Cantinho português em Curitiba vibra com título da Euro

11, julho 2016 por Napoleão de Almeida

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por Leonardo Bessa*

Nascido Manoel Silvio Barros, ‘seo’ Manoel deixou a Ilha da Madeira, em Portugal, há 62 anos. Mas a Ilha da Madeira não o deixou em nenhum desses dias desde que chegou ao Brasil. Neste domingo, quando o árbitro inglês Mark Clattenburg apitou o fim da Eurocopa, a primeira com cores lusitanas, o coração de Manoel disparou no centro de Curitiba. Dono da Lanchonete Beija-Flor, onde políticos, artistas e bacharéis menos reconhecidos fazem sua boquinha na região do Centro Cívico – embora o estabelecimento fique no São Francisco, Manoel era só olhos para seu conterrâneo: “A fé do cara é um negócio que dá orgulho de ver, que arrepia”, fala com admiração do filho mais ilustre do Leixão, Cristiano Ronaldo.

Nascido na pequena Câmara de Lobos, cidade de 19 mil habitantes, Manoel veio para o Brasil com a mãe, o padrasto e um casal de irmãos. Eles fugiram de Portugal em meio a ditadura do General Salazar. “Eram tempos difíceis, não tenho boas lembranças. A barriga roncava de fome”, conta. Ele nunca retornou ao país natal, mas pôde celebrar o feito do conterrâneo Cristiano, nativo de Funchal, a capital da Ilha da Madeira, distante 20 km de Câmara de Lobos. “Cristiano Ronaldo é a alegria da Ilha da Madeira. Graças a Deus que temos ele por lá”, comemora, antes de ser interrompido por um cliente para mais um cumprimento pelo título. Seu Manoel é popular na baixa gastronomia curitibana pelos filés generosos e a feijoada tradicional, ambos com preços camaradas. No local, vários artefatos portugueses.

Aos 74 anos, Manoel afirma que antes do título da Eurocopa as maiores emoções com o futebol haviam sido transmitidas pelo rádio, ouvindo o esquadrão de Eusébio, Coluna, Vicente e Costa Pereira, na Copa de 1966. E, apesar de ter vibrado muito com o título português, ele confidencia que, em um hipotético amistoso entre a Seleção de Portugal e o Marítimo, da Ilha da Madeira, clube de coração, não teria dúvidas para quem torcer: “Colocaria minha camisola e apoiaria o Marítimo. Antes de ser português, sou madeirense, ó pá”. Muito compreensível para um conterrâneo de Fernando Pessoa, que um dia escreveu que “o Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia. Mas, o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”.

*Leonardo Bessa é jornalista, Bon Vivant e amigo do Blog

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