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Aprendizagem Baseada em Times (TBL)

30 janeiro, 2018 às 08:25  |  por José Motta

TBL

Team Based Learning – TBL

É uma eficaz metodologia ativa de ensino que promove o aprendizado colaborativo, a persuasão e a tomada de decisão na resolução de problemas, tomando como base a teoria construtivista para a eficaz aquisição do conhecimento, interação com o meio, aplicação de conceitos,  transferência para novas situações de resolução de problemas e tomada de decisão.

2.   Justificativa

Team Based Learning ou Aprendizagem baseada em times consiste no uso de equipes de 2 a 8 alunos, e foi desenvolvido conjuntamente pela Duke Corporate Education e PricewaterhouseCoopers e popularizado pelo Prof Larry Michaelsen da Universidade de Oklahoma para melhorar a interação social, colaboração e aprendizagem entre os estudantes. É um método de ensino ativo bastante flexível, geralmente é constituído por 4 etapas: 1.Leitura prévia; 2.Testes Individuais; 3.Testes em equipe e 4.Tomada de decisão.

3.   O que é?

O Team Based Learning é bastante flexível, podendo ser aplicado de forma completa ou em partes, cada etapa pode ser avaliativa ou não.

Segue a descrição das 4 etapas.

1. Pré-leitura pelos estudantes antes da aula, ou no início de uma aula, ou transmissão do conteúdo por outra forma de mídia;

2. Teste individual de garantia de aprendizagem – teste curto, básico, múltipla escolha e individual (sem consulta) com base no material de preparação (leitura prévia);

3. Teste em time – os alunos devem discutir as questões e responder novamente, o mesmo teste, após discussão no time e consenso sobre as respostas. IMPORTANTE: os times devem obter feedforward do professor sobre seu desempenho, logo após as respostas dos times. Interferir de modo a potencializar os conteúdos de cada questão discutida;

4. Tomada de Decisão – normalmente perguntas abertas respondidas pela equipe e que explore o entendimento do conteúdo e tomadas de decisões frente a problemas reais ou simulados, exigindo habilidades superiores da Taxonomia de Bloom.

Taxonomia de BloomTaxonomia de Bloom FC

4. Como aplicar?

Sensibilização

        É importante que o professor explique para a turma como a metodologia será aplicada, se será avaliativa ou não, e qual etapa será avaliada. Recomenda-se que nas primeiras vezes que o professor aplique a metodologia TBL na turma, não seja de forma avaliativa, para que os alunos entendam os benefícios dessa metodologia sem criarem pré-conceitos.

 Material antecipado

O professor deverá fornecer o material que contém o conteúdo a ser trabalhado de forma antecipada. A Metodologia Team Based Learning talvez seja uma das mais adequadas para trabalhar o conteúdo presencial de um curso híbrido ou que utilize Flipped Classroom (Sala de Aula Invertida). O conteúdo pode estar organizado em forma de trilhas de conhecimentos, textos, áudios estilo podcast, vídeo aulas, documentários ou filmes, palestras ou mesmo entregue em forma de aula expositiva. Isso já começa a evidenciar a flexibilidade desta metodologia.

 Como organizar a sala de aula?

A turma deve ser organizada em equipes de 5 +/- 3 integrantes, ou seja, de 2 a 8 integrantes, o professor deve ter ciência de que quanto menor o número de integrantes, menor a diversidade de respostas, mas maior a interação entre eles, e por outro lado, quanto maior o número de integrantes maior a diversidade de opiniões, mas menor a interação entre a equipe. Idealmente as equipes devem ser alocadas em “mesas redondas” no espaço da sala de aula.

Como formar equipes?

A formação das equipes pode ser aleatória ou dirigida, e recomenda-se manter a mesma formação durante todo o curso, mas não é uma obrigação.

Operacionalização

A atividade começa antes do momento da aula, ou no início de uma determinada aula, com a Leitura Prévia e aproximação do conteúdo trabalhado. Não importa a mídia escolhida pelo professor.

Na sala de aula, o professor deve orientar a formação de equipes e explicar como acontecerá a atividade.

Um questionário e um gabarito com o número suficiente de perguntas que cubra o assunto estudado deverá ser entregue aos alunos que responderão individualmente. Os alunos deverão ser orientados a preencher as respostas para cada questão. Responderão uma alternativa se tiver certeza da resposta, e 2 ou até 3 alternativas se não tiver certeza da resposta. Um tempo deverá ser acordado ou informado para a finalização desta etapa.

Após cada aluno responder individualmente seu questionário, um novo gabarito deverá ser entregue ao time, que deverá em consenso preencher esse novo gabarito. É possível, se for o caso, construir formulários no Google Forms e programá-los para corrigir e dar feedback imediato as respostas da equipe.

Após o teste em equipes o professor pode estimular os alunos a pontuarem os principais pontos aprendidos do conteúdo, ou mesmo consolidar toda essa informação numa breve aula expositiva.

A quarta etapa consiste em Tomada de Decisão em equipe, onde o professor deverá aprestar questões abertas de casos ou problemas simulados ou reais e pedir que a equipe tome uma decisão para cada caso.

5.   Conclusão

        A Metodologia Team Based Learning é uma metodologia ativa muito flexível, que pode ser avaliativa ou não, mas principalmente trabalha habilidades e competências impossíveis de serem trabalhas em sala de aula convencional, tais como: trabalho em times, defesa de ponto de vista, respeito a opinião alheia, persuasão, gerência de tempo, liderança, tomada de decisão e resolução de problemas.

6.   Referências bibliográficas

Mitre SM et al. A formação das equipes pode ser aleatória ou dirigida, e recomenda-se manter a mesma formação durante todo o curso, mas não é uma obrigação. Ciência & Saúde Coletiva, 13(Sup 2):2133-2144, 2008

Bollela VR et al. Aprendizagem baseada em equipes:da teoria à prática

Medicina (Ribeirão Preto) 2014;47(3): 293-300.

Sweet M. O mínimo que você precisa saber sobre a aprendizagem baseada em equipes. Comunicação pessoal. Maio 2015

*Construtivismo → é uma teoria da aprendizagem, também entendida como uma corrente pedagógica, que tem como principal foco o entendimento da obtenção da aprendizagem relacionado com a interação do indivíduo com o meio. Os conceitos piagetianos mais fundamentais fazem referência aos mecanismos de funcionamento da inteligência e a constituição/construção do sujeito a partir de sua interação com o meio.

Construtivismo

O construtivismo propõe uma educação centrada no aluno, por meio de um processo colaborativo de construção do conhecimento, usando diversas ferramentas (tecnológicas ou não) para a compreensão, análise e aplicação dos conceitos e conteúdos.

 

Prof. José Motta Filho

Metodologias Ativas de Ensino

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A Educação Disruptiva e as Metodologias Ativas de Ensino

14 dezembro, 2017 às 20:19  |  por José Motta

É assaz complexo quando refletimos acerca do verdadeiro papel da escola do presente e do futuro quando inserida na atual era da disrupção e das estruturas exponenciais, na qual modelos convencionais de negócios são desconstruídos e novos padrões de comportamentos sociais nascem num piscar de olhos. Assistimos diariamente ao lançamento e implementação, numa velocidade impressionante, de novas formas e paradigmas de produtos e serviços, com adesão quase instantânea dos consumidores, atraindo principalmente uma comunidade hiperconectada, mobile e crítica.

O perfil da chamada Geração Z e da nova Geração F5, dos nascidos entre 1994 e 2007, já mudou muito a forma como se faz educação. Apesar disso, de acordo com pesquisas e constatações ao redor do planeta, educadores e instituições não estão no mesmo ritmo das mudanças e, por vezes, continuam com a adoção de práticas obsoletas e inadequadas para formar as atuais gerações e aquelas que estão por vir.

É certo que no Brasil há um grupo de educadores (relativamente pequeno ainda) que busca diversos caminhos para inovar as suas práticas em sala de aula. Porém, queixam-se de que as suas maiores dores residem no fato de terem que lidar com alunos do século XXI em um ambiente escolar estruturado, em muitos aspectos, tal como era no século XIX. As estruturas e práticas antiquadas e pouco atrativas acabam por não proporcionarem um ambiente adequado para uma relação produtiva entre professor-aluno-escola, fazendo com que os alunos não vejam utilidade imediata e nem significado em conteúdos recebidos por meio da simples exposição verbal ou leitura de slides. Sem significado e relevância não há motivo para estudar, notas baixas e baixo rendimento aparecem naturalmente e, o pior: evasão escolar.

“A maior taxa de evasão revelada pelo Censo Escolar entre 2014 e 2015 foi de 12,7% dos alunos matriculados na primeira série do ensino médio, seguida por 12,1% dos matriculados na segunda série. A terceira maior taxa de evasão é no nono ano ensino fundamental, que registrou 7,7%. Os números fazem parte dos indicadores de fluxo escolar na educação básica, divulgados pela primeira vez pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), nesta terça-feira, 20.”

Evasão no ensino médio supera 12%, revela pesquisa inédita (http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=50411)

Buscando construir um processo de ensino e aprendizado em conformidade com os desafios de um mundo em transformações, instituições do mundo inteiro estão se movimentando e procurando enxergar, além dos seus muros, novos caminhos e possibilidades para a aprendizagem e para a nova relação necessária entre professores e alunos: o uso das metodologias ativas de ensino e das tecnologias educacionais emergentes, dando maior valor à experimentação, ao aprender fazendo, à cultura maker e à aprendizagem colaborativa, utilizando-se de ambientes virtuais de aprendizagem e novas vias que permitam atender com mais eficiência às necessidades dos alunos e da sociedade atual.

Com base nessa complexa realidade e buscando promover uma formação memorável, hands on e disruptiva para professores desde a educação básica até a pós-graduação, tenho promovido e apostado em boas alternativas de metodologias: peer instruction, think|pair|share, team based learning, design thinking, jigsaw classroom, gamefication, emphaty maps e storytelling. Todos acontecendo a partir da premissa do Flipped Classroom, em que os alunos recebem previamente os conteúdos por meio de vídeos, áudios e textos (o chamado “momento a distância”) e, no momento presencial, praticam-se as metodologias citadas anteriormente. Ou seja, uma caixa de ferramentas fantástica e totalmente engajada ao espírito do ensino híbrido (momentos online e momentos presenciais diferenciados).

Diante desse extraordinário novo cenário, cabe ao professor se reinventar a cada aula. Planejar adequadamente os seus recursos para um ensino que potencialize o significado dos conteúdos e desperte o interesse dos alunos. Faz-se necessário a constante criação de novos caminhos, novas táticas e alternativas inovadoras em termos de metodologias de ensino. O professor do presente e do futuro deve deixar de ser o protagonista sobre o tablado à frente da sala de aula; agora ele passa a ser um designer de experiências de aprendizagem com base em dados e informações que levarão – professor e alunos – ao conhecimento efetivo sobre determinado assunto, à efervescência de ideias de aplicações desse conteúdo e à sabedoria necessária para a transferência desses saberes para o âmbito social e profissional.

Imagem Web Quest

Você está preparado para os Gens Net?

10 dezembro, 2017 às 10:40  |  por José Motta

Os Gens Net estão transformando as bases das práticas educativas, interações sociais e atitudes culturais.

O termo Geração Net foi cunhado pelo escritor e pesquisador Don Tapscott , em 1998, e se refere às pessoas nascidas entre 1980 e 2000, que formaram o primeiro grupo que cresceu imerso em um mundo digital. Essa geração também pode ser conhecida por
outros nomes – como Geração Y, Nativos Digitais e Millennials – e forma o grupo de pessoas mais espontâneas dos últimos tempos.

Depois da geração Y, temos a Geração Z (Gen Z – também conhecida como iGeneration, Plurais ou Centennials) que define pessoas nascidas de 1990 até o ano de 2010. As pessoas da Geração Z são conhecidas por serem nativas digitais, familiarizadas com a internet, o compartilhamento de arquivos e os telefones móveis. Elas não acessam a rede apenas de suas casas, mas também pelo celular, estando, assim, extremamente conectadas. As principais características desses indivíduos são: compreensão da tecnologia; capacidade de exercer multi tarefas; abertura social às tecnologias; velocidade e impaciência; interatividade.

E mais recentemente, entramos na Geração Alpha. Nascidas depois de 2010, essas crianças serão a geração com mais acesso a novas tecnologias educacionais do que todas as gerações anteriores, e, globalmente, será a geração mais rica de informação que já existiu.

Sendo assim, educadores, líderes empresariais e políticos precisam olhar mais atentamente para as mudanças que a Gens Net está inspirando. A mentalidade dessa geração da era da informação já está influenciando (e muito) a maneira como podemos trabalhar e desenvolver iniciativas futuras. Ao entrar no mercado de trabalho, o perfil da Geração Net proporciona incríveis mudanças no ambiente corporativo.

E então, você está preparado para essa incrível geração de pessoas?

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Sobre as Metodologias Ativas de Ensino e o Hands On!

7 dezembro, 2017 às 19:01  |  por José Motta

“O aprendizado e a retenção do conteúdo estão fortemente relacionados com o interior do processo mental. Os alunos aprendem muito melhor quando interagem ativamente com o conteúdo.”

Essas são as premissas básicas referentes às Metodologias Ativas de Ensino enunciadas por Craik e Lockhart em 1972. A Educação para o Século XXI requer processos ativos e colaborativos, sendo o professor um verdadeiro designer de experiências de aprendizagem memoráveis. Vamos juntos aprender fazendo? É possível. É divertido. É disruptivo!

WS4.Geral