Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 18/07/2012

18, julho 2012 por Napoleão de Almeida

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Um problema de mentalidade

Escrevo de São Paulo, onde irei transmitir, em uma central de mídia/TV, os Jogos Olímpicos 2012 pelo portal Terra. A Olimpíada ainda não ocupou todos os espaços midiáticos que merece e, mesmo quando ganhar corpo, irá dividir espaço com o Brasileirão. Amamos a Pátria e nos empolgamos com nossos heróis nacionais, mas é pelo clube do coração que a cabeça realmente vira. Para qualquer torcedor, em um hipotético jogo entre Brasil e seu time, não há dúvidas: a camisa amarelinha estará em segundo plano. Por isso, entre uma rodada da Série B ontem, uma da Série A hoje e uma semana da perda do Coritiba na Copa do Brasil, ainda cabe uma reflexão: por que o futebol paranaense ainda não se coloca entre os grandes do País? O que fazer para mudar? Começo pela mentalidade dos envolvidos: diretores, atletas, imprensa e até mesmo os torcedores.

Pequeno histórico

O Coritiba perdeu a Copa do Brasil pela segunda vez em casa; o Atlético, quando decidiu a Libertadores, sequer jogou em Curitiba. Nas finais internacionais, nacionais e regionais a que chegaram – some-se aqui o Paraná Clube – perderam para os grandes do eixo, ou até para o segundo escalão, Minas-Rio Grande do Sul. Os paranaenses venceram Bangu e São Caetano – o futebol brasileiro agradece – mas quando toparam com São Paulo, Santos, Vasco, Palmeiras, Cruzeiro e Grêmio, perderam – exceção ao Atlético na Seletiva de 99. Na hora H, falta algo. Falta, por exemplo, o costume de estar sempre na decisão. Falta a política de bastidores que inibe os erros de arbitragem, falhas humanas que acabam pesando mais para um lado, ou permite que Santos e Corinthians decidam a Libertadores para menos de 40 mil pessoas. Ter a confiança, para que um jogador mediano não perca um gol que faria em uma pelada. Falta acostumar-se a vencer.

Mudar para crescer

Ouvi uma história, do Coritiba 2009, quando rumava ao rebaixamento. Paulo Jamelli, então diretor de futebol, viu o barco afundando e sentenciou: “Vamos cair. Eu já joguei em clube vencedor. Quando está nessa situação, a camisa pesa, impulsiona. Aqui, estamos mais acostumados a perder do que ganhar, parece que não faz efeito.” O Coxa caiu, as coisas mudaram, a começar pelo comando diretivo, mais altivo. Ainda não foi o suficiente. É o resgate que também vive o Atlético e até mesmo o Paraná, dentro das suas limitações. Mas estão ainda longe. Jamelli falava sobre a exigência e apoio do torcedor; mentalidade vencedora. Não o ganhar por querer, mas por ter consciência de que esse é o caminho natural. Passa pela escolha de quem vai vestir as camisas. Por ousar em contratações e posicionamentos. Por dar estabilidade de trabalho. Criar um ambiente positivista. Mesmo a cobertura da imprensa (me incluo) deve ser mais profissional, sem apelar para os chavões “nós contra o eixo do mal” ou favores junto aos clubes. A cobrança, bem dosada, é que impulsiona. A questão é: ser dignos de dó, pelos erros, ou ser grandes? Eu quero ser grande.

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