Ambition: o rock é a única ambição

8 novembro, 2017 às 15:13  |  por José Marcos Lopes

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O blog foi conhecer o AMBITION, projeto de Chrystian Mass, multi-instrumentista que atua há umas duas décadas na cena de rock e metal em Curitiba. Baterista de mão pesada, tocou na fase embrionária do Motorocker e idealizou várias bandas ainda ativas na cidade. Afastado há algum tempo do trabalho em grupo, Chrystian juntou riffs e ideias que vem acumulando na cabeça desde a década de 90, entrou em estúdio e gravou guitarras, baixo, bateria e vocais. O primeiro álbum do Ambition deve sair no início de 2018.

“As únicas ambições que naturalmente tive em meu coração desde os tempos de criança foram as de poder assistir ao vivo todas as bandas que eu gosto, comprar discos, poder escrever minhas próprias músicas, gravar discos, tocar, e sair com mulheres com seios e bunda grandes (risos)”, diz Chrystian. “Resumindo, o rock sempre foi minha única ambição”. O próximo passo foi reunir uma galera pra tocar ao vivo. Ele assumirá a guitarra base. A ideia é apenas fazer um som destinado aos velhos fãs do metal, “longe de inovações modernas chatas, malucas e sem sentido”. ”Não tenho grandes expectativas, e prefiro não ter. Minha única grande expectativa é conseguir lançar as músicas no formato físico, vinil e/ou CD, mas de preferência em vinil”, afirma. Confira  abaixo a entrevista com Chrystian Mass.

Como você começou na música, de que bandas ou projetos participou?
Tive meu primeiro contato com rock pesado aos 9 anos, no ano de 1983, quando o Kiss veio até o Brasil pela primeira vez para fazer aqueles últimos shows com maquiagens (antes do retorno da formação original em 1996). Lembro que na TV passava um comercial de divulgação dos shows, e eu assistia aquilo sem piscar os olhos. Um ano depois, ganhei alguns posters da antiga editora Somtrês, de um primo meu, de bandas como AC/DC e Iron Maiden. Mas foi em janeiro de 1985 que tive o principal estímulo para realmente me apaixonar pelo rock pesado/heavy metal, a primeira edição do Rock In Rio. Foi muito especial e emocionante assistir pela primeira vez, ao vivo pela TV, as apresentações do AC/DC, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Scorpions e Whitesnake. Pouco tempo depois que o festival terminou, pedi para meu pai um disco do AC/DC como presente de aniversário, e acabei ganhando dois: O ep “74 Jailbreak” e o LP “For Those About To Rock”, os quais eu ouvia todos os dias. Nos anos seguintes, entre 1985 e 1988, conheci bandas como Twisted Sister, Quiet Riot e W.A.S.P., e consegui adquirir alguns discos deles. E desde aquela época até hoje eu sempre procuro pesquisar, conhecer, ouvir e comprar LPs e CDs das bandas que me agradam.

Em 1989 fui até a TUC assistir ao vivo o primeiro show de metal da minha vida, e a banda em questão era o Infernal, ainda com Marcelo “Paulista” (Amen Corner) nos vocais. Nos anos 90 toquei em algumas bandas de Curitiba, como o Septic Brain do Marcel “Morceguinho” e com o ASCO (ex-AC/DC cover, atual Motorocker). Também participei de um projeto chamado Mortem com dois colegas do colégio, onde tentávamos tocar um black metal cru e tosco. O projeto não durou muito e nem fizemos shows, e pouco tempo depois acabei saindo. Fui substituído por um rapaz chamado Mário, dono de uma antiga loja de CDs chamada Paranóia, em Curitiba. Pouco tempo depois eles foram para um estúdio e gravaram uma demo tape chamada “In The Woods He Reigns”, contendo uma única música, de minha autoria, e a divulgaram por aí. Acredito que essa demo esteja hoje entre os ítens mais desconhecidos e raros da história do metal curitibano, pois em todos esses anos eu não conheci mais ninguém, além dos meus amigos mais próximos, que também tivesse conhecido o Mortem ou que possua uma cópia dessa demo.
Em 1997 participei da gravação da demo tape do Steel Lord, banda de Cascavel. Na primeira metade dos anos 2000 participei também da criação de duas bandas curitibanas, Slammer e Offal. Gravei dois CDs com o Offal e depois disso, em 2010, ajudei a formar o Axecuter junto com Daniel “Danmented” Azevedo (guitarrista e fundador da antiga Subversive) e o Térsis “T.Basstard” Zonato (Lutemkrat), que era o baixista original do Slammer. Em 2014 saí do Axecuter, pois estava ficando de saco cheio em relação à várias situações irritantes e estressantes que desde muito tempo rolam na cena undergound. Depois disso, nunca mais me envolvi com bandas.

Você é originalmente baterista, ou sempre tocou guitarra e baixo também? Como foi esse processo?
Eu comecei tocando guitarra, pois ganhei uma em 1987, que tenho guardada até hoje. Meu pai era guitarrista no interior de Santa Catarina no final dos anos 60, e me ensinou alguns acordes. Em 1989 tentei formar minha primeira bandinha com dois colegas de escola, mas não deu certo. Éramos dois guitarristas e um baixista, procurando por um baterista. Tivemos muita dificuldade para encontrar um, e por esse motivo eu decidi “trocar” a guitarra pela bateria. Comecei a sentir que eu tinha mais facilidade com a bateria do que com a guitarra. Emprestei a bateria de um vizinho e comecei a treinar todos os dias, de forma instintiva.
Eu tinha alguns videos vhs de algumas bandas que eu gostava, e tentava imitar os movimentos dos bateristas, e também tentava tocar junto com os discos. Eu colocava um LP pra tocar, pegava o fone de ouvido, aumentava o som no volume máximo, e tentava instintivamente tocar junto. Com o tempo fui ajustando os detalhes e a performance. Tudo que sei como baterista aprendi dessa forma, quase que 100% instintiva e autodidata. Com o baixo e a guitarra aconteceu mais ou menos o mesmo processo. Eu gostava muito (e ainda gosto) de ver e ouvir baixistas como Cliff Williams, Rudy Sarzo, Ian Hill e guitarristas/compositores menos cultuados como Mark Reale, Pat McManus, Carlos Cavazo, Jake E. Lee, Graham Oliver e tantos outros, e tentar compreender o “feeling” e a interpretação que eles davam às músicas. Então peguei um contrabaixo e experimentei tocá-lo, e senti que eu conseguia desenvolver algumas linhas. Mas eu nunca abandonei totalmente a guitarra, sempre tive o hábito de tentar “tirar” músicas de ouvido. Na minha opinião, a maior qualidade que um músico pode ter é saber ouvir! Ouvir o som e compreender as nuances, os pequenos detalhes que a maioria dos ouvintes genéricos não percebem. Pra mim, esse é o melhor caminho para se aprender a tocar bem qualquer instrumento musical. Ouvir, compreender, interpretar e praticar!

Como surgiu a ideia de fazer o Ambition? Há alguma inspiração especial para o nome?
A idéia do AMBITION é relativamente antiga, acho que desde a segunda metade dos anos 90. Durante esses últimos 25 anos eu tentei criar vários e vários riffs, numa mera e tímida tentativa de compor músicas que soassem tão fortes como algumas músicas das minhas bandas preferidas, mas sem copiá-las direta e intencionalmente. Deixei esses riffs e músicas guardadas em minha mente durante todos esses anos, mas só agora senti que seria a hora certa para gravá-las e lançá-las. Porém isso é algo muito, mas muito difícil de se alcançar. É extremamente difícil compor uma música que soe tão forte e emotiva como, por exemplo, Rising Power (AC/DC), Wild Child (W.A.S.P.) e Where Eagles Dare (Iron Maiden). Não basta apenas plugar a guitarra e sair tocando. Não! A coisa vai muito além disso, é muito mais profundo. Qualquer pessoa pode adquirir técnica e velocidade pra tocar um instrumento, se tiver disciplina, dedicação e muito treino. Mas para compor grandes músicas é preciso também ter grandeza espiritual, e isso não se ensina e não se aprende. Ou tem ou não tem! É um privilégio de poucos!
A inspiração para o nome vem do fato de eu nunca ter tido grandes ambições materiais na vida, como ser um daqueles caras bem sucedidos de terno e gravata, com milhões na conta bancária, carrões importados, mansão luxuosa, etc. As únicas ambições que naturalmente tive em meu coração desde os tempos de criança foram as de poder assistir ao vivo todas as bandas que eu gosto, comprar discos, poder escrever minhas próprias músicas, gravar discos, tocar, e sair com mulheres com seios e bunda grandes (risos). Coisas simples, relativas ao universo rock´n´roll. Sempre senti que minha vida seria dedicada ao rock/metal, que de alguma forma giraria em torno disso. Resumindo, o rock sempre foi minha única ambição.

O Ambition partiu de influências definidas, ou você começou a compor e o projeto tomou algum outro rumo? O que você poderia citar como influências?
Eu sempre fui um tanto “eclético”, dentro de um certo limite. Além de rock pesado e metal, gosto muito de algumas músicas de cantoras antigas como Carly Simon, Rita Coolidge, Roberta Flack, e outras. Também curto muito alguns daqueles hits pop melosos e dançantes dos anos 60, 70 e 80 como “Black Is Black” (Los Bravos), “Broken Wings” (Mr. Mister) e “I Want To Know What Love Is” (Foreigner) e os primeiros discos solo de Rick Wakeman (“Arthur” é uma das músicas mais fortes que já ouvi na vida) e algumas do Beatles e do Creedence. Dentro do metal mais extremo curto muito os primeiro discos de bandas mais antigas como Sodom, Destruction, Bathory, Death, Autopsy, Incantation, Cianide e Benediction.

Mas sinto uma maior identificação pessoal com aquele rock pesado cru e direto da segunda metade dos anos 70 e o heavy metal clássico da primeira metade dos 80, em especial das bandas britânicas. E é justamente esse exato período entre 1975 e 1985 que influencia o som do AMBITION, pois na minha opinião é onde foi escrita e gravada a maioria das melhores e mais fortes músicas da história da música pesada. Nunca tive a intenção de usar esta ou aquela banda ou disco específico como influência direta, mas posso citar alguns nomes de referência como os antigos do Krokus, Nazareth, Budgie, Saxon, The Rods, Riot, Picture, Battleaxe, Chariot, Mama´s Boys e outras.

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Como foi o processo para fazer os vocais? Você já cantava ou decidiu assumir os vocais somente para o Ambition?
Não, eu nunca fui vocalista, nunca cantei apropriadamente, e admito que não tenho muito talento pra isso. No início das gravações eu ficava pensando sobre quem poderia fazer um bom trabalho vocal para o meu material, mas seria complicado desenvolver isso, pois eu teria que explicar minuciosamente quais as nuances que eu preciso pra cada trecho de cada música, e admito que não tenho mais muita paciência pra isso. Um vocalista amigo meu chegou a gravar em algumas, mas infelizmente a voz dele não se encaixou perfeitamente em todas. Apesar de ele ser um excelente vocalista, seu timbre e sua interpretação combinam melhor com outros estilos, como o Doom Metal, que exige uma interpretação mais dramática e sofrida, especialidade dele. Foi então que resolvi arriscar e fiz algumas tentativas em estúdio pra sentir se minha própria voz se encaixaria nas músicas, e o resultado ficou melhor do que eu imaginava. Perguntei a opinião de algumas pessoas experientes no meio metal curitibano e elas me disseram que o resultado ficou bom, compatível com a proposta. Assumirei os vocais do Ambition sim, mas somente nas gravações em estúdio. Para possíveis shows, penso em talvez chamar um vocalista, pois não sei se eu teria habilidade e segurança suficientes para tocar e cantar ao mesmo tempo. Vamos ver. O futuro dirá.

Como é o seu processo de composição? Parte de um riff, ou de uma ideia para letra, por exemplo?
Sim, eu sempre inicio uma composição a partir de um determinado riff, o qual vou desenvolvendo até sentir que consegui montar uma boa sequência com introdução, verso, ponte, refrão, solo e final. Gosto muito desse modelo tradicional de composição, sem qualquer tipo de experimentalismo inovador sem sentido. Depois que termino o lado instrumental, começo a pensar numa melodia para a voz, a qual também vou desenvolvendo aos poucos, até sentir que combinou bem com o instrumental, formando uma boa unidade, uma coisa só. Eu nunca componho partindo das letras, de um conceito lírico. Pra mim, letras são secundárias. Pra mim, o mais importante numa música é o lado instrumental. Não no sentido de soar técnico e complexo, mas de criar uma boa sequência de riffs que transmita ao ouvinte um sentimento de força, com uma boa dose de emoção, seja com riffs simples ou mais trabalhados.

Há planos para algum lançamento oficial em breve?
Sim, tenho um plano concreto para lançar um single no formato vinil 7”ep contendo duas faixas, e depois disso lançar o primeiro CD completo, com nove faixas próprias e um cover. Esses dois lançamentos estão previstos para o primeiro semestre de 2018, se tudo ocorrer conforme o planejado. Tomara que dê certo.

E como está sendo a gravação deste material?
Comecei a gravar sozinho no início de 2016, num ritmo bem vagaroso, pois os custos para se gravar em estúdio são relativamente altos, pelo menos pra mim (risos). Fui gravando aos poucos, na medida em que eu possuía recursos financeiros. Fiz questão de gravar tudo da forma antiga, utilizando instrumentos, amplificadores e microfones reais, sem simuladores. 95% das músicas foram registradas dessa forma. Neste momento as gravações estão quase que totalmente finalizadas. Ainda me falta registrar algumas linhas vocais, alguns solos, e então a mixagem e masterização.

Alguma razão especial para gravar tudo sozinho?
Olha, sei que soa como egoísmo e auto-promoção, mas estas músicas foram compostas há quase 20 anos, e são muito especiais pra mim, tenho um carinho enorme por elas. Por esse motivo creio que seria muito complicado transmitir a outros músicos o tipo de interpretação exata com a qual eu gostaria de gravá-las, pois há muitos pequenos detalhes que fazem a diferença. São músicas tecnicamente simples, que qualquer um poderia tocar, mas por trás desta simplicidade há uma certa “mágica” que não acontece se a música for tocada de qualquer jeito. Pode até ser um defeito de personalidade, mas como pessoa e músico sempre fui e ainda sou muito detalhista e perfeccionista. Então por este motivo eu estou gravando tudo sozinho, pois sei exatamente como cada trecho deve soar, cada nuance, cada detalhe. A maioria dos solos foi gravada por mim mesmo, dentro dos meus limites técnicos e coerentes com o que o tipo de interpretação que as músicas exigiam, solos mais simples e com “feeling”. Procurei não dar um passo maior do que minha perna. Penso em chamar um guitarrista para gravar alguns trechos específicos, que exigem um pouquinho mais de técnica. Vamos ver.

Haverá apresentações ao vivo? 
Veja, não pretendo colocar o AMBITION na estrada pra ficar tocando regularmente por aí, todo mês, em tudo que é lugar, esse tipo de coisa. Shows não serão a minha prioridade. Já toquei em dezenas de shows ao longo dos últimos 20 anos com outras bandas, sob várias condições, e confesso que hoje estou bem preguiçoso, e que não tenho mais muito ânimo e paciência pra isso (risos). Mas poderá sim ocorrer uma ou outra apresentação local, aqui ou ali, dependendo das condições e do contexto. Também não pretendo formar uma banda propriamente dita, nos moldes tradicionais, com membros fixos. Minha intenção, no caso de um show, é tocar com músicos que tenham disciplina e talento para interpretar e executar as músicas exatamente do jeito como estão gravadas, com as nuances corretas, e pagá-los por isso (cachê). Ainda não decidi sobre o instrumento que tocarei no caso de um possível show, mas estou tendendo mais para a guitarra base.Vamos ver. O futuro dirá.

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Qual a sua expectativa com o projeto?
Honestamente falando, não tenho grandes expectativas, e prefiro não ter. Minha única grande expectativa é conseguir lançar as músicas no formato físico, vinil e/ou CD, mas de preferência em vinil. Sempre fui um grande apaixonado por este formato. Eu já gravei alguns vinis com outras bandas, mas com o AMBITION será mais do que especial pra mim, por motivos pessoais muito íntimos. Além disso, espero que os verdadeiros amantes do antigo ”rock pauleira” e do heavy metal clássico se identifiquem com o som, pois meu principal objetivo como compositor é justamente apresentar um material que tenha boa conexão com aquela época e que agrade este público específico, longe de inovações modernas chatas, malucas e sem sentido.

Como você vê a cena brasileira de Metal hoje?
Bem, eu não tenho o hábito de acompanhar com profundidade a cena brasileira atual, ou de qualquer outro país. Conheço algumas bandas daqui e dalí, mas em termos gerais meu conhecimento sobre a cena atual é bem limitado. Passo boa parte de meu tempo livre ouvindo os velhos discos da minha coleção particular, e relembrando os pequenos momentos mágicos que vivenciei através deles, lá no passado já distante. Sou muito nostálgico e saudosista, admito.

Tem alguma coisa que te desegrade no rock/metal?
Uma que me incomoda é o fato de boa parte do público dar mais importância para cerveja e álcool do que à música em si. Uma vez perguntaram ao Quorthon o porque do Bathory não fazer shows. Ele respondeu dizendo que uma das razões era o fato de que pouco importa quem está lá no palco tocando, pois o público está lá pela festa, pra beber e conversar, e não pela música. E eu concordo com ele! Todos nós sabemos que os headbangers em geral nunca tiveram um ótimo poder aquisitivo, e nas noites de shows muitos (não todos) deixam de adquirir CDs e camisetas nas mesinhas de merchandise pra poder comprar mais e mais cervejas no bar. Lógico que ninguém é obrigado a comprar o que não gosta, mas vários dos que que gostam de uma banda preferem gastar com bebida ao invés de adquirir CDs. Isso realmente me desmotiva. Mas paciência, cada um é cada um, e eu não sou nenhum dono da verdade. Todos têm o direito de se divertir da maneira como quiserem, desde que não prejudiquem outros.

O que você acha de misturas com outros estilos no metal?
Não tenho nada contra o ato de misturar em si, nem contra mudanças sonoras. Se uma banda quer misturar isso com aquilo, ou modificar seu som, tudo bem. Mas é preciso uma certa dose de cuidado e bom senso pra isso, se não vira bangunça e palhaçada, no pior sentido dos termos. O que me incomoda é quando insistem em usar o sufixo “metal” para rotular muitas dessas misturas estranhas e bizarras. Na minha opinião, para um som ser considerado metal, não basta apenas ter guitarra distorcida. Não! Vai muito além disso! Por exemplo, a música “Victim Of Changes” do Judas Priest. Se for executada ao piano, ainda assim não deixa de soar “metal”, forte, poderosa e imponente. Pois o sentimento “metal” e a mágica não está somente na guitarra distorcida, mas principalmente na sensação de força e poder que a sequência dos riffs proporciona. A distorção (textura) serve apenas como um “tempero”, uma “roupa”, um artifício para realçar a força dos riffs, nada além disso.

Algumas bandas usam elementos de outros estilos (por exemplo, o rap), colocam distorção nas guitarras e acreditam estar tocando “metal”. Sou absolutamente contra esse conceito. Mas o maior dos problemas, na minha opinião, é quando alguém defende a ideia de que uma mistura/mudança sonora é sempre, em qualquer caso, uma evolução. O termo “evolução” nos dá a conotação de que algo mudou pra melhor. Melhor? Sempre pra melhor? Besteira! Quando o Judas Priest lançou o “Jugulator” e o “Demolition” muita gente os considerou como “evolução”, mas pra mim houve uma nítida regressão, pois perderam a força se deixando influenciar por texturas sonoras modernas e sem profundidade na relação entre os riffs. Pra mim, evolução é o que Quorthon fez no Bathory (exemplo) entre o primeiro disco auto-intitulado de 1984 e “Twilight Of The Gods” de 1991. A sonoridade mudou bastante sim, mas a força das composições em si permaneceu a mesma. “Sacrifice”, “A Fine Day To Die” e “Blood And Iron” são igualmente imponentes e poderosas, mesmo sendo diferentes entre si. É isso que vale!

Gostaria de deixar alguma mensagem final?
Quero agradecer pelo convite para a entrevista, e também a todos os colegas e amigos que estão me ajudando na realização deste antigo sonho. Valeu mesmo!!! Quero e sinto que preciso deixar essas músicas gravadas e lançadas, antes de eu morrer (risos). E espero que o som do AMBITION seja bem recebido pelos grandes apreciadores do espírito do rock pesado e do heavy metal clássico dos anos 70 e 80. Esse material está sendo preparado com muito carinho e dedicação, de forma 100% passional e honesta, e estará disponível o mais breve possível.

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