess of the Dawn”, “Midnight Mover” e “Up to the Limit”. Uma surpresa foi “Objection Overruled”, do disco de mesmo nome de 1993. Foi quando Hoffmann e Baltes deram seu show particular. Emendaram com “Pandemic”, uma cacetada da fase Tornillo, e fecharam a primeira parte com a imortal “Fast as a Shark”, para muitos a primeira música de speed metal da história. A encore já era esperada: “Metal Heart”, com sua passagem de “Für Elise” de Beethoven, ”Teutonic Terror” (uma das músicas de metal mais fodas do século 21) e “Balls to the Wall”, que nunca pode faltar. Vale dizer ainda que o baterista Christopher Williams é um monstro e que o guitarrista Uwe Lulis (ex-Grave Digger) garante o peso com maestria enquanto Hoffmann vira a guitarra do avesso.

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Fundado na década de 1970 em Solingen, na Alemanha, o Accept foi a primeira banda de metal do país. Lançou os álbuns “Accept” (1979) e “I’m a Rebel” (1980) e se firmou na cena com “Breaker” (1981). O sucesso veio com “Restless and Wild” (1982) e ainda mais com “Balls to the Wall” (1983), que tornou o grupo conhecido nos Estados Unidos. “Metal Heart” (1985) já trazia guitarras sintetizadas e temas mais “acessíveis”. ”Breaker”, “Restless and Wild”, “Balls to the Wall” e “Metal Heart” são itens OBRIGATÓRIOS em qualquer coleção metálica que se preze.

Depois de “Russian Roulette” (1986), os problemas internos se agravaram e o grupo trocou de vocalista. Fizeram um som mais comercial em “Eat the Heat” (1989), que bateu na trave. O vocalista Udo Dirkschneider voltou na década de 90 e gravou mais três discos, mas o encanto parecia ter sido quebrado. Ele se lançou definitivamente em carreira solo e o Accept suspendeu suas atividades.

Em 2009, Hoffmann e Baltes se encontraram com o americano Mark Tornillo, ex-vocalista de uma banda dos anos 80 chamada TT-Quick, para tocar alguns clássicos. A química deu certo e Tornillo foi convidado para entrar na banda. Com novo fôlego, o Accept lançou três ótimos discos, “Blood of the Nations” (2010), “Stalingrad: Brothers in Death” (2012) e “Blind Rage” (2014) que mantiveram o espírito do metal clássico, e voltou com toda força aos palcos.

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Setlist:
1 – Die by the Sword
2 – Stalingrad
3 - Restless and Wild
4 - London Leatherboys
5 – Living for Tonite
6 - The Rise of Chaos
7 - Koolaid
8 – No Regrets
9 - Analog Man
10 - Final Journey
11 - Shadow Soldiers
12 - Neon Nights
13 - Princess of the Dawn
14 - Midnight Mover
15 - Up to the Limit
16 - Objection Overruled
17 - Pandemic
18 - Fast as a Shark

Encore:
19 – Metal Heart
20 - Teutonic Terror
21 - Balls To The Wall

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