O pai que queria ser um rabisco

29/11/06 às 00:00 Maurício Rebouças de Matos

Alta velocidade deveria ser apenas uma prerrogativa de pilotos profissionais. Na vida, viver em ritmo acelerado não faz bem a ninguém, além de colocar em risco o equilíbrio necessário para ser bem-sucedido na vida pessoal e familiar.

 

Madre Teresa de Calcutá sempre dizia que o amor começa em casa e que à falta de amor dentro dos lares é que se pode atribuir tanto sofrimento e infelicidade. No mês em que comemoramos o Dia da Família e o Natal, vale o alerta: devemos repensar nossas atitudes e avaliar sinceramente se estamos dando a atenção e o amor necessários à nossa família.

 

Um advogado e também professor universitário do interior de São Paulo revelou um grande acontecimento em sua vida a um grupo de alunos. A história logo se espalhou e, agora, tomo a liberdade de contá-la ao leitor.

 

Com apenas quatro anos, sua segunda filha estava indo muito mal na escola; andava agitada, agressiva e vivia isolada dos colegas de turma. Assim que tomou ciência do problema de sua filha, buscou culpados. Praguejou contra a esposa, a empregada, os vizinhos, e um sem-fim de pessoas.

 

Certo dia, a psicóloga do colégio onde a criança estudava marcou uma reunião com esse pai. Em uma conversa reservada, a orientadora mostrou um desenho feito pela menina. “Pedi aos alunos que desenhassem suas famílias e estranhei muito o fato de o senhor não estar representado no trabalho de sua filha”. O advogado ficou paralisado. Lágrimas percorriam incessantemente seu rosto. Somente naquele momento ele pôde se deparar com a verdade, que era a grande falta que ele fazia na vida de sua filha, a ponto de ela não fazer sequer um rabisco para representar a figura do pai.

 

Aquele homem teve a chance de rever sua vida e estabelecer nova ordem de prioridades, em que estudos, viagens e o reconhecimento profissional vêm sempre depois da sua família. Reviu seus horários, abriu mão de um terceiro emprego, reservou um período do dia para resolver problemas escolares de seus filhos e mais um longo período nos finais de semana para se divertirem em família.

 

Muitos pais e mães vivenciam situações semelhantes. E, talvez, muitos ainda não tenham percebido que a alegria, a educação, a saúde e o bem-estar de seus filhos estão em suas mãos. Portanto, apelo para todos que, no próximo dia 8, reflitam sobre o ritmo de suas vidas, revejam suas prioridades, sempre privilegiando a família e a missão que Deus concedeu a todos os pais e mães. Como enfatiza o dito popular, nada compensa o fracasso de um lar.

 

* Maurício Rebouças de Matos, gerente de conteúdo do Portal da Comunidade Canção Nova www.cancaonova.com

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