A Educação Disruptiva e as Metodologias Ativas de Ensino

14 dezembro, 2017 às 20:19  |  por José Motta

É assaz complexo quando refletimos acerca do verdadeiro papel da escola do presente e do futuro quando inserida na atual era da disrupção e das estruturas exponenciais, na qual modelos convencionais de negócios são desconstruídos e novos padrões de comportamentos sociais nascem num piscar de olhos. Assistimos diariamente ao lançamento e implementação, numa velocidade impressionante, de novas formas e paradigmas de produtos e serviços, com adesão quase instantânea dos consumidores, atraindo principalmente uma comunidade hiperconectada, mobile e crítica.

O perfil da chamada Geração Z e da nova Geração F5, dos nascidos entre 1994 e 2007, já mudou muito a forma como se faz educação. Apesar disso, de acordo com pesquisas e constatações ao redor do planeta, educadores e instituições não estão no mesmo ritmo das mudanças e, por vezes, continuam com a adoção de práticas obsoletas e inadequadas para formar as atuais gerações e aquelas que estão por vir.

É certo que no Brasil há um grupo de educadores (relativamente pequeno ainda) que busca diversos caminhos para inovar as suas práticas em sala de aula. Porém, queixam-se de que as suas maiores dores residem no fato de terem que lidar com alunos do século XXI em um ambiente escolar estruturado, em muitos aspectos, tal como era no século XIX. As estruturas e práticas antiquadas e pouco atrativas acabam por não proporcionarem um ambiente adequado para uma relação produtiva entre professor-aluno-escola, fazendo com que os alunos não vejam utilidade imediata e nem significado em conteúdos recebidos por meio da simples exposição verbal ou leitura de slides. Sem significado e relevância não há motivo para estudar, notas baixas e baixo rendimento aparecem naturalmente e, o pior: evasão escolar.

“A maior taxa de evasão revelada pelo Censo Escolar entre 2014 e 2015 foi de 12,7% dos alunos matriculados na primeira série do ensino médio, seguida por 12,1% dos matriculados na segunda série. A terceira maior taxa de evasão é no nono ano ensino fundamental, que registrou 7,7%. Os números fazem parte dos indicadores de fluxo escolar na educação básica, divulgados pela primeira vez pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), nesta terça-feira, 20.”

Evasão no ensino médio supera 12%, revela pesquisa inédita (http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=50411)

Buscando construir um processo de ensino e aprendizado em conformidade com os desafios de um mundo em transformações, instituições do mundo inteiro estão se movimentando e procurando enxergar, além dos seus muros, novos caminhos e possibilidades para a aprendizagem e para a nova relação necessária entre professores e alunos: o uso das metodologias ativas de ensino e das tecnologias educacionais emergentes, dando maior valor à experimentação, ao aprender fazendo, à cultura maker e à aprendizagem colaborativa, utilizando-se de ambientes virtuais de aprendizagem e novas vias que permitam atender com mais eficiência às necessidades dos alunos e da sociedade atual.

Com base nessa complexa realidade e buscando promover uma formação memorável, hands on e disruptiva para professores desde a educação básica até a pós-graduação, tenho promovido e apostado em boas alternativas de metodologias: peer instruction, think|pair|share, team based learning, design thinking, jigsaw classroom, gamefication, emphaty maps e storytelling. Todos acontecendo a partir da premissa do Flipped Classroom, em que os alunos recebem previamente os conteúdos por meio de vídeos, áudios e textos (o chamado “momento a distância”) e, no momento presencial, praticam-se as metodologias citadas anteriormente. Ou seja, uma caixa de ferramentas fantástica e totalmente engajada ao espírito do ensino híbrido (momentos online e momentos presenciais diferenciados).

Diante desse extraordinário novo cenário, cabe ao professor se reinventar a cada aula. Planejar adequadamente os seus recursos para um ensino que potencialize o significado dos conteúdos e desperte o interesse dos alunos. Faz-se necessário a constante criação de novos caminhos, novas táticas e alternativas inovadoras em termos de metodologias de ensino. O professor do presente e do futuro deve deixar de ser o protagonista sobre o tablado à frente da sala de aula; agora ele passa a ser um designer de experiências de aprendizagem com base em dados e informações que levarão – professor e alunos – ao conhecimento efetivo sobre determinado assunto, à efervescência de ideias de aplicações desse conteúdo e à sabedoria necessária para a transferência desses saberes para o âmbito social e profissional.

Imagem Web Quest

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